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	<title>Arquivo para numerológico - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Os estranhos cavalinhos de J. J. Veiga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Aug 2021 11:00:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O nome do livro já provoca um meio-espanto: Os Cavalinhos de Platiplanto. O curioso, pergunta-se: mas que diabos é Platiplanto? Doze contos e pouco mais de 120 páginas. O apressado diz: livro bom é livro grosso. Um tal goiano de nome José J. Veiga assina o livro. O outro vai e retruca: nunca ouvi falar. &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fos-estranhos-cavalinhos-de-j-j-veiga%2F&amp;linkname=Os%20estranhos%20cavalinhos%20de%20J.%20J.%20Veiga" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fos-estranhos-cavalinhos-de-j-j-veiga%2F&amp;linkname=Os%20estranhos%20cavalinhos%20de%20J.%20J.%20Veiga" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fos-estranhos-cavalinhos-de-j-j-veiga%2F&amp;linkname=Os%20estranhos%20cavalinhos%20de%20J.%20J.%20Veiga" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fos-estranhos-cavalinhos-de-j-j-veiga%2F&amp;linkname=Os%20estranhos%20cavalinhos%20de%20J.%20J.%20Veiga" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fos-estranhos-cavalinhos-de-j-j-veiga%2F&#038;title=Os%20estranhos%20cavalinhos%20de%20J.%20J.%20Veiga" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/os-estranhos-cavalinhos-de-j-j-veiga/" data-a2a-title="Os estranhos cavalinhos de J. J. Veiga"></a></p><figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 201px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="201" height="197" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="(max-width: 201px) 100vw, 201px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p>O nome do livro já provoca um meio-espanto: Os Cavalinhos de Platiplanto. O curioso, pergunta-se: mas que diabos é Platiplanto? Doze contos e pouco mais de 120 páginas. O apressado diz: livro bom é livro grosso. Um tal goiano de nome José J. Veiga assina o livro. O outro vai e retruca: nunca ouvi falar. Estamos falando do livro que há exatos 62 anos – a primeira edição foi publicada em 1959, com o autor já com 44 anos de idade – inaugurava o gênero Realismo Fantástico na literatura brasileira.</p>
<p>Aproximadamente 12 anos antes, em 1947, Murilo Rubião invadira o cenário de nossa literatura com contos também fantásticos, o que ainda hoje é motivo para embates acerca de quem realmente é o precursor desse tipo de escrita em solo nacional. E, como se não bastasse, chega um por detrás e sussurra: o que significa Realismo Fantástico? Para melhorar as coisas, se eu disser que o colombiano Gabriel Garcia Márquez, autor do clássico Cem anos de Solidão, o belga-argentino Julio Cortázar, cuja obra-prima é Rayuela (O jogo da amarelinha), Vargas Llosa e Jorge Luis Borges são expoentes natos deste subgênero literário, marco literário da segunda metade do século XX em toda a América Latina, é bem provável que a penumbra comece a esvair-se, e terminemos adentrando um pouco menos leigos neste mundo “real-fantástico”, de estro kafkiano.</p>
<p>Também há dez anos – o escritor, nascido em 1915, morreu aos 84 anos &#8211; J. J. Veiga nos deixava, o que fez surgir, sem sombra de dúvidas, uma imensa lacuna em nossas letras. Tratado como inovador e extremamente maduro pela crítica, seu primeiro livro foi logo abocanhando os principais lauréis literários existentes no Brasil naqueles idos, a citar o Prêmio Fábio Prado, um dos mais concorridos até então.</p>
<figure id="attachment_43276" aria-describedby="caption-attachment-43276" style="width: 197px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/08/os-cavalinhos-de-platiplanto-capa.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-43276" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/08/os-cavalinhos-de-platiplanto-capa.png" alt="" width="197" height="300" /></a><figcaption id="caption-attachment-43276" class="wp-caption-text">Capa do livro</figcaption></figure>
<p>Narrados em primeira pessoa, os contos presentes em Os Cavalinhos de Platiplanto são marcados por uma forte aura de “brasilidades”, ambientações e expressões regionalistas, retratando reminiscências, estas com características aventureiras ou não, vividas tanto por personagens infantes quanto por adultos. Num tom quase que avesso à denominação fantástica dada à sua obra, o autor preferia dizer que seus textos geravam não um “realismo fantástico”, mas sim um “mundo fantástico real”.</p>
<p>E justamente nesse contraponto, ao qual se insere o real e o irreal, o que é e o que não é, o verídico e o fabuloso, é que destoa a pena mágica veigueana. Os contos são fabricados de tal maneira que, em dado momento, perguntamo-nos: “mas o que há de interessante nisso?”, como por exemplo, no relato de uma fábrica que é instalada atrás de um morro, fato que causa mudanças rápidas e impensadas no cotidiano das pessoas (conto A usina atrás do morro), ou na história de um pacato professor interiorano que diz saber o roteiro para um antigo tesouro, que sofre com a desconfiança oriunda da população do lugarejo e que um dia resolve fazer um protesto contra todo o descaso vivido por ele (conto Professor Pulquério).</p>
