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	<title>Arquivo para ucranianos - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>A Ucrânia e a maldade brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Emerson Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Apr 2023 13:06:04 +0000</pubDate>
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<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-ucrania-e-a-maldade-brasileira/">A Ucrânia e a maldade brasileira</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-ucrania-e-a-maldade-brasileira%2F&amp;linkname=A%20Ucr%C3%A2nia%20e%20a%20maldade%20brasileira" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-ucrania-e-a-maldade-brasileira%2F&amp;linkname=A%20Ucr%C3%A2nia%20e%20a%20maldade%20brasileira" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-ucrania-e-a-maldade-brasileira%2F&amp;linkname=A%20Ucr%C3%A2nia%20e%20a%20maldade%20brasileira" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-ucrania-e-a-maldade-brasileira%2F&amp;linkname=A%20Ucr%C3%A2nia%20e%20a%20maldade%20brasileira" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-ucrania-e-a-maldade-brasileira%2F&#038;title=A%20Ucr%C3%A2nia%20e%20a%20maldade%20brasileira" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-ucrania-e-a-maldade-brasileira/" data-a2a-title="A Ucrânia e a maldade brasileira"></a></p><figure id="attachment_18874" aria-describedby="caption-attachment-18874" style="width: 322px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética.png"><img decoding="async" class=" wp-image-18874" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética.png" alt="economia" width="322" height="141" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética.png 1096w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-300x132.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-768x338.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-1024x450.png 1024w" sizes="(max-width: 322px) 100vw, 322px" /></a><figcaption id="caption-attachment-18874" class="wp-caption-text">Economia Herética/ Emerson Sousa</figcaption></figure>
<p>No ano de 2019, de acordo com dados compilados pelo <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://databank.worldbank.org/">Banco Mundial</a>,</span> a Ucrânia aparecia como um país com uma população total de 44,3 milhões de habitantes. Para fins de comparação, no Brasil esse quantitativo era de 211,8 milhões de residentes.</p>
<p>Nessa mesma data, a valores correntes, o povo ucraniano também possuía um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 154 bilhões. Por seu turno, as terras tupiniquins arregimentaram, na mesma época, um PIB de US$ 1,870 bilhões.</p>
<p>Ao se cruzar esses dados, o que se tem?</p>
<p>Bem, o resultado de que o PIB per capita do país eslavo é de US$ 3.5 mil por ano, ao passo que o do latino é de US$ 8.8 mil anuais.</p>
<p>Ou seja, em termos macroeconômicos, a Ucrânia é muito mais pobre do que o Brasil!</p>
<p>Todavia, uma coisa chama a atenção: a ex-república soviética tem um nível de pobreza bem menor do que aquele que existe no gigante sul-americano.</p>
<p>Saiba que, em 2019, na terra em que nasceu a escritora Clarice Lispector, apenas 7% da sua população vivia abaixo da Linha da Pobreza, que, para o Banco Mundial, era de US$ 6.85 por dia por pessoa.</p>
<p>Por sua vez, no país em que veio viver a autora de “<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://gotasdeepifania.wordpress.com/2018/01/25/resenha-perto-do-coracao-selvagem-clarice-lispector/">Perto do coração selvagem</a></span></strong>”, essa proporção era de 26% do total de habitantes, quase quatro vezes mais.</p>
<p>A extrema pobreza (renda de até US$ 2.15 por dia por pessoa) foi erradicada por lá. Por aqui, voltou a crescer.</p>
<p>Segundo a <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.ilo.org/brasilia/lang--es/index.htm">Organização Internacional do Trabalho (OIT)</a></span></strong>, em 2019, 28% dos postos de trabalho no Brasil eram considerados vulneráveis. Na Ucrânia, essa partição era de 14% do mesmo total.</p>
<p>Na mesma pisada, trabalhadores com empregos formais no Brasil perfazem 66,9% dos vínculos, enquanto a Ucrânia atinge a marca de 85,1% desse volume.</p>
<p>No Brasil, a jornada de trabalho média é de 37,7 horas semanais por empregado, mas 12% desses trabalham 49 horas semanais ou mais, coisa bem diferente da Ucrânia, onde os trabalhadores encaram um expediente médio de 39 horas por semana, mas apenas 4% desse quantitativo precisam se ocupar por 49 ou mais horas semanais.</p>
