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	<title>Arquivo para saudade - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Quando o amor vira saudade</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/quando-o-amor-vira-saudade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 17:48:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Silêncio, uma mãe partiu. Quando uma mãe parte, o mundo fica mais triste. Disse um poeta que “as mães não deveriam morrer nunca, poderiam ser eternas”. Infelizmente, não é assim. Perdi minha mãe quando tinha 17 anos. Faz 49 anos que ela partiu, dormindo, de um infarto fulminante. &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ilêncio, uma mãe partiu. Quando uma mãe parte, o mundo fica mais triste. Disse um poeta que “as mães não deveriam morrer nunca, poderiam ser eternas”. Infelizmente, não é assim.</p>
<p>Perdi minha mãe quando tinha 17 anos. Faz 49 anos que ela partiu, dormindo, de um infarto fulminante. O coração de minha mãe não aguentou. O tempo passou, e a saudade só aumenta. No outono da vida, velho, sou órfão de mãe. Carente do seu amor, de seu zelo, de seu cuidar, de seu olhar. O tempo, esse senhor impiedoso, que nunca para, levando tudo para frente, tenta me afastar de minha mãe. Minha memória, todos os dias, a traz de volta. Até hoje, quando algo não dá certo, quando tudo fica turvo, era no colo de minha mãe que gostaria de me abrigar. Ali estaria seguro.</p>
<p>Não há no mundo amor maior do que o de mãe. São elas que nos geram em seus ventres, são elas que nos protegem de todos os males. Dizem que o tempo arrefece a saudade; não é verdade. O tempo apenas nos ensina a seguir em frente, mutilado, sem sua presença, no caminhar necessário para o continuar da vida.</p>
<p>São as mães que colocam na mesa o prato favorito dos filhos quando regressam. São elas que guardam as fotografias de quando somos pequenos, sempre lembrando que nunca deixamos de ser criança para elas. Elas conhecem todos os nossos gostos. Somente as mães rezam todas as noites por suas crias, como se a oração pudesse protegê-los do mundo. Porque, no fundo do coração, uma mãe nunca deixa de se preocupar. Os filhos já adultos, elas aprendem a fazê-lo a partir da sombra. Do canto. Da oração em silêncio. É uma forma de amor invisível, mas que sustenta tudo.</p>
<p>Ser mãe de um filho adulto é aceitar que já não é o centro da vida dele…. e, mesmo assim, amá-lo como se ainda fosse. Porque existe um amor que nunca desaparece — apenas aprende a esperar pacientemente. Esse é o amor de mãe. Em silêncio.</p>
<p>Há presenças que não precisam de palavras para fazerem sentido. Basta saber que estão ali, mesmo em silêncio, mesmo à distância, para que o peso dos dias difíceis se torne mais leve. As pessoas que amamos, e que nos amam, funcionam como âncoras silenciosas: não evitam a tempestade, mas impedem que nos percamos no meio dela. A mera existência delas na nossa vida suaviza os impactos, dá novo fôlego à esperança e devolve-nos a certeza de que não estamos sós, mesmo quando tudo parece desabar. É no afeto partilhado que encontramos refúgio. É na presença sentida que renascemos.</p>
<p>A verdade é que a vida tem uma habilidade invejável de desmentir nossas convicções. A certeza, essa senhora elegante que costuma nos acompanhar com ar de sabedoria, vira e mexe nos abandona na beira da estrada. Às vezes, ela até muda de lado e passa a ser exatamente a certeza que a gente mais temia, a que não queria, a que preferia nunca ter sabido. E quando ela chega, com a força cruel das constatações inevitáveis, tem o gosto amargo das palavras que evitamos, dos sinais que ignoramos, das intuições que sufocamos.</p>
<p>A verdade é que ninguém nos prepara para o silêncio que açoita quando uma mãe parte, deixando respostas nunca respondidas para trás&#8230;</p>
<p>Não é só o silêncio do quarto vazio, do lugar à mesa… mas aquele que se instala suavemente no coração. Quando já não temos a quem pedir um conselho, a quem perguntar o que fazer…</p>
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<p>Nesta hora em que o amor atende pelo nome de saudade… quero deixar meu abraço para Renato, Lereno e Rinaldo — meu poeta amigo —, e dizer que vocês tiveram o privilégio, a honra e a dádiva de terem a melhor mãe do mundo, presente de DEUS.  Dona Gercina partiu, deixando de viver entre nós para viver em nós. E em todos aqueles que desfrutaram de sua companhia mansa, serena e sábia.</p>

			</div></div>
<p>Parafraseando Santo Agostinho, digo: “A tristeza de perdê-la não diminui a alegria de tê-la”.  Que DEUS console vossos corações: Renato, Lereno e Rinaldo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Mãe é única, não tem cópia</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/mae-e-unica-nao-tem-copia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 May 2025 11:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[abraçado]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; A palavra mãe é um substantivo, mas bem que poderia ser um verbo. Mãe é cuidar, brigar, chorar, brincar, sorrir, ajudar, mudar, se preocupar, proteger, acalentar. Mãe é a essência do amor. Quando Deus quis enviar seu único filho à terra para nos salvar, fez através &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span> palavra mãe é um substantivo, mas bem que poderia ser um verbo. Mãe é cuidar, brigar, chorar, brincar, sorrir, ajudar, mudar, se preocupar, proteger, acalentar.</p>
<p>Mãe é a essência do amor. Quando Deus quis enviar seu único filho à terra para nos salvar, fez através de uma mulher. Maria, mãe de Jesus, é símbolo máximo de amor.</p>
<p>Tive o privilégio de vir ao mundo através de uma mulher forte, decidida, generosa, trabalhadora, guerreira; mas, acima de tudo, amorosa e zelosa, que partiu cedo, aos 43 anos, de um infarto fulminante, enquanto dormia, grávida do sétimo filho.</p>
<p>Saudade é o amor que fica. Eu era um garoto de 17 anos quando foi abruptamente cortado nosso cordão umbilical. Até hoje, 49 anos depois, a saudade e sua falta são enormes. Após sua partida a vida seguiu seu curso; tive que aprender a viver sem sua presença física, buscando na memória seu exemplo, sua força, sua garra de viver. Quando ainda não existia o termo “empoderada”, que só recentemente entrou na moda, minha mãe já era. Mãe de seis filhos, uma escadinha, paridos um após o outro, se graduou em Educação, aos 40 anos, na década de 70. Educadora, lecionava em três turnos, em lugares diferentes, para dar o melhor para nós.</p>
<p>Uma noite, enquanto dormia, novembro/76, o coração não resistiu, e ela partiu.</p>
<p>Sem ser Economista, minha mãe sabia como ninguém multiplicar dinheiro. Sou de uma época em que as mães iam aos armazéns, como eram chamadas as lojas que vendiam fazenda, ou tecidos, com aviamentos; levava para a costureira, que fazia roupas para toda a família, além de capa para sofá, colcha de cama e cortinas. Nunca faltou dinheiro para que todos andassem limpinhos, cheirosos e bem vestidos. Época de comprar na quitanda do bairro, anotar no caderno os gêneros de primeira necessidade, pagos no final do mês. Não existia cartão de crédito.</p>
