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	<title>Arquivo para Lá Vem História - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Quando o silêncio equilibra o cotidiano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 16:31:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Em um mundo cada vez mais barulhento, escolho o silêncio. O silêncio, às vezes, é mal compreendido ou mal interpretado. Muitos o tratam como ausência, quando, na verdade, é presença. Não é o vazio que assusta, mas aquilo que emerge quando todas as distrações se calam. &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquando-o-silencio-equilibra-o-cotidiano%2F&amp;linkname=Quando%20o%20sil%C3%AAncio%20equilibra%20o%20cotidiano" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquando-o-silencio-equilibra-o-cotidiano%2F&amp;linkname=Quando%20o%20sil%C3%AAncio%20equilibra%20o%20cotidiano" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquando-o-silencio-equilibra-o-cotidiano%2F&amp;linkname=Quando%20o%20sil%C3%AAncio%20equilibra%20o%20cotidiano" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquando-o-silencio-equilibra-o-cotidiano%2F&amp;linkname=Quando%20o%20sil%C3%AAncio%20equilibra%20o%20cotidiano" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquando-o-silencio-equilibra-o-cotidiano%2F&#038;title=Quando%20o%20sil%C3%AAncio%20equilibra%20o%20cotidiano" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/quando-o-silencio-equilibra-o-cotidiano/" data-a2a-title="Quando o silêncio equilibra o cotidiano"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m um mundo cada vez mais barulhento, escolho o silêncio. O silêncio, às vezes, é mal compreendido ou mal interpretado. Muitos o tratam como ausência, quando, na verdade, é presença. Não é o vazio que assusta, mas aquilo que emerge quando todas as distrações se calam. O silêncio diz muito.</p>
<p>No outono da vida, vez por outra, me pego sorumbático. Avesso à multidão do meu entorno. Gosto de gente, mas não preciso estar sempre cercado por elas. Quando não estou a caminhar pelo mundo, é no santuário de casa que me refugio, em busca de paz. Cada vez menos preciso estar em lugares ruidosos. Durante a Copa do Mundo de Futebol, em um jogo em que a seleção canarinho entrou em campo, atendendo a um convite de amigos diletos, fui assistir à partida na casa deles. Eufóricos e ufanistas, com todos os adereços verdes e amarelos espalhados pela ampla casa, barulho por todo lado, me acabrunhei.</p>
<p>Basta haver Copa do Mundo de Futebol para que todo pacato cidadão, que não entende nada de futebol, vire autoridade no assunto. Lá havia inúmeros técnicos de futebol a gritar. Enquanto isso, a TV mostrava Carlo Ancelotti, bem pago para isso ( R$ 6 milhões mensais), que mascava seu chiclete na beira do gramado. Alheio ao barulho do campo.</p>
<p>Após alguns decibéis, não demorei a pegar o caminho de casa.</p>
<figure id="attachment_100167" aria-describedby="caption-attachment-100167" style="width: 288px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Tadeu-escritor-.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-100167 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Tadeu-escritor--201x300.jpg" alt="" width="288" height="430" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Tadeu-escritor--201x300.jpg 201w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Tadeu-escritor--686x1024.jpg 686w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Tadeu-escritor--768x1146.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Tadeu-escritor-.jpg 858w" sizes="(max-width: 288px) 100vw, 288px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100167" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu e sua arte de encantar pela escrita</figcaption></figure>
<p>Há quem preencha cada instante com sons, telas, conversas e opiniões porque teme o encontro com a única pessoa de quem nunca consegue fugir: si mesmo. O ruído oferece entretenimento; o silêncio oferece revelação. Um distrai, o outro transforma.</p>
<p>Nada é mais sagrado que o silêncio que me cerca em minha casa. Desde garoto, gosto de ficar só; penso que sou boa companhia para mim.</p>
<p>Os antigos sabiam que a sabedoria não gritava&#8230; Por isso buscavam montanhas, florestas, desertos e cavernas. Não para escapar do mundo, mas para ouvir aquilo que o mundo moderno tornou quase impossível de perceber. Sou citadino; o aconchego de casa já me basta.</p>
<p>O silêncio equilibra o cotidiano, em um tempo cada vez mais apressado. Pergunto: por quê? Para quê tanta correria, se o futuro é o encontro com a libitina?</p>
<p>Apressamos a vida; não se tem mais prazer no agora. Tudo corrido. Tudo imediato. Tudo sem sentimento. Não é à toa que estamos vivendo e vivenciando uma epidemia de demências.</p>
<p>Quem vive cercado de ruído acaba acreditando que a verdade sempre vem de fora. Mas a vida muda quando percebemos que as respostas mais importantes jamais fizeram barulho. Elas sempre estiveram esperando no silêncio.</p>
<p>Abrace o silêncio por tempo suficiente para reconhecer a voz que nunca deixou de habitar dentro de você. Porque, quando aprendemos a escutá-la, deixamos de caminhar segundo o eco do mundo e passamos a seguir a única orientação capaz de nos conduzir de volta àquilo que realmente somos.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Pedi tão pouco da vida: um pouco de paz, algum silêncio e alguém que entendesse meu cansaço sem que eu precisasse explicar. Ainda assim, até isso pareceu demais para o mundo”, cito Fernando Pessoa, meu poeta favorito.</p>

			</div></div>
<p>Enquanto escrevo, o silêncio é quebrado pelos passarinhos que vêm beber água no bebedouro da janela e, felizes, fazem uma algazarra ruidosa. Eles fazem parte do meu santuário.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Saúde: nosso bem maior</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 13:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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]]></description>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">P</span>or onde ando, vivo repetindo, como um mantra, que estou gostando de envelhecer. Já escrevi crônicas, palestrei para diferentes plateias e, em conversa com amigos em mesa de bar, sempre falo que no outono da vida estou mais confortável comigo. Que gostaria de ser esse Luiz Thadeu que sou hoje. Tenho mais segurança e estou mais à vontade com a versão atual. Muitos me questionaram sobre isso, outros me olham de soslaio, como a dizer: &#8220;inocente, não sabe de nada&#8221;.</p>
<p>Mas faço questão de fazer uma ressalva: que estou gostando de envelhecer, pois a outra opção é a finitude; o encontro com a libitina.</p>
