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	<title>Arquivo para ingenuidade - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>A &#8220;esperteza&#8221; que destrói</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jun 2025 10:35:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[civilização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Antonio Carlos Garcia (*) &#160; Outro dia ouvi a história de uma fábrica de pneus que oferecia um benefício justo aos funcionários: a empresa disponibilizava uma cota anual de pneus para uso pessoal, como forma de valorização interna. Mas um grupo de trabalhadores começou a revender os pneus, desvirtuando completamente o objetivo da ação. &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-esperteza-que-destroi%2F&amp;linkname=A%20%E2%80%9Cesperteza%E2%80%9D%20que%20destr%C3%B3i" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-esperteza-que-destroi%2F&amp;linkname=A%20%E2%80%9Cesperteza%E2%80%9D%20que%20destr%C3%B3i" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-esperteza-que-destroi%2F&amp;linkname=A%20%E2%80%9Cesperteza%E2%80%9D%20que%20destr%C3%B3i" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-esperteza-que-destroi%2F&amp;linkname=A%20%E2%80%9Cesperteza%E2%80%9D%20que%20destr%C3%B3i" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-esperteza-que-destroi%2F&#038;title=A%20%E2%80%9Cesperteza%E2%80%9D%20que%20destr%C3%B3i" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-esperteza-que-destroi/" data-a2a-title="A “esperteza” que destrói"></a></p><blockquote>
<p data-start="127" data-end="178">Por Antonio Carlos Garcia (*)</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p data-start="180" data-end="553"><span class="dropcap ">O</span>utro dia ouvi a história de uma fábrica de pneus que oferecia um benefício justo aos funcionários: a empresa disponibilizava uma cota anual de pneus para uso pessoal, como forma de valorização interna. Mas um grupo de trabalhadores começou a revender os pneus, desvirtuando completamente o objetivo da ação. Quando a trapaça foi descoberta, todos perderam o benefício.</p>
<p data-start="555" data-end="903">Situação parecida aconteceu na Petrobras, que concedia alguns litros de combustível por mês  aos funcionários que tinha carro. Uma iniciativa sensata — até que alguns passaram a vender o combustível no mercado paralelo. Resultado: o benefício foi suspenso para todos. Não importa se a maioria agia corretamente. O prejuízo de poucos caiu sobre todos.</p>
<p data-start="905" data-end="1286">Esses episódios são típicos da chamada “Lei de Gérson”, expressão que nasceu nos anos 1970 a partir de uma propaganda de cigarros na qual o jogador Gérson, tri campeão, dizia: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. A frase colou, e passou a representar essa mentalidade corrosiva do “jeitinho esperto”, na qual vale tudo para se dar bem — ainda que às custas dos outros.</p>
<p data-start="1288" data-end="1682">O problema é que essa “esperteza” acaba sendo um tiro no pé coletivo. O mesmo raciocínio se repete no consultório médico, quando se cobra por um procedimento que não foi feito, ou frauda-se um laudo para receber mais do convênio. No comércio, quando o funcionário “dá um jeitinho” no caixa. Em órgãos públicos, então, nem se fala. A trapaça parece pequena, mas corrói o tecido da confiança.</p>
<p data-start="1684" data-end="1954">E não é só uma questão moral. É<strong data-start="1716" data-end="1727"> prática</strong>. Essas desonestidades desorganizam tudo. Aumentam os custos, desmontam políticas sérias, colocam todos sob suspeita. E, pior: fazem parecer que honestidade é ingenuidade — quando, na verdade, é o único caminho sustentável.</p>
<p data-start="1956" data-end="2211">A trapaça que favorece um, penaliza muitos. Quem acha que “enganou o sistema”, na verdade, está ajudando a quebrá-lo. O prejuízo volta. Às vezes como perda de direitos. Outras, como desemprego, descrença ou um país onde ninguém mais confia em ninguém.</p>
<p data-start="2213" data-end="2535">Por isso, é preciso reafirmar que a <strong>honestidade não é tolice, é pilar de civilização</strong>. E ela não sai de moda para quem entende o valor da retidão de caráter. Um bom exemplo disso está na tradição milenar da Maçonaria, que cultiva valores como integridade, autocontrole e moral prática desde os seus fundamentos.</p>
<p data-start="2537" data-end="2704">O símbolo mais conhecido da Maçonaria — o esquadro e compasso — é muito mais do que um emblema. Ele carrega séculos de ensinamentos sobre ética e responsabilidade:</p>
