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	<title>Arquivo para gramática - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>SS fará falta mesmo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Aug 2024 13:47:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luciano Correia (*) &#160; Os ainda vivos e muito vivos dizem que não se deve falar mal dos mortos. Eu não estava presente na hora desse acerto, de modo que nunca me identifiquei muito com essa “ética” para com os que foram desta para uma pior, principalmente com os que já eram piores do &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/ss-fara-falta-mesmo/">SS fará falta mesmo?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fss-fara-falta-mesmo%2F&amp;linkname=SS%20far%C3%A1%20falta%20mesmo%3F" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fss-fara-falta-mesmo%2F&amp;linkname=SS%20far%C3%A1%20falta%20mesmo%3F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fss-fara-falta-mesmo%2F&amp;linkname=SS%20far%C3%A1%20falta%20mesmo%3F" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fss-fara-falta-mesmo%2F&amp;linkname=SS%20far%C3%A1%20falta%20mesmo%3F" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fss-fara-falta-mesmo%2F&#038;title=SS%20far%C3%A1%20falta%20mesmo%3F" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/ss-fara-falta-mesmo/" data-a2a-title="SS fará falta mesmo?"></a></p><blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span>s ainda vivos e muito vivos dizem que não se deve falar mal dos mortos. Eu não estava presente na hora desse acerto, de modo que nunca me identifiquei muito com essa “ética” para com os que foram desta para uma pior, principalmente com os que já eram piores do lado de cá. Nem por isso eu fui mexer na paz e na solidão dos túmulos, não por medo de briga ou assombração, mas pela simples perda de tempo que resulta comprar algumas dessas brigas.</p>
<p>Quem digitar meu nome no YouTube vai encontrar muitas entrevistas, programas de TV antigos e, logo no começo, uma fala de uma figura da política já fora de circulação. Trata-se de uma entrevista que a bocuda deu em uma emissora local, logo inserida no portal da empresa, pela natureza sensacionalista de suas vociferações, evidente logo na manchete: “Luciano Correia é mentiroso”.</p>
<p>A verdade por trás dessa impostura não é nem de longe mencionada pelo portal nem pela verborrágica acusadora. Na verdade, eu é que acusara a dita cuja pela associação, senão nas coisas práticas e materiais, mas pelo menos em ideias e atitudes com determinado “produtor” cultural. Me referia a um produtor sem obra, de uma cadeia da cultura local, já viciado em receber dinheiros públicos sem nunca ter feito a necessária contrapartida. E isso é crime, aqui e em qualquer lugar.</p>
<p>Num encontro com a socialista morena, alertei-a do perigo em misturar-se com gente assim, já que ela fazia do seu trabalho uma trincheira em defesa de um segmento que, pra variar, engrossava sua base eleitoral. Eu jamais pretendia remexer nesse caso passado, mas a história de falar sobre mortos me recolocou na raia, a propósito do ilustre morto dessa semana, o empresário e comunicador Sílvio Santos.</p>
<p>Gerações inteiras se encantaram com seu programa dominical, desde a extinta Rede Tupi, depois na Globo, até ele fundar sua própria rede. Certamente um dos mais longos programas de TV do mundo, começava ainda nas manhãs de domingo, quando milhões de lares brasileiros ecoavam seu gingle: “Agora é hora/de alegria/Vamos sorrir e cantar”. E chamava o refrão mais simplório e conhecido de uma população: “Lá, lá, lá, hey, lá, lá, lá: Sílvio Santos vem aí”. SS era o rei das manhãs, tardes e noites. Quem não se encantou com o enternecido Boa Noite Cinderela e aquelas menininhas derramando inocência e sonhos diante do charmoso tiozinho?</p>
<p>E a Porta da Esperança? Esse adulto aqui também foi uma dessas crianças iludidas com as promessas de tio SS. Não sei como, consegui o endereço do programa e remeti, desde o interior de Sergipe, uma singela cartinha, na qual eu confessava minha paixão e desejo de ganhar uma das maravilhas que a tecnologia nos apresentou naqueles anos: um gravador K-7. Jamais tive resposta, mesmo que fosse um desalentador e sonoro: não! Em matéria de sonhos mais fáceis de realizar, me dei melhor com o Clube Júnior, da Tia Nazaré Carvalho, na TV Sergipe, que publicou para todo o estado minha carta com aquela que era até então minha maior obra de arte, um desenho do Mickey Mouse.</p>
<p>SS era o chamado animal comunicador, condição logo utilizada pra produzir o maior camelô eletrônico do Brasil, com sua rede de lojas do Baú da Felicidade e outros negócios, de modo que sua performance televisiva sempre se confundiu com as atividades comerciais. De alguém que ganhasse um prêmio de verdade no seu Carnê do Baú, pouco se sabe, além de inutilidades de plástico e coisas assim. Daí para a mosca azul do poder, foi um pulo. Em 1989, quando o país se livrava de mais de 20 anos de ditadura e se preparava para seu primeiro pleito direto desde a eleição de Jânio Quadros em 1960, a popularidade do comunicador Sílvio encheu os olhos da classe política e dele mesmo, que foi lançado candidato num episódio turbulento, cheio de reveses e polêmicas, até ser finalmente abortada.</p>
<p>Assim sendo, apesar de nunca ter colocado os pés na política diretamente, esteve sempre cortejando o poder, os poderosos e as oportunidades. Seu partido foi sempre o mesmo: o do governo. Quando a frágil democracia brasileira começou a dar sinais da irrelevância a que chegou, inclusive e principalmente nos dias atuais, não hesitou em mostrar suas unhas preconceituosas, da extrema direita, apoiando o inominável Bolsonaro em todas as suas aventuras. Para piorar, uma de suas filhas casou com um belo rapaz egresso das oligarquias potiguares, Fábio Faria, tão bonitinho quanto ordinário, um jovem velho, corroído pelo que há de pior entre os políticos nordestinos, dissimulador, virulento, mesquinho.</p>
<p>O riquinho genro de SS veio engrossar os níqueis e a ética da família. No ultradireitista ninho bolsonarista, sempre esteve entre os mais nefastos: a tropa de choque de um governo espúrio, eivado de corrupção, perseguição, mentiras e uso da máquina pública para os piores objetivos. É desse mundo que fazia parte o senhor Senor Abravanel. Se um dia foi o criador de uma linguagem que fundou a própria televisão no Brasil, os anos o transformaram numa espécie de velho gagá, com gafes, equívocos de toda sorte, preconceitos e vulgaridades que marcaram sua fase de idoso na TV.</p>
