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	<title>Arquivo para palmatória - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>O Inventário Cultural de Maruim </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-inventario-cultural-de-maruim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Jan 2026 09:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*)    Quando da aproximação dos 200 anos da independência de Sergipe, intelectuais, entidades culturais e setores dos poderes públicos se reuniram numa sala apertada do Palácio-Museu Olímpio Campos para uma discussão preparatória de um cronograma de comemorações dessa que é, de fato, nossa mais importante efeméride. Como secretário municipal de &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-inventario-cultural-de-maruim%2F&amp;linkname=O%20Invent%C3%A1rio%20Cultural%20de%20Maruim%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-inventario-cultural-de-maruim%2F&amp;linkname=O%20Invent%C3%A1rio%20Cultural%20de%20Maruim%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-inventario-cultural-de-maruim%2F&amp;linkname=O%20Invent%C3%A1rio%20Cultural%20de%20Maruim%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-inventario-cultural-de-maruim%2F&amp;linkname=O%20Invent%C3%A1rio%20Cultural%20de%20Maruim%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-inventario-cultural-de-maruim%2F&#038;title=O%20Invent%C3%A1rio%20Cultural%20de%20Maruim%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-inventario-cultural-de-maruim/" data-a2a-title="O Inventário Cultural de Maruim "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p><span data-contrast="auto"> </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto"><span class="dropcap ">Q</span>uando da aproximação dos 200 anos da independência de Sergipe, intelectuais, entidades culturais e setores dos poderes públicos se reuniram numa sala apertada do Palácio-Museu Olímpio Campos para uma discussão preparatória de um cronograma de comemorações dessa que é, de fato, nossa mais importante efeméride. Como secretário municipal de Comunicação Social, participei representando a prefeitura de Aracaju. Apesar da presença de gente séria e competente, a reunião foi a melhor definição do caos. Um samba do crioulo doido em matéria de delírios sem pé nem cabeça. Em vinte minutos, vi que aquilo não ia dar em nada. E não deu. </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-96061 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653-208x300.png" alt="Capa do livro" width="208" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653-208x300.png 208w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-02-162653.png 486w" sizes="(max-width: 208px) 100vw, 208px" /></a>Se nada foi promovido além da patuscada tradicional improvisada nessas horas para tentar justificar alguma ação, pelo menos a republicação de um livro nos salvou da vergonha total. Refiro-me ao <em>Inventário Cultural de Maruim</em>, publicado originalmente em 1994 e reeditado agora em versão ampliada pela professora Maria Lúcia Marques Cruz e Silva. Não me recordo se a professora estava presente na fatídica reunião do nada-com-coisa-nenhuma, já que é uma dessas incansáveis pesquisadoras que milita em tempo integral nos campos da história e da cultura.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Talvez não tenha sido lembrada para aquela reunião de figurões da cultura oficial, afinal, alguém com esse perfil, evidentemente, não interessa aos convescotes regados por finos acepipes e sucos tropicais variados. O livro, portanto, é uma edição comemorativa de uma data que, para espanto geral, passou praticamente em branco. Quisera que todo município sergipano contasse com uma obra de tamanho fôlego escavando sua história a partir de seu desenvolvimento econômico e social, sua história política, incluindo a das gentes do andar inferior, sobretudo os escravos.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">É claro que um mergulho na vida econômica arrasta consigo a história do poder e da dominação, elencando a casta de seus principais políticos e o papel que desempenharam não só no âmbito da cidade, mas da província. E assim encontramos personagens como Gonçallo Rollemberg do Prado e a Usina das Pedras, a importância econômica do algodão, do calcário e da cana-de-açúcar. O inventário percorre outras áreas da vida maruinense desde a fundação da cidade, revivendo as festas de seu calendário cultural, o desenvolvimento da educação, da saúde e do esporte.