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	<title>Arquivo para Lá Vem História - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Entardecer em Seattle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 13:27:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Desembarquei em Seattle, em uma tarde fria. 12 graus. Ponto final de uma longa viagem que se iniciou dois dias antes, em São Luís, minha casa. Voei para São Paulo, onde passei o dia. De Guarulhos, embarquei para Miami; oito horas de voo. Conexão de duas horas. Novo &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fentardecer-em-seattle%2F&amp;linkname=Entardecer%20em%20Seattle" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fentardecer-em-seattle%2F&amp;linkname=Entardecer%20em%20Seattle" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fentardecer-em-seattle%2F&amp;linkname=Entardecer%20em%20Seattle" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fentardecer-em-seattle%2F&amp;linkname=Entardecer%20em%20Seattle" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fentardecer-em-seattle%2F&#038;title=Entardecer%20em%20Seattle" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/entardecer-em-seattle/" data-a2a-title="Entardecer em Seattle"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>esembarquei em Seattle, em uma tarde fria. 12 graus. Ponto final de uma longa viagem que se iniciou dois dias antes, em São Luís, minha casa. Voei para São Paulo, onde passei o dia. De Guarulhos, embarquei para Miami; oito horas de voo. Conexão de duas horas. Novo voo; seis horas para Los Angeles. Aeroportos gigantescos, muita gente circulando. Verdadeiras cidades pulsantes. Mais quatro horas de voo e, finalmente, cheguei a Seattle. Minha segunda vez nesta cidade fascinante e surpreendente. Estive aqui em 2016, em um stopover de dois dias a caminho de Anchorage, Alasca.</p>
<p>Bonita, vibrante, situada no Puget Sound, na região do Noroeste Pacífico dos EUA, é cercada de água, montanhas e florestas perenes e contém milhares de hectares de parques. Maior cidade do estado de Washington, além de ser grande polo tecnológico: Microsoft, Amazon e Boeing têm suas sedes estabelecidas na área metropolitana. O futurista Space Needle, um legado da Expo 62, é o monumento mais famoso da cidade. Do alto do Space Needle, descortina-se grande parte da cidade. Seus parques bem cuidados são um convite para desfrutar da natureza.</p>
<figure id="attachment_99188" aria-describedby="caption-attachment-99188" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-99188 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle.jpeg" alt="Thadeu em uma das ruas de Seattle" width="960" height="1280" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle.jpeg 960w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle-768x1024.jpeg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99188" class="wp-caption-text">Thadeu em uma das ruas de Seattle</figcaption></figure>
<p>Compro passagens aéreas com frequência. Assim como pago mensalmente: água, luz, telefone, IPTU, tenho uma conta corrente de passagens aéreas. Comprei estas em agosto de 2025, sem atentar para o fato de que seria quase no período da 23ª Copa do Mundo de Futebol, que será sediada nos EUA, Canadá e México. Seattle sediará alguns jogos. As outras cidades americanas sedes são: Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e São Francisco.</p>
<p>Por não ter atentado para a data da Copa, ao pesquisar hospedagem, encontrei preços exorbitantes para um bolso raso.  Após muita busca, encontrei um hotel pequeno, no centro da cidade, próximo a um dos pontos turísticos mais visitados: Pike Place Market.</p>
<p>Verdadeiro tour gastronômico. Caminhar pelo mercado é uma imersão através da cena de comida de Seattle, experimentar sabores de diferentes partes do mundo, além de uma viagem pela cultura local. Neste histórico mercado de agricultores, que mantém a tradição dos produtores locais enquanto se degusta uma abundância de frutas frescas, queijos, comidas diversas, vinhos e muito mais. Além de arte. Tem artistas mostrando seus trabalhos ao longo dos labirintos que compõem esse templo gastronômico-cultural. Gosto de feiras e mercados. Em todas as cidades que visito, encontro tempo para visitá-los.</p>
<p>Em Seattle foi fundada a maior rede de cafeterias do mundo, a Starbucks, em 1971, no Pike Place Market. Inicialmente, a Starbucks foi operada como uma loja de vendas de grãos e especiarias. Hoje são 41.129 cafeterias Starbucks em 89 países.</p>
<p>Embora a Copa do Mundo de Futebol seja no dia 11 de junho, dia em que retorno ao Brasil, pouco se verá sobre o maior torneio de futebol do mundo. Mesmo nos aeroportos, ruas ou avenidas, somente uma decoração tímida lembra que os americanos sediarão o maior evento futebolístico do planeta.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sou caminhante; ando no traçado do tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 14:55:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Os dias seguem no varal do tempo, sem dar satisfação. Maio se foi, junho está à porta.  Sigo observando meu entorno, sem compreender muito. O tempo não precisa que eu entenda nada. Sou apenas um caminhante, que anda no traçado do tempo, em busca de mim &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sou-caminhante-ando-no-tracado-do-tempo/">Sou caminhante; ando no traçado do tempo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span>s dias seguem no varal do tempo, sem dar satisfação. Maio se foi, junho está à porta.  Sigo observando meu entorno, sem compreender muito. O tempo não precisa que eu entenda nada.</p>
<p>Sou apenas um caminhante, que anda no traçado do tempo, em busca de mim mesmo. Sem saber nada e com muito a aprender. Mesmo curioso com a vida, “todas as vezes que penso que sei as respostas, ela embaralha tudo”, cito Luiz Fernando Veríssimo.</p>
<p>A vida não acontece em linha reta; ela dá voltas. E, nas voltas que dá, todo mundo tem sua vez de ficar de cabeça para baixo.</p>
<p>Me nutro de Clarice Lispector: “Depois do medo, vem o mundo”. Sigo com medo, empurrado pelo tempo. Às vezes tenho medo de seguir em frente, de ir sozinho, em busca do melhor. Depois, com calma, percebo que seguir em frente é a opção certa.</p>
