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	<title>Arquivo para Se comes, tu bebes - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Cultura Geral – Ou do ‘de tudo um pouco’ ao ‘nada com coisa alguma’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Nov 2024 11:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Para os diamantinos próceres Marcos Almeida, Marcus Éverson e Mateus Ma’ch’adö “Imagine-me sentado em casa na noite do primeiro dia da Páscoa envolto em um roupão; lá fora chove suavemente; Não há mais ninguém na sala. Olho por um longo tempo para o papel em branco diante de mim, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Para os diamantinos próceres Marcos Almeida, Marcus Éverson e Mateus Ma’ch’adö</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Imagine-me sentado em casa na noite do primeiro dia da Páscoa envolto em um roupão; lá fora chove suavemente; Não há mais ninguém na sala. Olho por um longo tempo para o papel em branco diante de mim, pena na mão, zangado com a quantidade confusa de todos os assuntos, eventos e pensamentos que exigem ser escritos; e alguns exigem isso com muita tenacidade, pois ainda são jovens e fermentam como mosto. Por outro lado, aquele pensamento, maduro e velho luta como um velho que, com um olhar ambíguo, despreza os cuidados da juventude”</em></p>
<p style="text-align: right;">Friedrich Nietzsche – <strong>Pensamentos Diversos. Abril a Setembro de 1864 (Sobre estados de ânimo)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span class="dropcap ">O</span>  insípido título é sintoma dum incômodo similar à queimação que por vezes sinto ao beber muito. O que acontece com certa (ou errada, segundo outros) frequência. O motivo? Uma observação feita a mim sobre os escritos de sábado. E qual foi a observação? Que eu escrevo sobre tudo, sobre qualquer tema, sem norte, sem padrão, sem uma linha editorial.</p>
<p>A figura humana, a serumaninha, que procedeu com tal carraspana, o fez enquanto este triste exemplar da espécie aqui estava a aspirar os sutis aromas da solidão voluntária (devidamente autorizada pela radiopatroa), a bebericar seu Brandy Jerez Solera Gran Reserva (a vinte e cinco graus) e a fumar seu Dunhill Carlton “Um Raro prazer”.</p>
<p>Pelo que entendi, a grasnadora me viu por acidente e, ante caso fortuito e, no seu entender, de força maior, viu-se autorizada a sentar, pedir um pescoço longo qualquer, danar a falar sobre si mesma e, ao perceber que estava eu me lixando, decidiu, ébria de frustração, fazer o tal pronunciamento a título de crítica intelectual e hipócrita admoestação própria de fofoqueiros.</p>
<p>Bem, calado estava, assim permaneci, cuidando de renovar a dose e acender outro cigarro.</p>
<p>Tomada da mais profana ira, a doidivanas saltou faiscante da cadeira provocando leve abalo sísmico na mesa, atraindo a atenção do discreto garçom, veterano cúmplice dos meus crimes, indo-se e desaparecendo entre automóveis.</p>
<p>Bem dizia Pierre Bourdieu: poucos permanecem indiferentes à indiferença.</p>
<p>A propósito: graças à etimologicamente zoila obnubilada, fui ungido, por cortesia, com uma dose extra de Brandy. Iniciativa do amigo garçom. Parece que a frase “não há mal que não traga um bem” tem algum fundinho ralo de verdade.</p>
<p>Sim, e daí, ô cabrunco de articulista pedante e pernóstico: o que tem a ver o reto com as calças?</p>
<p>Ah, é verdade, perdi-me em divagações, creio.</p>
<p>Ao refletir depois sobre o ocorrido, algo como um insight papocou-me o toitiço: sobre o que  ando a escrever, ao longo das madrugadas, mesmo? A relampejante resposta não tardou: nada com coisa alguma.</p>
<p>E né qu’é mesmo?</p>
<p>A coluna por mim ocupada mais parece a mercearia de Lee Chong, personagem de “A Rua das Ilusões Perdidas” (no original, Cannery Row), de John Steinbeck: “no estabelecimento encontra-se de tudo o que um homem necessita para ser feliz”.</p>
<p>Certo que o “tudo” que o infeliz leitor encontra nos meus artigos não proporciona o estado de satisfação, equilíbrio e bem-estar físico e psíquico, em que a pessoa se sente realizada e não sofre. Muito pelo contrário. Até onde sei, meus escritos de sábados (salvo honrosas exceções dignamente representadas por reduzidíssima e seleta consociação de leitores) induzem, via de regra, à depressão, ao desencanto, ao desinteresse, ao ressentimento, à maledicência e ao abatimento mental.</p>
<p>Então, em termos de referências que acrescentam o amargor do pior café, sim, logro êxito, ainda que não seja amiúde minha intenção.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1.png"><img decoding="async" class=" wp-image-82544 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1-300x300.png" alt="" width="117" height="117" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-Pixabay-1.png 1080w" sizes="(max-width: 117px) 100vw, 117px" /></a>Pois é&#8230; Escrevo de tudo sobre o tudo&#8230;</p>
<p>Porém, não é bem assim. Primeiro porque ninguém, até onde sei, é bom em tudo. Este que vos insulta, ops!, que vos escreve, especializou-se apenas em ser muito bom em nada.</p>
<p>Sou a antítese ante o dito &#8220;ex nihilo, nihil&#8221;.</p>
<p>Escrevo sobre o que me vem à cachola. Um apanhado de anos de leituras inúteis, belas mulheres, música imortal, bons amigos, brigas de murro e faca, furtos de livros e bebidas, horas felizes a cozinhar, inexaurível litragem (vinho, cerveja, brandy, Aviation, Manhattan, Moscow Mule, Negroni, Milone, Casca de Pau, Cravo&amp;Canela e congêneres).</p>
<p>Sim, vez por outra, se a preguiça permite, consulto as fontes. Entretanto, no mais das vezes, puxo pela memória, já carcomida pelos carunchos da eternidade. Há o risco de equivocar-me? Com toda certeza. E se alguém perceber? Bem, reconhecerei o erro e insiro nota de esclarecimento no próximo artigo. Desnecessário instituir mesa redonda.</p>
<p>Isso de fingir humildade, modéstia, é legal. Dá IBOPE.</p>
<p>Escrevo e publico coisas que, por um motivo ou outro, fizeram com que me decidisse por comentá-las.</p>
<p>E, sim, há uns poucos que manifestam interesse e satisfação ao ler meus garranchos. E fazem com que eu sinta algo como uma compensadora realização intelectual, pois, são pessoas da mais alta capacidade de compreensão e dotadas de vasto patrimônio cultural. Superiores a mim. Sou-lhes imensamente grato.</p>
<p>Há quem denomine esta miscelânea de temas sem finalidade específica de Cultura Geral.</p>
<p>Basicamente, Cultura Geral significa o acúmulo de conhecimento que uma pessoa tem sobre temas variados. Quem tem boa cultura geral, tem conhecimento de temas diversos sem se especializar em nenhuma área em particular. Hum&#8230; Mais ou menos por aí&#8230; Ainda que eu detenha uma xexelenta formação acadêmica em Filosofia e em História da Educação&#8230;</p>
<p>Conforme percepção do filólogo, historiador e professor de filosofia Dietrich Schwanitz, aquele que se dedica à Cultura Geral inquire-se sobre coisas tais como: “por que a sociedade moderna, o Estado, a ciência, a democracia, a administração surgiram na Europa e não em outro lugar? Por que é tão importante incluir figuras como Dom Quixote, Hamlet, Fausto, Robinson, Falstaff, Dr. Jekyll e Mr. Hyde entre nossos conhecidos? O que Heidegger disse que ainda não sabíamos? Onde estava o inconsciente antes de Freud?”</p>
<p>É bem verdade que o próprio Freud manifestava algo de prurido (ainda que falso) quanto à abordagem científica do indivíduo e do mundo. Ele o confessa numa carta a Wilheim Fliess, seu amigo e respeitado otorrinolaringologista: “Eu não sou um homem de ciência. Por temperamento, sou um conquistador”.</p>
<p>Então tá&#8230;</p>
<p>A exceção da, hum, “descoberta do inconsciente”, esta coisa indefinida, que remete, no parco entender deste analfabeto disfuncional que lhe escreve, a uma bizarra contradição/exclusão de termos, os demais itens, de fato, reconheço, causaram-me insônias colossais.</p>
<p>Afinal, a supracitada cabeça louca, como diria Eugene O’Neill, em “Longa Jornada Noite Adentro”, que invadiu meu consagrado espaço etílico-tabagista, até que me fez um involuntário favor: levou-me a pensar, ensimesmar-me, sobre a mixórdia semanal que expilo.</p>
<p>Há valor nisto? Hum&#8230; Sim, no que toca ao massagear ego e vaidade. Já em relação aos pouquíssimos leitores, estes são livres, leves e soltos para julgar.</p>
<p>Seja, quiçá, este artiguito, meu canto do cisne, meu crepúsculo dentre meus amados ídolos – homens e mulheres, os quais, mediante sua poderosa e elegante forma de pensar, contribuíram para a consolidação da Cultura Ocidental, vale dizer, do ‘modus vivendi’ fundamentado na consciência individual, no ato diário de liberdade, no amor ao refinado conhecimento.</p>
<p>Tendo, recentemente, a exercitar o salutar autoexílio, recolher-me à minha bolha e nela, ao lado da minha Imperatriz Absoluta do Meu Coração, receber as poucas almas nas quais enxergo a qualificada amizade de alto calibre.</p>
<p>Seja eu imbuído de coragem e de gratidão ante o tempo que o Pai Altíssimo ainda concede para que eu o viva. Que as boas pessoas, as pessoas de bem, lembrem de mim como um bom homem.</p>
<p>Bem, o espírito da vadiagem e do descuramento começam a dominar. Quase três da madrugada. Duas garrafas de vinho, as “Seis peças para piano em Fá maior, Op. 118: V. Romance. Andante &#8211; Allegretto Grazioso” de Brahms (se não estou a equivocar-me quanto à nomenclatura) e, o mais importante, o sorriso apascentador de minh’alma oferecido pela sedutora musa me aguardam.</p>
<p>Encerro aqui.</p>
<p>Santé!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O mágico, o fantástico&#8230;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-magico-o-fantastico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Nov 2024 09:40:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Há muito tempo imaginei um conto fantástico, à maneira de Leon Bloy: um teólogo dedica toda a sua vida a refutar um heresiarca; ele o derrota em polêmicas intrincadas, o denuncia, o queima; no céu ele descobre que para Deus o heresiarca e ele formam uma única pessoa. Jorge &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/o-magico-o-fantastico/">O mágico, o fantástico&#8230;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Há muito tempo imaginei um conto fantástico, à maneira de Leon Bloy: um teólogo dedica toda a sua vida a refutar um heresiarca; ele o derrota em polêmicas intrincadas, o denuncia, o queima; no céu ele descobre que para Deus o heresiarca e ele formam uma única pessoa.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Jorge Luís Borges – Obras Completas</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<span class="dropcap ">A</span> dica para este artiguete me veio pela pena elegante da querida amiga pesquisadora, escritora e memorialista Acácia Rios. Ufa&#8230;!!! Salvou-me a pele. Estava eu a dar tratos à bola assuntando de qual assunto iria produzir as linhas pro sábado este, dia 9 de novembro. No seu belo texto publicado no <strong>Só Sergipe, <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/amizades-vegetais-humberto-de-campos-e-seu-amigo-cajueiro/" target="_blank" rel="noopener">Acácia citara o escritor Humberto de Campos</a></span></strong>, mestre do realismo mágico/fantástico. Ontonce eu disse aos meus botões: Opa! Já sei! Vamos de realismo mágico ou realismo fantástico, como queiram. Este gênero literário me pegou de jeito quando, próximo aos dezoito anos, li mediante coleção da Abril Cultural, a “Literatura Comentada”, sobre a obra do escritor Murilo Rubião. Antes disso, tinha lido pouca coisa de Borges, e não entendera bem que tipo de literatura era aquela. Certo que, desde uns onze anos, já era familiarizado com a produção contística e novelística de Edgar Alan Poe, na linha do horror e do policialesco. Há quem inclua Poe entre os escritores que se valem do realismo mágico/fantástico, mas é um equívoco.</p>
<p>Ah, Julio Cortázar (e seu “Bestiário”), o próprio Humberto de Campos (“O Monstro e outros contos”), Adolfo Bioy Casares (“A Invenção de Morel”), Borges (“O Aleph” e “O Livro de Areia”) et ali&#8230;</p>
<p>E pra não ficar a incorrer nesta frescura mágico/fantástico, optarei pelo primeiro adjetivo. O improvável leitor que se sinta à vontade para classificar como quiser.</p>
<p>Vamos de Rubião, de primeira: após saber da respectiva existência, pelo fascículo dedicado a ele, na coleção “Literatura Comentada”, catei, um tanto sôfrego, pela obra completa. Não demorou muito, estava eu com a cara enfiada em seus livros. Apaixonado, maravilhado com forma tão peculiar de narrativa.</p>
<p>Lido o “O Ex-mágico da Taberna Minhota” seguiu-se a supracitada e resumida lista de autores e títulos.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-82270 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-205x300.jpeg" alt="" width="187" height="274" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-205x300.jpeg 205w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06.jpeg 410w" sizes="auto, (max-width: 187px) 100vw, 187px" /></a>Jorge Luís Borges, detentor de extensa obra, operou com destreza pelos campos do realismo mágico. Adquiri, primeiramente, a coleção publicada pela Globo. Li toda ela em menos de três dias. “O Aleph”, “O Milagre Secreto”, “A Morte e a Bússola”, “O Livro de Areia”, “O Informe de Brodie” são alguns dos contos borgeanos que releio.</p>
