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	<title>Arquivo para literatura - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Uma Estranha Imprecação</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/uma-estranha-imprecacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 11:41:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; &#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;Minha tarefa prometia ser árdua: inumeráveis conflitos adormecidos num sono enganador animavam-se, espreguiçavam-se e não tardariam a despertar&#8221; Diretor-Adjunto de Relações Humanas &#160; &#160; Salvo engano, a primeira publicação em português, no Brasil, do livro &#8220;O Imprecador&#8221; (L&#8217;Imprécateur), do autor francês René-Victor Pilhes, pela Editora Abril, se deu &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estranha-imprecacao%2F&amp;linkname=Uma%20Estranha%20Impreca%C3%A7%C3%A3o" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estranha-imprecacao%2F&amp;linkname=Uma%20Estranha%20Impreca%C3%A7%C3%A3o" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estranha-imprecacao%2F&amp;linkname=Uma%20Estranha%20Impreca%C3%A7%C3%A3o" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estranha-imprecacao%2F&amp;linkname=Uma%20Estranha%20Impreca%C3%A7%C3%A3o" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fuma-estranha-imprecacao%2F&#038;title=Uma%20Estranha%20Impreca%C3%A7%C3%A3o" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/uma-estranha-imprecacao/" data-a2a-title="Uma Estranha Imprecação"></a></p><p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Minha tarefa prometia ser árdua: inumeráveis conflitos adormecidos num sono enganador animavam-se, espreguiçavam-se e não tardariam a despertar&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Diretor-Adjunto de Relações Humanas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>alvo engano, a primeira publicação em português, no Brasil, do livro &#8220;O Imprecador&#8221; (L&#8217;Imprécateur), do autor francês René-Victor Pilhes, pela Editora Abril, se deu no início da década de 80. Porém, já ouvi, num passado, algo um pouco distante, que, em meados da década de 70, já havia esta obra circulado por aqui.</p>
<p>Quanto ao conceito &#8220;Imprecação&#8221;: nas minhas limitações sociohistoriográficas, e por causa da obra ora abordada, a qual levou-me, ao longo de parte desta minha pouco interessante existência, ao estudo do termo, o ato de rogar pragas, maldições ou invocar o castigo divino sobre algo ou alguém é um fio condutor pitoresco a percorrer a história ocidental.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>O ato de imprecar demonstra, portanto, Linguagem, Religião e Direito num entrelace, manifestando a pulsão, a razão e o transcendente atuando em nome da justiça ou da vingança. Notadamente quando os meios mundanos falham.</p>

			</div></div>
<p>Ok, sinhô, mas, e o livro? Bem, às minhas mãos, &#8220;O Imprecador&#8221; chegou por duas vezes: a primeira, quando o amigo meu, Sebastião, ao final de 1981, comprou um exemplar numa banca de revista [que também vendia livros] localizada no calçadão da rua João Pessoa, centro de Aracaju, próximo à praça Fausto Cardoso.</p>
<p>Imagine só, oh, improvável leitor: Sebastião comprou o livro. Como ia viajar, deixou o livro comigo, ainda plastificado. Seria a última vez que nos veríamos ao longo de uns 40 anos. Difícil crer? Compreendo perfeitamente. Mas foi o que aconteceu.</p>
<p>Pois é, fiquei com o livro, li o livro, me apaixonei obsessivamente pelo livro.</p>
<p>E do que trata o livro? Bem, o romance emerge, qual arauto dum apocalipse financeiro, de dentro do escuro e oleoso oceano que, segundo Pilhes, alimenta a maquinaria administrativa e econômica.</p>
<p>Pilhes descreve, mediante extraordinário talento para a narrativa, uma civilização que parece encontrar-se em estado terminal. À medida que estranhos acontecimentos, dentro duma empresa, se sucedem, a obra chega a ser tingida por alguns tons góticos. Nesse aspecto, O Imprecador é uma obra de ficção, sem dúvidas.</p>
<p>Afinal, é Literatura. Mas, penso, também se aproxima de uma percepção profética: aquela que dispõe a organização mecânico-financeira mundial, independentemente de qual seja o regime ideológico e o país, em um objeto do mais puro [e até místico] horror metafísico.</p>
<p>A trama que estrutura o romance gira em torno de uma gigantesca multinacional, de nome Rosserys &amp; Mitchell. Entidade monstruosa, qual cria do poderoso Ninurta, deus sumério, que é descrita menos como empresa do que como organismo autônomo.</p>
<p>O empreendimento assume, progressivamente, formato de um lugar que envolve e domina, espiritualmente, seus funcionários, de todos os escalões. A construção  se revela um verdadeiro labirinto, quase templo sacrificial.</p>
<p>Mas, certo dia, voltando, aqui, aos fatos mais banais, que a mim dizem respeito, outro amigo pede o livro emprestado. Tão incauto quanto um vulcanólogo fascinado, a debruçar-se por sobre a instável borda do Santa Helena [&#8220;Vancouver, Vancouver! Vai ser agora!], cedi ao pedido e emprestei. Pois bem: o cara perdeu o livro.</p>
<p>Desolado, sem ter como conseguir outro, na época, resignei-me ante a desgraça. Com o tempo, anestesiei, indicativo, preteritamente perfeito, a dor pela falta. Até que um dia&#8230;</p>
<p>Mistério&#8230; Coisa de ser citada em &#8220;As Raízes da Coincidência&#8221;, do escritor e jornalista húngaro-britânico Arthur Koestler: estava eu, como de costume, no sebo Coquetel da Cultura, na rua Campo do Brito, a conversar, naquele dia, com o proprietário sobre, justamente, &#8220;O Imprecador&#8221;. Lamentava-me, enquanto contava a história [esta história] a ele.</p>
<p>De repente, desviei meus olhos dos dele, e os passeei pelas lombadas dos livros que estavam meio que arrumados numa estante de aço, à minha esquerda.</p>
<p>Cabra! Creia-me ou não, fato é que vislumbro um exemplar do livro. Suspensa a respiração, olhos esbugalhados, silêncio opressor&#8230; E o Luís, preocupado, me toma pelos ombros a interrogar: &#8220;Mittaraquis, cê tá bem?&#8221;.</p>
<p>Os sentidos voltam, aos poucos, à normalidade. Aponto o livro e digo a Luís: &#8220;Óia ele ali!&#8221;.</p>
<p>O sebeiro gira a cabeça em direção ao ponto, ao qual aponto, solta uma exclamação digna do momento, entretanto, não recomendável reproduzir aqui. Pega o livro. Detém-se admirado, olhando a capa. Abre devagar, folheia. Fecha e me entrega. Pergunto quanto é, puxando a carteira do bolso. Ele diz: &#8220;É seu. Não precisa pagar. Você mentalizou e materializou este livro&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Helena do Vale</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/helena-do-vale/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 09:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Trata-se do título original de um dos mais importantes e também do quarto romance escrito por José Maria Machado de Assis (1839-1908). A obra completa agora em 2026, 150 anos de sua primeira publicação: Rio de Janeiro, 1896. Conhecido como um dos maiores, se não o maior &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">T</span>rata-se do título original de um dos mais importantes e também do quarto romance escrito por José Maria <strong><b>Machado de Assis</b></strong> (1839-1908). A obra completa agora em 2026, 150 anos de sua primeira publicação: Rio de Janeiro, 1896. Conhecido como um dos maiores, se não o maior nome da Literatura Brasileira, o autor mereceu recentemente uma nova, robusta e atualizada biografia, <em>O Filho do Inverno</em>, cujo primeiro volume, com 640 páginas, foi lançado em outubro de 2025 pela Ação Editora (RJ).</p>
<figure id="attachment_96737" aria-describedby="caption-attachment-96737" style="width: 201px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091446.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-96737" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091446-201x300.png" alt="Machado, o Filho do Inverno, de C.S.Soares" width="201" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091446-201x300.png 201w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091446.png 358w" sizes="(max-width: 201px) 100vw, 201px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96737" class="wp-caption-text">Machado, o Filho do Inverno, de C.S.Soares</figcaption></figure>
<p>No dia 27 de janeiro último, seu autor, Cláudio Sousa Soares (C. S. Soares), concedeu uma entrevista ao programa Conexão Roberto D&#8217;Avila e apresentou alguns detalhes da obra, cujas impressões de leitura apresentarei, em breve, aqui mesmo nesta coluna. Por ora, adianto que não se trata tão somente de mais uma biografia de Machado, mas de uma promissora análise de sua trajetória de vida, que neste primeiro volume desfaz a ideia de que o escritor carioca fosse indiferente às suas origens afrodescendentes e à causa do fim da escravidão no Brasil.</p>
<p>Voltando minhas atenções a <em>Helena</em>, foi para mim uma experiência de leitura que em muito agregou ao meu interesse e conhecimento sobre seu autor. Algo que surgiu naturalmente no início deste ano, quando me senti instado a ler seu primeiro romance, <em>Ressurreição</em>, de 1872. Como essa coisa do hiperfoco está em voga, eis que me surpreendo a (re)ler os romances seguintes de sua autoria. Estou, no momento, na metade do texto de <em>Iaiá Garcia</em> (1878).</p>
