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	<title>Arquivo para soberba - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 04 Oct 2026 00:49:05 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Soberba ironia</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/soberba-ironia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rocelito Paulo Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2026 05:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Do Titanic ao Titan, de impérios a grandes empresas, a história expõe os riscos de quando poder, competência e autoridade alimentam a ilusão de invulnerabilidade &#160; Por Rocelito Paulo Pinto (*) &#160; Na qualidade de seres pensantes e gregários que somos — ou que, pelo menos, deveríamos ser —, construímos instituições destinadas a preservar a &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsoberba-ironia%2F&amp;linkname=Soberba%20ironia" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsoberba-ironia%2F&amp;linkname=Soberba%20ironia" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsoberba-ironia%2F&amp;linkname=Soberba%20ironia" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsoberba-ironia%2F&amp;linkname=Soberba%20ironia" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsoberba-ironia%2F&#038;title=Soberba%20ironia" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/soberba-ironia/" data-a2a-title="Soberba ironia"></a></p><h4></h4>
<h4><em><span style="color: #008000;">Do Titanic ao Titan, de impérios a grandes empresas, a história expõe os riscos de quando poder, competência e autoridade alimentam a ilusão de invulnerabilidade</span></em></h4>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Rocelito Paulo Pinto (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a qualidade de seres pensantes e gregários que somos — ou que, pelo menos, deveríamos ser —, construímos instituições destinadas a preservar a ordem, defender a sociedade, cultivar tradições e proteger aquilo que conquistamos como humanidade.</p>
<p>Criamos leis, estabelecemos limites, instituímos atribuições e conferimos autoridade a pessoas para que determinadas funções sejam exercidas em benefício da sociedade da qual fazemos parte, para que, assim, sobressaiam a justiça e a equidade que harmonizam as relações. A expectativa de tudo isso é promover a igualdade entre os iguais, perante a lei, e prevenir a supremacia da desigualdade pretendida pelos desiguais.</p>
<p>Tudo prospera até que, num inusitado momento, a autoridade, simulando servir à sociedade, começa a servir-se a si própria. É quando a autoridade deixa de se compreender como instrumento da sociedade e enxerga-se como a própria finalidade, não só da sociedade, mas também da autoridade que deveria exercer.</p>
<p>É nesse momento que se identifica a soberba.</p>
<p>A soberba é o prisma pelo qual a autoridade se conduz, ao acreditar que suas decisões são necessárias e suficientemente corretas; sua posição social a torna superior aos demais; a competência que lhe foi conferida a torna infalível; seu poder a torna invulnerável e inacessível.</p>
<p>Há algo particularmente perigoso neste contexto, do qual nem a autoridade desconfia: a soberba sempre antecede a queda, mas persiste até o último segundo a negar que está diante dela. E assim, o soberbo, quanto mais confiante na própria invulnerabilidade, mais incapaz de perceber os alarmes.</p>
<p>Porém, quando a realidade se apresenta nas suas cores verdadeiras, nada mais se distingue entre a soberba e a derrocada, nem mesmo a inexistência do fundo em um abismo!</p>
<p>É o que se permite deduzir quando se analisa momentos específicos da humanidade no esplendor desumano de sua soberba.</p>
<p><strong>O Titanic representava, no início do século XX, o extraordinário avanço da engenharia naval.</strong> Grande, luxuoso, sofisticado e dotado de recursos de segurança excepcionais para sua época, tornou-se símbolo de uma confiança extraordinária no domínio humano sobre o oceano.</p>
<p>A imagem de que aquele navio era impossibilitado de afundar tornou-se parte de sua história; todavia… o Titanic afundou em sua primeira viagem! Apesar dos vários alertas recebidos sobre a presença de tais perigos, na madrugada de 15 de abril de 1912, na viagem inaugural, após colidir com um iceberg, o navio desapareceu no Atlântico, levando consigo mais de 1.500 vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_101708" aria-describedby="caption-attachment-101708" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-scaled.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-101708 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-scaled.jpg" alt="Titanic" width="2560" height="1753" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-scaled.jpg 2560w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-300x205.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-1024x701.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-768x526.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-1536x1052.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-2048x1402.jpg 2048w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Stower_Titanic-110x75.jpg 110w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-101708" class="wp-caption-text">Naufrágio do Titanic, de Willy Stöwer, ilustração de 1912 &#8211; Wikipedia</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O aspecto mais temerário não estava no iceberg, mas naquilo que um bloco flutuante revelaria: nenhuma tecnologia elimina a vulnerabilidade humana; pode atenuá-la, mas não suprimi-la; pode preveni-la, mas não eliminá-la. Contudo, o inimaginável aconteceu: a tecnologia em sua máxima potência sucumbiria à primitividade de uma montanha em sua patética trajetória errática.</p>