<p>Enquanto os negócios seguiam bem, escorados na chamada classe C, pobres e miseráveis, sua televisão se tornou obsoleta como criadora de uma gramática audiovisual, diferente da Globo, sua arquirrival. Hoje, virou um baú de velharias, sem a mínima coerência de uma grade de programação, um Classificados ao vivo para vender de tudo e de todos, a começar pelas quinquilharias da casa, os açucarados perfumes Jequiti, cuja garota-chefe propaganda é a mesma Patrícia, a do tal Fábio. O melhor filtro para avaliar a grandeza desse bilionário que nos deixou no último sábado, aos 93 anos, seria a eleição de uma declaração qualquer, uma pequena frase que ele tenha pronunciado e que fosse digna de um epitáfio. No caso de Silvio Santos, que eu saiba, não há nenhuma.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Saúde Gramatical: o valor do vocativo na construção do sujeito e da comunidade – A propósito de “A Origem da Linguagem”, de Eugen Rosenstock-Huessy</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Mar 2024 11:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Uma linguagem legítima é uma linguagem com formas fonológicas e sintáticas legítimas, isto é, uma linguagem que responde aos critérios habituais de gramaticalidade, e uma linguagem que além daquilo que diz, o diz constantemente bem. Pierre Bourdieu. Saúde Gramatical: o valor do vocativo na construção do sujeito e da comunidade – A propósito de “A &#8230;</p>
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<p style="text-align: right;"><em><strong>Saúde Gramatical: </strong>o valor do vocativo na construção do sujeito e da comunidade – A propósito de “A Origem da Linguagem”, de Eugen Rosenstock-Huessy</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>“Uma linguagem legítima é uma linguagem com formas fonológicas e sintáticas legítimas, isto é, uma linguagem que responde aos critérios habituais de gramaticalidade, e uma linguagem que além daquilo que diz, o diz constantemente bem”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Pierre Bourdieu</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>ntes de tudo, devemos levar em conta um fato: Eugen Rosenstock-Huessy não escreveu este livro. Os capítulos deste livro são resultados de uma coleta e posterior formatação levada a efeito por Peter MacNeilage, editor americano da obra. E falando em &#8220;posterior&#8221;, o leitor que obedecer a ordem de leitura [começo, meio e fim], só saberá da compilação a posteriori. Pois essa informação, acima indicada, se encontra no posfácio.</p>
<p>Para Rosenstock-Huessy, conforme minha análise do conjunto do texto, o discurso primitivo do homem era muito mais rudimentar do que qualquer língua conhecida por nós, isto é, não tinha forma gramatical; tão flutuante era sua fonética, vale dizer, elementos mínimos da não-linguagem rudemente articulada.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-29-at-08.30.06.jpeg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-75518 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-29-at-08.30.06-195x300.jpeg" alt="" width="195" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-29-at-08.30.06-195x300.jpeg 195w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-29-at-08.30.06.jpeg 390w" sizes="(max-width: 195px) 100vw, 195px" /></a>Toda a comunicação dependia muito do gesto, do tom e da ênfase dada ao ruído. Não havia organização alfabética, portanto, não havia escrita.</p>
<p>Tal comunicação não possuía preposições nem conjunções. Não havia numerais, pronomes de qualquer tipo; sem formas para expressar singular ou plural, masculino ou feminino, passado ou presente; os diferentes sons vocálicos talvez não produzissem o senso de identidade.</p>
<p>O outro ponto a ser levado rigorosamente em consideração por mim, apresentador e primeiro comentador da obra e, em, seguida pelos demais ouvintes e também comentadores é que o autor, Eugen Rosenstock-Huessy, nos previne de forma radical, que a origem da linguagem [esta compreendida como um sistema estruturado de comunicação que consiste em gramática e vocabulário] está na passagem da emissão primitiva de sons sem nominação, sem tratamento nominal, para a formalização desta comunicação [linguagem formal como a única condição de linguagem], resultando daí as primeiras referências civilizatórias, em que a espécie humana se reconheceu como indivíduo, como sujeito e como comunidade falante numa realidade operatória de construção do Eu e do Outro.</p>
<p>Para tanto, o fator vocativo [como elemento pragmático-semântico, ou seja, detendo vocatividade, potencial apelativo, a exercer funções linguísticas] é, para Rosenstock-Huessy, de importância central.</p>
<p>O autor ressalta que o vocativo é observado como um elemento da universalidade da linguagem, nomeadamente como um elemento de chamada que geralmente é usada por falantes em conversas de um idioma. Toda facilidade disponível na linguagem como meio de comunicação humana tem uma função específica nele. Quando comparado com outras facilidades da linguagem como meio de comunicação humana, o vocativo dito pelo sujeito diz a si e ao outro. Os indivíduos se reconhecem, a comunidade se constitui.</p>
<p>Na minha percepção, entendo que o autor, ao afirmar que um indivíduo se torna uma pessoa ao ser capaz de representar o falante e o ouvinte dentro de uma pessoa, defende a capacidade potencial e em ato desta pessoa de, ao ouvir, tornar-se um “VOCÊ” – Mediante este pronome de tratamento, o indivíduo-pessoa reconhece a si e ao outro. É o princípio da saúde gramatical, que redunda na saúde mental – O entendimento da condição solidária, comunitária, o âmbito gramatical é a base para a renovação moral e ética.</p>
<p>Observo que os <em>argumentos</em> em Eugen Rosenstock-Huessy, vão além da apresentação dos fatos, das ideias, das razões. Tornam-se microestruturas téticas a compor a tese magna que é o próprio livro. Ou seja, são proposições, dentro do corpo do texto, que ele busca, energicamente, sustentar.</p>
