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	<title>Arquivo para exímio - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Das sendas históricas &#8211; algumas de minhas memórias com o Prof. Dr. Francisco José Alves (in memoriam)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 12:59:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Eu não tive o privilégio de ter sido seu aluno, como muitos o foram. Quando eu cheguei à Universidade Federal de Sergipe, em 1992, para cursar Licenciatura em História, ele estava afastado para concluir o seu Mestrado em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UNB. &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/das-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam/">Das sendas históricas &#8211; algumas de minhas memórias com o Prof. Dr. Francisco José Alves (in memoriam)</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdas-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam%2F&amp;linkname=Das%20sendas%20hist%C3%B3ricas%20%E2%80%93%20algumas%20de%20minhas%20mem%C3%B3rias%20com%20o%20Prof.%20Dr.%20Francisco%20Jos%C3%A9%20Alves%20%28in%20memoriam%29" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdas-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam%2F&amp;linkname=Das%20sendas%20hist%C3%B3ricas%20%E2%80%93%20algumas%20de%20minhas%20mem%C3%B3rias%20com%20o%20Prof.%20Dr.%20Francisco%20Jos%C3%A9%20Alves%20%28in%20memoriam%29" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdas-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam%2F&amp;linkname=Das%20sendas%20hist%C3%B3ricas%20%E2%80%93%20algumas%20de%20minhas%20mem%C3%B3rias%20com%20o%20Prof.%20Dr.%20Francisco%20Jos%C3%A9%20Alves%20%28in%20memoriam%29" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdas-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam%2F&amp;linkname=Das%20sendas%20hist%C3%B3ricas%20%E2%80%93%20algumas%20de%20minhas%20mem%C3%B3rias%20com%20o%20Prof.%20Dr.%20Francisco%20Jos%C3%A9%20Alves%20%28in%20memoriam%29" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdas-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam%2F&#038;title=Das%20sendas%20hist%C3%B3ricas%20%E2%80%93%20algumas%20de%20minhas%20mem%C3%B3rias%20com%20o%20Prof.%20Dr.%20Francisco%20Jos%C3%A9%20Alves%20%28in%20memoriam%29" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/das-sendas-historicas-algumas-de-minhas-memorias-com-o-prof-dr-francisco-jose-alves-in-memoriam/" data-a2a-title="Das sendas históricas – algumas de minhas memórias com o Prof. Dr. Francisco José Alves (in memoriam)"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>u não tive o privilégio de ter sido seu aluno, como muitos o foram. Quando eu cheguei à Universidade Federal de Sergipe, em 1992, para cursar Licenciatura em História, ele estava afastado para concluir o seu Mestrado em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UNB.</p>
<p>Embora o conhecesse de nome e de fama de exímio professor e pesquisador, meu primeiro contato com ele só se deu no dia 27 de abril de 2007, na Faculdade José Augusto Vieira, quando o professor Samuel Barros de Medeiros Albuquerque, então professor da disciplina História de Sergipe, o convidou para proferir uma palestra intitulada “Fontes para História de Sergipe Colonial”. À época, fiz as honras de coordenador do curso de Licenciatura em História daquela instituição, que funcionava em Lagarto.</p>
<p>Depois disso, nos reencontramos, enfim, na Universidade Federal de Sergipe e no Departamento de História (DHI), em março de 2009. Não mais como aluno, <span style="color: #000000;">mas como professor na disciplina História, Cultura e Ensino de História.</span> Meu começo com ele, nessa nova realidade de vida e profissional, teve tudo para ser o pior possível, não fosse a primeira qualidade que passei a admirar nele: a honestidade a todo custo.</p>
<p>Digo isso, porque eu havia feito concurso para o Campus de Laranjeiras, no qual fui aprovado em terceiro lugar, atrás dos meus atuais colegas do Departamento de História, Janaína Mello e Samuel Albuquerque. Ambos foram chamados para aquele campus e eu fiquei na expectativa de vir a ser convocado para qualquer instituição de nível superior do país, dada a validade de dois anos do concurso público.</p>
<p>Eis que, por aquela época, havia um outro concurso em andamento no Departamento de História, e a única candidata resolveu assumir uma vaga na Universidade Federal da Bahia. Diante do ocorrido, alguns professores do DHI, a exemplo de Luís Eduardo Pina e Antonio Lindvaldo Souza, entendiam que se deveria aproveitar a vaga do meu concurso. A questão foi levada à reunião do conselho e aprovada, salvo pelo voto do professor Francisco, que preferiu se abster.</p>
<p>Em minha primeira semana na UFS, ele fez questão de ir à minha sala e me dizer algo nesses termos, com seu jeito todo peculiar de se expressar, lembrando aqueles intelectuais da literatura e do cinema: “<em><i>Caro colega, seja bem-vindo! Antes que o envenenem contra mim, devo lhe dizer que o meu voto de abstenção foi de longe de ordem pessoal contra você</i></em>”. Esclarecendo, em seguida, os reais motivos.</p>