<p>Como envelhecer implica em uma série de mudanças no corpo, comigo não seria diferente. &#8220;Quem passou dos 50 anos e não tem dores, morreu”, li em um cartaz no balcão da drogaria. Aliás, drogaria, juntamente com supermercado, são os lugares que mais visito. Como só vou ao mesmo supermercado, já tenho até uma afilhada, que, todas as vezes que me avista, levanta-se do caixa e me pede a bênção. Mas essa é uma história que cabe em outra crônica.</p>
<p>Esses dias apareceu uma dor nova, concorrendo com as já existentes. Há dias que um desconforto nas costas, próximo aos rins, me tirava do sério. Se sento, dói; se ando, dói; se deito, dói. Com as dores antigas já tinha feito um pacto de boa convivência, com essa a coisa era diferente.</p>
<p>Após um dia de trabalho exaustivo, liguei para Rodrigo, o primogênito, para saber se ele poderia acompanhar-me à emergência do hospital. Marcamos para irmos na manhã seguinte. Conforme combinado, apanhei-o no trabalho e fomos. Hospital cheio. Passei pela triagem, falei para a enfermeira de minha mazela: aferiu a pressão, perguntou quais fármacos faço uso. Tudo registrado, me encaminhou para o balcão onde apresentei carteira de identidade e do plano de saúde. Colocaram pulseira com nome completo, CPF, data de nascimento.</p>
<p>Sou encaminhado para outro setor, seguindo a linha verde no piso. Aguardo minha vez de ser atendido. &#8220;Sr. Luiz Thadeu, sala 04&#8221;, ouço a voz que me conduz até a médica. Entro e encontro uma jovem médica.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>— Bom dia, doutora, gosto de ser atendido por médicas, acho as mulheres mais minuciosas, mais atentas.</p>
<p>— Obrigado. O que lhe traz até aqui, seu Luiz Thadeu?</p>
<p>— Dores intermitentes nas costas na altura dos rins.</p>
<p>— Quando começaram as dores?</p>
<p>— Três ou quatro dias.</p>
<p>— Deite aqui, deixe-me examiná-lo.</p>
<p>Ela aperta minha barriga.</p>
<p>— Dói quando aperto ou quando deixo de pressionar?</p>
<p>— Quando deixa de pressionar.</p>
<p>— Pode ser apendicite.</p>
<p>— Vou lhe requisitar exames de sangue e tomografia para ver o que descobrimos.</p>

			</div></div>
<p>Sou encaminhado para o setor de observação. Logo vem a técnica e punsiona minha veia, colhendo sangue para exames. Tempos depois, o técnico em imagens chama meu nome, levando-me para a sala da tomografia.</p>
<p>No período de minha convalescência, após o grave acidente automobilístico, que sofri em julho de 2003, todas as vezes que entro em um hospital, como paciente, as lembranças de minha via crucis voltam.</p>
<p>Feito a tomografia, volto para a sala de observação.</p>
<p>Aguardo os resultados e sou encaminhado novamente para a sala da médica.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>— Graças a Deus os resultados dos exames foram bons, não era nada demais. Sua coluna está desgastada por causa da idade. No mais, os seus exames estão ótimos.</p>
<p>Agradeci a atenção diferenciada da Dra. Geyse Aquino, que se mostrou humana, gentil e acolhedora. Quão bom encontrar profissionais da saúde com esse perfil.</p>
<p>Após cinco horas sem me alimentar, perguntei se poderia comer sem restrição.</p>
<p>— Sim, disse a médica.</p>

			</div></div>
<p>Como não existe peça de reposição dos órgãos, o melhor é preservar os existentes.</p>
<p>Envelhecer é bom, mas dá trabalho.</p>
<p>Voltei para casa livre, leve e solto. Saúde é nosso bem maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsaude-nosso-bem-maior%2F&amp;linkname=Sa%C3%BAde%3A%20nosso%20bem%20maior" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsaude-nosso-bem-maior%2F&amp;linkname=Sa%C3%BAde%3A%20nosso%20bem%20maior" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsaude-nosso-bem-maior%2F&amp;linkname=Sa%C3%BAde%3A%20nosso%20bem%20maior" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsaude-nosso-bem-maior%2F&amp;linkname=Sa%C3%BAde%3A%20nosso%20bem%20maior" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsaude-nosso-bem-maior%2F&#038;title=Sa%C3%BAde%3A%20nosso%20bem%20maior" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/saude-nosso-bem-maior/" data-a2a-title="Saúde: nosso bem maior"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/saude-nosso-bem-maior/">Saúde: nosso bem maior</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>Quando a vida nos tira dos trilhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 21:49:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Foi em uma sexta-feira que minha vida mudou para sempre. 11 de julho de 2003. Acordei diante do lindo mar de João Pessoa, na Paraíba, onde me hospedava. Descortinei a janela e vi a presença de Deus no colorido das águas da praia de Tambaú. Estava &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">F</span>oi em uma sexta-feira que minha vida mudou para sempre. 11 de julho de 2003. Acordei diante do lindo mar de João Pessoa, na Paraíba, onde me hospedava. Descortinei a janela e vi a presença de Deus no colorido das águas da praia de Tambaú. Estava na cidade a trabalho. Era perito federal agrário do Incra. Encontrava-me em uma diligência.</p>
<p>Como sempre faço ao acordar, orei a Papai do Céu, agradecendo por tudo de bom em minha vida: saúde, emprego, casa própria, família equilibrada, filhos sadios. O que é essencial para uma vida feliz e confortável.</p>
<p>Estava em João Pessoa havia três meses, longe da esposa e dos filhos. Como era julho, Rodrigo e Frederico estavam de férias escolares.</p>
<p>Programei com Luís Henrique, meu irmão, para levá-los de carro para Fortaleza. Eles saíram cedo de São Luís; eu, de João Pessoa. Nos encontraríamos em um restaurante em Fortaleza, nosso favorito, no final da tarde daquele dia.</p>
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<p>Cedo peguei o ônibus de João Pessoa para Natal. De lá tomaria outro até o destino final. Desci em um entroncamento em Parnamirim, próximo a Natal, na esperança de pegar o primeiro ônibus para a capital alencarina.</p>
<p>Começou aí a sucessão de erros. O ônibus para Fortaleza já havia passado. Começou a chover. Não havia abrigo. Na esperança de chegar até o ônibus que perdi, peguei um táxi de linha, desses que entram e saem passageiros. Não rodamos muito, e o táxi quebrou. Descemos. Continuava chovendo. Tomei outro táxi. No banco da frente, ao lado do motorista, estava um senhor com largo chapéu.</p>
<p>Ele desceu no posto de gasolina, onde o motorista reabasteceu o táxi. Na parada, aproveitei para ir para o banco da frente. O motorista me convenceu a voltar para o banco de trás. Obedeci. Proteção divina. Saberia logo em seguida o porquê.</p>
<p>Carro abastecido, pegamos a BR-304, que liga Natal a Mossoró. Já na BR, Juvenal, o motorista, atendeu um telefonema. Tinha urgência em chegar ao destino final.</p>
<p>Chovia muito. Pista escorregadia, Juvenal perdeu o controle do carro. Batida frontal com uma Scania que vinha no sentido contrário.</p>
