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	<title>Arquivo para Mídia, Cultura e Ebulições - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Não é fácil, nem difícil, muito pelo contrário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 14:06:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Os vencedores despertam sentimentos múltiplos. Quando se trata de branco, geralmente bem nascido, alguns com sobrenomes europeus, altos, bonitos e glamurosos, o sentimento vai da admiração até a chamada inveja positiva. Essa última deriva de uma pontinha de ressentimento ante o sucesso alheio: por que não comigo? Quando o &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20%C3%A9%20f%C3%A1cil%2C%20nem%20dif%C3%ADcil%2C%20muito%20pelo%20contr%C3%A1rio" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20%C3%A9%20f%C3%A1cil%2C%20nem%20dif%C3%ADcil%2C%20muito%20pelo%20contr%C3%A1rio" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20%C3%A9%20f%C3%A1cil%2C%20nem%20dif%C3%ADcil%2C%20muito%20pelo%20contr%C3%A1rio" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20%C3%A9%20f%C3%A1cil%2C%20nem%20dif%C3%ADcil%2C%20muito%20pelo%20contr%C3%A1rio" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario%2F&#038;title=N%C3%A3o%20%C3%A9%20f%C3%A1cil%2C%20nem%20dif%C3%ADcil%2C%20muito%20pelo%20contr%C3%A1rio" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/nao-e-facil-nem-dificil-muito-pelo-contrario/" data-a2a-title="Não é fácil, nem difícil, muito pelo contrário"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">O</span>s vencedores despertam sentimentos múltiplos. Quando se trata de branco, geralmente bem nascido, alguns com sobrenomes europeus, altos, bonitos e glamurosos, o sentimento vai da admiração até a chamada inveja positiva. Essa última deriva de uma pontinha de ressentimento ante o sucesso alheio: por que não comigo?</p>
<p>Quando o vitorioso não corresponde exatamente a esse modelo, acrescente-se outros temperos: a inveja pura e simples, sem adjetivações, raiva, agouro ou injúria. Na semana passada, em Itabaiana, tivemos um caso digno de divã de psicanalista, não pelo personagem que vai entrar em cena no próximo parágrafo, mas pelos que o denegriram, invejaram e ironizaram de variadas formas.</p>
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<p>Zequinha da Cenoura é um típico comerciante itabaianense, batalhador e vitorioso no que se propôs na vida. Na matéria cenoura, fosse ele um desses pedantes novos ricos, já teria providenciado um título nobiliárquico para seu negócio, tipo: O Rei da Cenoura. Mas o comedido Zequinha não é afeito a salamaleques desses que antes infestavam colunas sociais e hoje fazem a pauta da vida mundana das redes sociais. O certo é que trata-se, pois, de um vencedor. De modos muito simplórios, acanhado no jeito e nas formas, é o que nós interioranos chamamos de um tabaréu que se deu bem na vida trabalhando, trabalhando e trabalhando mais. Sobre ele não pesa uma única acusação de malfeitos.</p>
<p>Como filho legítimo da cultura de Itabaiana-Grande, fala aquele idioma, quase dialeto, que inclui, por exemplo, pronunciar “fáce” em vez de fácil e “difíce” em lugar de difícil. Itabaiana é uma inesgotável fonte de expressões muito típicas, locais, algumas inclusive atravessaram fronteiras. O batido “fi do canso” é só um exemplo, dos menos notáveis entre tantos numa cidade que é rica de histórias, personagens e modos de ver e expressar a vida. Por uma conjectura da política, Zequinha se tornou o prefeito de fato e de direito dessa Babilônia serrana após renúncia do titular do cargo, Valmir de Francisquinho, candidato ao governo do Estado em outubro próximo.</p>

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<p>No curtíssimo discurso de posse, menos de cinco minutos, disse que a missão de comandar a partir de agora os destinos dessa locomotiva que move a economia do estado não será fácil, mas, também, não será tão difícil. Pronto. Foi o estopim para acionar o gatilho de inteligências preguiçosas, quase todas entretidas no ramerrão estéril das redes, para esquadrinhar, letra por letra, a primeira fala do novo prefeito serrano. Foi um deus-nos-acuda de estrepitosas gargalhadas, ouvidas do bar do meu amigo Camilo a um endereço elegante da avenida Adélia Franco. Quá-quá-quá!!! Mas que coisa engraçada! Quer dizer que o que não é fácil também não é difícil? Fez-se o festim dos homens cultos dos palácios e da militância virtual.</p>
<p>Não que a burrice deva deixar de ser cogitada, pelo que conheço dos críticos postos em plantão, à falta do que fazer. O mais provável mesmo é o velho e rançoso choro de perdedores, gente que simplesmente patina na vida no seu mar de mediocridade e irrelevância. Como pode o anônimo Zequinha das Cenouras, pequenininho, acanhado nos modos e curto nas palavras, se tornar prefeito de uma cidade que é pujante na história, cultura e economia sergipanas? E ainda mais um vencedor, alguém que deu certo na vida, com o agravante de não ter nenhum agravante contra sua moral de homem de família, correto e honesto? É muito para o circo das igrejinhas ociosas que sujam o espaço público das redes e mídias com o cocô de suas mentes alugadas por compradores oficiais.</p>
<p>Mais do que a expressão do preconceito, tratou-se de uma missa encomendada por endereços conhecidos. Todos entenderam o que o modesto Zequinha quis dizer ao se referir ao novo desafio na gestão pública. Sergipe é pequeno, pequenininho, e não estamos dando um mote para fazer versos com a suposta grandeza do estado. A Itabaiana de Zequinha ostenta números grandiosos na sua economia privada, traduzidos num padrão de vida muito superior à media dos sergipanos, nos seus carros de luxo e na arquitetura moderníssima do bairro Chiara Lubich, onde estão algumas das mais belas casas do estado.</p>
<p>O êxito dos empreendedores serranos é completado, pelo menos nos últimos anos, pelas gestões transformadoras do prefeito Valmir, que soube aproveitar a energia criativa dos seus moradores para mudar os índices da saúde, educação e das políticas sociais, além de um portentoso volume de obras que vai da cidade aos povoados. Já o estado, em cuja capital se encontram os detratores caracterizados acima, é um cortejo ladeira abaixo, com os piores índices da educação, uma saúde representada pela falência do Ipes Saúde, estradas esburacadas e torneiras vazias. Aqui só prospera a vida fácil das festas públicas e seus cachês milionários. De fato, para os bobos dessa corte triste, não dá pra chorar com essa tragédia. Só resta à jagunçagem elegante e culta do jornalismo aracajuano rir com a simplicidade verdadeira do autêntico Zequinha.</p>