<figure id="attachment_93010" aria-describedby="caption-attachment-93010" style="width: 1032px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-083919.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-93010 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-083919.png" alt="Visita técnica em Laranjeiras" width="1032" height="658" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-083919.png 1032w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-083919-300x191.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-083919-1024x653.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-083919-768x490.png 768w" sizes="(max-width: 1032px) 100vw, 1032px" /></a><figcaption id="caption-attachment-93010" class="wp-caption-text">Visita técnica em Laranjeiras</figcaption></figure>
<p>Naquele primeiro semestre de 2009, no dia 20 de junho, o convidei para acompanhar a minha primeira turma de História e Patrimônio Cultural em uma visita técnica à cidade histórica de Laranjeiras. Na oportunidade, ele nos brindou com uma palestra sobre a igreja de Comandaroba, a qual gravei em vídeo — um depoimento dele a respeito do local.</p>
<p>Nunca fui íntimo ou amigo de Francisco; seria hipócrita dizer isso. De alguma forma, eu o temia, pois ele era uma pessoa difícil, e o era porque foi muito altivo em suas posturas pedagógicas, no âmbito da política departamental (que me incomoda até hoje) e também ideológicas. Mas, consegui conviver com ele com muita tranquilidade e adquirir dele respeito e fidalguia, como demonstram algumas situações que faço questão de registrar a seguir.</p>
<p>A primeira delas foi um mimo, na verdade um gesto simples, mas, ao mesmo tempo, grandioso: levar à minha sala uma réplica em miniatura, feita de barro, da Igreja de Comandaroba, em Laranjeiras.</p>
<figure id="attachment_93011" aria-describedby="caption-attachment-93011" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-084059.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-93011" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-084059-300x275.png" alt="Réplica da Igreja de Comandaroba" width="300" height="275" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-084059-300x275.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Captura-de-tela-2025-09-05-084059.png 630w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-93011" class="wp-caption-text">Réplica da Igreja de Comandaroba</figcaption></figure>
<p>A primeira delas foi um mimo, na verdade um gesto simples, mas, ao mesmo tempo, grandioso: levar à minha sala uma réplica em miniatura, feita de barro, da Igreja de Comandaroba, em Laranjeiras. Na oportunidade, disse-me: “<em><i>Caro colega, eis que lhe passo o bastão, como meu apre</i></em><em><i>ç</i></em><em><i>o por seu trabalho e dedicação professoral ao Patrimônio Cultural Sergipano</i></em>”. Detalhe: aquele objeto havia sido um presente que alunos lhe dera. Cheguei a fazer um registro fotográfico daquele momento, mas, como se diz no popular “procurei a morrer” e não encontrei. Na ausência deste, segue outro mimo que conservo com carinho em meu acervo pessoal, na minha biblioteca em Lagarto.</p>
<p>Mais tarde, em outra oportunidade, ele se encontrou comigo no corredor do DHI e me disse: “<em><i>Quero que saiba algo e não se envaideça ou fique se achando com isso – quando me reúno com alguns </i></em><em><i>d</i></em><em><i>e meus alunos para tecer críticas aos nossos colegas, você é o único que escapa</i></em>”. Em seguida, deu uma gostosa gargalhada e voltando a ficar sério, reiterou: “<em><i>Olhe, meu rapaz, estou falando a verdade, até porque não tenho razões para encher a sua bola</i></em>”.</p>
<p>Por fim, quando da publicação de minha tese de doutorado em História, pela UFPE, em 2016. Mais uma vez, foi à minha sala e me disse: “<em><i>Li o seu livro</i></em>”. Confesso que tremi nas bases na ocasião. Pensei comigo: “<em><i>Vai me descascar todinho</i></em>” (risos). Para minha surpresa, disse-me na sequência: “<em><i>Sabedor que você é católico praticante, ao passo que lia eu procurava encontrar um crente ou até mesmo um devoto de São Benedito, mas só encontrei um historiador”</i></em>. Respirei aliviado e sorri. Mas, não se dando por satisfeito e sendo o velho Francisco, crítico de sempre, saltou-me com esta: “<em><i>Por outro lado, não encontrei a Festa de São Benedito, pois você f</i></em><em><i>o</i></em><em><i>cou mais nos padres, perdendo uma boa oportunidade de explorar melhor a religiosidade popular</i></em>”.</p>
<p>Afora tudo isso, mais duas coisas importantes e marcantes. Nas reuniões do DHI, tensas como sempre, fazia questão de sentar-se ao meu lado, ensaiando comigo as conhecidas falas polêmicas que ele levava para o conselho, para insatisfação de muitos e delírios de alguns poucos, dado o legalismo com que discutia as nossas demandas departamentais, mas também as de ensino e pesquisa, esta última sempre alvo de suas preocupações e ponderações. Lamentava-se, vez ou outra, do encerramento das atividades do Programa de Documentação e Pesquisa Histórica (PDPH) e da extinção da nossa Revista de História.</p>
<p>Por fim, a atenção, os conselhos e o cuidado que teve comigo durante minha curta passagem como chefe do Departamento de História. Ele me ligava quase diariamente para saber se eu estava bem e se estava firme no propósito de ser timoneiro do DHI.  Quando renunciei à chefia, mergulhado num quadro de ansiedade que até hoje trato, ele me disse, recordando seu xará São Francisco: “<em><i>Se não lhe dá paz, não é de Deus</i></em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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