<p>Julio Cortázar: como no caso de Borges, teria eu lido, aqui e ali, um conto ou outro, durante a década de setenta. No início dos anos 90, chegou-me, mediante a coletânea, em capa dura, na coleção “Mestres da Literatura Contemporânea” (Edições Record – Altaya), intitulada “Todos os Fogos o Fogo”. Outra experiência do maravilhar-se. Entre os contos desta coletânea, o meu preferido é o primeiro do livro: “A Autoestrada do Sul”. Ao leitor desavisado, parecerá um mero relato sobre congestionamento de trânsito num domingo à tarde, que envolve dezenas de motoristas e respectivos passageiros na volta de Fontainebleau para Paris. Bem, Cortázar é o autor&#8230;</p>
<p>E Bioy Casares? Seu “A Invenção de Morel” ou “A Invenção do Senhor Morel” foi dedicado a Jorge Luís Borges. Em 1932, Victoria Ocampo apresentou Casares a Jorge Luís Borges, que a partir de então tornou-se seu grande amigo e com quem escreveu diversas histórias policiais sob vários pseudônimos, sendo o mais conhecido “Honorio Bustos Domecq”.</p>
<p>Terá o leitor, com toda certeza, percebido que não estou a proceder com análises detalhadas e nem a eivar o texto de várias referências, vários aportes. Motivo? Preguiça fidumaégua a acossar-me por esses dias. Ando vadio, tardo na ação&#8230;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-82271 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-1-196x300.jpeg" alt="" width="196" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-1-196x300.jpeg 196w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-1.jpeg 323w" sizes="auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px" /></a>Quem sabe se, para não ficar de todo mal na foto, possa eu acrescentar algumas linhas, em nada originais, sobre o gênero mesmo, sem ir a fundo na produção de cada autor.</p>
<p>Pois bem: no interior de uma obra reconhecida como pertencente ao realismo mágico, nosso mundo continua ainda fundamentado no mundo real. Contudo, elementos fantásticos são incluídos. Tais elementos não provocam surpresa, espanto, terror, nos personagens, pois, são considerados normais nesta concepção de mundo.</p>
<p>A expressão (que se tornou definição, classificação) “realismo mágico”, até onde sei, provém do primeiro terço do século XX.  Viria, creio da expressão “magischer realismus”, que foi “traduzida” como “realismo mágico”. A expressão foi usada, pela primeira vez, aparentemente, em 1925 pelo crítico de arte alemão Franz Roh, em seu livro “Nach Expressionismus : Magischer Realismus” (algo como “Depois do Expressionismo: Realismo Mágico”).</p>
<p>A expressão se referia mais às artes plásticas do que à literatura, em razão do aparecimento da “Neue Sachlichkeit”, ou Nova Objetividade, estilo de pintura que se tornou popular na Alemanha, sendo visto como alternativa ao romantismo do expressionismo.</p>
<p>Há, também, quem afirme (não tenho motivo para objetar) que o termo realismo mágico, direcionado de forma técnica e teórica à literatura, é uma designação relativamente recente, utilizada pela primeira vez na década de 1940, pelo romancista cubano Alejo Carpentier, que reconheceu essa característica em grande parte da literatura latino-americana. Alguns estudiosos postularam que o realismo mágico é um resultado natural da escrita pós-colonial, que deve dar sentido a pelo menos duas realidades separadas — a realidade dos conquistadores e a dos conquistados.</p>
<p>Ora que seja!</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-82272 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-2-204x300.jpeg" alt="" width="204" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-2-204x300.jpeg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-08-at-11.44.06-2.jpeg 326w" sizes="auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px" /></a>Em 1955, o crítico literário Angel Flores valeu-se do termo realismo mágico num ensaio, afirmando que aquele combina elementos de realismo mágico e realismo maravilhoso. Flores nomeou o autor argentino Jorge Luís Borges como o primeiro “realista mágico”, com base na coletânea de contos (os quais não se assemelham a contos como estava eu, até então, acostumado a considerar), “Uma História Universal da Infâmia”, publicada pela primeira vez, se não me falha a embolorada memória, em 1935.</p>
<p>Um dos textos me chamou muito a atenção. Intitulado “O Fornecedor de Iniquidades, Monge Eastman”, do qual a morte descrita me encanta sempre: “Em 25 de dezembro de 1920, o corpo de Monk Eastman foi encontrado em uma das ruas centrais de Nova York. Ele havia sido baleado cinco vezes. Um feliz estranho até a morte, um gato de rua, tipo comum, andava ao seu redor com certa perplexidade”.</p>
<p>Aí está este arremedo d’artigo.</p>
<p>Santé!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Do Pé na Jaca ao &#8220;Noblesse Oblige&#8221;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/do-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Nov 2024 11:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;O rumor da ressaca na praia distante chegava, transportado pela brisa do sul, como suspiros desesperados que subissem do próprio coração da Terra para os cachos de estrelas vigilantes&#8221;.      Rabindranath Tagore, Çaturanga.   E então, em nome da sanidade, da nobre preguiça caymmiana, decidimos por passar uns &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/do-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige/">Do Pé na Jaca ao &#8220;Noblesse Oblige&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;O rumor da ressaca na praia distante chegava, transportado pela brisa do sul, como suspiros desesperados que subissem do próprio coração da Terra para os cachos de estrelas vigilantes&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;">     Rabindranath Tagore, <strong>Çaturanga</strong>.</p>
<p><strong> </strong></p>
<figure id="attachment_82000" aria-describedby="caption-attachment-82000" style="width: 370px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-82000" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-300x216.jpeg" alt="" width="370" height="266" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-300x216.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-1024x737.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-768x553.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-1536x1106.jpeg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1-2048x1475.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82000" class="wp-caption-text">Sardinha torrada, cerveja gelada: pé na jaca no Mercado do Peixe, em Salvador</figcaption></figure>
<p>E então, em nome da sanidade, da nobre preguiça caymmiana, decidimos por passar uns dias em Salvador.</p>
<p>Motivos? Bem, em primeiro lugar pela nossa vontade, juntamente com a já citada manutenção dos miolos, depois por ser perto e mais em conta e depois por gostarmos dalgumas coisas de lá.</p>
<p>Meio rasa e frouxa a resposta? Well, não há que se defender tese complexa aqui. Fomos porque fomos e pronto.</p>
<p>E reconheçamos: quem se importa? Viagens podem significar o &#8216;dolce far niente&#8217;, a despreocupada eudaimonia&#8230; Ainda que implicações de ordem prática permeiem o tecido da fruição.</p>
<p>Aportamos em Ondina. Airbnb com vista panorâmica: praia e mar. Cachorros correndo pela areia, algas em profusão e, num clima bossa nova, um barquinho a ir e à tardinha a cair. Ao avançar da noite, serenado o trânsito na avenida, fora possível ouvir, das ondas precepitosas, o escachoar quando do choque nas formações de pedras.</p>
<figure id="attachment_82005" aria-describedby="caption-attachment-82005" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82005 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Ponto-facultativo-e-feriado-confira-o-funcionamento-dos-servicos-municipais-nos-dias-1o-e-2-6-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82005" class="wp-caption-text">Iara e o Mastodonte (Museu Geológico da Bahia), e Léo, seu par, também no museu</figcaption></figure>
<p>Diante da praia e, alhures, do oceânico mar, fui tragado pelo vórtice da memória e recordei de Homero, vale dizer, da Grécia antiga, das minhas origens. Recordei que Homero considerava &#8216;Oceanus&#8217; a origem de tudo o que existe. Belo e poético paradoxo: &#8216;Oceanus&#8217; circunscreveu o mundo e assim marcou seus limites, mas ele próprio era ilimitado. Poseidon, o, digamos, administrador do Mediterrâneo, era sobrinho de Oceanus. Ele detinha dupla função — deus dos cavalos e deus do mar. Mas também tinha de lidar com os concorrentes: Tritão, Ponto, Nereu e a, por vezes esquecida, Thalassa, um espírito feminino primitivo do mar. Como deus do mar, Poseidon era considerado destruidor e benfeitor.</p>
<p>Mas, sim, oh divagante, e Salvador, Ondina?</p>
<p>Ah, certo. E as coisas de sempre, das quais a gente gosta: Museu de Geologia, estabelecimentos especializados em vinho, performances jazzísticas e blueseiras, restaurantes à excelência e excelentes momentos no simpático Mercado de Peixe e em bibocas quase anônimas, entretanto, charmosas.</p>
<p><strong>Se comes, tu bebes.</strong> E é sobre as tocas de comer e beber, e por não atinar tema outro, que desejo tecer breves considerações.</p>
<p>Nem sempre excelência implica em sofisticação exagerada e excesso de bordadinhos.</p>
<figure id="attachment_81999" aria-describedby="caption-attachment-81999" style="width: 169px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81999" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-169x300.jpeg" alt="" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-576x1024.jpeg 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-768x1365.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-864x1536.jpeg 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-1152x2048.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.15-scaled.jpeg 1440w" sizes="auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81999" class="wp-caption-text">Cutelo, de duvidosa procedência, adquirido de ambulante no Mercado de Peixe &#8211; &#8220;Vai encarara, fiducabrunco?&#8221;</figcaption></figure>
<p>O Restaurante da Bel, em Ondina, por exemplo, é modesto em termos de estrutura, embora muito funcional. E a boia? Muito boa. Fomos de pastel de siri e feijoada. Misturada do cabrunco. Mas deu certo. Uma dúzia de Amstel 600ml acompanharam o maravilhoso almoço pé duro.</p>
<p>Horas mais tarde, pela noite, marcamos presença no Família Frantz, no Pituba. Atendimento, cardápio e rótulos que merecem aplausos. Não só comemos e bebemos bem, como passamos pela experiência de pipetar vinho direto da barrica. Também conversamos muito com os proprietários. Eficiência, nobreza e beleza.</p>
<p>E dentre outros locais, pelos quais demos uma passadinha, o Mercado de Peixes nos fisgou mais uma vez. Cheiro forte de tudo o que é de mar, maré e maresia. Desta vez, ao chegarmos aos largos portões do mercado, veio-me, de imediato, a fariscada reflexão do ocioso filósofo Michel Eyquem de Montaigne: &#8220;É espantoso a que ponto um cheiro qualquer se impregna em mim facilmente. Quem se queixava de que a natureza não dotara homem de instrumento capaz de levar os odores ao nariz, laborava em erro, porquanto os próprios odores sabem encontrar seu caminho&#8221;.</p>
<p>Porém tudo muito limpo, boxes organizados. A exceção dos banheiros masculinos, sujos, elameados&#8230; Mas é coisa comum e o melhor é fazer que nem os pinguins: sorrir e acenar.</p>
<figure id="attachment_81998" aria-describedby="caption-attachment-81998" style="width: 169px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81998" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-169x300.jpeg" alt="" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-576x1024.jpeg 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-768x1365.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-864x1536.jpeg 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-1152x2048.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-01-at-12.16.16-1-scaled.jpeg 1440w" sizes="auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81998" class="wp-caption-text">Generoso prato de ostras fresquinhas e grandes. Viva o Mercado de Peixes!</figcaption></figure>
<p>E do que gostamos no Mercado de Peixe? Bem, tem a coisa de se comprar o peixe, o camarão, o lagostim (tudo, aí sim, fresco) e pedir à cozinheira da ABO — Academia Baiana de Ostras para fritar. Banquinhos, távolas redondas e altas, bêbedos em volta, ambulantes e pedintes. Compramos sardinhas&#8230;</p>
<p>Sim, não é lugar pra gente fresca. Fresco somente o de comer, mesmo.</p>
<p>Tacamos a comer sardinha frita, quase torrada&#8230; limãozinho&#8230; pimentinha&#8230; hummmm&#8230;</p>
<p>Mas se vossa senhoria quiser ser chique e dispor dalguns merréis a mais, pode optar pelas vieiras, mesmo. Compre, entregue à sisuda cozinheira, e ela lhe entregará um prato digno dos deuses.</p>
<p>Mencionei ambulantes. Hum&#8230; Eis que, de um deles, adquirimos um cutelo, ou machete, invocado. E já o pusemos para trabalhar na minha cozinha.</p>
