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	<title>Arquivo para misoginia - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Nosso cortejo semanal de desgraças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 May 2025 09:00:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Mais de cinco mil prefeitos se reúnem em Brasília para um convescote disfarçado de Marcha dos Prefeitos. É uma churrascada com uísque dos melhores barris pagos com meu, seu e nosso dinheiro. Nos bastidores da imprensa na corte brasiliense se diz abertamente que nesses períodos o preço da carne &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnosso-cortejo-semanal-de-desgracas%2F&amp;linkname=Nosso%20cortejo%20semanal%20de%20desgra%C3%A7as" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnosso-cortejo-semanal-de-desgracas%2F&amp;linkname=Nosso%20cortejo%20semanal%20de%20desgra%C3%A7as" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnosso-cortejo-semanal-de-desgracas%2F&amp;linkname=Nosso%20cortejo%20semanal%20de%20desgra%C3%A7as" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnosso-cortejo-semanal-de-desgracas%2F&amp;linkname=Nosso%20cortejo%20semanal%20de%20desgra%C3%A7as" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnosso-cortejo-semanal-de-desgracas%2F&#038;title=Nosso%20cortejo%20semanal%20de%20desgra%C3%A7as" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/nosso-cortejo-semanal-de-desgracas/" data-a2a-title="Nosso cortejo semanal de desgraças"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">M</span>ais de cinco mil <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://tvbrasil.ebc.com.br/reporter-brasil/2025/05/prefeitos-se-reunem-em-evento-em-brasilia-pela-autonomia-municipal" target="_blank" rel="noopener">prefeitos se reúnem em Brasília</a></span> para um convescote disfarçado de Marcha dos Prefeitos. É uma churrascada com uísque dos melhores barris pagos com meu, seu e nosso dinheiro. Nos bastidores da imprensa na corte brasiliense se diz abertamente que nesses períodos o preço da carne alugada, o serviço oferecido pela mais antiga profissão do mundo, sofre uma disparada inflacionária. A jecada berra grosso: em reunião com Lula, ainda lascaram uma estrepitosa vaia no presidente da República.</p>
<p>Longe o tempo em que se respeitava autoridades. Sou de uma época em que a gente se levantava quando o professor entrava na sala de aula. O presidente da nação, fosse quem fosse, seria sempre “O Presidente”. Mesmo opositores profissionais instalados em Brasília ou nos estados, se dirigiam à autoridade máxima do país com algum respeito. Agora, até os comedores de putas ousam desancá-lo em rede nacional, on line.</p>
<p>De todo modo, essa conta é troco, perto da farra das emendas resultada da transformação do regime político do país em parlamentarismo orçamentário, essa excrescência aprovada por um Congresso de costas para o povo. O pior é que os recursos não saem de governo nenhum, senão do nosso bolso, afinal, pagamos a maior carga tributária do mundo, para sustentar o campeão mundial da corrupção.</p>
<p>Nisso de pagar impostos também somos campeões, mas só nós, o povo. Num levantamento de 2023, do Banco Mundial, fomos disparadamente o país que mais trabalhou para pagar impostos, num total de 2.600 horas no ano. Isso é mais que o dobro do segundo colocado, a Bolívia, com 1.080 horas trabalhadas. No sentido contrário, as Maldivas são o país com menor carga tributária: nenhuma hora de trabalho realizada para pagar impostos. Os Emirados Árabes vêm a seguir, com 12 horas e a Suíça é o oitavo, com 63 horas. Dá para entender, afinal, nenhum desses países sustentam o Congresso mais caro do mundo ou o Judiciário mais caro do planeta.</p>
<p>Após as vaias ao presidente, um dos jornalões do mercado avisou: “Acende o alerta do governo”, num misto de torcida e euforia, como bem sabemos quando tentamos olhar os jornais por dentro de suas vestes. São pequenos adendos ao cortejo de desgraças que, de fato, existem, somadas às que poderiam ser evitadas. No primeiro caso, a explosão da roubalheira do INSS, concebido, administrado e captado no governo Bolsonaro, um sujeito em cuja biografia a pecha de ladrão funciona como uma gota no oceano.</p>
