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	<title>Arquivo para pássaro - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Sobre o peso de nossos pássaros mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 20:04:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quanto custa para uma pessoa ter de conviver com as suas negações de vida, os seus infortúnios, as suas farsas, as suas danças mirabolantes em prol do nada, suas angústias e destemperanças, suas aflições e suas impossibilidades? É possível sair ileso de uma perda significante? E de duas? E de três? E de infinitas perdas? &#8230;</p>
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<p>Quanto custa para uma pessoa ter de conviver com as suas negações de vida, os seus infortúnios, as suas farsas, as suas danças mirabolantes em prol do nada, suas angústias e destemperanças, suas aflições e suas impossibilidades? É possível sair ileso de uma perda significante? E de duas? E de três? E de infinitas perdas? Até onde se pode ir com tamanho peso nas costas? E que tipo de lacuna se configura na alma de um ser humano quando ele não mais enxerga em si força suficiente para sonhar, ou simplesmente para continuar? Quanto custa para desentalar de dentro de nosso corpo (que vai morrendo) o caroço dos trágicos fins cotidianos que nos afetam sem pena? É possível estancar a dor que dói lá no fundo de nós?</p>
<p>São perguntas ríspidas demais, sabemos. Mas são perguntas muito reais, e necessárias. Reais porque vivas e presentes. Porque elas simplesmente perambulam por aí, no centro da vida de muitos de nós. E é manipulando a narrativa de dores e perdas de uma mulher (sem nome), dos seus oito aos 52 anos de idade, que a escritora paulista Aline Bei se apresenta para a literatura em seu livro de estreia “O  peso do pássaro morto” (um dos vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2018) de modo muito sutil e certeiro.</p>
<p>O livro (Editora Nós, 2017) tem 168 páginas de uma prosa bastante diferenciada, recortada incontáveis vezes como fatias de expressão que muito se assemelham à estilística voltada para textos poéticos. Tal estratégia faz com que a leitura flua com uma velocidade deslizante. Ponto positivo também para as marcas de oralidade bem definidas e bastante evidentes como centros de todo o discurso das personagens.</p>
<p>(Cuidado, contém spoilers) Numa análise rápida, a sequência que condensa a jornada da protagonista pode ser explicada da seguinte forma: Logo na infância, perde sua melhor amiga, com quem mantinha uma relação de afeto incomensurável. Aos 17, é estuprada pelo próprio namorado. O pai da criança some de sua vida. O filho não corresponde, a mãe não corresponde, ninguém corresponde. Bete, que ajudou na criação de seu filho desde sempre, é a única que mantém um contato mais verdadeiro com o garoto até então. Bete morre. O filho vai para uma cidade mineira para cursar uma faculdade. Filho e mãe não se entendem. Ela se encanta por um cão durante uma viagem. Leva Vento (nome que deu ao cão) para sua casa. Vento parece entendê-la mais que seu próprio filho. Há acolhimento entre os dois. Fica sabendo que seu filho vai ter um bebê. Torna-se avó. Seu filho vai morar no estrangeiro. Ela regressa para a antiga casa. Memórias são revisitadas. A solidão segue assombrando-a. Vento morre atropelado na frente da velha casa. Triste e desamparada, morre por conta de um forte engasgo (?). Sabedor da morte da mãe, o filho demonstra indiferença. Por conta de negócios, o filho retorna ao Brasil e decide ir ao cemitério onde sua mãe está enterrada. Algo inusitado acontece neste exato instante.</p>
<p>É desta maneira, com um enredo aparentemente muito simples, que Aline Bei esmiúça o interior da alma humana, não só da personagem sem nome, mas a minha e a de quem quer que seja. Interessante mesmo foi perceber que, por diversos momentos, fui transportado para a figura ímpar de Macabéa, de Clarice Lispector, força-mor da obra “A  hora da estrela” e, também, de cenho-alma-expressão das dores incuráveis do viver (não me pergunte o porquê disto, mas assim se deu). Destarte, que fique claro que o livro pode pesar uma tonelada nas mãos dos leitores mais desavisados. Assim sendo, bucaneiros e bucaneiras, venham preparados para “O peso do pássaro morto!”</p>
<p>_________</p>
<p>(*) <strong>Germano Xavier</strong> nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux); e em 2022 , Esplanada do Tempo, que compreende a segunda parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Avalovara (e suas mulheres) &#8211; Notas sobre Abel, a mulher sem nome, Roos e Cecília</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2020 09:00:07 +0000</pubDate>