<p>Mediante a linguagem formal que reconhece o sujeito falante e ouvinte, as aproximações de valores morais e éticos, as pessoas podem escapar à injustiça e à crueldade exercida, inclusive, por governos legítimos oficialmente; advém, por consequência, o poder das sentenças gramaticais, ou seja, aquelas que são geradas pelas regras da gramaticalidade, estas que passam a governar o espaço em que a comunidade habita, que funda novas possibilidades de relação, de reconhecimento e de mobilidade.</p>
<p>Creio que [e estou aberto a contestações ou complementações] o ponto fulcral, entre as duas proposições é que a parte da linguagem, que se manifesta como ato individual, ou seja, a fala, esta que se põe em oposição à língua (que é social em sua essência e independente do indivíduo), através do que lhe é criativo e estimulante, além de, por vezes, inesperado, dota-nos, de certas possibilidades através do seu carácter inevitavelmente formador e histórico.</p>
<p>A linguagem [e, em seu interior, a fala] torna a comunidade quase como senhora do tempo. Não para controlá-lo, mas, sim, para transitar por ele. Assim, compreendemos a morte histórica, ancestral e atual. As mortes anteriores fundam, via nascimento, novos espaços de vida individual e social.</p>
<p>Há a expectativa e, de certo modo, a perspectiva de uma trajetória expansiva e gratificante. E quando não o há, sabe-se, também, que assim o pode ser.</p>
<p>E em meio à expectaiva mencionada acima, há outra perspectiva, esta racional, vale dizer, pertencente ao projeto humanista-iluminista de se libertar de todos os deuses (fazendo da humanidade, no âmbito da natureza, a base da realidade).  Rosenstock-Huessy observa que esta posição, adotada historicamente, baseou-se na incapacidade de se compreender as percepções mais antigas sobre a natureza do real e a relação entre realidade, linguagem e história.</p>
<p>Porém, outros aspectos também são levados em conta na busca de se estabelecer, de se perceber e localizar, “a origem da linguagem”.</p>
<p>Penso, e ponho esta percepção diante dos eventuais leitores, que, mediante as reflexões de Rosenstock-Huessy, a gramática, vale dizer, o conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada, detém a função de nos resguardar dos mal-entendidos, da cacofonia que leva à tensão entre as partes. O dito nos protege de algum perigoso ou, pelo menos, inconveniente duplo sentido. Ou seja, o fator gramatical emerge do barbarismo informal para proporcionar esclarecimento. Daí em diante, o processo civilizatório se manifesta. Tornamo-nos falantes, ouvintes, indivíduos que se expressam e passam a fazer parte da comunidade falante e pensante, pois, a lógica gramatical, o ato de nominação, se faz presente.</p>
<p>Entendo que o autor nos alerta quanto ao fato de que o pensamento gramatical saudável nos auxilia na elaboração da unidade. A postura comunicativa, solidária, pode ser sustentada pela devida consciência de uma presença quase que espiritual da gramaticalidade. Então o efeito clínico, terapêutico se manifesta. Isso porque esses modos gramaticais são os meios através dos quais nosso entendimento sobre ser pessoa [o “eu” e o “voz”] se consolida e se expressa.</p>
<p>A consciência gramatical, vale dizer, a compreensão do significado de se comunicar mediante a linguagem formal, promove um processo dinâmico que é construído entre o sujeito e o fato mediante o discurso bem-posicionado, bem articulado. A saúde das relações com o eu-mesmo e com os demais “eus” que são os “vocês” é determinado pela nossa fala bem direcionada, bem fundamentada.</p>
<p>Na minha percepção, na minha interpretação crítica, há, neste sistema de regras lógicas de investigação, especulação, argumentação, demonstração de Rosenstock-Huessy, algo de força psíquica espontânea, à qual leva à ação determinada, à manifestação de sentimentos sinceros, ou seja, um religare, uma perspectiva apaixonada, não obstante bem-disposta, bem-organizada, pautada no que ele defende como existencialmente real.</p>
<p>No autor, o substantivo existência, o adjetivo existencial, contêm, radicalmente, noção de passagem de um estado para outro. Morte para vida, mediante o nascimento. Nascimento para a morte, ao longo de uma trajetória na qual é imprescindível que saibamos como falar para que possamos saber como fazer.</p>
<p>É isto.</p>
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		<title>YHVH – RAZÃO, TRANSCENDÊNCIA E REDENÇÃO NA POESIA DE MATEUS MA’CH’ADÖ – Segunda e última parte [Seções IV, V, VI, VII, VIII]</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/yhvh-razao-transcendencia-e-redencao-na-poesia-de-mateus-machado-segunda-e-ultima-parte-secoes-iv-v-vi-vii-viii/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jan 2024 11:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[adoração]]></category>
		<category><![CDATA[Conceito]]></category>
		<category><![CDATA[desíginios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Léo Mittaraquis (*) &#160; O rio subterrâneo, no dizer de Will Durant, que corre ao longo da produção poética YHVH, traz, em suas águas, a composição transcendente. E por estar situado além da realidade sensível, é o estado não-finito e não-temporal. É uma não-experiência, e só é possível ser concebida como um estado de &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/yhvh-razao-transcendencia-e-redencao-na-poesia-de-mateus-machado-segunda-e-ultima-parte-secoes-iv-v-vi-vii-viii/">YHVH – RAZÃO, TRANSCENDÊNCIA E REDENÇÃO NA POESIA DE MATEUS MA’CH’ADÖ – Segunda e última parte [Seções IV, V, VI, VII, VIII]</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> rio subterrâneo, no dizer de Will Durant, que corre ao longo da produção poética YHVH, traz, em suas águas, a composição transcendente. E por estar situado além da realidade sensível, é o estado não-finito e não-temporal. É uma não-experiência, e só é possível ser concebida como um estado de espírito puro, para além do tempo e do espaço. Portanto, a produção literária que venha a &#8220;testemunhar&#8221; tal estado, o nega de imediato, pois, a produção, isto é, todo tipo de atividade ou processo que dá origem a um determinado serviço, objeto ou produto, só se dá na realidade concreta e operatória.</p>