<p>“Se a vida não for fácil pra você, trate de ficar forte”, ecoa o conselho de minha saudosa mãe, Maria da Conceição, para quem a vida nunca foi mamão com açúcar.</p>
<p>Diante de inúmeras situações que não posso mudar, tento acionar o botão do silêncio. Em um mundo cada vez mais barulhento, o silêncio é um luxo reservado a poucos.</p>
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<p><strong>Silêncio, essa presença tão mal compreendida pela modernidade tagarela, não é ausência, é potência em repouso.</strong> Nele habita uma forma de linguagem mais sutil do que qualquer gramática, mais honesta do que qualquer retórica. Ao saber distinguir entre o silêncio autêntico e o simples mutismo, há algo decisivo: que o ser genuíno da fala se preserva frequentemente na contenção, e que o discurso mais pleno é aquele que sabe o que não deve dizer. O silêncio, quando verdadeiro, é um templo, e sua arquitetura se ergue sobre o não dito, sobre o intervalo entre o impulso de falar e a escolha de calar, intervalo em que o pensamento, não domesticado pelo signo, permanece vivo em toda a sua ambiguidade fecunda. Se falar é prata, o silêncio é ouro. Observo no meu entorno todos corridos, apressados; não entendo aonde querem chegar.</p>

			</div></div>
<p>Bestialmente aceleramos o tempo; parece que estamos constantemente em busca de um senso de propósito e realização. É comum ouvir amigos dizerem que precisam estar sempre ocupados com alguma atividade importante, seja ela no trabalho ou em seus hobbies e/ou projetos pessoais. Isso me leva a pensar que, a todo momento, estamos fazendo algo importante e que, na busca por ressignificar nossa existência. Ledo engano. Além de assoberbados, estamos exaustos.  Ando enfadado de mim.</p>
<p>Na terça-feira, 26/05, a convite do escritor carioca, Paulo Panesi, participei de uma live, com Vera Costa, colega da faculdade de Agronomia e amiga de jornada. Ela é moradora de Barreirinhas, santuário ecológico. Falamos do tempo como um ativo a nosso favor. E como aproveitar os dias, sem pressa, pois <strong>a vida acontece durante nossas tempestades diárias</strong>.</p>
<p>Bem-abençoado todo aquele que tem tempo para realizar pequenos desejos.</p>
<p>É tempo de sair do trilho e entrar na trilha. O trilho é seguro, mas alguém já trilhou por ali. O trilho são padrões, crenças herdadas. Comportamentos repetidos. Tudo previsível. Tudo conhecido. A trilha exige presença, coragem e decisão. Na trilha não há garantia. Nela você precisa ouvir a si mesmo. Talvez seja por isso que na trilha a vida ganha profundidade.</p>
<p>Existem momentos em que o trilho é necessário, mas a vida perde sentido quando não temos coragem de sair dele. É neste momento que a trilha chama.</p>
<p>Porque chega uma hora em que a trilha chama, é quando a vida acontece.</p>
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<p>&#8220;Não tenho pressa. Pressa de quê? Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.</p>
<p>Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas, ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra. Não; não sei ter pressa.</p>
<p>Se estendo o braço, chego exatamente aonde o meu braço chega. Nem um centímetro mais longe. Toco só onde toco, não aonde penso.</p>
<p>Só me posso sentar onde estou. E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras, mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa, e vivemos vadios da nossa realidade.</p>
<p>E estamos sempre fora dela porque estamos aqui”,  Alberto Caeiro.</p>

			</div></div>
<p>“O caminho se faz caminhando”, cito Antônio Machado, poeta espanhol.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>&#8220;A vida não nos pertence, somos só visitantes neste mundo”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-vida-nao-nos-pertence-somos-so-visitantes-neste-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 09:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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		<category><![CDATA[visitantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Na semana passada retornei de viagem. Passei dias longe do meu cotidiano. Sempre que posso, me ausento, na busca de coisas novas. Gosto de flanar, sem lenço e documento, em algum canto desconhecido. Sair da rotina, ser viajante, transeunte, giramundo em terras estrangeiras. Desembarquei em uma &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a semana passada retornei de viagem. Passei dias longe do meu cotidiano. Sempre que posso, me ausento, na busca de coisas novas. Gosto de flanar, sem lenço e documento, em algum canto desconhecido. Sair da rotina, ser viajante, transeunte, giramundo em terras estrangeiras.</p>
<p>Desembarquei em uma madrugada chuvosa. Dormi exausto: cansado de voos longos, conexões rápidas, poltronas apertadas e desconfortáveis.</p>
<p>Acordei e vi mensagens comunicando o falecimento de uma prima querida. Educada, discreta, com uma vida de grandes realizações, Franciângela Viana Silva partiu cedo, aos 58 anos. Havíamos marcado um novo café, já que tínhamos o hábito e gosto de bebermos bons cafés. Nosso café, tantas vezes adiado, se perdeu no cipoal do tempo.</p>
<p>O tempo parou num clique de câmera, congelou a alegria, e a saudade veio depois, como sempre vem, em silêncio e com atraso. O sorriso que brilhou num instante eterno tornou-se eco de um tempo irrecuperável, e é justamente nesse eco, onde vibra o indizível da memória, que habita a dor mais silenciosa e mais civilizada: a saudade. Não a saudade sentimental dos espíritos frágeis, mas lembranças metafísicas de quem compreende, com alguma crueldade interior, que o passado não é apenas aquilo que foi, mas aquilo que nunca mais poderá ser.</p>
<p>Vivo e sobrevivo num tempo em que tudo parece escapar, mesmo quando é capturado. O momento, tal qual uma fotografia, em sua aparência de eternidade, nada mais é do que a moldura do efêmero, a tatuagem luminosa de um instante já consumido.</p>
<p>No domingo fui visitar, em um leito de UTI, um querido mestre dos bancos escolares da faculdade de Agronomia. Mestre João Batista Braga brigava pela vida. Ao acordar no dia seguinte, soube que ele fizera a passagem. Por diversas vezes marquei de visitá-lo, em sua casa no Cutim. Ficamos de tomar um vinho, jogar conversa fora, relembrar o passado. Homem decente, elegante no trato, discreto, fala mansa, era um ótimo papo.</p>