<p>Saltamos dali e chegamos ao Cave Wine Bar. Bons pratos autorais. Adega não muito extensa, contudo, a dispor de rótulos bem legais.</p>
<p>E assim vivemos, meu rei, dias de pé na jaca e de etiqueta. Em ambos os casos, o importante é pôr-se grato ao Senhor Pai Altíssimo e ao Senhor Jesus pela vida, pelo vinho, pelas boas pessoas, pelo amor.</p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige%2F&amp;linkname=Do%20P%C3%A9%20na%20Jaca%20ao%20%E2%80%9CNoblesse%20Oblige%E2%80%9D" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige%2F&amp;linkname=Do%20P%C3%A9%20na%20Jaca%20ao%20%E2%80%9CNoblesse%20Oblige%E2%80%9D" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige%2F&amp;linkname=Do%20P%C3%A9%20na%20Jaca%20ao%20%E2%80%9CNoblesse%20Oblige%E2%80%9D" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige%2F&amp;linkname=Do%20P%C3%A9%20na%20Jaca%20ao%20%E2%80%9CNoblesse%20Oblige%E2%80%9D" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige%2F&#038;title=Do%20P%C3%A9%20na%20Jaca%20ao%20%E2%80%9CNoblesse%20Oblige%E2%80%9D" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/do-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige/" data-a2a-title="Do Pé na Jaca ao “Noblesse Oblige”"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/do-pe-na-jaca-ao-noblesse-oblige/">Do Pé na Jaca ao &#8220;Noblesse Oblige&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amar a Arte de&#8230;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/amar-a-arte-de/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2024 11:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[autores]]></category>
		<category><![CDATA[estatística]]></category>
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		<category><![CDATA[linguiça]]></category>
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		<category><![CDATA[Pierre Bourdieu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Todos remetem o prodígio da arte a algum estranho departamento dir-se-ia que situado, sabe-se lá como, à margem daquele doloroso e iluminante desafio que é o mistério da morte ante o milagre da vida; assim constroem-se moinhos de vento em nome justamente da razão acordada e assumida&#8230; Ou existiria &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Famar-a-arte-de%2F&amp;linkname=Amar%20a%20Arte%20de%E2%80%A6" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Famar-a-arte-de%2F&amp;linkname=Amar%20a%20Arte%20de%E2%80%A6" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Famar-a-arte-de%2F&amp;linkname=Amar%20a%20Arte%20de%E2%80%A6" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Famar-a-arte-de%2F&amp;linkname=Amar%20a%20Arte%20de%E2%80%A6" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Famar-a-arte-de%2F&#038;title=Amar%20a%20Arte%20de%E2%80%A6" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/amar-a-arte-de/" data-a2a-title="Amar a Arte de…"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Todos remetem o prodígio da arte a algum estranho departamento dir-se-ia que situado, sabe-se lá como, à margem daquele doloroso e iluminante desafio que é o mistério da morte ante o milagre da vida; assim constroem-se moinhos de vento em nome justamente da razão acordada e assumida&#8230; Ou existiria realmente, afora o sono esplêndido da arte grega, um pós-goyesco sonho da razão?</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Bruno Tolentino, poeta e ensaísta</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><strong> </strong><em>Frequentemente pensamos em obras de arte como possuidoras de significado, e pensamos em museus como lugares onde esse significado pode ser exibido e encontrado.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Garry L. Hagberg, professor, filósofo e músico jazzístico</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> título, capcioso, reconheço de pronto, apresenta-se num leque de infinitas, por assim dizer, possibilidades. A palavra &#8220;amor&#8221; tem origem no latim amare, que era usada para expressar afeição, preocupação e desejo por alguém. Talvez também proceda de ‘amma’, termo indo-europeu relacionado ao sentimento incondicional. Notadamente o amor expressado pela figura materna. Quanto ao conceito arte, sem intenção novidadeira, segundo maioria dos dicionários etimológicos, este vem do latim ars, que significa literalmente “técnica”, “habilidade natural ou adquirida” ou “capacidade de fazer alguma coisa”. Com o passar do tempo, o termo latino ars passou a designar um tipo de técnica relacionada à produção de objetos com beleza estética, ou aquilo que é esteticamente agradável aos sentidos humanos. Surgia assim o conceito da “arte”.</p>
<p>Então “A Arte de&#8230;” tem o poder de remeter às mais distintas das coisas, universais e particulares.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-5.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-81532 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-5-227x300.png" alt="" width="253" height="334" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-5-227x300.png 227w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-5.png 500w" sizes="auto, (max-width: 253px) 100vw, 253px" /></a>Deixando de lado a encheção de linguiça, a enxugação de gelo, o desnecessário artiguinho deste sábado de outubro abordará um livro, creio, bem interessante, intitulado o “O Amor Pela Arte”, do sociólogo e filósofo Pierre Bourdieu.</p>
<p>Então, o que temos é o amor pela arte de ir aos museus e, lá estando, ver e admirar a arte manifesta de várias formas e por vários autores.</p>
<p>Há tempos dou voltas em torno deste livro. Mas não levava a efeito comentá-lo. Motivo? Bourdieu virou gazua para qualquer porta acadêmica. À esquerda e à direita o dito cujo foi (mal) lido, (mal) compreendido, (mal) interpretado. Seu estilo de escrita, um tantinho complicado, devido, na minha opinião, à sua preocupação (justa e necessária) de fundamentar e explicar (diria até mesmo historicizar) cada termo ou expressão por ele usados, dava e ainda dá margem para as mais esdrúxulas exegeses. Doutores, mestres e graduandos, ricamente dotados de pobreza lexical, “traduziram” conforme lhes aprouve, o discurso representativo do sistema ‘bourdieusiano’. Nos meus anos de academia, ou seja, de universidade, antes do meu ‘auto-ostracismo’, vi e ouvi cada coisa de arrepiar tudo quanto é pelo ou penugem: “intelectuais” valendo-se de Bourdieu qual cheque em branco já assinado. O estelionato cultural corria à solta.</p>
<p>Não querendo, como diria o imenso poeta Osvaldino Marques, me alinhar aos aleivosos, mas, sim, dar provas, resistia a comentar, como já disse, a referida obra.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81530 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-3.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Mas eis que, após duas garrafas dum excelente espanhol, região de Rioja, e ser tomado por um atávico espírito intrépido, dum hispânico e flamenco ímpeto, me decidi por trazer à baila “O Amor Pela Arte”, de Pierre Bourdieu, devidamente lido, anotado, glosado.</p>
<p>E se não me assolar providencial preguiça, quem sabe produza outros artigos sobre este extraordinário pensador.</p>
<p>Ah! Cumpre observar que a produção não é de autoria apenas de Bourdieu, o outro autor, Alain Darbel, sociólogo francês, combatente no cenário dos conflitos militares argelinos e integrante ativo do Centro de Sociologia Europeia, fez muito bem sua parte, notadamente os detalhes estatísticos, os quais fundamentaram com solidez os argumentos e teses inerentes à obra ora abordada. É isso: a parte estatística do livro se deve muito mais a Darbel do que a Bourdieu.</p>
<p>A dupla dinâmica, como diria o historiador da filosofia Will Durant, soltou os cachorros da raça das desconfortáveis questões: o acesso aos tesouros artísticos é aberto a todos e, na verdade, proibido à maioria? O que separa quem vai a museus dos demais, ou seja, dos que não vão? Os amantes da arte vivenciam seu amor como algo livre de condições e condicionamentos?</p>
<p>É certo que os autores tentam fornecer respostas sociológicas para essas questões, vale dizer, respostas lógicas e empíricas. Contudo, ao final da leitura, pelo menos para mim, a proposta se mantém numa condição um tanto aporética.</p>
<p>Mas a leitura atenta vale a pena, sim. As perspectivas diante do fenômeno “amar a arte”, no sentido de se buscar a compreensão, a consciência de como aquele se dá no tecido social e em cada um de nós, sem dúvidas promove nossa elevação espiritual no que toca a observar e admirar as produções artísticas, notadamente as clássicas ou as que mantêm o propósito clássico do cultivo ao Belo. O livro funciona quase como um manual, sem, porém, se deixar engessar pelo superficial e automático discurso normativo.</p>
<p>Muito pelo contrário, ainda que não seja minha intenção aprofundar as implicações aqui, o livro traz resultados de pesquisa de campo extremamente úteis no que concerne ao entendimento do ato, voluntário ou induzido, de se visitar museus.</p>
<p>Significativa a abordagem quanto à influência familiar neste ritual. O que será visitado, visto, compreendido, dependerá do capital cultural proporcionado, antes de tudo, pelo ambiente doméstico. Proporção é a palavra. E tudo dependerá muito desta.</p>
<p>Sim, todos nós temos, queiramos ou não, senso de gosto, de preferência cultural subjacente. E essa referência tão visceral determinará, em grande parte, o que nos será agradável e atraente. Isso em praticamente tudo, mas, o caso aqui, é de interesse contingente à nossa posição diante dos objetos considerados obras de arte: música, pintura, literatura&#8230;</p>
<p>Estabelecida percepção sociocultural e econômica, manifestada  por Bourdieu e Darbel, levou-me a admirar este livro, dada a funcionalidade, a profundidade e, ao mesmo tempo, imediaticidade da mesma:  &#8220;A estatística revela que o acesso às obras culturais é o privilégio da classe culta; no entanto, tal privilégio exibe a aparência da legitimidade. Com efeito, neste aspecto, são excluídos apenas aqueles que se excluem. Considerando que nada é mais acessível do que os museus e que os obstáculos econômicos — cuja ação é evidente em outras áreas — têm, aqui, pouca importância&#8221;.</p>
<p>Isto, dito por intelectuais à esquerda (livres, entretanto, do infantilismo sobre o qual alertou Lenin), é revelador de mais um fato paralelo, ou intrínseco, ao descrito pelos autores: é sim possível posicionar-se num dado campo ideológico sem tentar aviltar a própria inteligência, vale dizer, a própria dignidade. Ou seja, sem mascarar a realidade.</p>
<p>Confesso que sempre corro o risco de incorrer neste equívoco: algo de metafísico, no tocante à arte permanece em mim. Ante um Giuseppe ARCIMBOLDO, um Sandro BOTTICELLI, um Hieronymus BOSCH, um Jan van EYCK, me é difícil recordar de que o objeto que admiro é fruto da cultura, vale dizer, da mão e da mente humana. E, na verdade, nem tento tanto manter o lastro do racional, deixo-me levar, ponho-me a sonhar&#8230;</p>
<p>Bourdieu e Darbel funcionam, em mim, como sinais de alerta. As Belas Artes, por mais maravilhosas que sejam, são resultado da labuta aliada ao talento. E os museus são os espaços – técnicos, materialistas e operatórios – em que podemos nos dedicar a olhar, a aprender, a comover contando com algumas horas para isso.</p>
<figure id="attachment_81531" aria-describedby="caption-attachment-81531" style="width: 251px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-4.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-81531" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-4-227x300.png" alt="Iara Mittaraquis" width="251" height="332" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-4-227x300.png 227w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-4.png 500w" sizes="auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81531" class="wp-caption-text">Iara Mittaraquis em visita ao MASP durante a exposição &#8220;Francis Bacon &#8211; A Beleza da Carne&#8221;</figcaption></figure>
<p>Decerto que museus são espaços amplamente acessíveis. O valor de referência desses lugares para a sociedade, em maior ou menor grau (porém sempre constante), afeta as políticas públicas — estas falsas disposições favoráveis à formação cultural de indivíduos e comunidades. São falsas, contudo, são pragmáticas, e podem ser apropriadas pelas pessoas que não se excluem da franca possibilidade de promover  o &#8216;habitus&#8217; pessoal e coletivo de se fazer presente nesses espaços que pesquisam, colecionam, conservam, interpretam e expõem o patrimônio material e imaterial local e universal.</p>
<p>Compreenda-se, aqui, neste artigo, o &#8216;habitus&#8217; como um senso interno quanto ao modo de se comportar. Em vez de nos deixarmos levar por um conjunto de regras sociais que sentimos que devemos aderir, o &#8216;habitus&#8217; deve ser o conjunto de habilidades e recursos sociais que nos permitem nos integrar com o entorno, sem que percamos as características inerentes à nossa individualidade.</p>