<p>Sejam quais forem as individualmente válidas percepções transcendentes do escritor [autor da estrutura discursiva da produção literária], caso haja, por parte dele a intenção de fazer destas percepções a fonte dos dados utilizados na construção da narrativa, ele irá operar com a materialidade, com a realidade operatória, a interagir com a efetividade cultural e histórica [estética e ideológica], para se fazer lido, compreendido, analisado e criticado.</p>
<p>Como crente [aquele que crê, sem, necessariamente, filiar-se a uma denominação], posso desejar ser simpático à representação do estado alcançado pelo poeta. Como crítico, tenho, diante de mim, tão somente a produção literária, no caso, o livro de poemas. O livro, materializado, põe-se no mundo, torna-se mundano, palpável, tangível e potencialmente acessível a todo e qualquer indivíduo, independentemente da respectiva percepção espiritual [caso a tenha] e de mundo.</p>
<p>Abordo os objetos de arte como objetos do orbe [incluem-se os livros, decerto].</p>
<span class="highlight highlight-yellow">A produção poética de Mateus Ma&#8217;ch&#8217;adö é submetida à análise que leva em conta como seus poemas são construções que trazem à tona, aos olhos do leitor, a prodigalidade em imagens, num evidente e bem orquestrado estímulo de associações intelectuais e emocionais de beleza por meio de palavras sugestivas de realidades visuais.</span> Tais associações transcendem o sentido do senso comum, do genérico, indo muito além em termos de possibilidades plásticas e discursivas. A poesia canta louvores, há ritmo, há regularidade e encadeamento.</p>
<figure id="attachment_73963" aria-describedby="caption-attachment-73963" style="width: 219px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado.webp"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-73963" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado-219x300.webp" alt="" width="219" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado-219x300.webp 219w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado-746x1024.webp 746w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado-768x1054.webp 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado-1119x1536.webp 1119w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/mateus-machado.webp 1161w" sizes="(max-width: 219px) 100vw, 219px" /></a><figcaption id="caption-attachment-73963" class="wp-caption-text">Escritor Mateus Ma’ch adö</figcaption></figure>
<p>E, ao recusar-me às mistificações inócuas, há como deitar todo este <em>material</em> sobre a superfície terrena e investigar, revolver, recolher amostras.</p>
<p>Transcende o poeta, não o crítico.</p>
<p>E, se pareço repetitivo, de fato estou a repetir-me, pois, a leitura crítica, vale dizer, a sistemática interpretação e análise e, consequentemente, o julgamento do texto, pressupõe abordar de forma operatória o objeto, extraindo deste, novas possibilidades de leitura, as quais devem ser postas à disposição do leitor. O faço para evitar os costumeiros equívocos.</p>
<p>Sim, a percepção crítico-pragmática por mim adotada é a leitura crítica sob égide da estética com orientação moral e filosófica. Opero sob o pressuposto [sem metafísica barata, senão sob referência dialético-pragmática] de que a produção literária desempenha papel ético e moral em, pelo menos, um segmento da sociedade. Com isso em mente, minha leitura aborda o objeto com base na forma, mas, também seus méritos [ou deméritos] éticos.</p>
<p>Esses são, em termos gerais, os fundamentos nos quais fundamento e pelos quais proponho meu sistema de leitura crítica.</p>
<p>Dito isto, ou tudo isto, mais uma vez, e nunca é demais, chamo a atenção do leitor para um ponto importante: Ma’ch’adö não reescreveu um saltério. São poemas. Concebidos, limados e polidos com a mestria de um antigo e respeitado ourives.</p>
<p>Contudo, santa ironia, suas composições dialogam muito bem com as devoções judaico-cristãs. E mais: há algo de musical em alguns poemas ao longo da obra. Não admira que saltério seja o nome de um antigo instrumento de cordas.</p>
<p>Nesta segunda e última parte abordarei as seções IV “Adoração”; V “10 5 6 5”; VI “Apócrifo”; VII “Posfácio”</p>
<p>O leitor que se recordar da numeração disposta por mim na primeira parte deste artigo, perceberá, certamente, que difere desta disposta agora. O motivo é que, na primeira, eu havia considerado analisar com minúcia a apresentação, “O Abismo de Deus”, e as “Notas”. Não o farei doravante.</p>
<h3><strong>Seção “Adoração”</strong></h3>
<p>Em “Adoração”, quatro sonetos sob o título “Sobre a Majestade de Yeshua Ha Mashiach” rendem glória ao Senhor dos Exércitos, mas que, também, é o Cordeiro que se dispôs a sacrificar pelos pecados do mundo. Os poemas honram a esfera de felicidade profunda sustentada pelo desfrute da presença de Deus diante das elegantes e maravilhosas formas animais não humanas a se fazer presentes quase que a cada linha. Portanto, o eterno Filho de Deus, gozando da comunhão da Santíssima Trindade, dá aos seres [não só aos humanos] uma participação sob o <em>status</em> de criatura em tal bem-aventurança.</p>
<p>No título, o conceito de <em>Majestade</em>, no sistema filosófico judaico e cristão, traz a <em>visão</em> do Salvador. Ele vê o AMOR como um componente da única qualificação substantiva ou da própria essência de Deus. O verso, glorificante, eleva, exponencia, numa divina e única estruturação sintagmática constituída pelos atributos – onipotência criativa, a bondade, a providência, o governo e a imutabilidade. O tempo passa no mundo, na esfera dos gêneros e espécies, contudo, o <em>Ser</em>, verdadeiro, cognoscível na medida em que o espírito supera o caráter enganoso e ilusório das impressões sensíveis, tornando-se apto à contemplação das formas eternas e imutáveis da realidade, acima do espaço e do tempo, o É perene.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Ciente e maravilhado ante a Lei, Ma’cha’adö manifesta-se em thauma taxionômico. Eis o primeiro, dos quatro sonetos de “Adoração”:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Majestade de Cristo está na pele,</p>
<p>dos leopardos e jaguares, salpicada</p>
<p>em gloriosas rosetas e na revoada</p>
<p>dos flamingos em alaridos qu’impele</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>sopro divino, das águas o marejar</p>
<p>e nas praias do mundo, no cruzar dos ninhos</p>
<p>dos oceanos, pelas jubartes, golfinhos</p>
<p>baleias azuis e cachalotes no quebrar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>frio das geleiras pelo dente dos narvais;</p>
