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	<title>Arquivo para lágrimas - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 03 Jul 2025 17:28:30 +0000</lastBuildDate>
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		<title>“Para que servem as mãos?”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jul 2025 17:28:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[abençoadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Em andanças pelo mundo, uma coisa sempre me chamou atenção. Em países árabes e também em Israel, vi homens com terços nas mãos. As mesmas mãos que seguravam terços, eram as mãos que jogavam bombas. Nas guerras modernas que acompanhamos ao vivo e a cores pela &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m andanças pelo mundo, uma coisa sempre me chamou atenção. Em países árabes e também em Israel, vi homens com terços nas mãos. As mesmas mãos que seguravam terços, eram as mãos que jogavam bombas. Nas guerras modernas que acompanhamos ao vivo e a cores pela TV, refastelados no sofá de casa, não se joga mais bombas; mas são os mísseis teleguiados, que têm alto poder de destruição.</p>
<p>Estes dias assisti à interpretação magistral da atriz Bibi Ferreira no “Monólogo das mãos” do carioca Giuseppe Artidoro Ghiaroni, que reproduzo aqui.</p>
<p>“As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever…</p>
<p>As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário.</p>
<p>Múcio Cévola queimou a mão que, por engano, não matou Porcena.</p>
<p>Foi com as mãos que Jesus amparou Madalena.</p>
<p>Com as mãos que David agitou a funda que matou Golias.</p>
<p>As mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena.</p>
<p>Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência.</p>
<p>Os antissemitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte. Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram. A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda. O operário construir e o burguês destruir. O bom amparar e o justo punir. O amante acariciar e o ladrão roubar. O honesto trabalhar e o viciado jogar.</p>
<p>Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba! Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia! As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.</p>
<p>Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor. Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.</p>
<p>O autor do “Homo Rebus” lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.</p>
<p>A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada, a pena e a cruz! Modela os mármores e os bronzes; dá cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.</p>
<p>Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza. Doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos. O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.</p>
<p>O noivo para casar-se pede a mão de sua amada. Jesus abençoava com as mãos. As mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes. Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.</p>
<p>E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem. Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.</p>
<p>E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração para, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera, que continuam na morte as funções da vida.</p>
<p>E as mãos dos amigos nos conduzem…</p>
<p>E as mãos dos coveiros nos enterram!”</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ainda estou aqui, there and everywhere</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ainda-estou-aqui-there-and-everywhere/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 11:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[bilheteria]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[Inferno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por  Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; C om raiva e lágrimas. Assim saí da sessão do filme “Ainda Estou aqui”. Como pai de família, me coloquei no lugar de Eunice e de seus filhos com Rubens Paiva (1929-1971): Vera, Eliana, Ana Lúcia, Maria Beatriz e Marcelo. Seus dramas, a dor da ausência, as dificuldades &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por  Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span> om raiva e lágrimas. Assim saí da sessão do filme “Ainda Estou aqui”. Como pai de família, me coloquei no lugar de Eunice e de seus filhos com Rubens Paiva (1929-1971): Vera, Eliana, Ana Lúcia, Maria Beatriz e Marcelo. Seus dramas, a dor da ausência, as dificuldades para seguirem em frente, as injustiças e a falta de respostas e de um corpo para velar, portanto, um luto inconcluso, uma ferida sempre aberta. Enfim, algumas de uma série de sequelas das atrocidades de um regime de governo as quais não se pode passar a mão, esquecer e sequer anistiar, nem de ontem e nem tão pouco do passado recente.</p>