<p><strong>Em 1941, o encouraçado alemão Bismarck, o </strong><em><strong>“Inafundável”</strong>,</em> refletia a expressão máxima do poderio naval alemão. Era enorme, fortemente armado, dotado de motores potentes e estruturado como uma fortaleza para resistir aos torpedos inimigos, sendo considerado uma das máquinas de guerra mais poderosas então construídas.</p>
<p>O encouraçado zarpou em sua primeira missão oficial de combate a 19 de maio de 1941. Oito dias depois, em 27 de maio, o “<em>Inafundável</em>” repousava no fundo do Atlântico Norte.</p>
<p>A lição que se apresenta não está escrita no destino inesperado de um navio. Está na diferença entre aquilo que se projeta como poderoso e o que se percebe como invencível. O fato de ser poderoso não elimina limites nem vulnerabilidades, mas revela uma página de suscetibilidades quando a estratégia contrária não se curva ao peso do poder imposto.</p>
<p>As Sagradas Escrituras apresentam outro exemplo.<strong> O povo de “Sinar” deliberou construir uma torre cujo topo alcançasse os céus.</strong> A imagem é poderosa porque não projeta somente a expressão de uma arquitetura em sua genialidade, mas porque fala da exponencial expectativa humana de superar os limites perceptíveis tão somente pela força da convicção desmedida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_101712" aria-describedby="caption-attachment-101712" style="width: 1155px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-03-114728.png"><img decoding="async" class="wp-image-101712 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-03-114728.png" alt="Torre de Babel" width="1155" height="837" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-03-114728.png 1155w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-03-114728-300x217.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-03-114728-1024x742.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-03-114728-768x557.png 768w" sizes="(max-width: 1155px) 100vw, 1155px" /></a><figcaption id="caption-attachment-101712" class="wp-caption-text">A Torre de Babel por Pieter Bruegel, o Velho (1563) Wikipédia</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O resultado foi uma Torre de Babel consagrada na confusão das línguas e na dispersão dos homens daquela sociedade. A mensagem é simples: há alturas que não se alcançam pela força, pelo orgulho ou pela imposição.</p>
<p><strong>Na mitologia grega, Dédalo constrói asas para fugir da prisão de Creta com seu filho Ícaro.</strong> Antes do voo, o pai o adverte: não deveria voar muito baixo, nem muito alto. Ícaro, fascinado pela própria capacidade de voar, desobedece. Aproxima-se demais do Sol, a cera derrete e ele cai.</p>
<p>A mensagem não é nada sutil: não foi o voo que derrubou Ícaro, foi a incapacidade de reconhecer os limites do próprio voo. A mesma capacidade que permitiria ao homem elevar-se tornar-se-ia o instrumento de sua queda, por não acreditar haver limites para sua ascensão.</p>
<p><strong>O rei Creso, da Lídia, era extraordinariamente rico e poderoso.</strong> Diante da aproximação beligerante de Ciro, rei da Pérsia, Creso procurou o Oráculo de Delfos e recebeu dele uma resposta que poderia ser interpretada de diferentes maneiras: se atravessasse o rio Hális, destruiria um grande império.</p>
<p>Creso acreditou que o império a ser destruído seria o persa. Atravessou o rio, foi derrotado e conheceu, da maneira mais dolorosa possível, que o maior adversário de um grande império nem sempre é o inimigo que ousa romper fronteiras. Aqui encontramos uma forma intelectualmente sofisticada da soberba: Creso não ignorou a informação. Ele a recebeu, mas interpretou-a de acordo com aquilo que desejava acreditar.</p>
<p>A soberba também funciona assim: ela não torna necessariamente o homem surdo, mas o impede, às vezes, de escutar aquilo que contraria suas próprias conveniências.</p>
<p><strong>Em 480 a.C., Xerxes I lançou uma gigantesca invasão contra a Grécia.</strong> Uma tempestade, ao que tudo indica, natural, destruiu uma ponte de barcos que havia sido construída para permitir a passagem de seu exército. Contrariado, segundo a tradição narrada por Heródoto, Xerxes teria ordenado que o mar fosse castigado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_101711" aria-describedby="caption-attachment-101711" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/rei-xerxes.webp"><img decoding="async" class="wp-image-101711 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/rei-xerxes.webp" alt="Rei Xerxes" width="1024" height="805" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/rei-xerxes.webp 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/rei-xerxes-300x236.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/rei-xerxes-768x604.webp 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption id="caption-attachment-101711" class="wp-caption-text">Rei Xerxes ordenou que dessem mil chicoteadas no mar Imagem: IA</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A imagem é extraordinária. O homem soberbo não aceita que a realidade lhe diga “não”, ignora prepotente a própria fragilidade, tenta impor-se contra a natureza em um esforço inútil. Só uma verdade se configura nesse episódio: a de que a realidade não acata o personalismo da autoridade soberba.</p>
