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	<title>Arquivo para testemunha de Jeová - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Maçonaria e Religião: entre a divergência histórica e a construção do diálogo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Luiz Figueiroa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2026 09:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[evangélica]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Islã]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[ortodoxa]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[testemunha de Jeová]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Manuel Luiz Figueiroa (*) &#160; A relação entre a Maçonaria e determinadas tradições religiosas, Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas — as da Grécia, Rússia e Sérvia — é marcada por diferentes posicionamentos. Essas igrejas emitiram declarações considerando incompatível a participação de seus membros na Maçonaria. Igrejas evangélicas — Não existe uma &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Manuel Luiz Figueiroa (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>A relação entre a Maçonaria e determinadas tradições religiosas, Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas — as da Grécia, Rússia e Sérvia — é marcada por diferentes posicionamentos. Essas igrejas emitiram declarações considerando incompatível a participação de seus membros na Maçonaria.</p>
<p><strong>Igrejas evangélicas</strong> — Não existe uma posição única entre os evangélicos. Igrejas de tradição reformada, batista, pentecostal e neopentecostal frequentemente condenam ou desaconselham a filiação na Maçonaria, alegando preocupações com juramentos, simbolismo e aspectos religiosos presentes nos rituais. Outras denominações deixam a decisão à consciência do fiel.</p>
<ol>
<li><strong>Testemunhas de Jeová</strong></li>
</ol>
<p>Desaconselham fortemente a participação em organizações como a Maçonaria, entendendo que a lealdade do cristão deve ser exclusivamente a Deus.</p>
<ol>
<li><strong>Alguns grupos islâmicos</strong></li>
</ol>
<p>Em diversos países de maioria muçulmana, autoridades religiosas emitiram pareceres (fatwas) contra a Maçonaria, embora isso não represente uma posição única de todo o Islã.</p>
<p><strong>Religiões que geralmente não possuem condenação oficial</strong></p>
<p>— Espiritismo.</p>
<p>— Judaísmo (não há uma posição universal; varia conforme a corrente e o rabino).</p>
<p>— Hinduísmo.</p>
<p>— Budismo.</p>
<p>— Religiões afro-brasileiras, como Candomblé e Umbanda.</p>
<p>Nessas tradições, normalmente não existe uma proibição institucional à participação na Maçonaria. Já com Igreja a Católica Romana, tem-se um dos mais duradouros debates da história moderna. Ao longo de quase três séculos, documentos oficiais, posicionamentos doutrinários e acontecimentos políticos contribuíram para consolidar um ambiente de desconfiança recíproca. Apesar disso, o mundo contemporâneo, marcado pelo pluralismo e pela liberdade religiosa, oferece novas oportunidades para que essas instituições encontrem espaços de convivência respeitosa.</p>
<h3><strong>A oposição histórica</strong></h3>
<p>Entre as religiões existentes, a Igreja Católica Romana é a que mantém, de forma mais contínua e oficial, uma posição de incompatibilidade em relação à Maçonaria.</p>
<p>As razões dessa oposição podem ser sintetizadas em cinco aspectos principais:</p>
<p>— a compreensão de que alguns princípios filosóficos da Maçonaria são incompatíveis com a doutrina católica;</p>
<p>— a preocupação com o relativismo religioso, decorrente da convivência de pessoas de diferentes crenças sob uma mesma fraternidade;</p>
<p>— a existência de juramentos iniciáticos e do caráter reservado de determinados rituais;</p>