<p>Embalado por grandes sucessos da Música Popular Brasileira, o filme “Ainda Estou aqui” (2024), de Walter Sales, é, sem sombras de dúvidas, um dos maiores do cinema nacional de todos os tempos. Se não alcançar os loiros do Oscar (a meu ver, mais do que merecedor), para além dos recordes de crítica e de bilheteria, ficará imortalizado na memória, geração após geração, deixando um legado importante e reflexões que, certamente, farão diferença na formação da consciência de uma juventude ainda ávida por transformações, liberdade e respeito.</p>
<p>Afinal, “É preciso [SEMPRE] dar um jeito, meu amigo” (Erasmo e Roberto, 1971), canção-tema do filme. Ainda há fumaça de satanás fungando em nosso cangote: aqui, ali e acolá. “Ainda estou aqui” nos lembra isso: que os fantasmas da ditadura militar (1964-1985) não foram devidamente despachados para o inferno. Generais, capitães e soldados (civis, também) ainda sonham com o poder, subvertendo a democracia, pervertendo-a com um nacionalismo caduco, enodoando a verdade com relativismos de uma retórica rasa e com uma massa encefálica doente e burra.</p>
<p>“Ainda estou aqui” é um filme adaptado do romance autobiográfico e histórico, homônimo, de autoria de Marcelo Rubens Paiva, lançado pela editora Alfaguara, em 2015. Estrelam a película um trio de atores extraordinários: Fernanda Torres (Eunice mais jovem), Fernanda Montenegro (Eunice idosa) e Selton Mello (Rubens Paiva). Ambientado entre o Rio de Janeiro e São Paulo no final dos anos 1970 e início de 1971, conta a história da família do ex-deputado e engenheiro civil, Rubens Beyrodt Paiva, às voltas com sua prisão pelos agentes da ditadura e seu “misterioso” desaparecimento, anos depois, confirmado na forma de tortura e assassinato. O filme retrata ainda dois outros tempos: 1996, quando Rubens teve sua certidão de óbito concedida pela justiça; e, 2014, quando do ocaso da advogada Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva (1929), falecida em 2018, em decorrência das complicações do Alzheimer, que a maltratou por quinze anos.</p>
<p>O filme, por fim, nos ajuda a pensar e a repensar essa questão da anistia no país. Se por um lado a Lei de Anistia de 1979 concedeu o perdão político para figuras como Gabeira, Henfil e Miguel Arraes, permitindo que eles, uma vez exilados, retornassem ao Brasil, tendo se apresentado como “ampla, geral e irrestrita”, também passou panos quentes em torturadores e agentes do regime que ficaram impunes. Nesse sentido, muito significativa foi a fala do ministro Flávio Dino desta semana, no sentido de propor que a Lei da Anistia não valha para casos que tenha havido a ocultação de cadáver, “desaparecidos” para a ditadura militar:</p>
<p>“Manifesto-me no sentido de reconhecer o caráter constitucional e a repercussão geral do seguinte tema: possibilidade, ou não, de reconhecimento de anistia a crime de ocultação de cadáver (crime permanente), cujo início da execução ocorreu antes da vigência da Lei da Anistia, mas continuou de modo ininterrupto a ser executado após a sua vigência, à luz da Emenda Constitucional 26/85 e da Lei nº. 6.683/79”.</p>
<p>O fato é que a impunidade não pode mais reinar nos livros, nos tribunais e na História do Brasil. Quem tem com o quê pagar, que não morra devendo! Afora o direito à presunção de inocência, também o peso da lei e da justiça. As lições de um tempo não se apagam e as feridas não fecham. Aos que ainda morrem de saudades dos tempos de chumbo (zumbis de um lixo chamado ditadura militar), meu mais veemente protesto e indignação. Qualquer tipo de regime autoritário, sobretudo o impingido pela ditadura militar, é um veneno para a alma brasileira e um desserviço para a história da humanidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Encontros e despedidas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/encontros-e-despedidas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 17:52:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[encontros]]></category>
		<category><![CDATA[época]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Encontrei-a no estacionamento do shopping. Época natalina, lugares cheios, difícil encontrar uma vaga. Ela já tinha estacionado, eu circulava feito pião. Até que Nossa Senhora das Vagas arranjou a vaga tão necessária. Estacionei e fomos para um lugar tranquilo. Sentamos, e ela me contou de sua felicidade nesta &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>ncontrei-a no estacionamento do shopping. Época natalina, lugares cheios, difícil encontrar uma vaga. Ela já tinha estacionado, eu circulava feito pião. Até que Nossa Senhora das Vagas arranjou a vaga tão necessária. Estacionei e fomos para um lugar tranquilo. Sentamos, e ela me contou de sua felicidade nesta época do ano; falou que ama o Natal. Tempo de reencontros.</p>
<p>Perguntou-me por minha companheira de jornada. Contei-lhe o que aconteceu, que bateu asas e voou.</p>
