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	<title>Arquivo para fantasia - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>A crueldade das relações atuais para as mulheres: patriarcado disfarçado</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-crueldade-das-relacoes-atuais-para-as-mulheres-patriarcado-disfarcado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Petruska Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jun 2021 11:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quem fala em liberdade e direitos femininos na contemporaneidade não pode deixar de perceber que, em determinadas esferas da vida, esses direitos ainda não chegaram de fato. Estão mascarados por uma pseudoliberdade cedida por uma mão e retirada por outra. As relações e vínculos da sociedade líquida é muito mais cruel com as mulheres. Homens &#8230;</p>
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<p>Quem fala em liberdade e direitos femininos na contemporaneidade não pode deixar de perceber que, em determinadas esferas da vida, esses direitos ainda não chegaram de fato. Estão mascarados por uma pseudoliberdade cedida por uma mão e retirada por outra. As relações e vínculos da sociedade líquida é muito mais cruel com as mulheres.</p>
<p>Homens e mulheres possuem jeitos diferentes de ser. Não é possível pensar que os modos de funcionar sejam iguais. É fato que aquilo que construímos de feminino e masculino dentro de cada um, num modelo bissexual freudiano, existe, não contesto, mas a forma de sentir é predominantemente diferente, até por causa do processo adaptativo evolutivo &#8211; que o diga Darwin, em seu túmulo.</p>
<p>No complexo sistema patriarcal, o homem precisa se sentir detentor do maior número possível de mulheres, alcançando sua frágil masculinidade, por meio de inúmeras conquistas, mas se uma mulher ingressa neste modelo relacional e tenta se envolver com muitos homens ao mesmo tempo, caso isso seja descoberto, ela é veementemente excluída de qualquer contexto social, real ou virtual, sobretudo pelos homens e, muitas vezes, até pelas próprias mulheres, que também a julgam. Não acreditam nisso? Vamos fazer um exercício.</p>
<p>Se você é mulher, experimente conversar com pessoas que deram <em>match</em> em seu aplicativo de relacionamento, afirmando que tem uma vida sexual ativa. Prefiro não comentar as informações e depoimentos colhidos e deixar que cada uma vivencie, por si, a total presença do patriarcado atual. Agora, segundo momento: pergunte com quantas mulheres um homem se relacionou no último mês. Ou melhor, questione se ele tem vida sexual ativa. Se houver verdade, estará muito claro que existe um enorme e presente abismo entre os direitos e os espaços ocupados pelas mulheres.</p>
<figure id="attachment_40969" aria-describedby="caption-attachment-40969" style="width: 353px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-40969" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920-300x141.png" alt="" width="353" height="166" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920-300x141.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920-1024x483.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920-768x362.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920-1536x724.png 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/gender-equality-1977912_1920.png 1920w" sizes="(max-width: 353px) 100vw, 353px" /></a><figcaption id="caption-attachment-40969" class="wp-caption-text">As mulheres têm a mesma liberdade que os homens? Image: Pixabay</figcaption></figure>
<p>É interessante como em uma sociedade que se autodefine tão moderna, ainda se coloca a mulher em uma situação de submissão e alienação de vários tipos de relação ou encontro. A crença de que homem quando transa não trai, porque sua vinculação pertence somente à esposa ou à namorada funciona na mente masculina, mas não pode ser direito igual, se for a esposa quem pratica.</p>
<p>Ah, mas os homens, em sua defesa, irão dizer que mulher sente diferente. Verdade, mas então, por sentir diferente, ela tem de se submeter a uma situação de obtenção única de prazer enquanto os homens se permitem muitas – visto que prazer e amor diferem na crença e fantasia masculinas?</p>
<p>Freud e, posteriormente, Joyce McDougall, psicanalistas estudiosos da sexualidade humana, falam sobre a importância e capacidade humanas de obtenção de prazer de formas inumeráveis e saudáveis, desde que não destrua a si ou ao outro (inclusive concretamente). Se não somos machistas, por que a mulher tem de se privar desse direito? Por que ela não pode ter reconhecida sua liberdade sexual, sem ser cancelada por alguém que faz o mesmo?</p>