<p>Entremeando tais leituras, aqui e ali, também dei uma atenção a alguns de seus estudiosos e críticos. No que se refere especificamente a <em>Helena</em>, destaco a professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais, Ana Maria de Almeida, que se dedicou por anos à Faculdade de Letras desta instituição. Na décima nona edição do romance, publicado pela editora Ática, em 1995, em texto intitulado <em>Um jogo dissimulado</em>, a pesquisadora faz uma análise do estilo narrativo de Machado na referida obra, ressaltando o que diz ser a existência não somente de um núcleo conflituoso, mas também de “vários elementos conflitantes” nela.</p>
<p>Ainda segundo a professora, “Helena”, como na maior parte de seus romances, o autor encontrou uma maneira de apresentar aos seus leitores a decadência da sociedade do Segundo Império Brasileiro, às voltas com “(&#8230;) <em><i>os problemas decorrentes da evolução política e social do país</i></em>” (p. 14). Nesse sentido, a questão do casamento, não mais como uma instituição sacramental, católica, mas como um combinado de interesses os mais diversos, colocando em jogo personagens como Helena, que &#8211; não resistindo às &#8220;máscaras da simulação” (destaca Almeida) &#8211; vê sua vida se esvaindo até a morte.</p>
<figure id="attachment_96736" aria-describedby="caption-attachment-96736" style="width: 198px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091219.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-96736" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091219-198x300.png" alt="Helena, romance de Machado de Assis" width="198" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091219-198x300.png 198w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Captura-de-tela-2026-02-05-091219.png 398w" sizes="(max-width: 198px) 100vw, 198px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96736" class="wp-caption-text">Helena, romance de Machado de Assis</figcaption></figure>
<p>Tudo isso porque descobrira que aquilo que parecia ser um sentimento incestuoso com o seu presumido irmão, Dr. Estácio (matemático e contador), na verdade tinha sido um mal-entendido e consequências de alguns dos inúmeros vacilos morais do Conselheiro do Vale. Uma soma de notícias que, embora devidamente esclarecidas, não valia o amor verdadeiro que nasceu entre ambos, tendo que ser sufocado e abortado pelo medo do escândalo e do escárnio social.</p>
<p>Não prevalecendo a força do amor, mas o imperativo das conveniências sociais da época, não restou à intrépida Helena ceder ao desgosto e este à doença e esta, por sua vez, ao fim trágico da personagem, ao estilo “Romeu e Julieta” (1597), de William Shakespeare (1564-1616), de quem Machado foi assíduo leitor, levando boa parte de seu estilo narrativo e dramático para as suas obras, sejam romances, como também crônicas e poesia.</p>
<p>Revisitar a obra de Machado está sendo muito salutar para mim, nesta quadra de minha vida. A maturidade intelectual e também de minha existência tem me permitido perscrutar melhor as suas obras no que elas têm de mais fascinante: a genial tecedura narrativa. Aliada a isto, também, a riqueza de tipos que ele criou, sobretudo femininos, a crítica social toda singular e a erudição não enfadonha e ostentadora, mas leve e fluida, como deve ser a vida e, por que não, também a Literatura.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>O legado de Canudos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-legado-de-canudos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 14:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[disposição]]></category>
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		<category><![CDATA[vergonha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Em 1981, o escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou uma obra-prima da literatura universal, o livro “A Guerra do Fim do Mundo”, na qual faz uma reconstituição ficcional do massacre de Canudos, cometido pelo Exército brasileiro. A historiografia oficial chama o evento de “guerra”, mas se tratou do massacre &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m 1981, o escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou uma obra-prima da literatura universal, o livro “A Guerra do Fim do Mundo”, na qual faz uma reconstituição ficcional do massacre de Canudos, cometido pelo Exército brasileiro. A historiografia oficial chama o evento de “guerra”, mas se tratou do massacre de milhares – mais de 25 mil pessoas – de seguidores do líder religioso Antônio Conselheiro. A historiografia e seus indefectíveis historiadores, novamente, tratam o beato como “fanático”, outra forma de desqualificá-lo.</p>
<p>O livro de Vargas Llosa é um trabalho espantoso, sobretudo se considerarmos que foi realizado por um estrangeiro. Até então, a principal referência literária do famigerado massacre era o clássico “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Ao escavar a história e as histórias enterradas junto com os mortos, o Nobel peruano de alguma forma produziu vergonha alheia nas centenas de autores nacionais, principalmente os do Nordeste brasileiro, que não tiveram a ideia ou a disposição de produzir um trabalho de tamanho fôlego.</p>
<p>Canudos até hoje segue sendo um dos episódios mais importantes da história brasileira, pela capacidade de revelar, num movimento de miseráveis contra as duras condições de sobrevivência, o modus operandi de nossas elites para lidar com revoltas populares. Serviu ainda para exibir o verdadeiro caráter do nosso Exército: golpista, saqueador, corrupto e assassino, desde Canudos, passando pelo golpe que implantou a República, a ditadura militar instalada em 1964 e o papelão mais recente, chefiado por um capitão bandido ligado a milícias e rachadinhas.</p>
<figure id="attachment_96301" aria-describedby="caption-attachment-96301" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-96301 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po.jpg" alt="Documentário Canudos" width="1080" height="949" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po.jpg 1080w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po-300x264.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po-1024x900.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/canudos-sol-e-po-768x675.jpg 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96301" class="wp-caption-text">Documentário Canudos</figcaption></figure>
<p>Há décadas, sindicatos de trabalhadores rurais, entidades de classe e militantes de causas sociais realizam no mês de outubro uma celebração em memória dos mártires de Canudos, evento que ocorre à revelia de uma Igreja Católica que historicamente se omitiu diante dessa vergonha nacional. Há vinte anos, em 1996, fui com uma equipe de TV fazer o registro desse evento, que celebrava na época os 99 anos do final da guerra, ocorrido em 1897. O resultado foi o documentário “Canudos, Sol e Pó”, exibido na antiga TVE do Rio de Janeiro e em algumas emissoras estaduais que compunham a rede liderada pela emissora pública carioca.</p>
<p>O filme tem duração de 24 minutos e sua realização envolveu uma operação peculiar, desde o processo para conseguir um ônibus da Secretaria da Educação de Sergipe para transportar a equipe e equipamentos, além de estudantes, estagiários da TV Aperipê, além de poetas e músicos sergipanos que se integraram à caravana rumo a Bendegó, Canudos, açude de Cocorobó, Euclides da Cunha, Tucano e Monte Santo. Foi uma epopeia que incluiu constantes quebras do velho ônibus nas estradas empoeiradas do sertão baiano, as dezenas de defeitos apresentados pela única câmera U-Matic disponível para as filmagens e o alojamento precário numa velha casa de farinha em Bendegó.</p>
<p>Como então diretor da TV Aperipê na gestão do pesquisador e jornalista Luiz Antônio Barreto na Secretaria de Estado da Educação, utilizei um método empírico, intuitivo, para recolher o mais farto material disponível numa programação diversificada e distribuída por todas as localidades citadas, nos três dias do evento. Estagiários funcionaram como produtores garimpando fontes e colhendo informações que seriam usadas na narração “on” (presente nas falas dos entrevistados ou no texto do narrador) ou em “off”, servindo de base para perguntas e para o próprio texto. Além de realizar as entrevistas e comandar gravações in loco, mergulhei depois em uma ilha de edição da produtora Univídeo para decupar, estabelecer uma narrativa (argumento) e produzir sentido a partir das 20 fitas gravadas, de 30 minutos cada.</p>
<p>Além da gravação de vários depoimentos, foi fundamental o registro de algumas das apresentações que faziam parte da programação oficial e outras produzidas especialmente para o documentário, como a interpretação do sergipano Muskito, de uma velha canção daqueles sertões sofridos. Como elementos lúdicos para  enriquecer a linguagem audiovisual pretendida, incluímos a performance de um ventríloquo na feira de Monte Santo, uma toada de aboio e a tradicional banda de pífanos. Também há citações do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, filmado na região em 1964.</p>
