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	<title>Arquivo para poderosos - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>As histórias dos correspondentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 09:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Viver para contar. É assim, vivendo para contar histórias todos os dias, a lida dos jornalistas brasileiros.  Em outros tempos poderia até se dizer que, logo cedo, você, leitor,  ficaria bem informado quando o jornal, quentinho feito pão e com cheiro da rotativa, chegava a sua casa e era, digamos, um acompanhamento para o café &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fas-historias-dos-correspondentes%2F&amp;linkname=As%20hist%C3%B3rias%20dos%20correspondentes" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fas-historias-dos-correspondentes%2F&amp;linkname=As%20hist%C3%B3rias%20dos%20correspondentes" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fas-historias-dos-correspondentes%2F&amp;linkname=As%20hist%C3%B3rias%20dos%20correspondentes" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fas-historias-dos-correspondentes%2F&amp;linkname=As%20hist%C3%B3rias%20dos%20correspondentes" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fas-historias-dos-correspondentes%2F&#038;title=As%20hist%C3%B3rias%20dos%20correspondentes" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/as-historias-dos-correspondentes/" data-a2a-title="As histórias dos correspondentes"></a></p><p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-38905 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T231742.375.png 1080w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Viver para contar. É assim, vivendo para contar histórias todos os dias, a lida dos jornalistas brasileiros.  Em outros tempos poderia até se dizer que, logo cedo, você, leitor,  ficaria bem informado quando o jornal, quentinho feito pão e com cheiro da rotativa, chegava a sua casa e era, digamos, um acompanhamento para o café da manhã. E ainda o  é. Só<span style="color: #000000;"> que</span> hoje junto ao jornal impresso há os jornais na internet, que nunca dormem e são atualizados minuto a minuto, e os canais de TV que nunca desligam. São novos tempos e um fato que aconteceu lá do outro lado do mundo chega até você num piscar de olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas em outros tempos,  que o protótipo de um &#8220;celular&#8221; só existia na sola do sapato do agente Maxwell Smart, do seriado de TV Agente 86, os jornalistas tinham que ter no bolso as fichas do telefone público para se comunicar com a redação, seja no Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília. E ainda ter horário para mandar as matérias que, num passado recente, eram enviadas por telex, aparelho que hoje é uma portentosa peça de museu.</p>
<p style="text-align: justify;">Para uma geração que só conhece, também, no  museu a máquina de escrever e outra que era veloz na datilografia,  o <strong>Só Sergipe</strong> convidou três jornalistas sergipanos para que contassem, em primeira pessoa, um pouco de suas histórias como correspondentes de grandes jornais brasileiros: <strong>Adiberto Souza, </strong>do extinto Jornal do Brasil;<strong>  Ofélia Onias, </strong>do Correio Braziliense<strong>; e Milton Alves, </strong>de O Globo. Eles atuaram numa época  em que  a tecnologia dava os primeiros passos e hoje são testemunhas oculares da evolução do jornalismo, integraram-se às novas ferramentas, enfim, estão totalmente antenados.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a internet e as redes sociais mudaram o mundo, a depender do uso,  para melhor ou para pior &#8211; que o digam as fake news &#8211; uma coisa não mudou: o  efêmero poder, que enfeitiça o homem desde que o mundo é mundo. Esses jornalistas contam como pessoas &#8220;poderosas&#8221; os perseguiram por não concordarem com as reportagens que escreveram e, como acontece ainda hoje, no século XXI,  foram até os donos dos jornais para pedir-lhes as respectivas cabeças. Ou seja, a demissão.</p>
<p style="text-align: justify;">São por  essas histórias saborosas, cheias de coragem, perspicácia que você leitor vai viajar agora, como um presente para todos pela data especial para nós jornalistas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hoje, 7 de abril,  é o  dia do jornalista</strong>, instituído em 1931 pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em  homenagem ao médico e jornalista Giovanni Battista <strong>Líbero Badaró</strong>, morto por inimigos políticos poderosos em 1830.</p>
<p style="text-align: justify;">O <strong>Só Sergipe </strong>se congratula com os cerca de 1 mil jornalistas sergipanos  &#8211; 700 deles sindicalizados &#8211; e todos os colegas do Brasil por tão significativa data.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: center;">A minha passagem pelo Jornal do Brasil</h2>
<figure id="attachment_38887" aria-describedby="caption-attachment-38887" style="width: 178px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-jor.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-38887" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-jor-300x300.jpg" alt="" width="178" height="178" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-jor-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-jor-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-jor.jpg 531w" sizes="(max-width: 178px) 100vw, 178px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38887" class="wp-caption-text">Adiberto Souza (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Ingressei no Jornal do Brasil em julho de 1987 para trabalhar como correspondente em Sergipe, substituindo o saudoso colega Paulo Barbosa, que havia pedido demissão. Eram outros tempos, sem as facilidades de hoje. Não havia celular nem internet. Meu contato diário</p>
<figure id="attachment_38903" aria-describedby="caption-attachment-38903" style="width: 196px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-38903" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375-300x300.png" alt="" width="196" height="196" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Design-sem-nome-2021-04-06T230123.375.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38903" class="wp-caption-text">Orelhão</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">com o JB era via telefone convencional e telex, um aparelho enorme, instalado na casa de meus pais, onde eu morava. Pelo telex, eu recebia as pautas e repassava as matérias. Para enviar fotos só através do malote da Vasp, por onde também me chegavam as bobinas e as fitas do barulhento telex.</p>