<p>Tive o privilégio de conviver duas vezes com mestre Braga: como seu aluno e como colegas de profissão no INCRA. Culto, um cabedal de conhecimento, tínhamos sempre bons assuntos para discorrer. Nossas últimas conversas foram sobre minhas andanças pelo mundo.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“A vida não nos pertence, não, somos só visitantes neste mundo, hoje estamos aqui, amanhã ninguém sabe. Vivemos como donos da estrada, como reis sentados na varanda, fazemos planos para cem anos, sem saber se amanhã ainda acordamos. Decoramos casa emprestada, pintamos sonhos na madrugada, mas o tempo passa sem pedir licença e leva tudo sem dar sentença. A juventude vai embora devagar, a saúde um dia pode falhar, os amigos mudam e o amor também, só Deus conhece o destino de alguém. Quando a vida bater na porta, não há dinheiro que encontre a resposta, fama, luxo ou posição para impedir a despedida do coração. A vida é casa alugada, nós somos só inquilinos. Hoje brindamos sorrindo, amanhã seguimos outro caminho. Entrega a chave, meu irmão, nada que cabe na mão, tudo passa nesse mundo, só o amor deixa lembrança no coração”, ouvi essa canção na internet, que mostra bem que não somos, apenas estamos… de passagem.</p>

			</div></div>
<blockquote><p>“Sou pó de estrada e bruma de ampulheta, um sino antigo em trânsito e cansaço, que leva o próprio adeus dentro do passo. Trago nos olhos húmus de profeta e um elixir de eras sobre a pressa. Cada relógio é só ferrugem quieta.  E o tempo não passa: me atravessa!”, cito o poema “Passageiro do tempo”, de Rinaldo Nunes.</p></blockquote>
<p>No intervalo de três dias perdi duas pessoas queridas, mostrando que a vida não avisa quando vamos embora. Deixei de tomar café com Franciângela e um vinho com João Braga. Restaram memórias e saudades.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Encontro em um domingo chuvoso</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/encontro-em-um-domingo-chuvoso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 17:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[beija]]></category>
		<category><![CDATA[bonito]]></category>
		<category><![CDATA[coincidência]]></category>
		<category><![CDATA[côncavo]]></category>
		<category><![CDATA[convêxo]]></category>
		<category><![CDATA[idade]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Há um equívoco persistente — e profundamente limitador — na forma como a maioria das pessoas enxerga os mais velhos, especialmente quando se trata de sexualidade. Em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a sexualidade está associada à juventude. Como se somente os jovens &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">H</span>á um equívoco persistente — e profundamente limitador — na forma como a maioria das pessoas enxerga os mais velhos, especialmente quando se trata de sexualidade. Em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a sexualidade está associada à juventude. Como se somente os jovens pudessem aproveitar os prazeres da carne. Ledo engano. Se isso existiu, faz tempo que mudou.</p>
<p>Se antes a vovó fazia crochê e o vovô vivia de ceroulas no sofá; hoje não mais. Vovô e vovó estão na academia, na praia, em bares&#8230; na pista.</p>
<p>Hoje, em qualquer faixa etária, mulheres e homens procuram se manter firmes, fortes, ativos, saudáveis e atraentes e, com seus corpos, buscar prazer. Não mais o prazer da luxúria, mas do bem-estar, da sedução, do aconchego, do afeto.</p>
<p>Bem-aventurados os que fizeram da passagem do tempo um aliado, adquirindo sabedoria, confiança, conhecimento, para usufruir, como cantou Rita Lee, a eterna roqueira: “Eu quero mais é saúde para gozar no final”. Mesmo corpos gastos pela passagem inexorável do tempo, sabem usufruir das boas coisas da vida.</p>
<p>Domingo, tempo nublado, intercalado por sol tímido e orvalhos esparsos, eles se encontraram. No outono da vida, classificados segundo o IBGE, como idosos: “todos mamíferos e bíceps, que ultrapassaram 60 anos”. Sem ligarem para rótulos, seguem com tesão pela vida, achando-se “semi-novos”, prontos para apreciar o que há de melhor: boas conversas, bons vinhos, boas comidas e, principalmente, muito aconchego e prazeres que seus corpos e suas comorbidades lhes permitem.</p>
<p>Maduros, chegaram na fase da vida em que sabem distinguir “o que serve e o que não serve”. Sabem que não têm tempo para questiúnculas.</p>
<p>Certa vez, conversando com o tempo, ouvi dele: “Faz tuas escolhas, que te direi as minhas respostas”. Educar o olhar para o belo, para as boas e excitantes coisas da vida é qualidade de vida. Saber que o sexo, não é apenas desnudar-se de roupas, mas despir-se de títulos, preocupações, cargos, conta bancária ou outros penduricalhos desnecessários. Aprender que o desejo nasce de uma boa conversa, de um leve toque, de um olhar penetrante. Que intimidade é construída em encontros sinceros, únicos e especiais.</p>
<p>Não precisar esperar o momento certo para realizar desejos. O momento certo pode ser um domingo nublado, longe de tudo. Uma taça de vinho, um afago, um toque, um cheiro, que resulta no enlace. Quando corpos se desejam, o cérebro, mais que o coração, já indicou o caminho.</p>
<p>A criatividade fica por conta do desejo. Corpos ardentes se conectam, e como canta o mestre Roberto Carlos, que aos 85 anos, continua falando de paixão, desejo, cumplicidade.</p>
<p>Um encontro de domingo, sem script, em que a melodia e a harmonia dos corpos falam por si.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Nosso amor é demais/ E quando o amor se faz/ Tudo é bem mais bonito/ Nele a gente se dá/ Muito mais do que estáE o que não está escrito&#8230; /Quando a gente se abraça/ Tanta coisa se passa/ Que não dá pra falar/ Nesse encontro perfeito/ Entre o seu e o meu peito/ Nossa roupa não dá&#8230;</p>
<p>Nosso amor é assim/ Prá você e prá mim/ Como manda a receita/ Nossas curvas se acham/ Nossas formas se encaixam/ Na medida perfeita&#8230;. / Esse amor é prá nós/ A loucura que traz/ Esse sonho de paz/ E é bonito demais/ Quando a gente se beija/ Se ama e se esquece/ Da vida lá fora.</p>