<p>Ela ouviu calada, olhos arregalados, que não demoraram a derramar lágrimas. Falou suave: &#8220;Professor, estou pasma. Mas tenha fé, acalme seu coração, tudo passa, isso também vai passar&#8221;.</p>
<p>Ela sempre me chama de “professor”. Já fui professor, lá atrás. Gosto de ser chamado assim.</p>
<p>Refeita, lágrimas escorridas, contou-me um pouco de sua vida.</p>
<p>Disse, sorrindo, que o marido, já falecido, todas as vezes que se emputecia, batia asas. Passava alguns dias e retornava. Foram cinco vezes que assim procedeu. Ela nunca ligou para saber por onde andava: se estava bem, se tinha tomado os remédios tão necessários para combater suas comorbidades. Nas cinco vezes que ele se foi, voltou de asas arriadas.</p>
<p>Sábia, ela tocava sua vida. Ao vê-lo novamente retornar para casa, lhe perguntava:</p>
<p>— Bichinho, por onde andastes não te trataram bem?</p>
<p>Ele, zangado com o descaso dela, lhe respondia:</p>
<p>— Nunca vi mulher assim, que o marido sai de casa e a mulher nem liga, não vai atrás.</p>
<p>— Eu não te expulsei de casa, você foi porque quis, e voltou pelo mesmo motivo. Você não foi com minhas pernas, portanto não tenho nada com isso.</p>
<p>Na última vez que ele se escafedeu, ela soube que ele arranjara uma “cunhã”, e que estava apaixonado; já querendo o divórcio. Ela não disse nada, o conhecia bem; sabia que logo estaria pedindo arrego para voltar.</p>
<p>Não demorou muito para ele ligar, dizendo onde estava, e que vira na TV, uma doença que estava matando o povo, e que ele queria voltar para casa.</p>
<p>A doença era o coronavírus. Ela nem assuntou.</p>
<p>Ele ligou novamente apavorado, “pelo amor de Deus, pede para alguém me buscar, não quero morrer aqui”.</p>
<p>Ela providenciou que o filho fosse buscá-lo, todo paramentado, feito um astronauta, obedecendo os tais protocolos, tão em voga na época.</p>
<p>Ele voltou, ficaram em quartos separados. Ela providenciou tudo para ele, mas exigiu distância. Suas comorbidades se agravaram, e por conta da diabetes, ele ficou cego.</p>
<p>Nos últimos anos, ela deu toda a assistência para ele, até no derradeiro suspiro. Sepultou-o e, ainda no Campo Santo, pensou com seus botões: “Daí tu não sai nunca mais, quem vai bater asas agora sou eu”.</p>
<p>— Professor, a pandemia do coronavírus foi minha amiga. Graças ao vírus letal, e o medo de morrer, ele voltou para casa. Olhe como as coisas são engraçadas. Desde que ele voltou pela última vez, não teve mais condição de administrar o dinheiro, não pode mais ir ao banco, e não aprendeu a fazer as transações pelo smartphone. Coube a mim ficar com as senhas e o dinheiro.</p>
<p>Mulher sábia, teve a parcimônia de acompanhar as tresloucadas fugas e posteriores voltas para casa do marido fujão.</p>
<p>Enquanto ela me narrava sua epopeia, lembrei-me de dona Gertrudes, uma vizinha de tempos idos, que morava próximo da casa de meus pais.</p>
<p>Geraldo, o marido, era caminhoneiro, viajava o país todo, entregando e buscando cargas. Às vezes ele passava tempos sem dar notícia, a mulher se acostumara. Mas, uma vez ele ficou cinco anos desaparecido, sem que ninguém soubesse seu paradeiro. Em princípio, dona Gertrudes se preocupou, procurou-o por toda parte, e nada. Ela o deu por morto.</p>
<p>Um belo dia, próximo ao Natal, seu Geraldo aparece em casa, como se nada tivesse acontecido. Trouxe o presente da mulher e dos filhos. Quando ele sumiu, deixou quatro filhos com a mulher. Ao voltar tinha cinco.</p>
<p>Espantado, perguntou:</p>
<p>— Gertrude, me diz uma coisa, de quem é esse menino menor?</p>
<p>— É teu?</p>
<p>— Meu? Se eu não estava nem aqui.</p>
<p>— Exatamente, não estava porque não quisestes, mas o filho é teu, tem até o teu sobrenome. E, trata de comprar o presente de Geraldo Jr.</p>
<p>Rimos muito da história de Gertrudes e Geraldo. Desejamo-nos Feliz Natal e nos despedimos.</p>
<p>— Professor, sempre um prazer encontrá-lo.</p>
<p>— O mesmo digo eu.</p>
<p>Como dizia o poeta Vinicius de Moraes, “A vida é a arte do encontro, embora haja muito desencontro pela vida”.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h2 style="text-align: center;">Encontros e despedidas</h2>
<p style="text-align: center;"><em>Autores: Milton Nascimento e Fernando Blant</em></p>
<p style="text-align: center;">“Todos os dias é um vai e vem</p>
<p style="text-align: center;">A vida se repete na estação</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que chega pra ficar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que vai pra nunca mais</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que vem e quer voltar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que vai e quer ficar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que veio só olhar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente a sorrir e a chorar”</p>

			</div></div>