<p>“Canudos, Sol e Pó” apresenta problemas técnicos que em alguns momentos dificultam sua compreensão, fenômeno normal em se tratando de imagens gravadas numa velha câmera do sistema U-Matic, digitalizadas depois para DVD e hoje guardadas em nuvem. As sucessivas conversões, somadas à precariedade original do trabalho, por outro lado, produz um efeito de antiguidade, do cinema de muitos anos atrás, que confere certo fetiche retrô à obra. Os poucos textos narrados em off ainda traz outra raridade: a voz do jornalista baiano-sergipano Cleomar Brandi, que também escreve uma crônica sobre o homem sertanejo fechando a narrativa. Exibido numa praça pública de Bendegó no ano seguinte, o filme foi uma contribuição sergipana à programação dos 100 anos do final de uma guerra que até hoje envergonha nosso povo, mas que inscreveu o sertão de Canudos na história da resistência popular aos desmandos que seguem irremovíveis no Brasil contemporâneo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A vida sem poesia é comida sem tempero</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-vida-sem-poesia-e-comida-sem-tempero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andre Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Nov 2025 09:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dia Desses]]></category>
		<category><![CDATA[adulto]]></category>
		<category><![CDATA[canto]]></category>
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		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; André Brito (*) &#160; Dia desses eu estava lembrando da importância que as manifestações artísticas têm na vida das pessoas. Literatura, música, dança, enfim, tudo que sobressalta uma visão de mundo em forma de arte dá sabor ao que nos rodeia. E que sabor! Aos meus alunos de Literatura, tenho sempre o cuidado de &#8230;</p>
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<blockquote><p>André Brito (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>ia desses eu estava lembrando da importância que as manifestações artísticas têm na vida das pessoas. Literatura, música, dança, enfim, tudo que sobressalta uma visão de mundo em forma de arte dá sabor ao que nos rodeia. E que sabor! Aos meus alunos de Literatura, tenho sempre o cuidado de dizer o quão é importante estar perto do fazer artístico. A poesia, por exemplo, tem o dom de encantar, “de adormecer as crianças e acordar os homens”, como bem cantou Carlos Drummond de Andrade.</p>
<p>E mais fundamental ainda é poder enxergar a poesia que a vida nos concede, gratuitamente, todos os dias, sob diversas formas:</p>
<blockquote><p>um sorriso de criança (que nos faz refletir sobre a pureza mais pura); um sorriso de adulto (atributo que está ficando cada vez mais escasso no rosto das pessoas); o canto e o voar dos pássaros (que nos remete à liberdade de que dispomos — ou não); o entardecer e suas cores únicas (mostrando que também somos únicos e especiais); as ondas do mar (que servem para nos dizer que não somos eternos, mas somos fortes quando queremos); a brisa no rosto (traduzida no cuidado de Deus conosco); a comida que preparam pra nós (que demonstra que existe doação de vida de uma pessoa para outra)&#8230; e mais uma infinidade de coisas que nos rodeiam.</p></blockquote>
<p>Mas quer saber? Quantas vezes conseguimos enxergar poesia diante de tanta obrigação, de tantos afazeres, de tantas necessidades que criamos e que são criadas, tornando-nos “escravos” de um devir (leia Parmênides) sem fim. Sem estarmos em torno da mesma volta. Ao entrarmos nesse fluxo contínuo de ter que ser, deixarmos de ser. Que paradoxo mais sem nexo, não é? Mas é assim.</p>
<p>Tomara que eu nunca esqueça que há poesia constante em tudo. E que meus alunos possam me escutar. Assim, entenderão que leveza é TUDO.</p>
<p>E já que falei em poesia, veja uma amostra do que estará no meu livro “Estrada de pedra e rosas”:</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;">se o tempo fora passagem inerte dos destinos</p>
<p style="text-align: center;">há que se desculpar quem passou despercebido</p>
<p style="text-align: center;">e se o mesmo tempo já fora um menino</p>
<p style="text-align: center;">eleva-se a estima em único sentido</p>
<p style="text-align: center;">mas se já não sobra tempo ao que já é ido</p>
<p style="text-align: center;">hão de se calar todos os alaridos</p>
<p style="text-align: center;">e ouvir calar o sopro dos que vêm</p>
<p style="text-align: center;">nas vozes dos que já são partidos</p>
<p style="text-align: center;">DIAS</p>
<p style="text-align: center;">por que pedes que eu me cale</p>
<p style="text-align: center;">se nem voz mais tenho para alarde</p>
<p style="text-align: center;">apenas em meu peito vil se arde</p>
<p style="text-align: center;">a dor do meu amor que me invade?</p>
<p style="text-align: center;">por que queres que me deite</p>
<p style="text-align: center;">se teu cheiro insano me impede</p>
<p style="text-align: center;">de negar o que quero que se negue</p>
<p style="text-align: center;">neste dia tão atroz que não se perde?</p>
<p style="text-align: center;">por que ris de meu amor tão pueril</p>
<p style="text-align: center;">se dele recebeste todo um rio</p>
<p style="text-align: center;">de água pura, de vento frio</p>
<p style="text-align: center;">tornando-o, portanto, um poço vil?</p>
<p style="text-align: center;">por que me matas desta forma enfurecida</p>
<p style="text-align: center;">sem ao menos dar um pouco de guarida,</p>
<p style="text-align: center;">abrindo em mim tão cálidas feridas</p>
<p style="text-align: center;">cujo tempo de curar é toda uma vida?</p>
<blockquote>
			</div></div>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
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		<item>
		<title>O escritor baiano Luis Osete é finalista do Prêmio Jabuti com Maracujá Interrompida</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 13:17:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Cepe]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[finalista]]></category>
		<category><![CDATA[jornalista]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Osete]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Jabuti]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O escritor Luis Osete, natural de Cardeal da Silva (BA) e radicado em Petrolina (PE), figura entre os finalistas do 67.º Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, com o livro Maracujá interrompida, publicado pela Cepe Editora. A obra concorre na categoria Escritor Estreante – Poesia, e a cerimônia de entrega ocorrerá em &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida%2F&amp;linkname=O%20escritor%20baiano%20Luis%20Osete%20%C3%A9%20finalista%20do%20Pr%C3%AAmio%20Jabuti%20com%20Maracuj%C3%A1%20Interrompida" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida%2F&amp;linkname=O%20escritor%20baiano%20Luis%20Osete%20%C3%A9%20finalista%20do%20Pr%C3%AAmio%20Jabuti%20com%20Maracuj%C3%A1%20Interrompida" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida%2F&amp;linkname=O%20escritor%20baiano%20Luis%20Osete%20%C3%A9%20finalista%20do%20Pr%C3%AAmio%20Jabuti%20com%20Maracuj%C3%A1%20Interrompida" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida%2F&amp;linkname=O%20escritor%20baiano%20Luis%20Osete%20%C3%A9%20finalista%20do%20Pr%C3%AAmio%20Jabuti%20com%20Maracuj%C3%A1%20Interrompida" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida%2F&#038;title=O%20escritor%20baiano%20Luis%20Osete%20%C3%A9%20finalista%20do%20Pr%C3%AAmio%20Jabuti%20com%20Maracuj%C3%A1%20Interrompida" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida/" data-a2a-title="O escritor baiano Luis Osete é finalista do Prêmio Jabuti com Maracujá Interrompida"></a></p><h3 data-start="287" data-end="399"></h3>
<p data-start="401" data-end="965">O escritor <strong data-start="412" data-end="426">Luis Osete</strong>, natural de <strong data-start="439" data-end="464">Cardeal da Silva (BA)</strong> e radicado em <strong data-start="479" data-end="497">Petrolina (PE)</strong>, figura entre os finalistas do <strong data-start="529" data-end="551">67.º Prêmio Jabuti</strong>, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, com o livro <em data-start="612" data-end="635">Maracujá interrompida</em>, publicado pela <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.cepe.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Cepe Editora</a></span>. A obra concorre na categoria <strong data-start="695" data-end="726">Escritor Estreante – Poesia</strong>, e a cerimônia de entrega ocorrerá em <strong data-start="765" data-end="790">27 de outubro de 2025</strong>, às <strong data-start="795" data-end="802">19h</strong>, no <strong data-start="807" data-end="846">Theatro Municipal do Rio de Janeiro</strong> (Praça Floriano, Cinelândia), com transmissão ao vivo pelo canal da <strong data-start="915" data-end="951">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</strong> no YouTube.</p>
<p data-start="967" data-end="1486">Luis Osete é jornalista e psicólogo, doutorando pela <strong data-start="1020" data-end="1071">Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).</strong> <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/germano-xavier-lanca-seu-terceiro-livro/" target="_blank" rel="noopener">E também ex-colaborador do Portal Só Sergipe.</a></span>  Em <em data-start="1149" data-end="1172">Maracujá interrompida</em>, sua estreia na poesia, o autor apresenta um longo poema sobre o <strong data-start="1238" data-end="1264">luto da figura materna</strong>, inspirado em histórias ouvidas durante seu estágio em Psicologia, em Petrolina. O livro venceu o <strong data-start="1363" data-end="1411">8.º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura</strong>, promovido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e pela Cepe Editora.</p>