<p>Cada parte de nós/ Tem a forma ideal/ Quando juntas estão/ Coincidência total do Côncavo e o Convexo/ Assim é o nosso amor/ No sexo&#8230;</p>
<p>Este amor é pra nós/ A loucura que traz/ Esse sonho de paz/ E é bonito demais/<br />
Quando a gente se beija/ Se ama e se esquece/ Da vida lá fora / Cada parte de nós/ Tem a forma ideal/ Quando juntas estão/ Coincidência total/ Do Côncavo e o Convexo/ Assim é o nosso amor/ No sexo&#8230;”</p>

			</div></div>
<p>Na cama, corpo exaustos de prazer, observam que chove lá fora.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Mãe: onde a vida começa e o amor nunca acaba</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/mae-onde-a-vida-comeca-e-o-amor-nunca-acaba/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 09:03:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[anjos]]></category>
		<category><![CDATA[guardiãs]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[presença]]></category>
		<category><![CDATA[sublime]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>
		<category><![CDATA[ventre]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Antes de aqui aportar, foi no ventre de uma mulher, minha mãe, Maria da Conceição Aragão Nunes e Silva, que morei por nove meses. Foi o primeiro e mais seguro endereço que já ocupei na Terra. Não tinha preocupação com nada; sem pagar aluguel, ali morei de graça. &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>ntes de aqui aportar, foi no ventre de uma mulher, minha mãe, Maria da Conceição Aragão Nunes e Silva, que morei por nove meses. Foi o primeiro e mais seguro endereço que já ocupei na Terra. Não tinha preocupação com nada; sem pagar aluguel, ali morei de graça. Nem contas tinha. Lugar de pouco espaço, mas de imenso amor e cuidado. Lá tinha de tudo que precisava: amor, afeto, atenção, proteção. Gostava tanto da barriga de minha mãe, que para sair dei trabalho. Nasci de parto complicado, minha mãe teve eclâmpsia, e fui arrancado à força, ou melhor, à fórceps. Talvez sabendo o que me esperava cá fora. Vim ao mundo em uma manhã de sexta-feira chuvosa, em dezembro de 1958.</p>
<p>No outono da vida, é no colo de minha mãe que gostaria de me refugiar em tempos nebulosos. Não há porto seguro melhor que o colo de mãe.</p>
<p>Sou primogênito em seis irmãos. Fui filho amado, desejado, planejado. Sei o que é amor desde muito cedo.</p>
<p>Há algo no desejo de ser mãe que não se confunde com o desejo de ter um filho. Talvez porque a maternidade não se inaugure apenas no acontecimento concreto, mas em um movimento interno, íntimo, onde a mulher revisita sua própria história como filha. Como lembra Sigmund Freud, “tornar-se mãe exige um retorno, um acerto de contas silencioso com aquela que veio antes, com a mãe que se teve, com a mãe que faltou, com a mãe que se sonhou”.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-scaled.png"><img decoding="async" class=" wp-image-98630 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-150x150.png" alt="" width="175" height="175" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-1536x1536.png 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/paizurii-ai-generated-8601135-2048x2048.png 2048w" sizes="(max-width: 175px) 100vw, 175px" /></a>É desse lugar de filha que se esboça a mãe que a mulher deseja ser. Uma construção que não é só biológica, mas simbólica, afetiva, atravessada por identificações, rupturas e escolhas. Ser mãe, então, pode acontecer antes, além ou mesmo sem o filho: acontece quando algo dentro se reorganiza, quando se cria um espaço de cuidado, de acolhimento, de responsabilidade pelo outro e por si. Tenho o maior respeito pelas mães cujos filhos brotaram do coração. Não saíram de seus ventres, mas do amor, do desejo de serem mães.</p>
<p>Não há nada mais sublime do que uma mãe. As mães são as guardiãs da vida. São elas, com seus ventres, que povoam a Terra. Quando Deus quis enviar seu único filho ao mundo — Jesus Cristo — foi o ventre de uma mulher que ele escolheu. Isso prova que o amor de mãe é o mais sublime que existe. Se o mundo fosse governado por mulheres, não haveria guerra, pois uma mãe não suportaria enviar seus filhos para um campo de batalha. Essa bestialidade é coisa dos homens.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Mãe é território de amor e cuidado. Ter mãe é ter cobertor para o frio, capa para a chuva, pão para a fome, água para a sede.</p>
<p>Mãe é abrigo. Todos podem abandoná-lo, mas uma mãe nunca abandona sua cria. Isso é instinto, isso é cuidar, isso é amar.</p>

			</div></div>
<p>Maria da Conceição, minha saudosa mãe, era firme, forte e braba. Com seis filhos, em idades próximas, tinha que ser energética para manter a ordem. Professora primária, com três turnos de trabalho, foi guerreira. Partiu cedo, aos 43 anos, enquanto dormia, após jornadas sobrenaturais. Sou do tempo dos corretivos, com cinto. Quando não existia drone, vim muito chinelo voar em minha direção. Frustração? Nenhuma. Complexo? Nenhum. Nunca precisei fazer terapia para entender que aquilo também era demonstração de cuidado e amor.</p>
<p>Ao mesmo tempo que era firme, forte e braba, era amorosa, zelosa e cuidadosa. Nunca passamos necessidade, tínhamos atenção e amor. Com cuidado de leoa, instinto próprio das mães, ela soube nos proteger e nos ensinar a seguir em frente sem sua presença. Minha mãe foi a mãe que precisávamos para ser o que somos hoje.</p>
<p>Somente uma mulher te amará antes mesmo de te conhecer. Ela vai sofrer por ti, vai secar tuas lágrimas, vai te defender como a própria vida, vai te aconselhar, te incentivar, te cuidar. Ela nunca irá te abandonar, sempre irá te perdoar; e você será o amor maior da vida dela. Um dia você poderá magoá-la, pode não escutá-la, vai preocupá-la, vai fazê-la passar noites acordada; mas, ainda assim, ela estará presente, onde e quando você precisar. Só existe uma mulher capaz disso: a mãe.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Mãe é a presença dos anjos na Terra. Ela tem a capacidade de ouvir o silêncio.</p>
<p>Adivinhar sentimentos. Encontrar a palavra certa nos momentos incertos.</p>
<p>Mãe é Mãe. É onde a vida começa e o amor nunca acaba.</p>
