Série A Caçada, em cartaz no Netflix
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)
Nunca é demais dizer que o nazismo não se discute. Se combate. A razão é que este foi e, infelizmente, segue sendo, uma das ideologias políticas mais absurdas e criminosas já engendradas pelo ser humano em toda a sua existência. Logo, é mister revisitar o tema para que, pedagogicamente, os equívocos e crimes cometidos por ela sejam ressuscitados e não novamente praticados ou que inspirem crianças e jovens, como aquela que vimos outro dia nos noticiários brasileiros, fantasiada de Adolfo Hitler, situação normalizada e naturalizada, inclusive, por seus familiares.
No último dia 27 de janeiro deste ano, o mundo recordou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, data instituída pelas Nações Unidas em 2005. A efeméride marca a libertação dos judeus do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas, em 1945. A ideia, desde sua fundação, é levar adiante uma educação contra o ódio, não somente em relação aos judeus, mas também contra todo tipo de ação que leve à discriminação, notadamente religiosa, étnica, de gênero e de condição social.
Por ocasião da ascensão e tentativa de instauração, em nível da ideologia nazista, de modo especial durante a realização da II Guerra Mundial (1939-1945), além de judeus, também ciganos, pessoas com deficiência, homossexuais, Testemunhas de Jeová, negros e opositores políticos foram alvo de um grande extermínio, em nome da “purificação da raça humana”.
Terminado o conflito, este horror foi revelado ao mundo inteiro, com cenas e relatos de cortar o coração, revelando também a face mais horrenda da maldade humana. Graças a Deus, houve sobreviventes daquele holocausto, e por meio deles é possível, até a presente data, termos uma ideia mais clara do que o nazismo fez no que se refere àquilo que é de mais absurdo num regime político e do que ele é capaz de produzir.
Entre os dias 20 de novembro de 1945 e primeiro de outubro de 1946, instalou-se na cidade de Nuremberg, Alemanha, um tribunal internacional para punir os algozes dos judeus, tendo contra si as seguintes acusações: conspiração, crimes de guerra, crimes contra a humanidade, assassínio em massa e crimes de ódio. Entre as punições, cerca de 12 execuções e 3 prisões perpétuas.
Infelizmente, algumas “baratas” escaparam. Um dos casos mais conhecidos foi o do médico sádico, Josef Mengele, que, depois de passagens por Paraguai e Argentina, foi encontrado morto (afogado) na cidade paulista de Bertioga, em 1979.
Tendo como mote estas fugas para a América Latina e também para os EUA, o cineasta David Weil criou a série “The Hunter” (A Caçada), lançada em fevereiro de 2020, e agora disponível na Netflix. Com duas temporadas e dezoito episódios, trata-se de um fascinante audiovisual norte-americano, estrelado por nomes como Logan Wade Lerman (conhecido por Percy Jackson), judeu de nascimento, mas que tem na figura de Al Pacino sua centralidade e protagonismo. Logan Lerman é o jovem Jonah Heidelbaum, coadjuvante da trama.
No que se refere a Pacino, vale a máxima que diz que vinho quanto mais velho, melhor. Quem imaginava que o ator de “O Poderoso Chefão”, “Perfume de Mulher”, “Advogado do Diabo” e tantos outros sucessos, já tivesse se aposentado em termos de talento, se engana ao ver sua atuação em “A Caçada”. Primeiro, pela versatilidade em interpretar, ao mesmo tempo, Meyer Offerman (um filantropo polonês-judeu e sobrevivente do Holocausto) e Wilhelm Zuchs (O Lobo), um nazista de alto escalão de Auschwitz que assassinou o verdadeiro Meyer, assumindo seu lugar em nome de seu amor por Ruth Heidelbaum (avó de Jonah Heidelbaum), vivida por Jeannie Berlin (76 anos, atriz e roteirista norte-americana) e também por Annie Hägg, esta na fase jovem da personagem.
Por incrível que pareça, trata-se da primeira participação de Al Pacino numa série de TV, embora já tenha feito uma breve participação, em 1968, na série policial “N.Y.P.D”. Com 85 anos, ele se supera mais uma vez, dando à série “A Caçada” toda riqueza dramática que ela carrega, bem como a de ação. Sobretudo, se imaginarmos que se trata de uma história que envolve a existência de um grupo de judeus, diversos, que levam a vida a caçar fugitivos do Tribunal de Nuremberg, segundo a série, boa parte deles morando, com a complacência do governo dos EUA, e descobertos nos anos 70, quando se passa o enredo de “A Caçada”, mais especificamente entre os anos de 1975 e 1979.
A cena de abertura do episódio 10 da série diz muito de seu mote inspirador e penso que seja o ápice da crítica que ela faz ao governo norte-americano das primeiras décadas do pós-segunda guerra mundial e a eventuais reflexos ideológicos no governo de plantão. Nesse sentido, ainda que recorramos a uma peça fictícia do cinema e da televisão para tanto, pode-se, aliado ao arraigado passado à sombra da Ku Klus Klan, compreender, explicar e combater determinados comportamentos de homens brancos dos Estados Unidos de nosso tempo, alguns deles assentados em cargos importantes da gestão pública nacional e, com suas atitudes, pondo o mundo em polvorosa.
A referida cena, que traz um grupo de estadistas norte-americanos reunidos em torno de uma mesa redonda, mostra-os discutindo se as autoridades dos EUA estariam dispostas a receber fugitivos nazistas da Alemanha hitlerista, vencida pelas potências aliadas em 1945.
Segue o diálogo:
– Howard: – Está mesmo sugerindo… escondê-los nos EUA?
– Carmel Offie: – Pode apostar. Imagine que você e um soldado, Howard, e seu pelotão encontra a Luger carregada de um nazista morto. Você enterra a arma porque odeia o dono dela, ou você a utiliza contra seu inimigo? Não se enganem, as mentes desses homens são armas. Podemos nos dar ao luxo de enterrá-las, quando nossos inimigos poderiam utilizá-las contra nós?
Sem querer dar mais spoilers do que já o fiz, uma das grandes sacadas da série é trabalhar com a possibilidade de Adolf Hitler, Eva Braun e os principais assessores terem se “exilado” na Argentina, onde foram capturados e mortos pelos caçadores de nazistas em 1979. Aqui, uma especial citação ao ator alemão Udo Kier (1944-2025) no papel de Hitler idoso.
Entre verdades e mera coincidência, “A Caçada” é mais uma peça da ficção que atende ao aspecto pedagógico de que falei no início do presente texto. Além de entreter, ela também ajuda a nos mantermos firmes na batalha contra os sobreviventes/fugitivos e as sobrevivências do nazismo (ou mesmo de suas crias), combatendo-os, denunciando-os e, sendo possível, punindo-os, para enfim evitarmos que a erva daninha de sua ideologia contamine o século XXI e, de modo particular, nossa juventude.
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