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	<title>Arquivo para inviável - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Inviável pela própria natureza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Emerson Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2020 12:05:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Antes de qualquer coisa, o que vem a ser um povo “inviável”? Esse é um conceito amplo, difuso e de difícil elaboração. Deriva de formas de enfoque e de resposta às vicissitudes da vida e sofre uma forte influência do momento em que o respondente se encontra. No entanto, a vida é uma sucessão de &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Finviavel-pela-propria-natureza%2F&amp;linkname=Invi%C3%A1vel%20pela%20pr%C3%B3pria%20natureza" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Finviavel-pela-propria-natureza%2F&amp;linkname=Invi%C3%A1vel%20pela%20pr%C3%B3pria%20natureza" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Finviavel-pela-propria-natureza%2F&amp;linkname=Invi%C3%A1vel%20pela%20pr%C3%B3pria%20natureza" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Finviavel-pela-propria-natureza%2F&amp;linkname=Invi%C3%A1vel%20pela%20pr%C3%B3pria%20natureza" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Finviavel-pela-propria-natureza%2F&#038;title=Invi%C3%A1vel%20pela%20pr%C3%B3pria%20natureza" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/inviavel-pela-propria-natureza/" data-a2a-title="Inviável pela própria natureza"></a></p><figure id="attachment_18874" aria-describedby="caption-attachment-18874" style="width: 223px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética.png"><img decoding="async" class=" wp-image-18874" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-300x132.png" alt="" width="223" height="98" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-300x132.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-768x338.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética-1024x450.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/06/economia-herética.png 1096w" sizes="(max-width: 223px) 100vw, 223px" /></a><figcaption id="caption-attachment-18874" class="wp-caption-text"><em>Economia Herética</em></figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Antes de qualquer coisa, o que vem a ser um povo “inviável”?</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é um conceito amplo, difuso e de difícil elaboração. Deriva de formas de enfoque e de resposta às vicissitudes da vida e sofre uma forte influência do momento em que o respondente se encontra.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, a vida é uma sucessão de subjetividades que precisam ser objetivadas para que se possa chegar a algum objetivo. Logo, será necessário definir o que vem a ser essa tal inviabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta utilizada neste artigo está num pequeno texto já recorrente nas redes sociais: “<a href="https://medium.com/@lenodaz/o-primeiro-sinal-de-civilização-numa-cultura-c56fbdb02746">O fêmur curado</a>”, que faz alusão a uma réplica dada pela antropóloga ianque <a href="https://www.infopedia.pt/$margaret-mead">Margaret Mead</a> à pergunta sobre qual seria o primeiro sinal de civilização numa dada cultura.</p>
<figure id="attachment_32097" aria-describedby="caption-attachment-32097" style="width: 202px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/margarete-mead.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32097" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/margarete-mead.jpeg" alt="" width="202" height="250" /></a><figcaption id="caption-attachment-32097" class="wp-caption-text">Margaret Mead</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Ela explicou que esse feito era sinal de que o agrupamento social estava organizado de um modo em que era possível aos seus debilitados terem acesso a alimento e abrigo ao qual não teriam se vivessem em estado de natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida alguma, uma proeza que somente seria factível onde o indivíduo se vê como parte de uma coletividade e, mais importante ainda, a coletividade reconhece a importância desse indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, sem empatia, proteção e cuidado, não é possível construir uma sociedade civilizada. Então, ampliando esse aspecto, hoje, não é de todo errado afirmar que o brasileiro é um povo inviável!</p>
<p style="text-align: justify;">Assume-se essa premissa porque uma coisa que o povo brasileiro sabe fazer bem é largar à própria sorte os seus vulneráveis. E como perversidade pouca é bobagem, ainda se esmera em culpar seus desprotegidos por sua própria situação.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, por que somos assim?</p>
<p style="text-align: justify;">A principal causa de nossa inviabilidade como civilização é a nossa estrutura econômica. O Brasil surge para o concerto das nações apenas para ser um fornecedor de matéria-prima (alimentos, fibras, óleos e minérios).</p>
