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	<title>Arquivo para existencialismo - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Oct 2025 03:05:31 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Um Umbu, Um Caroço…</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/um-umbu-um-caroco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Oct 2025 10:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História de Bodega]]></category>
		<category><![CDATA[barbante]]></category>
		<category><![CDATA[Caroço]]></category>
		<category><![CDATA[existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[ficção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Léo Mittaraquis (*) &#160; “A névoa o envolvia tudo e os olhos verdes da mulher resplandeciam na escuridão&#8230; Vem&#8230;, vem&#8230;” A. Bécquer &#160; Dizem de coisa mal feita e confusa: &#8220;isso é um angu com caroço&#8221;. Mas, creiam, um caroço de umbu também pode causar perrengue e render história. Por volta das três da &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&#038;title=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/um-umbu-um-caroco/" data-a2a-title="Um Umbu, Um Caroço…"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“A névoa o envolvia tudo e os olhos verdes da mulher resplandeciam na escuridão&#8230; Vem&#8230;, vem&#8230;”</em></p>
<p style="text-align: right;">A. Bécquer</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>izem de coisa mal feita e confusa: &#8220;isso é um angu com caroço&#8221;. Mas, creiam, um caroço de umbu também pode causar perrengue e render história.</p>
<p>Por volta das três da tarde, fora eu à livraria do Pereira, pegar a obra que encomendara ao amigo e livreiro: <em>O Existencialismo é um Humanismo</em>, de Jean-Paul Sartre, pela Presença, uma notável editora portuguesa.</p>
<p>Lançamento do ano, assim considerado, assim recebido, pela comunidade acadêmica especializada e, também, por quem, pura e simplesmente, amava ler, pari passu às obras de ficção, também as ensaísticas.</p>
<p>Que mal recorde, o livro já tinha circulado por aqui, sem alarde, nos anos de 67 ou 68. Entretanto, foi redescoberto mais adiante. Afinal o existencialismo, percepção filosófica pra lá de sedutora, passara a ser referência tanto para quem lecionava filosofia, como para quem transitava, fosse aluno ou mestres, nas demais ciências humanas.</p>
<p>Na livraria, Pereira já me aguardava com o livro embalado em papel manilha, amarelado. O barbante passado em cruz e arrematado com laço firme, fazia do pacote um testemunho da maneira gentil e grave pela qual o livreiro atendia seus, como costuma dizer, &#8220;mais que seletos clientes&#8221;.</p>
<p>E pensara eu, ao receber o pacote, que cada livro assim guardado carregava não só o peso das páginas, mas também a memória de gestos que já não se veem — a paciência do nó, a firmeza do laço, a escolha de um papel que envelhece com dignidade. Como se a leitura começasse antes da abertura, num rito silencioso, lembrando que a palavra impressa não é passagem, e que todo cuidado posto no empacotar é, em verdade, um cuidado posto na alma de quem ama ler.</p>
<p>Ficáramos ainda, eu e Pereira, mais de meia hora entregues à conversa lenta, dessas que não se medem pelo tempo, mas pelo modo como se às estantes em volta, às lombadas caladas que pareciam escutar. Faláramos de livros, é certo, mas também do que se esconde entre eles: o destino dos homens, a fragilidade da memória, o consolo que só o silêncio escrito oferece.</p>
<p>Eu já ia pela Rua Cláudio Fagundes, batizada, dissera-se, em honra a um jurista de mão firme e olhar severo, ao perceber que o leve peso do livro ainda me acompanhava, discreto, como se insistisse em lembrar que certas leituras tornam-se bússolas.</p>
<p>O sol caíra oblíquo sobre os paralelepípedos, e um murmúrio distante, indefinível, parecera oferecer um fundo quase musical aos meus passos lentos, e à memória da conversa com Pereira, ainda viva como se cada palavra tivesse deixado uma marca indelével no ar.</p>
<p>Tomara a travessa Gerenciano Moncíllio, pela esquerda, em direção à bodega. As pedras irregulares do caminho refletiram luz mortiça do entardecer, o vento trouxeram cheiro distante de carvão, pão recém-assado. Cada passo parecera prolongar o tempo, como se a própria rua tivesse memória e guardasse lembranças de passos antigos. Ao dobrar a esquina, avistara a placa envelhecida da bodega, balançando suavemente. Sons de risos e vozes me convidavam a entrar, deixando para trás o resto do mundo.</p>