<p>Assim é a vida, uma dança de encontros e despedidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>As lágrimas de Eufrosina</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/as-lagrimas-de-eufrosina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tacio Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2024 11:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[auto-conhecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[Stephen Strange]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Tácio Brito (*) &#160; Nas minhas últimas semanas, minha vida tem orbitado um universo de trabalho e correria. São muitas as cobranças, as responsabilidades que tenho carregado em meus ombros. Em outras épocas, certamente eu estaria uma pilha de nervos e estaria acusando as estrelas, céus e mares por criarem algum estratagema para &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Tácio Brito (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>as minhas últimas semanas, minha vida tem orbitado um universo de trabalho e correria. São muitas as cobranças, as responsabilidades que tenho carregado em meus ombros. Em outras épocas, certamente eu estaria uma pilha de nervos e estaria acusando as estrelas, céus e mares por criarem algum estratagema para me fazer sofrer, me condicionar a uma existência sem sentido. Mas no meu hoje, diante da perspectiva que tenho adotado e da sorte que tive ao ter alcançado meandros novos para velejar na vida, tenho encontrado prazer no que faço, alegria e, também, pessoas com quem gosto de estar.</p>
<p>A perspectiva que adotei nos últimos tempos — a de buscar sabedoria ao invés de títulos e posições, de buscar prazer no momento em que vivo o tiquetaquear do relógio, ao invés de viver em função dos ganhos ou das promessas de doces auroras — revelou-se numa completa mudança de compreensão do valor da vida e da existência, de suas dores, seus horrores, amores e sorrisos.</p>
<p>Vivemos nossas vidas buscando o direito de ser feliz, o direito de poder viver. Quantas vezes nos deparamos com esta frase “agora vou viver minha vida” ditas por pessoas com idades bem avançadas? Essas pessoas movidas pela noção que reina em nossa sociedade de que a felicidade é um <em>archievement* </em>social só alcançável por um grupo seleto de pessoas quase intocáveis, protegidas por suas muralhas de carros, casas, roupas caras e apetrechos, ou ainda por aqueles que dão à educação o seu protagonismo, mas a desvirtuam pela mesma visão de mundo, valorizando os doutorados, currículos desmanchados em calhamaços de folhas, acima do bem, do mal e do próprio valor do conhecimento e da educação. Essas duas aristocracias (monetária e doutoral) apresentam-se diante de nós como quase deuses e, portanto, merecedores de viver e ser felizes, sendo exemplos a serem emulados sem questionamentos, afinal, <span class="sigijh_hlt">“por que eu não deveria seguir os passos do bilionário/PhD para ser feliz como eles?”</span></p>
<p>Todavia, meu caro leitor, com igual regularidade que os vemos, descobrimos pelos noticiários ou em suas salas de aula o que se esconde debaixo de suas máscaras divinas: a dor, o cansaço, a amargura, a ansiedade, a agonia e a depressão. Diante desses fatos, nós, bitolados pela meritocracia dos ímpios, dizemos que é fraqueza, dizemos que é frescura de <em>riquinho/doutorzinho</em> e simplesmente, após um julgamento inquisitório para defender a perspectiva perversa, continuamos a seguir os tantos outros deuses que surgem nas páginas dos livros.</p>
<p>Ignoramos completamente o fato de que eles são tão vítimas quanto nós. De que eles, apesar de terem chegado no patamar tão sonhado, descobriram que gastaram anos de vida, abriram mão de sua capacidade de sentir o sabor da vida em prol de um status quo que, quando sentido por algum tempo, não lhes dera nada além da dura e fria realidade de que, tendo aberto mão de viver, apenas esgotaram anos de suas vidas ao abismo sem sentido.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Não viveram porque queriam merecer viver e, quando mereceram, descobriram que nunca viveram de fato.</span></p>
<p>Eu já fui uma dessas pessoas, por muito tempo eu sacrifiquei saúde, tempo e felicidade preso atrás de uma mesa, incógnito e maltratado. Naqueles tempos, eu acreditava que eu não me dedicava o suficiente, que eu não era bom o bastante, que era tudo culpa minha e que minha desgraça era merecida, mesmo dormindo apenas 3h por dia ligado a 15 xícaras de café diárias, trabalhando, estudando e fazendo bicos. Tudo isso para comprar a felicidade. No trabalho eu buscava a aceitação, o reconhecimento, a valorização, promessas que não eram cumpridas. E eu me punia internamente por isso. Na faculdade, acumulava informações, lia freneticamente quase como um gado obediente, sem questionar os deuses doutores diante de mim, sem observar o macro assim como eu olhava o microcosmo. Não muito tarde parei em um hospital com crise de estresse. Não recomendo.</p>
