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	<title>Arquivo para Ilda - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>A poética do cotidiano em Cama de Vento, de Ilda Rezende </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jan 2025 13:45:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Quando uma dona de casa&#8230;  Resolve ser poeta, ai ai, a coisa pega Pois os objetos caseiros passam a ter Vários outros significados. (&#8230;) A pia pirou ao ver o pinto pelado A tábua tapou o buraco da pia O tanque criou asa e voou com o sabão  O &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende/">A poética do cotidiano em Cama de Vento, de Ilda Rezende </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende%2F&amp;linkname=A%20po%C3%A9tica%20do%20cotidiano%20em%C2%A0Cama%20de%20Vento%2C%20de%20Ilda%20Rezende%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende%2F&amp;linkname=A%20po%C3%A9tica%20do%20cotidiano%20em%C2%A0Cama%20de%20Vento%2C%20de%20Ilda%20Rezende%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende%2F&amp;linkname=A%20po%C3%A9tica%20do%20cotidiano%20em%C2%A0Cama%20de%20Vento%2C%20de%20Ilda%20Rezende%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende%2F&amp;linkname=A%20po%C3%A9tica%20do%20cotidiano%20em%C2%A0Cama%20de%20Vento%2C%20de%20Ilda%20Rezende%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende%2F&#038;title=A%20po%C3%A9tica%20do%20cotidiano%20em%C2%A0Cama%20de%20Vento%2C%20de%20Ilda%20Rezende%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende/" data-a2a-title="A poética do cotidiano em Cama de Vento, de Ilda Rezende "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Quando uma dona de casa&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> Resolve ser poeta, ai ai, a coisa pega</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Pois os objetos caseiros passam a ter</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Vários outros significados. (&#8230;)</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A pia pirou ao ver o pinto pelado</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A tábua tapou o buraco da pia</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O tanque criou asa e voou com o sabão </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O batedor de bife, mesmo desdentado ama a carne de boi</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O rolo, quem diria amassou a massa e casou com a pizza</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>E aí, a dona de casa fez com que o forno elaborasse </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>essa baita poesia.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Ilda Rezende</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><span class="dropcap ">C</span>ama de vento e outros poemas</em>, de Ilda Rezende (Criação Editora, 2024), que veio a público em dezembro passado, tem apresentação da ensaísta Maruze Reis, orelha do poeta Ronaldson Sousa e delicada capa de Lau Rocha. A bem cuidada edição antecipa o prazer da leitura, em que podemos ver uma poética do cotidiano que abarca extensa linha temporal e as mudanças espaciais em virtude das demandas familiares.</p>
<figure id="attachment_84371" aria-describedby="caption-attachment-84371" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-84371" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-300x225.png" alt="" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-300x225.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-1024x768.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-768x576.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende.png 1280w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84371" class="wp-caption-text">Ilda Rezende autografando um dos livros</figcaption></figure>
<p>O livro é dividido em duas partes, como o próprio título sugere. A primeira (Cama de vento), com 51 poemas e a segunda (Outros poemas), com 48. Os temas, tratados muitas vezes com bom humor, são variados: o cotidiano, a memória, as mudanças de cidade, velhas e novas paisagens, saudade, amor e perdas.</p>
<p>Cada poema é burilado, aperfeiçoado, enxuto. Basta compararmos, por exemplo, &#8216;Imagem virtual&#8217; (p. 50) e &#8216;Bye, bye juventude&#8217; (p. 35, grafado inicialmente &#8216;&#8230;Bye&#8230;Bye&#8230; Juventude&#8217;), ambos publicados originalmente em Poemas de Oficina (1992), primeira antologia da qual participei como poeta, mas não Ilda. Ela já vinha trilhando esse percurso e, pouco a pouco, foi consolidando a sua poesia. Ao comparar os poemas, percebo que a autora os revisitou e fez algumas alterações, o que demonstra seu esmero e amadurecimento 32 anos depois da primeira publicação.</p>
<p>Vale a pena citar as mudanças para comprovar que o processo criativo não se esgota quando escrevemos um poema ou um texto em prosa. Em &#8216;Imagem virtual&#8217;, a mais significativa é esta:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><span class="sigijh_hlt">Primeira versão (1992) </span></p>
<p>A cidade está em paz</p>
<p>porém &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; (eu também estou assim).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Versão atual (2004): </span></p>
<p>A cidade está em paz</p>
<p>Porém inquieta</p>
<p>(eu também estou assim)</p>