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">No capítulo dedicado ao esporte, traz raras informações até então desconhecidas do grande público, mostrando como Maruim não só foi pioneira no futebol em Sergipe, como seus clubes tiveram papel relevante no estado, mas este, seguramente, é fonte para um artigo só sobre isso. A publicação exibe ainda um quadro da representação dos poderes municipais desde épocas remotas até a atualidade, com relação de vereadores, presidentes da câmara e prefeitos. </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Berço da economia e da política na província de Sergipe, Maruim foi uma das cidades contempladas com a visita do Imperador Dom Pedro II, em 1860, onde aportou na margem esquerda do rio Ganhamoroba acompanhado da Imperatriz Tereza Cristina. Na passagem de um dia, caminhou pelas ruas da cidade, visitou escolas, inaugurou obras e assistiu à missa. No quartel da polícia, fazendo a inspeção das armas, questionou a razão de uma palmatória pendurada numa parede. A resposta do comandante: era para castigar escravos encontrados fora de hora vagando pelas ruas. Dom Pedro reagiu de forma enérgica, ordenando que a punição fosse imediatamente extinta das práticas da polícia.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Discreta, quase obscurecida no isolamento de um município que perdeu importância e hoje é praticamente ignorado dos órgãos culturais do estado, a obra da professora Maria Lúcia acende uma faísca de esperança na mediocridade das políticas culturais focadas somente nos practuns e pracatás juninos e carnavalescos, espelho e expressão dos gestores maiores, todos eles avessos, senão ignorantes mesmo, à pesquisa histórica que repõe a grandeza de nossa historiografia.</span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Uma ignorância pedagógica no magistério</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/uma-ignorancia-pedagogica-no-magisterio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 13:08:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Valtênio Paes de Oliveira (*) &#160; Na escola do século passado existiram palmatória, ficar em pé de costas por longo tempo, ficar de joelhos e tantos outros castigos. Pior ainda, o conceito do que era certo ou errado dependia do rigor da opção cognitiva do professor(a). Na avaliação, o considerado como certo pelos profissionais do &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a escola do século passado existiram palmatória, ficar em pé de costas por longo tempo, ficar de joelhos e tantos outros castigos. Pior ainda, o conceito do que era certo ou errado dependia do rigor da opção cognitiva do professor(a). Na avaliação, o considerado como certo pelos profissionais do magistério dependia da preferência pelo formato da resposta da autoridade escolar.</p>
<p>O poder de quem ensinava era supremo. A ação era verticalizada. Hoje, a relação mestre x discípulo, passou a ser horizontalizada. Respeito, tolerância e harmonia entre mestres e estudantes de todos os níveis é a prevalência.  Assim, se estudantes respondessem certo de maneiras diferentes, a nota ou conceito se apresentava como reprovação. Ao que parece, hoje, inclusive em alguns cursos superiores, existem profissionais do magistério que assim continuam procedendo.</p>
<p>Depoimentos de estudantes confirmam: ainda existem professores e professoras, no exercício da avaliação da aprendizagem assim procedendo. Já no século passado e acentuado nas últimas décadas, mudanças sociais, tecnológicas, econômicas exigiram nova postura da escola e de professores(as) e pedagogos(as). Pena que tanto na escola de educação básica como no ensino superior, existem “educadores(as)” que são apegados ao “só aceito como antigamente”.</p>
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<p>Exemplifica-se: o estudante desenvolve todo o raciocínio lógico corretamente e por não concluir o último cálculo recebe nota zero; estudante que responde tudo certo, chega à resposta certa seguindo trilha diversa da exigida pelo examinador, recebe nota zero.  Tais condutas, inibem a criatividade estudantil em detrimento do ego avaliativo de professores(as) com ação bloqueadora, transferindo para estudantes a impotência criativa.</p>

			</div></div>
<p>Ao longo da história muito se refletiu sobre aprendizagem escolar. Empirismo, behaviorismo, conexionismo, racionalismo, inatismo, interacionismo, cognitivismo, sóciointercionismo e tantas outras correntes de pensamento. Não vamos adentrar nos meandros de cada uma, apenas para lembrar que apesar de tantas, ainda existem profissionais do magistério que se amarram ao passado para gerar dependência contrariando a autonomia da criatividade. Afinal qual o papel atual dos educadores(as) no exercício da avaliação? Possibilitar criatividade, reflexão, correlacionar teoria e prática ou reproduzir formulas?</p>