<p data-start="1488" data-end="1938">A <strong data-start="1490" data-end="1506">Cepe Editora</strong> marca presença dupla na final do Prêmio Jabuti, com dois títulos entre os cinco finalistas. Além de <em data-start="1607" data-end="1630">Maracujá interrompida</em>, que disputa em Escritor Estreante (Poesia), a obra <em data-start="1683" data-end="1727">Fotobiografia Naná: do Recife para o mundo</em>, organizada por <strong data-start="1744" data-end="1767">Augusto Lins Soares</strong>, concorre na categoria <strong data-start="1791" data-end="1800">Artes</strong>. Para o editor <strong data-start="1816" data-end="1832">Diogo Guedes</strong>, as indicações reafirmam o compromisso da Cepe com a valorização da literatura e da cultura brasileira.</p>
<p data-start="1488" data-end="1938">“A fotobiografia de Naná é uma homenagem visual ao grande músico pernambucano, enquanto <em data-start="2030" data-end="2053">Maracujá interrompida</em> é um belíssimo poema sobre o luto e o nascimento de uma nova voz poética”, afirmou Guedes.</p>
<p data-start="1488" data-end="1938"><span style="font-size: 22px; font-weight: bold;">Livro do Ano</span></p>
<p data-start="2917" data-end="3399">A <strong data-start="2919" data-end="2955">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</strong> divulgou a lista de finalistas na última terça-feira (7), com <strong data-start="3018" data-end="3043">4.530 obras inscritas</strong> nas <strong data-start="3048" data-end="3065">23 categorias</strong> distribuídas em quatro eixos — Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Os vencedores receberão a tradicional <strong data-start="3190" data-end="3213">estatueta do Jabuti</strong> e <strong data-start="3216" data-end="3228">R$ 5 mil</strong>. Já o <strong data-start="3235" data-end="3251">Livro do Ano</strong> será contemplado com <strong data-start="3273" data-end="3286">R$ 70 mil</strong> e uma <strong data-start="3293" data-end="3331">viagem à Feira do Livro de Londres</strong>, dentro das celebrações do <strong data-start="3359" data-end="3396">Ano da Cultura Brasil–Reino Unido</strong>.</p>
<p data-start="3401" data-end="3702">Entre as novidades da edição de 2025 está a categoria especial <strong data-start="3464" data-end="3516">Fomento à Leitura – Rio Capital Mundial do Livro</strong>, dedicada a projetos de incentivo à leitura realizados na capital fluminense. A cerimônia será <strong data-start="3612" data-end="3641">exclusiva para convidados</strong>, mas contará com <strong data-start="3659" data-end="3682">transmissão ao vivo</strong> para todo o país.</p>
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		<title>Acorda, amor: abriram as portas do hospício! Chame o ladrão</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/acorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 13:06:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[atemporalidade]]></category>
		<category><![CDATA[discografia]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; O que vimos nos últimos dias no Congresso Nacional foram cenas as mais absurdas e inimagináveis em toda a História do Brasil República e mais graves desde a redemocratização do país há 40 anos. Alguns tidos como “representantes do povo”, eleitos para legislar em favor do bem &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> que vimos nos últimos dias no Congresso Nacional foram cenas as mais absurdas e inimagináveis em toda a História do Brasil República e mais graves desde a redemocratização do país há 40 anos. Alguns tidos como “representantes do povo”, eleitos para legislar em favor do bem coletivo, rendendo-se da forma mais vil e vergonhosa a uma família de milicianos e a uma nação imperialista, sob o comando de um déspota e insensível, a quem se atribui a responsabilidade de liderar o mundo e defender a liberdade, quando este sucumbe povos inteiros com chantagens tarifárias e fecha os olhos para a extinção do povo palestino a olhos nus.</p>
<figure id="attachment_92522" aria-describedby="caption-attachment-92522" style="width: 207px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-92522" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532-207x300.png" alt="Capa O Alienista" width="207" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532-207x300.png 207w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532.png 370w" sizes="auto, (max-width: 207px) 100vw, 207px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92522" class="wp-caption-text">O Alienista</figcaption></figure>
<p>Ao ver aquelas cenas grotescas, patrocinadas por gente ainda mais grotesca, que envergonha a nação e o parlamento brasileiro, vieram à minha mente dois expedientes dos quais vou me valer para expressar o que penso a respeito. Primeiro, <strong>a obra “<em><i>O Alienista</i></em>” (1881), de autoria de Machado de Assis</strong>. E também, a <strong>discografia de Chico Buarque de Holanda</strong>, em especial canções que ele ousou produzir em plena ditadura militar e, mesmo outras, após esta página triste da história. Há, nesse sentido, muito de atemporalidade, seja na literatura, seja na música, para não dizer de profético. Diria mais, há muito de lições sobre as quais devemos estar atentos para não sermos assaltados, outra vez, por essa gente “louca” que ama um regime totalitário e ideias toscas de democracia, liberdade de expressão e de direitos humanos, retorcidas para atender seus desejos de poder e impor seu preconceito e malquerença.</p>
<p>Publicado num contexto de crise do regime monárquico e ascensão do regime republicano, “<em><i>O Alienista</i></em>” traz passagens riquíssimas que nos ajudam a entender o porque do país está mergulhado nesta crise institucional e porque aqueles parlamentares agiram daquela forma, amotinando-se à mesa diretora do Congresso Nacional para chantagear os demais colegas, com vistas a dar anistia a golpistas, entre eles o ex-presidente da república, Jair Bolsonaro, que nem condenado foi ainda.</p>
<p>Segundo José Carlos Garbuglio (USP), na referida obra, Machado de Assis se debruça sobre a descrição e compreensão de “(&#8230;) <em><i>cujas personagens se desviam dum padrão de conduta tido como índice de normalidade da criatura humana</i></em>” (1994, p. 3). Qual sejam, aquelas que extrapolam a civilidade, sem que para tal não estejam (salvo melhor juízo e juízo técnico/psiquiátrico) desprovidas de suas faculdades mentais e, portanto, sofrendo de doença mental. Este, certamente, não é o caso dos deputados federais e senadores “rebeldes” de que estou a tratar.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>A obra gira em torno da personagem Dr. Simão Bacamarte, médico, que resolve criar na Vila de Itaguaí, um local (Casa Verde) para recolher e tratar pessoas alienadas, termo usado, àquela época para pessoas com problemas de saúde mental. Num arroubo de cientificismo, o “médico das mentes” acaba internando, praticamente, todo o lugar, inclusive a si próprio. Veja o que afirma o sujeito a respeito de seu experimento: “(&#8230;) <em><i>A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente</i></em>” (p. 17, edição de 1994).</p>
<p>Na sanha desenfreada de internar todo mundo na vila, do vigário ao delegado de polícia, a Câmara se rebelou e chegou a pedir a sua cabeça. À frente da turba, um barbeiro, Porfírio Caetano das Neves, que se autodenominava o “<em><i>Protetor da vila em nome de Sua Majestade, e do povo</i></em>”, o que nos faz lembrar a máxima hipócrita, do nosso tempo, totalmente em desuso e paradoxal para quem lambe as botas de Donald Trump no momento: “Deus, Pátria e Família”. Entretanto, aquela mesma Câmara, tempos depois, entrega ao Alienista a licença para internar alguns de seus edis, a começar por seu presidente, seguido do secretário, entre outros signatários do “incorruptível” Poder Legislativo.</p>
<p>O que nos levou, mais adiante, à conclusão do médico de que não havia loucos em Itaguaí, certificando-se “cientificamente” de que todos gozavam de plena saúde mental e que, por ventura, o único “louco” era ele. O que, em grande medida, nos remete àquela assertiva que diz: “<em><i>De médico e louco, todo mundo tem um pouco</i></em>”. O que não é o caso dos “rebeldes” do parlamento, que longe de agirem por loucura (antes fosse, pois haveria jeito), o fazem por maldade e nem ouso dizer por burrice para não ofender o animal e também aos desprovidos de capacidades intelectivas.</p>

			</div></div>
<figure id="attachment_92524" aria-describedby="caption-attachment-92524" style="width: 402px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-92524" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-300x179.webp" alt="Chico Buarque" width="402" height="240" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-300x179.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-1024x613.webp 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-768x459.webp 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque.webp 1170w" sizes="auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92524" class="wp-caption-text">Cantor Chico Buarque Foto: Ricardo Stuckert/PR</figcaption></figure>
<p>Quanto a Chico Buarque, penso que trechos de algumas canções dizem tudo, sem que para tanto me valha de mais palavras e argumentos, como nas seguintes passagens que diz e canta:</p>
<blockquote><p>“Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir / Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir / E pelo grito demente que nos ajuda a fugir / Deus lhe pague” (1971); “Muita mutreta pra levar a situação / Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça” (1976); “O que será que será / Que dá dentro da gente e que não devia / Que desacata a gente, que é revelia Que é feito uma aguardente que não sacia” (1976); “Apesar de você, / amanhã há de ser / outro dia” ou “Quando chegar o momento / Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros, juro” (1978); “Como é difícil acordar calado / Se na calada da noite eu me dano / Quero lançar um grito desumano / Que é uma maneira de ser escutado” (1978); “Dormia a nossa pátria-mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída / Em tenebrosas transações” (1984).</p></blockquote>