<figure id="attachment_81534" aria-describedby="caption-attachment-81534" style="width: 180px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-6.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-81534" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-6-200x300.png" alt="" width="180" height="270" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-6-200x300.png 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-6.png 400w" sizes="auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81534" class="wp-caption-text">O sociólogo e filósofo Pierre Bourdieu</figcaption></figure>
<p>Bem, Bourdieu suscita interpretações e interpretações. A possibilidade do leitor, caso detenha estofo para tanto, discordar do meu entendimento em relação ao termo está incluída e não surpreenderia a mim&#8230; Ou sim? Hum&#8230;</p>
<p>O que é o museu, na percepção destes dois autores? Respondem: “O museu fornece a todos, como se tratasse de uma herança pública, os monumentos de um esplendor passado, instrumentos da glorificação suntuária dos grandes de outrora: liberalidade factícia, já que a entrada franca é também entrada facultativa, reservada àqueles que, dotados da faculdade de se apropriarem das obras, têm o privilégio de usar dessa liberdade e que, por conseguinte, se encontram legitimados em seu privilégio, ou seja, na propriedade dos meios de se apropriarem dos bens culturais, para falar como Max Weber, no monopólio da manipulação dos bens de cultura e dos signos institucionais da salvação cultural”.</p>
<p>Em tempo: “suntuária/suntuário refere-se a despesas, contas. Também a magnificência. E por aí vai&#8230;</p>
<p>O subtítulo do livro &#8220;O Amor Pela Arte&#8221;, a saber, &#8220;Os museus de arte da Europa e seu Público&#8221;, alerta de que a pesquisa levada a efeito se deu inteiramente no velho continente. Mas quando é lido com atenção, se o leitor detém capacidade de exercitar correlações, enfim, com conhecimento e boa vontade, percebe-se que mais de um aspecto se reproduz na nossa realidade.</p>
<p>Bourdieu e Darbel parecem saber disso. E, na verdade, têm de sabê-lo. Há disposições, as quais, não obstante se apresentarem como inerentes à um campo específico, no caso, aqui, o campo da Arte, são comuns onde quer que este campo se estruture. Isto em razão de a arte transcender, em termos, as limitações de que seria a linguagem e a cultura de onde se originou.</p>
<p>Portanto, nem que seja por &#8220;apenas&#8221; isto, vale a pena ler e estudar &#8220;O Amor Pela Arte&#8221;.</p>
<p>Acredito nisto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Santé</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O vinho na arte dos pintores espanhóis – Algumas superficiais considerações</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-vinho-na-arte-dos-pintores-espanhois-algumas-superficiais-consideracoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Oct 2024 11:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Léo Mittaraquis (*) &#160; Baco decidiu fazer-se herói. Suas intenções nada tinham de terrível e de sanguinário. Desejava apenas levar a civilização e a arte de fazer o vinho às regiões mais remotas. Albino Pereira Magno, História do paganismo em diversos povos da antiguidade &#160; Un gran vino requiere un loco para hacerlo crecer, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Baco decidiu fazer-se herói. Suas intenções nada tinham de terrível e de sanguinário. Desejava apenas levar a civilização e a arte de fazer o vinho às regiões mais remotas.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Albino Pereira Magno, História do paganismo em diversos povos da antiguidade</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Un gran vino requiere un loco para hacerlo crecer, un hombre sabio para velar por él, un poeta lúcido para elaborarlo, y un amante que lo entienda.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Salvador Dalí</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>evido ao estrondoso sucesso de público e crítica, meio ao pequeníssimo grupo de leitores com o qual conto, volto à carga com mais vinho e cultura clássica. Desta vez, meia taça de referências quanto à relação do vinho e a arte de alguns pintores espanhóis, aos quais tributo grande admiração. E assim procedo para, além do cultivo da vaidade, da autoafirmação, do espírito emproado, investir em temas inofensivos, livre dos miasmas ideológicos e partidários, a agradar gregos, troianos e comunidade do bairro Grageru.</p>
<p>Entre os bebedores apaixonados pelo vinho, é sabido que o setor vitivinícola sempre desempenhou o mais importante papel em termos históricos, culturais e econômicos na Espanha.</p>
<p>Para se ter uma ideia, há registros de que, já no século II da era cristã, somente Roma teria comercializado (o que significa consumido) cerca de 20 milhões de ânforas de vinho espanhol.</p>
<p>E as procedências, a partir do território, variavam desde os adocicados vinhos de Málaga, passando pelos denominados claretes da Galícia até os tintos Tarragona e os brancos de Alella. O consumo era em tal magnitude que exigiu a criação de normas de plantio com o nobre objetivo de proteger os produtores nativos.</p>
<p>E foi durante os séculos XVI e XVII, da nossa era, que se definiram os processos de produção: vindima, separação e prensagem das uvas em lagares, fermentação, envelhecimento em madeira, conservação e envelhecimento em garrafa, rolhas de cortiça, dupla maceração e repouso em caves, além de outros procedimentos.</p>
<p>Não vou arriscar-me, aqui, usar, a torto e a direito, a expressão “Siglo de Oro”. Há controvérsias quanto a esta percepção, e não quero insultar minha preguiça pondo chifre em cabeça de cavalo. Li e estudei muito o dito “período”. O bastante para inteirar-me das discordâncias e pôr-me quieto. Mas, para não dizer que não falei das cebolas, cito o competente e dedicado pesquisador e historiador Bartolomé Bennassar: “A Idade de Ouro coincidiu, portanto, com um apogeu político que sem dúvida excedeu a força da Espanha e que foi portador, sem paradoxo, das sementes da decadência”. Então tá&#8230;</p>
<p>Voltando ao vinho, vale ressaltar que sua presença ocorreu em praticamente toda a vida cotidiana do tal “Siglo de Oro”, e isso se refletiu nos artistas e escritores mais destacados do barroco espanhol.</p>
<p>Portanto, vinho e Espanha estão, por assim dizer, entrelaçados em diversos aspectos.</p>
<p>Os artistas espanhóis, os pintores, para ser mais direto, tinham plena consciência de tudo isso. Retrataram, com mestria, a existência do vinho na sua rica cultura, produzindo obras de arte da mais alta qualidade e beleza.</p>
<figure id="attachment_81377" aria-describedby="caption-attachment-81377" style="width: 378px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.13.18.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-81377" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.13.18-300x219.jpeg" alt="" width="378" height="276" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.13.18-300x219.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.13.18.jpeg 640w" sizes="auto, (max-width: 378px) 100vw, 378px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81377" class="wp-caption-text">O Triunfo de Baco, Diego Velázquez</figcaption></figure>
<p>Assim, temos, por exemplo, uma cena de um banquete, assim denominado pelos especialistas da estética mitológica: <span class="sigijh_hlt">a tela produzida por Diego Velázquez, em meados do século XVII. Interessante é que a mesma arte, a depender da publicação que a ela se refere, firma o título como tão somente “Os bebedores” ou, de maneira mais pomposa, como acontece no Museu del Prado, em Madri, “O Triunfo de Baco”, de 1629.</span></p>
<p>Indagará o leitor: “Mas home, que raio de triunfo é esse?” Responder-vos-ei: &#8220;Creio que se refira à superação levada adiante pelos viticultores, pela própria videira, ante os desafios do cultivo e da planta, por vezes tão exigente, e a produção subsequente do vinho. E, também, ao fato de que mais pessoas passaram a beber mais vinhos. Inclusive bons vinhos&#8221;.</p>
<p>Leve-se, outrossim, em conta, o sentimento de liberdade, de paixão, até mesmo de redenção proporcionado pela bebida. O divino poder inebriante do vinho para libertar as pessoas de seus problemas.</p>
<p>Para todo o sempre, na cultura ocidental, Baco – o Dionísio grego numa versão mais dada à esbórnia – tornou-se referência primeira para a humanidade no que concerne um culto, o qual considero irreprimível. Fora assim na Antiguidade, o é assim, sob outros parâmetros em tempos hodiernos. Algo de êxtase e de manifestação pulsional (tão cara a Nietzsche) permanece.</p>
<p>Recorro, a título de maior fundamentação, ao imenso Ovídio, que, em “Metamorfoses”, descreve Baco como o promotor da folia e das manifestações de êxtase. No livro VI, linha 488, lê-se: “À mesa serve-se o banquete real e serve-se Baco em vasos de ouro”.</p>
<p>Sim, triunfa Baco, e não é de agora.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Em “O Triunfo de Baco”, Velázquez representou o deus do vinho cercado por homens bêbados.</span> Mas, quando devidamente observados, os personagens demonstram que se encontram em bom estado de humor. Olham diretamente para fora da pintura, para o espectador. Gosto de pensar que estão a convidá-lo a participar da celebração.</p>
<p>Entre outros pintores espanhóis pelos quais nutro predileção, destaco Joaquín Sorolla y Bastida, também conhecido como “O Mestre da Luz”.</p>
<p>Paradoxalmente, a tela de Sorolla (pintor impressionista que atuou entre os séculos XIX e XX, deixemos claro logo, portanto, que não tem relação direta com o período de Velázquez), a qual aqui incluo, é muito mais voltada para as sombras, para o interior: trata-se de “O Bêbedo de Zarautz”, produzida, penso, por volta de 1910, quando o pintor passou em Zarautz (Sorolla morreu em 1923).</p>
<p>A cena é inquietante. O espectador, no conforto climatizado da sala do museu, compreende, se detém cultura e sensibilidade para tanto, a atmosfera sufocante, a penumbra sugerida, o ridículo ao qual o personagem central é levado pelo consumo excessivo de bebida. No entanto, há também alegria, quase que uma celebração.</p>
<p>Algo como uns beberrões se reúnem em uma taverna. Notem que aquele que se encontra em primeiro plano, à esquerda, mira o artista com uma expressão ameaçadora. A figura ao centro exibe olhos lacrimejantes, enquanto outro integrante praticamente lhe força a beber mais. Provavelmente a bebida é sidra, e não vinho. A garrafa assim sugere. Por sinal, a palavra &#8220;sidra&#8221; vem do grego “sikera”, que em latim se tornou “sizra”, significando &#8220;bebida embriagante&#8221;.</p>
<p>As  garrafas mais escuras levam a crer que sejam mesmo de vinho. Esta é uma das seis cenas de taverna que Sorolla pintou naquele verão.</p>
<figure id="attachment_81378" aria-describedby="caption-attachment-81378" style="width: 251px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.14.54.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-81378" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.14.54-230x300.jpeg" alt="" width="251" height="327" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.14.54-230x300.jpeg 230w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-10-at-08.14.54.jpeg 612w" sizes="auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81378" class="wp-caption-text">Jovem Bebendo Vinho, Bartolomé Esteban Murillo</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">Concluo este artigo com Bartolomé Esteban Murillo, outro grande pintor espanhol, e sua tela “Jovem a beber Vinho”, produzida em 1556. </span>Estamos diante de um dos artistas espanhóis que mais despertou interesse entre pesquisadores e especialistas.</p>
<p>Ah, não tá na devida ordem cronológica? É pra ser assim mesmo. Fi-lo porque o quis.</p>
<p>Sobre a tela: o personagem bebe com prazer. Traz um semblante quase que desafiador. Sente-se poderoso, pois, detém um recipiente cheio de vinho apenas para ele. Nos seus olhos tenho a impressão de perceber um traço báquico ou dionisíaco&#8230; Não há culpa, tão somente uma alegria arrogante. Murillo extrai o máximo em expressão do jovem, em contraponto à leveza da taça.</p>
<p>Dou ciência de que há mais nomes extraordinários no cenário vinícola e pictórico da cultura espanhola. Esta sintética seleção, arbitrária, bastou-me para expor as ideias e os argumentos presentes. Espero que suscite reflexões e boas conversas, sempre em torno de boas garrafas de vinho&#8230; Ou de sidra, por que não?</p>
<p>E como diria Gaguinho: “Por enquanto é só, pessoal”.</p>
<p>Santé!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Homero viu o vinho</title>
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					<comments>https://www.sosergipe.com.br/homero-viu-o-vinho/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Oct 2024 11:00:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Ulisses, quando preso na caverna de Polifemo, cega-o, com estaca feita com madeira de pinheiro, tendo antes o embriagado e o adormecido com o vinho. Elias Diaz Molano, escritor, pesquisador e historiador espanhol &#160; Os deuses não têm o mesmo sangue que os homens – o deles se chama &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Ulisses, quando preso na caverna de Polifemo, cega-o, com estaca feita com madeira de pinheiro, tendo antes o embriagado e o adormecido com o vinho.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Elias Diaz Molano</strong>, escritor, pesquisador e historiador espanhol</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Os deuses não têm o mesmo sangue que os homens – o deles se chama ‘ichor’. Não consomem nem vinho nem pão, mas sim néctar e ambrosia, termo que aliás significa &#8220;bebida da imortalidade&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Pierre Vidal-Naquet</strong>, “O Mundo de Homero”</p>
