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	<title>Arquivo para existência - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 02 Aug 2026 01:30:11 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 09:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[afilhada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion Sobral (*) &#160; À minha afilhada Celine Querida Celi, &#160; Recebi anteontem, de teus pais, a notícia mais doce que poderia ter-me sido dada nos últimos tempos: serei teu padrinho de Batismo. Ainda ressoa em mim aquele instante, singelo, breve, despretensioso e, no entanto, repleto de emoção e imenso o bastante &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/antes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine/">Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&amp;linkname=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fantes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine%2F&#038;title=Antes%C2%A0%C2%A0que%20teus%20olhos%20contemplassem%20o%20mundo%3A%20um%20breve%20ensaio%20sobre%20o%20Batismo%2C%20o%20of%C3%ADcio%20do%20padrinho%20e%20uma%20carta%20a%20Celine" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/antes-que-teus-olhos-contemplassem-o-mundo-um-breve-ensaio-sobre-o-batismo-o-oficio-do-padrinho-e-uma-carta-a-celine/" data-a2a-title="Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Hernan Centurion Sobral (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>À minha afilhada Celine</p>
<p>Querida Celi,</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">R</span>ecebi anteontem, de teus pais, a notícia mais doce que poderia ter-me sido dada nos últimos tempos: serei teu padrinho de Batismo. Ainda ressoa em mim aquele instante, singelo, breve, despretensioso e, no entanto, repleto de emoção e imenso o bastante para reorganizar, de uma só vez, toda a arquitetura interior de qualquer homem cristão.</p>
<p>Existem acontecimentos cuja verdadeira dimensão somente se revela quando contemplados à distância, pois, enquanto os vivemos “no automático”, parecem apenas mais um entre tantos episódios que compõem a nossa história. Contudo, ao analisarmos com atenção, descobrimos que jamais foram fatos isolados, senão desdobramentos de um projeto infinitamente maior que nós mesmos. A Providência possui beleza e sabedoria, uma vez que não costuma impor-se por intermédio do estardalhaço ou da algazarra dos grandes espetáculos. Ao contrário, prefere o silêncio e a discrição. Aproxima pessoas sem que compreendam a razão dos encontros; amadurece afetos antes mesmo que estes reconheçam a própria intimidade; entrelaça destinos aparentemente independentes e, somente depois de muitos anos, permite-nos perceber que, desde o princípio, nenhuma página daquela história esteve fora de Suas preciosas mãos.</p>
<p>Foi justamente essa convicção que inundou meu ser quando teus pais confiaram-me a sublime missão de ser teu padrinho. Confesso-te que não experimentei apenas a alegria natural de quem recebe um gesto de carinho e confiança. Houve, logo após, um silencioso recolhimento interior, semelhante àquele que experimentamos diante das realidades verdadeiramente sagradas. Há notícias que despertam entusiasmo; outras, entretanto, convidam-nos à contemplação, porque não pertencem apenas ao universo das decisões humanas, mas ao insondável mistério do propósito. Desde aquele instante, compreendi que não me era oferecida apenas uma honra; não obstante, era-me confiada uma responsabilidade que transcende o tempo, alcança a eternidade e somente encontra pleno sentido à luz da fé cristã.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Sempre que costumeiramente faço quando volto ao meu “eu” e começo a escrever, procurei compreender a origem da palavra que me foi lançada. Vou agora ensinar-te tua primeira lição de Português: o termo <strong><b>padrinho</b></strong>, derivado do latim <em><i>patrinus</i></em>, pai espiritual, jamais designou simples figura meramente protocolar destinada a participar de mais uma celebração familiar. Desde os primórdios da Igreja, indicava aquele que, por intermédio do próprio testemunho, auxiliaria os pais na condução espiritual do filho, não lhe competindo substituir a autoridade paterna, porém partilhando com ela a mais elevada das responsabilidades da nossa existência, ou seja, recordar continuamente a uma alma recém-nascida que sua verdadeira morada jamais será encontrada apenas neste mundo em que ora eu e teus pais habitamos. Não por acaso, a tradição cristã sempre compreendeu que um padrinho não é escolhido para uma cerimônia, todavia é chamado para uma caminhada.</p>

			</div></div>
<p>Essa reflexão conduziu-me, inevitavelmente, ao memorável diálogo entre Cristo e Nicodemos em João 3: 4-8, quando Jesus afirma que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Este evangelho não descreve apenas um rito sacramental, todavia revela uma nova antropologia, isto é, até então, o homem antigo se definia por aquilo que recebia ou herdava de sua linhagem consanguínea, sem jamais escolher seu destino. O apóstolo amado narra que não basta nascer pela carne, é preciso renascer pelo Espírito, revelando, pois, que a identidade mais profunda do homem não repousa naquilo que sua origem lhe impôs, porém no que a graça lhe oferece livremente, tornando filho de Deus aquele que, até então, era apenas filho dos homens, ou seja, um oferece-nos a vida recebida de nossos pais e o outro comunica-nos aquela recebida do próprio Deus. A água que um dia pairou sob o Espírito na criação, que abriu caminho para Israel entre as muralhas do Mar Vermelho, que santificou as margens do Jordão ao tocar a humanidade do próprio Cristo, continua, ainda hoje, a escorrer silenciosamente sobre a fronte de cada criança, não como simples símbolo de purificação, mas sim como sinal visível de uma graça invisível. O Pai Celeste jamais espera o Batismo para amar alguém, uma vez que o Batismo apenas revela ao mundo um Amor que jamais conheceu o princípio.</p>