<p>Isso quer dizer que, se, na Ucrânia, um importe de 845 mil pessoas se vê obrigado a trabalhar praticamente todos os dias, no Brasil, esse contingente é de quase 13 milhões de pessoas.</p>
<p>Sim, o Brasil consegue ser mais cruel com os filhos do seu solo do que a Ucrânia.</p>
<p>E não apenas mais cruel, mas, também, mais iníquo.</p>
<p>O rendimento mediano da economia ucraniana, medida que separa a população entre metade mais rica e metade mais pobre, é 11,5% inferior ao rendimento médio, já no âmbito da brasileira, a renda mediana está 40,4% abaixo da renda média.</p>
<p>Isso indica que ambos os circuitos produtivos concentram renda, mas o da ex-colônia lusitana o faz com maior intensidade do que o faz a sede do extinto Principado de Kiev.</p>
<p>Ademais, os ucranianos que estão entre os 10% mais pobres do seu país se apropriam de 4,1% da renda nacional enquanto, no Brasil, esse mesmo agrupamento social sobrevive com tão somente 0,9% desse agregado macroeconômico.</p>
<p>Em contrapartida, se, na Ucrânia, os 10% mais ricos se assenhoram de 22,3% da renda, no Brasil, esse mesmo estrato toma para si 41,9% de mesmo bolo.</p>
<p>Mas como diferença pouca é bobagem, a turma que habita a órbita do 1% mais rico captura 18% da renda nacional na Ucrânia e outros 25% no Brasil.</p>
<p>Nesse sentido, o Índice de Gini, que dimensiona níveis de desigualdade de um dado fenômeno, e que pode ir de 0 (total igualdade) a 1 ponto (total concentração em um único elemento), aplicado para a distribuição de renda nacional é de 0,266 pontos na Ucrânia e de 0,535 pontos no Brasil.</p>
<p>Em termos gerais, isso quer dizer que o Brasil, no ano de 2019, desfrutava de uma distribuição de renda muito mais desigual e desumana do que a Ucrânia.</p>
<p>Alguém pode até dizer que isso ocorre porque a estrutura econômica da Ucrânia é dona de uma maior produtividade do que a da brasileira. Logo, ela teria melhores condições de remunerar bem os seus trabalhadores.</p>
<p>Porém, isso não é verdade!</p>
<p>O PIB per capita por pessoa empregada – que serve como uma projeção da produtividade do país – era de US$ 27.7 mil anuais na Ucrânia enquanto que, no Brasil, ele era de US$ 33.8 mil anuais, em 2019.</p>
<p>Ou seja, esses valores mostram que o esforço produtivo do brasileiro é mais rentável do que o do ucraniano.</p>
<p>Também poderia se alegar que o Brasil é um país agrário e a Ucrânia, não.</p>
<p>Contudo, esse argumento também não se sustenta quando em face à realidade.</p>
<p>O setor agropecuário, extrativista e de pesca responde por 9% do produto da Ucrânia, proporção que é de apenas 4,2% no Brasil. E a economia brasileira é tão industrializada quanto a ucraniana, com a manufatura respondendo por algo em torno de 10,5% do PIB nas duas nações.</p>
<p>E se o Brasil possui um superávit comercial que orbita a casa dos 3% do PIB, respondendo por pouco mais de 1% das transações internacionais de exportação e importação, a Ucrânia cultiva déficits e mal chega a 0,3% do comércio mundial.</p>
<p>Esses números sugerem que, sob diversos aspectos, não há motivos para que o Brasil, em 2019, tivesse mais de 55 milhões de pessoas na Pobreza, porque na Ucrânia, com um perfil macroeconômico de menor relevância, se sofre menos com essa tragédia.</p>
<p>Não que o referido país, que agora enfrenta uma guerra insana, seja um mar de rosas ou que não possua suas próprias mazelas, mas a questão é que ele reforça a percepção de que o Brasil é inclemente e despótico.</p>
<p>Afinal, com menos recursos do que o jovem país meridional, a velha nação do leste europeu consegue prover aos seus cidadãos e cidadãs uma equidade jamais vistas nestes “<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://super.abril.com.br/cultura/tristes-tropicos/">Tristes Trópicos</a></span>”.</p>
<p>E o peso dessa perversidade fica patente quando se descobre que, no ano de 2021, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,754 pontos, a Ucrânia está dez posições à frente do Brasil (0,765), sendo ambos classificados como áreas de médio desenvolvimento. Todavia, quando esse indicador é ajustado pela Desigualdade Social, ele se vê perdendo 3 posições e ela, ganhando 33 posições, ficando a 46 posições de distância.</p>
<p>Então, por que o Brasil é mais cruel e iníquo do que a Ucrânia?</p>