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<p style="text-align: justify;">Osman Lins é um exímio construtor de máscaras, pois mascarados são seus personagens no enredo mítico de sua obra-prima: o romance AVALOVARA. Mascarados não por não conterem em si “nenhum caráter”, como o ilustre Macunaíma, de Mário de Andrade, mas sim por serem elas (as personagens) entidades existentes primordialmente numa esfera de imaginação onírica que, por diversos momentos, sufoca a presença de uma anunciada realidade. Osman Lins (1924-1978), pernambucano de Vitória de Santo Antão, literalmente põe as personagens sobre a palma da mão do leitor, como que almejando um fenômeno receptivo baseado em referencialidades mais espontâneas ou automáticas. Assim sendo, não basta a simples leitura, a mera decodificação dos códigos linguísticos, o comum debruçar-se sobre a obra para a boa compreensão da trama.</p>
<p style="text-align: justify;">A atitude decisiva do leitor perante o texto é agora o que importa mais, pois o leitor tem diante das vistas um multilivro, um polilivro, cuja fabricação das compreensões vai se basear nos caminhos tomados por ele, sujeito que lê. Com o leitor podendo compor histórias variadas e variáveis a partir de uma história central, as personagens em Avalovara também passam a agregar dentro de suas existencialidades o caráter de mutabilidade, moldando-se, sempre que requeridas, a partir das rotas desejadas pelo leitor. Essa foi uma fórmula encontrada por Osman Lins para lutar contra o fantasma do fim/esgotamento do gênero romance – ideia muito em voga nos anos 70, década em que Avalorava foi publicado, mais especificadamente em 1973.</p>
<figure id="attachment_26900" aria-describedby="caption-attachment-26900" style="width: 273px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/osman-lins-escritor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26900" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/osman-lins-escritor-273x300.jpg" alt="" width="273" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/osman-lins-escritor-273x300.jpg 273w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/osman-lins-escritor.jpg 401w" sizes="auto, (max-width: 273px) 100vw, 273px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26900" class="wp-caption-text">Osman Lins, escritor pernambucano</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Para ele, com a disponibilidade escancarada do poder de coagir e coproduzir a narrativa, tanto o leitor quanto o romance se fortificariam enquanto sujeito e/ou gênero textual, respectivamente, e por conseguinte apagariam qualquer vestígio factual acerca da não-sobrevivência do romance dentro do vasto universo da literatura. O início dessa revolução estrutural na obra do escritor pernambucano se dá com a publicação de NOVE, NOVENA, livro de narrativas curtas datado do ano de 1966. Inclusive, e para fortificar a preocupação diante do referido tema, a questão da estrutura romanesca, principalmente os elementos espaço-temporais, foi objeto de pesquisa durante toda a vida acadêmico-intelectual do autor.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo a professora doutora Ermelinda Ferreira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): “<em>Sua insistência no estudo da estrutura, sobretudo a do espaço narrativo – tema de sua tese de doutorado – e sua exigência por um leitor participativo, presente em textos construídos como jogos verbais e visuais, vistas à luz das questões postas pelo avanço dos mais recentes meios de comunicação, adquirem aquela clareza a que ele tanto aspirava quando falava de sua obra”.</em></p>
<figure id="attachment_26904" aria-describedby="caption-attachment-26904" style="width: 159px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Emerlinda-Ferreira-professora.