<p>E por falar de princípio, foi então que minha memória empoeirada regressou no tempo, para muitos anos atrás, quando conheci tua mãe vivenciando a infância que lhe iluminava o olhar e o futuro permanecia inteiramente aberto. Vi-a crescer, amadurecer, descobrir a vocação para a Medicina, construir uma família, fortalecer sua fé e tornar-se uma mulher tão admirável que hoje tenho a alegria de poder chamar de irmã caçula.</p>
<p>Também tua chegada me permitiu compreender, sob nova perspectiva, a amizade construída com teu pai. A Medicina e os projetos profissionais aproximaram-nos, o prazer em viajar fortaleceu nossa convivência e até mesmo nossa obstinada fidelidade ao Vasco da Gama — essa curiosa “escola de perseverança” que tantas vezes ensina mais sobre esperança do que propriamente sobre futebol — tornou a caminhada mais aprazível. Não obstante, olhando retrospectivamente, percebo que nenhuma dessas circunstâncias explica verdadeiramente nossa amizade, posto que eram somente fios de uma tapeçaria, cujo desenho Deus já contemplava muito antes de qualquer um de nós e que, discretamente, no centro dela, estavas tu.</p>
<p>Ainda não contemplamos teu sorriso, não ouvimos tua voz, desconhecemos o brilho dos teus olhos, entretanto tua existência já modificou aqueles que te cercam. Existe um paradoxo encantador nas crianças que repousam no ventre materno, pois, embora absolutamente dependentes, tornam-se capazes de transformar adultos experientes; mesmo ainda incapazes de pronunciar uma palavra, começam a ensiná-los; ainda que não caminhem, já conduzem famílias inteiras para mais perto de Deus. Talvez por isso Cristo tenha colocado uma criança diante de Seus discípulos, quando desejou revelar-lhes a verdadeira grandeza d’alma. Os pequenos infantes recordam aos grandes adultos aquilo que a vida, por vezes, insiste em fazê-los esquecer, ou seja, que toda existência é dom divino, toda esperança nasce da confiança Nele e somente os corações puros e mansos permanecem suficientemente livres para reconhecer Deus quando Ele passa.</p>
<p>Escrevo-te estas palavras sem conhecer a mulher em quem te tornarás. Ignoro quais serão teus sonhos, tuas alegrias, teus receios ou mesmo as cruzes que inevitavelmente visitarão tua jornada. A experiência da Medicina ensinou-me que nenhuma existência humana atravessa o tempo sem feridas; já a fé, contudo, revelou-me algo infinitamente mais consolador: que nenhuma ferida cicatriza e permanece estéril sem ser tratada pelas mãos de Deus. Por isso, não poderia esperar que o Senhor te preserve de todo sofrimento (seria desejar-te uma condição incompatível com a necessidade da natureza humana), mas suplico-Lhe que jamais permita que qualquer dor obscureça, em teu coração, a certeza de que és infinitamente amada. Se um dia essa convicção permanecer inabalável, descobrirás que todas as demais respostas encontrarão, cedo ou tarde, o seu devido sentido.</p>
<p>Talvez esperes, um dia, grandes ensinamentos daquele que hoje te escreve; quem sabe? Os meus 47 anos de vida convenceram-me de que os discursos mais eloquentes dificilmente transformam alguém, mas as atitudes e os exemplos, sim! Por essa razão, eu não consiguirei oferecer-te respostas para todas as perguntas que surgirão ao longo da tua existência, tampouco impedir que experimentes as inevitáveis vicissitudes da condição humana. Prometo permanecer ao teu lado enquanto Deus me conceder esse privilégio, rezar por ti quando já não souberes ou puderes rezar e recordar-te, sempre que necessário, que tua dignidade jamais dependerá daquilo que possuis, da profissão que exercerás ou do reconhecimento que receberes dos homens, não obstante, exclusivamente, do fato de seres filha Daquele que te pensou desde toda a eternidade.</p>
<p>Permite-me, por fim, uma última revelação. Durante muito tempo imaginei que padrinhos fossem escolhidos para conduzir seus afilhados ao encontro de Cristo. Creio que não seja tão bem assim. Quiçá seja Cristo quem coloque uma criança nos braços de um padrinho, para recordar-lhe o caminho de volta até Ele, visto que, enquanto imaginamos ensinar a fé aos pequenos, são eles que restauram, sem perceber, a pureza da nossa própria fé. Ao passo que acreditamos conduzi-los ao Céu, descobrimos que são eles que, silenciosamente, nos conduzem.</p>