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		<title>Foi Apenas um Acidente</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/foi-apenas-um-acidente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 12:27:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; O filme iraniano &#8220;Foi Apenas um Acidente&#8221;, diferente de &#8220;O Agente Secreto&#8221;, tinha tudo pra ganhar o Oscar 2026 de melhor filme internacional, até porque preenchia um critério não muito utilizado pelos julgadores, o de ser excelente. Mas o motivo principal, claro, jamais teria sido este. Se levasse a &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">O</span> filme iraniano &#8220;Foi Apenas um Acidente&#8221;, diferente de &#8220;O Agente Secreto&#8221;, tinha tudo pra ganhar o Oscar 2026 de melhor filme internacional, até porque preenchia um critério não muito utilizado pelos julgadores, o de ser excelente. Mas o motivo principal, claro, jamais teria sido este. Se levasse a estatueta, seria porque é um trabalho contra o regime iraniano, justamente quando explodiu a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o país persa. Funcionaria como mais um instrumento de propaganda contra o governo dos aiatolás.</p>
<p>O diretor Jafar Panahi já esteve preso e usa referências de sua história pessoal para tecer a trama, na qual dá voz a perseguidos pela repressão do regime. Uma produção artística pode cumprir uma função de denúncia social. Não é esse, portanto, o problema. Mas como discurso político, existem muitos pesos e medidas a considerar, começando por ser o Irã um país submetido a um boicote brutal durante 50 anos, com sanções que estrangulam a vida, a esperança e a paciência de todos.</p>
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<p>No próprio enredo, o torturador capturado pelos seus torturados deixa escapar a certa altura: “Se uma vez ou outra atrasa os salários, vocês querem derrubar o governo”. É evidente que uma juventude cansada de orações e sedenta de mais liberdade (e consumo?), vai às ruas por qualquer coisa. E a resposta, do outro lado, é baixar o sarrafo. Mas no meio dos protestos havia pedras no caminho: os agentes infiltrados do Mossad, baderneiros profissionais disparando o gatilho de novas revoluções coloridas, como foi no Egito e na Tunísia. Ou nós daqui de Pindorama esquecemos que os badernaços de 2013 foram realizados e financiados pela extrema direita?</p>

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<p>O Irã, então, não é uma democracia? Mas o filme foi realizado no país, com atores, técnicos e equipamentos iranianos. O diretor disse que usou estratégias de disfarce para conseguir filmar. Mas conseguiu. Fez as filmagens, concluiu e distribuiu para o mundo. E os Estados Unidos, com sua nova polícia fascista criada exclusivamente para prender e torturar imigrantes, o ICE? Que matou à queima roupa, indefesos, dois cidadãos americanos inocentes? E o que dizer de Israel, que censurou totalmente o noticiário da guerra no país, para não divulgar baixas nem os grandes estragos, prendendo e atacando jornalistas?</p>
<p>Por essas coisas é que não entendi por que os donos de Hollywood, totalmente afinados com o pensamento de Donald Trump, não fizeram de &#8220;Foi Apenas um Acidente&#8221; o grande vencedor. Mas foi bom assim. Empoderar ainda mais um filme detrator do Irã numa guerra em que a batalha de versões é crucial, nos livra de mais uma ferramenta ideológica para vitaminar o discurso mentiroso do Império, tão carente de tábuas de salvação num confronto em que ele perde feio justamente pela sucessão de versões mentirosas. Mas o filme é bom, sim: enredo, roteiro, produção, direção, atores etc etc.</p>
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		<title>O Agente Secreto jamais ganharia o Oscar</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-agente-secreto-jamais-ganharia-o-oscar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 12:56:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[“O Agente Secreto”]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Com a possibilidade de O Agente Secreto ganhar o Oscar de melhor filme e filme internacional, a torcida brasileira se transformou no clássico Fla X Flu nacional, a apaixonada adesão a dois lados de uma questão, supondo, evidentemente, que o debate de qualquer tema envolve apenas dois lados. É &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">C</span>om a possibilidade de <em>O Agente Secreto</em> ganhar o Oscar de melhor filme e filme internacional, a torcida brasileira se transformou no clássico Fla X Flu nacional, a apaixonada adesão a dois lados de uma questão, supondo, evidentemente, que o debate de qualquer tema envolve apenas dois lados. É o que ocorre com a política, reduzida à acirrada disputa Lula X Bolsonaro, que praticamente não deixa espaço para nenhuma outra proposta alternativa. Aliás, por retratar uma história vivida na ditadura militar, o FlaFlu da política nacional fez com que gente considerada de esquerda tivesse quase que a obrigação de aderir à campanha pela premiação do longa de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>A recíproca, idem: todo bolsonarista inveterado odiou o filme a priori, sem precisar sequer assisti-lo. Ambos equivocados. O festival de equívocos ocorreu em todos os lados, até que a gente chegue à noite da premiação. No domingo da festa, por exemplo, a Folha de S. Paulo escalou um “crítico” entre muitas aspas para falar sobre a produção pernambucana e, entre tantas coisas a dizer, disse que, por algumas deficiências evidentes, o diretor Kleber Mendonça não deveria ter amigos, mas bajuladores. Inaugurou, pois, novos critérios para analisar um produto cultural.</p>
<p>Mesmo supondo que o filme se revele problemático em alguns aspectos, a Folha também deveria se preocupar muito com o risco evidente da própria obsolescência, afinal, pela qualidade da análise realizada, parece que o jornal, na falta de gente séria e competente, encomendou uma peroração eivada de bobagens ao motorista da casa, ou vá lá, ao estagiário. De Psicologia ou de qualquer outra área, nunca de cinema ou jornalismo. A resposta “nordestina” foi pior: toda crítica, por menor que fosse, era obra do puro preconceito sul-sudestino contra Pernambuco e a região Nordeste.</p>
<p>Li uma matéria que invocava o clássico <em>Amarcord</em>, de Fellini, cheio de memórias pessoais do diretor na Itália fascista de Mussolini, justificando as referências de Kleber Mendonça Filho com sua Recife dos anos 70. A isso devemos prestar atenção. Talvez aí esteja uma saída honrosa para um roteiro desamarrado de uma história que se arrasta por 2 horas e 40 minutos, quando tudo poderia ser dito numa duração de 100 a 120 minutos. Não deixei de pensar em <em>Bacurau</em>, outra paixão nacional adotada pela mesma lógica do FlaFlu. Talvez eu seja um dos poucos brasileiros que não gostou desse outro grande sucesso de Mendonça.</p>