<p>Com o impacto da batida, o banco do passageiro correu no trilho, esmagando minha perna esquerda. Desmaiei. Acordei no assoalho de uma Pampa, utilitário da Ford, todo ensanguentado. Não sabia da gravidade do acidente. Todos os objetos pessoais foram roubados, inclusive os sapatos.</p>
<p>Atordoado, perguntei: “Isto é um sonho?&#8221;</p>
<p>— Não se mexa, você sofreu um grave acidente, tiramos você agora das ferragens.</p>
<p>— Onde estou?</p>
<p>— Na BR-304, perto de Assu, no Rio Grande do Norte.</p>
<p>Desmaiei novamente, só fui acordar na maca enferrujada de uma ambulância que trepidava muito, a caminho do hospital.</p>

			</div></div>
<p>Conto esta história para mostrar como a vida pode mudar abruptamente, sem que tenhamos nenhum poder sobre ela.</p>
<p>Não tinha noção de como minha vida mudaria para sempre a partir daquele dia.</p>
<p>Naquela noite, dei entrada em um hospital de Natal. O ortopedista que me operou cometeu um erro médico, iniciando minha Via Crucis. Tive osteomielite, infecção óssea. De Natal fui removido para São Luís, depois para São Paulo. Levei longos períodos internado em hospitais, fui submetido a 43 cirurgias. Passei um tempo em cadeira de rodas. Muita fisioterapia e, finalmente, cheguei às muletas, companheiras inseparáveis, com as quais desbravei o mundo.</p>
<p>Nunca saberemos a força que temos até precisar dela. Nunca imaginei que, após tantos percalços, a vida fosse me mostrar uma nova face.</p>
<p>Já são 162 países visitados em todos os continentes do mundo. Para quem não tinha nenhuma perspectiva de voltar a ter uma vida “normal”, hoje só posso agradecer ao bom e maravilhoso DEUS, que não me deixou fraquejar em nenhum momento.</p>
<figure id="attachment_99864" aria-describedby="caption-attachment-99864" style="width: 1179px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-99864 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1.jpeg" alt="" width="1179" height="740" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1.jpeg 1179w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1-300x188.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1-1024x643.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1-768x482.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1179px) 100vw, 1179px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99864" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu fazendo o que mais gosta &#8211; viajar</figcaption></figure>
<p>Muito chão pela frente. Muitos sonhos a realizar, muitas coisas a conquistar.</p>
<p>A vida não me cansa, pois, a cada nascer do sol, é tempo de renovação. Tempo de novas experiências, novas conquistas, novas oportunidades, novos aprendizados.</p>
<p>O bacana da vida é agradecer mais do que pedir. Saí com cicatrizes das armadilhas do caminho, mas continuo vivo. Ativo. Que estou superando tristezas que nunca nem consegui expressar. Florecer de novo após tantos desertos.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Neste 11 de julho completo 23 anos de vida nova. Como homem de fé no DEUS VIVO, só posso dizer: “Obrigado, Senhor, por ter me trazido até aqui”.</p>

			</div></div>
<p>Desculpem-me a intensidade, mas só tenho essa vida e procuro vivê-la intensamente.</p>
<p>Em qualquer circunstância, a vida é mágica, a vida é encantadora, a vida é para ser vivida. Sempre!</p>
<figure id="attachment_99867" aria-describedby="caption-attachment-99867" style="width: 1179px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-99867 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41.jpeg" alt="" width="1179" height="814" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41.jpeg 1179w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-300x207.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-1024x707.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-768x530.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-10-at-15.06.41-110x75.jpeg 110w" sizes="(max-width: 1179px) 100vw, 1179px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99867" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu em Auckland, Nova Zelândia — a maior vitória é nunca deixar de viver</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>João Pedro Aragão, adeus olhos azuis</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/joao-pedro-aragao-adeus-olhos-azuis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 15:06:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Falecimento]]></category>
		<category><![CDATA[João Pedro Aragão]]></category>
		<category><![CDATA[legado]]></category>
		<category><![CDATA[mensagem]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[primo]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Manhã de sexta-feira, 03 de julho, chegamos ao segundo tempo de 2026. A vida segue seu curso no varal do tempo, sem se importar conosco. Acordo. Vejo as primeiras mensagens do dia. “Nota de falecimento”, diz a mensagem falando da passagem, horas antes, de João Pedro &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">M</span>anhã de sexta-feira, 03 de julho, chegamos ao segundo tempo de 2026. A vida segue seu curso no varal do tempo, sem se importar conosco.</p>
<p>Acordo. Vejo as primeiras mensagens do dia. “Nota de falecimento”, diz a mensagem falando da passagem, horas antes, de João Pedro de Oliveira Souza Aragão, ocorrida nos primeiros instantes do dia que começará.</p>
<p>No sábado anterior, no começo da noite, João me ligou dizendo que estava internado. Muito abalado. Conversamos um pouco e disse-lhe, o que repetia sempre: não será desta vez que vais partir. Já atravessaste tantos desertos, esse é apenas mais um.</p>
<p>Como de costume, no início da manhã, enviei mensagem perguntando como estava. Não obtive mais resposta. A resposta veio hoje, com a comunicação de sua partida.</p>
<p>João e eu sempre fomos próximos. Temos um ano de diferença de idade. Desde cedo nos conectamos. Frequentei a casa dele, na rua dos Afogados 497, centro da cidade, desde cedo. A casa de tio Zeca Loirinho, como era chamado seu pai, foi espaço de acolhimento. Lá morou minha mãe, tios, hóspedes de diferentes matizes.</p>
<p>Vi-o com toda sua empolgação chefiar o pelotão de honra do Colégio Maristas nos desfiles de Sete de Setembro, pelas ruas do centro de São Luís.</p>
<p>Estava ao seu lado no primeiro dia em que saiu de casa, empolgado e vibrando, para dar a primeira aula no Maristas, quando ainda não havia passado no vestibular para Direito. Acompanhei suas aulas de reforço em Química, na garagem de casa, para os seus alunos. A lousa — acho que hoje tem outro nome —, ficava toda coberta, com giz de diferentes cores. Algo que aprendeu com Márcio Ribeiro, dono do Meng. Por falar em Márcio, foi graças a João que consegui uma bolsa de estudos no cursinho Meng, quando não passei no primeiro vestibular para Agronomia.</p>
