<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo para temporalidade - Só Sergipe</title>
	<atom:link href="https://www.sosergipe.com.br/tag/temporalidade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.sosergipe.com.br/tag/temporalidade/</link>
	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 16 May 2025 10:17:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.5</generator>
	<item>
		<title>Água pouca, meu chá primeiro</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 May 2025 08:25:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Chã]]></category>
		<category><![CDATA[circularidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultural]]></category>
		<category><![CDATA[demandas]]></category>
		<category><![CDATA[histórica]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[obra]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[posfácio]]></category>
		<category><![CDATA[prefácio]]></category>
		<category><![CDATA[produção]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[temporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[textos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=89680</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Iniciei este ano, lendo de um só fôlego, mas, ao mesmo tempo, sorvendo cada palavra e ideias como a um manjar delicioso, o livro A memória da água, de autoria de Emmi Itaranta. Assentei minhas considerações a respeito por algum tempo, no fundo de minha mente e &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/">Água pouca, meu chá primeiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&#038;title=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/" data-a2a-title="Água pouca, meu chá primeiro"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">I</span>niciei este ano, lendo de um só fôlego, mas, ao mesmo tempo, sorvendo cada palavra e ideias como a um manjar delicioso, o livro <em>A memória da água</em>, de autoria de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Emmi_It%C3%A4ranta" target="_blank" rel="noopener">Emmi Itaranta</a></span>. Assentei minhas considerações a respeito por algum tempo, no fundo de minha mente e coração, pois seu conteúdo me levou à necessidade de ler outra obra. Refiro-me a <em>O</em> <em>Livro do Chá</em>, de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Okakura_Kakuz%C5%8D" target="_blank" rel="noopener">Kakuzo Okakura</a></span>.</p>
<p>Embora escritos e publicados em tempos distintos (2015 e 1906, respectivamente), os textos se encontram e se atravessam, sobretudo no que diz respeito a questões muito atuais e a ensinamentos milenares que precisamos revisitar e que não estão tão distantes de nós, mas apenas subsumidos por nossa ânsia de querer, acumular e poder.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Dou primazia à antiguidade, começando, desse modo, por <strong>O</strong> <em><strong>Livro do Chá</strong>,</em> que ao contrário do primeiro não é ficção, embora esteja escrito de forma literária. Trata-se de um tratado de História e de Memória Cultural em torno de uma das culturas mais antigas do mundo, a feitura do chá, e todas as suas implicações. Para seu prefaciador e também autor do posfácio da obra, Hounsai Genshitsu Sen, é “(&#8230;) <em><i>um esforço pioneiro no sentido de construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente</i></em>”. Além disso, é uma obra contextualizada, pois foi escrita num lugar e num tempo específico para atender a demandas de sua temporalidade de produção. Início do século XX, escrita por um japonês aculturado norte-americano e britânico, que versou sobre um Japão que acabava de sair de uma guerra vitoriosa contra os russos, mas que também se abria para as influências ocidentais cada vez mais industrializadas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280.png"><img decoding="async" class=" wp-image-89730 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-300x277.png" alt="chá" width="196" height="181" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-300x277.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-1024x944.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-768x708.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280.png 1280w" sizes="(max-width: 196px) 100vw, 196px" /></a>O resultado bem poderia ser definido, explicado e compreendido a partir do conceito de “circularidade cultural”, proposto e apresentado pelo historiador italiano, Carlo Ginzburg, hoje com 86 anos de idade e cujos livros e ideias ainda influenciam sobremaneira a pesquisa histórica. Para fins de reflexão, valho-me de algumas passagens de Kakuzo Okakura: “<em><i>Quando o Ocidente compreenderá ou tentará compreender o Oriente</i></em>?” (p. 32); “(&#8230;) <em><i>O missionário cristão vem para dar e não para receber</i></em>” (p. 33); “(&#8230;) <em><i>O homem branco escarnece de nossa religião e de nossos costumes, mas aceita a bebida marrom [chá] sem hesitar</i></em>” (p. 35); “(&#8230;) <em><i>Diz-se que os gregos eram magníficos porque nunca copiaram os antigos</i></em>” (p. 78). E quem diria que um dia o antigo chá da Índia, da China e do Japão fosse dar no que falar, provocar e mudar! E nesse sentido, o autor foi genial, nessa perspectiva da “circularidade cultural” em afirmar: “(&#8230;) <em><i>A obra-prima é tão nossa quanto nós somos da obra-prima</i></em>” (p. 85).</p>

			</div></div>
<p>Por outro lado, e não sem importância, claro, <strong><em>Memória da Água</em></strong> é uma magistral peça literária de uma escritora finlandesa de nosso tempo, Emmi Itaranta, atualmente com 49 anos de idade. Um olhar europeu sobre a cultura oriental, tendo a água como a sua inspiração, num mundo pós-apocalíptico, dominado pela China, onde a sua escassez a determina como a maior riqueza do mundo e, por isso mesmo, na sua condição de “falta de”, dotada de uma memória de um tempo em que foi abundante e que poderia ter sido melhor cuidada, nos remetendo à máxima que diz que lembrar é poder, tanto quanto esquecer.</p>
<p>E nesse sentido, a autora tece uma intricada e ao mesmo tempo leve e envolvente narrativa em torno da personagem Noria, uma jovem camponesa, filha de um grande Mestre do Chá, que guarda um grande segredo capaz de despertar a ira das autoridades e do governo, autocrata e tirano. Seu estilo literário me vez recordar uma outra leitura e autor que me marcou profundamente, durante meu doutoramento: “Orhan Pamuk” (72 anos, turco, Prêmio Nobel de Literatura de 2006), em seu <em>O livro negro</em>, de 1990. A mesma sutileza e jogo de palavras, com uso de cores, sons e sensações como estes tivessem vida e materialidade, sobretudo em passagens como as a seguir: “(&#8230;) <em><i>A escuridão nos recebeu com um estrondo</i></em>” (p. 15); “<em><i>mergulhar no silêncio</i></em>” (p. 34); “<em><i>sombra paciente</i></em>” (p. 40); “<em><i>silêncio pesado</i></em>” (p. 70); “(&#8230;) <em><i>a palavra fez o tempo parar ao meu redor</i></em>” (p.155).</p>
<p>Em comum entre as obras, para além da temática oriental, estão a água e o chá. São enredos distintos, cada um no seu quadrado (História e Literatura) e ambos se atravessando o tempo todo, que lançam luzes para o nosso tempo, com ensinamentos, reflexões que fariam até mesmo Confúcio para por um instante de escrever e filosofar para pensar, por exemplo, na vida, na necessidade de viver, de dar valor às coisas mais simples e até mesmo banais, como a beleza de uma flor, o sopro solitário do vento, o valor da amizade, enfim, uma infinidade de situações às quais, tento, para fins de conclusão, representar nas seguintes passagens: “(&#8230;) <em><i>Querem o caro, não o refinado; o que está na moda, não o belo</i></em>” (Okakura, p. 90); “(&#8230;) <em><i>Acredito que seja possível mudar a superfície das coisas e ainda assim manter o centro delas intacto. Da mesma forma que é possível manter as aparências, mas cultivar o centro oco</i></em>” (Itaranta, p. 113).</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-89732 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-300x150.png" alt="" width="300" height="150" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-300x150.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-1024x512.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-768x384.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-660x330.png 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-1050x525.png 1050w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280.png 1280w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&#038;title=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/" data-a2a-title="Água pouca, meu chá primeiro"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/">Água pouca, meu chá primeiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
