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	<title>Arquivo para “O Agente Secreto” - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>O Agente Secreto jamais ganharia o Oscar</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-agente-secreto-jamais-ganharia-o-oscar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 12:56:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[“O Agente Secreto”]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Com a possibilidade de O Agente Secreto ganhar o Oscar de melhor filme e filme internacional, a torcida brasileira se transformou no clássico Fla X Flu nacional, a apaixonada adesão a dois lados de uma questão, supondo, evidentemente, que o debate de qualquer tema envolve apenas dois lados. É &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>om a possibilidade de <em>O Agente Secreto</em> ganhar o Oscar de melhor filme e filme internacional, a torcida brasileira se transformou no clássico Fla X Flu nacional, a apaixonada adesão a dois lados de uma questão, supondo, evidentemente, que o debate de qualquer tema envolve apenas dois lados. É o que ocorre com a política, reduzida à acirrada disputa Lula X Bolsonaro, que praticamente não deixa espaço para nenhuma outra proposta alternativa. Aliás, por retratar uma história vivida na ditadura militar, o FlaFlu da política nacional fez com que gente considerada de esquerda tivesse quase que a obrigação de aderir à campanha pela premiação do longa de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>A recíproca, idem: todo bolsonarista inveterado odiou o filme a priori, sem precisar sequer assisti-lo. Ambos equivocados. O festival de equívocos ocorreu em todos os lados, até que a gente chegue à noite da premiação. No domingo da festa, por exemplo, a Folha de S. Paulo escalou um “crítico” entre muitas aspas para falar sobre a produção pernambucana e, entre tantas coisas a dizer, disse que, por algumas deficiências evidentes, o diretor Kleber Mendonça não deveria ter amigos, mas bajuladores. Inaugurou, pois, novos critérios para analisar um produto cultural.</p>
<p>Mesmo supondo que o filme se revele problemático em alguns aspectos, a Folha também deveria se preocupar muito com o risco evidente da própria obsolescência, afinal, pela qualidade da análise realizada, parece que o jornal, na falta de gente séria e competente, encomendou uma peroração eivada de bobagens ao motorista da casa, ou vá lá, ao estagiário. De Psicologia ou de qualquer outra área, nunca de cinema ou jornalismo. A resposta “nordestina” foi pior: toda crítica, por menor que fosse, era obra do puro preconceito sul-sudestino contra Pernambuco e a região Nordeste.</p>
<p>Li uma matéria que invocava o clássico <em>Amarcord</em>, de Fellini, cheio de memórias pessoais do diretor na Itália fascista de Mussolini, justificando as referências de Kleber Mendonça Filho com sua Recife dos anos 70. A isso devemos prestar atenção. Talvez aí esteja uma saída honrosa para um roteiro desamarrado de uma história que se arrasta por 2 horas e 40 minutos, quando tudo poderia ser dito numa duração de 100 a 120 minutos. Não deixei de pensar em <em>Bacurau</em>, outra paixão nacional adotada pela mesma lógica do FlaFlu. Talvez eu seja um dos poucos brasileiros que não gostou desse outro grande sucesso de Mendonça.</p>
<p>Cheguei a rever <em>Bacurau</em> em DVD, pausando e anotando ponto por ponto, algo como umas três dezenas de observações para arriscar uma resenha. Os deveres da vida me chamaram para coisas mais urgentes e abandonei a ideia pelo caminho, mas insisto que <em>Bacurau</em>, com aquelas imagens e paisagens incríveis, com um roteiro que indicava uma trama forte e de muito suspense, perdeu-se na finalização. Talvez o “problema” de <em>Bacurau</em>, com perdão da vaidade do diretor, fosse de montagem e edição. Quem sabe se um belo mergulho no copião do filme, rasgando o roteiro original e tecendo outras narrativas possíveis, não resultasse na grandeza cinematográfica que imaginei nos primeiros minutos quando fui vê-lo no cinema?</p>
<p>Com <em>O Agente Secreto</em> se passou o mesmo. Uma história que poderia prometer tanta coisa, mas, no fim, não chega a lugar nenhum. E já que falamos em vaidade, é difícil crer que Wagner Moura, vendo o filme depois e, particularmente, sua atuação, inflasse o ego ao ponto de sair pelo mundo almejando os maiores prêmios. E se alguns desses louros vieram, aí não temos exatamente uma boa notícia, mas a confirmação tragicômica do nível do cinema produzido atualmente, inclusive na Europa. A análise fílmica é, evidentemente, muito mais pretensiosa do que essas ligeiras e mal traçadas linhas, portanto muitos aspectos devem ser levantados, com referências estéticas, da história do cinema e das várias linguagens, tanto as praticadas quanto as possíveis, afinal esse é o papel da arte. Aqui, cedo à tentação de descer a detalhes quase prosaicos, coisas que talvez não constassem na resenha de grandes críticos, até mesmo do Gustavinho da Folha, como o longo plano sequência do matador de aluguel Bob caminhando pelo centro do Recife com a camisa estufada por um 38 tamanho família, em alguns momentos, inclusive, sacando a arma no meio da multidão.</p>