<p>Lembro de seu seleto grupo de amigos: Ramos, Walter, Talvane, Pinho, com inúmeras histórias/estórias hilárias. Do amor e devoção de dindinha Yayá por ele. Da admiração de Francisco de Assis Aragão Nunes, seu primo-irmão, que certamente o acolheu hoje. Devem ter muitas coisas para passarem em revista.</p>
<p>As festas no Jaguarema, em que eu não era sócio e ele, sempre sagaz, me colocava para dentro.  Da banda de rock em que era o guitarrista.</p>
<p>Das eternas adivinhações, em que provocava crianças e adultos: o que é o que é? Com respostas simples e engraçadas. Rodrigo e Frederico, meus filhos, riam muito com tio João Pedro.</p>
<p>Do professor de Química que sabia como ninguém esmiuçar a Tabela Periódica com seus 118 elementos químicos: 92 encontrados na natureza e 26 produzidos artificialmente em laboratório. Essa informação pesquisei no Google, não tenho o privilégio da memória de João.</p>
<p>Por falar em memória, era algo abissal e admirável sua capacidade de armazenar informações.</p>
<p>Em uma de nossas últimas conversas, falei algo em que citei Sotero dos Reis. Foi o bastante para que me desse uma aula sobre Francisco Sotero dos Reis, nascido em São Luís, a 22 de abril de 1800, e falecido na mesma cidade, a 10 de março de 1871. Figura da maior projeção no Grupo Maranhense, o Sotero dos Reis gramático e filólogo, já foi apontado, com justo acerto, como o mestre dos mestres dentre os que se ocupam em definir as leis e regras da difícil arte de escrever. Parlamentar, publicista, poeta, e, sobretudo, professor e filólogo.</p>
<figure id="attachment_99691" aria-describedby="caption-attachment-99691" style="width: 173px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-04-at-10.53.07.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99691" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-04-at-10.53.07.jpeg" alt="" width="173" height="307" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-04-at-10.53.07.jpeg 720w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-04-at-10.53.07-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-04-at-10.53.07-576x1024.jpeg 576w" sizes="auto, (max-width: 173px) 100vw, 173px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99691" class="wp-caption-text">João Pedro deixou um legado de sabedoria</figcaption></figure>
<p>Qualquer assunto que abordava com ele, aprofundava, dava aula. Eu absorvia, atentamente, cada nova informação. Perdi uma enciclopédia. Há um provérbio africano que diz que “quando morre um sábio, acaba uma biblioteca”. Quanta sabedoria armazenada em uma cabeça privilegiada.</p>
<p>O ano era 1980, quando veio João me pedir para assinar a ficha de inscrição de um partido que estava nascendo nacionalmente. Vizinho de Freitas Diniz, então deputado federal pelo PT, João se filiou ao partido, eu junto. Saiu até candidato a deputado estadual pelo PT. Uma das melhores histórias que ele contava era sobre uma vez que o então desconhecido Luís Inácio da Silva, o Lula, em visita a São Luís, lhe pediu papel higiênico, em uma emergência.</p>
<p>Por causa de João Pedro dei aulas de Química para um seleto grupo de alunos seus. Sabia bem menos que os alunos, mas deu tudo certo. Das aulas saí com alguns trocados no bolso, tão necessários em tempo de escassez monetária.</p>
<p>As mulheres foram um território que dominou com maestria. Com lindos olhos azuis, herança materna, e bom de prosa era mamão com açúcar ganhar as moças. Como Giacomo Casanova, foi grande sedutor. Conheci duas centenas de namoradas. Com um coração latifundiário, sempre cabia mais uma, especialmente as mais jovens.</p>
<p>Atualmente bato ponto na SETUR, no centro histórico da Ilha do Amor, era comum João chegar com uma nova acompanhante para apresentar-me.</p>
<p>Enquanto escrevo, rebobino a memória para organizar a emoção. Nosso último encontro foi na festa em comemoração aos 75 anos do Jornal Pequeno. João estava acompanhado de Sofie, filha e amor de sua vida. Metade do salão do hotel Blue Tree, local da festa, tinha sido sua aluna.</p>
<p>Mesmo sabendo que vamos partir, não estamos prontos para despedidas.</p>
<p><strong>A vida é só casa alugada. “A vida não nos pertence não, somos só visitantes nesse mundo.</strong> Hoje estamos aqui, ninguém sabe. Nós vivemos como o dono da estrada. Como o rei sentado na varanda, fazemos planos pra 100 anos, sem saber se amanhã ainda acordamos”, diz a letra de uma linda canção.</p>
<p>Com a partida de João Pedro, perco um confidente, um bom papo, um grande observador do seu entorno, um leitor contumaz, um amigo. Em todos os eventos em que fui homenageado, João estava presente. Como um biógrafo fazia questão de falar de minha trajetória. Não receberei suas mensagens e nem seus telefonemas, sempre com urgência, querendo narrar algo novo.</p>
<p>O vazio que sinto agora será preenchido pelas memórias que tive o privilégio de viver e vivenciar. Quantas lembranças. Somos feitos de memórias e recordações. Agora que o amor atende pelo nome de saudade, é tempo de agradecer a presença física de João Pedro Oliveira Souza Aragão.  Queridos amigos, irmãos e familiares, João deixou de viver entre nós para viver em nós.</p>
<p><strong>No sábado, em nossa última conversa, João me disse: “Não esquece de escrever minha crônica”.</strong> Dói em mim cada palavra digitada. Deixaste tantas histórias maravilhosas, que sempre serás citado. Só morre quem não é lembrado.</p>
<p>Tua partida me empobrece.</p>
<p>Obrigado, querido João.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto&#8230;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/cuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 13:08:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; De férias, desembarquei em Seattle, EUA, em um final de tarde frio. Doze graus. Apanhei o trem no aeroporto e 25 km depois, desci na estação Sinfonia, próxima ao hotel. Fiz check-in. Chaves nas mãos, me encaminhei para o quarto. Desarrumei a mala à procura da necessaire, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>e férias, desembarquei em Seattle, EUA, em um final de tarde frio. Doze graus. Apanhei o trem no aeroporto e 25 km depois, desci na estação Sinfonia, próxima ao hotel. Fiz check-in. Chaves nas mãos, me encaminhei para o quarto. Desarrumei a mala à procura da necessaire, com os produtos de higiene. Banho tomado, dentes escovados; ao sair, a porta do banheiro veio com força. Como de hábito, escorei com o calcanhar. Na parte inferior da porta, havia um protetor de flandres, que golpeou o calcanhar, ejetando bastante sangue. Adepto do Vick Vaporub, versátil companheiro para todas as ocasiões, passei-o no corte, estancando o sangue. O entusiasmo do andarilho superava a dor. O corte carecia de pontos. Não prestei atenção no talho profundo. Coisa insana.</p>
<p>Jantei no hotel e saí pelas cercanias, pisando com dificuldade. Nos dias seguintes, caminhei pela cidade, como turista ávido por novidades. Repouso, zero. Visitei museus, andei de barco na baía que abraça a cidade. Fiz city tour caminhando por pontos turísticos. Sempre com muita dor.</p>