<p>Assim, quando um dia a água do Batismo tocar tua fronte e teu nome ecoar pela primeira vez entre as paredes da Igreja, muitos acreditarão assistir, tão somente, ao início de tua vida cristã. Teu padrinho, entretanto, guardará outra certeza: que este sublime momento representará, também, uma revelação de que Deus já caminhava contigo há muito tempo e preparava tua família, teus afetos, teus encontros e até mesmo este velho padrinho – tão desejoso de ter sido pai biológico de uma menina e que hoje escreve estas linhas tortas – muito antes que qualquer um de nós pudesse imaginar tua existência. Se, muitos anos depois, esta carta sobreviver ao tempo e vier repousar novamente nas tuas mãos, desejo que conserves apenas uma única verdade: de que, bem antes que teus olhos contemplassem o mundo, Deus já contemplava teu futuro, muito antes que teu nome fosse pronunciado por teus pais, Ele já o conhecia desde toda a eternidade e, antes mesmo que eu compreendesse a grandeza da missão que me era confiada, o Senhor já escrevia, silenciosamente, esta história que agora apenas tenho o privilégio de narrar.</p>
<p>Destarte, finalizo com a esperança de que um dia possamos conversar ainda mais sobre estas histórias, já não como padrinho e afilhada, mas como dois amigos e peregrinos que, sustentados pela mesma graça recebida nas águas do Batismo, caminham confiantes em direção à Casa do Pai.</p>
<p>Com amor, de teu tio e dindo, Hernán</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
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		<title>A Atenção: a mais valiosa moeda da vida</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alex Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 09:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[atenção]]></category>
		<category><![CDATA[caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[construir]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Alex Andrade Santana (*) Em um tempo em que tudo parece urgente, rápido e descartável, talvez estejamos nos esquecendo daquilo que sustenta as relações humanas e fortalece os laços que unem a família, a amizade e a própria Maçonaria: a atenção. Uma breve reflexão atribuída ao Papa Francisco nos oferece uma poderosa lição de &#8230;</p>
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<p data-section-id="f6mm25" data-start="0" data-end="41">Por Alex Andrade Santana (*)</p>
</blockquote>
<p data-start="43" data-end="262"><span class="dropcap ">E</span>m um tempo em que tudo parece urgente, rápido e descartável, talvez estejamos nos esquecendo daquilo que sustenta as relações humanas e fortalece os laços que unem a família, a amizade e a própria Maçonaria: a atenção.</p>
<p data-start="264" data-end="356">Uma breve reflexão atribuída ao Papa Francisco nos oferece uma poderosa lição de humanidade:</p>
<p data-start="264" data-end="356"><div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;" data-start="360" data-end="538">“Os rios não bebem sua própria água.<br data-start="396" data-end="399" />As árvores não comem dos seus próprios frutos.<br data-start="447" data-end="450" />O sol não brilha para si mesmo.<br data-start="483" data-end="486" />E as flores não espalham sua fragrância para si.</p>
<p style="text-align: center;" data-start="545" data-end="592">Viver para os outros é uma regra da natureza.</p>
<p style="text-align: center;" data-start="599" data-end="715">A vida é boa quando estamos felizes…<br data-start="635" data-end="638" />mas ela é muito melhor<br data-start="662" data-end="665" />quando os outros estão felizes por nossa causa.”</p>
<p data-start="599" data-end="715">
			</div></div>
<p data-start="717" data-end="987">Há, nessas palavras, um ensinamento profundamente alinhado à essência maçônica. Afinal, o verdadeiro iniciado compreende que a existência humana só alcança sentido pleno quando conseguimos ser úteis ao próximo, quando conseguimos iluminar caminhos além do nosso próprio.</p>
<p data-start="989" data-end="1011">Mas como fazemos isso?</p>
<p data-start="1013" data-end="1096">Existem muitas formas de servir. Muitas formas de amar. Muitas formas de construir.</p>
<p data-start="1098" data-end="1156">Entretanto, talvez a maior de todas seja oferecer a atenção.</p>
<p data-start="1098" data-end="1156"><div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p data-start="1158" data-end="1387"><strong>A atenção</strong> é uma moeda invisível, mas extremamente poderosa. Porque tudo aquilo a que damos atenção cresce dentro de nós. A atenção leva consigo nosso tempo, nossa energia, nossa presença e, sobretudo, parte da nossa própria vida.</p>
<p data-start="1158" data-end="1387">
			</div></div>
<p data-start="1389" data-end="1515">Aquilo que ignoramos parece deixar de existir. O que não observamos não entra na consciência, não floresce, não se transforma.</p>
<p data-start="1517" data-end="1719">Por isso, quando damos atenção a uma amizade, ela se fortalece. Quando damos atenção à família, criamos vínculos mais sólidos. Quando damos atenção aos princípios maçônicos, tornamo-nos homens melhores.</p>
<p data-start="1721" data-end="1751">Também é assim dentro da Loja.</p>
<p data-start="1753" data-end="2079">Uma oficina não se fortalece apenas pela ritualística impecável ou pela beleza de suas colunas. Ela cresce quando os irmãos verdadeiramente se enxergam. Quando um percebe o silêncio do outro. Quando alguém visita o irmão enfermo. Quando se acolhe a família daquele que partiu para o Oriente Eterno. Quando há presença sincera.</p>
<p data-start="2081" data-end="2118">Sem atenção, não existe fraternidade.</p>
<p data-start="2120" data-end="2364">E talvez um dos grandes males do nosso tempo seja justamente a ausência dela. Temos pessoas lado a lado, mas emocionalmente distantes. Famílias reunidas, porém desconectadas. Relações que não acabam por falta de amor, mas por falta de presença.</p>
<p data-start="2366" data-end="2415">Vivemos repetindo diariamente:<br />