<p style="text-align: justify;">Como eu passava a maior parte do dia na rua, usava os orelhões para saber se havia chegado alguma pauta urgente pelo telex. Portanto, podia faltar tudo no bolso, menos as fichas telefônicas. O JB pagava um fixo mensal para bancar a gasolina do fusquinha, com o qual me deslocava para cumprir as pautas. O jornal também reembolsava o trabalho dos colegas repórteres-fotográficos, contratados para me acompanhar em determinadas pautas, tanto na capital quanto no interior do estado. Não havia pechincha, mas se cobrava resultados.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Tudo muito perto</h3>
<p style="text-align: justify;">Na década de 80 Aracaju era uma cidade pequena e tudo acontecia praticamente no centro da cidade. Ali estavam o Palácio do Governo, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, a Prefeitura, os jornais diários, as emissoras de rádio, o Tribunal de Contas do Estado, os cabarés, a casa do arcebispo, alguns hotéis, a Câmara de Vereadores &#8211; à época instalada em frente à Rodoviária Luiz Garcia, no mesmo trecho da Polícia Federal &#8211; e o Bar e Restaurante Cacique Chá, este no Parque Olímpio Campos. Ali ao lado da Catedral também ficava a banca de revista do amigo Careca onde, todas as tardes, eu retirava dois exemplares do JB, enviados do Rio exclusivamente para o correspondente: um charme!</p>
<p style="text-align: justify;">O Cacique Chá era o “escritório” dos correspondentes de Sergipe. Nos fins de tarde, eu, Eugênio Nascimento (Folha de S. Paulo), Milton Alves (O Globo), Ofélia Freire (Correio Braziliense) e José Andrade (Estadão) nos reuníamos para discutir como foi o dia, trocar informações, avaliar futuras pautas e, naturalmente, beber umas cervejas. O saudoso colega Jurandir Santos (Diário de Pernambuco) nunca participava destas reuniões, pois neste horário fechava as páginas de esporte do Jornal de Sergipe. Outros e outras jornalistas também frequentavam a animada roda de conversa, que sempre entrava noite a dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não recordo quantas matérias emplaquei no Jornal do Brasil, muitas de página inteira, como a que assinei, juntamente com o editor do JB, Marcelo Pontes, sobre os assassinatos de menores no centro de Aracaju por policiais civis custeados por comerciantes, que queriam “limpar a área”. Outros garotos também só não foram mortos graças ao juiz de menores José Rivaldo, que os mandou pra fora do estado. Essa reportagem teve um box assinado pelo jornalista Tim Lopes, posteriormente assassinado por traficantes no Rio de Janeiro.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Queixa rendeu um estágio</h3>
<figure id="attachment_38882" aria-describedby="caption-attachment-38882" style="width: 471px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-com-Jose-Genoino.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-38882" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-com-Jose-Genoino-300x196.jpg" alt="" width="471" height="308" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-com-Jose-Genoino-300x196.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-com-Jose-Genoino-1024x669.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-com-Jose-Genoino-768x502.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Adiberto-Souza-com-Jose-Genoino.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 471px) 100vw, 471px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38882" class="wp-caption-text">Na foto, Adiberto (com irretocável barba)  entrevistando para o JB o então deputado federal José Genoino (PT), acompanhado pelo saudoso ex-vereador de Aracaju, Gilvan Melo (PT), no Hotel Parque dos Coqueiros, na Praia de Atalaia Foto: Geraldo Santos</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Outra matéria que repercutiu muito foi uma sobre o Projeto Califórnia, em Canindé do São Francisco, considerado, à época, o projeto de irrigação mais caro do mundo (US$ 18 milhões). Levei três meses entre a coleta de dados e o texto final. Lembro que o então ministro do Interior e ex-governador João Alves Filho não gostou da reportagem contra a obra de seu governo e foi pessoalmente reclamar de mim na sede do Jornal do Brasil. Como “castigo”, o JB me convidou para um estágio de dois meses no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro de ter conseguido um generoso espaço &#8211; com charge e tudo &#8211; na página de Comportamento do JB graças a um simples anúncio nos classificados do Cinform com o título: “Precisa-se de mulher feia”. Fui ver de que se tratava e me deparei com um circo de horrores, onde pessoas fantasiadas de monstros assustavam os espectadores. Interessante que para serem contratadas, as dezenas de candidatas ao emprego admitiram que realmente se achavam feias, horríveis. E nem precisava disso, pois elas atuavam usando máscaras de monstros.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser correspondente do JB foi a melhor experiência que tive como jornalista. Nesse período, aprendi a enxergar Sergipe de fora pra dentro, separar um fato jornalístico de uma pendenga paroquial sem importância. Também precisava ser sucinto, pois não era fácil conseguir um espaço no Grande Jornal do Brasil. Como trabalhava sozinho, me aperfeiçoei em todas as áreas. Eu tinha que produzir matérias de política, polícia, esporte, sociedade, economia, comportamento, etcetera e tal. Era pau pra toda obra!</p>
<p style="text-align: justify;">No governo de Fernando Collor de Melo a imprensa do Sudeste entrou em crise financeira e começou a dispensar os correspondentes. Recordo que eu estava no Cacique Chá quando um dos garçons veio à mesa me dizer que tinha alguém no telefone querendo falar comigo: era o editor do JB para me comunicar, todo sem jeito, que eu estava sendo mandado embora. Como já esperava por isso, pois outros colegas do Nordeste já haviam sido dispensados, retornei e continuei bebendo a minha cerveja. Ora, vão-se os anéis, ficam os dedos. Foi assim a minha passagem pelo Jornal do Brasil!</p>