<p>Aos domingos, todos banhados e areados, prontos para assistir à missa, nas primeiras horas do dia. Visitar os parentes abonados no final da tarde, onde esperávamos ansiosos pela hora do bolo com refresco e/ou Cola Jesus. Decepção, era quando ao visitar parentes ou amigos de papai e mamãe, saía apenas um cafezinho. Quando criança não gostava de café; hoje reúno amigos e familiares entorno de mesas de café da tarde. Tudo muda com o tempo.</p>
<p>Com tanta violência no mundo, especialmente contra as mulheres, fico a pensar que mundo louco. Metade do mundo é feito de mulheres, a outra metade saiu de dentro de uma delas. São vocês mulheres, com seus ventres que povoam o mundo, são vocês mulheres que colorem o mundo, o amor de vocês mulheres que salva o mundo. O amor de mãe é incondicional, sublime, ultrapassa todos os limites.</p>
<p>Em minhas lembranças, recordo de minha mãe chegando em casa, cansada, entre um turno e outro, para preparar a comida, e a alegria de nos reunir em torno dela. Nossa casa, simples, não tinha muitos móveis, mas era cheia de livros e de boas e carinhosas palavras. Tínhamos amor, cuidado, zelo, aconchego. Tivemos tudo em uma infância feliz. Quando vejo tanto desamor em um mundo tão corrido e consumista, sinto que falta amor e carinho de mãe.</p>
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<p>Se os países fossem governados pelas mães não teríamos guerras. As mães não mandariam seus filhos se matarem.</p>
<p>Mãe enxerga no escuro, escuta no silêncio e sente à distância.</p>
<p>Dá-se o nome de saudade tudo que fica abraçado em nós pela alma.</p>
<p>Tipo, se eu sinto falta, é saudade.</p>
<p>Se eu sinto vontade de ver, é saudade.</p>
<p>Se a voz não sai do pensamento, é saudade. Tudo que se relaciona a bons sentimentos, é saudade.</p>
<p>E tudo que gera em nós saudade, é amor.</p>

			</div></div>
<p>Hoje, aos 66 anos, continuo carente do amor e atenção de minha mãe; quando a coisa aperta, minha vontade é correr para o colo de minha querida, saudosa e inesquecível mãe, pois lá estava seguro. Obrigado, querida Maria da Conceição, por tudo; como a senhora faz falta, mesmo tantos anos após a sua partida.</p>
<figure id="attachment_87589" aria-describedby="caption-attachment-87589" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-87589 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2.png" alt="Maria da Conceição, mãe de luiz Thadeu" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Quem-e-lembrado-nunca-morre-2-660x330.png 660w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-87589" class="wp-caption-text">Maria da Conceição, mãe de luiz Thadeu Arte Rose Garcia</figcaption></figure>
<p><strong>Feliz Dia das Mães a todas as mulheres que com seus ventres e seus corações fazem o mundo melhor.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmae-e-unica-nao-tem-copia%2F&amp;linkname=M%C3%A3e%20%C3%A9%20%C3%BAnica%2C%20n%C3%A3o%20tem%20c%C3%B3pia" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmae-e-unica-nao-tem-copia%2F&amp;linkname=M%C3%A3e%20%C3%A9%20%C3%BAnica%2C%20n%C3%A3o%20tem%20c%C3%B3pia" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmae-e-unica-nao-tem-copia%2F&amp;linkname=M%C3%A3e%20%C3%A9%20%C3%BAnica%2C%20n%C3%A3o%20tem%20c%C3%B3pia" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmae-e-unica-nao-tem-copia%2F&amp;linkname=M%C3%A3e%20%C3%A9%20%C3%BAnica%2C%20n%C3%A3o%20tem%20c%C3%B3pia" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmae-e-unica-nao-tem-copia%2F&#038;title=M%C3%A3e%20%C3%A9%20%C3%BAnica%2C%20n%C3%A3o%20tem%20c%C3%B3pia" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/mae-e-unica-nao-tem-copia/" data-a2a-title="Mãe é única, não tem cópia"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/mae-e-unica-nao-tem-copia/">Mãe é única, não tem cópia</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<item>
		<title>O que a memória ama, se eterniza</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-que-a-memoria-ama-se-eterniza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Mar 2025 10:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[fortaleça]]></category>
		<category><![CDATA[lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Maria da Conceição Nunes e Silva]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Quem é lembrado, nunca morre, faz parte de nossas lembranças. Hoje, caso estivesse entre nós, minha mãe, Maria da Conceição Nunes e Silva, faria neste 23 de março, 91 anos. Minha mãe partiu jovem, 43 anos, de morte súbita, dormindo, na madrugada do dia 02 de &#8230;</p>
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]]></description>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">Q</span>uem é lembrado, nunca morre, faz parte de nossas lembranças.</p>
<p>Hoje, caso estivesse entre nós, minha mãe,<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/mae-dona-de-tudo-rainha-do-lar/?preview_id=52459&amp;preview_nonce=1ba822701b&amp;_thumbnail_id=52473&amp;preview=true" target="_blank" rel="noopener"> Maria da Conceição Nunes e Silva</a></span>, faria neste 23 de março, 91 anos.</p>
<p>Minha mãe partiu jovem, 43 anos, de morte súbita, dormindo, na madrugada do dia 02 de novembro de 1976; em um Dia de Finados. Dia criado pela Igreja Católica para lembrarmos os que partiram antes de nós.</p>
<p>A existência humana não é um repouso, uma calmaria, não é um jardim onde a tranquilidade floresce sem esforço, mas um campo de batalha onde cada dia se ergue como uma nova campanha, uma nova ofensiva contra as forças que nos desafiam. Ao nascermos, somos guerreiros convocado sem aviso, lançado ao tumulto de um mundo que não lhe concede tréguas, onde cada passo exige luta, e cada luta nos leva a novos desafios.</p>
<p>Professora primária, três turnos de trabalho, dona de casa, seis filhos para cuidar, o coração de minha mãe não aguentou a peleja, interrompendo sua existência precocemente, deixando toda uma vida pela frente.</p>
<p>Pessoas nunca existirão para sempre&#8230; Elas transmutam em um eterno agora diante dos aparentes ecos do passado, e de suas expectativas de um aparente futuro&#8230; A vida passa que nem o vento, só fica o que é sentimento.</p>
<p>Existem dores que só choram dentro de nós… em nós.</p>
<p>Ninguém vê. Ninguém escuta. Ninguém sente. São aquelas dores que não encontram palavras; que não cabem em explicações e que, por mais que o mundo siga girando, continuam gritando dentro de nós. Elas não precisam de plateia. Elas apenas existem: silenciosas, intensas, invisíveis, esmagadoras.</p>
<p>A gente aprende a conviver. Seguir em frente. A sorrir mesmo quando por dentro tudo está em pedaços. Mas a verdade é que certas dores não passam, apenas se tornam parte de quem somos.</p>
<p>O tempo? Ah, o tempo. Às vezes corre depressa quando queremos que ele passe devagar. Às vezes é lento quando queremos que ele passe logo.</p>
<p>Às vezes não reparamos nele. Ou só reparamos quando queremos revivê-lo.</p>
<p>Mas uma coisa é certa; ele, o tempo, volta.</p>
<blockquote><p>“A memória é contrária ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como o vento, a memória traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos”, Adélia Prado, escritora mineira.</p></blockquote>
<p><strong>Ninguém sabe o valor de um momento até ele virar saudade.</strong> Hoje acordei com saudades de minha mãe; vasculho na memória fragmentos de tempos indeléveis, vividos com ela. Mesmo com tanto tempo decorrido, a memória me leva de volta ao passado.</p>