<p>Em meio a toda essa “loucura” que se tornou o parlamento brasileiro, esta semana o jornalista Octávio Guedes lembrou um episódio da Constituinte de 1988, envolvendo uma das figuras mais importantes da redemocratização do Brasil:</p>
<blockquote><p>&#8220;Em 1988, tentaram a mesma coisa com Ulisses Guimarães. E Ulisses falou: &#8216;Eu presido a constituinte, não um hospício&#8217;. Foi lá e levou os trabalhos constituintes adiante”.</p></blockquote>
<p>Ora, se em meio a toda essa balbúrdia, os presidentes das duas casas legislativas não punirem os amotinados e rebeldes, jamais “loucos”, e ficar tudo pelo mesmo, acabando em pizza, não há outra saída a não ser valer-me, mais uma vez, de Chico Buarque para dizer:</p>
<blockquote><p>“Acorda, amor / Não é mais pesadelo nada / Tem gente já no vão de escada / Fazendo confusão, que aflição / São os homens / E eu aqui parado de pijama / Eu não gosto de passar vexame / Chame, chame, chame / Chame o ladrão, chame o ladrão!” (1974).</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao%2F&amp;linkname=Acorda%2C%20amor%3A%20abriram%20as%20portas%20do%20hosp%C3%ADcio%21%20Chame%20o%20ladr%C3%A3o" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao%2F&amp;linkname=Acorda%2C%20amor%3A%20abriram%20as%20portas%20do%20hosp%C3%ADcio%21%20Chame%20o%20ladr%C3%A3o" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao%2F&amp;linkname=Acorda%2C%20amor%3A%20abriram%20as%20portas%20do%20hosp%C3%ADcio%21%20Chame%20o%20ladr%C3%A3o" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao%2F&amp;linkname=Acorda%2C%20amor%3A%20abriram%20as%20portas%20do%20hosp%C3%ADcio%21%20Chame%20o%20ladr%C3%A3o" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao%2F&#038;title=Acorda%2C%20amor%3A%20abriram%20as%20portas%20do%20hosp%C3%ADcio%21%20Chame%20o%20ladr%C3%A3o" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/acorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao/" data-a2a-title="Acorda, amor: abriram as portas do hospício! Chame o ladrão"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/acorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao/">Acorda, amor: abriram as portas do hospício! Chame o ladrão</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>Água pouca, meu chá primeiro</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 May 2025 08:25:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Chã]]></category>
		<category><![CDATA[circularidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultural]]></category>
		<category><![CDATA[demandas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Iniciei este ano, lendo de um só fôlego, mas, ao mesmo tempo, sorvendo cada palavra e ideias como a um manjar delicioso, o livro A memória da água, de autoria de Emmi Itaranta. Assentei minhas considerações a respeito por algum tempo, no fundo de minha mente e &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/">Água pouca, meu chá primeiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">I</span>niciei este ano, lendo de um só fôlego, mas, ao mesmo tempo, sorvendo cada palavra e ideias como a um manjar delicioso, o livro <em>A memória da água</em>, de autoria de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Emmi_It%C3%A4ranta" target="_blank" rel="noopener">Emmi Itaranta</a></span>. Assentei minhas considerações a respeito por algum tempo, no fundo de minha mente e coração, pois seu conteúdo me levou à necessidade de ler outra obra. Refiro-me a <em>O</em> <em>Livro do Chá</em>, de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Okakura_Kakuz%C5%8D" target="_blank" rel="noopener">Kakuzo Okakura</a></span>.</p>
<p>Embora escritos e publicados em tempos distintos (2015 e 1906, respectivamente), os textos se encontram e se atravessam, sobretudo no que diz respeito a questões muito atuais e a ensinamentos milenares que precisamos revisitar e que não estão tão distantes de nós, mas apenas subsumidos por nossa ânsia de querer, acumular e poder.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Dou primazia à antiguidade, começando, desse modo, por <strong>O</strong> <em><strong>Livro do Chá</strong>,</em> que ao contrário do primeiro não é ficção, embora esteja escrito de forma literária. Trata-se de um tratado de História e de Memória Cultural em torno de uma das culturas mais antigas do mundo, a feitura do chá, e todas as suas implicações. Para seu prefaciador e também autor do posfácio da obra, Hounsai Genshitsu Sen, é “(&#8230;) <em><i>um esforço pioneiro no sentido de construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente</i></em>”. Além disso, é uma obra contextualizada, pois foi escrita num lugar e num tempo específico para atender a demandas de sua temporalidade de produção. Início do século XX, escrita por um japonês aculturado norte-americano e britânico, que versou sobre um Japão que acabava de sair de uma guerra vitoriosa contra os russos, mas que também se abria para as influências ocidentais cada vez mais industrializadas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-89730 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-300x277.png" alt="chá" width="196" height="181" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-300x277.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-1024x944.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-768x708.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px" /></a>O resultado bem poderia ser definido, explicado e compreendido a partir do conceito de “circularidade cultural”, proposto e apresentado pelo historiador italiano, Carlo Ginzburg, hoje com 86 anos de idade e cujos livros e ideias ainda influenciam sobremaneira a pesquisa histórica. Para fins de reflexão, valho-me de algumas passagens de Kakuzo Okakura: “<em><i>Quando o Ocidente compreenderá ou tentará compreender o Oriente</i></em>?” (p. 32); “(&#8230;) <em><i>O missionário cristão vem para dar e não para receber</i></em>” (p. 33); “(&#8230;) <em><i>O homem branco escarnece de nossa religião e de nossos costumes, mas aceita a bebida marrom [chá] sem hesitar</i></em>” (p. 35); “(&#8230;) <em><i>Diz-se que os gregos eram magníficos porque nunca copiaram os antigos</i></em>” (p. 78). E quem diria que um dia o antigo chá da Índia, da China e do Japão fosse dar no que falar, provocar e mudar! E nesse sentido, o autor foi genial, nessa perspectiva da “circularidade cultural” em afirmar: “(&#8230;) <em><i>A obra-prima é tão nossa quanto nós somos da obra-prima</i></em>” (p. 85).</p>

			</div></div>
<p>Por outro lado, e não sem importância, claro, <strong><em>Memória da Água</em></strong> é uma magistral peça literária de uma escritora finlandesa de nosso tempo, Emmi Itaranta, atualmente com 49 anos de idade. Um olhar europeu sobre a cultura oriental, tendo a água como a sua inspiração, num mundo pós-apocalíptico, dominado pela China, onde a sua escassez a determina como a maior riqueza do mundo e, por isso mesmo, na sua condição de “falta de”, dotada de uma memória de um tempo em que foi abundante e que poderia ter sido melhor cuidada, nos remetendo à máxima que diz que lembrar é poder, tanto quanto esquecer.</p>
<p>E nesse sentido, a autora tece uma intricada e ao mesmo tempo leve e envolvente narrativa em torno da personagem Noria, uma jovem camponesa, filha de um grande Mestre do Chá, que guarda um grande segredo capaz de despertar a ira das autoridades e do governo, autocrata e tirano. Seu estilo literário me vez recordar uma outra leitura e autor que me marcou profundamente, durante meu doutoramento: “Orhan Pamuk” (72 anos, turco, Prêmio Nobel de Literatura de 2006), em seu <em>O livro negro</em>, de 1990. A mesma sutileza e jogo de palavras, com uso de cores, sons e sensações como estes tivessem vida e materialidade, sobretudo em passagens como as a seguir: “(&#8230;) <em><i>A escuridão nos recebeu com um estrondo</i></em>” (p. 15); “<em><i>mergulhar no silêncio</i></em>” (p. 34); “<em><i>sombra paciente</i></em>” (p. 40); “<em><i>silêncio pesado</i></em>” (p. 70); “(&#8230;) <em><i>a palavra fez o tempo parar ao meu redor</i></em>” (p.155).</p>
