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	<title>Arquivo para injustiça social - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Elogio aos professores</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/elogio-aos-professores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Oct 2024 19:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; De novo eu lhe disse que não sabia; e ela me tornou:  &#8211; Imaginas então algum dia te tornares temível nas questões do amor,  se não refletires nesses fatos?  &#8211; Mas é por isso mesmo, Diotima &#8211; como há pouco eu te dizia &#8211; que vim a ti,  porque &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Felogio-aos-professores%2F&amp;linkname=Elogio%20aos%20professores" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Felogio-aos-professores%2F&amp;linkname=Elogio%20aos%20professores" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Felogio-aos-professores%2F&amp;linkname=Elogio%20aos%20professores" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Felogio-aos-professores%2F&amp;linkname=Elogio%20aos%20professores" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Felogio-aos-professores%2F&#038;title=Elogio%20aos%20professores" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/elogio-aos-professores/" data-a2a-title="Elogio aos professores"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>De novo eu lhe disse que não sabia; e ela me tornou: </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Imaginas então algum dia te tornares temível nas questões do amor, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>se não refletires nesses fatos? </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Mas é por isso mesmo, Diotima &#8211; como há pouco eu te dizia &#8211; que vim a ti, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>porque reconheci que precisava de mestres. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">O banquete, <strong>Platão</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> dia dos professores me fez refletir sobre os ofícios da profissão e recordar os mestres que tive e caminham comigo até hoje. À sua maneira, cada um foi deixando um pouco de si, tornando-me um mosaico composto por partes de Marlúcia, Maria Lúcia, Maruze, Mirian. Tal qual reflexo, imitei-as na didática, na bibliografia e até mesmo em aspectos mais subjetivos, numa espécie de mimetismo zeliguiano. Pouco a pouco essa influência vai diminuindo e encontramos o nosso próprio caminho na sala de aula. Mas seus passos, entretanto, ainda ressoam.</p>
<p>Ao final deste artigo, à maneira de Lenine em sua música &#8220;Todas elas juntas um só ser&#8221;, farei um inventário dos professores que tive, mesmo correndo o risco de deixar alguns nos desvãos da memória. Não há forma de escapar aqui do tom elogiativo, advirto desde já. O lugar que o professor ocupa nas nossas vidas é maior do que imaginamos. Nascido do decreto 52.682/1963 (assinado por João Goulart), que pretendia valorizar a profissão, esse dia reflete as lutas travadas pela categoria, que continuam até hoje.</p>
<p>Tal como na vida, gosto quando encontro os mestres na literatura. Não tanto na figura austera de Aristarco, o personagem de Raul Pompéia n&#8217;O Ateneu. Quem não teve o seu? Ou Policarpo, de Machado de Assis, em &#8220;Conto de escola&#8221;, com toda a sua severidade, ainda mais exacerbada em relação ao seu filho Pilar: &#8220;Estendi-lhe a mão direita, depois a esquerda, e fui recebendo os bolos uns por cima dos outros, até completar doze, que me deixaram as palmas vermelhas e inchadas. Chegou a vez do filho, e foi a mesma cousa; não lhe poupou nada, dous quatro, oito, doze bolos.&#8221;</p>
<figure id="attachment_81479" aria-describedby="caption-attachment-81479" style="width: 241px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/palmatoria-anos-50.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-81479" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/palmatoria-anos-50-300x295.jpg" alt="" width="241" height="237" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/palmatoria-anos-50-300x295.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/palmatoria-anos-50.jpg 691w" sizes="(max-width: 241px) 100vw, 241px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81479" class="wp-caption-text">Bizarra palmatória dos anos 50</figcaption></figure>
<p>Alcancei, já em seus estertores, a chamada &#8216;pedagogia da porrada&#8217;, em que o professor tinha licença para bater. <span class="sigijh_hlt">Era, em suma, uma novela de terror cujo instrumento algoz &#8211; a palmatória com furos &#8211; jazia no canto esquerdo do birô, ao alcance das suas mãos.</span> O meu professor foi o mesmo do primeiro ao quarto ano do ensino básico. Ou seja, não havia saída a não ser esperar pela quinta série e sair da escola, quando o objeto de tortura deixaria de existir. Não à toa, Franco Basaglia, em seu livro “As instituições da violência”, aponta a escola como um desses lugares, ao lado de prisões, hospitais e manicômios. Repressão, censura, hostilidade são algumas práticas comuns a todas em meio ao processo civilizatório.</p>
<p>Mas uma coisa era a escola e outra era o professor. A despeito da orientação político-pedagógica, muitos não a seguiam e então a escola se tornava um paraíso. É a eles que me refiro. Em vez de decoreba, a reflexão, o diálogo, a compreensão. Quando finalmente mudei de escola, a palmatória e o medo ficaram para trás e me deparei com o professor João Câncio, personagem de Viriato Correia, em &#8220;Cazuza&#8221;:</p>
<p style="text-align: right;"> “Não havia ninguém mais tolerante como não havia ninguém mais justo. O que dizia tinha sempre um tom de novidade. As coisas difíceis tornavam-se simples depois que ele as explicava. As suas aulas penetravam-nos no fundo do entendimento como um raio de sol atravessa uma vidraça.”</p>
<p>Essa reflexão que compartilho aqui é acompanhada também pela nostalgia de que fui tomada quando, no último pleito, fui votar na escola onde passei parte significativa da vida. É comum, num dia tão importante para a cidadania, reencontrar colegas de infância e entabular conversas sobre o passado. Também aproveitei para revisitar algumas salas, a cantina, os corredores, a biblioteca, o laboratório e as mesmas escadas onde nos amontoávamos nos intervalos formando pequenos bandos.</p>
<p>Tudo ao mesmo tempo diferente e igual. Parei em uma das salas onde estudei a oitava série e lembrei da professora Marlúcia, de português. Lembro que eu tinha esperado chegar esse momento para ler “A oitava série C”, de Odette de Barros Mott, para que a história fizesse mais sentido para mim. Afinal, teria a mesma idade e maturidade dos personagens (caprichos de leitora). Eram turmas, contextos e origens diferentes, a fictícia e a minha. Mas me ensinou sobre alteridades.</p>
<p>Se de um lado a ditadura nos impunha &#8216;livros oficiais&#8217;, de outros muitos professores trabalhavam silenciosamente nos educando pela leitura de ficção, pela arte e pela escrita. Suas escolhas foram cruciais para a nossa formação. Afinal, nem tudo podia ser censurado. Havia que aproveitar esses flancos. “Vidas secas” e “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, “Justino, o retirante”, de Odette de Barros Mott e as pinturas “Retirantes e Menino morto”, de Portinari, por exemplo, nos permitiam refletir sobre a seca, o êxodo rural, a fome e a injustiça social.</p>
<p>Dirijo-me à minha seção eleitoral e as imagens daqueles anos vão se dissipando. Volto para casa com essas imagens e com os rostos, renovados dias depois neste 15 de outubro. Nunca me esquecerei de Eglantina, Nivalda, Raimunda, Geovanina, Edidelson, Félix, Washington, Mangueira, Lygia, Hunald, Luísa Rosa, Vanda, Leila, João e Zé Costa, Odete, Eugênia, Ana, Sônia, Antônio Carlos, Lílian, Joaquim, Jorge, Leonardo. A eles agradeço a paciência e generosidade com que transmitiram o seu saber. Olhando para o presente, vejo que a sua presença se faz ainda mais necessária.</p>
<p>&nbsp;</p>
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