<p>Cresci vendo minha mãe superar obstáculos que a vida teimava colocar em seu caminho. Sua vida não foi nada fácil. Passou por momentos tão difíceis, mesmo assim se levantava todas as manhãs com alegria, energia e determinação, dando o melhor de si para nós, seus filhos. Hoje, no outono da vida, quando me acabrunho diante dos desafios, &#8220;não tenho problemas&#8221;, é dela que me lembro em primeiro lugar, de seu exemplo, assim, sigo em frente. Tem dias que penso que não há lugar mais seguro que a barra da saia de minha mãe.</p>
<p>Um dia eu quis ser gente grande para ser dono de mim, dono do meu nariz e fazer o que me desse vontade.</p>
<p>Hoje eu queria voltar a ser criança…</p>
<p>Não ser dono de nada além do abraço e do colo de mãe, queria não pensar em nada além da hora de brincar. E ter alguém que me dissesse com o coração o que é melhor pra mim.</p>
<p>Queria de volta esses pedacinhos soltos de felicidade e mais nada…</p>
<blockquote><p>“Mamãe, mamãe, mamãe/ Eu te lembro o chinelo na mão/ O avental todo sujo de ovo/ Se eu pudesse, eu queria/ Outra vez, mamãe/ Começar tudo, tudo de novo.&#8221;, “Mamãe”, composta em 1959 por Herivelto Martins e David Nasser.</p></blockquote>
<p>Querida mãe, você foi refúgio e fortaleza, que privilégio tê-la! Saudades.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Rachel Giusti Fleming, adeus!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/rachel-giusti-fleming-adeus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Feb 2025 16:35:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[adeus]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel Guisti Fleming]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[vazio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Já tinha pensado em dois temas para escrever a crônica deste final de semana. Poderia escrever sobre o primeiro mês de governo de “Donald Trump e a diplomacia do coice”, que está colocando de pernas para o ar um mundo já caótico, sem respeito ou empatia &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">J</span>á tinha pensado em dois temas para escrever a crônica deste final de semana. Poderia escrever sobre o primeiro mês de governo de “Donald Trump e a diplomacia do coice”, que está colocando de pernas para o ar um mundo já caótico, sem respeito ou empatia por ninguém. Com apenas trinta dias de governo, completados em 20/02,  Trump à frente do país mais rico e poderoso do mundo, parece que está há décadas no poder. Ninguém nem lembra mais quem foi Joe Biden, o fraco presidente americano, por quatro anos. Ou escreveria sobre a insana guerra entre Rússia e Ucrânia que, segundo dados não oficiais, ceifou 80 mil vidas, deixou 400 mil feridos e torrou bilhões de dólares. A guerra entre Rússia e Ucrânia completa três anos, na próxima segunda-feira, 24 de fevereiro.</p>
<p>Mas resolvi mudar e escrever sobre uma pessoa muito especial. Na terça-feira, 17/02, acordei e vi nas redes sociais o comunicado de que Rachel Guisti Fleming havia feito a passagem no dia anterior. A morte sempre deixa um vazio, especialmente quando não estamos esperando. Não conheci Rachel pessoalmente, mas ficamos próximos pelas redes sociais. Ela era irmã de Lílian Giusti, colega dos bancos escolares do Colégio Batista, que voou ao encontro da morte, de forma trágica, quando éramos adolescentes.</p>
<p>Ao saber que Rachel era irmã de Lilian, enviei-lhe uma solicitação de amizade, que logo me adicionou. Quando começamos a conversar, Rachel morava em Brasília. Acompanhei seus derradeiros dias na Capital Federal e a mudança para Petrópolis, RJ. Nos falávamos todos os dias. Comentávamos sobre nossos cotidianos, falávamos sobre São Luís do Maranhão, que ela não visitava há tempos. Culta e inteligente, me mandava vídeos de músicas, que gostava — muito Jazz e Bossa Nova. Sempre uma nova versão de um clássico, coisa de gente fina. Leitora voraz, me indicava livros. Cinéfila, me dava dicas de bons filmes, especialmente europeus ou iranianos.</p>
<p>Comospolita, viajada, falávamos de lugares que já tínhamos pisado, destacando algo pitoresco. Fluente em línguas estrangeiras, era uma enciclopédia.</p>
<p>Mãe, avó e bisavó coruja, falava dos filhos, netos e dos bisnetos com alegria e orgulho da prole. Recentemente havia enviado um vídeo com os bisnetos em pura farra. Não houve tempo de lhe enviar fotos de Heitor, meu neto, recém nascido.</p>
<p>Quando lhe enviava minhas crônicas, ela, gentil e generosamente, fazia comentários que me deixavam feliz e grato.</p>
<p>Recentemente, enviou-me uma mensagem, em que estava muito preocupada, pois recebera um aviso, via celular, para ficar alerta por causas das forte chuvas na região serrana do Rio. Era final de tarde, e toda a população local recebera a mesma mensagem. “Luiz, é muito preocupante tudo isso, não temos para onde ir”, dizia a mensagem. Mais tarde, mais tranquila, disse que tudo se acalmara.</p>
<p>Quando lhe falei que estava passando por um problema, logo me perguntou: “Como posso ajudá-lo?”, oferecendo-me coisa rara em tempos líquidos — atenção.</p>
<p>Dezembro fui ao Rio, viagem rápida, pensei em ligar-lhe e, se possível, subir a serra para conhecê-la, tomarmos um café, desfrutar de sua companhia. Não o fiz.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-86569 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1-300x200.png" alt="barco" width="300" height="200" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1-300x200.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1.png 600w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>A morte tem essa maldade. É uma ruptura, nos priva do convívio; deixa além de saudades, muitas indagações. Quantas perguntas sem resposta, quantas coisas que não saberei de minha amiga Rachel, que um dia a chamei de Clarice Lispector, e que ela sorrindo me disse “Não mereço tamanha importância”.</p>
<p>A vida, em sua essência, é desmedida e gratuita. O tempo nos é concedido sem contrato, e a morte nos espera sem taxa de devolução. A partida inesperada de Rachel, que escolheu a elegância como marca de sua trajetória, deixou em mim uma saudade de alguém que nunca vi pessoalmente, mas fez parte de alguns dos meus melhores dias, provando que a vida passa que nem o vento, mas só fica o que é sentimento. “A parte que parte não consegue por inteiro partir, mas a parte que parte um pouco fica, a que fica um pouco parte. Embora essas partidas nos partam, elas são partes da vida, e a vida não deixa de ser arte”, poema celta. Rachel era puro lirismo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Da sedutora inutilidade diletante</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/da-sedutora-inutilidade-diletante/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Aug 2024 10:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Tudo o que é útil é horrível e feio. A cozinha é indispensável numa casa; mas ninguém se lembraria de lá ficar, e vamos para um salão a que enfeitamos, como este, de coisas perfeitamente supérfluas. Para que servem essas pinturas encantadoras, essas madeiras trabalhadas? Só é belo o &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Tudo o que é útil é horrível e feio. A cozinha é indispensável numa casa; mas ninguém se lembraria de lá ficar, e vamos para um salão a que enfeitamos, como este, de coisas perfeitamente supérfluas. Para que servem essas pinturas encantadoras, essas madeiras trabalhadas? Só é belo o que nos parece inútil!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Honoré de Balzac, A Comédia Humana</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>pós duas semanas de ausência, por quase todos despercebida, retorno a este conceituadíssimo hebdomadário, saltitante e serelepe que nem um caxinguelê a entornar taças e taças dum Veuve Clicquot Brut. Ou seria, deslocando-me para a outra extremidade, taças dum Brandy de Jerez Osborne, muito mais em conta?</p>