<p>Cheguei a rever <em>Bacurau</em> em DVD, pausando e anotando ponto por ponto, algo como umas três dezenas de observações para arriscar uma resenha. Os deveres da vida me chamaram para coisas mais urgentes e abandonei a ideia pelo caminho, mas insisto que <em>Bacurau</em>, com aquelas imagens e paisagens incríveis, com um roteiro que indicava uma trama forte e de muito suspense, perdeu-se na finalização. Talvez o “problema” de <em>Bacurau</em>, com perdão da vaidade do diretor, fosse de montagem e edição. Quem sabe se um belo mergulho no copião do filme, rasgando o roteiro original e tecendo outras narrativas possíveis, não resultasse na grandeza cinematográfica que imaginei nos primeiros minutos quando fui vê-lo no cinema?</p>
<p>Com <em>O Agente Secreto</em> se passou o mesmo. Uma história que poderia prometer tanta coisa, mas, no fim, não chega a lugar nenhum. E já que falamos em vaidade, é difícil crer que Wagner Moura, vendo o filme depois e, particularmente, sua atuação, inflasse o ego ao ponto de sair pelo mundo almejando os maiores prêmios. E se alguns desses louros vieram, aí não temos exatamente uma boa notícia, mas a confirmação tragicômica do nível do cinema produzido atualmente, inclusive na Europa. A análise fílmica é, evidentemente, muito mais pretensiosa do que essas ligeiras e mal traçadas linhas, portanto muitos aspectos devem ser levantados, com referências estéticas, da história do cinema e das várias linguagens, tanto as praticadas quanto as possíveis, afinal esse é o papel da arte. Aqui, cedo à tentação de descer a detalhes quase prosaicos, coisas que talvez não constassem na resenha de grandes críticos, até mesmo do Gustavinho da Folha, como o longo plano sequência do matador de aluguel Bob caminhando pelo centro do Recife com a camisa estufada por um 38 tamanho família, em alguns momentos, inclusive, sacando a arma no meio da multidão.</p>
<p>Ou ainda os diálogos na casa de Sebastiana, com brincadeiras sobre nomes reais e fictícios, uma roda de conversa sem contexto, solta, como, aliás, tudo parece solto para dar um fechamento da história. E os saltos de época, do ano de 1977 para os dias atuais, com aquelas duas meninas ouvindo gravações e comentando obviedades? Terá sido este o “truque” de Mendonça Filho para mostrar já na fase adulta o filho do perseguido Armando/Marcelo, Fernando, vivido na contemporaneidade pelo próprio Wagner Moura? Hummmm. A impressão é que se gasta pólvora à toa, razão pela qual o longa se esparrama para quase três horas.</p>
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<p>A discussão aqui não é se <em>O Agente Secreto</em> poderia se enquadrar nos padrões de Hollywood e dos streamings e contar uma história pensando nas conveniências do mercado e do público. Ao contrário, em matéria de arte, transgredir não só é necessário, como são essas inovações estilísticas responsáveis pelas altas bilheterias. Pulp Fiction, essa inesgotável aula de cinema e do prazer de ver um filme, conta com 2 horas e 34 minutos, quase o tamanho de O Agente. O que falta nesse último, e talvez venha faltando em outras produções de Mendonça, é suavidade de diálogos bem escritos e melhor interpretados, como Pulp Fiction, que faz das conversas mais banais uma arte, com interpretações preciosas, pensadas para o cinema. Uma simples discussão sobre tipos de  hamburgueres é só o gatilho para que John Travolta e Samuel Jackson deem um show de interpretação dos mais memoráveis da história do cinema.</p>

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<p>Sem esse esmero para entregar ao público um trabalho que passou por sucessivos polimentos, lapidado, a história se esvai, não cria liga com o público, e escorrega para a banalidade pura e simples. Mendonça, antes de ser o bem sucedido diretor que é, dos mais consagrados do cinema brasileiro atual, é um cinéfilo apaixonado, cheio de referências, como as que traz do começo ao fim de <em>O Agente Secreto</em>, mas elas precisam ser melhor inseridas, para que não resultem em bobagens como a tal lenda da perna cabeluda, caída de paraquedas, meio forçada, numa história que seria (seria?) sobre um caso de repressão e assassinato do período da ditadura. Não bastasse a lenda, ele coloca uma perna doida saltando nas calçadas e distribuindo sopapos a torto e a granel. Parecia as blagues do antigo Pânico na TV, o festival semanal de baixarias da TV brasileira.</p>
<p>Cinéfilo com vasta cultura cinematográfica, Kleber nem precisava buscar Fellini, Tarantino, Scorcese ou Coppola. O Brasil mesmo já foi bom nisso. Bastava rever <em>O Pagador de Promessas</em><strong>, </strong>de Anselmo Duarte, Palma de Ouro em Cannes em 1962. E pra não dizer que isso soa nostálgico, como a dizer que não se fazem mais filmes como antigamente, veja o magistral <em>Que Horas Ela Volta?</em>, de Anna Muylaert, um roteiro denso, bem construído, todo amarrado numa história envolvente, seguramente uma das produções mais políticas dos últimos anos no cinema nacional. Batemos na trave do Oscar porque Kleber vem batendo sempre na trave com seus trabalhos mais recentes. Mas um dia ele faz o gol. Sério.</p>
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		<title>A guerra do Oriente Médio e a guerra brasileira pelo mau jornalismo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-guerra-do-oriente-medio-e-a-guerra-brasileira-pelo-mau-jornalismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 18:44:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[barões]]></category>
		<category><![CDATA[Estadão]]></category>
		<category><![CDATA[folha]]></category>
		<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[paulistanos]]></category>
		<category><![CDATA[verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo são notórios alvos dos críticos do mau jornalismo, tendencioso, desonesto quase todos os dias. Curiosamente, vem do Estadão, desde meus tempos de faculdade, a repetição da falácia da imparcialidade. De tanto repetir, o jornal dos barões paulistanos &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">O</span>s jornais <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.folha.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><em>Folha de S. Paulo</em></a></span> e <em><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.estadao.com.br/" target="_blank" rel="noopener">O Estado de São Paulo</a></span></em> são notórios alvos dos críticos do mau jornalismo, tendencioso, desonesto quase todos os dias. Curiosamente, vem do <em>Estadão</em>, desde meus tempos de faculdade, a repetição da falácia da imparcialidade. De tanto repetir, o jornal dos barões paulistanos parece crer no mito defendido por eles para assacar contra a verdade. Ou não. Quem conhece os Mesquitas sabe que sua suposta decência não chega na esquina. Pelo manual da <em>Folha</em> e <em>Estadão</em>, o bom jornalismo tem que ouvir os dois lados da notícia, como se os fatos pudessem ser relatados somente por duas visões. E eles sabem que estão mentindo.</p>