<p>Em razão disso,<strong> Napoleão Bonaparte é, talvez, um dos exemplos mais fascinantes</strong>. Não era um chefe incompetente, muito pelo contrário, sua invulgar inteligência militar, sua capacidade estratégica e sua extraordinária habilidade política fizeram dele um dos personagens históricos mais estudados.</p>
<p>E justamente por isso seu exemplo é tão importante, porque demonstra que a autoridade, ao tornar-se soberba, deixa de reconhecer os limites da própria competência.</p>
<p>Em 1812, Napoleão invadiu a Rússia. Distâncias imensas, dificuldades logísticas, escassez de suprimentos, desgaste das tropas, retirada estratégica dos russos e o rigor do inverno transformaram a campanha em uma catástrofe. Depois veio a Batalha de Waterloo e a soberba o destituiu da autoridade que exercia.</p>
<p>Napoleão não fracassou porque era incapaz. Fracassou, em grande medida, porque sua extraordinária competência alimentou a convicção de que sua estratégia superaria qualquer obstáculo, atestando que aquilo que nos torna grandes, pela soberba, pode se transformar no degrau que nos derruba.</p>
<p><strong>Em 1588, Filipe II da Espanha enviou contra a Inglaterra uma gigantesca frota naval.</strong> A história a consagraria como a <em>“Armada Invencível”</em>. A ironia surge irresistível diante dessa lógica inusitada: a estratégia inglesa, as dificuldades logísticas, os problemas de comunicação, as tempestades e as próprias limitações do plano de invasão contribuíram para o fracasso, e a <em>“Armada Invencível”</em> foi derrotada.</p>
<p>A expressão “<em>invencível</em>” carrega consigo uma perigosa certeza e talvez essa seja uma das características mais perversas da soberba, porque ela transforma uma qualidade em identidade: não basta ser forte, é preciso ser <em>“o mais forte”</em>; não basta vencer, é preciso ser <em>“invencível”</em>.</p>
<p><strong>Em 28 de janeiro de 1986, o ônibus espacial Challenger explodiu pouco depois do lançamento.</strong> Sete astronautas faleceram. O mais doloroso é que havia sinais anteriores de que algo não estava correto e, se não fosse a certeza soberba, essas vidas poderiam ter sido poupadas.</p>
<p>Os engenheiros já conheciam os problemas relacionados aos anéis de vedação dos foguetes. Havia também preocupações relacionadas às baixas temperaturas no dia do lançamento. Mesmo assim, a missão foi autorizada por quem possuía autoridade para adiá-la.</p>
<p>A investigação posterior demonstrou que o problema não se restringia a uma falha mecânica, mas decorria muito mais de uma falha de decisão, em razão de uma cultura organizacional que havia aprendido a conviver com riscos crescentes porque, em ocasiões anteriores, e similares, nada havia acontecido.</p>
<p>E aí nos deparamos com uma das menções mais perigosas quando pronunciadas no escopo de uma organização: <em>“Já fizemos isso antes e nada aconteceu.”</em> O fato de termos sobrevivido ao risco ontem não significa que estaremos protegidos dele amanhã.</p>
<p><strong>Em 26 de abril de 1986, ocorreu o desastre de Chernobyl.</strong> Falhas de projeto, procedimentos inadequados, decisões operacionais, problemas de comunicação, pressão organizacional e desprezo por sinais de alerta compuseram uma cadeia de acontecimentos que terminou em uma das principais tragédias nucleares da humanidade.</p>
<p>Porém, antes da explosão, surgiu uma expressão que mereceria atenção porque comunga numa só ação confiança e descaso, soberba e desprezo: <em>“Está sob controle.”</em></p>
<p>Quantas tragédias prosperam exatamente assim? Alguém vê o problema, alguém alerta, alguém responde: <em>“Está sob controle.” </em>Até que a realidade, não podendo mais ser ignorada, vem e pergunta: <em>“Sob controle de quem?”</em></p>
<p><strong>Em 2008, o Lehman Brothers entrou em falência.</strong> Era uma instituição gigantesca, cercada por sistemas de gerenciamento, políticas, controles e monitoramento de riscos que apresentavam indicadores referenciados entre os mais respeitados. Mas havia uma crença por trás de tudo aquilo: <em>“a empresa era grande demais para quebrar!”</em><em>.</em> Quebrou…</p>
<p>E a análise econômica aponta um indicador preocupante, que vale para qualquer instituição: não existe tamanho suficiente para tornar uma autoridade ou uma instituição imune às consequências de seus próprios erros. Ou seja, nem toda soberba termina em tragédia humana.</p>
<p><strong>O Concorde foi uma das principais conquistas da engenharia aeronáutica do século XX</strong>: voava acima da velocidade do som, ligava Londres a Nova York em três horas e meia, o que permitia decolar do aeroporto britânico após o pôr do sol e pousar no americano ainda de dia, na mesma data.</p>