<p>A bolsa ou a vida? Bem, catemos as moedas do fundo da algibeira, bebamos o que com elas pudermos beber. E vivamos. Recordemos de Beethoven, de seu tardio quarteto: &#8220;Muss es sein? Es muss sein!&#8221;. Tem de ser!</p>
<p>Digressões, digressões e digressões&#8230;</p>
<p>Ressalto o &#8220;quase&#8221; todos por causa de uma mensagem, via WhatsApp, que recebi do médico, escritor, pesquisador, latinista e amigo querido, Marcos Almeida, na qual diz ter sentido falta dos meus artigalhos semanais.</p>
<p>Puxa! Fiquei mais feliz do que galinha a ciscar terreiro ao Sol numa manhã de abril. Este que, a parafrasear Konstantínos Kaváfis, costuma trazer boas notícias, na qual amigos chegam e tudo de bom prospera.</p>
<p>Ora, leitor, sim, eu o sei, estamos ao final de julho. Acaso não me terei o direito à evocação e à saudade?</p>
<p>Saber, direto da fonte, que alguém, de tamanha estatura intelectual como Marcos, gosta de ler o que escrevo é quase como antever, qual Dante, a amada beatitude permanente nos círculos celestiais e paradisíacos.</p>
<p>Sim, porém, e a razão de ser do pouco significante lapso? Ah, outros compromissos e intimações textuais e filosóficos cobraram sua parte na implacável fita métrica da vida.</p>
<p>Ali, encomendam-me um jingle apologético; acolá um panfleto virtual com promessas de vida no coração da comunidade interiorana — mais uma praça está a ser inaugurada&#8230;</p>
<p>E os universitários&#8230; Aos quais, ninguém, em sã consciência — no caso de dispor de uma que preste  — irá recorrer para dirimir qualquer que seja a dúvida em conhecimentos gerais e específicos: eles mesmos, desorientados graduandos, estão acossados por toda a ignorância diante do mundo e, ainda mais, do Mundo. Tomo-lhes uma das mãos, os ponho na senda correta: tese, antítese e síntese&#8230; E se conseguem, assim, dez ou doze folhas escritas, comemoram como se tivessem alcançado o Pico da Bandeira.</p>
<p>Parcos foram, pois, os momentos dos quais pude dispor para pensar no que escrever fora do campo de trabalho forçado.<a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-79602 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome.jpg" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ontonce, noite passada, garrafa dum Hermanos Traversa Tannat 2021 sobre a mesa, a harmonizar com um corte de peito amaciado no molho de abacaxi e vinagre de vinho — prato meio que autoral. Algo de descanso mental se deu por uns instantes&#8230;</p>
<p>Eu a ouvir choppinianas composições que evocavam nebulosos pensamentos inspirados por Kant — e sua legítima paixão cosmológica — e pela alta noite a olhar, apequenado, o vasto céu estrelado, indaguei-me: por que cargas pensar, escrever e publicar? O que há de necessário e essencial nisto?</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-02T214730.187.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-79595 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-02T214730.187-250x300.png" alt="" width="306" height="367" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-02T214730.187-250x300.png 250w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-02T214730.187.png 400w" sizes="auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px" /></a>Resposta imediata: nada mais para além da vaidade, da arrogância, da realização estética, do ser aprovado por pessoas melhores que eu, do conquistar um mínimo de popularidade, seja esta negativa ou positiva. No meu caso, a primeira condição costuma prevalecer.</p>
<p>Entretanto, talvez, também, escreva na vã e descompromissada esperança de que algumas pouquíssimas pessoas façam eco às inúteis reflexões, as quais pincelo com a rala aquarela do meu godet interior — &#8220;quais são as cores, leitor, de sua predileção?&#8221;</p>
<p><span class="sigijh_hlt">E essa coisa de alta cultura&#8230; Ainda terá lugar num mundo cada vez mais superficial, rebaixado e acéfalo. Será ainda necessária?</span></p>
<p>Digressões, digressões e digressões&#8230;</p>
<p>Tecer despretensiosas considerações críticas voltadas para a Literatura, para as Belas-Artes (a exceção da tal &#8220;arte&#8221; contemporânea, ante a qual não tenho coisa alguma a comentar) para a Música, para a Culinária, para o Vinho é um exercício que me agrada e conforta.</p>
<p>Encontrar quem veja nisto algo de significativo é revigorante e compensador. Quiçá, por isso, prossiga eu com minhas sensabóricas tolices mundano-filosóficas com toques de nostalgia renascentista, barroca, neoclássica, vitoriana e setentista.</p>
<p>Práxis pela qual corre o risco (com o qual não me importo tanto) de soar e aparentar tão somente como bazófia enciclopedista&#8230;</p>
<p>Decerto o seja&#8230;</p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Prefeito Edvaldo divulga programação do Forró Caju 2024: “festa de dimensão extraordinária”</title>
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		<pubDate>Fri, 03 May 2024 15:42:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O prefeito Edvaldo Nogueira anunciou nesta sexta-feira, 3, a programação completa do Forró Caju 2024, que este ano será iniciado a partir do dia 8 de junho e seguirá até o dia 29. A capital sergipana será, mais uma vez, um grande palco para a realização do Forró nos Bairros, seguido do Circular Junino, São &#8230;</p>
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<div id=":17q" class="a3s aiL ">
<div dir="ltr"><span class="sigijh_hlt"><b><br />
</b>O prefeito Edvaldo Nogueira anunciou nesta sexta-feira, 3, a programação completa do Forró Caju 2024, que este ano será iniciado a partir do dia 8 de junho e seguirá até o dia 29. </span>A capital sergipana será, mais uma vez, um grande palco para a realização do Forró nos Bairros, seguido do Circular Junino, São João na Praça e os tradicionais shows realizados na praça Hilton Lopes, com atrações nos palcos Luiz Gonzaga e Gerson Filho. Na praça Hilton Lopes, as apresentações musicais acontecerão de 23 a 29 de junho.</div>
<div dir="ltr"></div>
<div dir="ltr"><span class="sigijh_hlt">Este ano, a festa que atrai milhares de turistas para celebrar os festejos juninos na capital sergipana está ainda maior, com mais de 100 artistas sergipanos e nacionais</span> como Ana Castela, Michel Teló, Calcinha Preta, Simone Mendes, Mestrinho, Maiara e Maraísa, Alceu Valença, Iguinho e Lulinha, Dorgival Dantas, Joelma, Zé Vaqueiro, Mestrinho e Luan Estilizado, que irão enriquecer ainda mais a cultura nordestina. Para o gestor da capital sergipana, “a sensação é de saudade, mas também de dever cumprido”, pois este se trata do último Forró Caju da sua atual administração.</div>