<p>Ou ainda os diálogos na casa de Sebastiana, com brincadeiras sobre nomes reais e fictícios, uma roda de conversa sem contexto, solta, como, aliás, tudo parece solto para dar um fechamento da história. E os saltos de época, do ano de 1977 para os dias atuais, com aquelas duas meninas ouvindo gravações e comentando obviedades? Terá sido este o “truque” de Mendonça Filho para mostrar já na fase adulta o filho do perseguido Armando/Marcelo, Fernando, vivido na contemporaneidade pelo próprio Wagner Moura? Hummmm. A impressão é que se gasta pólvora à toa, razão pela qual o longa se esparrama para quase três horas.</p>
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<p>A discussão aqui não é se <em>O Agente Secreto</em> poderia se enquadrar nos padrões de Hollywood e dos streamings e contar uma história pensando nas conveniências do mercado e do público. Ao contrário, em matéria de arte, transgredir não só é necessário, como são essas inovações estilísticas responsáveis pelas altas bilheterias. Pulp Fiction, essa inesgotável aula de cinema e do prazer de ver um filme, conta com 2 horas e 34 minutos, quase o tamanho de O Agente. O que falta nesse último, e talvez venha faltando em outras produções de Mendonça, é suavidade de diálogos bem escritos e melhor interpretados, como Pulp Fiction, que faz das conversas mais banais uma arte, com interpretações preciosas, pensadas para o cinema. Uma simples discussão sobre tipos de  hamburgueres é só o gatilho para que John Travolta e Samuel Jackson deem um show de interpretação dos mais memoráveis da história do cinema.</p>

			</div></div>
<p>Sem esse esmero para entregar ao público um trabalho que passou por sucessivos polimentos, lapidado, a história se esvai, não cria liga com o público, e escorrega para a banalidade pura e simples. Mendonça, antes de ser o bem sucedido diretor que é, dos mais consagrados do cinema brasileiro atual, é um cinéfilo apaixonado, cheio de referências, como as que traz do começo ao fim de <em>O Agente Secreto</em>, mas elas precisam ser melhor inseridas, para que não resultem em bobagens como a tal lenda da perna cabeluda, caída de paraquedas, meio forçada, numa história que seria (seria?) sobre um caso de repressão e assassinato do período da ditadura. Não bastasse a lenda, ele coloca uma perna doida saltando nas calçadas e distribuindo sopapos a torto e a granel. Parecia as blagues do antigo Pânico na TV, o festival semanal de baixarias da TV brasileira.</p>
<p>Cinéfilo com vasta cultura cinematográfica, Kleber nem precisava buscar Fellini, Tarantino, Scorcese ou Coppola. O Brasil mesmo já foi bom nisso. Bastava rever <em>O Pagador de Promessas</em><strong>, </strong>de Anselmo Duarte, Palma de Ouro em Cannes em 1962. E pra não dizer que isso soa nostálgico, como a dizer que não se fazem mais filmes como antigamente, veja o magistral <em>Que Horas Ela Volta?</em>, de Anna Muylaert, um roteiro denso, bem construído, todo amarrado numa história envolvente, seguramente uma das produções mais políticas dos últimos anos no cinema nacional. Batemos na trave do Oscar porque Kleber vem batendo sempre na trave com seus trabalhos mais recentes. Mas um dia ele faz o gol. Sério.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Wagner Moura — traumas, valores e memória</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/wagner-moura-traumas-valores-e-memoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2026 10:00:16 +0000</pubDate>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">P</span>elo segundo ano consecutivo, o cinema brasileiro foi destaque na premiação do Globo de Ouro. E desta vez, em dose dupla, conquistando as categorias de melhor filme de drama em língua não inglesa e melhor ator de drama. Ano passado, o mundo se rendeu ao talento e aos encantos da carioca Fernanda Torres, com o prêmio de melhor atriz, com o filme “Ainda Estou Aqui” (Oscar de filme estrangeiro). Em 2026, todos os méritos e aplausos para “O Agente Secreto” e para o baiano Wagner Moura.</p>
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<p>Em oitenta e três edições do Globo de Ouro, desde 1944, o Brasil já foi indicado 21 vezes. A primeira delas, com o clássico “Orfeu Negro”, em 1960, dirigido por Marcel Camus, numa adaptação da peça de Vinícius de Moraes, “Orfeu da Conceição”. Embora consagrado como o preferido, os louros foram para a França, por conta de uma coprodução. A primeira vitória só veio em 1999, com o filme “Central do Brasil”, de Walter Salles. Ao todo, o cinema brasileiro soma agora quatro premiações. Entre as indicações ao longo da história do evento, destaco ainda filmes como “Dona Flor e seus dois maridos” (1976), “O beijo da mulher aranha” (1985), “Cidade de Deus” (2003), “Diários de Motocicleta” (2005).</p>