<figure id="attachment_89943" aria-describedby="caption-attachment-89943" style="width: 325px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/janja-da-silva.webp"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-89943" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/janja-da-silva-300x179.webp" alt="Janja da Silva" width="325" height="194" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/janja-da-silva-300x179.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/janja-da-silva-1024x613.webp 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/janja-da-silva-768x459.webp 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/janja-da-silva.webp 1170w" sizes="(max-width: 325px) 100vw, 325px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89943" class="wp-caption-text">Janja da Silva Foto: Claudio Kbene/PR</figcaption></figure>
<p>O problema é que o atual governo já manda no INSS há dois anos e meio, portanto só agora, após denúncias, resolveu tomar providências, sendo que a primeira delas foi a mobilização de sua milícia digital para apontar o dedo para Bolsonaro. Para piorar o que já não vem bem, a primeira dama, em viagem à China, se mete numa conversa entre dois chefes de estado, um deles o gestor da maior economia do mundo, para reclamar do Tiktok.</p>
<p>Numa hora em que o silêncio valia ouro, o presidente defendeu-a publicamente, aconselhado sabe-se lá por qual tipo de marketing político. Em vez de tratar da estabilidade do próprio lar em praça pública, Lula deveria era explicar como alguém sem cargo no governo o acompanha numa caravana oficial em viagem de trabalho. Querem mais desgraça? Pois a primeira dama confirmou tudo o que foi noticiado, disse que faria de novo, ironizou, gargalhou e botou o velho fantasma da misoginia no bolo. Essas são as opções que teremos em 2026. Nessas horas sempre lembro da canção de Chico Buarque,<em> Acorda Amor</em>, na qual o personagem, com medo da visita da polícia na porta de casa em plena madrugada, recorre à única alternativa que restava naquela agonia: “Chame o ladrão, chame o ladrão”, cantava o grande Chico.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A moral de Tieta</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-moral-de-tieta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 13:50:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Embora saibamos e somos advertidos de que qualquer semelhança é mera coincidência e que a vida imita a arte ou vice-versa, há muito o que se aprender e conhecer sobre a vida real a partir de uma obra de ficção, seja ela literária, novelesca ou cinematográfica. Em tempos &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>mbora saibamos e somos advertidos de que qualquer semelhança é mera coincidência e que a vida imita a arte ou vice-versa, há muito o que se aprender e conhecer sobre a vida real a partir de uma obra de ficção, seja ela literária, novelesca ou cinematográfica. Em tempos de invocação à moral e aos bons costumes, aos valores cristãos de Deus, pátria e família, uma peça da criatividade brasileira voltou a chamar a minha atenção nos últimos meses, passados trinta e quatro anos.</p>
<p>Refiro-me à telenovela “Tieta”, de Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn, exibida  entre agosto de 1989 e março de 1990, com cerca de 197 capítulos. Um dos maiores índices de audiência da Rede Globo de Televisão. Originalmente, o texto é de autoria do escritor baiano, Jorge Amado (1912-2001), cuja primeira publicação é de 1976. O sucesso da novela rendeu, ainda, uma versão nas telas do cinema, em 1996, com Sônia Braga no papel de Tieta. Cada uma ao seu modo, as três situações divertem, mas também traduzem a vida do povo brasileiro.</p>
<p>Exibida num momento de reafirmação da democracia brasileira, a novela explorou com maestria o contexto político, com falas e críticas pontuais aos que querem valer-se da inocência do povo e explorar os recursos naturais, às voltas com a usura da indústria Brastanio, cujo dono era o empresário inescrupuloso Mirko Stefano, o Artuzinho (Marcos Paulo), filho do coronel Artur da Tapitanga (Ary Fontoura). A ideia era implantar uma fábrica poluente em Mangue Seco (Bahia, divisa com Sergipe), um dos ambientes escolhidos pela produção para filmar a novela. Contra essa turma de malfeitores, principalmente, Ascânio (Reginaldo Faria) e Osnar (José Mayer).</p>
<p>Afora essas questões de ordem política e econômica, “Tieta” faz inúmeras referências às cidades de Esplanada e Salvador (Bahia) e Aracaju e Estância (Sergipe), lugares percorridos pela famosa “Princesa do Agreste”, a marinete de seu Jairo, interpretado por Elias Gleizer (1934-2015), que se casou com uma das solteironas moralistas, Cinira (Rosane Gofman), da cidade fictícia de Santana do Agreste (montada cenograficamente no povoado Picado, município de Conceição do Jacuípe-BA).</p>