<div dir="ltr">
<p>&nbsp;</p>
<p>“Eu estou muito feliz, porque o Forró Caju ganhou uma dimensão extraordinária. Conseguimos transformar essa grande festa em uma das maiores celebrações nacionais. O Forró Caju tem três pilares muito importantes e que são fundamentais para sua existência. O primeiro é a manutenção da nossa raiz cultural, pois ele remonta das tradições da nossa fundação enquanto Estado e enquanto cidade, e traz uma vasta mistura de ritmos do forró. Segundo, que ele representa e traz alegria para o povo da nossa cidade, do nosso estado e atrai os turistas do Brasil e do mundo para cá. Em terceiro, é a economia. Essa grande festa junina fomenta o turismo e a circulação de recursos em Aracaju. O que investimos na festa retorna em proporções muito maiores em impostos e arrecadação. Este é meu último Forró Caju, como prefeito, e a sensação é de saudade, mas também de dever cumprido. Vamos todos aproveitar essa festa que faz parte da nossa história e do nosso povo”, destacou.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div dir="ltr"><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</div>
<div dir="ltr"></div>
<h2 dir="ltr">Programação diversa</h2>
<div dir="ltr"></div>
<div dir="ltr"><b><br />
</b><span class="sigijh_hlt">Nos dias 8, 9, 15 e 16 de junho será realizado o Forró nos Bairros, que acontece no Bugio, Augusto Franco, 17 de Março e na Orla Pôr do Sol, respectivamente. </span>Paralelamente, estará acontecendo na praça General Valadão, no Centro da cidade, entre os dias 10 e 21 de junho, o festejo que ganhou o coração dos aracajuanos e turistas: o São João na Praça, uma parceria com a Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Sergipe (Fecomércio/SE), Sesc e Senac.</div>
<div dir="ltr"></div>
<div dir="ltr"></div>
<div dir="ltr"><span class="sigijh_hlt">Já de 15 a 29 de junho, estará presente na cidade o Circular Junino, com trio pé de serra, quadrilhas juninas e muita cultura nos principais pontos de chegada das pessoas em Aracaju</span>, como rodoviárias e aeroporto, bem como onde as pessoas mais circulam, a exemplo dos mercados setoriais. De 23 a 29 de junho, a festa acontece também na praça Hilton Lopes, no Centro, com diversos shows nos palcos Gerson Filho e Luiz Gonzaga.</div>
</div>
</div>
<div dir="ltr"></div>
<div dir="ltr">
			</div></div></div>
<div id=":17p" class="ii gt">
<div id=":17q" class="a3s aiL ">
<div dir="ltr"></div>
<div dir="ltr">
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Planejamento e organização</b></p>
<p><b><br />
</b>O presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), Luciano Correia, explicou como acontece o trabalho de planejamento dessa grande festa e como ela ganhou as proporções que possui hoje.</p>
<p>“No Forró Caju, a gente começa a trabalhar muito antes, desde a criação da programação, entra em campo outras secretarias envolvidas com a sua estrutura, com a responsabilidade extrema com a festa e com as pessoas. Esta é uma celebração tradicional que já faz parte do calendário nacional, e faz com que Aracaju seja hoje um dos cartões postais do forró mais autênticos do Brasil, um dos mais procurados no país inteiro. A prova disso não é a minha fala, mas sim a lotação em 100% da rede hoteleira que a gente alcança nesse período. O Forró Caju foi resultado de um trabalho planejado, de tradição, da qualidade de sua programação ao longo dos anos, é um modelo de eventos que deu certo. Contamos com um vasto número de atrações, parcerias e tudo que fará do Forró Caju 2024 uma linda festa do povo”, contou.</p>
<p>O evento deve atrair ainda mais turistas para a capital sergipana no período junino. Para isso, não só o lançamento da programação contribui para destacar a capital sergipana como um dos polos nacionais do turismo, mas também o trabalho de divulgação que a Prefeitura desenvolve ao longo do ano, como ressalta o secretário municipal do Turismo (Setur), Jorge Fraga.</p>
<p>“A nossa expectativa é de um aumento no número de turistas na cidade durante todo o período junino. Temos feito um trabalho, desde a do fim da pandemia, de divulgação de Aracaju. Houve um impulso muito grande com a parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado. Pela primeira vez, Aracaju teve a ousadia e levou o Forró Caju até Lisboa. Nós tivemos em Portugal e apresentamos nossos festejos na cidade lusitana. E é assim que se faz promoção ao turismo para a cidade, com a união de todos e muito trabalho. Seguimos atuando para atrair mais pessoas para o Forró Caju e, agora, com o lançamento da programação, vamos impulsionar ainda mais essa festa e fazer de Aracaju um lindo palco para celebrar o período junino”, afirmou.</p>
<p><b>Cultura e tradição<br />
</b></p>
<p>O cantor Erivaldo de Carira sobe ao palco Luiz Gonzaga no dia 26 de junho e já está habituado a fazer do Forró Caju uma grande festa para as pessoas. Presente no evento todos os anos, ele promete que levará o bom e velho forró para o público aproveitar o que a festa oferece de melhor: tradição e alegria.</p>
<figure id="attachment_77154" aria-describedby="caption-attachment-77154" style="width: 360px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-77154" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-300x200.jpg" alt="" width="360" height="240" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-1024x683.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-768x512.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-1536x1024.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/DSC_4343-2048x1365.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px" /></a><figcaption id="caption-attachment-77154" class="wp-caption-text">Edvaldo Nogueira com Erivaldo de Carira</figcaption></figure>
<p>“O Forró Caju é uma festa maravilhosa, que eu participo desde a primeira edição e até hoje estamos aí, tocando e levando o melhor do forró e representando a nossa cultura para as pessoas. Essa é a cultura de um povo que não podemos deixar acabar nunca. Eu mantenho essa tradição de cantar e tocar um forró de verdade e vamos, mais uma vez, se apresentar aqui no Forró Caju, nessa linda festa dos aracajuanos e sergipanos”.</p>
<p>Para Lucas Campelo, artista sergipano que se apresentará no palco Gerson Filho no dia 24 de junho, o Forró Caju traz uma sensação de pertencimento. Como bom filho da terra, ele contou que sempre participou da festa, estando no público e também nos palcos e explicou que essa mistura resulta em felicidade e muito forró para todo mundo.</p>
<p>“É sempre uma alegria estar no Forró Caju, esse que é um dos palcos dos festejos juninos na nossa cidade e, sobretudo, quando a gente faz essa conexão, entre público, pois eu sempre fui para o Forró Caju, e quando vou me apresentar como artista, como este ano. É uma ótima sensação de pertencimento, de estar aqui na minha cidade, fazer um show para todas as pessoas que estão lá e cantar músicas de artistas que também são da casa. Essa linda festa faz parte da minha vida e eu também faço parte dessa festa. É uma mistura que o resultado é a felicidade e vai ter forró para todo mundo. Essa é a força, o que move a gente. A nossa cultura, a nossa identidade e a gente vai lá e partilha isso com o público”, detalhou.</p>
<p><b><div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</b></p>