<p><strong> </strong></p>
<span class="dropcap ">O</span> vinho tem uma história que remonta a 3.000 a.C. e alguns pesquisadores acreditam que chega até 7.000 a.C. A presença de registros de vinho e pinturas murais de civilizações antigas vem desde os sumérios até os hititas. Acredita-se que o vinho tenha se originado na Ásia Menor. Com migrações e conquistas, as comunidades de tribos da Anatólia levaram o vinho com elas e a produção de vinho se espalhou para uma geografia mais ampla. O vinho era uma parte importante da vida diária no mundo antigo. Além disso, tornou-se uma importante mercadoria comercial naquela época.</p>
<p>Ou seja, vinho como bebida, como moeda e como parte das estratégias no cenário político.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81153 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1-300x300.jpeg" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1-768x768.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-1.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>No livro nove da Odisseia, os ciclopes são descritos como um povo sem lei e arrogante, ignorante dos costumes e convenções do mundo civilizado. Apesar disso, Odisseu (Ulisses) decide confrontá-los. Ele parte com doze de seus companheiros e entra na caverna de Polifemo, um homem &#8220;selvagem&#8221;. O encontro se torna desastroso quando Polifemo, desafiando todas as leis da hospitalidade, gradualmente devora os camaradas de Odisseu. A situação é terrível, mas Odisseu finalmente levou a melhor sobre seu oponente explorando o poder de um dos alimentos básicos da dieta grega: o vinho. Dizem-nos que Polifemo normalmente acompanhava suas refeições com leite puro e não vinho, como era costume entre os gregos. Portanto, não é surpreendente que quando Odisseu lhe oferece várias doses de vinho Polifemo fica embriagado dando assim a Odisseu e seus companheiros a chance de cegá-lo e, finalmente, escapar.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Se comes, oh, Polifemo, tu bebes. E que seja, ao invés de leite, o vinho.</span></p>
<p>É voz corrente, todos os poucos que leem o sabem, quiçá mais alguns alhures, que cultivo com o maior cuidado meu espírito ocidental. Sou, com gratidão, com emoção, tomado pelo “<u>thauma</u>” permanente, vale dizer, pela resposta estética, diante das maravilhas do mundo ao oeste do globo, do período arcaico ao início do período helenístico. Apresento-me, com muito gosto, como homérida, como um modesto rapsodo, como, indubitavelmente, filho da Tradição Ocidental.</p>
<p>Homero, suas obras; o vinho, suas tremendas possibilidades&#8230; Nada mais ocidental do que essas referências. De ambos, tudo o mais procedeu.</p>
<p>Homero é, em certo sentido, o pai de toda a literatura ocidental. Seus épicos formaram a base da cultura grega educada por centenas de anos durante seu período clássico. O material de seus épicos formou a base da maior parte das tragédias gregas que foram produzidas durante o ponto alto de sua realização cultural. Não podemos imaginar um Virgílio, um Dante, um Milton, Thomas Mann, um Hermann Broch, um James Joyce, um Goethe, sem os ombros homéricos em que se apoiam.</p>
<p>A lista é bem mais longa, citei os próceres acima apenas a título de exemplo.</p>
<p>Em “A Ilíada” lemos: “Tendo assim, pois, a vontade da fome e da sede saciado/té pelas bordas escravos as taças encheram de vinho/distribuindo por todos os copos as sacras primícias/Por todo o resto do dia, depois, para o deus aplacarem/o canto em honra a Apolo entoaram os moços argivos/a celebrar o frecheiro: escutando-os, o deus se alegrava”.</p>
<p>Em tempo: “té”, no segundo verso, é “<u>até</u>” sob efeito de aférese, vale dizer, supressão de um fonema pertencente à palavra. No caso acima, com o fito de manter o ritmo.</p>
<figure id="attachment_81154" aria-describedby="caption-attachment-81154" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81154" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-2-300x269.jpeg" alt="" width="300" height="269" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-2-300x269.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-2-1024x917.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-2-768x688.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-04-at-14.52.09-2.jpeg 1339w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81154" class="wp-caption-text">Vinhos gregos (tinto e branco) consumidos no Bardega &#8211; O primeiro e mais premiado wine bar do Brasil</figcaption></figure>
<p>Significativa, a percepção quanto ao vinho mantida pelos gregos da denominada “era homérica”: tanto na Ilíada como na Odisseia, além das (menos conhecidas) poesias arcaicas, há evidências do relacionamento entre os indivíduos e a cultura desta bebida.</p>
<p>Sem dúvidas, entre os gregos, era a bebida preferida.</p>
<p>Produzido no local onde se consumia ou importado, o vinho era, e ainda é, na Europa, considerado um alimento básico da dieta diária.</p>
<p>Decerto que não logro, aqui, sequer roçar a grandiosidade das obras citadas. Contudo, penso ter exercitado algo como indicações de leitura, pelo menos para aqueles que nutrem algum interesse pelos clássicos e pelos bons vinhos.</p>
<p>Ler bem e beber bem; ler e beber o que, de fato, é bom, não faz mal a ninguém.</p>
<p>Santé!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Plínio – Predicações quanto ao vinho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Sep 2024 11:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Você vai se perguntar como um homem tão ocupado quanto meu tio conseguiu encontrar tempo para compor tantos livros, e alguns deles também envolvendo tanto cuidado e trabalho. Mas você ficará ainda mais surpreso quando ouvir que ele defendeu o tribunal por algum tempo, que morreu aos sessenta e &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Você vai se perguntar como um homem tão ocupado quanto meu tio conseguiu encontrar tempo para compor tantos livros, e alguns deles também envolvendo tanto cuidado e trabalho. Mas você ficará ainda mais surpreso quando ouvir que ele defendeu o tribunal por algum tempo, que morreu aos sessenta e seis anos, que o tempo intermediário foi empregado em parte na execução dos mais altos deveres oficiais, em parte no atendimento aos imperadores que o honraram com sua amizade. Mas ele tinha uma rápida apreensão, um maravilhoso poder de aplicação e era de um temperamento extremamente vigilante.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Caio Plínio Cecílio Secundus (Plínio, O Jovem) sobre Plínio, O Velho</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ei bem que é chover no molhado decidir-se a tecer comentários sobre vinho e cultura clássica ocidental. Impossível pensar um sem contar com a outra. Muito já foi dito. E o presente e execrável artiguete dá-se muito mais como um eco, meio que plagiário, de considerações elaboradas ao longo de, pelo menos, meio milênio. Historiadores, filósofos, escritores, sociólogos, geógrafos, e tantos e tantos no campo das Humanidades tocaram, dalguma maneira, no tema.</p>
<p>Sim, ok, você venceu, batatas fritas.</p>
<p>Ontonce, prumodequê, oh mandrião, tu sincosta naquele povo culto, sagaz e brilhante para escrevinhar seus garranchos?</p>
<p>Ora, por isso mesmo, por ter, à mão, o mingauzinho pronto, quase que mastigado&#8230; E olha que, em tese, não se mastiga mingau. Assumo a mim, como todo farsante, um aproveitador.</p>
<p>Vamos lá, lerdo e manhoso articulista, que tens para nós, seus pouquíssimos leitores?</p>
<p>O causo é o seguinte: vinho na Roma Antiga era mais do que apenas uma bebida. O produto fermentado alçou, com certa rapidez, tal importância, que se tornou símbolo de status. Até mesmo em assuntos do Estado (no sentido da cultura política da antiguidade) o vinho era um fator de negociação &#8220;diplomática&#8221;. Seu significado cultural e sua importância econômica deixou um legado duradouro para todo o Ocidente.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.56.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81006 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.56-182x300.jpeg" alt="" width="182" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.56-182x300.jpeg 182w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.56.jpeg 313w" sizes="auto, (max-width: 182px) 100vw, 182px" /></a>Verdade é que a atividade agrícola conhecida como cultivo de videiras e, consequentemente, a produção de vinho têm raízes antigas na península italiana. Acreditem, o cultivo da uva, de acordo com registros históricos e arqueológicos, parece ser anterior ao surgimento e ascensão do Império Romano. Tudo indica que os etruscos já estavam produzindo vinho na região por volta de 800 a.C. Mas, em seguida, como os romanos gostam de aproveitar o que é bom e que já está encaminhado, ao dominarem a região expandiram as tradições vitícolas de seus predecessores.</p>
<p>Simples assim. Pensei: “quem sabe seja de interesse para ‘minha’ restrita comunidade leitora.”</p>
<p>Disse acima que o vinho alçara status de símbolo de poder. Além disso, ou talvez por isso, o vinho é tema que chama a atenção de Plínio, o Velho. Previno ao reduzidíssimo número de leitores deste artiguito, que não me alongarei sobre todas as tratativas do historiador, filósofo, militar e naturalista romano. Eis apenas uma opinião razoavelmente abalizada, <em>pero no mucho</em>.</p>
<p>Se não me está a falhar a já embolorada memória, Plínio, o Velho, morreu em agosto do ano 79 d.C., durante a erupção do Monte Vesúvio. De acordo com seu sobrinho, que narra em carta dedicada a Cornélio Tácito, “ele se levantou com a ajuda de dois de seus servos e imediatamente caiu morto; sufocado, como eu conjecturo, por algum vapor grosseiro e nocivo, tendo sempre tido uma garganta fraca, que frequentemente estava inflamada. Assim que clareou novamente, o que não ocorreu até o terceiro dia após esse melancólico acidente, seu corpo foi encontrado inteiro e sem nenhuma marca de violência, no vestido em que caiu, e parecendo mais um homem dormindo do que morto”.</p>
<p>Plínio abordou com seriedade e profundidade o cultivo das vinhas e a consequente produção de vinhos. E isso em diversos aspectos. Muitas das suas recomendações continuam funcionais até hoje. Observou as vinhas, sua natureza e descobriu os melhores métodos de cuidar delas e fazê-las produzir em quantidade com boa qualidade. Classificou diversas espécies. Estudou e determinou para uso, com maior controle e eficiência, substâncias para aromatizar o mosto, tais como as resinas. Além disso, recomendou os recipientes mais adequados. Centenas e centenas de dados coletados, estudados e postos em prática. Alertou sobre a falsidade de sonhos quando estes são induzidos pelo vinho. Observa que os bárbaros nórdicos se valem de chifres, usando-os como “copo” para beber vinho.</p>
<p>E tantas e tantas outras observações e recomendações em torno da bebida.</p>
<p>O ponto sobre o qual desejo induzir a você, leitor, a refletir e, como diriam os monges do primeiro terço da denominada Idade Média, a chegar a algum desenho que ilustre, quem sabe, uma boa conversa, é a relação do velho Plínio com o vinho&#8230; E demais possíveis temas subsequentes.</p>
<p>Também demonstrar como essa alma extraordinária, sem os recursos dos quais dispomos hoje, fez muito mais e melhor. Fato que tão bem representa nossa decadência intelectual, em termos teóricos e técnicos – evolução tecnológica <em>per se</em> significa muito pouco.</p>
<p>Posso conceder algo de exceção no que concerne ao cultivo de vinhas e de produção de vinho: ainda que tenha ocorrido franco progresso no sentido de maior conhecimento no campo da biologia botânica, no conhecimento pedológico, na praticidade devido à maquinaria, os estudos plinianos ainda são válidos. Além disso, tão somente ler sua monumental “História Natural”, já se configura num larguíssimo ganho estético e linguístico.</p>
<p>Defendo a leitura regular dos clássicos como consolidação do esteio da faculdade do entendimento humano, do raciocínio e da compreensão. Como bem observa Aristóteles, em “Sobre a Alma”, o intelecto é a faculdade mais alta da mente humana, e é o que nos permite pensar pensamentos abstratos e entender conceitos que não estão vinculados a objetos físicos. Lemos, nesta obra aqui citada, no capítulo quarto do livro primeiro, que para o estagirita, “o intelecto parece ser – em sua origem, uma entidade independente que não está sujeita à corrupção”. Oh, belíssima, poética, elegante concepção!</p>