<p>A imparcialidade é um mito, porque quem pauta, apura, cobre, escreve, edita e publica são pessoas inseridas nos seus mundos, em contextos que favorecem esta ou aquela visão de mundo. A começar pela decisão do que vai ser notícia e o que não merece ser publicizado. E quem teria a balança da relevância dos fatos para decidir essas questões? Qualquer um que mergulhe sério na tarefa de produzir jornalismo teria métricas apropriadas. Menos os jornalões da burguesia paulista, porta-vozes de uma extrema direita carcomida e atrasada, as tais elites brasileiras.</p>
<p>A cobertura da guerra no Oriente Médio é um primor de desserviço à boa causa do jornalismo, essa instituição tão fundamental, que <em>Estadão</em> e <em>Folha</em> tanto desprezam. No domingo, o vergonhoso panfleto da família Mesquita publicou a manchete: “Ninguém vai chorar pelo Irã”. Nem na Alemanha nazista qualquer veículo de imprensa se arvorou a publicar uma peça tão nojenta, um escárnio que só aprofunda a decadência de uma elite com DNA nazista, entreguista, sabujos de um imperialismo cuja ruína, se fosse obra de Deus, seria, sem dúvidas, do Deus de Alá.</p>
<p>E o que acontece com a <span style="color: #008000;"><em><a style="color: #008000;" href="https://www.globo.com/" target="_blank" rel="noopener">Rede Globo</a></em></span>, artífice de todas as patifarias ao longo de décadas, que somente neste quarto parágrafo comparece a esse inventário de vilanias servidas ao público pelas empresas e seus afoitos empregados? A <em>Rede Globo</em>, ora, está sendo a <em>Rede Globo</em> de sempre. Precisa ter estômago e paciência para assistir seus “especialistas” em política internacional se desdobrarem em malabarismos para distorcer os fatos e emitir opinião como sendo informação. No caso, a opinião dos patrões, claro. O pior, por incrível, não é a sabujice demonstrada por todos, mas o descarado despreparo exibido, sem que isso constranja qualquer um deles.</p>
<p>A internet, que não é só o território sem lei e o campo vasto para a expressão dos idiotas, mais uma vez se mostra útil neste aspecto: a possibilidade de sairmos dessas bolhas de desinformação e acessarmos canais e, aí sim, especialistas do mundo inteiro oferecendo uma visão multipolar, aprofundada e rica em fatos e dados, comprovados não por bruxarias ou preferências, mas pelos protocolos do jornalismo. Vale dizer: não existe jornalismo bom ou ruim, existe jornalismo puro e simples, coisas que o <em>Estadão</em> e a <em>Folha</em>, para suas desgraças, já deixaram de fazer há muito tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Brasil ladeira abaixo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/brasil-ladeira-abaixo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 18:11:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Quando Moraes Moreira lançou o contagiante suingue Descendo a Ladeira, em 1979, o Brasil ainda vivia sob os eflúvios da ditadura militar. Na verdade, desde que Geisel anunciou na época a chamada “distensão”, o regime já agonizava. Seu sucessor, o general Figueiredo, fez o possível para manter a linha &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">Q</span>uando Moraes Moreira lançou o contagiante suingue Descendo a Ladeira, em 1979, o Brasil ainda vivia sob os eflúvios da ditadura militar. Na verdade, desde que Geisel anunciou na época a chamada “distensão”, o regime já agonizava. Seu sucessor, o general Figueiredo, fez o possível para manter a linha dura, mas a essa altura o carro alegre e desgovernado da História, como cantou Chico Buarque, já atropelava indiferente quem se recusasse a aceitar seu infalível veredicto. E a sentença da velha História, com agazão maiúsculo, venceu a ditadura.</p>
<p>Mas se ainda assim a sensibilidade poética e política de um compositor como Moraes enxergava um país descambando para o buraco, imagine se ele vivesse para assistir os dias atuais. A nova crise brasileira, batizada de escândalo do Banco Master, não é marolinha que termina com o verão. Pelo tamanho do rombo e da lista de celebridades que morderam uns trocados na mais nova atração da roubalheira nacional, o furdúncio deve botar de pernas pro ar a classe política de um lado a outro da régua ideológica, todos viciados em um presentinho, concedido, sem dúvidas, sob a desculpa cosmética da “ajuda para a campanha”.</p>
<p>O outro mundo em polvorosa é a Justiça e seus representantes locais e nacionais, dos grandes aos pequenos tribunais, de juiz a desembargador, de ministro a procurador. Uma das leituras feitas do enorme caos que se avizinha é do experiente e bem informado Luís Nassif, que vê no roteiro agendado pela grande mídia, Rede Globo à frente, pra variar, uma repetição da infame Operação Lava-Jato, aquela podridão urdida no setor mais podre do Judiciário, sob a batuta de Sérgio Moro e Deltan Dalagnol. A nova trama teria a eficaz participação da ministra Cármen Lúcia, a velhinha ternurinha de Minas que, naquele tom de vovó fazendo uma advertência, dá as cartas e a senha para o clima do novo golpe.</p>
<p>Ainda no roteiro, a essencial atuação de delegados da PF e juízes que atuaram na primeira operação, encarregados, até agora, dos estranhos vazamentos seletivos para explodir autoridades envolvidas nas tais listas do “banqueiro” Daniel Vorcaro. As aspas se devem ao fato de ele não ser do clube, um Faria Lima raiz, como Itaú, Unibanco e Bradesco. Vorcaro é um outsider, um Silvio Santos moderno, vendedor de pirâmides financeiras que jogou iscas em altas somas para comprometer a República praticamente inteira.</p>
<p>Todo mundo agora está refém de sua filantropia. Menos os verdadeiros donos do país e de todos nós, os que têm presidentes, ministros, supremos e parlamentos no bolso do colete. E esses não toleram um vigarista de modos grosseiros se imiscuir no clube, ainda mais criando uma conta de 55  bilhões de reais para eles, os da Faria Lima, cobrirem através do Fundo Garantidor de Créditos. Como nas leis da bandidagem e do narcotráfico, até na malandragem tem regras.</p>
<figure id="attachment_96994" aria-describedby="caption-attachment-96994" style="width: 187px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-96994" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1-300x300.jpg" alt="Gato Tom" width="187" height="187" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1-1024x1024.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Coisa-boa-e-ter-voce-como-cliente-1.jpg 1080w" sizes="(max-width: 187px) 100vw, 187px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96994" class="wp-caption-text">O gato Tom</figcaption></figure>
<p>É possível que tudo se resuma, como a Lava-Jato 1, numa estratégia para impedir a reeleição de Lula. Mas é possível também que o script saia do roteiro traçado e imploda o próprio sistema político e jurídico do país, gerando uma convulsão que sabe-se-lá-onde-vai-dar. Nesse caso, é escolher entre o medo do escuro e torcer pela briga, como faz o gato Tom, um inteligente bichano machista e leninista que mora lá em casa e que não quer nem saber da velha tradição nacional da conciliação. Para Tom, meu indefectível gato de extrema esquerda, quanto pior, melhor.</p>