<p>Não é apologia à franqueza extrema, porque esta não se faz necessária. Se hoje nos encontramos nos grupos de Facebook, nos <em>directs</em> do Instagram, no Telegram e aplicativos de relacionamentos &#8211; como Tinder, Match e Par Perfeito &#8211; é porque se busca maior possibilidade de relação, independentemente de como cada um vai construir as suas. Até porque, para se encontrar alguém para namorar ou ter um relacionamento monogâmico, é necessário conhecer muitas pessoas&#8230; até achar “a certa” – se é que isso existe.</p>
<p>Mas, se observamos um pouco com um olhar crítico por debaixo desse véu social, que insiste em dizer que as mulheres têm a mesma liberdade que os homens, estaremos igualando a afirmação de que os negros são livres e não possuem sequelas estruturais que perpassam suas vidas. E por falar nisso, se for mulher e negra, o véu social é uma absurda e imensa prisão, que a exclui e amarra ao pé da cama, e exige que se prove &#8211; todo o tempo &#8211; uma pureza hipócrita e de exclusão. Lamentável ainda sermos obrigadas a viver muitos anos de uma luta futura, para tentar desconstruir formas de ser e agir que buscam aplacar as dores das almas humanas masculinas à custa da crueldade com o feminino.</p>
<p><strong>(*)</strong> Profa. Esp. <span class="il">Petruska</span> Passos Menezes é psicóloga e psicanalista, integrante do Círculo Psicanalítico de Sergipe, tem MBA em Gestão e Políticas Públicas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Gestão Estratégica de Pessoas (pela Fanese), Neuropsicologia (pela Unit) e <b>em curso</b> Gestão Empresarial pela FGV.</p>
<p><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva da autora.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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		<title>Resistir pela água: por uma literatura viva</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/resistir-pela-agua-por-uma-literatura-viva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 12:12:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O homem é um ser literário, acreditem ou não. A literatura, por sua vez, é como a água do tempo, da vida. A água que alimenta a alma humana, e também o corpo humano, que nos preenche de cor, dor, força, medo e esperança. A água, no interior da literatura, pode ser também o território, &#8230;</p>
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<div id=":15r">
<div class="btm">
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 173px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="173" height="169" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 173px) 100vw, 173px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O homem é um ser literário, acreditem ou não. A literatura, por sua vez, é como a água do tempo, da vida. A água que alimenta a alma humana, e também o corpo humano, que nos preenche de cor, dor, força, medo e esperança. A água, no interior da literatura, pode ser também o território, o habitat, o próprio espaço dos fenômenos que nos constroem. “A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante” (CANDIDO, 2011, p.182). A literatura, pois, pode representar o caos. O caos pode significar tudo. E a água, como parte integrante do todo do imaginário literário, é este deserto das coisas e também o oásis dos movimentos. A literatura, enfim, pode esboçar a paz. A literatura é o próprio mundo. A literatura é, enfim, o homem. O verso. O inverso. O reverso. De tudo. De todos.</p>
<p style="text-align: justify;">A literatura é, antes de tudo, linguagem munida de significado, como requer Pound (2006). E tudo elevado à décima potência. Sem a presença da linguagem, nada pode funcionar com plenitude, o ser humano total não é construído muito menos reconstruído, o mundo não alcança seus refinamentos racionais de existência. Sem linguagem e sem literatura, a renovação da vida não é garantida. A água, por sua vez, é também uma linguagem. Linguagem dos que ribeiram os rios da vida e da morte, colo dos amargores e fonte das saciedades mais intensas. Literatura é, também, imagem, repertório de imagens.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-chuva-de-letras.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37646 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-chuva-de-letras-240x300.jpg" alt="" width="240" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-chuva-de-letras-240x300.jpg 240w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-chuva-de-letras.jpg 400w" sizes="auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px" /></a>No livro de Luís Alberto Brandão, intitulado Chuva de Letras, e que é, juntamente com o livro Cartas do São Francisco, de Nilma Gonçalves Lacerda, matéria central do presente texto, a imagem é explorada com demasiada intensidade, tanto é que a chuva de letras na tela da televisão, que acompanha todo o desenrolar da trama e que marcam as ações e os pensamentos do protagonista, provoca fortemente o imaginário do personagem, criando inúmeras possibilidades de ideias e suposições plausíveis, fato que evidencia o poder que a imagem televisiva exerce na capacidade criadora das crianças e dos adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Há