“Não tenho tempo.”</p>
<blockquote>
<p data-start="2417" data-end="2539">Não tenho tempo para ouvir.<br />
Não tenho tempo para visitar.<br />
Não tenho tempo para ligar.<br />
Não tenho tempo para estar presente.</p>
</blockquote>
<p data-start="2541" data-end="2571">Mas será mesmo falta de tempo?</p>
<p data-start="2573" data-end="2599">Ou seria falta de atenção?</p>
<p data-start="2601" data-end="2794">Porque o tempo é igual para todos. As mesmas vinte e quatro horas visitam igualmente ricos e pobres, sábios e ignorantes, líderes e liderados. O que muda é onde decidimos colocar nossa atenção.</p>
<p data-start="2796" data-end="2886">E aí reside uma profunda verdade iniciática: onde está nossa atenção, ali está nossa vida.</p>
<p data-start="2888" data-end="3142">Se damos atenção apenas às aparências, tornamo-nos vaidosos e inseguros. Se alimentamos excessivamente os problemas, eles crescem diante de nós. Mas quando voltamos nossa atenção para a solução, para o bem e para a luz, abrimos caminhos antes invisíveis.</p>
<p data-start="3144" data-end="3364">A Maçonaria sempre ensinou que o homem deve aprender a trabalhar sua pedra bruta. Porém, esse trabalho interior exige presença consciente. Exige olhar atento sobre si mesmo e sobre os outros. Exige escuta. Exige cuidado.</p>
<p data-start="3366" data-end="3398">Porque amar não é apenas sentir.</p>
<p data-start="3400" data-end="3423">Amar é prestar atenção.</p>
<p data-start="3425" data-end="3583">E no final da caminhada, talvez descubramos que o verdadeiro patrimônio da vida não foram os bens acumulados, os títulos conquistados ou as posições ocupadas.</p>
<p data-start="3585" data-end="3611">Serão os momentos vividos.</p>
<blockquote>
<p data-start="3613" data-end="3727">As palavras ouvidas.<br />
Os abraços dados.<br />
As visitas feitas.<br />
Os irmãos acolhidos.<br />
As presenças que fizeram diferença.</p>
</blockquote>
<p data-start="3729" data-end="3758">Ao final, não faltarão horas.</p>
<p data-start="3760" data-end="3803">Faltarão momentos que escolhemos não viver.</p>
<p data-start="3805" data-end="3829">E fica então a reflexão:</p>
<p data-start="3805" data-end="3829"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p data-start="3831" data-end="3855"><strong>Onde está a sua atenção?</strong></p>
<p data-start="3831" data-end="3855">
			</div></div>
<p data-start="3857" data-end="3906">Porque onde está a sua atenção…</p>
<p data-start="3908" data-end="3924">Está o seu tempo. Está a sua vida. E está o seu coração.</p>
<p data-start="3926" data-end="3947" data-is-last-node="" data-is-only-node="">
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida%2F&amp;linkname=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%3A%20a%20mais%20valiosa%20moeda%20da%20vida" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida%2F&amp;linkname=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%3A%20a%20mais%20valiosa%20moeda%20da%20vida" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida%2F&amp;linkname=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%3A%20a%20mais%20valiosa%20moeda%20da%20vida" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida%2F&amp;linkname=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%3A%20a%20mais%20valiosa%20moeda%20da%20vida" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida%2F&#038;title=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%3A%20a%20mais%20valiosa%20moeda%20da%20vida" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida/" data-a2a-title="A Atenção: a mais valiosa moeda da vida"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-atencao-a-mais-valiosa-moeda-da-vida/">A Atenção: a mais valiosa moeda da vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Codex Vitae</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/codex-vitae/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tacio Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 May 2025 09:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[amostragem]]></category>
		<category><![CDATA[breve]]></category>
		<category><![CDATA[Codex Vitae]]></category>
		<category><![CDATA[controle]]></category>
		<category><![CDATA[destino]]></category>
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		<category><![CDATA[pretérito]]></category>
		<category><![CDATA[quimera]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Tácio Brito (*) As mudanças são um assunto recorrente em meus escritos, considero esse tema meu “motivo artístico”. Codex Vitae é um texto que considero minha masterpiece¹ (ousado dizer isso, não é mesmo?), pois ele sintetiza  bem a maneira como eu penso e crio ligações metafóricas sobre campos diferentes do conhecimento. Postei-o em meu &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcodex-vitae%2F&amp;linkname=Codex%20Vitae" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcodex-vitae%2F&amp;linkname=Codex%20Vitae" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcodex-vitae%2F&amp;linkname=Codex%20Vitae" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcodex-vitae%2F&amp;linkname=Codex%20Vitae" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcodex-vitae%2F&#038;title=Codex%20Vitae" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/codex-vitae/" data-a2a-title="Codex Vitae"></a></p><blockquote>
<p data-selectable-paragraph="">Por Tácio Brito (*)</p>
</blockquote>