<p>Se comes, tu bebes&#8230;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-81007 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57-300x300.jpeg" alt="" width="329" height="329" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57-768x768.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-11.29.57.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px" /></a>E se agregas ao beber, principalmente no caso do vinho, a leitura de obras imortais, a experiência transcenderá o rarefeito senso comum, alcançará verdadeiro estado de graça, com a consciência de coisa conseguida, realizada, ainda que epitomado ao ambiente do doce lar.</p>
<p>Diz-se à larga que a perfeição não existe. Este artiguito está longe de sequer aproximar-se de tal estado. Mas buscá-lo é uma possibilidade e um dever moral, antes de tudo consigo mesmo, do indivíduo. Perfeição nada mais é do que o mais alto nível numa escala de valores.</p>
<p>Ao lermos Plínio, O Velho, vale dizer, ao compreendê-lo, exercitamos pelo menos a tentativa sincera de vencer alguns níveis daquela escala. Ao bebermos bons vinhos, ao buscarmos mais sobre os rótulos, fazemos o mesmo. Se nos dedicamos a ambos, quase que concomitantemente, avançamos mais e melhor.</p>
<p>Sem ousar finalizar perfeitamente, mediante minhas palavras, estas linhas, recorro a Henri-Bergson, em a “Evolução Criadora”: “O espírito humano passou do primeiro tipo de conhecimento para o segundo, por aperfeiçoamento gradual, simplesmente buscando uma maior precisão”.</p>
<p>Santé</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>De prato e copo com Charles Dickens</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/de-prato-e-copo-com-charles-dickens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Sep 2024 11:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; O homem tem sua parte animal, que é o que o traz de volta à realidade. Mas o que havia para comer? Onde e como? O Homem que Ri, Victor Hugo   Tem de beber comigo antes de ir; Creio poder saudá-lo nesta casa, Onde é provável que tenhamos &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>O homem tem sua parte animal, que é o que o traz de volta à realidade. Mas o que havia para comer? Onde e como?</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>O Homem que Ri, Victor Hugo</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Tem de beber comigo antes de ir;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Creio poder saudá-lo nesta casa,</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Onde é provável que tenhamos festa.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>A Megera Domada, William Shakespeare</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A sociedade vitoriana encontra em Charles Dickens o seu retrato.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Cultura Geral, Dietrich Schwanitz</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>inguém é, decerto, obrigado a ler o que não gosta, o que não lhe causa interesse algum. E é sobre ler Literatura (Literatura literária, bem entendido) que estou a dizer. Este ou aquele título, este ou aquele autor, na minha perspectiva, não têm de ser de leitura impreterível, inescusável&#8230;</p>
<p>Salvo em momentos técnicos e estratégicos, quando há de se ler o que é para ler, sem negociação, melhor ler o que é de gosto, o que atrai e fascina. Estou de acordo com tal premissa e ponto.</p>
<p>Entretanto, ou talvez por isso mesmo, se o sujeito deseja fazer parte do universo literário, dispondo de mais alicerce e estofo, faz-se, creio, sensato e ajuizado deitar atentos olhos sobre as linhas escritas pelos gênios da narrativa. Sim, entra neste balaio a poesia, também, como contraponto da prosa. Mas é em nome da prosa, do texto corrido, que me ponho, hoje, a adubar as caraminholas.</p>
<p>Para tanto, selecionei um autor, o qual, se não é unanimidade (torço para que não o seja), detém alto poder como referência. Estou a apresentar a você, improvável leitor, Charles Dickens.</p>
<p>Motivo? O homem, além de competentíssimo escritor, era um gourmand, vale dizer, amava a boa mesa.</p>
<p>E tal amor, tal apreço, tal preferência refletiam-se em sua maravilhosa produção literária.</p>
<p>Comecemos por uma das suas obras mais populares: “Um Conto de Natal”. Valho-me, para este desiderato da edição publicada, em português, pela L&amp;PM Pocket, acho que de 2004.</p>
<p>Ali, pela página 14, lê-se: “O prefeito, em sua poderosa prefeitura, dava ordens a seus cinquenta cozinheiros e empregados, para garantir que o Natal fosse comemorado com toda a fartura que merecia a casa oficial. E até o alfaiate, que havia sido multado por andar bêbado pelas ruas, preparava a massa para o bolo de Natal em sua pequena casa, enquanto sua esposa magrela saía com o filhinho para comprar carne”.</p>
<p>Fartura&#8230; Ou, pelo menos, um bolo e um pouco de carne. Quem conhece o natalino conto sabe que este trecho é um implacável, um cruel contraponto com um trecho anterior. Inverti a ordem para que vossas senhorias tenham uma ideia mais clara, se assim posso dizer.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Leiamos portanto:</p>
<figure id="attachment_80804" aria-describedby="caption-attachment-80804" style="width: 180px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-80804" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35-180x300.jpeg" alt="" width="180" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35-180x300.jpeg 180w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a><figcaption id="caption-attachment-80804" class="wp-caption-text">Capa do livro</figcaption></figure>
<p>“<strong>Cavalheiros beneficentes</strong> – Estamos tentando recolher fundos para dar algo de comer e beber para os pobres, e o mínimo para que possam se aquecer, porque estamos convencidos de que essas instituições têm muito pouco a dar para aliviar as necessidades da mente e do corpo dessa gente. Escolhemos esta época do ano porque, entre todas, é aquela na qual a Necessidade mais se faz sentir duramente e a Abundância tem mais prazer em dividir. Qual será a sua contribuição? Que quantia posso colocar em seu nome?</p>
<p><strong>Scrooge</strong> – Nenhuma.</p>
<p><strong>Cavalheiros beneficentes</strong> – Prefere que o seu nome não apareça?</p>
<p><strong>Scrooge</strong> – Prefiro que me deixem em paz. Já que os senhores querem saber o que penso, eis minha resposta: não festejo o Natal e não me dou ao luxo de alegrar vagabundos. Contribuo para o sustento das instituições de que falei antes, e isto é o bastante. Quem estiver passando necessidade, que procure por elas.</p>
<p><strong>Cavalheiros beneficentes</strong> – Muitos não podem fazer isso, e outros preferem a morte.</p>
<p><strong>Scrooge</strong> – Que morram. Ajudarão, ao menos, a evitar o excesso da população. E além do mais, desculpem, mas estou me lixando para tudo isso”.</p>

			</div></div>
<p>Nada agradável, pois. Dickens amava comer. E seu amor gastronômico era uma resposta ao tempo, quando criança e adolescente, em que passou fome. Quando teve de sustentar a família, aos doze anos, numa fábrica de graxa.</p>
<p>Seu pai se endividava frequentemente. Por isso foi condenado à prisão. Alguns pesquisadores afirmam que, não somente o pai, mas, toda a família, exceto Dickens e uma irmã, foi sentenciada. Passou um ano na “Prisão Para Devedores”, em Marshalsea, por uma dívida de quarenta libras e dez xelins a um padeiro.</p>
<p>Dickens foi encarregado da tarefa de fazer dinheiro para sua família endividada.</p>
<p>O futuro escritor já era sensível à percepção estética do mundo, criança inteligente, e que já havia demonstrado ser criativa. Submeter-se às duras condições de um trabalho desta natureza, era para que perdesse todas as esperanças. Quase aconteceu isso. Mas, e eis o paradoxo, a terrível experiência o levou a definir sua personalidade, sua visão diante das contradições inerentes à vida em sociedade.</p>
<p>Dickens tinha um especial e bem proporcionado talento para defender o homem comum em suas histórias, sem resvalar para o panfletarismo militante, um estilo de escrita que eventualmente ficou conhecido como dickensiano. Seus romances despertam compaixão pelos sobrecarregados e mal pagos. Tendo vivido tempos difíceis, Dickens equiparou comida e bebida à abundância, à realização, à felicidade, sentimentos evidenciados em quase todas as histórias que escreveu.</p>
<p>Recordemo-nos de que Charles John Huffam Dickens veio ao mundo em 1812, na movimentada cidade portuária de Portsmouth, Inglaterra. Nasceu em meio ao cenário das Guerras Napoleônicas e cresceu em um ambiente repleto de incertezas domésticas e grandes convulsões globais.</p>
<p>Suas experiências durante seus anos de formação, especialmente a prisão de seu pai e seu período na fábrica de graxa, haviam marcado nele uma empatia palpável pelos oprimidos.</p>
<p>Não é meu propósito, no momento, neste artigo, de desenvolver uma tese socioeconômica a partir dos escritos de Dickens. O assunto aqui é comida e bebida. Mas dar uma ideia do cenário não será de todo mau. Quem já leu Dickens sentir-se-á em casa. Quem não o fez talvez se sinta tentado.</p>
<p>Voltemos ao Conto de Natal.</p>
<p>Ao ser guiado pelo “Espírito dos Natais Passados”, Scrooge volta no tempo e se encontra, de repente, diante de uma “sombria casa de tijolos vermelhos, com uma pequena torre com um catavento em cima e um sino dependurado. Era uma casa grande, mas parecia em ruínas”.</p>
<p>Neste lugar o avarento reencontra sua alegre irmã, Fanny. Ela o saúda de forma efusiva. É pura felicidade. Repentinamente, “o diretor da escola apareceu em pessoa, olhando o jovem Scrooge com uma condescendência feroz, deixando-o atordoado com seu aperto de mão. Em seguida, levou os dois até a sala mais velha e gelada que havia, onde até os mapas nas paredes e os globos celeste e terrestre, perto da janela, pareciam congelados de frio. Ali, desencavou uma garrafa de um vinho muito suave e fatias de um bolo muito pesado e ofereceu-os em pequenas porções a cada um dos jovens. Ao mesmo tempo, mandou que uma empregada franzina oferecesse um copo de “qualquer coisa” ao cocheiro, que agradeceu muito, dizendo que preferia não tomar nada”.</p>
<p>Sim, aos alunos, “vinho muito suave”; ao cocheiro, “qualquer coisa”. E o cocheiro, em sua dignidade, recusa o copo. Eis Charles Dickens em toda sua perspicácia e elegância no narrar.</p>
<p>Ainda em “Um Conto de Natal”, mais adiante, lemos (diria quase assistimos, quase vemos, dados os detalhes, a riqueza da descrição) o trecho em que é descrito o encontro de Scrooge com o imenso “Espírito do Natal”. O avarento havia ouvido um chamado. Seguindo a voz, chegou ao próprio quarto: “Era seu próprio quarto, não havia a menor dúvida, mas tinha sofrido uma transformação surpreendente. As paredes e o teto estavam tão cobertos de vegetação que mais parecia um bosque, com frutinhas coloridas brilhando por toda parte. As folhas verdes do azevinho e da hera refletiam a luz, como se fossem cacos de espelho espalhados por todos os lados. Um fogo potente ardia na lareira, tão forte como jamais aquela triste construção de pedra havia visto, nem na época de Scrooge nem na de Marley, ou em inverno algum do passado. Empilhados no chão, na forma de um trono, havia perus, gansos, caças, aves, pernis, grandes pedaços de carne, leitões, longas tripas de linguiça, pastelões de carne, pudins de ameixa, barris de ostras, castanhas assadas, maçãs vermelhas, laranjas suculentas, peras apetitosas, imensas tortas natalinas e vaporosas poncheiras que perfumavam a peça com um cheiro delicioso”.</p>
<p>O que Dickens nos oferece nesta curta passagem? Um qualificadíssimo rol de itens comestíveis. Atentemo-nos: são comidas da época. Era o que se comia, desde que se tivesse condições materiais para tanto.</p>
<p><span class="sigijh_hlt"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-80806 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-300x300.jpeg" alt="" width="379" height="379" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-768x768.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 379px) 100vw, 379px" /></a>Hum&#8230; Se comes, tu bebes&#8230;</span></p>
<p>Vou citar o vinho. Porém, antes é preciso fazer jus ao paladar etílico de Dickens. Sua bebida preferida era o Gin Punch. E ele elaborou sua própria receita. Gostava muito mesmo. Em cartas, chegou a firmar que tomaria desta mesma bebida durante noventa anos.</p>
<p>Como observa David Wondrich, uma das maiores autoridades do mundo na história do coquetel e um dos fundadores do movimento moderno de coquetéis artesanais: “poucas coisas são mais dickensianas do que uma tigela de ponche. Um grande amante de bebidas, Dickens combinou ingredientes com rara competência. Temos, sempre que bebermos sua mistura, termos consciência de que estamos bebendo o Ponche de Charles Dickens”.</p>
<p>Em “Um Conto de Duas Cidades” lemos: “Aqueles eram dias de muita bebida e a maioria dos homens bebia além da conta. Tão grande foi o progresso que o tempo trouxe em relação a tais hábitos, que qualquer estimativa moderada da quantidade de vinho e ponche, que um homem engoliria, no decurso de uma noite, sem detrimento de sua reputação de perfeito cavalheiro, pareceria, nos dias de hoje, um ridículo exagero”.</p>