<p><b>Shows</b></p>
<p><span class="sigijh_hlt">No palco Luiz Gonzaga, localizado na praça Hilton Lopes, Centro da cidade, a festa começa cedo, a partir das 20h do dia 23,</span> com o show de Unha Pintada seguido de Xote Baião, Mano Walter, Zuerões do Forró e Maiara e Maraísa. <span class="sigijh_hlt">No dia seguinte, 24</span>, é a vez de Ramon &amp; Randinho, Pedro Lua, Ana Castela, Michel Teló, finalizando a noite com Jeanny Lins e Dedé Brasil. <span class="sigijh_hlt">O terceiro dia de festa, 25</span>, tem apresentação da Orquestra Sanfônica, Mestrinho, Simone Mendes, Calcinha Preta e Fogo na Saia. <span class="sigijh_hlt">Na quarta-feira, 26, </span>Erivaldo de Carira, Elba Ramalho, Solange Almeida, Tarcísio do Acordeon e Cavaleiros do Forró animarão o público.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">O quinto dia de Forró Caju, 27 de junho, </span>traz para o palco Luiz Gonzaga os artistas Michele Andrade, Iguinho e Lulinha, Dorgival Dantas, Thais Nogueira e Danielzinho Jr. <span class="sigijh_hlt">No penúltimo dia de festa, 28</span>, Flor de Maracujá, Joelma, Alceu Valença, Luan Estilizado e Zé Tramela já começam a deixar o gostinho de saudade que será marcado no último dia de Forró Caju, <span class="sigijh_hlt">29 de junho</span>, quando Luanzinho Moraes, Henry Freitas, Zé Vaqueiro, Cintura Fina e Saia Rodada encerram as comemorações da mais tradicional festa junina sergipana.</p>
<div class="yj6qo"><b>
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<div id=":19s" class="hq gt"></div>
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		<title>Uma Senna de saudade</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/uma-senna-de-saudade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 11:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; As manhãs de domingo e mesmo algumas madrugadas de sábado para domingo não são mais as mesmas desde aquele fatídico primeiro de maio de 1994. O Brasil poucas vezes chorou e enlutou-se tanto por um de seus célebres filhos, pelo menos desde Getúlio Vargas, em 1954, ou Tancredo &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>s manhãs de domingo e mesmo algumas madrugadas de sábado para domingo não são mais as mesmas desde aquele fatídico primeiro de maio de 1994. O Brasil poucas vezes chorou e enlutou-se tanto por um de seus célebres filhos, pelo menos desde Getúlio Vargas, em 1954, ou Tancredo Neves, em 1985. Eu tinha 20 anos, estava prestes a iniciar minha carreira na docência e posso lhes asseverar que a morte de Ayrton Senna calou fundo em meu coração.</p>
<p>A sensação foi a de ter perdido um ente muito querido da família. E até hoje, sobretudo esta semana em que se rememora os 30 anos daquele acidente fatal, na curva Tambullero, Ímola (Itália), é impossível ouvir o “Tema da Vitória” (de autoria do Eduardo Souto Neto, gravado pelo Grupo Roupa Nova, em 1981), e impedir que as lágrimas rolem pelo rosto e os pelos dos braços se ouriçarem de emoção e de saudade.</p>
<p>Minha mãe dizia que uma pessoa para prestar ou ser notada ou valorizada só depois de morta. Em grande medida, ela tinha muita razão. É fato que a morte impacta muito as pessoas, sobretudo as trágicas. Há uma comoção natural em velórios, principalmente de notórios ou celebridades locais, nacionais e internacionais. Há todo um culto ao morto e muitas vezes “seus pecados” são perdoados ali, no descer do caixão na sepultura.</p>
<p>Penso que Ayrton Senna da Silva, natural de São Paulo-SP (21 de março de 1960) seja uma das melhores exceções. Ele já era grande em vida e a morte só, paradoxalmente, o imortalizou. Trinta anos depois de seu falecimento, seu nome é celebrado e referenciado no mundo inteiro e nos lugares mais recônditos da Terra. Na última quarta-feira, isto ficou ainda mais evidente. Foram incontáveis homenagens, as mais criativas e mais lindas, e também muito justas, possíveis.</p>
<p>Não. Não se trata de uma idolatria. Mas de um preito de saudade. Há, como disse, um vazio enorme no coração da maioria absoluta dos brasileiros. Senna se tornou um símbolo que ultrapassa o esporte, mais de perto o automobilismo e até mesmo a tão criticada Fórmula 1, contra quem ele se debatia vez ou outra pelas injustificáveis ações de manobras de resultados ou mesmo de riscos aos pilotos em nome do vil metal, luta que ele protagonizou, que tragicamente seivou sua vida, mas que deixou um legado para os esportes de alta velocidade e desempenho humano e das máquinas.</p>
<p>E o que explica o fato de um tricampeão mundial de Fórmula 1 (1988, 1990 e 1991) ter mais fama e louvores do que um ainda mais vitorioso, a exemplo de Michael Schumacher e Lewis Hamilton, ambos com sete títulos até a presente data? Ora, antes de mais nada o humanismo, a empatia e o carisma. Hamilton é muito fã de Senna e o tem como a sua maior inspiração. Vê-se, pois, que aprendeu direitinho, o jovem piloto inglês.</p>
<p>Senna ganhou corridas numa época em que o humano e suas potencialidades faziam diferenças. Não o preparo físico, com o cuidado com alimentação, a parte muscular e os nervos, mas também a saúde mental. E no caso dele a FÉ. Algumas de suas vitórias magistrais e inesquecíveis, sobretudo na chuva, não podem ser explicadas para além desse elemento diferenciado. Tanto é verdade, que a inserção da alta tecnologia nos carros de Fórmula 1 coincidem com a queda de rendimento dele e também com sua transferência para a Willian, onde morreu depois de inúmeros problemas mecânicos, o que chegou a se criar a teoria da conspiração sobre sua causa morte.</p>
<p>Sou, particularmente, aficionado por velocidade, tanto que coleciono carros de brinquedo de todo tipo, antigos e novos, da Hot Wheels, e também da Chevrolet e da Lego. Teria muito mais se houvesse espaço em minha biblioteca e sala de TV. <span class="sigijh_hlt">Mas, um em especial, ilustra minha memória materializada em arte em miniatura: a réplica da MacLaren MP4/4, San Marino GP 1988, de Ayrton Senna do Brasil. </span>Do ano em que ele foi campeão mundial pela primeira vez para ficar em definitivo na história mundial e no coração das pessoas do mundo inteiro.</p>
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		<title>Saudade…..é o amor que fica</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/saudade-e-o-amor-que-fica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Mar 2024 11:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Ela nasceu em uma manhã chuvosa de sexta-feira em 23 de março de 1934, na primeira metade do século passado, em Viana, Maranhão. Partiu jovem, aos 43 anos. O coração parou em uma madrugada, enquanto dormia, em 02 de novembro de 1976. Neste 23 de março, caso ainda estivesse &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>la nasceu em uma manhã chuvosa de sexta-feira em 23 de março de 1934, na primeira metade do século passado, em Viana, Maranhão.</p>