<p>Era o símbolo de luxo, tecnologia e velocidade. Mas também enfrentava limitações econômicas, ambientais e operacionais. A tecnologia era extraordinária, porém, o modelo econômico adotado não conseguiu sustentá-la. E isso nos ensina outra coisa: ser tecnicamente possível não significa ser economicamente viável.</p>
<p><strong>A Eastman Kodak Company</strong> dominou o mercado mundial da fotografia durante décadas. No entanto, a imagem que se eternizou em sua história é a de uma cruel ironia: em 1975, um de seus engenheiros, Steven Sasson, desenvolveu uma das primeiras câmeras digitais, produzindo uma tecnologia que revolucionaria o futuro da sociedade.</p>
<p>Mas o sucesso do passado dificultaria a aceitação do futuro. A Kodak não ignorava o potencial da nova tecnologia, mas ela não conseguiu compreender o que aquela tecnologia significava para o seu próprio modelo de negócio. Acabou se tornando vítima do próprio sucesso. A nova tecnologia se desenvolveu e dominou a sociedade. A Kodak, perdida em sua própria imagem, inventaria o futuro, mas entraria em crise e conheceria a falência.</p>
<p>Muitas vezes, não é a iminência do fracasso que nos impede de mudar, mas a crença no sucesso inabalável que alimenta a soberba.</p>
<p><strong>A Blockbuster dominava o mercado de locação de filmes.</strong> Enquanto isso, a Netflix era uma empresa pequena de aluguel de DVDs pelo correio. O mundo mudou. A sociedade do consumo se reformulou rapidamente. A Netflix percebeu a velocidade dessa mudança, mas a Blockbuster, presa ao tamanho do próprio império, não conseguiu acompanhá-la. O resultado, todos conhecemos: uma desapareceu, a outra transformou-se em uma das mais expressivas plataformas de entretenimento do mundo.</p>
<p>A lição aqui observada é a de que a soberba olha para o tamanho e para a força, enquanto a inteligência olha para o horizonte e para a necessidade de alteração de rumo.</p>
<p><strong>O Império Romano atingiu dimensões extraordinárias.</strong> Seu poder militar, político, econômico e cultural dominou vastos territórios, mas… cresceu tanto que se transformou numa espécie de polvo sem conexão com os tentáculos.</p>
<p>Em 395, o Império Romano foi definitivamente dividido entre Oriente e Ocidente. Em 476, Rômulo Augústulo foi deposto, tornando-se marco tradicional utilizado para assinalar a queda do Império Romano do Ocidente.</p>
<p>A Roma eterna não desapareceu em um único dia. Foi se transformando, foi envelhecendo, foi perdendo sua capacidade de sustentar aquilo que havia construído. E essa talvez seja uma das mais significativas lições de Roma: nenhuma civilização se torna eterna apenas porque acredita ser.</p>
<p><strong>Em junho de 2023, o submersível Titan, da OceanGate, implodiu </strong>durante uma expedição aos destroços do Titanic. Cinco pessoas pereceram. O episódio trouxe novamente ao debate temas como engenharia, certificação, limites experimentais, advertências de especialistas e excesso de confiança.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_101716" aria-describedby="caption-attachment-101716" style="width: 1909px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-101716 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor.jpg" alt="Destroços do Titan no leito do oceano" width="1909" height="1080" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor.jpg 1909w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor-300x170.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor-1024x579.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor-768x434.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Titan_submersible_on_the_ocean_floor-1536x869.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1909px) 100vw, 1909px" /></a><figcaption id="caption-attachment-101716" class="wp-caption-text">Destroços do Titan no leito do oceano Foto: United States Coast Guard/Wikipédia</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um século após a humanidade construir um navio que atravessaria incólume o oceano e conheceria o limite de sua própria segurança, a mesma humanidade desceria ao fundo do mesmo oceano para visitar seus destroços, se deparando novamente com a mesma lição: a de que o ser humano pode ampliar seus limites, mas não pode eliminá-los.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><em><strong>Mas, afinal, quando surge a soberba?</strong></em></p>
<p>Não precisamos procurar grandes impérios, navios, guerras, empresas ou catástrofes para encontrá-la. <strong>A soberba se apresenta quando alguém transforma conhecimento em onisciência; poder em onipotência; riqueza em invulnerabilidade; cargo em superioridade; beleza em distinção; inteligência em infalibilidade.</strong></p>

			</div></div>
<p>O mecanismo é quase sempre o mesmo. Primeiro: <em>“Eu consigo.”  </em>Depois: <em>“Eu sei.” </em>Em seguida: <em>“Eu controlo.”</em> Então: <em>“Isso não acontecerá comigo.”</em> Até que a realidade responde: <em>“Aconteceu.”</em></p>
<p>A soberba não consiste em acreditar que podemos alcançar as alturas; consiste em acreditar que, chegando lá, não haveremos de cair. A soberba não consiste no fato de nos tornarmos poderosos; consiste em acreditar que o nosso poder é infalível. E talvez seja por isso que a soberba seja tão perigosa para quem exerce autoridade.</p>