<p>A resposta a essa simples pergunta é complexa, envolve uma diversidade de fatores e não tem feitio pronto, no entanto, não há como fugir da hipótese de que essa situação, muito provavelmente, seja fruto de uma opção política do povo brasileiro.</p>
<p>Por algum motivo, a nossa gente entende que o nosso circuito produtivo só consegue subsistir se mantiver em pé essa ímpia e injusta estrutura de distribuição de renda.</p>
<p>E, assim, nos esforçamos para mantê-lo nesse formato.</p>
<p>Por exemplo, a Constituição de 1988 foi desenhada para nos garantir a Proteção Social e a Cidadania, mas desde então, na maioria das vezes, nós temos votado em políticos que se empenharam em reduzir o alcance e a eficácia das Políticas Públicas Emancipatórias, por meio das mais maléficas e insensíveis propostas de “Reformas”.</p>
<p>Então, quem vê de fora, pode até vir a pensar que nossa economia – e nossa sociedade – só funciona se ela mantiver muito mais pobres os mais pobres e muito mais ricos os mais ricos, coisa que, ao que tudo indica, não ocorre na Ucrânia, não no nível do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>_________</p>
<p>(*) É doutor em Administração pelo NPGA/UFBA  e mestre em Economia pelo NUPEC/UFS</p>
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		<title>Uma estudante sergipana e uma paulistana contam como está sendo viver na Hungria, fronteira com a Ucrânia, em plena guerra</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/uma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Feb 2022 12:50:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A sergipana Laís Souza de Carvalho Santana e a  paulistana Isabella Monteiro Guerra Silva residem em Budapeste, na Hungria, onde cursam Mestrado em Relações Internacionais na Budapest Business School – Faculty of International Management and Business. A convite do Só Sergipe elas escreveram o texto, que está logo abaixo,  e fazem uma reflexão sobre o &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra%2F&amp;linkname=Uma%20estudante%20sergipana%20e%20uma%20paulistana%20contam%20como%20est%C3%A1%20sendo%20viver%20na%20Hungria%2C%20fronteira%20com%20a%20Ucr%C3%A2nia%2C%20em%20plena%20guerra" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra%2F&amp;linkname=Uma%20estudante%20sergipana%20e%20uma%20paulistana%20contam%20como%20est%C3%A1%20sendo%20viver%20na%20Hungria%2C%20fronteira%20com%20a%20Ucr%C3%A2nia%2C%20em%20plena%20guerra" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra%2F&amp;linkname=Uma%20estudante%20sergipana%20e%20uma%20paulistana%20contam%20como%20est%C3%A1%20sendo%20viver%20na%20Hungria%2C%20fronteira%20com%20a%20Ucr%C3%A2nia%2C%20em%20plena%20guerra" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra%2F&amp;linkname=Uma%20estudante%20sergipana%20e%20uma%20paulistana%20contam%20como%20est%C3%A1%20sendo%20viver%20na%20Hungria%2C%20fronteira%20com%20a%20Ucr%C3%A2nia%2C%20em%20plena%20guerra" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra%2F&#038;title=Uma%20estudante%20sergipana%20e%20uma%20paulistana%20contam%20como%20est%C3%A1%20sendo%20viver%20na%20Hungria%2C%20fronteira%20com%20a%20Ucr%C3%A2nia%2C%20em%20plena%20guerra" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/uma-estudante-sergipana-e-uma-paulistana-contam-como-esta-sendo-viver-na-hungria-fronteira-com-a-ucrania-em-plena-guerra/" data-a2a-title="Uma estudante sergipana e uma paulistana contam como está sendo viver na Hungria, fronteira com a Ucrânia, em plena guerra"></a></p><p style="text-align: center;">A sergipana Laís Souza de Carvalho Santana e a  paulistana Isabella Monteiro Guerra Silva residem em Budapeste, na Hungria, onde cursam Mestrado em Relações Internacionais na Budapest Business School – Faculty of International Management and Business. A convite do <strong>Só Sergipe</strong> elas escreveram o texto, que está logo abaixo,  e fazem uma reflexão sobre o momento de perplexidade que o mundo vive – e elas de modo particular &#8211; em virtude da invasão russa à Ucrânia.</p>
<p style="text-align: center;">“Para nós, o amanhecer do dia 24 chegou junto das sensações de impotência e fragilidade. O sentimento era de medo. Medo de estarmos próximo de enfrentar uma nova guerra mundial”, escrevem Laís e Isabella que, como mestrandas vivem conflito interno entre seguir a racionalidade analítica ou os &#8220;nossos sentimentos”, relatam.</p>