<p id="b1e7" class="pw-post-body-paragraph lq lr fq ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" data-selectable-paragraph=""><span class="dropcap ">A</span>s mudanças são um assunto recorrente em meus escritos, considero esse tema meu “motivo artístico”.</p>
<p id="7c97" class="pw-post-body-paragraph lq lr fq ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" data-selectable-paragraph="">Codex Vitae é um texto que considero minha masterpiece¹ (ousado dizer isso, não é mesmo?), pois ele sintetiza  bem a maneira como eu penso e crio ligações metafóricas sobre campos diferentes do conhecimento. Postei-o em meu <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tumblr" target="_blank" rel="noopener">tumblr</a></span> numa época que eu estava passando por novas experiências das quais estava tendo muito prazer em vivenciar.</p>
<p data-selectable-paragraph="">Espero que este texto te traga reflexões tão boas quanto as que tive quando o escrevi.</p>
<p data-selectable-paragraph=""><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p class="pw-post-body-paragraph lq lr fq ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" data-selectable-paragraph="">A vida é uma grande incógnita numa complicada equação. Nós humanos gostamos de alimentar a deliciosa quimera de que a controlamos em todos os seus aspectos. Acreditamos que podemos submetê-la a nossas conjecturas como um número inteiro, ignorando a sua natureza caótica, que em sua mais ínfima amostragem nos interpela com nada menos que uma grande sobreposição quântica de emoções, caminhos e novas jornadas.</p>
<p class="pw-post-body-paragraph lq lr fq ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" data-selectable-paragraph="">Em minha breve vida até aqui, de todos os efeitos que já enunciamos enquanto humanidade, certamente o efeito borboleta seja o conceito que melhor se encaixa em minha vida. &#8220;O bater de asas de uma borboleta na América do Sul desencadeia um tufão no Japão.&#8221; É nessa grande metáfora conceitual que tem seguido a minha vida, uma vez que momentos mínimos acionam engrenagens intrincadas cada vez maiores, resultando em alterações que rompem o núcleo do que defino como sendo meu “controle do destino” tal qual faz um próton superernegizado contra o cerne de um átomo durante a reação da fissão nuclear.</p>
<p id="5a92" class="lq lr nf ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Olho para meu passado e vejo um outro alguém. Enxergo esse eu pretérito com a curiosidade de uma criança na singeleza de constantes descobertas sobre os fenômenos que me conduziram até aqui. Cada pessoa que conheci, cada escolha que fiz, cada lágrima que derramei nessa historiografia solitária me parece um enorme códex² sobre o qual me debruço tentando descobrir os próximos passos ou os segredos que esse aspecto caótico me oculta.</p>
<p id="37b2" class="lq lr nf ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Tem sido uma grande aventura, uma nova descoberta todos os dias. O futuro, que tanto temia, tornou-se uma deliciosa canção de loucura tocada em acordes furiosos de Paganini. A única coisa que sinto desta melodia é a vontade imperiosa de dançá-la, sentir no âmago da minha existência.</p>
<p id="6009" class="lq lr nf ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">Outrora pensei que eu era pequeno, irrisório e pouco importante quando diante da imensidão avassaladora do universo, mas do pouco que já consegui desbravar desse Codex Vitae é que “o bater das asas de uma borboleta provoca tufões”.</p>
<p id="541c" class="lq lr nf ls b lt lu lv lw lx ly lz ma mb mc md me mf mg mh mi mj mk ml mm mn fj bj" style="text-align: left;" data-selectable-paragraph="">O que me aguarda? Eu não faço ideia. Mas estou pronto para vivenciar!</p>
<p data-selectable-paragraph="">
			</div></div>
<p data-selectable-paragraph="">
<p data-selectable-paragraph="">____________________</p>
<p data-selectable-paragraph="">¹obra de arte.</p>
<p data-selectable-paragraph="">²manuscrito anterior à invenção da imprensa e organizado de forma semelhante à de um livro.</p>
<p data-selectable-paragraph="">
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			</item>
		<item>
		<title>Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Nov 2020 10:47:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
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		<category><![CDATA[autora]]></category>
		<category><![CDATA[D'Or]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Casmurro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>                                                                                               “Tento mergulhar, os olhos me impedem”.     &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&#038;title=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/" data-a2a-title="Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri"></a></p><figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 127px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="127" height="124" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="(max-width: 127px) 100vw, 127px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><em>                                                                                               “Tento mergulhar, os olhos me impedem”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>                                                                                                              (Malu, em Mosaico de Rancores)</em></p>