<p>Retornei para o Brasil, com stop over de dez horas em Orlando. Novas andanças. Voos longos, conexões demoradas, finalmente desembarquei em São Luís.</p>
<p>Ao chegar em casa, após dores lancinantes, procurei um ortopedista, que atestou fratura de um osso do calcanhar. Receitado, comprei os fármacos prescritos e continuei minha lida. Quando precisei ir ao consultório médico, já pronto para sair, recebi a ligação de um dileto amigo, perguntando se carecia de ajuda. Disse que tinha hora marcada com o ortopedista. Perguntou como estava, narrei o ocorrido e ele prontificou-se a me levar ao hospital, poupando-me de mais esforços.</p>
<p>O amigo Rinaldo, poeta em tempo integral, generoso por vocação e formação, levou-me ao hospital, esperando-me, calmamente, por três longas horas. Na saída, fomos à sua casa, onde uma mesa farta, preparada por ele, aguardava-me. Pecuarista, a carne do gado curraleiro pé duro, de sua cria, harmonizava com legumes e queijo, reforçando seu lado de chef dedicado.</p>
<p>Coisa boa é ter atenção, carinho, gentileza e generosidade de um amigo. Coisa de qualidade é ter alguém que disponibiliza seu tempo para cuidar do outro.</p>
<p>Caro leitor, amiga leitora, caso encontre um amigo, guarde-o. Os amigos, a sério, são pérolas verdadeiras, que só encontramos em conchas raras, daquelas que só o coração consegue abrir. Se encontrares alguém que torça por ti, que vibre com a tua felicidade, que esteja sempre pronto para te ouvir e ajudar, guarde essa bênção. Não há tesouro maior. Se encontrares alguém que pule de alegria quando vences um obstáculo, que grite bem alto, achaste um amigo. Caso tenhas quem bata palmas com teu sucesso e que seja sempre a tua claque incondicional, agradeça. Não há maior riqueza que um amigo.</p>
<figure id="attachment_99523" aria-describedby="caption-attachment-99523" style="width: 189px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/van-gogh.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-99523" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/van-gogh-150x150.jpg" alt="van gogh" width="189" height="189" /></a><figcaption id="caption-attachment-99523" class="wp-caption-text">Vincent van Gogh</figcaption></figure>
<p>Artista, o poeta Rinaldo, fã de Vincent Van Gogh, leva-me a citar o que o pintor holandês escreveu no livro “Cartas a Théo”, o irmão:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais luz e nos tornaremos mais fortes”.</p></blockquote>
<p>A amizade não se faz, se conquista! Uma amizade não é uma coleção de segredos, e sim uma cumplicidade! Uma amizade não são só palavras, e sim gestos! A verdadeira amizade é a amizade fraterna! A amizade é a melhor coisa que a vida pode nos proporcionar! Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto&#8230;</p>
<p>Bem-aventurado todo aquele que tem um amigo de verdade. Obrigado, amigo poeta.</p>
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		<title>Parada no estaleiro</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/parada-no-estaleiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 12:35:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[destino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Após longo tempo sem férias, tirei dez dias. Foram dias para respirar novos ares, conhecer novas paragens, novas pessoas. Criar novas memórias. Sim, viajar é guardar na memória momentos únicos, indeléveis. Às vezes nem sempre agradáveis. Uma viagem nunca termina. A viagem começa quando se escolhe &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p class="isSelectedEnd"><span class="dropcap ">A</span>pós longo tempo sem férias, tirei dez dias. Foram dias para respirar novos ares, conhecer novas paragens, novas pessoas. Criar novas memórias. Sim, viajar é guardar na memória momentos únicos, indeléveis. Às vezes nem sempre agradáveis.</p>
<p>Uma viagem nunca termina. A viagem começa quando se escolhe o lugar ou lugares a visitar, os roteiros a serem percorridos. O que se deseja conhecer, que sabores queremos provar.</p>
<p>Depois vem a viagem propriamente dita. Fazer check-in, se acomodar em uma aeronave, afivelar o cinto, desembarcar do outro lado. E, finalmente, quando retornamos para casa e tudo se transforma em lembranças, memórias. As boas são recordações. As ruins, aprendizado.</p>
<p>Durante dez dias viajei pelos EUA: primeiro Seattle, depois Orlando, meu lugar preferido no mundo, depois de São Luís do Maranhão, minha ilha do Amor.</p>
<figure id="attachment_99408" aria-describedby="caption-attachment-99408" style="width: 186px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/livro-thadeu.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99408" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/livro-thadeu.jpg" alt="Livro de Luiz Thadeu" width="186" height="279" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/livro-thadeu.jpg 311w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/livro-thadeu-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 186px) 100vw, 186px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99408" class="wp-caption-text">Livro de Luiz Thadeu: uma história de superação</figcaption></figure>
<p>Cruzar a soleira de casa e cair no mundo foi a maneira que encontrei para compensar os cinco anos que passei preso a leitos hospitalares ou recolhido em casa por causa do grave acidente que sofri em julho de 2003 e que mudou minha trajetória para sempre.</p>
<p>Como o imponderável acontece sem planejamento prévio, pois é algo que ocorre sem ser previsto, medido ou avaliado, algo novo aconteceu comigo nesta viagem.</p>
<p>Ainda em Seattle, no hotel onde me hospedei, ao escorar a porta do banheiro, cortei o calcanhar da perna direita. Sangue jorrou longe, o qual contive com a ajuda dos funcionários do hotel. Não dei a devida atenção à gravidade que o fato necessitava.</p>
<p>Fiz pequenos curativos durante o período em que lá estive. Como todo bom andarilho, andei por todas as partes da bela Seattle. Incursionei por sítios turísticos; fiz tour caminhando, com um grupo que estava hospedado no mesmo lugar que eu.</p>
<p>No aeroporto de Seattle, no retorno, no longo trajeto dos saguões, as dores aumentaram. Desembarquei em Orlando, onde o amigo José Leônidas me esperava, com dores lancinantes. Passei menos de doze horas na cidade. Seu José Leônidas me deu um spray que apliquei no local; alívio momentâneo.</p>
<p>Voo longo até Guarulhos, SP. Acomodado em assento minúsculo, as dores voltaram ainda mais fortes.</p>
<p>Outro voo até o destino final. Em São Luís ainda fiquei três dias adiando a ida ao médico. Coisa de homem teimoso. Como as dores não diminuíam, marquei consulta com o ortopedista, já que não conseguia colocar o pé no chão. Desconfiava que tivesse fraturado algum osso.</p>