<p>Dentre tantos estudiosos,  Paulo Freire, como muita atualidade, disse: “o ato de aprender envolve a construção e a reconstrução constante do objeto de conhecimento, num movimento que considera a experiência, a autonomia, a reflexão, o diálogo, a construção coletiva, a criatividade e a abertura ao novo”. Para tanto, profissionais do magisterio não devem estar preocupados com o “quero que respondam avaliação somente pela forma e/ou conceito que ensinei” mas com a estudantada venha descobrir e criar caminhos aprendendo. É Importante as habilidades no ato de responder. Jeremy Rifkin põe um profissional do magistério como mediador.</p>
<p>O físico Paulo Nussenzveig através da Radio USP, num belo exemplo,  cita Richard Feynmam:</p>
<p style="text-align: right;"><em> “Num de seus livros autobiográficos, o físico Richard Feynman conta sobre a influência que seu pai exerceu em sua educação. Eles passeavam juntos no bosque, o pai apontava um pássaro e dizia o nome da ave (que ele inventava) em várias línguas. Aí, perguntava ao filho o que ele tinha aprendido. A resposta é que ele aprendeu sobre seres humanos em diferentes locais e como eles nomeavam o pássaro. Em seguida, Feynman e seu pai observavam o pássaro para ver o que ele fazia”, relata Nussenzveig. “Isso, sim, permite aprender algo sobre o pássaro, sobre seus hábitos e os motivos para seu comportamento. É claro que o nome do pássaro permite identificá-lo e estabelecer a comunicação entre humanos que o estudam. Mas o conhecimento não está em memorizar o nome; mesmo sem saber o nome, é possível aprender muito sobre o pássaro.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Limitar caminhos na buscar do saber não é ponte segura para aprendizagem.  A infinita gama de Informação nos dias atuais não significa dados processados ​​sobre alguém ou alguma coisa. Importante separar sabedoria, conhecimento, informação e dados na aprendizagem escolar. Contextualizar, refletir, analisar e sintetizar são decisivos na produção do conhecimento. Se o profissional limita, provoca prejuízo na aprendizagem face à restrição de alternativas. Esquece que a única imutabilidade no saber é a certeza de que existe sempre a antítese na espreita.</p>
<p>Se os dados forem estruturados, organizados, processados, contextualizados ou interpretados, há a geração de informação. Quando a informação inclui contexto, reflexão, síntese ou análise, ela pode se tornar conhecimento, razão de ser, de uma pedagogia plena. O conhecimento é decorrente da interpretação da informação e de sua utilização para gerar novas ideias, resolver problemas ou tomar decisões; e existe quando uma informação é explicada e suficientemente compreendida por alguém.</p>
<p>Fundamentar argumentos dentro da lógica científica evitando o “só aceito como eu ensinei” é um bom caminho para a avaliação escolar. O mundo do saber não gira uniformemente em função do que quer o profissional do magistério. Gira pelo saber científico, que diverso e de amplitude ilimitada, permite a cada momento, que conceitos e ideias sejam refeitos. Melhor do que rejeitar a resposta é ouvir do estudante as razões do respectivo raciocínio. Eis um bom caminho para a avaliação na escola atual.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>“Mãe, dona de tudo, rainha do lar”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/mae-dona-de-tudo-rainha-do-lar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 May 2022 14:44:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Minha mãe não era a dona Ermínia, imortalizada no cinema e no teatro, na fabulosa comédia de Paulo Gustavo; mas como todas as mães, a minha era especial e muito engraçada. Nordestina, porreta, altiva, enérgica, brigona e, acima de tudo amorosa, cuidadora, zelosa, generosa, disponível e muito divertida. Sou do século passado, da metade do &#8230;</p>
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<p>Minha mãe não era a dona Ermínia, imortalizada no cinema e no teatro, na fabulosa comédia de Paulo Gustavo; mas como todas as mães, a minha era especial e muito engraçada. Nordestina, porreta, altiva, enérgica, brigona e, acima de tudo amorosa, cuidadora, zelosa, generosa, disponível e muito divertida. Sou do século passado, da metade do século XX, da geração quando conversar não resolvia, entravam em campo os psicólogos: o chinelo, o cinto, e como minha mãe era professora primária acrescente também a palmatória. Sou de um tempo quando mertiolate ardia. Tudo mudou de lá para cá.</p>
<p>Fui aluno de minha mãe: imagine, caro leitor, amiga leitora, a situação, tendo que ouvir antes de sair de casa: “Tens que dar bom exemplo, te comporta, olha as notas, não me faz passar vergonha”.</p>
<p>Cresci, tornei-me adulto, formei, casei, constitui família, procriei, tenho dois filhos, e os ensinamentos que aprendi, a duras penas, não me deixaram marcas negativas, ao contrário, deixaram marcas indeléveis, que são lembradas e narradas, sempre às gargalhadas. Que mãe maravilhosa tive o privilégio de ter, por tão pouco tempo; quando ela partiu aos 43 anos, eu tinha 17.</p>