<p>nosso unicórnio dos mares e a beluga,</p>
<p>entre céu e mar, em grandes batalhas navais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E orcas na caça de um leão marinho em fuga,</p>
<p>Também do Filho pertencem os arrebóis,</p>
<p>E a Tua majestade, vale mais que mil sóis.</p>

			</div></div>
<p>Catálogo complexo, sintético, aprimorado da vida selvagem, composição em nada aleatória. Ma’ch’adö elabora um rol dinâmico. As estrofes revibram pelo movimento, pela força e pela graça dos corpos de animais quase etéreos [flamingos] e do possantes, letais, fascinantes, mamíferos marinhos. Evitarei estender-me pela simbologia zoológica amplamente trabalhada pelo poeta ao longo dos quatro sonetos da seção “Adoração”. Arrisco-me a observar que Ma’ch’adö cita animais pouco conhecidos, como o Gato Mourisco, o Gato de Palas, o Leopardo de Amur, o Íbex, o Tilacino e o Feneco.</p>
<span class="highlight highlight-yellow">Adora-se ao que se crê. Cultua-se. E se aplico o viés antropológico, sempre a considerar o objeto-livro como produção cultural, devo partir do princípio [de maneira alguma com valor absoluto] de que a crença, a religião é, sob consenso e senso comum, tipicamente humana.</span> Como bem observa o sacerdote, professor e filósofo italiano Battista Mondin, “o fenômeno da religiosidade não é percebido em outros seres vivos”. Entretanto, o estado de transcendência percebe a mediação entre o Verbo e o Homem à cargo da Natureza. Os quatro sonetos clamam para que tiremos as traves, as escaras, dos nossos olhos, notadamente dos olhos do espírito, e aceitemos que o espantoso e belo mundo animal se encontra sob a majestade de Yeshua Ha Mashiach. O Verbo, nos versos dos sonetos que constituem a seção “Adoração”, está inscrito nas espécies, em cada exemplar delas.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>No segundo soneto, lemos no primeiro quarteto:</p>
<p>Gato mourisco na sombra dormideira</p>
<p>tem o selo da majestade de Cristo,</p>
<p>Ou gato de Pálas marcando, benquisto,</p>
<p>seu cheiro; a urina no caule da videira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E no primeiro terceto:</p>
<p>Tal glória se vê no Evangelho de Mateus</p>
<p>ou no macho, o garboso Ibex dos Pirineus.</p>
<p>Ou pela vida do último tilacino.</p>

			</div></div>
<p>O último verso, do terceto reproduzido acima, causa-me estremecimento. A dor da falta, diante da ausência do que destruímos enquanto nos impomos mediante a urbe; diante do que percebo, em mim, ser capaz de perpetrar.</p>
<p>Ao que se sabe, o último tilacino [Lobo da Tasmânia] passou, primeiramente, por um processo natural de extinção. Contudo, os remanescentes foram dizimados por colonos, na Austrália e na Nova Guiné. Afirma-se que o último exemplar morreu em cativeiro num zoológico.</p>
<p>E assim, o poema induz a mim o sentimento de melancolia, da dor opressiva semelhante ao remorso no peito.</p>
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<p>A habilidade de Ma’ch’adö em posicionar as referências no campo canônico por ele estabelecido, o que certamente inclui os sonetos da sessão “Adoração”, é ressaltada com segundo quarteto do terceiro soneto:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No lombo do Takin ou no Leopardo de Amur</p>
<p>Abraão – vá por ti – deixando a cidade de Ur.</p>
<p>Ter no casamento, entre homem e mulher,</p>
<p>a bondade do rei e a sabedoria de Ester.</p>

			</div></div>
<span class="highlight highlight-yellow">Na poesia de Mateus Ma’cha’adö, o cânone judaico-cristão [núcleo da estética do poeta], mais uma vez, estabelece colóquio com outras percepções de beleza sensível e inteligível a integrar o fenômeno literário. Para além das referências homéricas, das quais se afasta em termos, Ma’ch’adö dispõe liames com o cânone oriental, com o qual, na verdade, compõe vínculo simbiótico</span>.</p>
<p>O takin detém elevado significado religioso. No Butão, o animal foi adotado como símbolo do país. Há, também, a crença de que, por causa da sua pelagem dourada, haja alguma relação com o mito grego do “Velocino de Ouro”.</p>
<p>Quanto ao leopardo de Amur, esta espécie é natural da região de Primorye, no sudeste da Rússia e no norte da China. É, ademais, conhecido como “leopardo siberiano”, “leopardo do extremo oriente”, “leopardo coreano”.</p>
<p>No imaginário oriental, há possibilidade de estar relacionado à divindade chinesa <em>Xinangmu</em>, esposa do Imperador de Jade e guardiã dos Pêssegos da Imortalidade.</p>
<p>Ao lançar Abraão sobre o lombo do takin e do leopardo de Amur, Mateus Ma’ch’adö põe um pé no solo do cânone oriental, calcando-o com firmeza. Para que Abraão deixe a cidade de Ur, é preciso, antes de tudo, que lá ele esteja. Observo que Ur não era uma provinciazinha qualquer: Na época em que Abraão apareceu em cena em 2.000 a.C, Ur já existia há 1.800 anos. Continuaria a ser habitada até 450 a.C, cinquenta anos após a morte de Sócrates. Uma cidade portuária importante e movimentada na Mesopotâmia. Devido à sua localização perto da junção dos rios Tigre e Eufrates, impunha-se como ponto central para o comércio que recebia navios tão distantes como a Índia. Como você pode imaginar, era muito rico. Na verdade, era a cidade mais rica da Mesopotâmia. Liderada por um Rei-Sacerdote, algo típico daquela parte do mundo onde as duas funções costumavam ser combinadas. Veremos isso mais tarde na história de Abraão e Melquisedeque. Significativo é prevenir ao leitor de que na seção “10 5 6 5” o segundo poema é dedicado à “Malki Tzedek”, o rei-sacerdote.</p>
<p>Ressalto, mais uma vez, em virtude da profusão de dados que pode causar alguma confusão [a mim, o tempo todo, tenho de consultar e consultar alfarrábios], que a tradição canônico-literária do Leste Asiático começa, segundo pesquisadores, na China antiga. Mas inclui a literatura do Vietnã, da Coreia e do Japão; a tradição indiana, que se origina com os clássicos sânscritos e pali da Índia Antiga e continua até o moderno Sul da Ásia, Tibete e Sudeste Asiático. Sem esquecer-se da tradição islâmica, escrita em árabe clássico, persa ou em suas línguas sucessoras na Ásia Central e no Oriente Próximo.</p>