<p>Sabedoria emprestada de Deus para nos proteger e amparar.</p>
<p>Sua existência é em si um ato de amor. Gerar, cuidar, nutrir. Amar, amar, amar&#8230;</p>
<p>Amar com um amor incondicional que nada espera em troca.</p>
<p>Afeto desmedido e incontido, mãe é um ser infinito.</p>
<p>Feliz Dia das Mães a todas as mamães do mundo.</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Maio: mês de florescer e celebrar</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/maio-mes-de-florescer-e-celebrar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 09:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>
		<category><![CDATA[celebrar]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[flores]]></category>
		<category><![CDATA[florescer]]></category>
		<category><![CDATA[Hamnet]]></category>
		<category><![CDATA[jardim]]></category>
		<category><![CDATA[maio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Ao ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>o ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês das mães, as flores que embelezam e perfumam o mundo.</p>
<p>Sou da geração que cresceu ouvindo “Pra não dizer que não falei das flores” (também conhecida como “Caminhando”), composta e interpretada pelo paraibano Geraldo Vandré em 1968. Um hino de resistência com versos marcantes sobre luta e esperança, que se tornou um símbolo da liberdade de expressão. Apresentada no III Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, RJ, conquistou o segundo lugar, mas teve um impacto popular superior à vencedora, “Sabiá”, composta por Tom Jobim e Chico Buarque e interpretada por Cynara e Cybele.</p>
<p>Em tempos tão áridos, vamos falar de flores. Falar em plantar, germinar, florescer.</p>
<blockquote><p>“Enquanto houver vida neste mundo em chamas, haverá histórias a serem narradas, lidas e ouvidas. Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio.”</p></blockquote>
<p>Com essas palavras, o escritor amazonense Milton Hatoum selou sua entrada oficial na Academia Brasileira de Letras, na sexta-feira, 24 de abril.</p>
<p>Em meio ao caos, busco incessantemente a tranquilidade. Observo as pessoas ao meu redor, todas apressadas, correndo de um lado para o outro. O mundo está cheio de indivíduos impacientes, que querem tudo no “agora”. Ninguém quer plantar, já quer colher. Esperar? Nem pensar! A vontade é maior que tudo. E quando a vida não acontece daquele jeitinho que elas planejaram, revoltam-se contra tudo e todos. Pode parecer um disparate, mas a vida não é sempre como se quer.</p>
<p>Existem coisas que têm mesmo o seu tempo. “Por vezes, é preciso fazer o que é possível e depois saber esperar, entregar ao Universo e confiar”, me diz Júlia, minha amiga esotérica. Júlia aprendeu a ser zen em um mundo em ebulição.  Esses dias, para minha felicidade, nos encontramos para um café, em um final de tarde chuvoso. Com sua pele muito clara, cheirosa e colorida, saia rodada, cabelos encaracolados e flores na cabeça, ela me fala dos livros que está lendo.  Menciona que assistiu a “Hamnet”, dirigido pela cineasta chinesa Chloé Zhao. Sensível, ela chorou o filme todo.</p>
<figure id="attachment_98477" aria-describedby="caption-attachment-98477" style="width: 888px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-98477 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif" alt="Cena do filme Hamnet" width="888" height="521" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif 888w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-300x176.avif 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-768x451.avif 768w" sizes="auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98477" class="wp-caption-text">Cena do filme Hamnet</figcaption></figure>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Hamnet” é um drama histórico sensível que aborda temas como luto, maternidade e criação artística. Conta a história de Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), e a dor do casal após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, por peste bubônica, evento real que teria inspirado a peça “Hamlet”. O filme dá voz à esposa de Shakespeare, quase nunca lembrada, explorando sua conexão com a natureza e como ela lidou com a perda do filho.</p>

			</div></div>
<p>Júlia compartilha a dor da perda de seu irmão Ricardo, que faleceu aos 38 anos devido a um câncer devastador. A saudade e a melancolia de continuar sem sua presença são palpáveis. Após mais um gole de café, ela se refaz no celular, mostrando seu jardim, que lembra o jardim de Caio Fernando Abreu.</p>
<p>O jardim na casa de Caio Fernando Abreu, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, tornou-se um refúgio simbólico e físico nos últimos anos de sua vida. Lá, ele cuidava de girassóis, brincos-de-princesa e rosas, encontrando na jardinagem uma metáfora para paciência, a morte e o ciclo da vida, temas explorados em suas crônicas, como em “A Morte dos Girassóis”. A jardinagem era uma forma de carinho e conexão com a vida enquanto lutava contra a AIDS, um contraste com a “noite” e a boemia presentes em sua obra.  Caio Abreu registrou suas experiências com o jardim em crônicas, onde o cultivo de flores ensinava sobre o tempo da natureza, a paciência e a aceitação da finitude.</p>
<p>Ao observar Júlia, com sua alegria contida, percebo que a vida é um convite constante para olharmos e apreciarmos as flores. Vamos florir, florescer, sempre!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Guns N&#8217; Roses na Ilha do Amor; histórico, apoteótico e orgástico</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/guns-n-roses-na-ilha-do-amor-historico-apoteotico-e-orgastico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 12:28:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[bossa-nova]]></category>
		<category><![CDATA[Calcinha Preta]]></category>