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-26904" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/Emerlinda-Ferreira-professora.jpg" alt="" width="159" height="199" /></a><figcaption id="caption-attachment-26904" class="wp-caption-text">Professora Emerlinda Ferreira, da UFPE</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Comparável a O JOGO DA AMARELINHA (Rayuela), obra labiríntica máxima do belga-argentino Júlio Cortázar, AVALOVARA é, por assim dizer, um romance desprovido de sequenciamento lógico, onde o espaço (o quadrado) bifurca-se no contato com o tempo (a espiral) num movimento de contágio temático que beira o assombroso. O espaço é a própria edificação das personagens, que habitam inatamente o território da racionalidade, figurada pelo quadrado, e que sem cerimônia transitam sobre o plano simbólico-metafórico-onírico de um local que é apenas simulação, mas perfeitamente existível, a espiral. <em>“Avalovara é uma obra virtual, se entendemos virtual como o oposto ao atual, e não ao real. Real sem ser atual e ideal sem ser abstrata, esta obra ditava, há três décadas, os preceitos de uma nova forma para a escrita e para a leitura, elaborando-se não como um romance de ficção científica, mas como uma ficção científica do próprio romance, como uma metáfora cibernética de um futuro possível para a literatura, projeção imaginária e idealizada de um suporte que viesse somar uma riqueza de possibilidades à palavra, potencializando-a e aos seus efeitos no mundo”</em>, reforça a professora Ermelinda.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobreposta ao quadrado da razão, a espiral mágico-mitológica do enredo elabora a passos vagarosos e milimetricamente pensados os fragmentos de uma moldura única. Cada fragmento constitui uma personagem que, por sua vez, representa a necessária estrutura para que o outro passe a existir, mesmo que este outro aparentemente apareça destituído de realismo. Realismo, no caso de AVALOVARA, não é nem de longe um dos objetivos que norteiam o leitmotiv da obra. É como se o irreal, visto aqui como uma opção de recurso literário, funcionasse a vapores plenos em matéria de complexidade formal e conteudista.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda personagem surge de uma aresta, de uma esquina onde uma lacuna possibilita uma entrada, mesmo sabendo que só há uma entrada para o mundo da razão, ou seja, para o quadrado, que é pela ponta da espiral, ou seja, a voz do narrador: caminho sem-razão. Sendo assim, todo personagem é um só, o espaço delimitado e percorrido pela espiral: o quadrado. A espiral representa o infinito, o quadrado simboliza o além-infinito. A espiral está dentro do quadrado que, apesar de ser o <em>ad infinitum,</em> é um território demarcado, portanto finito em sua infinitude.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/livro-avalovara.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26901 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/livro-avalovara-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/livro-avalovara-203x300.jpg 203w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/livro-avalovara.jpg 634w" sizes="auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px" /></a>As personagens escorregam pelo corpo imaginário da espiral e elaboram um trançado de ações que se movimentam para um centro aglutinador de energia, para uma espécie de olho de furacão. De acordo com Ermelinda Ferreira, <em>“Osman Lins acopla seus motivos clássicos, grande parte deles de influência medieval, traduzindo talvez um paradoxo que se percebe em toda a sua obra, tantas vezes verbalizado em seus textos de intervenção e de crítica: um misto de amor e de horror à tecnologia, à máquina, ao ruído contemporâneo, que o fazem desviar a atenção constantemente para a arte antiga. Este sentimento ambíguo de desejo e repúdio com relação à modernidade; este apreço confesso à história e ao ritual, ao lado da criação de procedimentos narrativos que aniquilam a linearidade e a sequencialidade históricas, encontram tradução em Avalovara, na busca de ambientação na arte medieval (pintura, música e literatura), representada pelos volteios da espiral, posta “sobre” ou “dentro” de um arcabouço racional (o quadrado)”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Abel, <em>personae</em>-narrador do livro, divide seu protagonismo com o amor de sua vida: uma personagem <em>mulher sem nome</em>, representada por um símbolo gráfico circular pontuado ao centro e com duas espécies de aspas na parte superior. A mulher que não possui nome é criação de Abel, portanto também protagoniza o romance que Abel está escrevendo. Isso reforça a ideia de que AVALOVARA é, segundo o próprio Osman Lins, uma “alegoria da arte do romance”. Há um romance dentro de um romance, uma história dentro de outra, uma ficção no interior de uma ficção. <em>A mulher sem nome</em> na verdade não existe, ou existe para além dos muros da realidade que não é real, ou seja, a realidade do romance escrito por Abel. Para Marisa Balthasar Soares, professora doutora da USP, AVALOVARA “<em>ficcionaliza sua