<p>Raio X em mãos, dr. Gregório Ribeiro constatou pequena fissura no calcâneo. Devidamente medicado, as dores arrefeceram. Já consigo pisar sem medo. Mas não deixa de ser irônico que a porta tenha atingido logo o calcanhar, que sustenta todo o corpo, ou seja, o responsável por me permitir caminhar por esse mundão.</p>
<p>Com o problema ortopédico, aumentou a quantidade de medicamentos que ingiro diariamente, além dos remédios de uso contínuo — por causa da idade e das comorbidades adquiridas —, agora são mais dois: antibiótico e anti-inflamatório.</p>
<p>Lembrei do meu velho e saudoso pai, Luiz Magno Gomes e Silva, que no outono da vida, repetia: “O homem está no lucro quando bebe mais cerveja que remédio”.</p>
<p>No estaleiro, a cada seis horas ingiro um comprimido. As cervejas estão gelando para quando puder bebê-las.</p>
<p>Ando pelo mundo, já pisei, com minhas inseparáveis muletas, em mais de uma centena e meia de países, em todos os continentes, e nunca tinha acontecido algo parecido. O improvável não avisa quando vai acontecer.</p>
<p>Como uma viagem nunca acaba, ficaram as lembranças do hotel em Seattle, a imprudência de escorar uma porta pesada com o calcanhar e, principalmente, a demora em procurar o médico. “Coisas de homem teimoso”, como diria a ex.</p>
<p>Toda viagem começa com o primeiro passo. Vamos em frente, há muito a caminhar, a desbravar, a conhecer. De preferência com mais responsabilidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Entardecer em Seattle</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/entardecer-em-seattle/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 13:27:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Desembarquei em Seattle, em uma tarde fria. 12 graus. Ponto final de uma longa viagem que se iniciou dois dias antes, em São Luís, minha casa. Voei para São Paulo, onde passei o dia. De Guarulhos, embarquei para Miami; oito horas de voo. Conexão de duas horas. Novo &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">D</span>esembarquei em Seattle, em uma tarde fria. 12 graus. Ponto final de uma longa viagem que se iniciou dois dias antes, em São Luís, minha casa. Voei para São Paulo, onde passei o dia. De Guarulhos, embarquei para Miami; oito horas de voo. Conexão de duas horas. Novo voo; seis horas para Los Angeles. Aeroportos gigantescos, muita gente circulando. Verdadeiras cidades pulsantes. Mais quatro horas de voo e, finalmente, cheguei a Seattle. Minha segunda vez nesta cidade fascinante e surpreendente. Estive aqui em 2016, em um stopover de dois dias a caminho de Anchorage, Alasca.</p>
<p>Bonita, vibrante, situada no Puget Sound, na região do Noroeste Pacífico dos EUA, é cercada de água, montanhas e florestas perenes e contém milhares de hectares de parques. Maior cidade do estado de Washington, além de ser grande polo tecnológico: Microsoft, Amazon e Boeing têm suas sedes estabelecidas na área metropolitana. O futurista Space Needle, um legado da Expo 62, é o monumento mais famoso da cidade. Do alto do Space Needle, descortina-se grande parte da cidade. Seus parques bem cuidados são um convite para desfrutar da natureza.</p>
<figure id="attachment_99188" aria-describedby="caption-attachment-99188" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99188 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle.jpeg" alt="Thadeu em uma das ruas de Seattle" width="960" height="1280" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle.jpeg 960w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tadeu-em-Seattle-768x1024.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99188" class="wp-caption-text">Thadeu em uma das ruas de Seattle</figcaption></figure>
<p>Compro passagens aéreas com frequência. Assim como pago mensalmente: água, luz, telefone, IPTU, tenho uma conta corrente de passagens aéreas. Comprei estas em agosto de 2025, sem atentar para o fato de que seria quase no período da 23ª Copa do Mundo de Futebol, que será sediada nos EUA, Canadá e México. Seattle sediará alguns jogos. As outras cidades americanas sedes são: Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e São Francisco.</p>
<p>Por não ter atentado para a data da Copa, ao pesquisar hospedagem, encontrei preços exorbitantes para um bolso raso.  Após muita busca, encontrei um hotel pequeno, no centro da cidade, próximo a um dos pontos turísticos mais visitados: Pike Place Market.</p>
<p>Verdadeiro tour gastronômico. Caminhar pelo mercado é uma imersão através da cena de comida de Seattle, experimentar sabores de diferentes partes do mundo, além de uma viagem pela cultura local. Neste histórico mercado de agricultores, que mantém a tradição dos produtores locais enquanto se degusta uma abundância de frutas frescas, queijos, comidas diversas, vinhos e muito mais. Além de arte. Tem artistas mostrando seus trabalhos ao longo dos labirintos que compõem esse templo gastronômico-cultural. Gosto de feiras e mercados. Em todas as cidades que visito, encontro tempo para visitá-los.</p>
<p>Em Seattle foi fundada a maior rede de cafeterias do mundo, a Starbucks, em 1971, no Pike Place Market. Inicialmente, a Starbucks foi operada como uma loja de vendas de grãos e especiarias. Hoje são 41.129 cafeterias Starbucks em 89 países.</p>
<p>Embora a Copa do Mundo de Futebol seja no dia 11 de junho, dia em que retorno ao Brasil, pouco se verá sobre o maior torneio de futebol do mundo. Mesmo nos aeroportos, ruas ou avenidas, somente uma decoração tímida lembra que os americanos sediarão o maior evento futebolístico do planeta.</p>
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		<title>Sou caminhante; ando no traçado do tempo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sou-caminhante-ando-no-tracado-do-tempo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 14:55:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[ausência]]></category>
		<category><![CDATA[barulhento]]></category>
		<category><![CDATA[caminhante]]></category>
		<category><![CDATA[contenção]]></category>
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		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Os dias seguem no varal do tempo, sem dar satisfação. Maio se foi, junho está à porta.  Sigo observando meu entorno, sem compreender muito. O tempo não precisa que eu entenda nada. Sou apenas um caminhante, que anda no traçado do tempo, em busca de mim &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sou-caminhante-ando-no-tracado-do-tempo/">Sou caminhante; ando no traçado do tempo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">O</span>s dias seguem no varal do tempo, sem dar satisfação. Maio se foi, junho está à porta.  Sigo observando meu entorno, sem compreender muito. O tempo não precisa que eu entenda nada.</p>
<p>Sou apenas um caminhante, que anda no traçado do tempo, em busca de mim mesmo. Sem saber nada e com muito a aprender. Mesmo curioso com a vida, “todas as vezes que penso que sei as respostas, ela embaralha tudo”, cito Luiz Fernando Veríssimo.</p>