<p>A atribuição de autoridade não existe para servir à autoridade instituída: existe para servir à sociedade. Instituições não são construídas para proteger seus dirigentes: são construídas para proteger aqueles que lhes conferiram legitimidade.</p>
<p>Quando uma autoridade passa a considerar-se acima da crítica, acima das regras e acima dos limites, ela deixa de exercer poder em nome de uma instituição e começa a exercer poder em nome de si mesma. É aí que a instituição começa a adoecer. É aí que a autoridade começa a transformar-se em ídolo, e todo ídolo, ou mais cedo ou mais tarde, encontra alguém que percebe que ele é feito de matéria humana, ocasião em que a admiração dá lugar à decepção.</p>
<p>Ademais, autoridade não se confunde com liderança. Liderança não nasce do privilégio do berço, não se impõe com o cargo, não decorre da patente, não se produz pela riqueza. Liderança se constrói: com conhecimento, mas também com humildade; com autoridade, mas também com responsabilidade; com coragem, mas também com prudência; com convicção, mas também com a capacidade de ouvir quem dela discorda.</p>
<p>O líder não é aquele que acredita não poder cair; é aquele que sabe da possibilidade de cair e, por isso mesmo, olha para onde pisa e caminha por onde olha. Já o sábio é aquele que tem consciência de que a sociedade é uma construção humana permanente e, a si, confere o poder de conhecer novas tecnologias e formas de conhecimento, sem permitir que elas corrompam sua essência.</p>
<p>Mas a liderança sábia somente será verdadeiramente admirável quando compreender que igualdade significa respeito às diferenças de opiniões e sentimentos, sem que elas se transformem em adversidade; que fraternidade se conjuga com tolerância e dignidade, mas não se prostitui com a fraqueza de caráter; que liberdade se traduz na justa compreensão de que o direito de cada um encontra-se limitado pelo direito do outro.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Talvez seja essa a grande vacina contra a soberba: lembrar que somos grandes o suficiente para construir, mas humanos demais para sermos invulneráveis.</p>

			</div></div>
<p>A história já nos ensinou, inúmeras vezes: o Titanic naufragou; o Bismarck afundou; a Armada “Invencível” foi vencida; Napoleão foi deposto; Challenger explodiu; Chernobyl colapsou; Lehman Brothers quebrou; Kodak desapareceu da fotografia; Blockbuster saiu de cena; Roma se reduziu a um reino de ruínas históricas.</p>
<p>E, no fundo do oceano, o Titanic repousa feito um monumento silencioso à maior de todas as ilusões humanas: a de que alguma coisa construída pela humanidade pode torná-la maior do que seus próprios limites.</p>
<p>Quando a soberba diz: <em>“Eu sou grande demais para cair”,</em> a sabedoria responde: <em>“É hora de olhar para baixo”</em>. Cumpre à autoridade instituída decidir sobre o que ouve, para poder escutar as razões que a mantêm nas alturas ou as que a impulsionam para o abismo.</p>
<p>É a ação da autoridade que demonstra ser ela escrava da soberba ou discípula da sabedoria. E, se ela servir à sociedade que lhe cabe liderar e defender, proteger e fazer evoluir, conhecerá o respeito e a admiração da humanidade. Mas, se ela se serve da sociedade para a sua própria defesa e proteção, conhecerá o peso da dor e a força da negação daqueles a quem escravizou com sua prepotência.</p>
<p>Porém, o mais catastrófico não é o fim soberbo a que se condena a autoridade invigilante, mas sim o destino de uma sociedade que agoniza impotente sob a pressão secular do oceano de leviandades; ou da que perece nas batalhas fomentadas na estratégia do orgulho dos que as comandam como rês a caminho do abatedouro; ou da que se extingue nas chamas de uma energia que não se controla pelo impulso da vontade.</p>
<p>A história da humanidade, de alguma forma, se desenvolve, mas do Titanic ao Titan, a soberba sempre se repete. Roma não espelha mais o império que já foi; todavia, ainda se observam “Napoleões” que, na sua soberba nuclear, se mantêm na confiança de que o Oráculo esteja equivocado em sua fotografia.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Os sete pecados capitais que não são capitais!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/os-sete-pecados-capitais-que-nao-sao-capitais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rocelito Paulo Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jan 2024 11:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rocelito Paulo Pinto (*) “O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos.”  Cícero &#160; Sete é um número mágico. Tudo o que se completa, tudo o que em si mesmo é suficiente, está ligado ao sete. Por exemplo, a música: são sete as notas musicais, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Rocelito Paulo Pinto (*)</p></blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos.”</em></p>
<p style="text-align: right;"> Cícero</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ete é um número mágico. Tudo o que se completa, tudo o que em si mesmo é suficiente, está ligado ao sete.</p>
<p>Por exemplo, a música: são sete as notas musicais, todavia, infinitas as possibilidades, desde hinos de louvor à genialidade (Mozart, Beethoven, Antônio Carlos Gomes, Villa Lobos, Jorge Aragão, Patativa do Ceará, Américo Seixas, Manuca Almeida&#8230;) a ritmos execráveis, verdadeiros tributos à esculhambação, que só de ouvir já é pecado!</p>
