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	<title>Arquivo para intelecto - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Superficialidade em tempos rasos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/superficialidade-em-tempos-rasos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Feb 2025 17:40:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[artificialidade]]></category>
		<category><![CDATA[cérebro]]></category>
		<category><![CDATA[intelecto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Final de semana, manhã chuvosa, leio sobre o artificialismo em tempos rasos. “Em um teatro, um incêndio começou nos bastidores. O palhaço saiu para contar ao público. Eles pensaram que era uma piada e aplaudiram. Ele insistiu, e o público riu ainda mais. Essa é a &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsuperficialidade-em-tempos-rasos%2F&amp;linkname=Superficialidade%20em%20tempos%20rasos" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsuperficialidade-em-tempos-rasos%2F&amp;linkname=Superficialidade%20em%20tempos%20rasos" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsuperficialidade-em-tempos-rasos%2F&amp;linkname=Superficialidade%20em%20tempos%20rasos" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsuperficialidade-em-tempos-rasos%2F&amp;linkname=Superficialidade%20em%20tempos%20rasos" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsuperficialidade-em-tempos-rasos%2F&#038;title=Superficialidade%20em%20tempos%20rasos" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/superficialidade-em-tempos-rasos/" data-a2a-title="Superficialidade em tempos rasos"></a></p><p>&nbsp;</p>
<p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_86264" aria-describedby="caption-attachment-86264" style="width: 218px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Firefly-a-imagem-de-Soren-Kierkegaard-15784.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-86264" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Firefly-a-imagem-de-Soren-Kierkegaard-15784-300x300.jpg" alt="" width="218" height="218" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Firefly-a-imagem-de-Soren-Kierkegaard-15784-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Firefly-a-imagem-de-Soren-Kierkegaard-15784-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Firefly-a-imagem-de-Soren-Kierkegaard-15784.jpg 512w" sizes="(max-width: 218px) 100vw, 218px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86264" class="wp-caption-text">Søren Kierkegaard Imagem gerada com Adobe Firefly</figcaption></figure>
<span class="dropcap ">F</span>inal de semana, manhã chuvosa, leio sobre o artificialismo em tempos rasos. “Em um teatro, um incêndio começou nos bastidores. O palhaço saiu para contar ao público. Eles pensaram que era uma piada e aplaudiram. Ele insistiu, e o público riu ainda mais. Essa é a maneira como imagino que o mundo será destruído, em meio à hilaridade geral dos espertos e gaiatos que pensam que tudo é uma piada”, escreveu Søren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, autor de “Temor e Tremor” e “O conceito de Angústia”. Com uma obra profunda e intrigante, Kierkegaard nos faz pensar. Pensar é transgredir a mediocridade.</p>
<p>A tragédia desse cenário reside no fato de que a cultura do artificial não apenas empobrece o discurso coletivo, mas, também, aniquila a capacidade de reflexão individual. Quem se acostuma a consumir pensamentos prontos perde gradualmente a aptidão de pensar por si mesmo. O intelecto se atrofia quando não é exercitado, e a autenticidade se perde quando se opta pelo caminho fácil da repetição acrítica.</p>
<p>Diante desse panorama, a única resistência possível é o resgate da profundidade. A valorização do pensamento original, a recusa aos clichês, o cultivo da inquietação filosófica e a coragem de desconfiar das aparências são atos de insurgência contra a ditadura do efêmero. Não se trata de desprezar a estética — pois a beleza, quando verdadeira, possui seu valor — , mas de rejeitar sua supremacia sobre a verdade.</p>
<p>Mais preocupante ainda é a aceitação passiva das aparências em detrimento do conteúdo. Se o homem moderno adquire a embalagem sem se importar com o que há dentro, é porque foi treinado a valorizar o espetáculo, a acreditar que o brilho da superfície equivale à qualidade intrínseca. Esse fenômeno está em todas as esferas: na política, onde discursos vazios conquistam multidões; na arte, onde a forma se sobrepõe ao significado; na vida cotidiana, onde as relações interpessoais se tornam transações de imagens projetadas, e não de essências compartilhadas. Tudo é líquido. É disso que fala o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman.</p>
<p>O mundo contemporâneo é uma vitrine de inutilidades que encantam mentes vazias.</p>
<p>A escolha pela superficialidade não é apenas um sintoma de preguiça intelectual, mas um reflexo de uma sociedade que privilegia o efêmero em detrimento do permanente. Há uma lógica de mercado por trás dessa inversão de valores: o pensamento exige esforço, enquanto a aparência se adquire com rapidez; a autenticidade requer introspecção, mas a imitação se obtém sem custos existenciais. Assim, enquanto o pensamento demanda um labor contínuo de refinamento e expansão, a estética da superfície é de consumo imediato, descartável e facilmente moldável conforme as tendências do momento.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/X-1.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-86268 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/X-1-300x100.png" alt="Ser X Parecer" width="300" height="100" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/X-1-300x100.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/X-1.png 600w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Vivemos em uma era marcada pelo império das aparências, onde a imagem muitas vezes suplanta a substância, e o verniz da aparência se impõe como substituto da profundidade intelectual. Na cultura contemporânea, tornou-se mais fácil maquiar a superfície do que elevar a qualidade do pensamento; mais cômodo repetir frases feitas do que articular ideias próprias; mais sedutor adquirir a embalagem do que examinar o conteúdo. Esse fenômeno, longe de ser um traço isolado da modernidade, reflete uma inquietação filosófica antiga: a luta entre o ser e o parecer, entre a verdade interior e as máscaras que se vestem para o mundo.</p>
<p>A filosofia clássica já apontava para esse dilema. Platão, em sua crítica aos sofistas, denunciava aqueles que, ao invés de buscar a verdade, dedicavam-se à arte da persuasão vazia, encantando os incautos com discursos pomposos, porém destituídos de substância. Nos dias atuais, os sofistas não empunham pensamentos, mas dogmas; não argumentam, apenas reproduzem. No lugar da dialética, temos a retórica oca das redes sociais, onde a repetição de fórmulas pré-fabricadas substitui a construção genuína do saber.</p>
<p>Diante desse panorama, a única resistência possível é o resgate da profundidade. A valorização do pensamento original, a recusa aos clichês, o cultivo da inquietação filosófica e a coragem de desconfiar das aparências são atos de insurgência contra a ditadura do efêmero. Não se trata de desprezar a estética – pois a beleza, quando verdadeira, possui seu valor – mas de rejeitar sua supremacia sobre a verdade.</p>
<p>A vida é feita de escolhas e consequências, cabe a cada um escolher: ser eco ou voz; reflexo ou chama; embalagem ou conteúdo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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