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	<title>Arquivo para reencarnado - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Barrica assombrada</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/barrica-assombrada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Sep 2025 11:51:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[História de Bodega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Já ia quase meio do ano, 1974. Galindo do Guisado, cotovelos sobre o balcão de madeira escura, polida ao longo dos anos, por braços e braços, mãos e mãos, doses e doses das mais honestas cachaças, garrafas e garrafas de cerveja, pratinhos e pratinhos com torresmo, cumbucas e cumbucas &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fbarrica-assombrada%2F&amp;linkname=Barrica%20assombrada" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fbarrica-assombrada%2F&amp;linkname=Barrica%20assombrada" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fbarrica-assombrada%2F&amp;linkname=Barrica%20assombrada" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fbarrica-assombrada%2F&amp;linkname=Barrica%20assombrada" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fbarrica-assombrada%2F&#038;title=Barrica%20assombrada" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/barrica-assombrada/" data-a2a-title="Barrica assombrada"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">J</span>á ia quase meio do ano, 1974. Galindo do Guisado, cotovelos sobre o balcão de madeira escura, polida ao longo dos anos, por braços e braços, mãos e mãos, doses e doses das mais honestas cachaças, garrafas e garrafas de cerveja, pratinhos e pratinhos com torresmo, cumbucas e cumbucas com guisado. “Receita de família&#8221;, dizia ele toda vez que algum cliente elogiava. Carne e legumes cozidos lentamente numa acertada mistura de caldo e vinho seco.</p>
<p>Mas, naquele início do mês de junho, Galindo, quase imóvel na posição já descrita, altas horas da noite, sem mais ninguém por ali, aguardava Tonho Sereno, e este só dava as caras pela madrugada, dia sim, dia não, na intenção de entornar três ou quatro goladas de milone, fazer uma oração, a qual, no pouco entender do bodegueiro, a nenhuma religião, das mais conhecidas, pertencia, e postar-se frente à barrica de vinho espanhol fortificado, próximo a um Sherry, porém a trazer algo de rascante, de amargor queimado.</p>
<p>Sereno, a manter certa calma nervosa, estendia as mãos, alongava o máximo que podia os braços e o pescoço, em direção pendente à barrica.</p>
<p>Que pretendia, Sereno?</p>
<p>Pusera na cachola, após beber  copos e copos do Viña Albali tinto, vertido de uma damajuana, vinho barato, bem acessível, mesmo, ser descendente de antiga família ibérica, coisa de trocentos anos, e que, no seio desta família, vivera um grande amor: uma prima, filha do patriarca. Amor proibido, do qual não abriu mão, apesar dos riscos, e pelo qual morrera.</p>
<p>Sim, Tonho Sereno cria piamente ter reencarnado como a si mesmo, ainda que, em sua hipotética vida passada carregasse outro antropônimo: Fernão Codorniú.</p>
<p>Sim, Tonho Sereno era um bêbedo… Porém tornou-se, para os circundantes, o bêbedo. A promoção do indefinido para o definido fora concedida dada sua elevada cultura. Longe de ser um ignorante, burro, Sereno era pessoa lida, dotado de “grandezas machas duma pessoa instruída”, como bem disse o Damásio.</p>
<p>Contudo, não nos percamos pela marginalia, voltemos ao cerne da história: Sereno evocaria, desta vez, a etérea figura feminina à qual tanto amara.</p>
<p>Intuito? Apenas vê-la, dizer-lhe uns versos, talvez. Confessar-lhe amor perene, o desejo de reencontrá-la na eternidade.</p>
<p>Mas, fato é que, até aquela madrugada, de 1974, de cuja data do dia do mês ninguém se recorda, Sereno não lograra êxito. Nenhuma aparição, sequer um sussurro que arrepiasse os pelos e disparasse o coração. A cada fracasso no intento, chorava num som rouco, debruçava-se por sobre o balcão e escondia a cabeça entre os braços cruzados.</p>
<p>Entretanto, naquela madrugada…</p>
<p>Sereno, na esquisita postura já descrita, num tom gutural, proféticas palavras quase inteligíveis. Galindo, aos poucos, se tranquilizava, certo de que nada de anormal [além da pantomima representada por Sereno], e muito menos de sobrenatural ocorreria.</p>
<p>De repente, a única lâmpada, que pendia da viga de madeira mestra, por um fio adornado por tiras de papel pega-moscas, piscou algumas vezes, a luz diminuiu de intensidade. Sereno tombou de joelhos ante a barrica…</p>
<p>Uma descarga elétrica percorreu a espinha de Galindo, fazendo com que ele se espichasse com as mãos nos quartos. Instintivamente voltou-se para a barrica, e o que viu, segundo se sabe, foi uma etérea forma humana, uma bela mulher, a trajar, conforme apurado depois, mediante depoimento de Sereno, veste longa, um tanto justa, com saia ampla sustentada por crinolinas. Destacavam-se os punhos com renda.</p>
<p>Sim, ali estava ela, a amada por séculos e séculos de Sereno. O mais assustador era o fato de Galindo poder vê-la também. A aparição, por sua vez, não emitia som algum, e nem mesmo fitava Sereno. Aos poucos desvaneceu-se. A lâmpada não mais piscava, a claridade no ambiente voltou ao que era antes.</p>
<p>Sereno se ergueu, ajeitou camisa de botão e calça de linho dum amarelo encardido. Encostou o corpo no balcão. Com um gesto inconfundível, pediu, em silêncio, uma dose de milone. Galindo, sustentando a garrafa com as duas mãos trêmulas, encheu-lhe o copo.</p>
<p>Dois goles, bateu Sereno, a bebida. Soltou um longo suspiro. Esboçou sorriso, tomou caminho pela rua. O galo, não tão distante, anunciava nova manhã.</p>
<p>Bem, eis o que se dizia e, em obediência ao relatado, contei aqui. Quanto Galindo, este em nada alterou da sua rotina, exceto por uma providência tomada: mandou fincar quatro estacas ao redor da barrica, passou grossa corda de sisal pelos furos das extremidades superiores das estacas, aplicou um reef knot, a tornar evidente que qualquer curioso deveria contemplar o objeto à distância.</p>
<p>De fato, pelos três meses seguintes o acontecido foi o assunto. Houve quem se apresentasse como exorcista e quisesse até mesmo queimar a barrica.</p>
<p>Romaria de boêmios, um ou outro pequeno grupo de piedosas orações em nome do descanso daquela alma.</p>
<p>Ah, cumpre informar que a bodega nunca teve nome, mesmo. Era conhecida como “lá no Galindo”. Fora aberta, se não falha a memória, em 58, ano em que o roquenrol balançava o esqueleto da juventude e Pelé se destacava na vitória da seleção brasileira sobre o time da Suécia.</p>
<p>Galindo manteve seu estabelecimento aberto até 1986. Depois disso, passou a morar no interior, no diminuto sítio, propriedade sua, onde criava galinhas, patos, perus, alguns porcos.</p>
<p>Por hoje é só, estimado leitor.</p>
<p>&nbsp;</p>
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