<p><strong>(*)</strong> Foi correspondente do Jornal do Brasil e atualmente é CEO do site <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.destaquenoticias.com.br/">Destaque Notícias</a></span> e colunista da Infonet.</p>
<h2 style="text-align: center;">Minha experiência como correspondente do Correio Braziliense</h2>
<figure id="attachment_38886" aria-describedby="caption-attachment-38886" style="width: 183px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ofelia-Onias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-38886" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ofelia-Onias-300x300.jpg" alt="" width="183" height="183" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ofelia-Onias-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ofelia-Onias-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ofelia-Onias.jpg 446w" sizes="auto, (max-width: 183px) 100vw, 183px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38886" class="wp-caption-text">Ofélia Onias (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A minha passagem pelo Jornal Correio Braziliense se deu no início de 1988, com a redemocratização do país. Buscando expandir sua atuação, o CB, sediado em Brasília e tendo o foco principal de notícias o Planalto Central, viu a necessidade de ampliar os horizontes e criou uma página com notícias diárias de todos os estados do Brasil, exigindo a contratação de correspondentes. Meu nome foi indicado pelo sergipano e um dos mais importantes jornalistas de Brasília, Armando Rollemberg.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tinha como obrigação diária enviar duas notas sobre os principais fatos ocorridos no estado. Os demais colegas também enviavam e assim era fechada essa página nacional. Mas isso não me limitava, porque, além das notas, fatos relevantes tinham destaques garantidos, assim como pautas especiais eram executadas.</p>
<figure id="attachment_38883" aria-describedby="caption-attachment-38883" style="width: 135px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-16.37.28.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-38883" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-16.37.28-135x300.jpeg" alt="" width="135" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-16.37.28-135x300.jpeg 135w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-16.37.28-461x1024.jpeg 461w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-16.37.28.jpeg 576w" sizes="auto, (max-width: 135px) 100vw, 135px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38883" class="wp-caption-text">Fac-símile do Correio Braziliense com matéria de Ofélia Onias</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Cobri para o Correio Braziliense fatos importantes da política sergipana, a exemplo do impeachment do então prefeito Jackson Barreto pela Assembleia Legislativa de Sergipe. Somente jornalistas credenciados e os deputados tiveram acesso ao plenário. Quando a sessão se encerrou, a Praça Fausto Cardoso estava lotada de gente, um trio elétrico com políticos se revezando em discursos pela defesa de JB. O cenário assustou aqueles que precisavam sair da Assembleia, como nós jornalista. Saí junto com Milton Alves, correspondente de O Globo, se esgueirando na calçada, até chegarmos à Rua João Pessoa. Todos os correspondentes conseguiram manchete nesse dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro episódio que me marcou foi uma manifestação de professores que a polícia do então governador Antônio Carlos Valadares usou de violência para dispersar a multidão. Dentre os manifestantes agredidos estava o ex-governador Marcelo Déda, naquela ocasião sem mandato. Consegui manchete de página com matéria assinada e chamada na primeira página. Quase perco meu emprego no Estado por tal matéria.</p>
<p style="text-align: justify;">A história de Zé do Baião, o dono de um bar na praia do Abaís que manteve um “harém” até a sua morte, também teve destaque no CB. Consegui meia página e a ilustração com uma bela charge, já que não dispunha de fotógrafo. Foram várias as reportagens que consegui destaque especial com chamada na primeira.</p>
<p style="text-align: justify;">O Correio Braziliense não me ofereceu a estrutura dos demais correspondentes, a exemplo de Adiberto Souza, Milton Alves e José Andrade. Num tempo em que não tinha celular nem internet, as matérias eram enviadas diariamente pelo telex da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Tinha que fechar até as 16h30 porque, às 17 horas, os Correios encerravam o expediente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos fins de semana quem me socorria era Adiberto Souza que dispunha de um telex em casa. Ele era correspondente do Jornal do Brasil. Durante a semana, quando a apuração da notícia não nos permitia fechar antes das 17 horas, usava o telex da Secom. Os secretários de Comunicação autorizavam essa cortesia para os correspondentes. Com a posse de Fernando Collor os jornais entraram em crise e o Correio Braziliense encerrou as correspondências em quase todos os estados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(*)</strong> Foi correspondente do Correio Braziliense e atualmente é assessora da Secom e produtora dos programas de rádio e TV do Sebrae</p>
<h2 style="text-align: center;">O &#8220;esquerdismo da Igreja&#8221; e  a visita do papa João Paulo II</h2>