<p>Na Bodega, além do próprio Adeodato, encontrara Sileno, que trabalhava na borracharia, e Terêncio, gerente da fábrica de tecidos. Sentados à mesa, compartilhavam uma garrafa achatada de Rosé do Porto Mateus, pedaços de tripa frita, linguiça da casa, pão com manteiga, num ritual íntimo e, já na época, tido como muito antigo.</p>
<p>O riso surgira fácil entre eles, a conversa correra solta, e eu a observar, a compreender que camaradagem e comida simples carregavam, juntos, certa solenidade — uma pequena celebração da vida cotidiana, ali, entre paredes gastas e prateleiras cheias de garrafas, caixas e histórias.</p>
<p>Juntara-me a eles, puxando a cadeira que rangeu como se protestasse contra mais uma confidência a ser escutada. Adeodato me serviu um copo sem perguntar o que eu queria, como quem conhece de antemão a sede do outro. Sileno, com as mãos ainda manchadas de graxa, contava histórias de estrada, e Terêncio, sempre elegante no falar, intercalava observações sobre a fábrica e sobre a vida: entendia cada uma como parte essencial do estar no mundo.</p>
<p>Ambiente, na época, tipicamente masculino, feito de vozes graves, de tilintar dos copos grossos, do silêncio cúmplice que se instaurava entre uma história e outra. A mesa era território de disputas sutis, onde cada palavra trazia o peso de uma experiência vivida e o desejo de afirmar presença.</p>
<p>Mas não significava confronto. Não havia pressa: o tempo parecia alongar-se na fumaça dos cigarros e no ritmo lento dos copos esvaziados. Foi quando uma voz feminina a cantar se fez ouvir&#8230;</p>
<p>Uma voz suave e inesperada, atravessara o ar úmido e gorduroso, e se fizera clareira entre os homens. A conversa cessara, todos, eu inclusive, partilharam do mesmo sobressalto.</p>
<p>Eis que se materializa, na porta da bodega, Jussara, vendedora de umbu, cesto enorme na cabeça, vestido simples abaixo dos joelhos. Os verdes olhos dela, vivos e atentos, percorreram a sala, medindo olhares e gestos.</p>
<p>Não era uma desconhecida, porém, nunca houver, antes, pendido para aquelas bandas. Costumara oferecer sua mercadoria pelas ruas próximas e na praça. E raramente àquela hora da tarde.</p>
<p>Terêncio, um pouco refeito, mas ainda a tartamudear, a inquira quanto a isso. Ela meio que se explicara, ao dizer que viera visitar velha amiga de sua mãe.</p>
<p>Num gesto ágil desceu o cesto até o piso, feito de canga de minério. No curvar-se farto e arfante decote inundou visão ávida. Enquanto isso, Sileno já saltara da cadeira, atacara o cesto e enchera mão com frutos da &#8220;árvore sagrada do sertão&#8221;, como bem denominara Euclides da Cunha, que repousavam como joias agrestes: verdes e dourados. Lançara um na boca sem deixar de mirar outros frutos, aqueles proibidos, semiocultos. Uma explosão de ácido frescor envolvera língua e palato. A salivar, Sileno visara mais um alvo, boca de Jussara a sorrir perfeitamente.</p>
<p>Essa conjunção de fatores inopinados fizera com que o pobre coitado se esquecesse de que ainda aninhava o caroço na boca, o qual, de súbito, escapara para trás e obstruíra a goela.</p>
<p>Sileno lançara ao ar som gutural.</p>
<p>Mãos à garganta, num gesto desesperado.</p>
<p>Copo tombou, espalhando vinho sobre a mesa.</p>
<p>Nos erguemos todos, por um momento atônitos, mas logo o abraçamos por trás e forçamos, num abraço firme, a expulsão do caroço.</p>
<p>Um silêncio denso pairou, quebrado apenas pela tosse rouca de Sileno. Repentina gargalhada de Jussara foi contraponto. Devolvemo-lhe expressões de desaprovação e censura. Foi o bastante para que erguesse cesto, pusesse sobre rodilha já arrumada sobre a cabeça, e partisse em silêncio.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Um encontro furtivo em um final de tarde quente</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/um-encontro-furtivo-em-um-final-de-tarde-quente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2025 20:01:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[conversas]]></category>