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		<title>O caso do cão Orelha é um retrato da mesquinhez brasileira e do desgraçado Santa Catarina</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-caso-do-cao-orelha-e-um-retrato-da-mesquinhez-brasileira-e-do-desgracado-santa-catarina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 17:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Vi um jornalista sério, muito preparado, a quem acompanho no seu canal do YouTube, lamentar a extraordinária atenção para com a morte do cão Orelha e a indiferença contínua e cruel contra seres humanos que são tratados de forma igual ou pior no país. Essa segunda parte não só &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">V</span>i um jornalista sério, muito preparado, a quem acompanho no seu canal do YouTube, lamentar a extraordinária atenção para com a morte do cão Orelha e a indiferença contínua e cruel contra seres humanos que são tratados de forma igual ou pior no país. Essa segunda parte não só é verdade, mas dói em gente como eu, que, depois de velho e calejado, passei a carregar comigo as dores do mundo. Uma criança criada nas ruas, dormindo em cima de papelão e comendo restos, sem ter onde tomar um banho nem uma roupinha limpa, é uma cena há décadas normalizada pela chamada gente de bem, ratos de variadas igrejas, padres e pastores, ao gosto do freguês.</p>
<p>As madames modernas, moças bombadas nas academias, e seus cães-de-guarda expertos em fazer dinheiro por quaisquer meios, principalmente os ilegais, nem se dão ao trabalho de olhar e dizer não para um pedido de ajuda. E ali está, sob quaisquer condições, a inocência de uma criança. Ali está uma criança jogada no esgoto por um país rico, mas governado por ladrões desde que Cabral pisou aqui com sua corja. As mazelas brasileiras, como o sofrimento de crianças e velhos e a facilidade com que homens matam suas companheiras, precisam ser removidas urgentemente.</p>
<p>A urgência de nossa miséria, no entanto, não transforma em questão menor outro sofrimento absurdo que convive silenciosamente neste país bárbaro: a violência pública ou velada desfechada todos os dias contra várias espécies de animais. O caso do cão Orelha, ocorrido no lastimável estado de Santa Catarina, lastimável pelos seus homens e mulheres públicos e, sobretudo, pelos seus eleitores, entrou na agenda da mídia. E que bom que tenha entrado, afinal, só assim ficamos sabendo de um quarteto de delinquentes almofadinhas mimados por parentes escrotos, esses mesmos que logo após o crime foram ameaçar o porteiro que assistira ao bárbaro espancamento.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Esse agendamento midiático serve também para despertar outros rincões anestesiados, que, por preguiça de uma imprensa omissa ou pela naturalização dos crimes contra animais por uma sociedade também violenta, acaba não conseguindo esconder mais seus pequenos horrores. Aqui no pequenino Sergipe, cada dia mais no topo entre os mais pobres, campeão de desemprego e de falta de oportunidades para seus jovens, um bandido da Barra dos Coqueiros esfaqueou e matou o cão Zico, um ato de covardia que, para dar o grau de civilidade do município em questão, foi apoiado por três vereadores locais. As três bestas, somadas ao criminoso principal, a rigor, têm menos culpa do que os formidáveis eleitores desse pobre município.</p>

			</div></div>
<p>As matérias subsequentes à morte de Orelha não interrompem o cortejo diário de escândalos e desgraças que fazem o noticiário de um país descendo a ladeira. Que o sacrifício do infeliz Orelha seja pedagógico ao passar a mensagem para o resto de um Brasil bestializado. E que os adolescentes delinquentes, tornados famosos pelo imprevisível tribunal das redes, experimentem na pele quando saírem às ruas o mesmo sofrimento invisível de criancinhas inocentes. Isto, se o braço da lei não impor castigos que lhes sirvam para sempre. Esse é mais difícil crer, em se tratando das mulheres e dos homens públicos de Santa Catarina. A propósito: quantos desses programas justiceiros do rádio e TV usaram a morte do cão Orelha para pedir a redução da <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/02/02/morte-do-cao-orelha-reacende-debate-sobre-maioridade-penal" target="_blank" rel="noopener">maioridade penal</a></span><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/02/02/morte-do-cao-orelha-reacende-debate-sobre-maioridade-penal" target="_blank" rel="noopener">?</a></span></p>
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		<title>O último romântico do jornalismo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-ultimo-romantico-do-jornalismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 12:24:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[alternativa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Não sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">N</span>ão sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de Manchete, Fatos e Fotos, Capricho, Amiga, Contigo e as famosas Seleções de Reader’s Digest. Antigamente, edições da semana anterior eram vendidas sem o frontispício da marca por um valor muito abaixo do exibido na capa. Foi na Fatos e Fotos que tive o privilégio de ler semanalmente as colunas de Nelson Rodrigues e de Carlos Castelo Branco. Pouco depois, já iniciado na juventude, me acostumei a ler jornais e, quando ingressei na UFS para estudar Engenharia Química, me tornei um fã do irreverente semanário Pasquim.</p>
<p>O Pasquim não foi o único, mas era o principal veículo da imprensa alternativa que desafiava a ditadura e, em termos de mídia impressa, um contumaz crítico da imprensa corporativa careta e covarde, os jornalões Folha, Globo, Estadão e outros. Aqui mesmo tivemos a inusitada experiência da Folha da Praia, liderada por Amaral Cavalcante, onde batuquei minhas primeiras mal traçadas linhas em letra impressa. Foi lendo dois dos muitos grandes jornalistas do Pasquim que aprendi a escrever, se é que aprendi.</p>
<p>Dos jornalistas que mais me influenciaram, destacam-se o brilhante Tarso de Castro e o touro indomável Fausto Wolff. O terceiro foi, sem dúvidas, o alagoano-sergipano Fernando Sávio. E um quarto, Charles Bukowski, este da literatura, mas uma literatura tão carregada de realismo que parecia saltar das páginas dos jornais.  As 569 páginas de “A mão esquerda de Deus” constituem um esboço de autobiografia de Fausto Wolff, gaúcho de Santo Ângelo, misto de brigão e playboy, um homenzarrão de quase dois metros, tão valente quanto propenso a se derramar em lágrimas diante do sofrimento de uma criança. Sempre ligado à esquerda, exilado durante a ditadura militar e brizolista quando voltou ao país após a anistia, Wolff carregava em si as dores do mundo.</p>