<p style="text-align: right;" data-start="2708" data-end="2949"><em><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2018/05/esquadro-e-compasso.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-11581 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2018/05/esquadro-e-compasso.jpg" alt="" width="200" height="193" /></a>O <strong data-start="2710" data-end="2722">esquadro</strong> representa a <strong data-start="2736" data-end="2784">retidão de conduta, justiça e precisão moral</strong>: é com ele que se traçam ângulos retos, indicando que a ação humana deve seguir linhas direitas, sem desvios (RODRIGUES, João Anatalino. A Simbologia Maçônica).</em></p>
<p style="text-align: right;" data-start="2952" data-end="3234"><em>O <strong data-start="2954" data-end="2966">compasso</strong> simboliza o <strong data-start="2979" data-end="3061">autocontrole, a espiritualidade e os limites que o homem deve impor a si mesmo</strong>: com ele, delimitamos os excessos, indicando que a sabedoria está na medida certa (CARVALHO, Luiz. Manual Maçônico; RIZZARDO da CAMINO, Joaquim. O Simbolismo Maçônico).</em></p>
<p data-start="3236" data-end="3728">Como explica o site da Loja Mestre Affonso Domingues, os dois instrumentos representam o equilíbrio entre o mundo material e o espiritual — e são usados pelo “Grande Arquiteto do Universo” como guia da Criação¹. Eles também aparecem em graus distintos: no de Aprendiz, o esquadro prevalece; no de Companheiro, os dois se entrelaçam; no de Mestre, o compasso se sobrepõe, simbolizando a supremacia do espírito sobre a matéria.</p>
<p data-start="3730" data-end="3918">Além disso, o esquadro, o compasso e o Livro da Lei são as chamadas Três Grandes Luzes da Maçonaria, presentes em todo templo regular. São os pilares da formação ética do iniciado.</p>
<p data-start="3920" data-end="4130">A Maçonaria não exige perfeição, mas ensina autodomínio, disciplina e verdade como fundamentos inegociáveis para quem quer se desenvolver como ser humano. E isso vale mais do que qualquer vantagem imediata.</p>
<p data-start="4132" data-end="4370">O desbaste de hoje é direto: Ser honesto mesmo quando ninguém está olhando. Não por medo de punição, mas por respeito — aos outros e a si mesmo. Se isso parece radical, talvez seja porque nos acostumamos demais com o oposto.</p>
<p data-start="4132" data-end="4370">____________________</p>
<p data-start="4377" data-end="4412">¹ Loja Mestre Affonso Domingues (Portugal). <em data-start="4460" data-end="4495">Simbologia do Esquadro e Compasso</em>. Disponível em: <span style="color: #008000;"><a class="cursor-pointer" style="color: #008000;" target="_new" rel="noopener" data-start="4512" data-end="4636">https://www.maconaria.net/simbolismo-do-esquadro-e-compasso/</a></span>. Acesso em 7 jun. 2025.</p>
<p data-start="4377" data-end="4412">
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		<title>Raduan Nassar, que amava tanto a literatura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2021 11:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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<div dir="ltr">
<div style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 169px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="169" height="164" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="(max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p>Sempre que leio um texto escrito por Raduan Nassar me vem uma pergunta à cabeça: “O que terá feito esse homem das letras se “afastar” tanto assim da literatura?” Como é já sabido por todos, Nassar, que é descendente de libaneses e natural de Pindorama, cidade que fica no interior do estado de São Paulo, após escrever os livros LAVOURA ARCAICA, em 1975, e UM COPO DE CÓLERA, em 1978, decidiu “abandonar” a literatura para viver no campo, perto de suas raízes, ali por volta do ano de 1984. Além destes dois livros, conta-se dele apenas mais uma coletânea de contos, intitulada de MENINA A CAMINHO, criada em meados dos anos 60 do século passado e somente publicada no Brasil em meados dos anos 90 do mesmo século.</p>