<figure id="attachment_38885" aria-describedby="caption-attachment-38885" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.12.49.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-38885" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.12.49-300x194.jpeg" alt="" width="300" height="194" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.12.49-300x194.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.12.49.jpeg 720w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38885" class="wp-caption-text">Milton Alves (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O mundo virou profissionalmente. Em setembro de 1978, já atuando na imprensa de Sergipe há nove anos, minha Carteira Profissional foi assinada pelo O Globo – Empresa Jornalística Brasileira Ltda. As pautas mudaram de conteúdo, os textos ganharam dimensão nacional e fatos coloquiais raramente se tornaram indicativos de textos. A atenção das fontes se tornou mais abrangente, diante da possibilidade de ser notícia nacional, em O Globo ou na Agência O Globo que distribuía o material para seus assinantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram 15 anos a me apresentar como correspondente de O Globo. Cresci profissionalmente, até pelo dia a dia convivendo com profissionais muitos deles professores nas maiores Faculdades de Comunicação do Brasil. E essa convivência me fez, também, ampliar a minha visão sobre o Estado de Sergipe nos campos político, econômico e social. Nem tudo foram flores: no Dia do Soldado, em 1985, o então arcebispo de Aracaju dom Luciano José Duarte fez um pronunciamento no 28° Batalhão de Caçadores e se queixou do que classificou “esquerdismo na Igreja” e defendeu uma cruzada nacional anticomunista.</p>
<figure id="attachment_38884" aria-describedby="caption-attachment-38884" style="width: 225px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.03.14.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-38884" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.03.14-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.03.14-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-05-at-17.03.14.jpeg 720w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38884" class="wp-caption-text">Crendencial para ver o papa</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O Globo deu destaque, e logo o arcebispo escreveu uma carta para a redação do jornal desmentindo o fato e nas entrelinhas pediu a minha demissão. Fui obrigado a voltar ao 28° BC para repercutir o discurso. Gravei entrevistas com oficiais, que confirmaram o discurso se distanciando da pregação do religioso com a justificativa de que era o pensamento dele, e encaminhei a fita à redação da sucursal em Salvador. O jornal na seção cartas publicou resumo do texto de dom Luciano Duarte e em negrito observou que a matéria havia sido correta.</p>
<p style="text-align: justify;">Três dias depois desse episódio, dom Luciano Duarte foi convocado pelo Papa João Paulo II para um encontro em Roma. Ao chegar à Arquidiocese me identifiquei e a funcionária, uma madre atenciosa, pediu-me para esperar. A espera para ser atendido por dom Luciano Duarte durou das 8 horas da manhã às 17 horas. A entrevista foi concedida, com um detalhe: foram três perguntas que ditei para o religioso, que usando uma máquina de escrever copiou e as respondeu. Ele e eu assinamos o documento, publicado integralmente com uma nota de abertura.</p>
<p style="text-align: justify;">Em julho de 1984, dia 14, morreu o ex-governador Leandro Maciel. No velório, o então presidente nacional do PDS Augusto Franco declarou para O Globo que “ou o partido vai para as ruas catar votos em favor de Paulo Maluf ou perde a eleição no Colégio Eleitoral para Tancredo Neves”. Tancredo Neves, PMDB, se elegeu presidente da República. Essa declaração valeu manchete de primeira página em O Globo. Em julho de 1980, fui escolhido a compor a equipe de jornalistas de O Globo que cobriu a visita do Papa João Paulo II a Salvador – foi minha experiência internacional. No Dia do Jornalista, meu fraterno abraço a todos!</p>
<p><strong>(*) </strong>Milton foi correspondente do Jornal O Globo e  hoje é diretor industrial da Segrase.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Morre Candelária, presidente de associação que defendia as profissionais do sexo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/morre-candelaria-presidente-de-associacao-que-defendia-as-profissionais-do-sexo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2020 18:19:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), morreu hoje, 30, em Aracaju, Maria Niziana Castelino, 70 anos, conhecida como Candelária, presidente da Associação Sergipana de Prostitutas (ASP). Ela estava  internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)  do Hospital de Cirurgia desde o começo de maio, quando foi submetida a uma intervenção cirúrgica. Há suspeita de &#8230;</p>
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<p style="text-align: justify;">Ela venceu o Prêmio Claudia 2000 e em 29 de agosto de 2016  a Revista Claudia publicou a reportagem<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://claudia.abril.com.br/sua-vida/10-mulheres-que-mudaram-a-vida-de-outras-mulheres-no-brasil/"> &#8220;10 mulheres que mudaram a vida de outras mulheres no Brasil&#8221;</a></span>, e Candelária foi uma das personagens. À revista, ela contou que aos  7 anos, em Belo Jardim (PE) onde nasceu, depois de tomar uma surra da mãe adotiva, fugiu de casa e foi morar na rua. Viveu assim até ser descoberta por uma cafetina, que lhe deu o apelido de Candelária, como  ficou conhecida. “Ela dizia que eu era tão imponente como a igreja da Candelária, no Rio de Janeiro”, lembrou na ocasião.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois mudou-se para Aracaju. &#8220;Com 16 anos, 1,71 metro, corpo esguio e olhos verdes, tornou-se a prostituta mais bela e requisitada de Aracaju, trabalhando na boate Miramar. Foi amante de poderosos, casou-se com um empresário de transportes de carga e deixou a prostituição aos 22 anos. Não esqueceu, no entanto, as mulheres da noite&#8221;,  diz a reportagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1991, denunciou a violência e o abuso da polícia contra elas e fundou a ASP. Com apoio do Ministério da Saúde, a organização prestava atendimento a profissionais do sexo na região, oferecendo palestras sobre prevenção de Aids e DSTs, noções de cidadania e autoestima e distribuía preservativos para as prostitutas de baixa renda. Candelária também montou o serviço Posto de Saúde Dona Jovem, que atendia gratuitamente vítimas de doenças sexualmente transmissíveis. Para mulheres que desejavam mudar de atividade, ela sugeria cursos profissionalizantes.