<p>Em comum entre as obras, para além da temática oriental, estão a água e o chá. São enredos distintos, cada um no seu quadrado (História e Literatura) e ambos se atravessando o tempo todo, que lançam luzes para o nosso tempo, com ensinamentos, reflexões que fariam até mesmo Confúcio para por um instante de escrever e filosofar para pensar, por exemplo, na vida, na necessidade de viver, de dar valor às coisas mais simples e até mesmo banais, como a beleza de uma flor, o sopro solitário do vento, o valor da amizade, enfim, uma infinidade de situações às quais, tento, para fins de conclusão, representar nas seguintes passagens: “(&#8230;) <em><i>Querem o caro, não o refinado; o que está na moda, não o belo</i></em>” (Okakura, p. 90); “(&#8230;) <em><i>Acredito que seja possível mudar a superfície das coisas e ainda assim manter o centro delas intacto. Da mesma forma que é possível manter as aparências, mas cultivar o centro oco</i></em>” (Itaranta, p. 113).</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-89732 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-300x150.png" alt="" width="300" height="150" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-300x150.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-1024x512.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-768x384.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-660x330.png 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-1050x525.png 1050w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Papa Francisco — passado e futuro numa igreja peregrina e perseverante</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/papa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 May 2025 13:47:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; “O Bispo de Roma está morto. Logo, outro será eleito para o seu lugar porque a Igreja permanece e está continuamente com Cristo. (&#8230;) O homem que for eleito será eleito para o futuro, mas está encarregado de tutelar o passado&#8230;” (Monsenhor Angel-Novalis). Essa é uma fala &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/papa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante/">Papa Francisco — passado e futuro numa igreja peregrina e perseverante</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpapa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante%2F&amp;linkname=Papa%20Francisco%20%E2%80%94%20passado%20e%20futuro%20numa%20igreja%20peregrina%20e%20perseverante" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpapa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante%2F&amp;linkname=Papa%20Francisco%20%E2%80%94%20passado%20e%20futuro%20numa%20igreja%20peregrina%20e%20perseverante" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpapa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante%2F&amp;linkname=Papa%20Francisco%20%E2%80%94%20passado%20e%20futuro%20numa%20igreja%20peregrina%20e%20perseverante" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpapa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante%2F&amp;linkname=Papa%20Francisco%20%E2%80%94%20passado%20e%20futuro%20numa%20igreja%20peregrina%20e%20perseverante" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpapa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante%2F&#038;title=Papa%20Francisco%20%E2%80%94%20passado%20e%20futuro%20numa%20igreja%20peregrina%20e%20perseverante" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/papa-francisco-passado-e-futuro-numa-igreja-peregrina-e-perseverante/" data-a2a-title="Papa Francisco — passado e futuro numa igreja peregrina e perseverante"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em><i><span class="dropcap ">“<em><i>O</i></em></span> Bispo de Roma está morto. Logo, outro será eleito para o seu lugar porque a Igreja permanece e está continuamente com Cristo. (&#8230;) O homem que for eleito será eleito para o futuro, mas está encarregado de tutelar o passado</i></em>&#8230;” (Monsenhor Angel-Novalis).</p>
<p><i>E</i>ssa é uma fala de uma das personagens do livro “A Eminência”, do escritor Morris West. Se bem estou certo, ela ainda é válida para nosso tempo, em que pese a obra ter sido escrita entre os anos 1996-1998, quando, na vida real e neste espaço temporal de nossa história universal, governava o Vaticano o Papa João Paulo II. Embora, no ano de 1996, precisasse fazer uma cirurgia de apendicite, ainda não havia iniciado o seu calvário pessoal, às voltas com sérios problemas de saúde, que o levou a óbito no dia 2 de abril de 2005.</p>
<p>Para a escrita do presente texto, além da obra acima citada, valho-me também de antigas anotações que fiz da leitura do livro “As Sandálias do Pescador”, também de Morris West, publicado em janeiro de 1963. E mais recentemente, da leitura e impressões que fiz da obra “Conclave”, de autoria de Robert Harris, lançada em 2016, alcançando grande sucesso, sobretudo por ter roteiro adaptado, originalmente, para o cinema em 2024, do qual destaco a notável interpretação de Ralph Fiennes no papel principal da personagem Cardeal Lawrence Lomeli.</p>
<p>Mas antes de dizer-lhes o porquê de fazer uso da literatura (portanto, da ficção) para compreender e analisar a realidade que a Igreja Católica vive no tempo presente, de “sede vacante” e de todo o processo que envolve a escolha de um novo papa, permitam-me discorrer algumas palavras sobre Jorge Mario Bergoglio (1936-2025), o <strong>Papa Francisco</strong>, que encerrou sua jornada neste mundo no último dia 21 de abril, deixando órfã, ainda que momentaneamente, uma das maiores, mais antigas e mais sólidas instituições religiosas da história da humanidade.</p>
<p>Ainda lembro, em detalhes, do <strong>anúncio de sua eleição, no dia 13 de março de 2013</strong>. Confesso que quando vi aquele homem aproximar-se da sacada do Vaticano e dizer apenas uma saudação cordial às milhares de pessoas que haviam acorrido para a Praça de São Pedro, fiquei profundamente esperançoso. Não era alguém sisudo, com gestos protocolares, mas uma pessoa cordial, humana, e que pedia, humildemente, que rezasse por ele diante da responsabilidade que havia pesado sobre seus ombros.</p>
<p>O tempo apenas confirmou o que eu sentia, seja nas ações do então Papa Francisco, nome que muito me agradou, mas também em tudo que deixara escrito ou pronunciado, revelando-nos e apresentando-nos uma Igreja em saída, mais pastoral, peregrina e sinodal do que jamais fora desde São Pedro. Para tanto, colecionou desafetos, em particular, àqueles que não eram bons exemplos para os prelados da Santa Igreja, às voltas com escândalos sexuais e com corrupção moral e financeira. Também incomodou os que se julgam e se apresentam como “guardiões da fé e da ortodoxia”, que enxergam comunismo ou modernismo em gestos que Jesus fez, recorrentemente, em seus 30 anos de vida pública: <strong>ouvir, acolher, orar, sorrir, ter compaixão, compadecer, perdoar, curar e amar</strong>.</p>
<p>Por tais razões aqui expostas de forma sintética, é bem verdade, entendo que a passagem de Franciscus pela Igreja Católica foi muito saudável, durando apenas 12 anos, mas um tempo suficiente para chacoalhar a poeira de milênios, exaurir o mofo das batinas, coisas assentadas numa tradição que deixou seu rebanho à mercê de outros tipos de Cristianismo que, questionados ou nãos, cismados ou não, buscam preencher o vazio deixado pelo Catolicismo às voltas em ser mais norma do que amor, mas culto e louvor do que acolhimento, mais juíza do que advogada, como o é a Santa Virgem.</p>
<p>Passadas todas as homenagens fúnebres que recebeu e os nove dias de luto, a Igreja Católica se prepara para mais um Conclave, o terceiro deste novo milênio, em apenas vinte anos, nos quais testemunhamos a morte de três papas: São João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Isto pode não dizer nada, dadas as circunstâncias que as envolveram: o peso da idade e o abatimento de corpos castigados pelo tempo e pela dureza da doença, mas ainda, em razão da renúncia do segundo, em 2013. Porém, tais fatos e circunstâncias dizem mais do que parecem e penso que a literatura da qual me vali aqui apontam, como já ocorrera com Júlio Verne, por exemplo, não somente sopra ventos “proféticos”, mas deixa mensagens que a Santa Igreja precisa estar atenta, em particular os Cardeais, nos próximos dias, mais de perto, a partir do próximo dia 7 de maio, quando se inicia o processo de discernimento (que desta forma seja) para a escolha do novo pontífice. Este que para além de governar uma instituição com mais de um bilhão de pessoas, tem pela frente um mundo dilacerado por guerras, mas também por relativismos perigosos, indiferentismos os mais cruéis e uma crescente falta de fé e de Deus nas mentes e corações das pessoas, que protagonizam, de tempos e tempos, com a maior brevidade possível, uma série de barbáries e desumanidades.</p>
<p>Assim posto, vejamos o que os livros aqui citados podem nos dizer sobre o passado, o presente e o futuro da Igreja Católica, que a exemplo do Papa Francisco, vem cambaleando, faltando ar, até, mas mantendo-se firme, perseverante, na esperança de seguir sendo peregrina, levando conforto para um mundo doente, carente de amor, paz e de dignidade. Como assim o quis Deus quando valeu-se da Criação da Terra, das coisas, dos animais e do ser humano, a quem amou e ama tanto a ponto de deixar render em sacrifício de cruz e sangue, seu filho unigênito, Jesus Cristo, que sob seu legado divino tem procurado se assentar a Igreja Católica, como continuadora das responsabilidades atribuídas e conferidas ao pescador, São Pedro.</p>
<p>Em conferência proferida por Roger Chartier, em 5 de novembro de 1999, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, assim se expressou o historiador francês, atualmente com 79 anos:</p>
<p style="text-align: right;"><em>A relação entre literatura e história pode ser entendida de duas maneiras. A primeira enfatiza o requisito de uma aproximação plenamente histórica dos textos. (&#8230;) Mas há uma segunda maneira talvez mais inesperada de considerar a relação entre literatura e história. Procede ao contrário, isto é, descobre em alguns textos literários uma representação aguda e original dos próprios mecanismos que regem a produção e transmissão do mistério estético. Semelhantes textos que fazem da escritura, do livro e da leitura o objeto mesmo da ficção, obrigam os historiadores a pensar de outra maneira as categorias mais fundamentais que caracterizam a “instituição literária”.</em></p>
<p>Com isto, quero dizer que a literatura faz mais bem à história do que o contrário. E, nesse sentido, pode ser um exponencial objeto, mas também uma preciosa fonte da pesquisa histórica. Ou ainda, capaz de lançar luzes sobre a realidade histórica e sobre o vir a ser. Tudo isso e mais um pouco pode-se depreender das leituras dos livros de Morris West e de Robert Harris no que diz respeito à Igreja Católica e à sucessão papal. Advirto que não são leituras “apropriadas” para quem não tem uma fé sedimentada e amadurecida e que estas têm deixado os mais puritanos dos católicos com nervos e julgamentos à flor da pele.</p>