<figure id="attachment_96488" aria-describedby="caption-attachment-96488" style="width: 218px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-96488" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda-210x300.jpeg" alt="Livro A mão esquerda, de Fausto Wolff" width="218" height="311" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda-210x300.jpeg 210w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda.jpeg 214w" sizes="(max-width: 218px) 100vw, 218px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96488" class="wp-caption-text">Livro A mão esquerda, de Fausto Wolff</figcaption></figure>
<p>Em <em>A mão esquerda</em>&#8230; ele, como é típico nesses casos, se refugia em nomes fictícios para proteger pessoas reais, ele próprio escondido na alcunha de Percival von Traurigzeit, o Pérsio, um paralelo claro com seu nome de batismo, Faustin von Wolffenbüttel, transformado no polêmico e explosivo Fausto. O livro é um vai e vem no tempo e na história de uma família que, garante Fausto, tem origem em príncipes aristocráticos da Alemanha do século XIV. Conhecendo o personagem autor, é possível que aí esteja um dos momentos em que o texto é pura ficção. Ou não. Das remotas origens em guerras sangrentas entre povos bárbaros, chega-se aos imigrantes que aportaram no Rio Grande do Sul no século XIX, onde a família que um dia foi nobre e rica inicia uma saga de muito trabalho e luta contra a pobreza.</p>
<p>No Rio do Pasquim e dos jornais e revistas por onde passou, Wolff passeia pelas dezenas, quiçá centenas de lindas mulheres que foram parar em sua cama, algumas socialites ricas fascinadas por um jornalista romântico e sem tostão. Em certo momento ele proclama: “tudo que tenho são um punhado de livros e algumas roupas”. E certamente foi assim durante toda a sua vida, desde os trepidantes anos na Dinamarca, onde teve mulheres e fez uma filha, até os últimos dias, quando morreu no Rio de Janeiro, em 2008, aos 68 anos, vítima de uma hemorragia digestiva, não por acaso relacionada com os anos de muito uísque, chope e cigarros. Além do excelente jornalista que foi, crítico mordaz dos colegas mais apaixonados pelos patrões do que pela causa do jornalismo, foi também um escritor de peças teatrais e vários romances, dentre eles <em>Sandra na terra do antes</em>, escrito para resgatar as saudades da infância da primeira filha, nascida no Brasil.</p>
<p>Como jornalista, ele tem outro livro bastante lido nos anos de 1980: <em>Os palestinos: judeus da 3ª Guerra Mundial</em>, onde traça um paralelo entre a perseguição e exílio sofridos historicamente pelo povo judeu e a condição dos palestinos, vítimas do Estado sionista desde que este foi criado, em 1948, passando pela Guerra dos Seis Dias, em 1967, pela nova guerra do Yon Kippur, 1973, o massacre dos assentamentos de Sabra e Chatila, em 1982, até chegar aos horripilantes dias que correm em Gaza.</p>
<p>As farras, amores e a bebida em fartura talvez tenham sido o modo encontrado por um gigante de olhos azuis que nunca suportou as injustiças, fazendo daqueles expedientes sua válvula de escape. Como seu colega Tarso de Castro, também gaúcho e de texto ainda mais cáustico, Fausto Wolff encarnava um jornalismo cujo autor misturava-se com sua obra, o chamado jornalismo gonzo, assumidamente subjetivo e livre dessa bobagem chamada objetividade. Depois de Fausto, não houve mais ninguém que encarnasse esse personagem no jornalismo brasileiro.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Trecho</p>
<blockquote><p>“O mulherio adorava o John, o mais moço da turma, uma espécie de Babe Face Nelson, que quando não estava conosco, andava com um pessoal mais barra pesada. Ele achava que amava Isla pela simples razão de ela não ligar para ele, e ela, certamente, não ligava para ele porque ela a amava. Para os filósofos estoicos, a dialética era uma disciplina de lógica formal, Kant complicou mais as coisas quando expôs a dialética como uma tentativa de entender o que não se pode experimentar, Hegel identificou a dialética como um resultado de dois aspectos negativos de uma mesma questão, Marx e Engels adaptaram a dialética ao materialismo histórico, mas nunca, jamais, em tempo ou dimensão alguma, alguém poderá entender o conflito dialético entre a buceta e o coração de uma mulher”.</p></blockquote>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>O legado de Canudos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-legado-de-canudos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 14:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[disposição]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Euclides da Cunha]]></category>
		<category><![CDATA[fôlego]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra de Canudos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Nobel]]></category>
		<category><![CDATA[Os Sertões]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Vargas Llosa]]></category>
		<category><![CDATA[vergonha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Em 1981, o escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou uma obra-prima da literatura universal, o livro “A Guerra do Fim do Mundo”, na qual faz uma reconstituição ficcional do massacre de Canudos, cometido pelo Exército brasileiro. A historiografia oficial chama o evento de “guerra”, mas se tratou do massacre &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m 1981, o escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou uma obra-prima da literatura universal, o livro “A Guerra do Fim do Mundo”, na qual faz uma reconstituição ficcional do massacre de Canudos, cometido pelo Exército brasileiro. A historiografia oficial chama o evento de “guerra”, mas se tratou do massacre de milhares – mais de 25 mil pessoas – de seguidores do líder religioso Antônio Conselheiro. A historiografia e seus indefectíveis historiadores, novamente, tratam o beato como “fanático”, outra forma de desqualificá-lo.</p>
<p>O livro de Vargas Llosa é um trabalho espantoso, sobretudo se considerarmos que foi realizado por um estrangeiro. Até então, a principal referência literária do famigerado massacre era o clássico “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Ao escavar a história e as histórias enterradas junto com os mortos, o Nobel peruano de alguma forma produziu vergonha alheia nas centenas de autores nacionais, principalmente os do Nordeste brasileiro, que não tiveram a ideia ou a disposição de produzir um trabalho de tamanho fôlego.</p>
<p>Canudos até hoje segue sendo um dos episódios mais importantes da história brasileira, pela capacidade de revelar, num movimento de miseráveis contra as duras condições de sobrevivência, o modus operandi de nossas elites para lidar com revoltas populares. Serviu ainda para exibir o verdadeiro caráter do nosso Exército: golpista, saqueador, corrupto e assassino, desde Canudos, passando pelo golpe que implantou a República, a ditadura militar instalada em 1964 e o papelão mais recente, chefiado por um capitão bandido ligado a milícias e rachadinhas.</p>