<p>Mais adiante&#8230; “O dia fora de um calor opressivo e, após o jantar, Lucie propôs que o vinho fosse levado para fora sob o plátano, e que se sentassem ali, ao ar livre. Como ela era o eixo em torno do qual tudo girava, eles se acomodaram debaixo da árvore e ela levou o vinho, para especial benefício do senhor Lorry; ela se havia nomeado, algum tempo antes, como guardiã do copo do senhor Lorry. Assim, ali sentados sob o plátano, encarregou-se de mantê-lo sempre cheio”.</p>
<p>Impensável degustar a literatura de Charles Dickens sem levar em consideração as bebidas destiladas e fermentadas. Junto aos pratos: pães com carne de boi ou de porco. Pastéis de carne de carneiro, bolos, cafés, ostras, camarões, língua, vitela, torta de peito de pombo, laranjas e sopas.</p>
<p>Minha opinião crítica sobre a produção literária de Charles Dickens tem e terá sempre algo de apologético. Ciente da minha pequenez, muno-me de cuidados ao comentar a lavra dum gigante. Com eventos, vinhos, gins, ponches, chás, o escritor tece a estética da generosidade com toques gastronômicos devidamente temperados. Tudo na justa medida, não há excessos. Há quem até mesmo diga que “generosidade” é seu sistema filosófico.</p>
<p>O que faz da alta literatura uma alta literatura? Ela é bonita, maravilhosa e induz à constante releitura.</p>
<p>O sucesso de público e de crítica chega até relativamente cedo para Charles Dickens. Sua primeira novela, “As Aventuras do Sr. Pickwick”, foi publicada em fascículos pela Chapman &amp; Hall, de março de 1836 a até novembro de 1837. A primeira edição desta novela vendeu quinhentas cópias, a última, na época, vendeu quarenta mil.</p>
<p>Os títulos de Dickens possuem o poder de comover, de tocar e de transformar. Quando os releio, sinto sempre a vontade de preparar um sanduíche, assar uma costela de porco, beber alguma coisa que tenha a ver, como a cerveja, o vinho, o ponche&#8230; O autor nos convida a beber e comer o que for mais fácil e o que estiver mais à mão no momento em que nos pusermos a correr as páginas de uma das suas extraordinárias obras.</p>
<p>Farei isso, hoje. Exorto ao improvável leitor que tente fazer algo parecido.</p>
<p>Santé</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>La vendetta è un piatto che si serve freddo — Uma historinha (de vera) da minha antiadolescência</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/la-vendetta-e-un-piatto-che-si-serve-freddo-uma-historinha-de-vera-da-minha-antiadolescencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Sep 2024 12:08:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
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		<category><![CDATA[Souto Maior]]></category>
		<category><![CDATA[vinho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=80664</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Na fração de segundo que dura a menor percepção possível da luz, trilhões de vibrações ocorreram, a primeira das quais é separada da última por um intervalo extremamente dividido. Sua percepção, por mais instantânea que seja, consiste, portanto, em uma multidão incalculável de elementos lembrados e, na verdade, toda &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Na fração de segundo que dura a menor percepção possível da luz, trilhões de vibrações ocorreram, a primeira das quais é separada da última por um intervalo extremamente dividido. Sua percepção, por mais instantânea que seja, consiste, portanto, em uma multidão incalculável de elementos lembrados e, na verdade, toda percepção já é memória.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Henri Bergson</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">Q</span>uanto ao título,  a primeira parte do título, eis, segundo Quentim Tarantino, um antigo ditado klingon.</p>
<p>Induzido pela falta de assunto, ou pela falta de competência para catar um tema que, de fato, despertasse algum interesse nos gatos pingados, vale dizer, meus pouquíssimos leitores, fui levado às reminiscências, às incompletas, vagas, lembranças dum causo. Portanto, hélas, deixei-me levar pelas águas um tanto barrentas da memória e, eis que salta duma das gavetas, registros desbotados do ocorrido.</p>
<p>Não fosse as fundações humanistas, clássicas e neoclássicas, que sustentam este artigo, e o texto não passaria de petardos municiados com farpas duma fofoca autoinfligida.</p>
<p>Ou vai que seja, né?</p>
<p>Bem, quem costuma ler meus artigos sabe que sou inclinado ao drama, quase ao drama barroco alemão.</p>
<p>Intento o exercício do narrar, notadamente, a partir de um ponto para reflexão que tem sido revisitado, ainda que de forma bastante circunscrita, na atualidade: como relatos do que aconteceu a pessoas específicas, em circunstâncias específicas com consequências específicas, podem ser ao mesmo tempo tão comuns e tão significativos?</p>
<p>Seja qual for a resposta, esta tem a ver com uma implicação: quem escreve, com certa frequência, deve perguntar-se os motivos que o levam a fazê-lo. As respostas serão, decerto, as mais distintas. Mas serão respostas, isto é, pelo menos, darão o norte sob o esclarecimento, a refutação, argumentos.</p>
<p>Por que o faço? Suspeito que se já em nome duma alteridade interior. Coisa de reconhecer a mim em mim.</p>
<p>Mas, como diria Adso de Melk, o mnemônico monge beneditino, discípulo de Guilherme de Baskerville, intelectual franciscano, “retoma os fios, ó minha história, pois este monge senil se demora demais nas marginalia”.</p>
<p>Quando, na primeira metade dos anos 70, estudava no Colégio Jackson de Figueiredo (nome do humanista, bem entendido, que no futuro afigurar-se-ia interessante para mim), havia uma professora que lecionava História Geral. A distinta cismou, inexplicavelmente, com minha cara. Nos dois semestres, do primeiro ano em que estive sob sua régua, sofri o diabo. Ouvia chacotas. Dizia para turma que eu era mentalmente lento, e zombava do meu jeito de andar (o qual mantenho até hoje, algo como um urubu a andar quase ereto pelo chão).</p>
<p>O desajeitado caminhar, ombros caídos, pendendo lado a outro, é verdade. Nunca neguei isso. Sempre fui, e ainda o sou, feio, esquisito e troncho. Talvez daí a cisma, né?</p>
<p>Mas, algo que concomitantemente existe em mim, sempre latente, é (segundo acertada observação da minha mãe, logo cedo), a combinação alquímica de três metais preciosos: imaginação, hostilidade e vingança.</p>
<p>Forjei, então, com os dois primeiros, o terceiro elemento. E lhe adicionei ouro potável, como recomendado por Johann Rudolph Glauber, ou seja, a férrea vontade de, durante as férias de final de ano, as quais, na época, quase dois meses, ler tudo o que encontrasse do autor constantemente, com pompa  circunstância, citado pela professora: Armando de Albuquerque Souto Maior, ou tão somente Souto Maior.</p>
<p>História Geral&#8230; Tive acesso à clássica edição de 1971, salvo engano.</p>
<p>Não que inexistisse coleções do gênero em casa. Inclusive, superiores. Dispunha dos seis volumes de História Universal do inesquecível historiador Veit Valentim (e mais Lelo Universal, Mirador, Tesouro da Juventude ad libitum&#8230;)</p>
<p>Mas não iria queimar os melhores cartuchos da minha escopeta intelectual em formação e calibragem de mira na época.</p>
<p>Então, Souto Maior, mesmo.</p>
<p>A li, a reli e, nascido da dor, qual ocorreu com Katherine Mansfield enquanto comia arenques defumados, aquecidos em pequenos fogareiros, pelos becos sombrios de Londres, o milagre nasceu da dor: estava apaixonado. Sempre havia amado História como campo de conhecimento. Nasci e cresci entre enciclopédias. Mas, ao ler Souto Maior, algo maior ocorreu. Era a linguagem, o modo de expressar, de explicar, que me comoveu.</p>
<p>Não era, como já disse, texto melhor do que outros já lidos a partir dos cinco anos de idade. Entretanto tinha algo de acolhedor, de formal sem ser pesado&#8230;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-80671 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1-300x300.jpeg" alt="" width="341" height="341" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1-768x768.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-15.09.51-1.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px" /></a>O ambiente de final de ano favoreceu o consumo de rações de vinho de mesa, vinho de família, tipo colonial, com mais frequência. Pedia, concediam-me um copo americano até à risca. Recolhia-me com minha rubra ambrosia e mergulhava na leitura.</p>
<p>Lia à solta a aquele que se fizera grande.</p>
<p>O ódio racional, a fria vendetta se daria, mas, agora, com o implacável toque da paixão.</p>
<p>E por que seria uma vingança?</p>
<p>Porque o tímido e feíssimo aluno havia percebido que a tal mestra pouco sabia, mas se valia de maneira vil, da maior ignorância dos alunos.</p>
<p>Eu estava a apostar: ou conquistaria uma posição ou ficaria numa posição lamentável.</p>
<p>Bem, início de fevereiro chegou. No primeiro dia de aula com ela, creio que 1974, meu corpo trepidava. Ao invés de me sentar no fundo, como soia antes, ocupei uma carteira na terceira das primeiras filas, sentido quadro-negro para fundo.</p>
<p>A &#8216;fessora&#8217; veio com tudo, se admirando de me ver naquele lugar. Chacoteou&#8230; Em seguida iniciou a aula apresentando os capítulos do livro que veríamos ao longo de dois semestres.</p>
<p>Depois, sentada ao birô, com as palmas das mãos sobre o livro aberto, perguntou se haveria alguma dúvida.</p>
<p>Agarrei a oportunidade e danei a citar detalhes, não só dos capítulos selecionados por ela, como capítulos outros e respectivas correlações com os capítulos aos quais ela parecia conhecer alguma coisa.</p>
<p>Pálida, gaguejando, pigarreando, [&#8230;] se perguntava o que estava a acontecer. Para complicar, pela primeira vez, a classe notava minha presença num misto de admiração e respeito.</p>
<p>Eu bebia o momento como se fosse um copo daquele vinho colonial&#8230;</p>
<p>Ela, então, tentou uma cartada de mestre, reconheço: me chamou ao quadro e pediu que eu falasse sobre minhas leituras durante as férias.</p>
<p>Preveniu aos demais que chamaria mais alguns, depois.</p>
<p>Quando ao quadro, ela mandou que eu comentasse sobre a experiência de ter lido Souto Maior durante as férias.</p>
<p>Não só comentei como montei, com gizes branco e laranja, um esquema geral baseado na minha leitura.</p>
<p>Ao final, a criatura, que de esperteza tinha muito, me elogiou e ungiu a si mesma como a pessoa que me transformou de um mísero verme néscio a um atento e inteligente aluno.</p>
<p>Dali em diante, passei a ser monitor dela. Nem mais teria de responder às quatro provas de cada semestre (na verdade, não transcorriam seis meses).</p>
<p>Ela me pedia que ministrasse uma curta aula, coisa de trinta minutos, e me dava nota dez. Ou seja, me subornou e me calou. Vendi-me por boas notas, réu confesso.</p>
<p>Assim tornei-me ainda mais apaixonado pela História.</p>
<p>Souto Maior passou a ser um companheiro com o qual conversava sobre coisas que revolvem no sombrio baixo-ventre do indivíduo&#8230; Bílis negra aristotélica&#8230; Coisas aquelas que, à exceção dos meus compreensivos pais, jamais confessaria a outrem.</p>
<p>E minha vida, um pouco mais ilustrada, seguiu adiante com seus bônus e ônus&#8230;</p>
<p>E quanto ao que conto aqui? A recordar o filósofo Paul Ricoeur, está incluída, na historinha, também, a dimensão metafórica, para além da temporal. O próprio modo de narrar atuaria como fator a ocasionar a transferência de significados, estabelecida por uma comparação implícita. Ou não&#8230; Os eventos dos quais estou a recordar podem perfeitamente bastar-se a si mesmos, sem necessidade duma retórica mal perfumada e vazia.</p>
<p>Bem, eis-me sub judice ante ao leitor.</p>
<p>Santé<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Almeida Antológico – A propósito de Florilégio Latino: textos poéticos bilingues traduzidos e comentados</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/almeida-antologico-a-proposito-de-florilegio-latino-textos-poeticos-bilingues-traduzidos-e-comentados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Sep 2024 11:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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		<category><![CDATA[anacronismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Todo o coro dos escritores prefere os bosques e foge da cidade, cliente que é de Baco, aquele que gosta de dormir e de sombra. E agora queres tu que eu, no meio da algazarra noturna e diurna, consiga cantar em odes e seguir as pisadas já calcadas dos &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Todo o coro dos escritores prefere os bosques e foge da cidade, cliente que é de Baco, aquele que gosta de dormir e de sombra. E agora queres tu que eu, no meio da algazarra noturna e diurna, consiga cantar em odes e seguir as </em><em>pisadas já calcadas dos bons poetas?</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Quintus Horatius Flaccus</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>Não que as pessoas acreditem literalmente nesses mitos esplêndidos; mas a poesia que há neles ajuda os homens a suportarem a prosa da vida.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Will Durant</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>Afirma-se que um poema não pode ser lido como poema, porque é primeiramente um documento social ou, rara, mas possivelmente, uma tentativa de triunfo sobre a filosofia. Contra esta abordagem eu reclamo uma resistência tenaz cujo único objetivo é conservar a poesia de um modo tão íntegro e tão puro quanto possível.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Harold Bloom</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> estofo intelectual do escritor, músico e pesquisador Marcos Almeida, valendo-me, aqui, de termo usado por Eugene O’Neill, em “Longa Jornada Noite Adentro”, como bem sabido entre os iniciados, é denso, firme e de excelente qualidade. Suas publicações o provam em sobejidão. E quem, como eu, é ungido com o privilégio de passar uma noite ao lado deste humanista (adjetivo este dito aqui sob o valor clássico, renascentista), a beber ótimos vinhos, comer os pratos impecáveis elaborados por sua esposa, Jaqueline, chef par excellence (melhor Paella que já comemos, eu e Iara), ouvir o melhor da música, conversar com seus serenos e inteligentes filhos, trocar ideias sobre a cultura clássica, decerto manifesta o mais alto grau de reconhecimento, pois, sabe que, ao final da tertúlia, sentirá o espírito ainda mais enriquecido.</p>