		<category><![CDATA[Castelão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; O dia 21 de abril, feriado nacional, em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746–1792): militar, dentista e ativista político brasileiro, líder da Inconfidência Mineira, que defendia a independência da Capitania de Minas Gerais e o fim da dominação portuguesa. Condenado à morte, &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/guns-n-roses-na-ilha-do-amor-historico-apoteotico-e-orgastico/">Guns N&#8217; Roses na Ilha do Amor; histórico, apoteótico e orgástico</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> dia 21 de abril, feriado nacional, em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746–1792): militar, dentista e ativista político brasileiro, líder da Inconfidência Mineira, que defendia a independência da Capitania de Minas Gerais e o fim da dominação portuguesa. Condenado à morte, enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792, em protesto contra a Coroa que cobrava tributos de 20%; hoje o Fisco confisca quase o dobro, 37%. Ninguém mais se lembra do martírio de Tiradentes, a não ser pelo feriado.</p>
<p>Terça-feira, chuva forte na Ilha do Amor. “É tempo de chuva”, dizia meu saudoso avô paterno, Joaquim Cavalcanti Silva, homem do campo.</p>
<p>Gosto de rock, cresci ouvindo bandas inglesas — as melhores — e as americanas. Com o avanço da idade migrei para algo suave: bossa nova, jazz, new wave, um rock mais calmo e meloso.</p>
<p>Saí de casa, no final da tarde chuvosa, para assistir ao vivo, à apresentação da banda americana Guns N’ Roses. Foi fenomenal. Entrou para a coleção de boas memórias.</p>
<blockquote><p>Ouvir a voz potente de Axl Rose, 64 anos, sua presença eletrizante e voz potente, encher o estádio do Castelão, juntamente com Slash, 60 anos, guitarrista; Duff McKagan, 62 anos, baixista; Richard Fortus, 62 anos, guitarrista; Dizzy Reed, 63 anos (teclados); Frank Ferrer, 62 anos, baterista, e Melissa Reese, 62 anos, nos teclados, e é algo que entrou para a história. Todos sessentões e NOLTs, ainda têm capacidade de hipnotizar enormes plateias, com um show frenético e orgástico. Durante quase três horas, o show acabou às 23h11, estavam exaustos e entregaram o melhor da banda. Foram 17 músicas do repertório, dessa que é uma das melhores bandas de rock do mundo. O público cantou, dançou e se esbaldou ao som de Paradise City, Since I Don’t Have You, You Could Be Mine, Yesterdays, Used To Love Her, November Rain e muitas outras.</p></blockquote>
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<p>Fundada em 1985, em Los Angeles, Califórnia, resultado da fusão entre as bandas locais L.A. Guns e Hollywood Rose, Guns N’ Roses é atemporal. A formação original do grupo era composta pelo vocalista Axl Rose, o baixista Ole Beich, o baterista Rob Gardner e os guitarristas Tracii Guns e Izzy Stradlin. Meses depois, após assinarem com a Geffen Records, a formação &#8220;clássica&#8221; do grupo contava com Rose, Stradlin, o guitarrista Slash, o baixista Duff McKagan e o baterista Steven Adler. A formação atual inclui Rose, Slash, McKagan, o guitarrista Richard Fortus, os tecladistas Dizzy Reed e Melissa Reese e o baterista Isaac Carpenter.</p>

			</div></div>
<p>Ouvir e assistir ao melhor do rock mundial na minha Ilha do Amor, terra do Bumba-meu-boi, na Jamaica brasileira, foi uma oportunidade única e inesquecível.</p>
<p>Após os últimos acordes das guitarras, um fato inusitado para os americanos, aconteceu. Uma calcinha preta, sim, a vestimenta de debaixo da indumentária feminina, voou ao palco. O guitarrista Slash apegou-as, passou para Axl Rose, que em sorrisos, rodopiou no dedo e colocou no suporte do microfone. Os Guns N’ Roses, que já tocaram, cantaram e encantaram os cinco continentes da Terra, certamente vão se lembrar da Ilha do Amor pela acolhida de seu povo e pela irreverência de uma lingerie voadora.</p>
<p>Pelas redes sociais fiquei sabendo que a calcinha foi ideia de uma jovem, dona de Sex Shop, que colocou o nome da banda na peça íntima e arremessou ao palco. Puro marketing.</p>
<p>Parabéns aos organizadores do evento, tudo saiu melhor do que o planejado.</p>
<p>Viva o rock, viva os Guns N’ Roses, viva a Ilha do Amor, viva a irreverência de nossas meninas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="tadeu castelão" width="521" height="926" src="https://www.youtube.com/embed/YYBM4UOoVgo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A difícil arte de viver</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-dificil-arte-de-viver/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 16:07:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[acordos]]></category>
		<category><![CDATA[doidivanas]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[FMI]]></category>
		<category><![CDATA[irascível]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
		<category><![CDATA[políticos]]></category>
		<category><![CDATA[rasteira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Esses dias recebi, logo cedo, uma mensagem do amigo Luiz Fernando Linhares, colega dos bancos da faculdade de Agronomia, coisa de quase cinquenta anos. Luiz Fernando perguntava como iam as coisas: “Como está a vida nesses dias de mar revolto da política?” Enquanto tomo café da &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">E</span>sses dias recebi, logo cedo, uma mensagem do amigo Luiz Fernando Linhares, colega dos bancos da faculdade de Agronomia, coisa de quase cinquenta anos. Luiz Fernando perguntava como iam as coisas: “Como está a vida nesses dias de mar revolto da política?”</p>
<p>Enquanto tomo café da manhã, a tela da TV cospe as notícias do dia: guerras pelo mundo, corrupção de novos políticos e gestores, violência urbana, feminicídios em diferentes cidades desse imenso Brasil. Ministros do Supremo, em suprema desfaçatez, se lambuzando por vaidades e desatinos.</p>
<p>Viver não é para os fracos. “O que a vida quer da gente é coragem”, cito João Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. Cresci ouvindo minha mãe, Maria da Conceição, dizer, todas as vezes que alguém lhe contava algo inusitado: “Cada dia com sua agonia”. Haja agonia a cada dia. Se viva fosse, minha mãe veria que a agonia agonizou ainda mais.</p>
<p>Dentre as diferentes crises que vivemos e vivenciamos, uma em particular explica a que pontos chegamos. Não temos mais estadistas no mundo. São todos mequetrefes, homens e mulheres despreparados que nos dirigem. Que se apequenam diante das adversidades que o momento exige. Não têm olhar de futuro.</p>