<figure id="attachment_96301" aria-describedby="caption-attachment-96301" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-96301 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po.jpg" alt="Documentário Canudos" width="1080" height="949" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po.jpg 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po-300x264.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po-1024x900.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po-768x675.jpg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96301" class="wp-caption-text">Documentário Canudos</figcaption></figure>
<p>Há décadas, sindicatos de trabalhadores rurais, entidades de classe e militantes de causas sociais realizam no mês de outubro uma celebração em memória dos mártires de Canudos, evento que ocorre à revelia de uma Igreja Católica que historicamente se omitiu diante dessa vergonha nacional. Há vinte anos, em 1996, fui com uma equipe de TV fazer o registro desse evento, que celebrava na época os 99 anos do final da guerra, ocorrido em 1897. O resultado foi o documentário “Canudos, Sol e Pó”, exibido na antiga TVE do Rio de Janeiro e em algumas emissoras estaduais que compunham a rede liderada pela emissora pública carioca.</p>
<p>O filme tem duração de 24 minutos e sua realização envolveu uma operação peculiar, desde o processo para conseguir um ônibus da Secretaria da Educação de Sergipe para transportar a equipe e equipamentos, além de estudantes, estagiários da TV Aperipê, além de poetas e músicos sergipanos que se integraram à caravana rumo a Bendegó, Canudos, açude de Cocorobó, Euclides da Cunha, Tucano e Monte Santo. Foi uma epopeia que incluiu constantes quebras do velho ônibus nas estradas empoeiradas do sertão baiano, as dezenas de defeitos apresentados pela única câmera U-Matic disponível para as filmagens e o alojamento precário numa velha casa de farinha em Bendegó.</p>
<p>Como então diretor da TV Aperipê na gestão do pesquisador e jornalista Luiz Antônio Barreto na Secretaria de Estado da Educação, utilizei um método empírico, intuitivo, para recolher o mais farto material disponível numa programação diversificada e distribuída por todas as localidades citadas, nos três dias do evento. Estagiários funcionaram como produtores garimpando fontes e colhendo informações que seriam usadas na narração “on” (presente nas falas dos entrevistados ou no texto do narrador) ou em “off”, servindo de base para perguntas e para o próprio texto. Além de realizar as entrevistas e comandar gravações in loco, mergulhei depois em uma ilha de edição da produtora Univídeo para decupar, estabelecer uma narrativa (argumento) e produzir sentido a partir das 20 fitas gravadas, de 30 minutos cada.</p>
<p>Além da gravação de vários depoimentos, foi fundamental o registro de algumas das apresentações que faziam parte da programação oficial e outras produzidas especialmente para o documentário, como a interpretação do sergipano Muskito, de uma velha canção daqueles sertões sofridos. Como elementos lúdicos para  enriquecer a linguagem audiovisual pretendida, incluímos a performance de um ventríloquo na feira de Monte Santo, uma toada de aboio e a tradicional banda de pífanos. Também há citações do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, filmado na região em 1964.</p>
<p>“Canudos, Sol e Pó” apresenta problemas técnicos que em alguns momentos dificultam sua compreensão, fenômeno normal em se tratando de imagens gravadas numa velha câmera do sistema U-Matic, digitalizadas depois para DVD e hoje guardadas em nuvem. As sucessivas conversões, somadas à precariedade original do trabalho, por outro lado, produz um efeito de antiguidade, do cinema de muitos anos atrás, que confere certo fetiche retrô à obra. Os poucos textos narrados em off ainda traz outra raridade: a voz do jornalista baiano-sergipano Cleomar Brandi, que também escreve uma crônica sobre o homem sertanejo fechando a narrativa. Exibido numa praça pública de Bendegó no ano seguinte, o filme foi uma contribuição sergipana à programação dos 100 anos do final de uma guerra que até hoje envergonha nosso povo, mas que inscreveu o sertão de Canudos na história da resistência popular aos desmandos que seguem irremovíveis no Brasil contemporâneo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>O Inventário Cultural de Maruim </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-inventario-cultural-de-maruim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Jan 2026 09:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[delírio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*)    Quando da aproximação dos 200 anos da independência de Sergipe, intelectuais, entidades culturais e setores dos poderes públicos se reuniram numa sala apertada do Palácio-Museu Olímpio Campos para uma discussão preparatória de um cronograma de comemorações dessa que é, de fato, nossa mais importante efeméride. Como secretário municipal de &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p><span data-contrast="auto"> </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto"><span class="dropcap ">Q</span>uando da aproximação dos 200 anos da independência de Sergipe, intelectuais, entidades culturais e setores dos poderes públicos se reuniram numa sala apertada do Palácio-Museu Olímpio Campos para uma discussão preparatória de um cronograma de comemorações dessa que é, de fato, nossa mais importante efeméride. Como secretário municipal de Comunicação Social, participei representando a prefeitura de Aracaju. Apesar da presença de gente séria e competente, a reunião foi a melhor definição do caos. Um samba do crioulo doido em matéria de delírios sem pé nem cabeça. Em vinte minutos, vi que aquilo não ia dar em nada. E não deu. </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-96061 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653-208x300.png" alt="Capa do livro" width="208" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653-208x300.png 208w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653.png 486w" sizes="auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px" /></a>Se nada foi promovido além da patuscada tradicional improvisada nessas horas para tentar justificar alguma ação, pelo menos a republicação de um livro nos salvou da vergonha total. Refiro-me ao <em>Inventário Cultural de Maruim</em>, publicado originalmente em 1994 e reeditado agora em versão ampliada pela professora Maria Lúcia Marques Cruz e Silva. Não me recordo se a professora estava presente na fatídica reunião do nada-com-coisa-nenhuma, já que é uma dessas incansáveis pesquisadoras que milita em tempo integral nos campos da história e da cultura.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Talvez não tenha sido lembrada para aquela reunião de figurões da cultura oficial, afinal, alguém com esse perfil, evidentemente, não interessa aos convescotes regados por finos acepipes e sucos tropicais variados. O livro, portanto, é uma edição comemorativa de uma data que, para espanto geral, passou praticamente em branco. Quisera que todo município sergipano contasse com uma obra de tamanho fôlego escavando sua história a partir de seu desenvolvimento econômico e social, sua história política, incluindo a das gentes do andar inferior, sobretudo os escravos.