<p>O calendário: são sete os dias da semana, com os quais se constroem séculos, milênios; entretanto, a marcha do tempo é inoxidável, pois há incertos pecadores em certos lugares que não morrem nunca, nem quando estão mortos, e os seus pecados são publicados assim, na calada da noite, infernizando a vida de todos os mortais! Inexorável? Só a paciência e a ignorância.</p>
<p>As artes: seriam em sete ou já foram em sete, no entanto, há tanta porcaria por aí sendo chamada de arte, que já não há como se separar a arte da porcaria ou a porcaria da arte, e a artilharia pirotécnica de fogos de artifícios, com a qual é promovida, se reveste de uma artimanha tão eficaz que torna eficiente a articulação sobre a arte, que se faz mais artística que a própria arte propagada, tão poderosa que transforma mero artrópode em artista, artefatos em escultura e o espectador em quadrúpede, num jogo de um artificialismo tão mágico que seria pecado se a referida arte se tornasse viva&#8230; Haja maldade com a arte!</p>
<p>São sete as cores do arco-íris, todavia, como o arco-íris está sendo continuamente ressignificado, e talvez isso não seja pecado, aquele fenômeno natural, que se arqueia após a chuva, está perdendo o seu encanto como arte e parar para contemplá-lo talvez seja um pecado quase capital&#8230; Pobre dessas crianças que não conhecem mais a arte de correr atrás de um arco-íris, que pecado!</p>
<p>A filosofia também tem a sua relação com o sete: são apenas sete os sábios da Grécia antiga, todos gregos! Por quê? Quem sabe?&#8230; Mas, com certeza, se não fossem gregos não seriam sábios! Foram eles, sem dúvida, que ajudaram a eleger as sete virtudes humanas: esperança, fortaleza, prudência, amor, justiça, temperança e fé, e por causa delas inventou-se o pecado, mas ainda sempre vale a pena contemplá-las!</p>
<p><strong>Esperança</strong>, a última que morre (e por isso não pode virar sogra!), sustentando até o fim as expectativas mais improváveis. <strong>Fortaleza</strong>: constrangimento de engenheiros e arquitetos que projetam os cárceres prisionais. <strong>Prudência</strong>, preserva os dentes ante o pecado de se viver no seio da comunidade do politicamente correto (ou seria incorreto?). <strong>Amor</strong>, ficção científica que antecede à arte de copular e que é eterna enquanto dura o dinheiro. <strong>Justiça</strong>, fenômeno inexplicável e não empírico em certas regiões fictícias que praticam o idioma de raiz lusitana. <strong>Temperança</strong>, local romântico onde se guarda aromáticos culinários que equilibram o gosto da vida em todas as dimensões. <strong>Fé</strong>, conceito subjetivo e inexplicável que produz o fenômeno que relaciona o simples pecador ao pecado que o fascina, produzindo a essência de suas crenças e nas quais se justifica os seus atos. Quer um exemplo? A fé nas “<em>fake news” </em>a justificar os poderes do deus do cancelamento.</p>
<p>A Ciência também tem sua fenomenologia nas suas sete propriedades. <strong>Inércia</strong>, propriedade da nulidade da força de aceleração. <strong>Massa</strong>, inversão da derivada segunda de sua energia em relação ao seu momento. <strong>Extensão</strong>, atributo de tudo o que ocupa lugar no espaço. <strong>Impenetrabilidade</strong>: aquela coisa que, exceto no trânsito, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. <strong>Divisibilidade</strong>, dado que um elemento pode ser reduzido a termos até o limite da tecnologia existente. <strong>Compressibilidade</strong>, variação do volume por unidade de variação sob determinado conjunto de forças de pressão. <strong>Descontinuidade</strong>: interrupção de um processo ou padrão.</p>
<p>A Política, conforme aquela Grécia Antiga dos sete sábios gregos, como toda boa arte científica, também tem as suas sete propriedades. <strong>Inércia</strong>, qualidade que caracteriza grande parte da classe política (que fique bem entendido: aquela lá daquela Grécia!). <strong>Massa</strong>, volume útil e manobrável para fazer manifestações que interessam a certos grupos incertos e não sabidos em interesses nunca revelados e sempre negados. <strong>Extensão</strong>, capacidade de influenciar seguidores e de cancelar divergentes. <strong>Impenetrabilidade</strong>, quando dois pensamentos políticos não podem ocupar o mesmo Olimpo. <strong>Divisibilidade</strong>: dado que a importância de um empresário ou de uma empresa pública pode ser reduzida a termos de vantagens não contabilizáveis até a ganância do interessado. <strong>Compressibilidade</strong>, variação do volume de recursos a serem almejados por unidade de nichos a serem enganados sob determinado conjunto de forças de opressão. <strong>Descontinuidade</strong>, interrupção de um pensamento ou uma ideologia contrária, popularizada como cancelamento.</p>
<figure id="attachment_73893" aria-describedby="caption-attachment-73893" style="width: 249px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/christ-6165715_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-73893 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/christ-6165715_1280-249x300.png" alt="" width="249" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/christ-6165715_1280-249x300.png 249w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/christ-6165715_1280-849x1024.png 849w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/christ-6165715_1280-768x927.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/christ-6165715_1280.png 1061w" sizes="auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73893" class="wp-caption-text">Cristo Redentor Imagem: Pixabay</figcaption></figure>