<p>Partiu jovem, aos 43 anos. O coração parou em uma madrugada, enquanto dormia, em 02 de novembro de 1976.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Neste 23 de março, caso ainda estivesse aqui, minha mãe completaria 90 anos.</span></p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/heart-1419573_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-76069 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/heart-1419573_1280-300x209.png" alt="" width="235" height="164" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/heart-1419573_1280-300x209.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/heart-1419573_1280-1024x714.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/heart-1419573_1280-768x535.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/heart-1419573_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px" /></a>Alguém já disse que as mães não deveriam morrer. Quando uma mãe parte, todos ficam órfãos. As mães povoam o mundo com seus ventres, e o sustentam com seu amor. Não há nada mais sublime na terra que amor de mãe. Amor de mãe é incondicional, supera tudo. Quando um filho está doente, quem não se afasta da cabeceira da cama é ela &#8211; a mãe. Quando o filho é preso, todos podem abandoná-lo, menos a mãe. É amor genuíno. Quando a mãe perde um filho, ela morre junto.</p>

			</div></div>
<p>Tive o privilégio de conviver com minha mãe por dezessete anos, onze meses e doze dias. Que mãe maravilhosa Deus me deu. Mulher forte, decidida, lutadora, trabalhadora. Era empoderada, quando o termo não constava nos dicionários.</p>
<p>Com seis filhos para criar, trabalhava os três turnos. Ela nos deu amor, nos educou, vestiu, alimentou, nos deu o melhor que podia. Nada nos faltou. Com o pouco que tinha fez a multiplicação dos pães e peixes. Coisa que só as mulheres sabem fazer.</p>
<p>Minha mãe era professora primária, lecionava em três lugares diferentes. Quando vejo mulheres se queixarem que estão exaustas, exauridas com o que fazem, penso: isso é muito pouco perto do que minha mãe fazia. Assim, admiro-a, hoje, ainda mais.</p>
<p>No início da década de 70, fez faculdade de Educação, e mesmo com sua jornada puxada, e seis filhos pequenos para cuidar, concluiu o curso.</p>
<p>Dizem que a passagem do tempo ajuda a aplacar a saudade. Permita-me divergir, amigo leitor, querida leitora. A passagem do tempo avivou em mim a saudade.</p>
<p>Quantas coisas maravilhosas não foram vividas, com sua precoce partida. Ela não acompanhou minha entrada na faculdade de Agronomia e formatura. Não conheceu minhas namoradas, nem a mulher que escolhi para dividir minha única vida.</p>
<p>Não conheceu seus netos, Rodrigo e Frederico, que certamente adorariam tê-la como avó. Não acompanhou minha trajetória. Não soube do acidente que quase ceifou minha vida. Seguramente estaria na cabeceira dos leitos hospitalares, por onde passei, incentivando-me a seguir firme pela vida. Quantas orações e promessas ela teria feito pela minha recuperação.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Não a vi criar meus irmãos, se aposentar, envelhecer.</span></p>
<figure id="attachment_63333" aria-describedby="caption-attachment-63333" style="width: 356px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-63333" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4-300x149.png" alt="Luis Thadeu" width="356" height="177" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4-660x330.png 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4-1050x525.png 1050w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Design-sem-nome-4.png 1209w" sizes="auto, (max-width: 356px) 100vw, 356px" /></a><figcaption id="caption-attachment-63333" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu, o globetrotter brasileiro</figcaption></figure>
<p>Ela não viu minhas andanças pelo mundo, a conquista de cada etapa, as viagens para lugares cada vez mais longínquos. Estaria preocupada, receosa de que algo de mau acontecesse com o filho dela. Ficaria com o coração apertado. Hoje, com as redes sociais, se comunicaria comigo em todos os quadrantes da terra. Não soube que me tornei escritor, lancei livro, que escrevo para jornais de todo o Brasil. Certamente estaria feliz. <span class="sigijh_hlt">Ficaria orgulhosa em saber que me tornei um homem destemido, que dominou o medo para alcançar seus objetivos.</span> Contente em ver que aprendi, com seus ensinamentos, a lidar com dinheiro; quantas lições: “Primeiro ganhe para depois gastar”, sigo à risca. “Não coloca teu braço onde não alcança”, “Com dinheiro não se brinca”.  “De onde se tira e não se coloca, acaba”. Conselhos mais do que atuais.</p>
<p>“Não te empolgas com o muito, não te abates com o pouco.” “Tudo passa: o bom e o ruim.” “Tenha equilíbrio e sabedoria diante das adversidades”, dizia ela. Mulher espiritualizada: “Nunca perde a fé em Deus, ele nos conhece melhor do que nós; sabe do que precisamos”. “Estuda, o conhecimento abre portas.”  “Leia muito, nunca deixa de aprender”, lições atemporais que passei para Rodrigo e Frederico.</p>
<p>Ela me ensinou a ser forte, apesar de sua ausência. Tive que me reinventar para continuar na caminhada. Como um anjo torto sigo teimoso pela vida, mas a carência de mãe nunca passa. Quando o mundo encrespa, quando tudo fica toldado é de minha mãe que primeiro lembro. Como seria bom tê-la por perto. Quanto carinho, amor e atenção deixei de receber com sua precoce partida.</p>
<p>Quantas coisas boas deixamos de viver juntos. No crepúsculo da vida, continuo órfão do teu amor, querida mãe. <span class="sigijh_hlt">Obrigado, Maria da Conceição Nunes e Silva, você foi maravilhosa.</span> Só poderias ter nascido em março, mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. Minha mãe, saudades&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A relatividade das coisas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-relatividade-das-coisas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jan 2024 11:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[mansidão]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[paciência]]></category>
		<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[relatividade]]></category>
		<category><![CDATA[relativo]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[serenidade]]></category>
		<category><![CDATA[verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Sou o tipo do cara que gosta de algumas palavras, e não gosta de outras; tem algumas que chego a implicar. Às vezes pela sonoridade, outras pela grafia, ou mesmo pelo uso que acho inadequado. Com o avanço da idade, faço uso constante de algumas palavras que &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ou o tipo do cara que gosta de algumas palavras, e não gosta de outras; tem algumas que chego a implicar. Às vezes pela sonoridade, outras pela grafia, ou mesmo pelo uso que acho inadequado.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-74244 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1-300x300.png" alt="serenidade, sabedoria, paciência, alegria, mansidão, saudade" width="314" height="314" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/serenidade-sabedoria-paciencia-alegria-mansidao-saudade-1.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px" /></a>Com o avanço da idade, faço uso constante de algumas palavras que não saem do meu vocabulário. Exemplos: serenidade, sabedoria, paciência, alegria, mansidão, saudade.</p>
<p>Mas, se tem uma palavra que gosto muito é a “relatividade”. Amo essa palavra! Desde sempre, quando alguém me pede uma opinião, eu respondo simplesmente “é relativo”.</p>