<p>— conflitos históricos entre setores maçônicos e instituições eclesiásticas, especialmente nos séculos XVIII e XIX;</p>
<p>— diferentes concepções acerca da autoridade moral, da verdade religiosa e da relação entre razão e fé.</p>
<p>Esses fatores explicam por que a Igreja mantém, até hoje, sua posição doutrinária, independentemente da realidade vivida pelas diversas obediências maçônicas em diferentes países.</p>
<h3>A compreensão da Maçonaria</h3>
<p>Por sua vez, a Maçonaria afirma não ser uma religião nem pretende substituí-la. Define-se como uma instituição iniciática, filosófica, fraternal e filantrópica, dedicada ao aperfeiçoamento moral do ser humano.</p>
<p>Seus princípios tradicionais valorizam:</p>
<p>— a liberdade de consciência;</p>
<p>— a tolerância religiosa;</p>
<p>— a fraternidade universal;</p>
<p>— o respeito às leis;</p>
<p>— o aperfeiçoamento moral e intelectual;</p>
<p>— a prática da beneficência.</p>
<p>Em muitas obediências maçônicas convivem pessoas pertencentes às mais diversas tradições religiosas, sem que lhes seja exigido abandonar sua fé.</p>
<h3>O fortalecimento institucional como resposta</h3>
<p>Surge, então, uma questão relevante: seria desejável que a Maçonaria ampliasse seu poder institucional como forma de enfrentar a oposição das religiões?</p>
<p>A resposta exige prudência.</p>
<p>Caso o fortalecimento institucional tenha como finalidade ampliar ações beneficentes, educativas, culturais e científicas, contribuir para o desenvolvimento ético da sociedade e tornar mais transparente sua atuação, esse crescimento pode representar um benefício para toda a comunidade.</p>
<p>Entretanto, se o fortalecimento for concebido como instrumento de enfrentamento ou de dissuasão contra instituições religiosas, corre-se o risco de alimentar uma lógica de confronto incompatível tanto com os ideais maçônicos quanto com os princípios democráticos de convivência entre diferentes convicções.</p>
<p>O verdadeiro prestígio de qualquer instituição nasce muito mais da credibilidade de suas ações do que da expansão de sua influência.</p>
<h3>A liberdade religiosa como patrimônio comum</h3>
<p>As democracias contemporâneas reconhecem que nenhuma instituição possui o monopólio absoluto da vida pública.</p>
<p>Religiões, associações filosóficas e organizações civis exercem papéis distintos e complementares.</p>
<p>A liberdade de religião inclui tanto o direito de professar uma fé quanto o direito de participar de associações filosóficas legítimas. Da mesma forma, uma instituição religiosa possui o direito de definir, segundo sua própria doutrina, quais práticas considera compatíveis com sua fé.</p>
<p>O desafio consiste em preservar esses direitos sem transformar divergências doutrinárias em hostilidade permanente.</p>
<h3>Construindo pontes de entendimento</h3>
<p>Embora as diferenças teológicas permaneçam, existem inúmeros valores compartilhados que podem servir de base para um diálogo respeitoso.</p>
<p>Entre eles destacam-se:</p>
<p>— a dignidade da pessoa humana;</p>
<p>— a promoção da justiça;</p>
<p>— a solidariedade;</p>
<p>— a defesa da liberdade;</p>
<p>— o combate à pobreza;</p>
<p>— a educação;</p>
<p>— a promoção da paz;</p>
<p>— o respeito às leis e às instituições democráticas.</p>
<h3>A construção dessas pontes pode ocorrer mediante diversas iniciativas:</h3>
<ol>
<li>Reconhecimento da autonomia institucional</li>
</ol>
<p>Cada instituição deve ser respeitada em sua identidade, sem pretensão de converter ou deslegitimar a outra.</p>
<ol start="2">
<li>Diálogo permanente</li>
</ol>
<p>O conhecimento reduz preconceitos. Conversas acadêmicas, históricas e culturais ajudam a substituir mitos por informações verificáveis.</p>
<ol start="3">
<li>Cooperação em causas comuns</li>
</ol>