<p>Também são sete as maravilhas do mundo antigo, mas como nenhum sábio moderno ou contemporâneo conhecia mais nenhuma dessas sete maravilhas, em sete de julho de dois mil e sete, também conhecido como 07/07/07, foram eleitas as sete maravilhas do mundo moderno, e para o nosso deleite, o Cristo Redentor, uma das maiores estátuas do mundo, arte brasileira construída em solo francês, desenhada por um romeno, iluminada por um italiano, é uma dessas sete maravilhas&#8230;</p>
<p>Não obstante, o projeto do Cristo Redentor é uma maravilha de aprimoramento de ideias, pensado inicialmente como homenagem ao ato da assinatura da Lei de extinção da escravatura, alusivo à Redentora, que em 2 de agosto de 1888 teria se recusado ao feito e declinado da homenagem, declarando que a referida deferência deveria ser dirigida ao verdadeiro Redentor dos homens, fato que se tornou ideológico no papel em 1920, materializado em pedra sabão em 1931. O tempo, como sempre, a cada sete dias, é o senhor de tudo!</p>
<p>Também são em sete os sete pecados capitais. Quer dizer, não, nem sempre! Os sete pecados capitais já foram oito e isso porque foram tornados capitais para constituírem a elite dos pecados, tão potentes e tão audaciosos que foram isolados dos pecados originais e dos pecados veniais&#8230; O pecado original é aquele não cometido pelo seu detentor, mas com ele agraciado ao nascer, um pecado hereditário. O pecado venial é um pecado, porém não é um pecado, quer dizer, é um pecadinho, desses que não levam para o inferno, mas podem atrasar o céu&#8230;</p>
<p>Já os sete pecados capitais seriam os capitais, estariam na cabeça, seriam os capitães dos pecados, porque ao cometê-los, cometer-se-ia indubitavelmente, por osmose, vários outros pecados juntos, mas por economia processual, omite-se os pecados correlacionados, escolhe-se o capital, e pronto: <em>“teje” </em>no inferno! E sem direito a sursis!</p>
<p>Todavia, até os sete pecados capitais já não são mais tão capitais assim: depende de onde, de quem e por que os comete&#8230;</p>
<figure id="attachment_73873" aria-describedby="caption-attachment-73873" style="width: 344px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/sete-pecados-capitais.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-73873" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/sete-pecados-capitais-300x200.webp" alt="" width="344" height="229" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/sete-pecados-capitais-300x200.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/sete-pecados-capitais-310x205.webp 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/sete-pecados-capitais.webp 600w" sizes="auto, (max-width: 344px) 100vw, 344px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73873" class="wp-caption-text">Site: educacao.umcomo.com.br</figcaption></figure>
<p>O primeiro pecado capital seria a <strong><em>acedia</em></strong><em>, </em>preguiça, ou aquele estado de morosidade, ou de negligência, que denota uma inatividade estridente. Seria, antigamente, hoje não é mais pecado! Por exemplo: em algum lugar do Pacífico a sensação de justiça na justiça permite uma percepção de morosidade, às vezes de negligência até, mas jamais de preguiça&#8230; Lá, em algum lugar do Pacífico, quando se é amigo do rei não existe culpa nem dolo, e o feitiço sempre vira contra o feiticeiro, e em alguns momentos tem até lado, sob o qual se sentencia: <em>“aos amigos do rei, todos os favores, aos não amigos do rei, até os rigores da lei!”</em></p>
<p>Mas tanto é que <em>acedia </em>não é pecado, que a sua virtude contrária seria a diligência; porém, a tecnologia já a substituiu por automotores propelidos por ação mecânica ativada por combustão química hidrocarbonada homogeneizada com oxigênio, e algumas vezes não passa de uma ação da polícia esclarecendo detalhes de inquéritos. Diligência, na verdade, é uma saudade que transita em filme de faroeste, desses que as balas não acabam, os xerifes não morrem e tem sempre um piano sendo  tocado no “<em>saloon”</em>.</p>
<p>O segundo pecado seria a <strong><em>avaritia, </em></strong>avareza ou ganância, apego excessivo, ou desejo descontrolado de possuir tudo. Seria! Pode não ser pecado! Se fosse pecado, os agentes políticos de <em>Isentosfera do Leste </em>não poderiam nunca se tornar políticos, pois lá, o requisito para a política é a ganância, sem a qual não haveria política e sim pecado capital e capitular&#8230; E nem sempre a avareza seria só por dinheiro, também poderia ser por poder, pela eternidade, pela lacração. Ainda bem que não moramos em <em>Isentosfera do Leste</em>. A virtude oposta à <em>avaritia </em>seria generosidade, que, se presente, seria provavelmente menor que os interesses ocultos, tanto que alguns santos generosos sempre ficam ainda mais prósperos depois que operarem milagres, além de angariar fiéis devotos e leais votos que os seguem por toda a eternidade política.</p>