<p>Nem sempre a palavra “relatividade” fez parte do meu vocabulário. Mas, desde que entendi que tudo na vida não é pão-pão, queijo-queijo, depende do ponto de vista de quem olha, ela entrou para o rol das palavras que mais uso.</p>
<p>Porque sempre tem uma outra pessoa com uma outra opinião completamente diferente daquela e eu preciso ouvir os dois lados pra, daí então, conseguir formar uma opinião minha. Se a pessoa quer fazer as coisas de uma determinada maneira para mim está ótimo – “se você gosta assim, também é bom pra mim” – porque não tem certo nem errado: tudo é relativo!</p>
<p>Então não me chamem para apartar briga porque eu vou dar razão pros dois lados; entendo que cada um tem a sua própria razão pra ter aquele ponto de vista. Tudo na vida é muito relativo porque depende da perspectiva que você está olhando.</p>
<p>E tudo é tão relativo mesmo&#8230; Em outros tempos cheguei a acreditar em tantas coisas que hoje não acredito mais, e passei a acreditar em outras que antes não tinham o menor sentido para mim. Até a minha visão de pecado, de céu e inferno mudou com o tempo. O que mudou? O meu olhar, a maneira que passei a enxergar as coisas.</p>
<p>O bom de quem envelhece é saber que<span class="sigijh_hlt"> não somos donos de nenhuma verdade</span>. Não há nada mais chato do que ser dono de verdades.</p>
<p>Viver é se adaptar constantemente às novas situações que a vida nos apresenta. Tudo muda tão rápido, e quem ficou preso às verdades, ficou pra trás. Na semana passada, em quarto de hotel em Shangai, China, assisti, via internet, à entrevista da atriz Fernanda Torres no programa Roda Viva na TV Cultura, SP. Ela como sempre dá show. Fernanda tem 58 anos, e ao ser perguntada como estava enfrentando o envelhecer, disse: “A idade é uma beleza, você fica um cara mais consequente, ‘caga’ menos regras, você tem menos certeza das coisas”. E, citando Nelson Rodrigues: “Jovens, envelheçam”, e concluiu dizendo que “com a velhice tudo fica mais relativo”.</p>
<p>Para falar a verdade, aos 65 anos, onde me encontro, cada vez mais entendo menos da vida. Só peço sabedoria e paciência para me adaptar às coisas que não posso mudar. E, parafraseando Viktor Frankl, neurologista austríaco, fundador da escola Logoterapia: <span class="sigijh_hlt">“Quando a circunstância é boa, devemos desfrutá-la; quando não é favorável devemos transformá-la, e quando não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos&#8221;</span>.</p>
<p>Eu que sempre tive opinião formada sobre tudo; hoje, no outono da vida, meu desafio é não ser um velho chato, dono da verdade, sempre pronto a corrigir os outros. Ainda tenho muito a aprender com a vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Saudade de tempos idos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/saudade-de-tempos-idos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2023 17:44:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[corridos]]></category>
		<category><![CDATA[falta de tempo]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[tempos idos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Saudade do tempo que se tinha tempo. De quando o tempo não era inimigo. Hoje, todos corridos, eu no meio, reclamando da falta de tempo para realizar pequenas coisas que dão prazer. Parece que o tempo acelerou, quando na verdade somos nós que estamos passando rápido: envelhecendo, &#8230;</p>
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<p>Saudade do tempo que se tinha tempo. De quando o tempo não era inimigo. Hoje, todos corridos, eu no meio, reclamando da falta de tempo para realizar pequenas coisas que dão prazer. Parece que o tempo acelerou, quando na verdade somos nós que estamos passando rápido: envelhecendo, adoecendo e morrendo. O tempo sem se preocupar comigo segue seu curso. Talvez, rindo de mim.</p>
<p>Sou antigo, do tempo em que as roupas descosturadas eram cerzidas à mão, e as brancas sujas, lavadas com sabão em barra e boneca de anil (alguém se lembra?); depois colocadas nos varais para quarar. Um dia todo pra lavar roupas! Não havia pressa.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-70773 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40-300x300.png" alt="" width="201" height="201" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-40.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px" /></a> Saudade de quando as frutas eram apanhadas no pé e comidas ali mesmo, sem precisar lavar. Acho que tínhamos mais anticorpos naquela época. E escalar mangueiras e cajueiros era nosso maior desafio. De quando os encontros e sorrisos não precisavam ser registrados, e sobrava mais tempo para prosear. De quando as coisas não tinham que ter propósito ou se preparar pra vencer na vida. Tempo de jogar pedras na rua ou na água pra ver quem jogava mais longe, disputar corridas descalços na terra, descobrir formas nas nuvens&#8230; eram passatempos simples, que se perderam no tempo.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-70774 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39-300x300.png" alt="" width="165" height="165" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-39.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 165px) 100vw, 165px" /></a>Saudade de quando a única pressa era de comer rápido a fim de voltar pra rua para brincar. Lembro empinando papagaio, que eu mesmo fazia, com varetas de bambu, coberto com papel de seda, rabo com linha e bolas de algodão. O cerol era feito com vidro socado em lata de leite Ninho. Lembro brincando de pião, puxando a corda, o pião a girar; de bolinhas de gude coloridas, em três barrocas feitas com o calcanhar. De brincar com xuxo, após a chuva, fazendo desenhos no chão molhado. De jogar bola no asfalto quente, e o solado do pé ficar cheio de bolhas.</p>
<p>E, para dormir, passar pasta de dente para aliviar a dor. Lembro de ter frieira entre os dedos dos pés e coçar no punho da rede. Acho que não existe mais frieira no mundo. Nunca mais ouvi alguém falar que ainda tenha frieira. E bicho de pé? Meu avô Agripino, enfermeiro prático, lá em Rosário, esquentava a agulha na chama da vela para esterilizar, e depois espremer para o bicho sair.</p>
<p>Lembro da casa de meus avós paternos, no Sítio do Físico. Do cheiro da comida no fogão a lenha, feito por minha avó Olindina. Do almoço colocado de manhã bem cedo, pra cozinhar devagar. Minha memória gustativa tem sabor de passado. De como demorava entrar de férias escolares.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-70775 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38-169x300.png" alt="" width="144" height="256" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Design-sem-nome-38.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 144px) 100vw, 144px" /></a>E o Natal? Demorava uma eternidade para chegar. Saudade da criança que achava que ia ser eterna, porque o tempo pra ela era amigo. O tempo nunca iria se desfazer de mim.</p>
<p>Lembrei de tudo isso, pois hoje vi garotos empinando papagaio, olhando para o céu, sem a mínima preocupação com os que passavam ao largo.</p>
<p>Ao observá-los, pensei: trocaria tudo o que sou, ou penso que tenho, para voltar a ser apenas um garoto.</p>
<p>“O tempo só anda de ida”, Manoel de Barros, poeta mato-grossense. Anda apenas para frente. Uma pena.</p>
<p>&nbsp;</p>
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