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>&#8220;Perdi tudo que juntei, mas tenho força de trabalho e paz no coração&#8221;, diz Antônio Bonfim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Nov 2019 06:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ex-empresário Antônio Bonfim, 70 anos, que durante 36 anos dirigiu o mais importante jornal semanário de Sergipe, o Cinform, deve levar para o túmulo os nomes das figuras importantes do Estado que, segundo ele, o deixou, junto com a empresa, na bancarrota. “Alguns deles estão vivos e podem acabar de me enterrar”, disse Bonfim, &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fperdi-tudo-que-juntei-mas-tenho-forca-de-trabalho-e-paz-no-coracao-diz-antonio-bomfim%2F&amp;linkname=%E2%80%9CPerdi%20tudo%20que%20juntei%2C%20mas%20tenho%20for%C3%A7a%20de%20trabalho%20e%20paz%20no%20cora%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D%2C%20diz%20Ant%C3%B4nio%20Bonfim" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fperdi-tudo-que-juntei-mas-tenho-forca-de-trabalho-e-paz-no-coracao-diz-antonio-bomfim%2F&amp;linkname=%E2%80%9CPerdi%20tudo%20que%20juntei%2C%20mas%20tenho%20for%C3%A7a%20de%20trabalho%20e%20paz%20no%20cora%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D%2C%20diz%20Ant%C3%B4nio%20Bonfim" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fperdi-tudo-que-juntei-mas-tenho-forca-de-trabalho-e-paz-no-coracao-diz-antonio-bomfim%2F&amp;linkname=%E2%80%9CPerdi%20tudo%20que%20juntei%2C%20mas%20tenho%20for%C3%A7a%20de%20trabalho%20e%20paz%20no%20cora%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D%2C%20diz%20Ant%C3%B4nio%20Bonfim" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fperdi-tudo-que-juntei-mas-tenho-forca-de-trabalho-e-paz-no-coracao-diz-antonio-bomfim%2F&amp;linkname=%E2%80%9CPerdi%20tudo%20que%20juntei%2C%20mas%20tenho%20for%C3%A7a%20de%20trabalho%20e%20paz%20no%20cora%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D%2C%20diz%20Ant%C3%B4nio%20Bonfim" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fperdi-tudo-que-juntei-mas-tenho-forca-de-trabalho-e-paz-no-coracao-diz-antonio-bomfim%2F&#038;title=%E2%80%9CPerdi%20tudo%20que%20juntei%2C%20mas%20tenho%20for%C3%A7a%20de%20trabalho%20e%20paz%20no%20cora%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D%2C%20diz%20Ant%C3%B4nio%20Bonfim" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/perdi-tudo-que-juntei-mas-tenho-forca-de-trabalho-e-paz-no-coracao-diz-antonio-bomfim/" data-a2a-title="“Perdi tudo que juntei, mas tenho força de trabalho e paz no coração”, diz Antônio Bonfim"></a></p><p style="text-align: justify;">O ex-empresário Antônio Bonfim, 70 anos, que durante 36 anos dirigiu o mais importante jornal semanário de Sergipe, o Cinform, deve levar para o túmulo os nomes das figuras importantes do Estado que, segundo ele, o deixou, junto com a empresa, na bancarrota. “Alguns deles estão vivos e podem acabar de me enterrar”, disse Bonfim, ao justificar porque não citaria nomes daqueles que o arruinaram financeiramente. <span style="color: #000000;">De próspero empresário, que chegou a ter 186 funcionários, de receber do então deputado estadual Belivaldo Chagas (hoje, governador), em 2006, a Comenda da Ordem do Mérito Parlamentar, Bonfim, hoje, vive com uma aposentadoria do INSS, no valor de R$ 2,5 mil. &#8220;Perdi tudo que juntei&#8221;, reconhece.</span> Mas, inquieto, dirigiu Uber durante quatro meses para complementar a renda. Nesse período disse que conheceu Aracaju e aprendeu a dirigir, pois antes de ser motorista profissional “achava que sabia dirigir”. Como o trabalho de motorista não dava lucro, deixou. Com a atual esposa, Alexsandra Santos, “que me conheceu na riqueza e vive comigo na pobreza”, trabalha na lavanderia, a  Lavo e Levo, que ela abriu como microempresária individual (MEI), no Salgado Filho. Hoje, Bonfim  diz que dorme tranquilo, porque ninguém lhe cobra mais nada, desde que vendeu o Cinform, em 2018.  Ele conta que tem gente, hoje, que ao vê-lo na rua muda de caminho, desvia o olhar, faz que não o vê para não cumprimentá-lo. Bonfim diz que ri disso tudo, mas, vez por outra, se sente magoado e triste. Esses problemas o ensinaram que na vida o mais importante não é o lado material, e sim o espiritual, “coisa que eu não ligava antes”. Bonfim, que morava na Mansão Laurent, na praia 13 de Julho, hoje reside no Salgado Filho, num imóvel alugado, onde funciona também a lavanderia da esposa. Na quinta-feira,  ele recebeu o Só Sergipe para a seguinte entrevista.</p>
<figure id="attachment_22721" aria-describedby="caption-attachment-22721" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/antonio-bomfim-com-marcelo-déda.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22721 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/antonio-bomfim-com-marcelo-déda.jpg" alt="" width="800" height="530" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/antonio-bomfim-com-marcelo-déda.jpg 800w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/antonio-bomfim-com-marcelo-déda-300x199.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/antonio-bomfim-com-marcelo-déda-768x509.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/antonio-bomfim-com-marcelo-déda-310x205.jpg 310w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a><figcaption id="caption-attachment-22721" class="wp-caption-text">Antônio Bonfim, em 2006, sendo homenageado, na Alese. Com ele, o então prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (falecido) Foto: Márcio Dantas</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SÓ SERGIPE –  O senhor foi um grande empresário da comunicação, dono  do semanário Cinform, e hoje recomeça com uma pequena lavanderia que não está nem em seu nome.  O que aconteceu ao longo desta trajetória? O que deu errado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ANTÔNIO BONFIM –</strong> O que deu errado no Cinform foi que eu optei por uma linha de independência, imparcialidade. Formei dois milhões de amigos e admiradores, mas meia dúzia de pessoas tiveram seus interesses contrariados, por culpa das coisas mal feitas deles, todos da área política, que me perseguiram, a ponto de me deixarem sem nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