<p>O terceiro pecado seria a <strong>gula</strong>, em latim e em português, apetite insaciável por comida ou por bebida&#8230; A gula é uma forma extravagante do egoísmo pelo fato do pecador ansiar por uma cota maior que a sua própria natureza física seja capaz de admitir&#8230; Se confunde com a ausência de empatia com aqueles que se submetem a regime de escassa oferta por livre e espontânea pressão ou por simples impedimentos pecuniários. Mas o que faz a gula não ser pecado, é justamente a sua virtude oposta, que é a moderação, pelo fato de que não há uma régua que meça o nível máximo ou mínimo de moderação, sendo, esta, peculiar a cada pessoa. Há seres que se tornam moderados digerindo um ovo frito, e há outros que permanecem moderados, após terem devorado uma granja&#8230;</p>
<p>O quarto, dos sete pecados, seria <strong><em>invidia</em></strong><em>,</em> a clássica inveja, desejo exacerbado por posses, situação social, habilidades que outras pessoas têm ou exercem&#8230; O problema é que a inveja impede os seus agentes de reconhecerem suas próprias realizações e sua própria insignificância para se inspirar na insignificância alheia. Sua virtude contrária seria a caridade, mas os que a praticam são os religiosos e os maçons, quando a praticam. Aqueles que a praticam, e não são religiosos ou maçons, o fazem ou por política, ou por inveja dos religiosos e dos maçons.</p>
<p>O quinto e antepenúltimo pecado seria a <strong><em>ira</em></strong>, em latim e em português, a manifestação do sentimento de ódio contra algo ou alguém. Se isso fosse pecado, não seria normal encontrar na mídia expressões como “<em>gabinete do ódio</em>, <em>ódio do bem, bancada da bala, cancelamento de cê pê efe, gado, jumência, terroristas, antidemocráticos, misoginia, antissemitismo”&#8230; </em></p>
<p>Se a ira fosse pecado, nós não teríamos guerra de humanos contra humanos, no entanto, desde que o mundo é mundo, o mundo sempre esteve em guerra, e pior, a história do mundo é contada em guerras. A virtude contrária seria a paciência, mas como descrever a paciência senão como a capacidade que alguém tenha para ler e refletir sobre tudo isso que se encontra escrito aqui?</p>
<p>O sexto e penúltimo pecado seria <strong><em>luxuria</em></strong>, luxúria, ou o desejo passional e egoísta pelo prazer sensual e material&#8230; mas, sinceramente, quando é que a libido seria altruísta? Machado de Assis teria dito que <em>“Deus, para felicidade do homem, inventou a fé e o amor e o diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento”</em>.</p>
<p>Aprende-se na religião que sexo fora do casamento seria luxúria. Aprende-se na escola que sexo é natureza. Aprende-se nos Códigos Penais que sexo pode ser estupro ou atentado ao pudor. Aprende-se nos cartórios que casamento é responsabilidade das testemunhas. Aprende-se na televisão que o sexo é explosão. Aprende-se com os donos de empreendimentos de hospedagem e entretenimento de alta rotatividade que sexo é livre. Aprende-se na maternidade que sexo é caro pecuniária e socialmente. É como diriam os jovens: É cópula!</p>
<p>O sétimo e último pecado seria <strong><em>superbia</em></strong>, soberba ou orgulho. Esse, se fosse pecado, seria o pecado capital de todos os pecados capitais. Quer dizer, é pecado, sim, mas não é pecado quando se é autoridade (<em>Você sabe com quem está falando?), </em>poderoso <em>(Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!)</em>, político <em>(Eu fui eleito com trezentos milhões de votos!),</em> especialista <em>(Mais realista que o rei!), </em>importante <em>(Com o rei na barriga!)</em>, membro da nobreza <em>(Recolha-se à sua insignificância!), </em>valente <em>(Dou um bife para não entrar numa briga, dou um rebanho para sair dela!), </em>empoderado <em>(Meu corpo, minhas regras!),</em> artista <em>(Quero inventar o meu próprio pecado, quero morrer do meu próprio veneno&#8230;) </em>ou bonitão <em>(A última bolacha do pacote!).</em></p>
<p>A virtude contrária à soberba seria a humildade, mas quem seriam os humildes? Não digam que são os pobres, porque existe muito “<em>pobre com soberba!”&#8230; </em>Não digam que seriam os miseráveis, porque aí seria segregação social&#8230; Quem seriam os humildes?</p>
<p>Há quem diga que tudo isso seria irrelevante, porque o mundo se modernizou&#8230; Mas agora, quase concluindo, descobrimos sete pecados capitais com aval do Mahatma Gandhi: <em>“</em><em>Os sete pecados capitais responsáveis pelas injustiças sociais são: riqueza sem trabalho</em><em>,</em><em> prazeres sem escrúpulos</em><em>,</em> <em>conhecimento sem sabedoria</em><em>,</em><em> comércio sem moral</em><em>,</em><em> política sem idealismo</em><em>,</em><em> religião sem sacrifício e ciência sem humanismo.</em><em>” </em>Cacetada, haja pecado debaixo da linha do Equador!</p>
<p>E para piorar, Khaled Hosseini (O Caçador de Pipas) manda essa: “<em>Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça&#8230;</em><em>”</em></p>
<p>Esperto é o gato que tem sete vidas e não precisa refletir sobre nada disto!</p>
<p>E pensar que tudo isso um dia vai parar debaixo de sete palmos, com ou sem os sete pecados capitais&#8230;</p>
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