<p>Não fazem Política, com P maiúsculo, mas politicagem rasteira, para se manterem no poder. Custe o que custar. O último estadista que o mundo teve foi uma mulher, a ex-chanceler alemã (2005-2021), Angela Dorotheia Merkel.</p>
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<p>Como exemplo, cito: quando a Segunda Grande Guerra acabou na Europa, em 1945, com o mundo destroçado, precisando ser reconstruído, foi criado o Plano Marshall americano (1947-1951), que forneceu bilhões para reconstruir a infraestrutura dos países afetados. Os Acordos de Bretton Woods (1944) definiram o sistema financeiro internacional do pós-guerra, com a criação do FMI e do Banco Mundial. A Carta das Nações Unidas (1945) estabeleceu a ONU, com o objetivo de promover a paz internacional e evitar novos conflitos globais. Em tese, o acordo de Bretton Woods tinha como principais objetivos promover a cooperação econômica, facilitar o comércio internacional, padronizar as políticas cambiais e construir um sistema financeiro multilateral entre os países. À frente havia homens: Harry Truman, 33° presidente americano, e George Catlett Marshall, secretário de Estado dos EUA.</p>

			</div></div>
<p>Os mesmos EUA que ajudaram a reerguer o mundo após a Segunda Grande Guerra Mundial estão a destroçá-lo, tendo à frente um doidivana alaranjado, mercurial e irascível.  Estamos à deriva em mar revolto sem boia salva-vida. Tudo está fora da ordem mundial.</p>
<p>Com sua metralhadora giratória, o iracundo Donald Trump, que não aceita críticas, sobrou até para o Papa Leão XIV, que ainda não mostrou a que veio. Em uma entrevista a bordo do Air Force One, chamou o pontífice de “fraco” e “muito liberal”. E, para completar a sandice, Donald Trump publicou em suas redes sociais uma figura produzida por IA simulando ser Jesus Cristo. Desrespeito e heresia. Mas exigir respeito de Trump é querer demais.</p>
<p>O comportamento errático e as declarações extremas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas últimas semanas reacenderam o debate sobre sua saúde mental — uma discussão que o acompanha desde que entrou na cena política nacional, há uma década. Falas desconexas, difíceis de acompanhar e, por vezes, carregadas de termos ofensivos culminaram na ameaça de que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, ao se referir ao Irã na semana passada, e em um ataque contundente ao Papa Leão XIV no domingo, a quem chamou de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. As declarações deixaram muitos com a impressão de um líder desequilibrado. As sandices de Trump seriam engraçadas se atingissem apenas seus leitores e adoradores, mas não. São perversas e destruidoras.</p>
<p>Definitivamente, estamos vivendo e vivenciando tempos esdrúxulos.</p>
<p>Senhor Deus, tenha piedade de nós.</p>
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		<title>Rio de Janeiro: um estado de espírito</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/rio-de-janeiro-um-estado-de-espirito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 17:38:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[Amarelinho]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
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		<category><![CDATA[Cidade Maravilhosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Estou no Rio. Desembarquei no início da semana na Cidade Maravilhosa. Da janela do avião avistei o sol nascendo, irradiando a paisagem deslumbrante das montanhas; logo depois o oceano Atlântico, com seu azul deslumbrante. Natureza em estado puro. Conheço um pouco do mundo — em andanças, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">E</span>stou no Rio. Desembarquei no início da semana na Cidade Maravilhosa. Da janela do avião avistei o sol nascendo, irradiando a paisagem deslumbrante das montanhas; logo depois o oceano Atlântico, com seu azul deslumbrante. Natureza em estado puro. Conheço um pouco do mundo — em andanças, visitei 162 países em todos os continentes. Poucas cidades são tão bonitas quanto o Rio. Mais bela, nenhuma.</p>
<p>O Rio, antes de mais nada, é um estado de espírito. Tem que sentir a atmosfera de sua gente despojada. A irreverência, o gingado de sua malandragem, o modo descompromissado de viver. O sotaque chiado. As moças com seus derrières, marca registrada da cidade, magistralmente mostradas nos cartuns de Lan.</p>
<p>Há tempos me hospedo em hotéis do centro da cidade. Hotéis com histórias. Estou hospedado no Itajubá, rua Álvaro Alvim, Cinelândia.  Fundado em 1º de junho de 1928, o Hotel Itajubá foi um dos primeiros &#8220;arranha-céus&#8221; do Rio, com 12 andares. Originalmente um edifício de luxo, tornou-se hotel em 1950. Localizado no coração cultural do Rio, cercado de teatros, cinemas, da Câmara Municipal, do belíssimo Theatro Municipal, da Biblioteca Nacional. Em andanças por praças e ruas cobertas por pedras portuguesas, na companhia do amigo Pedro Henrique Fonseca, é um mergulho no Rio dos séculos XVIII e XIX. Pedro Henrique, natural de Cururupu, médico e escritor, um ourives, arguto garimpeiro da história da cidade que tão bem o abraçou. Dele ganhei o livro, “Rio de Janeiro, a urbe oitocentista”. Ótima leitura, na qual o autor retrata o apogeu da cidade.</p>
<p>Do hotel, ando um pouco e estou na Praça Floriano, palco de manifestações culturais. O Rio, em priscas eras, foi o tambor cultural do Brasil. Tudo que aqui acontecia ressonava em todo o país. Ditou moda. As novelas da TV Globo monopolizavam e hipnotizaram esse imenso país. Trouxeram as praias, costumes e linguajar carioca para nossas casas.</p>
<p>Hoje, o Rio que a TV mostra é o Rio das drogas, da violência, das comunidades, com suas facções e milícias. Além do caos na política. Com cinco ex-governadores que visitaram o xilindró: Moreira Franco, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Luiz Fernando Pesão, além de dois afastados: Wilson Witzel e Cláudio Castro; atualmente é governado por um interino, aguardando o fim de mais um imbróglio.</p>
<p>O Rio é o único lugar em que bandidos são chamados no diminutivo. Maneira carinhosa de convivência com a bandidagem. No carnaval, autoridades, malandros, bandidos comungam na Marquês de Sapucaí. Todos dividindo acepipes,  espaços e poderes. Surreal.</p>