própria elaboração”, onde “é proposto um enredo em jogo palindrômico, que nada tem de gratuito, mas, pelo contrário, promove a possibilidade de ruptura com a linearidade do tempo narrativo. A mesma ruptura perseguida pelo personagem central Abel, um escritor marcado pela tensão entre a história imediata e um projeto literário de cunho universalizante, fundado no tempo mítico e para quem o passado não se cristaliza, mas se faz, como na utopia benjaminiana, a condição de transformação do presente”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Abel a descreve como sendo ela filha de um ciborgue, simulacro de duas existências, mulher feita de metades e junções. Ao passo que a ama, Abel também a odeia, por saber que a única verdade da personagem amada é que ela não pertence ao mesmo plano existencial que o seu. “<em>É na experiência de amor e morte de Abel junto a três mulheres – que ambiguamente são personagens do romance, no mesmo grau de ficção em que está Abel e, simultaneamente, sugerem-se como personagens de segundo grau, isso é, criações dele – que surge a experiência do tempo único”</em>, diz Marisa. <em>A mulher sem nome</em> é fruto da imaginação de Abel. Abel, por sua vez, é fruto da imaginação de Osman Lins e a entidade que melhor representa o quadrado.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Em um mesmo corpo reúnem-se o mecânico e o orgânico, a cultura e a natureza, o simulacro e o original, a ficção científica e a realidade social, exatamente o que encontramos no romance de Osman Lins</em>”, confirma Ermelinda. O corpo da personagem é um disco rígido, onde as memórias de Abel são armazenadas sem piedade. Tudo é depositado nela: dor, angústia, revelações, lembranças, alegrias, tristezas… Tudo amontoado numa caótica limpeza físico-espiritual da alma de Abel, por isso “<em>ela circula numa atmosfera algo imprecisa e nebulosa à qual não escapam percepções que hoje nos parecem frutos de uma visão premonitória de um novo suporte técnico para a ficção, intimamente relacionado com a estrutura do hipertexto”</em>, reitera Ermelinda. Como escreve o próprio narrador, ele se serve à mulher como “<em>uma imensa máquina que mói e derrama sobre seu corpo, triturados, os anais do universo, a gigantesca massa de eventos e processos não só do mundo visível, mas do imaginado e do inimaginável</em>”. <em>A mulher sem nome</em> é o amor em grau máximo para Abel, material significativo para explosões emotivo-racionais, o que lhe é causa para inúmeros destemperamentos e alguns vários rumores de desconfiança.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não é só a relação com a personagem sem nome que é conflituosa e difícil. Com Roos – alemã, símbolo de um platonismo cru – os percursos que dão para o amor são tortuosos para Abel, muitas vezes nebulosos. Mesmo relacionada ao paradoxo do encontro desencontrado, Roos é o índice da compaixão. Roos é o próprio percurso, a estrada que leva Abel para a vida. Roos é o próprio pássaro Avalovara, no qual Abel viaja por imensidões inestimáveis montado em seu dorso de penas imaginárias. Sem Roos, nem Cecília nem <em>a mulher sem nome</em> existiriam. Já Cecília é o encontro, a certeza que se chega a algum lugar, mesmo que este lugar não tenha piso, parede, terra. Cecília é também o tempo, por isso é inesgotável e onipresente. Cecília está em Roos e na mulher inominada. Cecília está no plano do romance de Abel e no plano narrativo que Abel representa (o quadrado).</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as mulheres de AVALOVARA são metafóricas, imitações de um desejo. São elas o próprio romance que Abel está escrevendo, ou seja, A viagem e o rio. Uma depende da outra para ser, uma acontece depois da outra e antes da outra. Após a andança amorosa de Abel, que percorreu Pernambuco e Europa, e que por fim desemboca em São Paulo, ele encontra o percurso certeiro para o amor considerado perfeito. Abel morre e assim todo o mosaico está completo. O bordado terminado. A catedral, com suas naves repletas de simbologias, erguida aos céus dos sentidos. Com Abel morto, <em>a mulher sem nome</em>, Roos e Cecília se libertam do quadrado. São agora somente a espiral. E tudo pode acontecer. Só depende do leitor e de como ele fará a releitura, ou melhor, só depende de como e para onde ele seguirá, claro, preso às asas do pássaro mítico de Osman Lins.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <a href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></p>
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