<p style="text-align: center;">Laís, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/lais-santana-nunca-deixe-de-acreditar-no-seu-proprio-potencial-nos-seus-sonhos-e-nos-seus-planos/">que já foi entrevistada pelo Só Sergipe,</a></span></strong> e Isabella acompanham de perto o sofrimento dos ucranianos, pois têm colegas de classe e amigos que temem pela segurança dos parentes na Ucrânia. E, claro, ambas temem pela própria segurança, pois estão a 300 km, em média, da região de conflito.</p>
<p style="text-align: center;">Leiam com atenção o relato dessas duas jovens que, pela primeira vez em suas vidas, vivem um momento surreal repudiado por todos os povos.</p>
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<p style="text-align: center;"><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
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<figure id="attachment_49936" aria-describedby="caption-attachment-49936" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-49936 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-54-660x330.png 660w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-49936" class="wp-caption-text">Mísseis atingem Kiev Foto: Agência Brasil</figcaption></figure>
<h2 style="text-align: center;">A guerra existe e é nossa vizinha</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Às 4:50 da manhã do dia 24 de fevereiro de 2022 (horário de Kiev), o presidente russo Vladimir Putin fez um anúncio televisivo comunicando a decisão de realizar uma operação militar especial em solo ucraniano. Pouco tempo depois, às 5:07 da manhã, os primeiros mísseis russos foram lançados em direção a cidades próximas à capital, Kiev, as quais continuam sofrendo com ataques e destruições incessantes.</p>
<p>Enquanto isso, a rotina continua sendo seguida normalmente pela população de Budapeste. À primeira vista, nada mudou, como se o conflito entre Rússia e Ucrânia estivesse acontecendo a milhares de quilômetros ou sendo visto em um filme, quando a triste realidade é que estamos a aproximadamente 300 quilômetros dos eventos que acompanhamos por noticiários do mundo.</p>
<p>Para nós, o amanhecer do dia 24 chegou junto das sensações de impotência e fragilidade. O sentimento era de medo. Medo de estarmos próximos de enfrentar uma nova guerra mundial. Sentimos também angústia e ansiedade em uma busca constante por novas notícias, além da desolação pelo vizinho que sofria, e ainda sofre, um ataque injustificado e incoerente.</p>
<p>Levantar e assistir às aulas não foi fácil. Os pensamentos estavam focados apenas na Ucrânia e em nossos amigos que assistiam em choque ao seu país e lar sendo destruídos. Para nós duas, em particular, existia uma grande urgência de nos comunicarmos com eles e termos a certeza de que os seus familiares estavam seguros, pelo menos por ora.</p>
<p>Ver uma guerra acontecendo em outro continente é doloroso, mas está longe e é mais fácil desviar a atenção para como aproveitar o seu Carnaval. Aqui, assistimos às aulas de mãos dadas com nossos amigos, recebendo atualizações de suas famílias e, a cada momento que um deles saía para atender o telefone, nosso ar faltava enquanto esperávamos por mais notícias.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2.png"><img decoding="async" class=" wp-image-49946 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2-300x300.png" alt="" width="230" height="230" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Ruszkik-haza-ruszkik-haza-2.png 1080w" sizes="(max-width: 230px) 100vw, 230px" /></a>As mudanças reais na vida diária puderam ser vistas, principalmente, ao entardecer dos últimos dias, quando centenas de pessoas, entre ucranianos residentes de Budapeste, adeptos da causa e integrantes do grupo United for Hungary (Unidos pela Hungria), se reuniram em frente à embaixada russa em protestos contra os eventos recentes enquanto entoavam “<strong>Ruszkik haza, ruszkik haza!”, que pode ser traduzido como “Vão para casa, russos!</strong>”.</p>
<p>Como estudantes da área de Relações Internacionais, vivemos também em um conflito interno entre seguir a racionalidade analítica ou os nossos sentimentos. De um lado, temos os nossos conhecimentos que nos tranquilizam, parcialmente, uma vez que sabemos quais medidas de proteção estão sendo tomadas pela Hungria e as poucas chances de nos encontrarmos diretamente envolvidos no conflito.</p>
<p>Os sentimentos reais, no entanto, aparecem quando estamos sozinhas e nossos pensamentos recapitulam os acontecimentos. Nesse momento, é quando mais precisamos uns dos outros, seja através de longas ligações ou mensagens que nos distraiam da nossa realidade: a guerra existe e é nossa vizinha.</p>