momentos, no livro Chuva de Letras, em que o receio de interagir com algum fantasma preocupa o personagem, de modo que tais imagens interferem no seu cotidiano, e ele passa a refletir sobre o que vê, tenta interpretar e procura compreender o significado de tudo que é retratado na chuva de letras reverberada na imagem televisiva propriamente dita. É possível perceber que, após essa preocupação inicial, ele se encanta com o que as imagens provocam no seu imaginário e passa a viver melhor, mais feliz, isso porque, como afirma Fittipaldi (2004, p. 103), “toda imagem tem alguma história para contar. Essa é a natureza narrativa da imagem. Suas figurações e até mesmo formas abstratas abrem espaço para o pensamento elaborar, fabular e fantasiar”.</p>
<p style="text-align: justify;">O mero fato de o protagonista se abrir ao novo o faz se sentir melhor. Sendo assim, percebe-se que tudo que o personagem contempla gera um oceano de significados, possibilitando novas maneiras de explorar a realidade e capacidade para perceber o mundo ao seu redor, a partir da fantasia e do imaginário da chuva (água) a percepção se amplia e se consolidada a construção de novos saberes. Em retorno ao inventário temático que abriu este texto, Candido (2011, p.176) retoma o conceito de literatura e o traduz relacionando-o a “todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura”. Em consonância com este refletir, há suspeitas naturais de que um mundo sem produção de significados em cadeia seria um cabal desastre, do mesmo modo que um homem que vive sem ter o devido contato com a literatura, ou com os textos de natureza literária, tornar-se-ia um impostor corpo disforme, pálido em termos de representatividade e de expressividade.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há homem sem água. Não há humanidade sem literatura. A água que é derramada em dias de chuva é o alento para o sertanejo, o fator de judiação para o favelado da grande cidade. A água esmaga o coração sofredor, assim como retira o amargo das secas. O povo é a água da literatura. A maior história de todos os mundos e tempos. “Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contacto com alguma espécie de fabulação” (CANDIDO, 2011, p.176). A literatura, pois, assim como a água, “é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade, inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente” (CANDIDO, 2011, p.177).</p>
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<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-cartas-do-sao-francisco.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37647 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-cartas-do-sao-francisco-219x300.jpg" alt="" width="219" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-cartas-do-sao-francisco-219x300.jpg 219w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-cartas-do-sao-francisco-748x1024.jpg 748w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-cartas-do-sao-francisco-768x1052.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/02/livro-cartas-do-sao-francisco.jpg 986w" sizes="auto, (max-width: 219px) 100vw, 219px" /></a>A humanização pelo fator literatura, para Candido (2011), deve ser entendida como todo processo que incute no ser humano rotas de reflexão, aquisição de saber, desenvolvimento do senso de alteridade, refinamento dos sentimentos e habilidade para enfrentamento das problemáticas do viver. Mas, por que a literatura seria tão importante para o homem? Qual o seu segredo? A literatura seria mesmo uma espécie de água, de líquido vital para a existência? No livro Cartas do São Francisco, escrito por Nilma Gonçalves Lacerda, a água figura no livro como o mote-mor da trama. A autora, fazendo um paralelo com a famosa obra do poeta alemão Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta, faz arvorar algumas unidades de cartas expressas direcionadas a um aspirante a escritor de histórias infantis e juvenis. Com sede por transmitir saberes, a autora faz um pequeno, porém apurado, apanhado do fazer literário relacionado à literatura infantil e juvenil, elencando informações tanto precisas quanto preciosas sobre tal atividade.</p>
<p style="text-align: justify;">A literatura tem desses movimentos particulares. A água já foi território para várias importantes obras universais, desde as epopeias homéricas até Moby Dick, de Herman Melville, passando por Joseph Conrad, João Guimarães Rosa e tantos outros. Em Cartas do São Francisco, o Velho Chico é a matéria que gera a fluidez do conhecimento compartilhado, tal qual um espelho d’água que reproduz as faces de todo um organismo vivo, neste caso a literatura dita infantil e juvenil. Ao mesmo tempo em que a desloca do comum convívio frente a outras disciplinas relacionadas ao saber humano, como já citado anteriormente, Barthes (2001) faz da literatura, aqui em todas as suas acepções, uma caixa de guardados, um baú capaz de zelar