			</div></div>
<p>A noite do dia 12 de janeiro de 2026 foi um marco para o nosso cinema, com três indicações (incluindo de melhor filme, com “O Agente Secreto”) e dois reconhecimentos inéditos numa mesma edição. Mas, para além dos sonhos dourados, o que mereceu destaque mesmo foram algumas das falas e pronunciamentos do diretor Kleber Mendonça Filho e do ator Wagner Moura, notadamente todas elas em torno da importância de se dar valor ao cinema brasileiro, e principalmente sobre a questão da memória e a História do Brasil.</p>
<p>Aqui, dou especial atenção a um trecho do discurso de agradecimento de Wagner Moura, quando assim se expressou:</p>
<blockquote><p>“<em><i>É um filme sobre memória, a falta dela é um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis.</i></em>&#8220;</p></blockquote>
<p>Para além de historiador e professor de História por mais de três décadas, venho, pelo menos nos últimos dez, trabalhando sobre o conceito de memória e sua relação com a questão da identidade e do patrimônio cultural. A contundente afirmação de Wagner Moura me remeteu à discussão sobre memória traumática. Mas, antes, penso que se faz necessário evocar dois dos grandes nomes nessa questão envolvendo história e memória.</p>
<p>O primeiro deles é Jacques Le Goff (1924-2014), autor da célebre assertiva que diz:</p>
<blockquote><p>“<em><i>Tornar-se senhor da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória</i></em>” (1984, p. 13).</p></blockquote>
<p>O segundo é Maurice Halbwachs (1877-1945), sobretudo quando este certa feita assim se expressou:</p>
<blockquote><p><em><i>“Nossas lembranças permanecem coletivas, [&#8230;] mesmo que se trate de acontecimentos nos quais só nós estivemos envolvidos, e com objetos que só nós vimos. É porque, em realidade, nunca estamos sós. Não é necessário que outros homens estejam lá, que se distingam materialmente de nós: porque temos sempre conosco e em nós uma quantidade de pessoas que não se confundem&#8221;</i></em> (2006, p. 26).</p></blockquote>
<p>Ora, ambos nos ajudam não somente a compreendermos o cerne da fala de Moura, como também o contexto histórico que inspirou o filme “O Agente Secreto”, que, a exemplo de “Ainda estou aqui”, referem-se a um dos momentos mais dolorosos da vida política brasileira que foi o regime militar (1964-1985).</p>
<p>Talvez por isso, os filmes e seus autores tenham recebido do público de nosso tempo e de outros países o reconhecimento que merecem. Ambos mexem em feridas que uma minoria reacionária gostaria que fosse esquecida, que não tivesse memória. Ou pior, que subvertesse a verdade dos fatos, transformando vítimas em algozes e torturadores em heróis nacionais.</p>
<p>Além disso e, de modo especial, “O Agente Secreto” retrata a cidade de Recife do ano de 1977, com um enredo profundamente dramático em torno de um personagem que é professor universitário viúvo, às voltas de lançar luzes sobre seu passado, notadamente de sua mãe, e ter de educar o filho menor de idade sob a sombra da perseguição estatal que lhe custou a própria vida, algo muito comum e corriqueiro naquele final dos anos 70 em todo o país.</p>
<p>Para além do realismo fantástico, com a exploração da lenda da perna cabeluda, típica do povo pernambucano, “O Agente Secreto” é um recado, como tem sido as falas de Wagner Moura e também de Kleber Mendonça para o nosso tempo. É um diálogo entre gerações que viveram contextos diferentes, mas ainda muito vivos e perigosos como a iminência, sobretudo se a democracia não resistir, de um retorno ao passado no que ele teve de pior.</p>
<p>Por isso mesmo, celebremos o cinema nacional e façamos deste momento mais uma oportunidade de revisitarmos o passado histórico do Brasil. Não para “passar pano” naquilo que nos traumatizou, mas para “passar a limpo” o que ainda não foi devidamente revolvido, justiçado e extirpado de nossas vidas e trajetórias, tenham sido as de nossos pais e avós, tenham sido as nossas e as dos que virão, considerando que, no âmbito da memória coletiva, somos um todo, como nos ensinam Le Goff e Halbwachs.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong><b>Referências</b></strong></p>
<p>HALBWACHS, M. <strong><b>A memória coletiva</b></strong>. São Paulo: Centauro, 2006.</p>
<p>LE GOFF, Jacques (org). <strong><b>Memória-História</b></strong> (Enciclopédia Einaudi). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984</p>
<p>&nbsp;</p>
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