</div>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Junto com a pergunta supracitada, vem sempre uma outra, que pego emprestada de um ensaio escrito por Ivan Ângelo, intitulado de NÓS, QUE AMÁVAMOS TANTO A LITERATURA, parte integrante do livro BRASIL: O TRÂNSITO DA MEMÓRIA, organizado por Jorge Schwartz e Saul Sosnowski: “Sobre quê um escritor deve escrever?” ou “Sobre quê circunstâncias um escritor deve escrever?” Se repararmos bem, Nassar publicou suas duas principais obras no interregno temporal em que se deu a Ditadura Militar no Brasil. Ponto. Mas ele não escreveu sobre o que quis e no momento em que quis que fossem escritos os seus livros? Não foi feliz por isso? Teria Nassar deixado de escrever e de publicar pelo simples fato de lhe faltar um por que para isso? Nassar só escrevia porque sentia que, assim, estaria desobedecendo ao regime autoritário em vigência naqueles idos? Mas por que se distanciar, se um escritor escreve sobre o que quiser e quando quiser? Questionamentos, apenas questionamentos&#8230;</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<figure id="attachment_36666" aria-describedby="caption-attachment-36666" style="width: 539px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/filme-lavoura-arcaica.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-36666" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/filme-lavoura-arcaica-300x157.png" alt="" width="539" height="282" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/filme-lavoura-arcaica-300x157.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/filme-lavoura-arcaica.png 614w" sizes="auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px" /></a><figcaption id="caption-attachment-36666" class="wp-caption-text">Simone Spoladore e Leonardo Medeiros em cena de Lavoura Arcaica (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>De acordo com Ângelo (1994, p.69), “<i>alguns regimes autoritários procuram dizer aos escritores sobre o que eles devem escrever; outros preferem dizer aos escritores sobre o que eles não devem escrever”</i>. Para o autor de A FESTA, no Brasil os militares optaram por dizer aos escritores o que eles não deveriam escrever. Então, isso quer dizer que tanto LAVOURA ARCAICA quanto UM COPO DE CÓLERA são obras que saíram a contragosto de seu autor? Duvido muito. Recentemente, Raduan Nassar discursou contra o até então iminente processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff num evento do governo, em uma de suas raras aparições públicas. Sinal claro que Nassar não é desses que se calam diante de movimentos opressivos e/ou de fenômenos repressivos contra quaisquer formas de liberdade de expressão.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Teria Nassar preferido o exílio em 1984 justo porque o Brasil se livrara da Ditadura Militar de uma vez por todas? Aquele momento de plena esperança no futuro do país seria a melhor hora de um escritor descansar? Ao contrapor os postulados da teoria da literatura induzida, que prega que “alguns livros são escritos conjuntamente pelo escritor e pelo leitor, isto é, pelo público, pela sociedade (ÂNGELO, 1994, p.69)” e, principalmente, por uma dada necessidade social, Nassar teria apontado para o desprezo total para com o texto literário? Duvido muito. Raduan Nassar, que tanto amava a literatura, simplesmente escolheu se recolher. E se alguém precisava tomar uma atitude, Nassar talvez tenha entendido, e já muito antes, que esse alguém não era ele, que sua literatura não carecia ser ou existir para meramente suprir a fome de alguns ou para ser contra algo ou a favor de. A literatura, pois, muitas vezes, é também a palavra que não se escreve, o verbo que não se oraliza, o sentimento que não se compartilha.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Sabedor dos regimentos que a patrulha ideológica imposta pela Ditadura Militar imprimia aos escritores e artistas em geral, Nassar haveria de escolher, calando-se, não ajudar a determinar o que os escritores deveriam escrever, quando os próprios escritores passaram a selecionar, num exacerbado jogo de cautela, o que deveria vir a público ou não, para que não sucumbissem nos instantes do “ao vivo” diante do “Big Brother” tupiniquim daquela época. Nassar certamente sabe que escrever sob indução é sempre muito perigoso. Porém, é possível fazer literatura sem ter um por que ou um para quê?</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Decerto que o tempo e as circunstâncias em que se vive são perfeitamente e inteiramente capazes de interferir na produção de uma obra literária, mas afirmar veementemente que só há literatura se há indução para tal é melar tudo. O próprio período ditatorial nacional envergou a produção do livro mais famoso de Ivan Ângelo, assim como tantos outros que tomaram rumos total ou parcialmente diferentes do que previamente foram pensados por seus respectivos autores a partir da inclusão da obra em um dado contexto social e político de caráter caótico-transformador, seja para o bem ou para o mal.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</div>