			</div></div>
<p>O tempo cuidou de preencher os pontilhados com &#8216;inquieta&#8217;. Seguindo a lição do mestre Drummond, seu poeta de cabeceira, mergulhou no reino das palavras.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Já em &#8216;Bye, bye juventude&#8217;, a mudança é mais sutil, porém, demonstra que o poema não foi simplesmente trasladado de um livro para outro. &#8220;E se misturando ao vento que passou&#8221; passa a ser grafado assim: &#8220;Mistura-se ao vento que passou&#8221;, em que opta por eliminar o gerúndio, tornando o verso mais assertivo.</p>

			</div></div>
<p>Dito isso, observo também que a poeta se reinventa não apenas nos versos, mas também em seu próprio nome, passando a assinar os textos sem o último sobrenome, Costa, como fizera em diversas publicações.</p>
<p>Não se pode separar a escrita da vida. Mãe de seis filhos homens, nas horas de descanso lia Drummond, que lhe é referência explícita em &#8216;Dever de casa&#8217; (p.51): &#8220;Agora vou deixar um pouco essa lida&#8230; /Lendo Carlos Drummond de Andrade/É nela a poesia com que me deleito quase todos os dias/Se não fosse dona de casa, com certeza/Arrumaria versos.&#8221; (p. 51).</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24.jpeg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-84370 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24-768x1024.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24.jpeg 780w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a>Em &#8216;Toma tendência, oh! Ilda&#8217; (p.84), no entanto, há um diálogo menos óbvio com o &#8216;Poema de sete faces&#8217;, a partir do famoso verso &#8220;Vai, Carlos, ser gauche na vida&#8221;. Senão, vejamos. A poeta vive uma dualidade entre as obrigações domésticas e a sua paixão, que é a poesia. O eu lírico dialoga com Ilda, portanto, podemos afirmar que, assim como o de Drummond, seu poema é confessional e autobiográfico. Tomar tendência (variante de tenência, ou seja, tomar juízo) significa retomar o seu papel social e familiar e abandonar o seu lado gauche, rebelde. Afinal, quem já viu dona de casa escrever poemas?</p>
<p>Ilda é poeta forjada em oficinas de escrita. Tenho muita alegria em dizer que fomos alunas de Maruze Reis na antiga Fundação Estadual de Cultura (Fundesc) e, como é comum entre colegas de turma, acompanhamos os progressos mútuos. Naquele momento, compartilhávamos a grande mesa oval da sala com Ariesnelde, Berílio Vieira, Getúlio Ribeiro, Ieda Vilela, João Roberto Rezende Costa (filho de Ilda e meu amigo desde então), Lúcia Marques, Rosivaldo Andrade, Solange Galvão Sampaio, Sonia Barreto, Vagner Ferreira Freitas, Valdemir Ribeiro da Costa, Daniel Marcos Andrade.</p>
<p>Nascida em Porto da Folha e criada em Itabi (cidades sergipanas que, ao lado do Rio de Janeiro (Leblon, aeroporto Santos Dummont) e Aracaju aparecem repetidas vezes em seu livro), aos 87 anos, Ilda esbanja uma poesia de grande valor. Nos seus versos, a lida com a casa e o cotidiano anda <em>pari passu</em> com o exercício do olhar, que se renova ao sabor do vento.</p>
<div class="box note  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Texto revisado por Joara Carvalho (<strong><span style="color: #008000;">@profajoaracarvalho</span></strong>)</p>

			</div></div>
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