<p>Hoje, depois de muitas páginas passadas nos capítulos desde aquele tempo, olho pra aquele jovem e percebo a tamanha infelicidade e horror que eu me condicionava a viver ainda tão jovem, a perversidade do que eu me causava por conta da visão de mundo que me vendiam. Vejo a imensa transformação de propósito que me permiti ter, a expansão de observação sobre a existência, a descoberta da felicidade, de fato.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Minha avó me disse certa vez que quando jovem era extremamente feliz, mesmo passando muitas necessidades. Ela passou por muita coisa, várias perdas, algumas que poderiam ter sido evitadas se fosse hoje, pelos confortos da modernidade, mas mesmo assim, ela me disse que era feliz no sítio sem luz, nem água encanada, sem tv, sem internet, onde a vida era a luta para sobreviver cada dia. Pobre, analfabeta, sem os grossos livros da intelectualidade doutoral, ela alcançara a busca primordial da humanidade. Ela era feliz. Feliz.</p>

			</div></div>
<figure id="attachment_80145" aria-describedby="caption-attachment-80145" style="width: 580px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-80145" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1-300x232.jpg" alt="" width="580" height="449" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1-300x232.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem1.jpg 425w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /></a><figcaption id="caption-attachment-80145" class="wp-caption-text">Stephen Strange, homem que tinha poder, riqueza e intelecto é revelado à verdadeira sabedoria – Cena do filme Doutor Estranho</figcaption></figure>
<p>Tal qual Stephen Strange, fui empurrado para o espaço repleto de galáxias que eu nunca tinha enxergado, isso me despertou a noção de que felicidade é, essencialmente, uma perspectiva. Um resultado analítico do produto de todas as pequenas alegrias que temos na vida. Se alegria é a causa, a felicidade é a compreensão da causa. Você pode me dizer que felicidade é igualmente a uma ilusão e que ela era feliz justamente por não saber e que quanto mais se acumula conhecimento, mais a tristeza avassala. E de fato concordo, se seu propósito for apenas acumular informações e se afogar cada vez mais nisso, certamente sim. <span class="sigijh_hlt">O conhecimento é poder, mas a sabedoria é a autoridade sobre ele.</span> Se você considera que aprender e se esclarecer é ser cada vez mais infeliz, então que busca paradoxal é essa a sua? Quero ter felicidade, mas o caminho que trilho me levará a mais tristeza. Qual o sentido disso, então?</p>
<p><span class="sigijh_hlt">O Et Bilu está categoricamente correto ao dizer “Busque sabedoria”.</span></p>
<p><span class="sigijh_hlt">A sabedoria é refletir sobre cada coisa, “buscar a essência da anima humana”, como dizia Aristóteles.</span> Conhecer o valor, na sua e na perspectiva contrária, é escolher o que lhe vale na vida. E então, a partir da sabedoria você pode optar por ser feliz diante da observação do todo. O intelecto avantajado, o dinheiro, a fama e a riqueza nunca terão valor por si, e fundamentando-se neles você só se encontrará mais e mais fundo no abismo da dor.</p>
<p>Na minha busca, eu tenho percebido o que é justo e devido. Eu estou vivo, minha existência é prova cabal do triunfo da vida num universo feito de caos. Meu corpo tem a capacidade de criar e destruir, de sentir emoções e por sua natureza, sentir alegria. Neste corpo minha mente se coloca em mil perspectivas, olha por ângulos diversos, fundamenta e reformula as minhas crenças. As substâncias que me formam, em seus picos frenéticos, me permitem ser impactado pela arte, expressar-me através dela e viver mil vidas além da minha. Minha busca tem permitido me livrar das amarras, me permitido viver por escolha consciente e tenho sentido uma profunda mudança a partir disso.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">“Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá.” &#8211; Salomão</span></p>
<p>Esta semana, deitado, pronto para dormir, eu refleti sobre meu caminho até aqui. Passei por todas as dificuldades, as dores mais profundas, os medos mais aterrorizantes, os amores, as paixões, as gargalhadas, os amigos que tive e tenho, as coisas das quais não me orgulho e minhas conquistas mais cintilantes. Nesta noite as lágrimas caíram, transbordando sentimentos poderosos, alegria de estar vivo, contemplando a beleza de existir, as inúmeras possibilidades, a transformação do caos em ordem e da ordem em caos. Eu espero, do fundo do meu coração que um dia você tenha uma noite dessa. Momento em que eu contemplei o poder da busca por sapiência acima das coisas materiais e, pela primeira vez, na minha vida ainda tão jovem, senti escorrerem as Lágrimas de Eufrosina.</p>
<p>&nbsp;</p>
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