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<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Quem foi que lhe perseguiu, a ponto de provocar a queda de uma empresa como o Cinform e a sua pessoal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong>Eu prefiro não citar nomes, porque alguns ainda estão vivos e eles podem terminar de me enterrar. Deixa sobreviver com essa empresa, que não é nem minha. Quando descobrirem, sentirem que ainda respiro, vão querer jogar uma pá de cal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – O senhor hoje está aposentado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB &#8211;</strong> Depois de 57 anos trabalhando, me aposentado e procurei outras atividades para encher meu tempo. Tentei a linha Hinode com minha atual mulher, mas não gostei, pois quem tem mais tempo leva vantagem nesse negócio. Passei quatro meses sendo motorista de Uber.  Gostei porque conheci Aracaju que não conhecia. Aprendi a dirigir, porque eu pensava que sabia. Mas eu estava pagando para me ocupar. Então, desisti. Mas antes, um passageiro me levou para fazer Polishop. Essa foi a maior decepção: para você ganhar algo, precisa tirar de alguém, isso nunca fez e não faz o meu perfil, levar vantagem em cima das pessoas.  Depois que eu paguei as mercadorias iniciais, deixei a Polishop e comecei a pensar em outra atividade. E veio a ideia de fazer franquia de lavanderia. Mas como somos pessoas humildes, que sabemos lavar e passar roupa, minha mulher abriu a empresa, Lavo e Levo, como micro empreendedora individual (MEI) e contratou uma funcionária. Com certeza, vamos crescer e iremos ampliar a equipe e a empresa. Para completar,  vendo planos de saúde, sou consultor de vida!</p>
<figure id="attachment_22725" aria-describedby="caption-attachment-22725" style="width: 169px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/WhatsApp-Image-2019-11-09-at-17.19.05-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22725 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/WhatsApp-Image-2019-11-09-at-17.19.05-1-169x300.jpeg" alt="" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/WhatsApp-Image-2019-11-09-at-17.19.05-1-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/WhatsApp-Image-2019-11-09-at-17.19.05-1-576x1024.jpeg 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/WhatsApp-Image-2019-11-09-at-17.19.05-1.jpeg 648w" sizes="auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-22725" class="wp-caption-text">Bomfim vive com uma aposentadoria de R$ 2,5 mil mensais</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Veja, o senhor de um rico empresário a motorista de Uber conhece, numa única vida, os extremos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Fui um grande empresário.  Tive tudo que pensei em ter na minha vida. Não sonhei muito alto. Eu tinha uma chácara no Robalo, que era um negócio de cinema, espetacular, resultado de 50 anos de trabalho. Tive uma lancha, jet sky, carros bons, tinha um apartamento na avenida Beira Mar, na Mansão Saint Laurent, e terminei perdendo tudo. Hoje moro de aluguel, o carro que uso é da minha mulher, e qualquer coisa que venha para o meu nome eu perco, porque tem processo atrás de alguma moeda que eu tenha.</p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Como está o senhor, diante dessa situação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB – </strong>Deus me abençoou, me protegeu. Tenho uma aposentadoria que é uma merreca, mas tenho, e que dá para sobreviver. Deus me deu paz no coração e saúde.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Que lições o senhor tem tirado destes episódios da vida?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Acho que meu ganho foi espiritual. Eu cresci espiritualmente, porque eu não ligava muito para essa parte, e sim para o lado material. Não era questão de juntar riqueza, mas tê-la. Deixar para os meus filhos, meus netos. Mas infelizmente, não deu certo. Nós todos estamos superando, porque vendemos as empresas ao grupo Sacopel. Concordei com a venda e não recebemos um centavo, mas a compradora ficou com o compromisso de pagar todas as ações civis, trabalhistas, aos fornecedores e os débitos com a União, para nós era o suficiente. Eu precisa dormir em paz e não ficar recebendo ligações de cobrança. As pessoas não entendiam que essa crise não era só nossa, mas estava potencializada sobre nós por causa do relacionamento com pessoas que puxaram nosso tapete. A mídia impressa vem sofrendo há mais de 10 anos e, paralelamente a isso, temos a crise interna nossa com os grupos poderosos daqui de Sergipe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Os governos – estadual e  municipais – ficaram devendo dinheiro de publicidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB &#8211;</strong> Fizeram todas as coisas ruins para nos deixar de joelhos, mas agora estes débitos ficaram com o grupo que assumiu o Cinform.</p>
<figure id="attachment_22726" aria-describedby="caption-attachment-22726" style="width: 900px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/bomfim-com-o-ex-govenador-JB.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22726 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/bomfim-com-o-ex-govenador-JB.jpg" alt="" width="900" height="782" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/bomfim-com-o-ex-govenador-JB.jpg 900w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/bomfim-com-o-ex-govenador-JB-300x261.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/bomfim-com-o-ex-govenador-JB-768x667.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-22726" class="wp-caption-text">Em 2013, o governador em exercício, Jackson Barreto, visita Bonfim na sede do Cinform<br />Foto: Márcio Dantas</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E o Bonfim, que no passado andava com os poderosos de Sergipe, como é hoje? Eles lhe viram o rosto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> É, tem situações interessantes que hoje eu dou risada.  É como se eu estivesse morrido e ficasse de lá de cima assistindo ao que se passa com aqueles ‘amigos, companheiros’. Interessante: eu encontro pessoas em determinados lugares e elas mudam de faixa, de posição, viram o olhar e eu dou risada. Porque eles vão passar, talvez, por coisas piores que eu já passei. Mas eu tenho a paz espiritual, tenho Deus comigo. Eu sou de Jesus e Jesus é meu. Eu superei tudo isso. Tiro de letra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Hoje, o senhor está tranquilo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Estou tranquilo, deito e durmo bem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Do que o senhor sente saudade daquele tempo da riqueza?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Saudade eu sinto é de um bom uísque, um bom vinho, um bom restaurante, de viajar. Dessas coisas sinto saudade. Hoje viajo uma vez por ano para São Paulo, vou ver meus médicos e curto um pouco daquela cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E antes, quantas vezes o senhor viajava?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Três a quatro vezes por ano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS –  Pelo Brasil  e exterior?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Sempre Brasil. Mas fui a Buenos Aires assistir ao Fluminense e Boca Juniores.  Mas meu projeto era conhecer o Brasil. Em 2012, me convenceram a ir a Buenos Aires e foi a primeira vez que saí do Brasil, mas não tinha pretensões de outras viagens ao exterior.</p>