atemporalmente por incomensuráveis saberes. Este, para ele, é justamente o aspecto que faz da literatura um fenômeno exclusivo quando comparado às demais áreas do saber. Para o referido autor, a literatura é a própria realidade, bastião da vida em si, o que a impulsiona a estar continuamente em vantagem perante as outras formas de conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">“Cada sociedade cria as suas manifestações ficcionais, poéticas e dramáticas de acordo com os seus impulsos, as suas crenças, os seus sentimentos, as suas normas, a fim de fortalecer em cada um a presença e atuação deles” (CANDIDO, 2011, p. 177). Para a literatura, um dos principais ingredientes a ser colocado em análise quando entrada, ela, em julgamentos por sua real e definida relevância é, de longe, o potencial conjunto de ferramentas de que possui para que o irreal seja desbastado, volatilizado e até expulso do que é caracterizado como sendo propriamente humano. A literatura, portanto, ao ser o real ou parte do real, ou até mesmo a força motora e gestora de tudo que é real, termina por ser o local onde tudo se alimenta do todo, em prol do todo e semelhante ao todo.</p>

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<p style="text-align: justify;">Tendo como ponto de apoio a citação acima, há de se considerar a inestimável importância da literatura para que seja fomentada, no seio das sociedades, uma espécie de cultura letrada sobre a qual a palavra é sempre apresentada nos centros das significações e das virtudes mundanas. Por ser uma expressão artística milenar, a literatura atravessou várias fases de contemplação reflexivo-existencial e hoje é um território de proporções inestimáveis onde bailam os ventos do fator resistência. E um dos seus efeitos cruciais é a linguagem, com suas mil e uma potencialidades. Língua e literatura, portanto, não sobrevivem separadas.</p>
<p style="text-align: justify;">A Literatura, por sua vez, acaba por refletir no conjunto de suas verdades e de sua natureza universal toda a plasticidade de expressão que se vincula à linguagem. Também utilizada como ferramenta de comunicação, a literatura, embora circunscrita num contexto histórico mais recente que o da língua em si, consegue manter suas interconexões comunicativas demasiado objetivas e sem maiores afetações. Como é de se suspeitar, sem grande esforço, uma sociedade sem a presença da arte literária certamente exprimir-se-á com menor correção, nitidez e criticidade. A palavra, escrita ou lida, decerto desfruta de um poder único, largo, fator que não a limita, já que não sendo simples figurante, beira a fomentação do que é real, isto é, a natureza existencial acerca do que é realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A literatura não está parada, assim como a água de um córrego não é um corpo-objeto que possui uma forma única. Pelo contrário, ela está constantemente em trânsito, a passear por várias paragens do conhecimento humano e a pegar carona em diversos veículos de mídia num efeito dinâmico que surpreende até os mais céticos estudiosos do ramo. Em uma sociedade acostumada a reprimir seus viventes por conta de inúmeros fatores geradores de desigualdade, e que, em pleno século XXI, ainda teima em conviver com máscaras flutuantes de segregação social, de intimidação e de terror, a literatura passa a se cobrar mais, como a exigir-se de si mesma em direção ao posto ocupado pelo outro, o leitor, baseando-se para isso num complexo argumento de alteridade, fomentadora de identidades e valores impagáveis.</p>
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<p>REFERÊNCIAS</p>
<p>BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, s/d.</p>
<p>BRANDÃO, Luis Alberto. Chuva de letras. São Paulo: Scipione, 2008.</p>
<p>CANDIDO, Antonio. Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011.</p>
<p>COSSON, Rildo. Círculos de leitura e letramento literário. São Paulo: Contexto, 2014.</p>
<p>______________. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2014.</p>
<p>FRANTZ, Maria Helena Zancan. A literatura nas séries iniciais. Petrópolis: Vozes, 2011.</p>
<p>JOUVE, Vincent. A leitura. São Paulo: Editora UNESP, 2002.</p>
<p>_____________. Por que estudar literatura? São Paulo: Parábola, 2012.</p>
<p>LACERDA, Nilma Gonçalves. Cartas do São Francisco. São Paulo: Global, 2003.</p>
<p>LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 6. ed. São Paulo: Ática, 2002.</p>
<p>POUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo. Cultrix, 2006.</p>
<p>WALTY, Ivete Lara Camargos. O que é ficção. São Paulo: Brasiliense, 1986.</p>

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<div><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <a href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></div>
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<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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