<p>Projetos sociais, ações beneficentes, campanhas de saúde, educação e assistência humanitária podem unir pessoas de diferentes convicções em torno do bem comum.</p>
<ol start="4">
<li>Transparência</li>
</ol>
<p>Quanto maior a clareza sobre objetivos, princípios e formas de atuação, menores tendem a ser os espaços para suspeitas infundadas.</p>
<ol start="5">
<li>Cultura da tolerância</li>
</ol>
<p>A verdadeira tolerância não exige concordância. Exige apenas o reconhecimento da dignidade do outro e de seu direito de pensar de forma diferente.</p>
<h3>Conclusão</h3>
<p>A história demonstra que antagonismos prolongados raramente produzem vencedores duradouros. Em contrapartida, o diálogo respeitoso fortalece a convivência e amplia as possibilidades de cooperação.</p>
<p>A Igreja Católica permanecerá fiel à sua doutrina, assim como a Maçonaria continuará afirmando sua identidade filosófica e iniciática. Essas diferenças dificilmente desaparecerão, mas não precisam impedir uma convivência civilizada.</p>
<p>No século XXI, o verdadeiro desafio não consiste em saber qual instituição exercerá maior influência, mas em descobrir como diferentes tradições podem colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, livre, ética e solidária.</p>
<p>Talvez a ponte mais sólida entre essas correntes de pensamento seja o reconhecimento de que nenhuma organização, isoladamente, esgota a busca pela verdade nem o compromisso com o bem comum. Quando a firmeza das convicções se alia ao respeito pela liberdade de consciência, a divergência deixa de ser uma ameaça e passa a ser uma oportunidade de crescimento mútuo. Nesse horizonte, Maçonaria e religiões podem permanecer fiéis às suas identidades, sem renunciar ao diálogo, à cooperação e à promoção da dignidade humana.</p>
<p>OBS. A dicotomia <strong>Maçonaria e Religião: Entre a Divergência Histórica e a Construção do Diálogo, </strong>pode e deve ser refletida em outros contextos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>CLEMENTE XII. <em>In eminenti apostolatus specula</em>. Roma, 28 abr. 1738.</p>
<p>PIO VII. <em>Ecclesiam a Jesu Christo</em>. Roma, 13 set. 1821.</p>
<p>LEÃO XII. <em>Quo graviora</em>. Roma, 13 mar. 1825.</p>
<p>PIO VIII. <em>Traditi Humilitati</em>. Roma, 24 maio 1829.</p>
<p>PIO IX. <em>Quanta Cura</em>. Roma, 8 dez. 1864.</p>
<p>PIKE, Albert. <em>Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry</em>. Charleston: Supreme Council, 1871.</p>
<p>LEÃO XIII. <em>Humanum Genus: Encíclica sobre a Maçonaria</em>. Roma, 20 abr. 1884.</p>
<p>CONCÍLIO VATICANO II. <em>Dignitatis Humanae: Declaração sobre a Liberdade Religiosa</em>. Cidade do Vaticano, 1965.</p>
<p>BENTO XVI. <em>Código de Direito Canônico</em>. São Paulo: Loyola, 1983.</p>
<p>CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. <em>Declaração sobre as Associações Maçônicas (Quaesitum est)</em>. Cidade do Vaticano, 26 nov. 1983.</p>
<p>JACOB, Margaret C. <em>Living the Enlightenment: Freemasonry and Politics in Eighteenth-Century Europe</em>. Oxford: Oxford University Press, 1991.</p>
<p>MACKEY, Albert Gallatin. <em>Enciclopédia da Maçonaria</em>. São Paulo: Madras.</p>
<p>PRESTON, William. <em>Illustrations of Masonry</em>. London: diversas edições.</p>
<p>MACNULTY, W. Kirk. <em>Freemasonry: Symbols, Secrets, Significance</em>. Londres: Thames &amp; Hudson, 2006.</p>
<p>LOCKE, John. <em>Carta acerca da Tolerância</em>. São Paulo: Martins Fontes.</p>
<p>VOLTAIRE. <em>Tratado sobre a Tolerância</em>. São Paulo: Martins Fontes.</p>
<p>KANT, Immanuel. <em>A Religião nos Limites da Simples Razão</em>. Lisboa: Edições 70.</p>
<p>ELIADE, Mircea. <em>História das Crenças e das Ideias Religiosas</em>. Rio de Janeiro: Zahar.</p>
<p>ARMSTRONG, Karen. <em>Uma História de Deus</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>
<p>&nbsp;</p>
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