<p style="text-align: justify;">A literatura é uma espécie de ferida, cuja dor é sentida na pele pelo sujeito-leitor, um dos principais elementos de ativação dos sentidos das palavras. Chagas invadem os olhos de quem ousa ler as páginas de um bom livro. É assim, simplesmente. Do bem e do mal, para aquém ou para além, uma força nada qualquer. Para sempre, nódoas ficarão. Na alma, nos olhos. Literatura. Arrebol de sangue e pulso. Víveres. E a literatura de Márcia Barbieri, mais especificamente em seu MOSAICO DE RANCORES (Terracota, 2013), é mais uma boa demonstração viva do que venho a tratar aqui nestas minhas impressões. A obra é um bruto recorte metafórico em prosa acerca de sentimentos bastante humanos, obtido prioritariamente a partir das visões da personagem Malu, que, cega de ciúmes por Lúcio, altera toda uma órbita existencial em prol de um alucinante arremate de ódio e amor ao convívio interpessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ultimamente é para isso que me servem as palavras, para estancar meu sangue pisado”, fraseia Malu em uma das passagens do livro, personagem que na obra em si funciona como um <em>narrador não confiável</em>, termo cunhado em meados do século XX pelo crítico literário estadunidense Wayne C. Booth para designar a presença de um narrador &#8211; no caso de Mosaico de Rancores, uma personagem-narradora &#8211; sem credibilidade ou com sua legitimidade argumentativa comprometida. Como manda o figurino para tal efetivação de recurso, o elemento literário que narra apresenta-se em primeira pessoa. Ao contrário do que possa parecer, não há uma maior aproximação do leitor perante a obra por conta disso, mas sim um brando afastamento. Este tipo de narrador torna tudo questionável. A verdade torna-se uma calamidade, quase uma imposição. Chega-se ao ponto de não acreditar em nenhuma das personagens que transpassam o livro. E tudo se mostra inquieto.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo fato de toda a realidade exposta na obra de Barbieri caber-se isolada em vários pontos e entender-se distorcida em essência e até propositalmente, à semelhança do que acontece em Dom Casmurro, de Machado de Assis e, também, em Lolita, de Vladimir Nabokov, o leitor, pois, vê-se automaticamente inserido num vasto e vago e largo mistério em minúcias. E mistérios não são fáceis de desvendar. Com uma prosa muito poética, que é, antes de tudo, uma extensão de diálogo com o que há de mais primitivo no ser humano, Barbieri supera a mera escrita formal para expor o que quase sempre fica retido nas campânulas do Homem. E que, por tanto escondermos, dores, angústias, máculas, infernos, enxergamos romper daí várias formas de cegueira, até aquela que insistimos em não querer ver, como em moldes de ditado popular, a dizer de um rio a brotar “incoerente nas veias de um cardíaco”. Um mosaico de situações que corroboram alusões à <em>menipeia</em>, já que há no livro um jogo que enovela o cômico e o trágico, o livre linguajar e o conceito filosófico, o sagrado e o universal, misturados à loucura, à impressão da morte e ao sonho. <em>Prosimetrum</em> em monólogos: diálogos internos com a própria imagem. Narciso bem presente.</p>
<figure id="attachment_34732" aria-describedby="caption-attachment-34732" style="width: 206px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-34732" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-200x300.jpg" alt="" width="206" height="309" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-200x300.jpg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-681x1024.jpg 681w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-768x1154.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-1022x1536.jpg 1022w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores.jpg 1105w" sizes="(max-width: 206px) 100vw, 206px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34732" class="wp-caption-text">Capa de Mosaico de Rancores</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">“O amor é assim, arrumação de camas, ruas sem saída, novelos de uma Ariadne perdida no labirinto”. A primeira parte do livro MOSAICO DE RANORES, intitulada de OLHOS DE CÃO, é uma espécie de introdução ao desconhecido – ou aos desconhecidos da alma da personagem Malu, aparentemente uma mulher sem controle sobre seus próprios sentimentos e sentidos. Uma mulher cujo alfabeto é lido e pronunciado através do olhar e da visão. “Tenho centenas de olhos cobrindo meu corpo e nenhum deles é capaz de prever a verdade”, expira Malu. Uma mulher que, aparentemente, espelha seus parcos momentos de felicidade e gozo na figura de Lúcio, seu par, fotógrafo e amante dos jardins de delícias da vida. Malu é Sísifo, condenada ao absurdo de viver a tarefa sem sentido da vida. A pedra parece sempre rolar sobre seus ombros. A pedra Lúcio? Lúcio não é também a própria Malu? Para Malu, “o desconhecido é uma puta oferecida” e ela crê “apenas na condição do poço”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal qual Tirésias, em vaticínio edipiano, Malu parece somente encontrar a felicidade nos instantes em que não enxerga absolutamente nada. Então, abrir os olhos já significaria sofrer. Correndo “em disparada em direção ao descaminho”, a jovem Malu amargura-se ao ser presenteada por Deus não com um, mas com dois buracos negros em si. É o que ela pensa. Castigo? Por qual motivo? Querer a presença de Lúcio seria a razão legal de tanto sofrimento? Mas sentir que agora os “desejos rastejam feito cobras mansas, sem veneno”, não seria aporte para as suas mais recentes e apoteóticas condutas? Quem pode falar por Malu a não ser ela mesma? Quem é Lúcio aos olhos cegos de Malu? Por estar só, ou aparentar estar assim, Malu sente a morte, que “não sente o cheiro das flores nem vê a empáfia dos urubus”. A morte é um ser dissonante e “mil órbitas me observam”, pensa. “A morte avança em progressão geométrica”. Malu está cercada. Por quem?</p>