<p>Coisas simples como fogos de artifícios, antes símbolos de comemorações, se tornaram sinônimo do medo de um possível ataque, nos fazendo ligar assustadas para amigos enquanto seguimos para nossas varandas, apenas para descobrirmos que o medo não é só nosso, mas também de nossos vizinhos que demonstram em suas faces e suas ações o grande questionamento: O que devemos fazer?</p>
<p>Durante aulas e grupos de estudos, discutimos sanções e reafirmamos como a normalidade será mantida por aqui, mas, enquanto analisamos academicamente a chegada de refugiados no país e qualquer tipo de movimentações militares feitas tanto pelo governo húngaro quanto por outras potências, criamos planos de fuga caso seja necessário deixar o país.</p>
<p>Em nossa percepção, esta guerra é completamente injustificada e surpreendente, mesmo com as crescentes tensões políticas entre os dois países desde 2014, após a deposição do presidente ucraniano pró-Rússia, a anexação da península da Crimeia ao território russo e o apoio aos movimentos separatistas localizados nas províncias de Donetsk e Luhansk, localizadas no leste do país.</p>
<figure id="attachment_49953" aria-describedby="caption-attachment-49953" style="width: 296px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-49953" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Design-sem-nome-58.png" alt="" width="296" height="403" /><figcaption id="caption-attachment-49953" class="wp-caption-text">Laís e Isabella: &#8220;Por quanto tempo ainda estaremos seguras?&#8221;</figcaption></figure>
<p>Para nós, era inimaginável vermos a Europa ter um dos seus países invadido, depois de quase 77 anos de paz. Vemos acordos internacionais criados para garantir a paz e boas relações diplomáticas serem quebrados e, como consequência, famílias são divididas e vidas são perdidas mais uma vez.</p>
<p>Agora, homens entre 18 e 60 anos enviam seus parentes como refugiados para outros países e se preparam para proteger a sua pátria contra uma potência que possui um poder bélico quase cinco vezes maior.</p>
<p>Duas questões nos restam. Quantas vidas ainda serão perdidas? E por quanto tempo ainda estaremos seguras?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Budapeste, 28 de fevereiro de 2022.</p>
<p>Isabella Monteiro Guerra Silva</p>
<p>Laís Souza de Carvalho Santana</p>
<h3>FONTES:</h3>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://hungarytoday.hu/ukraine-hungary-refugees-ukrainian-benko/">Defense Minister: Hungary Prepared to Accept Refugees from Ukraine</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://edition.cnn.com/2022/02/24/europe/ukraine-russia-attack-timeline-intl/index.html">Here&#8217;s what we know about how Russia&#8217;s invasion of Ukraine unfolded</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/21/mapa-conflito-ucrania-russia.ghtml">MAPAS: guerra na Ucrânia, invasão russa, bombardeios e ataque a Kiev | Mundo | G1 (globo.com)</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://hungarytoday.hu/hungary-opposition-putin-russia-russian-embassy-demonstration-protest/">Opposition Protests Putin&#8217;s Aggression in Front of Russia&#8217;s Budapest Embassy (hungarytoday.hu)</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://hungarytoday.hu/orban-nato-summit-stoltenberg-ukraine/">Orbán: Hungary Protecting Own, Europe&#8217;s Borders Together with NATO (hungarytoday.hu)</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2022/02/24/por-que-a-russia-invadiu-a-ucrania.ghtml">Por que a Rússia invadiu a Ucrânia | Ucrânia e Rússia | G1 (globo.com)</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://edition.cnn.com/2022/02/24/europe/ukraine-russia-attack-timeline-intl/index.html">Timeline of the Russian invasion of Ukraine: What we know so far &#8211; CNN</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.bbc.com/news/world-europe-60497510">Ukraine conflict: President Zelensky warns Russia: We will defend ourselves &#8211; BBC News</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://hungarytoday.hu/ukrainian-refugees-hungary-transcarpathia-zahony/">Ukraine Crisis: Some 1,600 Refugees Arrive in Záhony over Two Days &#8211; Hungary Today</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://edition.cnn.com/2022/02/24/europe/ukraine-russia-conflict-explainer-2-cmd-intl/index.html">What does Putin want in Ukraine? The conflict explained</a></span></p>

			</div></div>
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