<p>“Tieta” também explora o fantástico, o extraordinário, mas também o hodierno da vida de qualquer cidade interiorana do Nordeste. Do bêbado, porém sábio, Bafo de Bode (Bemvindo Sequeira), à Mulher de Branco, que de assombração sexual não tinha nada de sobrenatural. Repleta de personagens diversos, traz um panorama incrível da sociedade brasileira em todos os seus matizes, da prostituta ao Sírio Libanês, dono do bar e mercearia da cidade, seu Chalita (Renato Consorte). Além de dona Milu (Míriam Pires), proprietária da pensão, e sua filha Carmosina (Arlete Sales), administradora dos Correios.</p>
<p>A trilha sonora também merece um destaque especial, que rendeu dois volumes nacionais e um internacional, todos pela gravadora Som Livre. A música tema ficou por conta de Luiz Caldas, “Tieta”, composta por Paulo Debétio e Boni. Ainda entre os artistas baianos, Danilo Caymmi e Nana Caymmi, em “Vem Morena; Caetano Veloso, com a canção “Meia Lua Inteira”, de Carlinhos Brown, e a “Lua e o Mar”, com Moraes Moreira e Pepeu Gomes, que assinam a letra com Fausto Nilo. Eles participaram da novela, gravando um clipe com a personagem Elisa (Tássia Camargo), esposa do lojista Timóteo D´Alembert (Paulo Betti), criador de grandes e inesquecíveis bordões, como “nos trinques”.</p>
<p>Concentro-me agora a discorrer sobre o mote inspirador do presente texto, começando pela marcante vilã, Perpétua, brilhantemente interpretada por Joana Fomm. Trata-se da típica representação feminina da imagem farisaica do Novo Evangelho. Uma viúva amargurada e ambiciosa, que se autodenomina como a defensora dos bons costumes e arvorando-se de grande líder espiritual da Igreja Católica local, consumição da paz de espírito do padre Mariano (Cláudio Corrêa e Castro). Esta, por sua vez, esconde um grande segredo, revelado publicamente no final da novela, quando ela conserva o falo embalsamado do marido numa caixa.</p>
<p>Do outro lado, aquela que foi expulsa da cidade pelo pai, ainda muito jovem, o avarento e misógino José Esteves (Sebastião Vasconcelos), Antonieta Esteves (a Tieta), irmã de Perpétua e Elisa, essa última, do segundo casamento, com Tonha (Yoná Magalhães). Voltando vinte anos depois, rica, bonita e poderosa, Tieta se apresenta para a sociedade como a viúva de um comendador importante de São Paulo, quando na verdade era uma milionária cafetina. Caindo nas graças de seus conterrâneos, ela é a bondade em pessoa, ajudando a todos e tomando as dores dos oprimidos. Mas, às voltas com amores nada religiosos, como o romance com seu sobrinho, o seminarista Ricardo, filho de Perpétua.</p>
<p>A passagem de Tieta por Santana do Agreste mexeu consideravelmente com sua terra natal, trazendo desenvolvimento, como a luz elétrica, mas fazendo com que as pessoas repensassem costumes que as faziam infelizes, cruas e duras. Criando uma natural confusão entre o “certo” e o “errado”, ela chegou ao patamar de “santa” pela maioria da população, abaixo de Santana, para a ira de Perpétua, que em nome de Deus e dos bons costumes, tentou de todas as formas desmoralizar e até mesmo matar a própria irmã.</p>
<p>Longe de concordar com os falsetes existenciais de ambas as personagens, a relação em pé de guerra entre Tieta e Perpétua, para além de girar em torno da peleja entre o “mal” e o “bem”, põe em questão hábitos da sociedade brasileira, sobretudo nordestina, marcados por um comportamento que está longe de ser do agrado de Deus. Perto ou longe Dele, a trama mostra que nem sempre ser de boa família e temente a Ele ou ser o avesso da moral cristã, define a bondade das pessoas, de tal sorte que a “moral de Tieta” subverte e ressignifica aquilo que parece e não é dado a necessidade, quase existencial, de alguns de julgar e não satisfeitos, condenar e anular, física e moralmente, sem olhar para o alqueire do próprio olho.</p>
<p>Que a “luz de Tieta” (Caetano Veloso, 1998) ilumine o nosso tempo, cegando toda a hipocrisia de uma sociedade brasileira ainda caduca, misógina, preconceituosa e falida, inclusive, na sua moralidade, seja ela civil ou religiosa, ética ou política. Como disse eu outro dia em relação à última decisão da justiça sobre a liberação da “permuta” do Parque Nicolau Almeida, em Lagarto-SE: aos crápulas, a força do cifrão; aos canalhas, o julgo da HISTÓRIA. No que diz respeito à luz de Tieta, acrescento: aos falsos moralistas, o fogo do inferno.</p>
<p>&nbsp;</p>
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