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		<category><![CDATA[existencialismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Maranhão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Há dias, em reunião com amigos, em um final de tarde quente e alaranjado, típico da Ilha do Amor, na companhia de pessoas queridas, atualizamos a conversa, colocamos o papo em dia. Todos ávidos para falar, tínhamos ótimas histórias para contar. Alguns havia tempos que não se &#8230;</p>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á dias, em reunião com amigos, em um final de tarde quente e alaranjado, típico da Ilha do Amor, na companhia de pessoas queridas, atualizamos a conversa, colocamos o papo em dia.</p>
<p>Todos ávidos para falar, tínhamos ótimas histórias para contar. Alguns havia tempos que não se viam, pois, por trabalho ou separação foram morar longe.</p>
<p>Marcamos e desmarcamos o encontro diversas vezes por causa dos afazeres prementes. Andamos sempre assoberbados, corridos. Finalmente o encontro saiu, e refastelados em torno de uma mesa de bar de praia, regada a muitas geladas, a conversa fluiu sobre os mais diferentes assuntos.</p>
<p>O tempo — esse senhor indomável, que segue seu curso sem prestar contas a ninguém — se encarrega de levar tudo para a frente; a memória, que teima em nos trazer de volta, nos reconectamos com o passado. Coisas e pessoas que fazem parte de cada um de nós foram revisitadas.</p>
<p>Tempos corridos. Na vã tentativa de não ficar para trás, muita gente corre em direção a lugar nenhum. A pressa está sendo romantizada como sinônimo de produtividade, mas é só mais um disfarce para a desconexão.</p>
<p>Quando tudo precisa ser feito de forma rápida, nada é feito com atenção.</p>
<p>Comer correndo, conversar olhando o celular, ouvir sem escutar, viver sem estar no aqui e agora. A correria, quase sempre, promete sucesso, mas só entrega ansiedade. O agora virou um obstáculo a ser superado, e saber que temos que fazer algumas coisas com calma é o grande desafio.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-91163 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62-169x300.png" alt="Proibido celular" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-62.png 1080w" sizes="(max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a>Ao chegar ao bar, fizemos um pacto: todos deveriam desligar os aparelhos celulares, e focar apenas no momento presente e nas conversas.</p>
<p>Lembramos de amigos queridos que partiram antes de nós, deixando saudades e boas memórias. Falamos de amores que nos marcaram, coisa de meio século passado. Recordamos como era namorar naquela época, tempo em que ao observar roupas estendidas no varal, como calçolas, sutiãs e camisolas, imaginávamos os enchimentos, pensando nos belos corpos femininos tão desejados.</p>
<p>Alguém relembrou as serenatas para conquistar as moças e irritar os pais.</p>
<p>Um amigo, recém-solteiro, falou de como mudou a conquista. Hoje, as pretendentes se apresentam pelas redes sociais. Com um catálogo à sua disposição, as opções mostram seus perfis: fotografias, altura, número de filhos, se bebem e fumam, se praticam esportes, além dos gostos e outras características. Segundo ele, já conheceu doze moças. Algumas bem jovens, outras coroas, todas querendo relacionamento sério, enquanto ele, de volta à pista, só quer conhecer novas mulheres. Está descobrindo as delícias dos novos tempos. Agora, é apenas um “ficante”.</p>
<p>Outro falou das dificuldades em se adaptar aos tempos atuais. Em um mundo cada vez mais tecnológico, tudo agora é por aplicativo. Até a ida ao caixa do banco para fazer saques e pagar contas mudou, tudo é pago por pix.</p>
<p>Essa turma é da época em que só existiam duas marcas de cerveja: Brahma e Antártica. Quem gostava de uma era fiel à marca, e não se brigava por isso. Hoje, com a multiplicidade de marcas, fica até difícil escolher cerveja. Segundo o filósofo francês Jean-Paul Sartre, é justamente por sermos conscientes de estarmos presos à liberdade que desenvolvemos a responsabilidade. Assim, a partir do existencialismo de Sartre, podemos afirmar que vivemos cotidiana e constantemente em crises existenciais, algumas destas crises pelas opções de ofertas, que tem impacto maior em nossa existência.</p>
<p>Após muita conversa, muitos sorrisos, momentos de relaxar, é hora de pedir a conta e marcar outro encontro para quando todos tiverem um tempo para flanar e filosofar sobre a vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
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