<p>A vida não acontece em linha reta; ela dá voltas. E, nas voltas que dá, todo mundo tem sua vez de ficar de cabeça para baixo.</p>
<p>Me nutro de Clarice Lispector: “Depois do medo, vem o mundo”. Sigo com medo, empurrado pelo tempo. Às vezes tenho medo de seguir em frente, de ir sozinho, em busca do melhor. Depois, com calma, percebo que seguir em frente é a opção certa.</p>
<p>“Se a vida não for fácil pra você, trate de ficar forte”, ecoa o conselho de minha saudosa mãe, Maria da Conceição, para quem a vida nunca foi mamão com açúcar.</p>
<p>Diante de inúmeras situações que não posso mudar, tento acionar o botão do silêncio. Em um mundo cada vez mais barulhento, o silêncio é um luxo reservado a poucos.</p>
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<p><strong>Silêncio, essa presença tão mal compreendida pela modernidade tagarela, não é ausência, é potência em repouso.</strong> Nele habita uma forma de linguagem mais sutil do que qualquer gramática, mais honesta do que qualquer retórica. Ao saber distinguir entre o silêncio autêntico e o simples mutismo, há algo decisivo: que o ser genuíno da fala se preserva frequentemente na contenção, e que o discurso mais pleno é aquele que sabe o que não deve dizer. O silêncio, quando verdadeiro, é um templo, e sua arquitetura se ergue sobre o não dito, sobre o intervalo entre o impulso de falar e a escolha de calar, intervalo em que o pensamento, não domesticado pelo signo, permanece vivo em toda a sua ambiguidade fecunda. Se falar é prata, o silêncio é ouro. Observo no meu entorno todos corridos, apressados; não entendo aonde querem chegar.</p>

			</div></div>
<p>Bestialmente aceleramos o tempo; parece que estamos constantemente em busca de um senso de propósito e realização. É comum ouvir amigos dizerem que precisam estar sempre ocupados com alguma atividade importante, seja ela no trabalho ou em seus hobbies e/ou projetos pessoais. Isso me leva a pensar que, a todo momento, estamos fazendo algo importante e que, na busca por ressignificar nossa existência. Ledo engano. Além de assoberbados, estamos exaustos.  Ando enfadado de mim.</p>
<p>Na terça-feira, 26/05, a convite do escritor carioca, Paulo Panesi, participei de uma live, com Vera Costa, colega da faculdade de Agronomia e amiga de jornada. Ela é moradora de Barreirinhas, santuário ecológico. Falamos do tempo como um ativo a nosso favor. E como aproveitar os dias, sem pressa, pois <strong>a vida acontece durante nossas tempestades diárias</strong>.</p>
<p>Bem-abençoado todo aquele que tem tempo para realizar pequenos desejos.</p>
<p>É tempo de sair do trilho e entrar na trilha. O trilho é seguro, mas alguém já trilhou por ali. O trilho são padrões, crenças herdadas. Comportamentos repetidos. Tudo previsível. Tudo conhecido. A trilha exige presença, coragem e decisão. Na trilha não há garantia. Nela você precisa ouvir a si mesmo. Talvez seja por isso que na trilha a vida ganha profundidade.</p>
<p>Existem momentos em que o trilho é necessário, mas a vida perde sentido quando não temos coragem de sair dele. É neste momento que a trilha chama.</p>
<p>Porque chega uma hora em que a trilha chama, é quando a vida acontece.</p>
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<p>&#8220;Não tenho pressa. Pressa de quê? Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.</p>
<p>Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas, ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra. Não; não sei ter pressa.</p>
<p>Se estendo o braço, chego exatamente aonde o meu braço chega. Nem um centímetro mais longe. Toco só onde toco, não aonde penso.</p>
<p>Só me posso sentar onde estou. E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras, mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa, e vivemos vadios da nossa realidade.</p>
<p>E estamos sempre fora dela porque estamos aqui”,  Alberto Caeiro.</p>

			</div></div>
<p>“O caminho se faz caminhando”, cito Antônio Machado, poeta espanhol.</p>
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		<title>&#8220;A vida não nos pertence, somos só visitantes neste mundo”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-vida-nao-nos-pertence-somos-so-visitantes-neste-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 09:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[Incra]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[relógio]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[vinho]]></category>
		<category><![CDATA[visitantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Na semana passada retornei de viagem. Passei dias longe do meu cotidiano. Sempre que posso, me ausento, na busca de coisas novas. Gosto de flanar, sem lenço e documento, em algum canto desconhecido. Sair da rotina, ser viajante, transeunte, giramundo em terras estrangeiras. Desembarquei em uma &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">N</span>a semana passada retornei de viagem. Passei dias longe do meu cotidiano. Sempre que posso, me ausento, na busca de coisas novas. Gosto de flanar, sem lenço e documento, em algum canto desconhecido. Sair da rotina, ser viajante, transeunte, giramundo em terras estrangeiras.</p>
<p>Desembarquei em uma madrugada chuvosa. Dormi exausto: cansado de voos longos, conexões rápidas, poltronas apertadas e desconfortáveis.</p>
<p>Acordei e vi mensagens comunicando o falecimento de uma prima querida. Educada, discreta, com uma vida de grandes realizações, Franciângela Viana Silva partiu cedo, aos 58 anos. Havíamos marcado um novo café, já que tínhamos o hábito e gosto de bebermos bons cafés. Nosso café, tantas vezes adiado, se perdeu no cipoal do tempo.</p>
<p>O tempo parou num clique de câmera, congelou a alegria, e a saudade veio depois, como sempre vem, em silêncio e com atraso. O sorriso que brilhou num instante eterno tornou-se eco de um tempo irrecuperável, e é justamente nesse eco, onde vibra o indizível da memória, que habita a dor mais silenciosa e mais civilizada: a saudade. Não a saudade sentimental dos espíritos frágeis, mas lembranças metafísicas de quem compreende, com alguma crueldade interior, que o passado não é apenas aquilo que foi, mas aquilo que nunca mais poderá ser.</p>
<p>Vivo e sobrevivo num tempo em que tudo parece escapar, mesmo quando é capturado. O momento, tal qual uma fotografia, em sua aparência de eternidade, nada mais é do que a moldura do efêmero, a tatuagem luminosa de um instante já consumido.</p>
<p>No domingo fui visitar, em um leito de UTI, um querido mestre dos bancos escolares da faculdade de Agronomia. Mestre João Batista Braga brigava pela vida. Ao acordar no dia seguinte, soube que ele fizera a passagem. Por diversas vezes marquei de visitá-lo, em sua casa no Cutim. Ficamos de tomar um vinho, jogar conversa fora, relembrar o passado. Homem decente, elegante no trato, discreto, fala mansa, era um ótimo papo.</p>