<p>Embora ambos os autores nas três obras façam uso daquela máxima de que esta é uma obra de ficção, qualquer relação com a realidade é mera coincidência, devo dizer que há mais coincidências nelas do que possam os autores adverti-las. E nesse sentido, penso que as três não deixam de ser ou vir a ser uma espécie de teleologias da Igreja Católica, no que diz respeito aos potenciais eleitos papas ao longo dos últimos tempos. Em “Sandálias do Pescador”, não somente a ideia de um cardeal elegível e depois eleito papa, o fictício Kiril Lakota, que guarda uma singular relação com o papa da vida real, Karol Józef Wojtyła, eleito papa em 1978, sob a denominação de João Paulo II. Ou ainda, a Vossa Eminência, o cardeal Luca Rossini, argentino (filho de imigrantes italianos), de “A Eminência”, que antevê, de algum modo e sob inúmeras verossimilhanças, o papa Francisco.  Ao contrário do primeiro, Kiril, Rossini é eleito papa, mas não aceita o cargo e o deixa a cargo do segundo mais votado, o cardeal de Milão.</p>
<p>Que Morris West se tornou célebre por sua genial escrita, também o é por esse dom “profético” de uma literatura que anda de braços dados com a história e com os fatos históricos. Não parecendo ser diferente, o já também célebre, Robert Harris, com “O Conclave”, que traz à tona, ainda que ficticiamente, a eleição de um filipino (na versão do cinema, um mexicano), o cardeal de Bagdá, Vicent Benítez. Devo ressaltar que entre os “favoritos” para a sucessão de São Pedro/Franciscus está um cardeal filipino, Luis Antonio Gokim Tagle, 67 anos. Depois de dois papas longevos em idade e não necessariamente em pontificado, como fora São João Paulo II, não estaria a Igreja, novamente, sob a inspiração do Espírito Santo, à procura de um reinado que alcance ainda mais as periferias do mundo e tenha saúde suficiente para isto e para enfrentar com coragem as demandas do tempo presente? Aguardemos as próximas páginas e capítulos de um grande best-seller que é a vida real.</p>
<p>Em comum, as três obras apresentam uma Igreja a partir de uma metáfora muito significativa: uma grande barca, singrando os mares bravios, seguindo firme, ainda que com suas estruturas gastas pelo tempo, para o caminho que o Cristo apontou e aponta, qual seja, o Reino de Deus. E, nesse sentido, seja no contexto dos anos 60, seja no contexto dos anos 90 e seja no tempo mais recente, à necessidade de dar respostas ao mundo, sem deixar de firmar-se sobre a pedra sob a qual Jesus edificou a sua Igreja. Desafios e perfis de Igreja e pessoas que conduzam o timoneiro com segurança, mas também com ousadia, destemor e, acima de tudo, com amor, muito amor.</p>
<p>Vejamos&#8230;</p>
<p>O espírito doente é um instrumento desafinado na grande sinfonia que é o diálogo de Deus com homem. Aqui, talvez, possamos ver a revelação mais perfeita do significado da responsabilidade humana e da compaixão de Deus pelas suas criaturas. (Kiril I – As Sandálias do Pescador – Morris West).</p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;) essa eleição pode ser&#8230; a meu ver ela precisa ser&#8230; um novo começo para a Igreja. (&#8230;) Roma está perdendo a relevância, porque as pessoas não estão sendo ouvidas. (&#8230;) As ovelhas famintas olham para cima e não são alimentadas. (&#8230;) Elas estão sendo alimentadas, disse ele, mas nós as estamos alimentando com papel em vez do pão da vida! (Cardeal Turi &#8211; A Eminência – Morris West).</em></p>
<p>O dom de Deus para a Igreja é a sua variedade (&#8230;). Nenhuma pessoa ou nenhuma facção deve procurar submeter as demais. ´Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo´, é o que Paulo exorta aos fiéis em outra parte da mesma Epístola (&#8230;). Nossa fé é uma coisa viva precisamente porque ela caminha de mãos dadas com a dúvida. Se existisse apenas a certeza, e não houvesse dúvida alguma, não haveria mistério, não haveria necessidade da fé. (Cardeal Rossini – O Conclave – Robert Harris).</p>
<p>A esta altura do século XXI, quem calçará às Sandálias do Pescador? Qual, das 133 Eminências, após o Conclave de maio de 2025, deixará de ser o Príncipe para ser o novo Papa da Igreja Católica? Melhor do que fazer suas apostas, apelo que rezem pelo seu futuro, o porvir de uma instituição tão combalida nos últimos séculos, tão longe de Deus e de seu rebanho, esperançoso que o afeto de Franciscus persevere e faça brotar do seu coração, mais do que um soberano, alguém que tenha o cheiro das ovelhas, mais conciliador do que conservador ou liberal, mais sob a condução constante do Espírito Santo e Imitação do Cristo do que tão somente da Cúria, da compreensão de Igreja A, B e até C e de alguns de seus rígidos e nada cristãos ditames e preceitos. O amor segue sendo a razão de tudo. “<strong><em><b><i>Só o amor, só o amor</i></b></em></strong><em><i>. O amor é tudo. Viverei o amor</i></em>” (Santa Teresinha).</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Do livro não me livro</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/do-livro-nao-me-livro-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 18:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[dia mundial do livro]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Quarta-feira, 23 de abril. Acordei e vi a mensagem da professora Daniele Sousa, de Sertãozinho, Paraíba, me parabenizando pelo Dia Mundial do Livro. Daniele é colega do curso de Jornalismo. Nunca nos vimos pessoalmente, somos próximos por causa das maravilhas da tecnologia. No período pandêmico, iniciei &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">Q</span>uarta-feira, 23 de abril. Acordei e vi a mensagem da professora Daniele Sousa, de Sertãozinho, Paraíba, me parabenizando pelo Dia Mundial do Livro. Daniele é colega do curso de Jornalismo. Nunca nos vimos pessoalmente, somos próximos por causa das maravilhas da tecnologia. No período pandêmico, iniciei o curso de Jornalismo, à distância, que concluo no meio do ano. Aos 66 anos continuo com fome e sede de conhecimentos.</p>
<p>Antes de sentar para tomar o café da manhã, o poeta Rinaldo Nunes liga me convidando para tomarmos café em uma Cafeteria próximo de casa.</p>
<p>Rinaldo é dessas pessoas que não se pode dizer não, tamanha amabilidade, gentileza e generosidade.</p>
<p>Café regado a boas conversas, recital de poesias e desenhos, feitos por Rinaldo, em tempo real, no papel que cobre a mesa da Cafeteria. Multifacetado, além de poeta, Rinaldo é empresário, advogado, musicista, desenhista e caricaturista. Um apaixonado pelas artes.</p>
<p>Juntou-se a nós, na mesa do café, Osmar Gomes, que conhecia de nome. Com uma rica trajetória de vida, Osmar é Juíz de Direito, amigo das letras, escritor e meu confrade na ALMA, Academia Literária do Maranhão. Nunca tínhamos conversado antes, embora com inúmeros amigos e familiares em comum.</p>
<p><strong>No Dia Mundial do Livro, nada melhor do que estar cercado, nas primeiras horas do dia, de amantes da literatura.</strong></p>
<p>Cada livro, cada volume que se vê, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram, viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se maior.</p>
<p>Ler um bom livro é viajar sem sair do lugar. Mas sair do lugar sem um bom livro não é uma boa viagem. Foi através dos livros que conheci primeiramente o mundo.</p>
<p>Garoto curioso, no começo dos anos 70, com poucos livros em casa, foi na Biblioteca Benedito Leite, no centro de São Luís, que viajei para todos os continentes do mundo através das enciclopédias Barsas e Delta-Larousse.</p>
<p>Quem lê viaja. Quem viaja na leitura de um livro vivencia o que se passa na obra. Quão bom é estar em lugares desconhecidos, conhecer seus personagens, suas histórias; criar memórias.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/books-1977235_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-88967 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/books-1977235_1280-300x226.png" alt="" width="186" height="140" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/books-1977235_1280-300x226.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/books-1977235_1280-1024x772.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/books-1977235_1280-768x579.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/books-1977235_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 186px) 100vw, 186px" /></a>Os Livros não mudam o mundo,</p>
<p>quem muda o mundo são as pessoas.</p>
<p>Os livros só mudam as pessoas.</p>
<p>O livro nos eterniza e nos conecta com o mundo.</p>

			</div></div>
<p><strong>Lancei meu o livro “Das muletas fiz asas”, em junho de 2022, pela editora N’Versos, em São Luís.</strong> Em setembro de 2023 fui lançá-lo em São Paulo, e em abril de 2024 atravessei o Atlântico e lancei-o na Cidade do Porto, Portugal. Hoje o livro é vendido nos aeroportos de todo o Brasil. No final do ano passado, recebi a mensagem do jovem Carlos Pessoa, de Recife.</p>