<div></div>
<div></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>Sobre A FESTA, Ângelo (1994, p.71) conta que</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_36667" aria-describedby="caption-attachment-36667" style="width: 200px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/a-festa-de-Ivan-angelo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36667" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/a-festa-de-Ivan-angelo-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/a-festa-de-Ivan-angelo-200x300.jpg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/01/a-festa-de-Ivan-angelo.jpg 240w" sizes="auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-36667" class="wp-caption-text">Capa do livro A Festa, de Ivan Ângelo</figcaption></figure>
<p><i>Foi um livro induzido, cobrado, pautado, porque a sociedade não tinha como se expressar e os livros eram um dos poucos espaços onde alguma coisa podia ser dita. Tudo o mais era fortemente censurado. Mas eu achei que isso poderia ser feito com domínio rigoroso do material, com controle absoluto do discurso político, com apoio único da eficiência na literatura mesma.</i></p>
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<div style="text-align: justify;">Como visto acima, a partir de muito esforço alguns autores conseguiam driblar a patrulha imposta pela censura, usando para isso de artimanhas as mais diversas. Todavia, isso não significava que o engajamento fosse símbolo máximo ou que fosse o caminho certeiro para a boa qualidade de uma obra ou para o estabelecimento do valor de um autor. A tomar o exemplo de Raduan Nassar, bem poderia ser dito que ele não quis se dar ao trabalho de se adaptar ao meio e que, por isso, preferiu enclausurar-se. Falácias e especulações postas de lado, mais lógico seria se se pensássemos que cada autor tem o seu tempo, que cada autor sofre suas mutações e que, em decorrência disso, também a sua palavra se modifica. E como para tudo há novos encaminhamentos&#8230;</div>
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<div style="text-align: justify;"><strong>No cenário da Ditadura Militar, ainda por falar dos escritores que vivenciaram o período,</strong></div>
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<div style="text-align: justify;"><i>O que resultou de bom foi que perdemos a inocência, a ingenuidade. Deixamos de ser política e artisticamente naifs e desenvolvemos um design mais contemporâneo. Não naquela época do “corre que lá vem os home”, mas já em torno dos anos 60, em plena abertura. Alguns autores de ficção compreenderam que o momento da abertura não deveria ser usado para tirar a camisa e exibir as feridas. O que eles fizeram foi apurar sua arte para se desvencilhar do passado, dos estilos, linguagens e temas do tipo pecezão, ou do tipo formalista. Buscaram uma estética não oprimida, não terceiro-mundista, para falar da opressão</i> (ÂNGELO, 1994, p.72).</div>
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<p>Em sua obra, Raduan Nassar, mesmo distante dos olhos dos leitores, como o próprio Ângelo (1994, p.73) cita, escolheu eliminar “as contradições entre os papéis políticos que as pessoas representam e sua verdade mais profunda”. Está aí o aprendizado, está aí o ensinamento. Ser escritor é fazer as lições que precisam ser feitas, custem elas o que custarem. E se for para sumir do mapa por um baita tempo, que seja para reforçar a todos o amor que se tem pela literatura mais viva e pulsante. Raduan Nassar, como muitos escritores e artistas em geral cujas trajetórias de fuga são por demais semelhantes, será para sempre um escritor a caminho, esteja onde e quando estiver.</p>
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<p style="text-align: justify;"><div class="box note  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: justify;">Referência</p>
<p style="text-align: justify;">ANGELO, Ivan. Nós, que amávamos tanto a literatura. In: SOSNOWSKI, Saúl; SCHWARTZ, Jorge. (Org.). <strong>Brasil: o trânsito da memória</strong>. São Paulo: EDUSP, 1994.</p>
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<div><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <a href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></div>
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<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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