<p>Sabedor desses fatos, compreendo que ler e interpretar YHVH, de Mateus Ma&#8217;ch&#8217;adö, é manter o conceito de cânone à guisa de bússola. Ou seja, o conceito que determina a qualidade e o valor a longo prazo das obras cumpre a função estética, epistemológica e moral. Digo, portanto, ao leitor, que mesmo textos e escritores que não são especificamente considerados canônicos são e serão sempre avaliados, por mim, em relação ao cânone mais amplo para determinar seu valor literário. E é o que faço, numa perspectiva estética e histórica, ao abordar a obra em questão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Seção “10 5 6 5”</strong></h3>
<p>Mais adiante, no posfácio do livro aqui abordado, Ma’ch’adö se dedicará a comentar as implicações culturais e espirituais em torno do “Nome de Deus”. Por enquanto, na seção “10 5 6 5”, abordarei, resumidamente, os poemas “A Serpente”, “Malki Tzedek” e “O Abismo de Deus”.</p>
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<p><strong>Primeiro poema:</strong></p>
<h5><strong>A Serpente</strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alguém disse: dantes de ser possuída</p>
<p>pelo Espírito do Mal, instituída,</p>
<p>a serpente, assim belíssima fera,</p>
<p>da mor Sabedoria o próprio Templo era.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Presente na criação dos Mundos de Luz,</p>
<p>antes de haver um homem e uma cruz.</p>
<p>Ela era a fiel guardiã da Româzeira;</p>
<p>que de toda árvore era a derradeira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pois o mal foi infiltrado pela Queda,</p>
<p>e do Primeiro Homem, foi vil moeda</p>
<p>de troca, germinando nas entranhas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>do dourado palácio do coração,</p>
<p>no DNA santo da primeira geração.</p>
<p>E daí nasceu o erro das coisas estranhas.</p>

			</div></div>
<p>Gênesis 3:1 diz: “a serpente era mais astuta do que qualquer um dos animais selvagens que o Senhor Deus havia feito”. Astuto também pode ser compreendido como sutil. O que sugere uma tendência desfavorável de caráter, com uma conotação de ser inteligente ou astuto. Até mesmo pode ser levado em conta o adjetivo “prudente”. O caráter maligno da serpente é consequência da Queda e da maldição posterior, e não da sua característica quando foi criada.</p>
<p>Dito isso, volto-me ao poema, em sua estrutura. É um soneto e exprime, de forma reveladora, sobre o “primeiro destino final” do homem no início da Criação. Vale observar que, o “destino” é escrito mediante a natureza abstrata do réptil. O qual ainda não é tão somente o terrível ser de caráter rasteiro, abjeto, falso, mau e traiçoeiro. O poeta propõe, de acordo com sua percepção das Sagradas Escrituras e outras fontes que, antes de ser possuída pelo Espírito do Mal, a serpente podia ser reconhecida como partícipe do Belo e Divino. Espaço digno de respeito, onde a sabedoria era guardada.</p>
<p>O DNA, ácido nucleico que possui destaque por armazenar a informação genética, alçava o <em>status de sagrado</em>. Por causa da Queda, o desvio do caminho considerado correto fez surgir o estado espúrio de suspeição no mundo, dominando a essência da existência humana.</p>
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<p><strong>Segundo Poema:</strong></p>
<h5><strong>Malk Tzedek</strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Existiu um homem, em um templo distante,</p>
<p>misterioso, não teve vida gestante.</p>
<p>Sem genealogia, foi Sacerdote e Rei;</p>
<p>sua única missão era cumprir de D’us a Lei.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Melquisedeque, que é também rei de Shalem;</p>
<p>prefigura Cristo rei de Jerusalém,</p>
<p>visitou Abraão, levando pra ceia pão e vinho,</p>
<p>sagrou o patriarca e mostrou novo caminho:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Bendito seja Abraão pelo Altíssimo D’us,</em></p>
<p><em>o Possuidor da terra e dos céus. O D’us</em></p>
<p><em>que entregou os seus inimigos na mão</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>tua. </em>A porção de tudo deu-lhe o dízimo, Abraão.</p>
<p>Chamado Rei da justiça, o mais justo</p>
<p>entre os filhos do Altíssimo, o mais augusto.</p>

			</div></div>
<p>Expressivo, o meio pelo qual o poeta Mateus Ma’ch’adö informa ao leitor de que o título do poema não é, propriamente, o nome do personagem bíblico. No hebraico, Malki Tzedeq, pode ser traduzido, quase que literalmente, como &#8220;Rei da Justiça&#8221;; origina-se de melekh [rei] e tzaddiq [justo]. Portanto é qualidade de Melquisedeque, como é grafado no primeiro verso do segundo quarteto.</p>
<p>O nobre e justo que reconhece, sob orientação divina, outro que sustenta os mesmos traços de caráter, de índole.</p>
<p>Salto, retrógrado, para o terceiro verso do primeiro quarteto: “Sem genealogia, foi Sacerdote e Rei;”.</p>
<p>Harmônica, leve e engenhosa, a solução [não necessariamente original] de Ma’ch’adö neste poema é, na minha perspectiva estética, um dos pontos altos de todo o livro: um homem desprovido de antepassados, sem linha de filiação.</p>
<p>Recorro, aqui, a “Hebreus 7:3”: “Melquisedeque aparece na história sem pai nem mãe, e não existem anotações sobre nenhum dos seus antepassados. Não há menção da origem nem do fim dos seus dias, sendo semelhante ao Filho de Deus; ele permanece sacerdote para sempre”.</p>
<p>Ma’ch’adö tem conhecimento do <em>status</em> de Melquisedeque. Eu abordo esta condição, sob a lente lógica, genealógica [paradoxalmente] e histórica. A trajetória de vida do personagem é a história, a gênese do seu próprio nome. O qual é uma representação da elevação na qual se encontrava seu espírito, e o antropônimo. Afinal, sim, Melquisedeque é um homem.</p>
<p>Fascinante! Assim diria Senhor Spock. Atente, caro leitor, à leitura de todo o soneto. Pequeno pela natureza mesma, amplo pela mensagem que abriga, tanto mais pelas infindáveis e prolíficas discussões que se dão até hoje sobre o rei e sacerdote: alguns na tradição judaico-cristã viam Melquisedeque como um sacerdote celestial, sem pai ou mãe e eterno. A descoberta de fragmentos de pergaminho em 1956 na Caverna 11 em Qumran em que o personagem principal é Melquisedeque, foi chamada de Rolo de Melquisedeque, escrito no primeiro século AC. Melquisedeque aparece como um juiz escatológico que descerá do céu nos últimos tempos para destruir o diabo, chamado Belial, no Dia da Expiação no décimo Jubileu. O próprio Hebreus retrata Jesus, pós-ressurreição, como um sacerdote celestial da ordem de Melquisedeque. Então, ao lado da perspectiva materialista do livro-objeto, do caráter operatório do processo de composição poética, a apreensão do transcendente proposta pelo autor de YHVH revela-se plena de sentido numa perspectiva teológica particular.</p>