<p>Tocante é perceber que Marcos Almeida, ciente do que sabe, do seu patrimônio imaterial denso e imenso, disto não se ostenta, preferindo, mesmo, ceder a palavra ao interlocutor, dando seu parecer de forma branda, segura e simples, sem nunca ocultar a satisfação, a alegria.</p>
<p>Amigo que honra, como poucos, a amizade. Um verdadeiro perfil ciceroniano.</p>
<p>Almeida traz, em si, a noção de amizade de Cícero — existencial, estética, antropológica, ou seja, humanista, ainda que esteja eu a incorrer em anacronismo. O desejar coisas boas a outra pessoa para o próprio bem daquele que ama, juntamente com a mesma vontade da parte daquela pessoa para com você, bem como um acordo completo sobre todos os assuntos, sejam do humano e ou do divino, amigos unidos pela boa vontade e afeição mútuas.</p>
<p>Então, chega-me às mãos livro seu publicado em 2006, “Florilégio Latino — Textos poéticos bilingues, traduzidos e comentados”. Leitura tardia? Sim, concordo. Mas sinto que se faz tarde com a compensadora maturidade minha. Não muita, mas vão-se uns dezoito anos da publicação. Penso, sem intenção absoluta, que algo a mais, mesmo mínimo, devo ter aprendido neste interim, o que me valerá para compreender melhor a obra.</p>
<p>Almeida manifesta uma perspectiva individual-humanista sobre a essência, a estrutura mesma do conceito/fenômeno “Civilização”.</p>
<p>Diz-nos o autor: &#8220;Fazendo-me mais claro, acredito que existiram duas fases realmente únicas da civilização propriamente dita. A primeira, entre o quinto e o quarto século antes da era cristã, quando os pilares da dramaturgia (Ésquilo, Sófocles e  Eurípides) e da filosofia (Sócrates, Platão e Aristóteles)  conseguiram materializar na Grécia Antiga tudo o que o homem possui de mais belo e altaneiro. A segunda, compreendendo um intervalo de dois séculos — um antes da  era cristã e o outro imediatamente após —, quando o latim  deu à luz a incomparável prosa de Cícero, aos deslumbrantes  versos de Virgílio, Ovídio e Horácio, e ao monumental registro histórico de Lívio e Tácito, entre outros&#8221;.</p>
<p>Não é de surpreender que essa visão esteja muito próxima, resguardadas as especificidades, da exposta por um dos maiores historiadores da contemporaneidade: Kenneth Clark.</p>
<p>Diz-nos Clark: &#8220;Ao estudar a história da civilização, deve-se tentar manter um equilíbrio entre o gênio individual e a condição moral ou espiritual de uma sociedade. Por mais irracional que pareça, acredito no gênio. Acredito que tudo de valor que aconteceu no mundo foi devido a indivíduos. No entanto, não se pode deixar de sentir que as figuras supremamente grandes da história — Dante, Michelangelo, Shakespeare, Newton, Goethe — devem ser, até certo ponto, uma soma de seus tempos. Eles são muito grandes, muito abrangentes, para terem se desenvolvido isoladamente&#8221;.</p>
<p>Asseguro a você, improvável leitor, de que Almeida e Clark se equiparam. Ambos detêm o conhecimento e cultura necessários para que ocupem o lugar que lhes é de direito. São pensadores cientes da responsabilidade, a qual voluntariamente assumiram: preservar o melhor da memória da Humanidade.</p>
<p>&#8220;Florilégio Latino&#8221; foi produzido por um autor que sabe, como poucos, harmonizar a síntese com o essencial. Nada se perde, nada do que é importante está ausente. Ele compreende que não há como cobrir o todo, portanto, oferece ao leitor uma seleção cuidadosa do que deve ser recordado, cultivado e dito. Ou seja, Almeida põe, sobre a mesa do aprendizado perene, todos os dados necessários. Saibamos usufruir disto. Sejamos gratos ao gesto.</p>
<p>A obra é bem seccionada: uma generosa introdução de duas páginas e meia. E é o bastante para apresentar bem tanto o livro como o autor.</p>
<p>As seções, ao lermos o sumário, denotam a grandeza de tão nobre empreitada: &#8220;Poesia Clássica Latina&#8221;; &#8220;Poesia Medieval Latina&#8221;; &#8220;Poesia Moderna Latina&#8221;; &#8220;Epílogo&#8221;.</p>
<p>Tradução do autor, diretamente dos idiomas originais. Sim, Almeida os domina.</p>
<p>Cada nome da literatura clássica é devidamente apresentado. O que auxilia muito o leitor ao ler os respectivos poemas. Um exemplo de todo este cuidado de Marcos Almeida, recortado, por mim, de forma arbitrária, do corpo de texto, é o seguinte: “Os poemas de Virgílio são um tanto longos para serem traduzidos em sua totalidade neste Florilégio. Assim sendo, optamos por incluir a magistral introdução da Eneida — uma peça obrigatória no repertório de qualquer amante da latinidade —, e o quarto livro das Bucólicas, onde Virgílio parece descrever o nascimento de Jesus Cristo com uma antecipação de quase quarenta anos. Aconselho que cada frase seja lida com cuidado, pois apresentam duplo sentido para o incipiente cristianismo. Note, também, que o ‘príncipe dos poetas’, até mesmo por razões cronológicas, não podia ser cristão. O fato é que, devido à sua aparente &#8220;premonição&#8221;, ele foi considerado até o final da Idade Média como um precursor dos santos, capaz inclusive de operar milagres; e o seu túmulo em Nápoles tornou-se lugar de peregrinação Observe ainda que Dante Alighieri (1265 – 1321), na Divina Comédia, escolheu Virgílio para honrosamente guiá-lo na sua poética visita ao mundo dos mortos!&#8221;</p>
<p>Florilégio não se basta às traduções diretas (como se isso fosse pouco). Almeida antecede às produções literárias com textos introdutórios curtos, porém, ricos em detalhes, em referências. E, mediante estes, mais uma vez denota-se a grande altura intelectual do autor.</p>
<p>A cada apresentação é relacionada com uma das quatro seções (incluo, também,  o epílogo), o leitor tem acesso a fatos, a explicações muito importantes. Ler, em seguida, as obras traduzidas, torna-se muito mais seguro. Ou seja, céu de brigadeiro e mar de almirante (no bom sentido, entenda-se).</p>
<p>A título de exemplo, destaco na seção &#8220;Poesia Clássica Latina&#8221;, sobre o poeta Catulo: &#8220;Sua obra completa consta de pouco mais de uma centena de poemas, em sua maioria curtos (apenas oito poemas são considerados longos). Ficamos surpreendidos pela sua extrema franqueza ao apresentar os vícios humanos &#8211; inclusive os seus — e pelo modo como retrata a vida cotidiana, sem retoques. Torna-se impossível, creio, lê-los e ficar indiferente&#8221;.</p>
<p>E, na seção &#8220;Poesia Medieval Latina&#8221;, lemos sobre Hildegard von Bingen e sobre a tradução levada a efeito por Almeida: “(1098 &#8211; 1179 d.C.) foi a décima filha de uma família de nobre alemães. Tornou-se depois madre priora do convento. De tão religiosa, costumava ter visões envolvendo anjos, Jesus, Maria etc. Seu confessor, um abade, pediu-lhe que registrasse suas experiências místicas acerca da doutrina cristã. Preocupada com o fato de seu talento vir a ser considerado herético, solicitou o parecer de ninguém menos do que Bernardo de Clairvaux, líder da recém-criada ordem monástica dos cistercienses e defensor da polêmica Ordem dos Cavaleiros Templários. A resposta foi extremamente favorável, o que a incentivou a escrever diversos tipos de obras — poemas, hinos, orações e até uma enciclopédia de medicina caseira chamada Liber Simplicis Medicinae — , tornando-se uma das únicas mulheres medievais a conseguir reconhecimento por seu valor intelectual. Desconheço se os seus cânticos já foram anteriormente traduzidos em português. Acredito que não. Um comentário final, destinado aos amantes do latim &#8220;clássico&#8221;: observe que a escrita latina em terras germânicas da época era bem diferente da que se considera atualmente como padrão ‘clássico’ de ensino do latim”.</p>
<p>A seção “Poesia Moderna latina”, última, antes do “Epílogo” é dedicada a Rimbaud e a Baudelaire.</p>
<p>Verdadeiro manual de leitura crítica, disposição generosa do caminho das pedras.</p>
<p>Não será diferente no que diz respeito aos demais autores traduzidos.</p>
<p>&#8220;Florilégio Latino &#8220;, de Marcos Almeida, é fruto de extenuante laborão, embora prazeroso, compensador.</p>
<p>Ressalte-se mais uma vez: o autor, conhecedor do Latim, não se vê à mercê de traduções duvidosas. Confia em si, sob as generosas bênçãos do Senhor Pai Altíssimo. E mais: recusa-se a uma tradução mecânica, dicionarizada. Esta tem seu valor, sua utilidade técnica e imediata. Entretanto, Almeida debruçou-se sobre poemas, sobre autores extraordinários, sobre uma língua que traçou, em diversos aspectos, os caminhos da civilização ocidental. E é Literatura, é lírica, é subjetividade, é alma do indivíduo.</p>
<p>A atitude de Almeida me remete, de imediato, ao pensamento de Harold Bloom, em “O Cânone Ocidental” sobre a grandeza do material, o qual os apaixonados estudiosos desejam trazer para seus respectivos idiomas: “O que existe muito claramente é um fenômeno de excelência literária inigualável, com um tão forte poder de pensamento, de caracterização e de metáfora que sobrevive triunfantemente à tradução e à transposição, e convoca o interesse em virtualmente todas as culturas”.</p>
<p>Leitura de muitos? Não, de jeito nenhum. Fosse há quarenta anos, arriscar-me-ia a ampliar o espectro. Hoje, ao assistir, à volta e à distância, pretensos intelectuais, ‘pseudopensadores’, os quais, a todo momento,  revelam sua ignorância, sua grave falta de habilidade na escrita, sua incapacidade de extrapolar a obviedade piegas, sei do deserto no que concerne ao escopo e as virtudes do bom raciocínio — simplesmente não mais existe; sei do oásis no qual decidi por habitar, onde recebo tão somente aquele ou aquela que tem, de fato, recordando Sartre, em “A Idade da Razão”, algo a dizer.</p>
<p>Não, &#8220;Florilégio Latino&#8221; tem endereços certos&#8230; Não foi escrito para corações fracos.</p>
<p>Somos poucos, nós iniciados, heráldicos. Estamos em meio ao implacável processo de extinção. E o desaparecimento do Espírito começa no apagar da Memória. Notadamente da memória e do cultivo da Cultura Clássica, da herança da infinita (pelo menos, deveria ser assim) Antiguidade.</p>
<p>Nada há para fazer contra isso, no sentido de deter o medonho processo.</p>
<p>Podemos, quiçá, decidirmo-nos por ocultar a paixão febril pela Arte Clássica (visual, musical e literária) com um melancólico véu de sereno jovialidade do espírito teórico, apascentador, este que tão sabiamente foi condenada por Nietzsche, esta sutil e [i]legítima defesa contra a verdade. É uma escolha aceitável, compreensível, diante do inexorável extermínio ao qual estamos a ser submetidos. Mas podemos também optar por resistir em nossos jardins, em nossas varandas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-80485 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis-300x298.jpeg" alt="" width="300" height="298" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis-300x298.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis-1024x1017.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis-768x763.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/vinho-mittaraquis.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Publicações (tão raras) do calibre de &#8220;Florilégio Latino&#8221;, de Marcos Almeida, não é referência para uma pueril esperança em dias melhores, em tempos futuros nos quais um Renascimento Cultural, vale dizer Espiritual, acontecerá. É documento, hoje, para os que escolheram não transigir e um testemunho póstumo dum vazio avassalador que se instalará, o qual se avizinha e que se imporá, prevalecerá.</p>
<p>E o destino da alma? Hades ou Campos Elísios?</p>
<p>Seremos — quase o somos já — refugiados em nossos próprios corações. Alguns de nós (como eu, provavelmente) ir-se-ão desta para melhor (ou pior) bem antes.</p>
<p>Por ora, aproveitemos o tempo que nos é concedido. Bebamos bons vinhos, ouçamos boas músicas, leiamos boas obras, cultivemos as boas amizades, amemos nossas belas mulheres — honremos o Bom, o Belo e o Sublime.</p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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