<p style="text-align: justify;">Veja que a principal preocupação do cronista Pero Vaz de Caminha era mostrar a El Rey que esta era uma “&#8230;terra chã em que, se plantando, tudo dá! ”, e que “ali havia ouro&#8230;”. Em nossa certidão de nascimento já estava registrado o nosso calvário.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, o Brasil não surgiu para servir de berço para um povo garantir os meios de sua própria emancipação, mas apenas para prover de <a href="https://www.dicio.com.br/commodity/"><em>commodities</em></a> os países centrais da economia-mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele não existe para si, mas para os outros. E ainda continuamos nessa mesma toada, afinal, nos orgulhamos de repetir: o “ Agro é pop! ” (Sim, ele não poupa ninguém!).</p>
<p style="text-align: justify;">Outro determinante dessa inviabilidade é a Escravidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, um estatuto tão antigo quanto a própria humanidade, ganhou <em>status</em> de elemento central da estrutura produtiva e catalisador das relações sociais, em plena emergência e consolidação do modo de produção capitalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo após o seu fim oficial, ela deixou raízes em nossas formas de gerir a produção de riqueza e de organizar a interação social, fazendo com que, ainda hoje, essas sejam estabelecidas com base na segregação de grandes frações de nossa população.</p>
<p style="text-align: justify;">E expandiu a sua influência a tal ponto que essa discriminação atinge a todos os grupos sociais em situação de vulnerabilidade, sejam eles formados por nativos, pretos ou brancos “quase pretos de tão pobres”.</p>
<p style="text-align: justify;">Perdão pelo lugar-comum, mas Joaquim Nabuco tem razão: “<a href="https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/568970/">a escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil</a>”. Duvida? Compare a conduta policial em Paraisópolis e em Alphaville. Deveras semelhantes, não?</p>
<p style="text-align: justify;">Todo o nosso arcabouço social e institucional tem por finalidade mostrar a cada um qual é “o seu lugar” e, dentro de nossas fronteiras, a única minoria realmente protegida pela sociedade são os já muito ricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Corolário: <a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/12/09/brasil-tem-segunda-maior-concentracao-de-renda-do-mundo-diz-relatorio-da-onu.ghtml">o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo</a>!</p>
<p style="text-align: justify;">Neste país, o 1% mais rico concentra 28,3% da renda total. Ou seja, quase um terço da renda está nas mãos dos mais ricos. Grosso modo, o que metade da população leva mais de cinco anos para ganhar, os extremamente ricos recebem em apenas um mês.</p>
<p style="text-align: justify;">Na França, o 50% mais pobre fica com algo em torno de 22,4% da riqueza e o 1% mais rico, com 11,2%. Na Alemanha, é 18,5% para a metade pobre e 12,5% para o 1% mais rico. Na Dinamarca, essa relação é de 23,4% para 10,7% em favor dos mais pobres.</p>
<p style="text-align: justify;">Esses números mostram que extrema concentração de renda não é coisa de povo civilizado. E nós somos o maior concentrador de renda dentre as 20 maiores economias do planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que o Brasil não é de todo ausente de sistemas de proteção social. Por sinal, ele é o país com o maior volume de gasto nesse setor em toda a América Latina e Caribe. Contudo, a sua marca, nos últimos anos, tem sido a de destruir tudo o que foi construído nessa área desde a redemocratização.</p>
<p style="text-align: justify;">E com requintes de crueldade!</p>
<p style="text-align: justify;">Ao mesmo tempo em que somos o povo que, no passado, criou o Sistema Único de Saúde (SUS), atualmente, nós apoiamos a aprovação do Teto do Gasto, da Lei da Terceirização, das Reformas Trabalhista e da Previdência e, para piorar, já começamos a ver com bons olhos a ideia de que “mais empregos, somente com menos direitos!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é por acaso que, se em 2015, o Governo Federal gastou com Saúde, Educação e Segurança Pública um volume de R$ 1.056,68 por brasileiro ao ano, em valores de julho de 2020, no ano passado, essa mesma média <em>per capita </em>caiu para R$ 1.018,23 anuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Com efeito, desde essa data, a desigualdade de renda voltou a crescer, a fome retornou a assombrar os lares, a mortalidade infantil recrudesceu e a letalidade policial disparou. E tudo isso com o vívido apoio eleitoral do povo brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, sistematicamente, ele vem votando em candidatos cujo discurso é claramente favorável ao desmonte das estruturas de apoio a vulneráveis, de proteção social e de redistribuição de renda.</p>
<p style="text-align: justify;">Reafirmando a sua histórica tendência em abandonar os mais fracos, para o brasileiro, vulnerabilidade social é “<em>mimimi</em>”, não uma chaga a ser combatida, e assistência social é “coisa de vagabundo”, mas nunca um vetor de cidadania e dignidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso que somos inviáveis como civilização, porque a nossa opção política é pela exacerbação das diferenças, pelo silêncio ante as iniquidades e pelo aumento do poder político dos ricos. A nossa escolha tem sido a de fortalecer quem já é forte e a de enfraquecer quem já é fraco.</p>
<p style="text-align: justify;">Definitivamente, empatia, proteção e cuidado não é a nossa praia!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(*) Emerson Sousa</strong> é Mestre em Economia e Doutor em Administração</p>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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