<figure id="attachment_22729" aria-describedby="caption-attachment-22729" style="width: 381px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/belivaldo-homenageando-bomfim.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-22729" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/belivaldo-homenageando-bomfim-300x199.jpg" alt="" width="381" height="253" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/belivaldo-homenageando-bomfim-300x199.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/belivaldo-homenageando-bomfim-768x509.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/belivaldo-homenageando-bomfim-310x205.jpg 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/belivaldo-homenageando-bomfim.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px" /></a><figcaption id="caption-attachment-22729" class="wp-caption-text">O então deputado Belivaldo Chagas rendendo homenagens a Bonfim, em 2006</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Teve uma época no Cinform que toda a família trabalhava na empresa. E como estão seus familiares hoje?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Não me lembro em que ano foi, mas eu disse que no Cinform só ficariam os filhos. Noras deveriam ir para casa estudar para concurso, para arrumar emprego decente. Porque, de repente, parece que eu estava adivinhando, alguém puxa o nosso tapete e vai ficar todo mundo chupando dedo. A Flávia Martins Bonfim, jornalista, era editora do caderno de cultura do Cinform, entendeu a mensagem e foi fazer Direito. Mariana já era formada em Marketing e foi fazer Direito. Marcelo, meu genro, não se formou, bem como minha filha também. Hoje estão trabalhando. Deus nos tem ajudado e não passamos necessidades.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Houve uma época em que um dos seus filhos teria comprado um carro caríssimo, enquanto a empresa estava com débitos, isso provocou a ira dos jornalistas.  O que aconteceu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB – </strong>Ali foi o seguinte: meu filho e a esposa compraram terreno em um condomínio e levantaram uma casa, começaram a morar e vieram as dificuldades da distância, pois o imóvel era no Robalo. Aí encontraram a proposta de trocar por um apartamento na Atalaia e fizeram o negócio.  E entrou nesse acerto um carro velho, da marca Volvo, em torno de R$ 100 mil que eles só conseguiram vender por R$ 60 mil,  recebendo seis cheques de R$ 10 mil, e comeu o pão que o diabo amassou. Nenhum filho meu teve o luxo de ter um carro importado.  Quem teve um carro melhor fui eu.</p>
<figure id="attachment_22727" aria-describedby="caption-attachment-22727" style="width: 341px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/sede-do-cinform.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22727" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/sede-do-cinform-300x167.png" alt="" width="341" height="190" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/sede-do-cinform-300x167.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/sede-do-cinform-768x427.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/11/sede-do-cinform.png 936w" sizes="auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px" /></a><figcaption id="caption-attachment-22727" class="wp-caption-text">Atual sede do Cinform, na rua Porto da Folha Foto: Fan FM</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS –Se o senhor tivesse que começar o Cinform novamente, o que faria de diferente?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Faria tudo igual, mas pensaria em diversificar. Eu dei muito para as pessoas e não fiquei com nada para mim. Eu tinha o privilégio da informação em primeira mão e nunca usei disso. Teve uma época que eu tinha problemas com alguns funcionários, com a condição de suspender ou demitir, porque eles vendiam páginas do caderno de veículos para as pessoas terem informação privilegiada nos classificados de compra e venda. Eu não usava para mim, mas alguns dos meus funcionários usavam.  Eu cheguei a diversificar, mas terminava no mesmo lugar: o instituto de pesquisa, era comunicação; o balcão de anúncios, recepcionava os classificados. Por último, abri o Cinform online, para atender a nova demanda e aí quando a coisa pegou, pegou tudo. Ah, se eu tivesse um barzinho ali na esquina, ou um terreno! Agora estava vendendo. O que eu tinha era para uso e tive que vender tudo, entregar tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Qual foi o melhor momento do Cinform e qual o pior?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> O pior foi na rua Laranjeiras, quando comecei a receber um tratamento violento. Algum grupo deu um tiro de escopeta na casa de minha mãe, no Siqueira Campos. Ali foi o pior, porque vivíamos num clima de terror, com os filhos pequenos. O Shopping Riomar tinha inaugurado naquela época e eu nem podia ir lá levar as crianças, com frequência. Eu ia uma vez por mês e com segurança. Recebi pressão dos irmãos, por causa disso. Eu não poderia abaixar a cabeça, recuar, porque senão iam trucidar a gente. Mantive-me de pé para administrar essa situação de medo, que todos nós tínhamos. A gente almoçava e jantava com segurança do lado. O clima de terror que não desejo para ninguém. Mas superamos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E os bons?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Os outros momentos foram bons.  