<p style="text-align: justify;">Caronte e sua barca, o morto e sua moeda na boca, Cérbero, Estige, o estranho da foice, todos presentes. Malu parece narrar, ao longo de toda a primeira parte de Mosaico de Rancores, o ritual de sua própria morte, mesmo quando vida. “A morte dói, mas a vida são agulhas torturando as pontas dos dedos”, retruca. E nisso tudo, o leitor a ver navios fica, também perseguido pela suposta loucura de Malu. Tudo cinde. Malu é Mnemósine, mas não quer ser memória, não deseja tê-la. Memória é pavor, agrura, memória é morte, é dor. Malu, para quem até os fantasmas são providos de carne e para quem a dor é inerente à carne&#8230; A carne que é mais símbolo de morte do que de vida, propriamente. E para quem Lúcio é muitas vezes a encarnação viva da morte, da sua morte. Diária ou eventual, mas a sua morte em particular. O leitor também se encarna. E vive a sandice metafórica da jovem. De novo, a dualidade vida X morte. A vida parece ser menor, pois “a morte é mais excitante, são cavalos vermelhos e selvagens”. A morte, assim como a vida, escondida por debaixo de panos coloridos. Enfim, Malu cria Nepente, a bebida do esquecer. Consegue?</p>
<p style="text-align: justify;">MOSAICO DE RANCORES é mais que simplesmente um título que versa sobre o ciúme, tão bruscamente retratado por Malu, que vocifera aos brados que “a dor dos ciúmes que eu esmago todas as noites entre meus dedos” é a sua diária oração, “uma queda brusca de estrelas”. Ao mesmo tempo em que se mostra indiferente ao mundo que a cerca, Malu representa a desobediência, o desordenamento. A desobediência de quem é deveras coerente com aquilo que pensa, apesar de tudo. “Tudo está enquadrado em uma foto que não posso ver”. E lembrar se torna insuportável. Mas o que faz com que Malu se sinta tão cega, a ponto de enxergar que seus fantasmas são assim, tão palpáveis, concretos e reais? Estar cego é ver demais? O que explica tão avessa disparidade?</p>
<p style="text-align: justify;">“Olhos parados, sem expressão, olhos de pouco ver”. Seria Lúcio a des-visão de Malu, o ver-pouco e/ou o excesso? Lúcio, “o fotógrafo de mil poses”, é um sujeito até certo ponto maltratado pela mente “diabólica” de Malu, que despeja todos os seus ranços na provável conduta promíscua de seu parceiro. Lúcio é um alguém sem sangue se comparado a Malu, corpo distante e alma de incertezas. Na primeira parte do livro, Lúcio é também boa parcela da memória de Malu, cuja vida se dá numa explosão de inquéritos. Um elemento que não está sempre presente, que some, que volta, que é impermanente e que quando volta é pego pelos braços-aranha de Malu. “Lúcio pensa que sou idiota, que não percebo suas estratégias de fuga. Poderia voltar correndo, entrar naquele estúdio e picar todas aquelas fotos indecentes”, verbaliza Malu. “O que posso fazer? Me fingir de idiota como a maioria? Fingir que sou cega?”, complementa num capítulo adiante. Lúcio parece sempre estar fugindo, apesar de sempre estar por perto. “Eu tinha certeza do seu sumiço e agora ele aparece dono de mim e eu procuro os pedaços que me roubaram”. Malu convive com as fugas de Lúcio, no sempre, pois “há vários labirintos entre o Gênesis e o Apocalipse”. Malu não aceita. Malu não aceita?</p>
<p style="text-align: justify;">“E cada pedaço de mim cavalga em tigres selvagens”. E a cada regresso de Lúcio, uma pausa. Uma Malu que também retorna. Malu o ama, não há dúvidas. Não. Há dúvidas! <em>Dubito, ergo cogito, ergo sum</em>. “Amá-lo é mergulhar com os bolsos cheios de pedras num rio verde e calmo, onde descansam libélulas e fantasmas de Virginia Woolf”. Por tudo o que lhe acomete, Malu diz cometer vários suicídios todos os dias. Seu corpo está enferrujado, não consegue mais “mastigar com ternura a singularidade das coisas”. O tempo a massacra. O ciúme, em determinado ponto, parece-lhe inútil. A tristeza, até ela!, parece se ausentar. Joga-se ao alcance de todos e não há quem a agarre. Uma queda eterna. Malu cai diante de si mesma, várias, incontáveis vezes, em luta incessante contra o amor, entidade que “traz restos de outras carnes, gosto de outras almas, salivas espessas de outras bocas, cascos galopantes de outras mãos”. Por isso, traiçoeiro. Malu é também o retrato de quem ama.</p>
<p style="text-align: justify;">“A cegueira me fez forte, me fez perversa. Tateio os seios da multidão. Retiro as vísceras do dia, nada sobra”. O amor de Lúcio a machuca. Malu é somente abismos. Olhos sempre abertos. Olhos de peixe. Luiz surge. Uma pequena redenção. Malu-Capitu? Quem trai quem? Big Bang. Malu se perde? Quem se perde? Há humanidade no amor, e na paixão? Um estrangeiro no leito. Vingança? Malu arrefece? Malu incendeia? Malu duvida. Malu testa a si mesma. Malu sofre com a conclusão de René Descartes. Cogito, cogito, cogito&#8230; Quem é Malu, afinal? A que ama Lúcio, a que não ama ninguém? A que ama a todos? Malu finge. Malu pode ser o disfarce perfeito. Trafica-se. Traficante de amor. Uma luta contra Deus. Renasce. “Erva daninha”. Malu é a imagem do pai. Seio de mais-morte. Um ponto de interrogação. Aliás, “tudo que pulsa presume a dor da existência”. Quando Malu gesta sua morte?</p>