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">É claro que um mergulho na vida econômica arrasta consigo a história do poder e da dominação, elencando a casta de seus principais políticos e o papel que desempenharam não só no âmbito da cidade, mas da província. E assim encontramos personagens como Gonçallo Rollemberg do Prado e a Usina das Pedras, a importância econômica do algodão, do calcário e da cana-de-açúcar. O inventário percorre outras áreas da vida maruinense desde a fundação da cidade, revivendo as festas de seu calendário cultural, o desenvolvimento da educação, da saúde e do esporte.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No capítulo dedicado ao esporte, traz raras informações até então desconhecidas do grande público, mostrando como Maruim não só foi pioneira no futebol em Sergipe, como seus clubes tiveram papel relevante no estado, mas este, seguramente, é fonte para um artigo só sobre isso. A publicação exibe ainda um quadro da representação dos poderes municipais desde épocas remotas até a atualidade, com relação de vereadores, presidentes da câmara e prefeitos. </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Berço da economia e da política na província de Sergipe, Maruim foi uma das cidades contempladas com a visita do Imperador Dom Pedro II, em 1860, onde aportou na margem esquerda do rio Ganhamoroba acompanhado da Imperatriz Tereza Cristina. Na passagem de um dia, caminhou pelas ruas da cidade, visitou escolas, inaugurou obras e assistiu à missa. No quartel da polícia, fazendo a inspeção das armas, questionou a razão de uma palmatória pendurada numa parede. A resposta do comandante: era para castigar escravos encontrados fora de hora vagando pelas ruas. Dom Pedro reagiu de forma enérgica, ordenando que a punição fosse imediatamente extinta das práticas da polícia.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Discreta, quase obscurecida no isolamento de um município que perdeu importância e hoje é praticamente ignorado dos órgãos culturais do estado, a obra da professora Maria Lúcia acende uma faísca de esperança na mediocridade das políticas culturais focadas somente nos practuns e pracatás juninos e carnavalescos, espelho e expressão dos gestores maiores, todos eles avessos, senão ignorantes mesmo, à pesquisa histórica que repõe a grandeza de nossa historiografia.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
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		<title>A pequena revolução das coisas banais</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-pequena-revolucao-das-coisas-banais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Dec 2025 09:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[arrocho. PSOL]]></category>
		<category><![CDATA[brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[burguesia]]></category>
		<category><![CDATA[classe média]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Detrans]]></category>
		<category><![CDATA[direita]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Imposto de Renda]]></category>
		<category><![CDATA[jeitinho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Nossa classe média é a melhor encarnação daquele ditado que dizia: “Calça de veludo, ou bunda de fora”. Há muito que os governos, de direita ou esquerda, empreendem medidas que só aumentam o arrocho contra essa outrora garbosa categoria. Hoje ela vive espremida por um orçamento que não cabe &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">N</span>ossa classe média é a melhor encarnação daquele ditado que dizia: “Calça de veludo, ou bunda de fora”. Há muito que os governos, de direita ou esquerda, empreendem medidas que só aumentam o arrocho contra essa outrora garbosa categoria. Hoje ela vive espremida por um orçamento que não cabe no salário, mas, para seguir a tradição de uma gente de nariz empinado, mantém a pose como se fossem filhos da nobreza. De certo mesmo é sua capacidade de furar filas, arrumar jeitinhos bem brasileiros e praticar a indecorosa Lei de Gerson: o importante é levar vantagem.</p>
<p>Para essa classe média, experta, pela esperteza, em furar os bloqueios da administração pública para traficar seus interesses, algumas mudanças reais não significam nada, sobretudo se o bolso aliviado não for o seu. A isenção do desconto de Imposto de Renda na faixa que vai até 5 mil reais de salário é um exemplo. A classe média da qual tratamos aqui não faz parte dessa massa, portanto, está fora do alcance do benefício.</p>
<p>Mas o grosso da população assalariada sabe a delícia que representa esse pequeno alívio, de 200 ou 300 pilas por mês, uma festa no orçamento de um povo pobre.</p>
<p>Há dias vi o depoimento de uma mulher dizendo das facilidades para tirar a habilitação para dirigir veículos. Num país cartorialmente escroto, pelo menos essa raspinha de dignidade o governo Lula pôde propiciar, um governo de centro com ligeiras tintas de esquerda. A elite brasileira, totalmente cartorial, e hoje estreando no negócio das drogas, não permite mais que uma raspinha aqui ou acolá. Na verdade, a antiga regra para a habilitação de motoristas era exercida por máfias organizadas, que iam dos mentirosos exames médicos ao teste prático de habilitação: tudo fake. Fábrica de dinheiro sob o comando dos Detrans estaduais, esses antros de corrupção tão genuinamente brasileiros, uma corrupção tão velha como a posição de fazer o número 2.</p>
<p>A fala da moça me impressionou pela simplicidade para resumir a questão: com um decreto governamental, uma antiga safadeza é retirada do cardápio nacional de safadezas historicamente entranhadas no fabulário geral de nossas safadezas normalizadas. É pouco ainda, mas é importante, porque é dessa matéria que vivem as pequenas transformações do cotidiano, as coisas que realmente importam. Sim, importam porque se referem à vida prática e real das pessoas. O resto é peroração pseudoideológica, como essa palhaçada em torno das sandálias Havaianas, hoje o tema principal do programa teórico do Psol e outros quejandos da esquerda identitária.</p>
<p>Que novas pequenas causas venham no horizonte próximo e se transformem em novas bandeiras de ganhos e conquistas. Uma a uma, melhorando efetivamente a vida dos que mais precisam. Que comecem a reduzir a vergonha da pior distribuição de renda do mundo. Isso não virá nunca da esquerdinha identitária nem da direita troglodita, com suas políticas parlamentares semelhantes, apenas com sinal trocado. São iguais em desgraças. Como disse alguém outro dia, o parlamento brasileiro é uma casa de negócios tocada por 513 empreendedores, cuja diferença entre si é basicamente a cor das camisetas que usam nos rolês dos fins de semana.</p>
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