Quando atingimos 20 anúncios de classificados de veículos, comemoramos, foi uma festa.   E também quando chegamos a 5.600 anúncios classificados e fomos o segundo maior jornal de classificados do Nordeste, só perdemos para um do Rio Grande do Norte.  E uma vez, uma senhora de uma agência, veio nos criticar porque tínhamos muitos anúncios e eu disse a ela que a culpa não era nossa. Chegavam os anúncios e eu aumentava o número de páginas, mas as informações continuavam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS- E o senhor como gestor de uma empresa jornalística, o jornalismo deixou saudade ou deixou mágoa? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Eu tenho um sentimento de quando era criança, ouvia rádio e ficava indignado, assistindo ao jogo e o cara contando diferente do que eu estava vendo. E eu dizia que se um dia tivesse um veículo de comunicação faria o certo. Passei 36 anos tentando fazer, se fiz bem ou mal, que julguem. Saí do ramo e continuo vendo as mesmas patifarias, palhaçadas. E até pior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – No início da nossa conversa, o senhor falou dos persegui</strong><strong>dores e prefere silenciar quanto aos nomes deles. Mas onde o empresário Antônio Bomfim errou e deixou de fazer para que o Cinform não fosse à bancarrota e o senhor junto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> A quebradeira não foi nossa, foi mundial. Foi a tecnologia que trouxe dificuldade para mídia impressa. E paralelo a isso, aqui no Brasil tivemos crise de veículos, no mercado imobiliário.  Estes dois anunciavam com a gente: as concessionárias, os revendedores, todas as construtoras e imobiliárias. Era uma delícia dirigir o Cinform naquela época e nem a Globo ganhava para a gente. Aliás, a Globo ganhava em termos de faturamento, mas de importância, não.  Uma empresa ia lançar um empreendimento, procurava o Cinform. E aí entraram em crise e foi enfraquecendo. E, ainda, as perseguições políticas. Em 2007, um auditor fiscal do INSS ocupou uma sala no Cinform, durante seis a sete meses, e servíamos cafezinho e suco para ele. E a gente imaginava que ele estava orientando mas, na verdade, ele foi acabando com a gente. E quando saiu de lá deixou um rombo de mais de R$ 3,8 milhões para pagarmos. Nós chegamos a empregar 184 pessoas no Cinform.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E a Receita Federal também foi dura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Sim. Logo depois que saiu esse auditor do INSS, chegou a Receita, pediu documentos. E levamos. E lá se vão mais R$ 3 milhões para pagarmos. Chamamos os advogados, os contadores e eles declararam que aquelas contas eram impagáveis. Sobrevivemos de 2007 até 2016, por conta dos Refis. Ficou difícil pagar. Chegou ao ponto de não ter mais condições e tivemos que vender. Em 2013 ou 2014 colocamos à venda, discretamente, para não desvalorizar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – O senhor comprou por uma fortuna uma máquina impressora da Índia. Na chegada teve que fechar a rua para tirá-la do caminhão.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Foi sim. Tentei vender essa máquina e não consegui. Eu a entregaria por R$ 80 mil. Eu, então, saquei minha aposentadoria privada do Bradesco, na época R$ 76 mil. Eu iria me aposentar em 2005 com R$ 5 mil por mês, mas saquei para pagar uma folha do Cinform, porque não gostava de estar sendo cobrado. Fiz isso e hoje tenho uma aposentadoria de R$ 2,5 mil. E poderia estar com R$ 5 mil desde 2005, é duro. Mas faria de novo. Infelizmente, a coisa fugiu do controle, paciência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – O senhor era casado com Edna Bomfim, ela ficou gravemente doente e morreu em 2012.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Gastei o que tinha e o que não tinha no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde ela ficou internada. E o plano de saúde negou meus direitos e um desembargador sergipano, que se dizia meu amigo, entendeu que o direito era da seguradora Bradesco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS- O senhor que passou por tantos problemas financeiros, lhe pergunto: quem lhe sobrou de amigo? Porque quando se perde a majestade, esses ‘amigos’ somem.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Talvez isso seja o mais doloroso, sabe. Apesar de dar risadas, às vezes.  Mas há casos que você fica deprimido, você sente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Qual foi o que mais lhe deprimiu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Ahhh (suspirou fundo), prefiro não dizer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Então, sigamos para outra pergunta (nesse momento, ele interrompe e diz):</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB &#8211;</strong> Eu tive um irmão que me colocou na Justiça do Trabalho. E foi o que eu mais ajudei, ao ponto de ele me chamar de “mamãe Toinho”, quando era pequeno.  Qualquer um que me botasse na Justiça, é um direito. Mas, meu irmão&#8230; Ele teve apenas um emprego de vigilante, não me lembro onde, e fora isso, só eu o empreguei, que deve estar com 54 anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS- Quais são seus planos para o futuro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB – </strong>Infelizmente fiz vasectomia, não posso mais ter filhos e é caro para mim, hoje, fazer a reversão. O sonho de toda mulher é ser mãe e minha atual esposa, Maria Alexsandra Conceição Santos, também é. Já adotamos uma gata e no futuro, quem sabe, adotaremos uma criancinha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Há quanto tempo vocês estão juntos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Desde 2014. Nós juntamos os contracheques (risos). Ela me conheceu na riqueza e está comigo na pobreza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Alguma coisa mais que gostaria de dizer?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AB –</strong> Agradecer a Deus pelas bênçãos que recebi e que ainda vou receber. Cheguei aonde cheguei sem subir nas costas de ninguém. Perdi tudo que juntei, mas tenho os meus 10 dedos das mãos, saúde, força de trabalho e paz no coração. Mais do que isso, é luxo.</p>
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