<p style="text-align: justify;">“Malu precisa aprender a lidar com a realidade, está tão acostumada a manipular seus fantasmas que se esqueceu da consistência porosa da carne humana. Das dentadas que deixam marcas sobre a pele. Dos tombos, dos joelhos ralados, dos tapas no meio da cara. Dessa loucura cotidiana que arromba nosso esfíncter”. Na segunda parte do livro, intitulada de CLAREIRAS, Lúcio provoca: “Malu nunca será feliz. Precisamos ser medianos pra conseguir a felicidade e ela tem dificuldade em simplificar as coisas. Épica. Começa as narrativas pelo fim, percorre as entrelinhas e se perde. Nunca sabemos o início de suas histórias”. Lúcio é a morte. Malu é a vida, contorcida, imprevisível. Não se pode domar a vida, este mosaico. De rancores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Cinco perguntas sobre o MOSAICO DE RANCORES:</strong></p>
<figure id="attachment_34733" aria-describedby="caption-attachment-34733" style="width: 218px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-34733" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri-162x300.jpg" alt="" width="218" height="404" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri-162x300.jpg 162w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri.jpg 517w" sizes="(max-width: 218px) 100vw, 218px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34733" class="wp-caption-text">Márcia Barbieri e sua cria</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Xavier &#8211;</strong> Em seu livro Mosaico de Rancores, os passos da narrativa são marcados de dois modos diferentes, ora como uma construção de metáforas nada brandas sobre a vida ora como a voz irascível e tempestuosa das personagens Malu e Lúcio sobre a inaptidão perante a possibilidade do convívio. De que modo a cegueira dos dois, em seus tons passionais e demasiado humanos, ultrapassa o enredo e desemboca no leitor como sendo uma ferida de todos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Márcia Barbieri &#8211;</strong> <em>De certo modo, a narrativa foi escrita pensando na inaptidão dos homens viverem em comunhão, da monstruosidade dos relacionamentos&#8230; é extremamente difícil conviver com alguém, cada indivíduo é uma singularidade, um cosmos. Além disso, o outro me parece um espelho mórbido, sempre reflete nossos piores defeitos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> A impressão é a de que todos os personagens no livro são cegos, por motivos díspares e semelhantes ao mesmo tempo. O amor é grosseiro, o ciúme é delator, o sexo é artifício, a dor é mansidão. Ao final, é a morte quem amamenta a vida ou é o contrário?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB – </strong><em>Imagino que seja a morte que amamenta a vida porque sempre nos pautamos e contabilizamos a vida a partir da ideia que temos da morte.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> Curiosidade vaga. Como surgiu a ideia do livro? E como se deu o seu processo de escrita?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Não posso negar que a ideia inicial se deu pela minha própria inadequação em relação aos relacionamentos amorosos, assim como minha inaptidão para entender o sentimento de posse. O livro foi escrito de forma bem lenta, porque eu estava mais acostumada às narrativas curtas, quase desisti de terminá-lo, depois de um tempo voltei a ele e finalizei.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> “Tudo que pulsa presume a dor da existência”, frase presente no “rancor” número 92 do livro. Dizem que toda experiência humana fornece subsídios literários, Barbieri. Você concorda? O inverso é também verdadeiro?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Concordo plenamente, a vida serve de subsídio para a arte, assim como a arte serve de inspiração à vida.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> Referências inúmeras a poetas, escritores, pintores, cineastas e artistas em geral estão expostas nas páginas de Mosaico de Rancores. Parece-me que tal recurso ajuda a engrossar o caldo de contemporaneidade da obra em questão, Márcia. Isso se justifica? Qual a sua visão sobre este ponto?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Não acredito em ideia genuína, somos o tempo inteiro influenciados por outros artistas, tanto clássicos quanto contemporâneos. No “Mosaico de Rancores” queria mostrar com quais artistas dialogava.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> Muito além de Malu, Lúcio e Luiz, Elenir e o pai de Malu muito me intrigaram. Qual a importância destes personagens para o todo do Mosaico?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Elenir é um papel bem secundário, Luiz era importante para mostrar as fraquezas do relacionamento de Malu e Lúcio, e o pai de Malu era importante para evidenciar o quanto nos equivocamos ao longo do tempo&#8230; Temos olhos viciados.</em></p>
<p><strong>
			</div></div></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>,</span> cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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