Sessão da Assembleia Legislativa durante a aprovação do projeto de lei que criou a Unese Foto: Jadilson Simões/Alese
Por Antônio Carlos Garcia (*)
A Universidade Estadual de Sergipe (Unese) estará institucionalmente disponível ainda em 2026, com a conclusão de sua estrutura administrativa e pedagógica ao longo do primeiro semestre e a realização do primeiro processo seletivo no segundo semestre do ano. A informação foi confirmada pelo secretário especial de Planejamento, Orçamento e Inovação, Júlio Filgueira, ao detalhar os próximos passos após a aprovação, no fim de 2025, do projeto de lei que criou oficialmente a universidade. Com a Unese, Sergipe deixa de integrar o grupo dos poucos estados brasileiros sem universidade estadual — hoje, apenas dois estados não contam com esse tipo de instituição pública, número que cairá para apenas um com a implantação sergipana.
Segundo o secretário, a aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa representou um marco histórico para a educação no estado e cumpriu um compromisso assumido pelo governador Fábio Mitidieri e pelo vice-governador e então secretário de Educação, Zezinho Sobral. A partir de agora, o foco do governo está na estruturação da universidade, o que inclui a criação dos núcleos de direção administrativa e pedagógica que darão sustentação ao funcionamento da Unese.
A universidade iniciará suas atividades com sete cursos ativos, número que será ampliado gradualmente, com a incorporação de dois novos cursos por ano, até alcançar um total de 15 cursos. Desse conjunto, 13 cursos estão voltados às áreas de engenharia, matemática, tecnologia, programação e inovação, enquanto outros dois serão direcionados às áreas de turismo e pedagogia, esta última com foco no fortalecimento do magistério, uma demanda estratégica do próprio governo estadual.
Ainda não há definição sobre quais serão os sete primeiros cursos a serem ofertados. De acordo com Júlio Filgueira, essa escolha será feita a partir de uma avaliação de demanda que levará em conta dois fatores principais: as necessidades das cadeias produtivas e dos arranjos produtivos que irão absorver a futura mão de obra qualificada, e o perfil dos estudantes que atualmente cursam o ensino médio e poderão disputar as vagas da universidade.
Questionado se na Unese haverá cursos na área de petróleo e gás, o secretário explicou que, embora essas áreas sejam relevantes para a economia sergipana, já existe oferta consolidada de formação nesse campo por universidades, institutos federais e instituições privadas. Por isso, a tendência é que a Unese se volte para novas fronteiras estratégicas, como transição energética, data centers, tecnologia da informação e infraestrutura digital.
Nesse contexto, Filgueira destacou a parceria do Governo de Sergipe com o Banco Mundial, que prevê a implantação de uma ampla infraestrutura de dados no estado, garantindo internet pública e alta capacidade de tráfego em todos os municípios. O projeto, conhecido como cinturão digital, cria as condições para que Sergipe entre na disputa para receber cabos submarinos de internet, hoje concentrados majoritariamente no Ceará. Segundo ele, essa estratégia amplia a soberania e a segurança de dados do país e exige um novo perfil de capital humano, que a Unese ajudará a formar.
A Universidade Estadual de Sergipe terá início no centro histórico de Aracaju, conforme anúncio recente do governador durante a sanção da lei. Inicialmente, a Unese funcionará em dois prédios: uma antiga unidade escolar Patrocínio São José, que teve papel relevante na história educacional da cidade, e um imóvel que pertencia à Universidade Tiradentes (Unit), próximo à Rua Lagarto. Ambos os espaços abrigarão atividades acadêmicas e administrativas.
Antes da aprovação do projeto de lei, o governo estadual conduziu um amplo estudo de viabilidade para a criação da universidade. O trabalho durou quase dois anos e envolveu técnicos das áreas administrativa e pedagógica das secretarias de Educação e Planejamento, além de uma equipe da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mobilizou mais de 15 especialistas nas áreas educacional, econômica e administrativa.
Segundo o secretário, o estudo teve como premissa central preservar o papel constitucional do Estado na educação básica, no ensino médio e no ensino técnico profissionalizante, evitando que a criação da universidade estadual comprometesse esses investimentos. Ao mesmo tempo, o levantamento apontou que o fortalecimento do ensino superior, com foco em ciência, tecnologia e inovação, abre novas frentes de financiamento, inclusive com recursos federais, como demonstrado em diálogos com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O relatório final foi apresentado duas vezes ao governador: em uma versão preliminar, que recebeu ajustes, e posteriormente em sua versão definitiva.
Um dos pontos destacados por Júlio Filgueira é o perfil social da universidade. Oitenta por cento das vagas da Unese serão destinadas a estudantes oriundos da escola pública, majoritariamente da rede estadual. Quando a universidade atingir sua plena capacidade, a expectativa é de cerca de 1.000 novos alunos por ano, dos quais aproximadamente 800 serão egressos da rede pública.
Sobre as autorizações institucionais, o secretário esclareceu que, por se tratar de uma universidade estadual, a Unese não depende de autorização do Ministério da Educação (MEC). A criação se apoia na autonomia constitucional dos estados para dispor sobre o ensino superior. Para isso, duas leis foram aprovadas: uma que autoriza o Conselho Estadual de Educação a normatizar o ensino superior em Sergipe e outra que cria formalmente a universidade e autoriza o início de sua implantação.
Com a Unese, Sergipe passa a integrar o conjunto da ampla maioria dos estados brasileiros que já contam com universidade estadual própria, reforçando a interiorização do ensino superior público e alinhando a formação acadêmica às novas demandas econômicas e tecnológicas do estado.
O Brasil possui 27 estados, dos quais 25 contam com universidades estaduais, responsáveis por uma parte relevante da oferta de ensino superior público, sobretudo no interior do país.
Até 2025, Sergipe e Roraima eram os únicos estados sem esse tipo de instituição. Com a aprovação da lei que cria a Universidade Estadual de Sergipe (Unese), o estado passa a integrar o sistema nacional de universidades estaduais. E, com isso, Roraima torna-se o único estado brasileiro sem universidade estadual, mantendo a oferta pública de ensino superior apenas por meio de instituições federais.
As universidades estaduais têm papel estratégico na formação de professores, na inovação científica, na interiorização do ensino e no desenvolvimento regional, atuando de forma complementar às universidades federais.
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