<p>Carlos adquiriu meu livro no aeroporto de Brasília e viajou para Tóquio, Japão. Entrou em contato comigo via Instagram e falou que se identificou com a história. Aos 36 anos, piloto executivo, após se submeter a uma cirurgia na coluna ficou paraplégico, e em cadeira de rodas por seis meses. Hoje já não pode mais pilotar, e se locomove com muletas, assim como eu. Sem o livro, dificilmente Carlos e eu teríamos nos conectado.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-23-at-07.25.45.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-88963 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-23-at-07.25.45-175x300.jpeg" alt="" width="141" height="242" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-23-at-07.25.45-175x300.jpeg 175w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-23-at-07.25.45-597x1024.jpeg 597w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-23-at-07.25.45.jpeg 746w" sizes="auto, (max-width: 141px) 100vw, 141px" /></a>Em Viana, terra natal de minha mãe, Maria da Conceição Nunes e Silva, a professora Teresa Perna, do Colégio Antônio Lopes, lê para seus alunos, crônicas que publico nos 22 jornais de diferentes cidades brasileiras. A alegria de quem escreve é o retorno de quem lê. Não basta escrever, o bom mesmo é ser lido, interpretado, debatido.</p>
<p>“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado”, escreveu o poeta gaúcho Mário Quintana. Sempre tenho um exemplar às mãos.</p>
<p>Portanto, &#8220;do livro não me livro, e nem quero me livrar. Se do livro eu me livro, como livre vou ficar?&#8221;</p>
<p>O livro me faz voar.</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aracaju no começo do século 20 vista por um cronista francês  </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/aracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2025 19:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[alemão]]></category>
		<category><![CDATA[Aracaju]]></category>
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		<category><![CDATA[Sergipe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=85147</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; O habitante de Sergipe  tem personalidade viva,  susceptível;  delicado em aparência e espírito,  é rancoroso e ao mesmo tempo prático. Paul Walle &#160; Na crônica de hoje, volto ao tema de minha primeira publicação neste portal (“Aracaju pelo olhar de um viajante alemão”) para falar, desta vez, de outro cronista europeu que &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&#038;title=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/aracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances/" data-a2a-title="Aracaju no começo do século 20 vista por um cronista francês  "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">Por Acácia Rios (*)</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>O habitante de Sergipe </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>tem personalidade viva, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>susceptível; </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>delicado em aparência e espírito, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>é rancoroso e ao mesmo tempo prático.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Paul Walle</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a crônica de hoje, volto ao tema de minha primeira publicação neste portal (“<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/aracaju-pelo-olhar-de-um-viajante-alemao/#google_vignette" target="_blank" rel="noopener">Aracaju pelo olhar de um viajante alemão</a></span></strong>”) para falar, desta vez, de outro cronista europeu que passou por Sergipe na década de 1900, o geólogo e naturalista francês Paul Walle. Refiro-me aqui às suas impressões sobre o nosso Estado, retratadas em <span class="sigijh_hlt"><em>Au Brèsil. États de Sergipe et Alagoas</em> (E. Guilmoto, Éditeur, 1912) e que me chega às mãos por meio de um leitor da coluna.</span></p>
<p>C<a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85156 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances-235x300.jpg" alt="" width="235" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances-235x300.jpg 235w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances-768x979.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances.jpg 781w" sizes="auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px" /></a>onforme assinala a capa do livro, o autor viajou pelo Brasil em missões diplomáticas atribuídas pelo Ministério do Comércio da França, do qual era funcionário. O objetivo era conhecer (ou espionar) as práticas comerciais e industriais de países concorrentes com os quais o Brasil mantinha relações econômicas, estudando novas formas de explorar as nossas riquezas.</p>
<p>Publicou as suas impressões em diferentes livros, divididos tematicamente por estados das regiões sudeste, norte e nordeste do Brasil. Também enveredou por outros países da América do Sul, como Bolívia e Peru. Algumas de suas edições podem ser encontradas (e encomendadas) nos dois idiomas no site do Senado Federal e facilmente localizáveis na biblioteca Palácio do Itamaraty, em Brasília.</p>
<p>Mas entremos no tema. Depois de destacar os municípios de Estância, Simão Dias, Laranjeiras, Itabaiana, Lagarto e São Cristóvão, Walle dedica algumas páginas à capital sergipana, espaço ao qual aludirei. Diferentemente do viajante alemão Robert Avé-Lallemont, que visitou Aracaju no século 19 e se deteve mais longamente nas características etnográficas e culturais, o francês enfatiza sobretudo os aspectos físicos, com especial destaque para a economia, geografia e uso de dados numéricos, sem ensaiar observações pessoais.</p>
<p>Apesar do teor burocrático, no entanto, é possível extrair diversas passagens descritivas que revelam o seu olhar sobre o mobiliário urbano do Centro, como no trecho a seguir: “As ruas são retas e paralelas, suficientemente largas. As principais são: Aurora, São Cristóvão, Laranjeiras, Itaporanga e Japaratuba. São geralmente longas e oferecem uma vista aprazível.” A rua Aurora, que já se chamou Tramanday, atualmente é a Avenida Ivo do Prado.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-85174 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p>Os edifícios públicos, para Walle, não são marcantes, mas destaca alguns deles, como a Catedral que, com sua fachada de duas torres quadrangulares, guarda certa originalidade. “É uma ampla construção em forma de paralelogramo, onde toda a arquitetura exterior é híbrida, em pesado estilo ogival alemão e cuja modesta escadaria dá acesso ao templo”. De fato, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, de1859, tem estilos neoclássico e neogótico.</p>
<p>Ler a sua descrição sobre a Igreja Matriz traz à memória a minha familiaridade com o seu entorno, o Parque Teófilo Dantas (que outrora abrigou o famoso Carrossel de Seu Tobias). Meus tios paternos moravam na rua Santo Amaro e, sempre que os visitava, meu pai me levava para brincar no parque e ver os peixes ornamentais do lago artificial que compunha o seu desenho paisagístico. Também comi muitos oitis das suas gigantescas e generosas árvores.</p>
<p>Outra grata lembrança é o vagão de trem (Expresso Abelha) que, salvo engano, se localizava bem em frente à Panificadora Sergipana (a preferida do meu pai, na esquina da rua Santo Amaro). Aos sábados pela manhã meu pai me deixava dentro daquele mundo colorido cheio de livros infantis, lápis de cor, tinta guache, pincéis e me esperava do lado de fora, pacientemente, até eu me dar por satisfeita das brincadeiras. Depois, íamos comprar o pão e eu voltava pra casa saboreando uma deliciosa broa de milho.</p>
<p>Mas voltando a Walle, sem deixar de mencionar as “simétricas faixas de palmeiras” da atual praça Fausto Cardoso, outro edifício que lhe chama a atenção é o Palácio do Governo (atual Museu Olympio Campos). “Uma boa construção de dois andares, sem grandes ornamentos, salvo as janelas e as armas da República no seu frontão e cujo interior é decorado com elegância e bom gosto”. De fato, é uma das nossas mais bonitas construções.</p>
<p>Em seguida, refere-se à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), “um grande e claro edifício cuja fachada principal ostenta um frontão que repousa sobre duas colunas de estilo clássico”. A edificação citada é o atual Palácio Fausto Cardoso (vizinho ao Olympio Campos). Devido às demandas burocráticas, a sede da Alese foi transferida em 1987 para dali a alguns metros, na esquina onde se inicia a avenida Ivo do Prado.</p>
<figure id="attachment_85151" aria-describedby="caption-attachment-85151" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85151" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-300x220.jpg" alt="" width="300" height="220" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-300x220.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-1024x750.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-768x562.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador.jpg 1056w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-85151" class="wp-caption-text">Ponte do Imperador</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">Mesmo sem mencionar a Ponte do Imperador, construída para recepcionar Dom Pedro II, as duas imagens fotográficas mostram-na da perspectiva do rio Sergipe.</span> Nota-se a ponte bem diferente da que conhecemos hoje, o que demonstra as mudanças pelas quais passou desde a sua inauguração, em 1860. As colunas se comunicavam formando um pórtico. Outro detalhe é que a proteção de concreto ao fundo tinha o formato de coreto.</p>
<p>A Aracaju descrita por Paul Walle nos ajuda a compor um quadro-síntese da capital e das suas transformações nos primeiros anos do século. Para além do seu tecnicismo, arriscaria dizer que nos dá um retrato, em outro ângulo, de como nos apropriamos do espaço e construímos valores identitários e culturais próprios.</p>
<p>(Todas as citações foram traduzidas livremente pela autora).]
<p>Revisão: Joara Carvalho</p>
<p>&nbsp;</p>
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