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<p><strong>Décimo poema da seção “10 5 6 5”:</strong></p>
<h5><strong>O Abismo de D’us</strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aconteceu que alguns homens eruditos,</p>
<p>embora cultos, viviam muitos conflitos.</p>
<p>Entre eles um matemático, um teólogo</p>
<p>e um cabalista, além do maior filólogo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tomados de ambição lograram intento</p>
<p>impossível; descobrir o verdadeiro</p>
<p>nome de D’us; ainda que por um momento</p>
<p>soubessem que não é dado, pra um formigueiro,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>saber tal mistério. Fizeram complexos</p>
<p>cálculos, envolvendo letras e anexos</p>
<p>números; usaram até gematria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estudaram magia, astrologia e idolatria.</p>
<p>E com supercomputadores quânticos</p>
<p>resolveram os problemas semânticos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais dias se passaram de trabalho intenso,</p>
<p>no final do sexto dia de estudo imenso,</p>
<p>quando por fim um nome foi revelado,</p>
<p>deixando o grupo de homens exaltado,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>no mesmo instante um por um, os tolos homens,</p>
<p>se desintegraram nulos como reféns</p>
<p>das próprias escolhas. Assim como cada</p>
<p>ser humano existente, em sua derrocada,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>toda a criação começou a desaparecer;</p>
<p>do reino animal cada ser veio a padecer,</p>
<p>do reino vegetal o verde se desfez,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>do reino mineral cada grão de escassez</p>
<p>se tornou, cada átomo em sua dança</p>
<p>entrópica. Uma força sugou a esperança.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sol, lua, planeta, outros sistemas tiveram</p>
<p>o mesmo fim; e as estrelas começaram</p>
<p>a cair; nem o próprio céu ficou disperso;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>com seus trilhões de galáxias o universo</p>
<p>lento se enrolou como um velho papiro</p>
<p>pra dentro da boca de D’us, um suspiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pelo Eterno, o fim do sexto dia foi escrito.</p>

			</div></div>
<p>Se quisesse incorrer em ato de preguiçoso e apenas afirmar que este poema é um exercício estético de síntese a partir da arrogância e da estupidez humana, estaria a incorrer em erro crasso.</p>
<p>Até porque o Posfácio do livro, intitulado “O Nome de D’us” apresenta outra faceta do poeta Mateus Ma’cha’adö: impressionante capacidade de argumento, de forma fundamentada, com larga intimidade para com as fontes das quais se vale.</p>
<p>Temerário, portanto, fazer eco sem dispor de voz afinada com a proposta. O que levarei adiante, então, é uma pálida tentativa polissêmica, vale dizer, pôr-me diante multiplicidade de sentidos. Provavelmente, a nenhum dos quais eu venha a aplicar especulação terá a ver, de maneira exata, com a intenção do poeta.</p>
<p>O poema “O Abismo de Deus” me leva a deixar que a mente divague um tantinho. Coisa não de todo recomendável. Mas é tarde, quase três e trinta da manhã. E daqui a duas horas estarei na cozinha preparando o café da manhã para minha belíssima esposa que, no momento, sendo alguém de elevada sensatez, dorme o sono dos justos.</p>
<p>A primeira estrofe traz quatro campos do saber, a levantar questões profundas sobre a existência dos números; a investigar a natureza do divino, convergindo fé e razão; a concentrar-se na obtenção de conhecimento de Deus através do estudo do seu nome, além de compreender uma tradição teosófica que busca aproximar-se de Deus através do significado da criação e, por fim, a consciência estoica de aceitar que vive um mundo atópico para a contemporaneidade.</p>
<p>Divago: Deus como o cérebro do Universo. Neste há o propósito, o qual implica numa mente, a qual leva ao argumento racional de que há a eterna manutenção do Universo, com base em leis, e leva ao argumento ontológico de que a consciência de Deus concedeu à espécie humana que vivesse e, se não compreendesse, pelo menos admirasse e respeitasse a grandiosidade acima e em torno de nós. O que faz-me lembrar de Kant, ao concluir sua “Crítica da Razão Prática”: “Duas coisas enchem o ânimo de admiração e de veneração sempre nova e crescente, quanto mais frequente e persistentemente a reflexão ocupa-se com elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral em mim”.</p>
<p>Lembra, também, e me é impossível não lembrar, de Roger Penrose e suas entidades matemáticas que remetem à temida [por cientistas] singularidade. O Universo sugado pela boca do Eterno: a última estrofe alcança tal nível de ironia&#8230; Um poema de difícil conclusão é finalizado sob o devido rigor lógico, sem perder a sintonia com as realidades suprassensíveis [a totalidade cósmica, Deus e a alma].</p>
<p>Mateus Ma’ch’adö sussurra [pois não quer aparecer tanto] que a verdade não pode contradizer a Verdade. Porém a Verdade não é açambarcada mediante mero capricho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Seção “Apócrifo”</strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Apócrifo” [o termo] vem da palavra grega apokrypha, que significa coisas que estão escondidas, coisas secretas. Palavra comumente usada para designar uma coletânea de livros edificantes, porém, não incluídos no cânon das Escrituras. Sei que esta definição é simplista e insuficiente. Mas terá de bastar por ora. Há outros pontos complexos, relacionados diretamente com a poesia de Ma’ch’adö, com os quais tenho de lidar ainda.</p>
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<p>Desta seção, tratarei de um poema, dentre os sete incluídos pelo autor:</p>
<h5><strong>Finnegans Wake (Segunda Carta aos Romanos II)</strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os galhos da Oliveira balançam</p>
<p>ao vento;</p>
<p>vento que sopra do Mundo,</p>
<p>vento que sopra do Espírito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os galhos enxertados na Oliveira</p>