<p>Tive o privilégio de conviver duas vezes com mestre Braga: como seu aluno e como colegas de profissão no INCRA. Culto, um cabedal de conhecimento, tínhamos sempre bons assuntos para discorrer. Nossas últimas conversas foram sobre minhas andanças pelo mundo.</p>
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<p>“A vida não nos pertence, não, somos só visitantes neste mundo, hoje estamos aqui, amanhã ninguém sabe. Vivemos como donos da estrada, como reis sentados na varanda, fazemos planos para cem anos, sem saber se amanhã ainda acordamos. Decoramos casa emprestada, pintamos sonhos na madrugada, mas o tempo passa sem pedir licença e leva tudo sem dar sentença. A juventude vai embora devagar, a saúde um dia pode falhar, os amigos mudam e o amor também, só Deus conhece o destino de alguém. Quando a vida bater na porta, não há dinheiro que encontre a resposta, fama, luxo ou posição para impedir a despedida do coração. A vida é casa alugada, nós somos só inquilinos. Hoje brindamos sorrindo, amanhã seguimos outro caminho. Entrega a chave, meu irmão, nada que cabe na mão, tudo passa nesse mundo, só o amor deixa lembrança no coração”, ouvi essa canção na internet, que mostra bem que não somos, apenas estamos… de passagem.</p>

			</div></div>
<blockquote><p>“Sou pó de estrada e bruma de ampulheta, um sino antigo em trânsito e cansaço, que leva o próprio adeus dentro do passo. Trago nos olhos húmus de profeta e um elixir de eras sobre a pressa. Cada relógio é só ferrugem quieta.  E o tempo não passa: me atravessa!”, cito o poema “Passageiro do tempo”, de Rinaldo Nunes.</p></blockquote>
<p>No intervalo de três dias perdi duas pessoas queridas, mostrando que a vida não avisa quando vamos embora. Deixei de tomar café com Franciângela e um vinho com João Braga. Restaram memórias e saudades.</p>
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		<title>Encontro em um domingo chuvoso</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/encontro-em-um-domingo-chuvoso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 17:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[beija]]></category>
		<category><![CDATA[bonito]]></category>
		<category><![CDATA[coincidência]]></category>
		<category><![CDATA[côncavo]]></category>
		<category><![CDATA[convêxo]]></category>
		<category><![CDATA[idade]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Há um equívoco persistente — e profundamente limitador — na forma como a maioria das pessoas enxerga os mais velhos, especialmente quando se trata de sexualidade. Em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a sexualidade está associada à juventude. Como se somente os jovens &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">H</span>á um equívoco persistente — e profundamente limitador — na forma como a maioria das pessoas enxerga os mais velhos, especialmente quando se trata de sexualidade. Em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a sexualidade está associada à juventude. Como se somente os jovens pudessem aproveitar os prazeres da carne. Ledo engano. Se isso existiu, faz tempo que mudou.</p>
<p>Se antes a vovó fazia crochê e o vovô vivia de ceroulas no sofá; hoje não mais. Vovô e vovó estão na academia, na praia, em bares&#8230; na pista.</p>
<p>Hoje, em qualquer faixa etária, mulheres e homens procuram se manter firmes, fortes, ativos, saudáveis e atraentes e, com seus corpos, buscar prazer. Não mais o prazer da luxúria, mas do bem-estar, da sedução, do aconchego, do afeto.</p>
<p>Bem-aventurados os que fizeram da passagem do tempo um aliado, adquirindo sabedoria, confiança, conhecimento, para usufruir, como cantou Rita Lee, a eterna roqueira: “Eu quero mais é saúde para gozar no final”. Mesmo corpos gastos pela passagem inexorável do tempo, sabem usufruir das boas coisas da vida.</p>
<p>Domingo, tempo nublado, intercalado por sol tímido e orvalhos esparsos, eles se encontraram. No outono da vida, classificados segundo o IBGE, como idosos: “todos mamíferos e bíceps, que ultrapassaram 60 anos”. Sem ligarem para rótulos, seguem com tesão pela vida, achando-se “semi-novos”, prontos para apreciar o que há de melhor: boas conversas, bons vinhos, boas comidas e, principalmente, muito aconchego e prazeres que seus corpos e suas comorbidades lhes permitem.</p>
<p>Maduros, chegaram na fase da vida em que sabem distinguir “o que serve e o que não serve”. Sabem que não têm tempo para questiúnculas.</p>
<p>Certa vez, conversando com o tempo, ouvi dele: “Faz tuas escolhas, que te direi as minhas respostas”. Educar o olhar para o belo, para as boas e excitantes coisas da vida é qualidade de vida. Saber que o sexo, não é apenas desnudar-se de roupas, mas despir-se de títulos, preocupações, cargos, conta bancária ou outros penduricalhos desnecessários. Aprender que o desejo nasce de uma boa conversa, de um leve toque, de um olhar penetrante. Que intimidade é construída em encontros sinceros, únicos e especiais.</p>
<p>Não precisar esperar o momento certo para realizar desejos. O momento certo pode ser um domingo nublado, longe de tudo. Uma taça de vinho, um afago, um toque, um cheiro, que resulta no enlace. Quando corpos se desejam, o cérebro, mais que o coração, já indicou o caminho.</p>
<p>A criatividade fica por conta do desejo. Corpos ardentes se conectam, e como canta o mestre Roberto Carlos, que aos 85 anos, continua falando de paixão, desejo, cumplicidade.</p>
<p>Um encontro de domingo, sem script, em que a melodia e a harmonia dos corpos falam por si.</p>
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<p>“Nosso amor é demais/ E quando o amor se faz/ Tudo é bem mais bonito/ Nele a gente se dá/ Muito mais do que estáE o que não está escrito&#8230; /Quando a gente se abraça/ Tanta coisa se passa/ Que não dá pra falar/ Nesse encontro perfeito/ Entre o seu e o meu peito/ Nossa roupa não dá&#8230;</p>
<p>Nosso amor é assim/ Prá você e prá mim/ Como manda a receita/ Nossas curvas se acham/ Nossas formas se encaixam/ Na medida perfeita&#8230;. / Esse amor é prá nós/ A loucura que traz/ Esse sonho de paz/ E é bonito demais/ Quando a gente se beija/ Se ama e se esquece/ Da vida lá fora.</p>
<p>Cada parte de nós/ Tem a forma ideal/ Quando juntas estão/ Coincidência total do Côncavo e o Convexo/ Assim é o nosso amor/ No sexo&#8230;</p>
<p>Este amor é pra nós/ A loucura que traz/ Esse sonho de paz/ E é bonito demais/<br />
Quando a gente se beija/ Se ama e se esquece/ Da vida lá fora / Cada parte de nós/ Tem a forma ideal/ Quando juntas estão/ Coincidência total/ Do Côncavo e o Convexo/ Assim é o nosso amor/ No sexo&#8230;”</p>

			</div></div>
<p>Na cama, corpo exaustos de prazer, observam que chove lá fora.</p>
<p>&nbsp;</p>
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