<p>Até aqui, nada de tão intrigante. Mas é bem no trato substancial do que aparenta normalidade que Veiga urde com maestria o seu absurdo temático, quase sempre pegando o leitor desprevenido e atirando-o num universo perturbador, extremamente estranho, apesar de parecer simplório ou sem bifurcações quando ao sentido. Um exercício surreal é pincelado em tons amenos, porém firmes, talvez para não afugentar o leitor menos atento, que como queria Cortázar, percebe-se diante de um tipo de conto que prestigia a unificação de mais de uma “narrativa” dentro de uma única história. Segundo Candido, os contos de Veiga são “marcados por uma tranquilidade catastrófica” (CANDIDO, 1987, p. 211).</p>
<p>Fruto de uma reformulação literária, presenciada principalmente a partir da instauração do regime militar no Brasil em 1964, a literatura dita fantástica iria romper com as insinuações exacerbadamente realistas, por conseguinte quebrando também com os modelos advindos de um naturalismo já em “irreversível” desgaste. Em seus contos, Veiga busca o insólito, e no uso da ficção faz germinar de suas mãos uma realidade alegórica, distante do que possa simplesmente parecer.</p>
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<p>A tensão entre o cotidiano e o insólito vai sendo criada ao passo que invadimos as páginas e os pormenores do livro, num movimento de ascensão gradativa – nunca acontecendo o sentido inverso -, para no final terminar por eclodir alguma coisa, revelar algum segredo que ficara perdido no meio da trama ou desmascarar um mistério que estava à vista de todos, todavia imperceptível. O final é quase sempre apoteótico, mesmo sem exageros.</p>
<p>É como se Veiga não estivesse, em nenhum momento da obra, disposto a correr o risco, inclusive extremamente natural aos escritores fantásticos, de ter suas narrativas muito distanciadas da “provável” realidade, o que poderia dificultar a compreensão dos textos, mas soubesse muito bem lidar com as dimensões limítrofes tanto do real quanto do irreal. No fundo sabia que, “para assumir significação, o fantástico necessita criar uma curva que o reconecte com o mundo” (LIMA, 1983, p. 207). Nesse jogo, Veiga superestima a linguagem informal, sem banalizá-la, aproximando-se da literatura produzida por seus escritores prediletos, a citar J. D. Salinger, autor do best-seller O apanhador no campo de centeio, e Graciliano Ramos, romancista brasileiro da geração de 30.</p>

			</div></div>
<p>Outro ponto a ser ressaltado é a sua ligação com o momento político brasileiro. Veiga desmente muito da crítica produzida sobre tal relação, mas muitos estudiosos de sua literatura insistem em fazer tais ponderações. Em Os cavalinhos de Platiplanto, talvez o conto mais discutido a partir desse pressuposto seja A usina atrás do morro, cujo teor seria condicionado diretamente ao governo do presidente Juscelino Kubitschek e ao impacto da entrada do capital estrangeiro em nosso país.</p>
<p>Wilson Martins, na orelha da décima oitava edição escreve: “liberto das escolas e das modas&#8230; deu à literatura brasileira um daqueles livros pessoais e verdadeiramente novos que assinalam a história dos gêneros: na contribuição quantitativa do conto, ele trouxe, com o sr. Dalton Trevisan, a contribuição qualitativa, a do conto mergulhado num mundo próprio, preso a contingências específicas e criando, pela magia do estilo, novos planos da sensibilidade literária”.</p>
<p>J.J. Veiga, que nasceu José Pereira Veiga, ganhou esse nome artístico do mineiro João Guimarães Rosa, depois de alguns estudos numerológicos. O J. do centro significaria Jacinto, oriundo do sobrenome da mãe, fator que – acreditavam &#8211; lhe traria sorte. Estudou Direito, trabalhou em rádio e no meio jornalístico, inclusive traduzindo e comentando programas na rede BBC de Londres. Quer saber no que deu o protesto do Professor Pulquério, a chegada da misteriosa usina, as peripécias de Cedil e Tenisão, por onde anda o cavalo Balão ou mesmo a espingarda de Seu Juventino? Quer saber onde fica Platiplanto? Então, o que está esperando?!</p>
<p>**********</p>
<p>CANDIDO, Antonio. “A nova narrativa” in A educação pela noite e outro ensaios. São Paulo: Ática, 1987.</p>
<p>LIMA, Luiz. Costa. “O conto na modernidade brasileira” in PROENÇA FILHO, Domício (org.) O livro do seminário. São Paulo: L. R. Editores, 1983.</p>
<p>VEIGA, José Jacinto. Os cavalinhos de Platiplanto. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.</p>
<p>_______</p>
<div>(*) <strong>Germano Xavier</strong> nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux), que compreende a primeira parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.</div>
<div></div>
<div><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  </em><em>Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></div>
<div></div>
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