<p>brotam pela Graça.</p>
<p>Os galhos cortados</p>
<p>não serão desprezados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os erros do Taberneiro</p>
<p>E dos seus filhos Shaun e Shem</p>
<p>Ou Caim e Abel,</p>
<p>E da pequena Issy</p>
<p>As águas de Ana Lívia Plurabelle.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tudo será perdoado,</p>
<p>Até a maledicência será interrompida</p>
<p>Pela Verdade de Verbo.</p>
<p>Porque o mal terá um fim em si mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para o Grande Mistério</p>
<p>Tudo está feito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Porque o Filho do Homem</p>
<p>Sonhou o Deserto</p>
<p>antes de você chegar.</p>

			</div></div>
<p>Com Finnegans Wake, penso eu, mais do que [re]criar uma linguagem ou, talvez, uma maneira de falar, James Joyce ensaiou um quase-sistema filosófico, vale dizer, a consideração racional, abstrata e metódica da realidade, incluindo as dimensões fundamentais da existência e da experiência humanas. E o que quero dizer com isto? Bem, a resposta direta é: Finnegans Wake é uma pedreira do mais denso granito, do qual insisto em, obsessivamente, retirar algumas lascas.</p>
<p>O poema de Ma’cha’adö é certificado de que ele ingressou, há muito, no privado e mui restrito clube.</p>
<p>Mateus leva a efeito, com segurança, a máxima de Théophile Gautier: “o inexprimível não existe”. E no poema um tanto erzapoundiano parece ir avante, na certeza de que o homem recebeu a linguagem. Esta feita de palavras, de frases, obediente à gramática e aos desígnios divinos. Tal qual Gautier e Pound, Mateus Ma’ch’adö recusa-se, de forma sistemática e moral, ao vazio linguístico.</p>
<p>É certo de que há algo de menção ao sagrado em Finnegans Wake. Uma obra com algum viés iniciático. Possivelmente, o autor de YHVH [digo-o afligido por intenso cuidado] tenha vivido uma epifania que o levou a compor poema de tão alta complexidade. Ele tem ciência de que, em Finnegans Wake, o livro mais consultado [no tocante a alusões diretas ou subentendidas] e adaptado por Joyce é, obviamente, a Bíblia. Mas há outros, sobre os quais, sob nenhuma hipótese, irei arriscar-me a especular. Pressinto, neste momento, algo de começo de madrugadora enxaqueca.</p>
<p>Vamos lá, oremos.</p>
<p>A oliveira desde a antiguidade foi um símbolo de paz e reconciliação. O florescimento da oliveira nos países orientais do Mediterrâneo e especialmente nos lugares sagrados definiu-a como um símbolo da religião cristã.</p>
<p>No poema, ventos de naturezas distintas, mundana e transcendente, sopram por entre os galhos da Oliveira – Não é qualquer pezinho de oliveira, atente o leitor ao “O” maiúsculo.</p>
<p>A partir daí, penso, e espero não estar de todo equivocado, Mateus Ma’ch’adö dispõe uma estética dualista: Mundo/Espírito; Enxertados/Cortados; Shem [artista sensível e quase um alter ego de Joyce]/Shaun [orador sem escrúpulos, desvirtuador da mensagem cristã]; Caim/Abel&#8230;</p>
<p>E uma vez mais, na poética de Mateus Ma’ch’adö, os cânones tanto se cruzam como convergem para a composição formal e conteudística: Anna Livia Plurabelle é uma representação da deusa trinária. É sabido que, entre os celtas, três é, também, o número do grande mistério que estará para sempre além da compreensão humana.</p>
<p>O poema sob análise e interpretação, no momento, vibra suas cordas em uníssono com a justaposição de múltiplas tradições religiosas e mitológicas utilizadas pela genialidade de James Joyce.</p>
<p>“Finnegans Wake (Segunda Carta aos Romanos II)” é declamado em Igrejas e em “pagus” – “paganus” e sua evolução semântica “pagão”.</p>
<p>Eis, mais um aspecto [ou o mesmo aspecto reafirmado] do confronto tético ao qual me disponho com o autor de YHVH: A literatura se manifesta mediante as obras que saltam para além da sua cultura de origem. Afastar-se do Cânone Homérico, implica em aproximar-se do ‘corpus’ constituído pelas melhores obras canónicas de várias tradições literárias. E se o eixo é o “particular” Cânone Bíblico, aceitemos [não no sentido de revelação pessoal, mas, sim, no sentido de objeto no mundo, com potencial de atuar como causa ou efeito] as demais perspectivas canônicas – melhores e mais importantes livros doutras tradições literárias, culturais e religiosas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Seção “Posfácio”</strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesta seção, Mateus Ma’ch’adö procede com um levantamento histórico e simbológico do nome de Deus [ou D’us, como é grafado no livro]. Isso até certo ponto, como bem reconhece o próprio autor. É um posfácio. Espera-se que o texto explique ou advirta. Novamente, até certo ponto.</p>
<p>Não estou aqui, de maneira alguma, a atribuir insuficiência pura e simples ao texto elaborado pelo autor. Na verdade, ele põe, sobre a mesa da hermenêutica, dados e mais dados. O caso é que as informações, por causa da complexidade mesma, exigem do leitor uma erudição da qual não disponho.</p>
<p>E o próprio autor nos adverte:</p>
<p>Outros mistérios podem ser encontrados (revelados) através do nome de D’us; o alfabeto hebraico vai além da religião, raça, época e geografia. Todavia a compreensão humana de D’us é infinitamente limitada, tudo o que temos são pequenos vislumbres graças à misericórdia do Pai, e só podemos compreendê-lo e chegar até Ele através de Jesus Cristo. [p.109-110].</p>
<p>Eis, então, minhas modestas e, decerto, insatisfatórias considerações sobre “YHVH’, livro de poemas de Mateus Ma’ch’adö.</p>
<p>Espero, sinceramente, que desperte alguma curiosidade, algum interesse sobre a obra. Busquei, independentemente de convergir, em termos de percepção transcendente, com o autor e amigo, abordar o <em>corpus</em> desta produção literária mediante o prisma materialista operatório, levando em consideração, em maior e ou menor grau, sistemas teóricos, a forma, as alusões, a língua em que foi escrita (e as inserções idiomáticas de alta carga simbólica), o leitor em potencial, a sociedade, a história e a ideologia.</p>
<p>“YHVH” representa uma nova trilha estética, filosófica e metafísica a ser percorrida pelo poeta Mateus Ma’ch’adö. É o primeiro de uma trilogia. Será intrigante e singular segui-lo nesta peregrinação</p>
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