<p>As mães são feitas na mesma forma: brigam, ensinam, puxam a orelha, aconselham, cuidam, sofrem, arrumam, gritam, afagam, protegem, defendem, e estão sempre certas (mesmo quando não estão). Mãe é única na vida de cada filho. Como o método de criação era padrão, certamente você, assim como eu, conviveu com esses mantras, que nos orientaram por toda a vida. Ainda hoje ouço os ensinamentos de mamãe, e sorrio baixinho.</p>
<p>Todas as vezes que minha mãe me chamava pelo nome completo, era certo, vinha bronca. Obrigava a arrumar a cama: “Pra quê, se daqui a pouco a gente vai deitar e bagunçar de novo?”, “Eu não ouvi isso”, pronto, ordem dada, ordem cumprida.</p>
<p>“Eu não sou mãe de fulano”, quando pedia algo que a mãe do vizinho deixava.</p>
<p>“Tu não és todo mundo&#8221;, quando todo mundo estava indo para algum lugar, e ela não queria que eu fosse.</p>
<p>Toda mãe usa o filho dos outros como exemplo para mostrar como somos inúteis: &#8220;Filho de fulana ajuda na casa; filho de cicrano lava a louça&#8221;.</p>
<p>Quando falava que o almoço estava &#8220;quase pronto&#8221;, era para aparecer na cozinha e ajudar a arrumar a mesa.</p>
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<p>Não importava a marca do colchão. Para ela tínhamos a melhor cama do mundo, mesmo dormindo na medieval cama de campanha, com o colchão da espessura de uma folha de papel. Ao entrar no quarto, via tudo revirado e dizia: “Isso não é um quarto, é um furdunço”. Como em passo de mágica, tudo ficava no lugar.</p>
<p>Se fazia ela passar vergonha na rua: &#8220;Chegando em casa a gente conversa&#8221;.</p>
<p>Não gostava de nos ver descalços: “Vai botar um chinelo, para não ter lombriga”.</p>
<p>E tinha a frase que não pode faltar antes de você sair de casa: &#8220;Cuidado, não fala com estranhos, presta atenção, Deus te proteja”. “Bença, mãe”, nunca saí ou entrei em casa sem lhe tomar a bênção.</p>

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<p>Quando chegava em casa com o boletim com notas azuis: &#8220;Não fez mais do que a obrigação&#8221;. Ao iniciar briga entre nós irmãos, e ela já ter pedido para parar, “Se eu for aí, apanha todo mundo, quem tem razão ou não”.</p>
<p>“Se for até aí e achar, vou esfregar na cara!&#8221; quando nós não achávamos alguma coisa (que geralmente estava debaixo do nariz).</p>
<p>Ai de nós se deixássemos coisas fora do lugar! “Vocês estão pensando que sou empregada doméstica de vocês?”.</p>
<p>Ao assistir à televisão Telefunken em preto e branco: &#8220;Não assiste tão perto que vai estragar tua vista!&#8221;</p>
<p>Com seis filhos pequenos, uma escadinha, um filho vinha arrodeando: “Vai falando menino(a), o que tu queres?!&#8221; Mulher de fibra para lidar com tantos filhos.</p>
<p>“Enquanto você morar embaixo deste teto, não és dono do teu nariz!”, quando um teimava muito. “Apaga essa luz, não sou dona da Companhia elétrica”.</p>
<p>Professora primária, quando íamos pedir dinheiro: “Aqui na testa está escrito ‘banco?’, mas sempre uns trocados apareciam. Não nos faltava nada.</p>
<p>Dia de festa, tinha que encerar o piso com escovão e cera parquetina vermelha. Nesse dia ela era a alegria em pessoa. Cantava pelas alturas: Maysa, Claudete Soares, Elizeth Cardoso. Casa arrumada, ficava feliz em receber amigos e parentes.</p>
<p>Mãe é aquela que fica te esperando acordada até você chegar das noitadas.</p>
<p>Criação rígida; trauma nenhum. Tendo o cinto e o chinelo como psicólogos, me tornei forte, zero frustração. D. Maria da Conceição era rígida, disciplina militar.</p>
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<p>E, se o filho reclamava dela, dizia: &#8220;Um dia vocês vão sentir minha falta!&#8221;</p>
<p>Ela estava certa. Mãe, como a senhora faz falta&#8230; Fiquei velho, tenho 63 anos, e 46 anos após sua partida, até sou carente do amor do seu amor. Quantas coisas boas deixamos de compartilhar. Após sua precoce partida, a vida seguiu seu curso, nunca mais foi a mesma, tive que seguir na caminhada, convivendo com sua ausência, seguindo seus conselhos e ensinamentos. E, o melhor de todos, “Não é porque todo mundo está fazendo o errado, que o errado está certo. Mesmo que ninguém esteja fazendo o certo, faça o certo, tu não vais te arrepender”. Tive uma mãe sábia. “Ela é a dona de tudo, ela é a rainha do lar, ela vale mais para mim que o céu, que a terra, que o mar&#8230;.mamãe, mamãe, eu me lembro do chileno na mão, o avental todo sujo de ovo, se pudesse eu queria começar tudo de novo”.</p>

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<p>(*) <strong>Luiz Thadeu Nunes e Silva</strong> é engenheiro agrônomo, palestrante, cronista e viajante: o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes da Terra.</p>
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