<p>Mas o Rio continua lindo, como cantou o baiano Gilberto Gil, que aos 84 anos, residente de frente para o mar de Copacabana, encerrou a turnê “Tempo Rei”.</p>
<p>Em minhas idas ao Rio é quase sagrado encontrar com a amiga Teresa Teles. Bela e plena. Nesta viagem, reunimo-nos para um almoço no prédio da FIRJAN, junto com Pedro Henrique. Boa comida, ótimas conversas que se estenderam pela tarde toda. Como somos memórias e projetos de futuro, foi uma viagem no tempo.</p>
<p>No sábado, como sempre faço, visitei a feira de antiguidades da praça XV. Garimpei quadros, louças e livros. Adquiri “Poeira de estrelas”, escrito por Luiz Carlos Miele, um paulista que adotou o Rio. Radiografia do meio artístico das décadas de 60 e 70.</p>
<p>Leitura apetitosa e divertida sobre quem fez a vida acontecer na vida cultural do Rio.</p>
<p>Escrevo de uma mesa do Amarelinho. Fundado em 1921, na Cinelândia, que na época, por abrigar teatros, cinemas que recebiam a elite carioca, era considerada “Broadway brasileira”.  Sentado na parte de fora, sob o toldo amarelo, observo os transeuntes e desvalidos que ali habitam. Momento mágico, quando o sol se recolhe deixando a lua brilhar.</p>
<p>&#8220;Gosto das cores, das flores, das estrelas, do verde das árvores, gosto de observar.</p>
<p>A beleza da vida se esconde por ali, e por mais uma infinidade de lugares, basta saber e, principalmente, basta querer enxergar”, cito Clarice Lispector, ucraniana de nascimento, que adotou o Rio como seu. Observar o entardecer, na lentidão sem pressa, é criar boas memórias para o futuro.</p>
<p>Em tempo: Deve-se ao escritor maranhense Coelho Neto(1864-1934), chamar o Rio de Janeiro de Cidade Maravilhosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ter memória é ter vida</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ter-memoria-e-ter-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 10:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Sábado, final de tarde. Aproveito que estou sem compromissos e resolvo percorrer parte da cidade. Sou andarilho em minha aldeia e turista pelo mundo. Atravesso a ponte que liga a ilha ao continente e faço uma viagem no tempo. Cruzo a cidade para visitar lugares por &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">S</span>ábado, final de tarde. Aproveito que estou sem compromissos e resolvo percorrer parte da cidade. Sou andarilho em minha aldeia e turista pelo mundo. Atravesso a ponte que liga a ilha ao continente e faço uma viagem no tempo. Cruzo a cidade para visitar lugares por onde não caminhava há anos. Lugares onde já pertenci. Hoje, não mais. Tempos da infância, da adolescência. Pululam memórias. Lembranças de pessoas que já se foram. Tenho a impressão de vê-las novamente sentadas na porta, em cadeiras de macarrão colorido, a palavrear, sem se preocuparem. Tempo manso, sem pressa.</p>
<p>Olho para as casas que continuam lá, mas que não se lembram de mim. Eram casas de muro baixo, sem gradil, sem alarmes. Hoje, vejo essas coisas horrendas: cercas, grades, muros altos, câmeras por todo lado; lembram fortalezas. Tempos de isolamento. Tempos de distanciamento.</p>
<p>O passado continua vivo na memória, mas agora tudo tão estranho. Tudo mudou. O tempo seguiu seu curso. O tempo serpenteia, calmo e elegante; quando percebo, deixou tudo para trás. Graças à memória resgato um pouco de uma época que se foi, que se alojou no passado. Me entristece a pandemia de demências que vejo no meu entorno. Quando se perde a memória, joga-se fora a vida; acabam-se as referências. Por isso a importância dos amigos. São os amigos — guardiões de nossas memórias — parte fundamental da vida para sentirmo-nos vivos e, assim, seguirmos em frente.</p>
<p>A vida não avisa quando vai mudar, quando vai apertar, quando vai apartar. Quando vai tirar a gente do caminho que parecia seguro. E é justamente por isso que nos sentimos perdidos… porque tentamos controlar aquilo que nunca esteve sob nosso controle.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-97960 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-300x194.jpg" alt="" width="257" height="166" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-300x194.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-1024x664.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-768x498.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 257px) 100vw, 257px" /></a>Eventos acontecem. Pessoas mudam. Situações saem do eixo. Tudo muda continuamente. A vida é movimento. “Não podemos amarrar o tempo no poste”, escreveu o poeta da simplicidade, Manoel de Barros. E você, caro leitor, amiga leitora, como reage? E é aqui que começa a diferença. Porque, na prática, não é o que acontece que define o rumo de nossas vidas… é a forma como eu ou você nos posicionamos diante do que acontece.</p>
<p>A vida passa depressa demais. Se não paramos para olhar em volta de vez em quando, podemos perdê-la. A vida é como água que pegamos com as mãos, mas que escorre entre os dedos, sem poder segurá-la.</p>
<p>Tudo tão corrido. Sigo isso aqui muitas vezes. E tem dias em que a vida parece mesmo passar-nos ao lado. Parece&#8230; e passa.</p>
<p>Por vezes, somos nós que a deixamos passar. Sim, deixamos passar a vida quando não nos permitimos viver. Deixamos passar a vida quando nos deixamos afogar no meio dos problemas e perdemos a vontade de encontrar soluções. Deixamos passar a vida quando perdemos a esperança e deixamos de ter sonhos. Deixamos passar a vida quando não curamos as nossas dores e ficamos reféns delas.</p>
<p>É pena quando paramos de viver, porque deixamos de olhar para as coisas bonitas que a vida nos dá. Só temos de ver a vida com gratidão e esperança. A vida é breve. Passa depressa, sim, mas aproveitemos bem o que ela nos oferece.</p>
<p>“Verdadeiramente, nada em mim sinto. Há uma desolação. Enquanto eu sinto. Se vivo, parece que minto. Não sei do coração. Outrora, outrora, fui feliz, embora só hoje saiba que o fui. E este que fui e sou, à margem, tudo passou, porque flui”, escreveu Fernando Pessoa.</p>
<p>Ter memórias é ter vida, e isso me acalanta.</p>
<p><strong>É Páscoa, tempo de renascer, de esperançar. Feliz Páscoa para todos.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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