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	<title>Arquivo para Ditadura - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>O último romântico do jornalismo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-ultimo-romantico-do-jornalismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 12:24:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Não sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-ultimo-romantico-do-jornalismo%2F&amp;linkname=O%20%C3%BAltimo%20rom%C3%A2ntico%20do%20jornalismo" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-ultimo-romantico-do-jornalismo%2F&amp;linkname=O%20%C3%BAltimo%20rom%C3%A2ntico%20do%20jornalismo" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-ultimo-romantico-do-jornalismo%2F&amp;linkname=O%20%C3%BAltimo%20rom%C3%A2ntico%20do%20jornalismo" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-ultimo-romantico-do-jornalismo%2F&amp;linkname=O%20%C3%BAltimo%20rom%C3%A2ntico%20do%20jornalismo" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-ultimo-romantico-do-jornalismo%2F&#038;title=O%20%C3%BAltimo%20rom%C3%A2ntico%20do%20jornalismo" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-ultimo-romantico-do-jornalismo/" data-a2a-title="O último romântico do jornalismo"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>ão sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de Manchete, Fatos e Fotos, Capricho, Amiga, Contigo e as famosas Seleções de Reader’s Digest. Antigamente, edições da semana anterior eram vendidas sem o frontispício da marca por um valor muito abaixo do exibido na capa. Foi na Fatos e Fotos que tive o privilégio de ler semanalmente as colunas de Nelson Rodrigues e de Carlos Castelo Branco. Pouco depois, já iniciado na juventude, me acostumei a ler jornais e, quando ingressei na UFS para estudar Engenharia Química, me tornei um fã do irreverente semanário Pasquim.</p>
<p>O Pasquim não foi o único, mas era o principal veículo da imprensa alternativa que desafiava a ditadura e, em termos de mídia impressa, um contumaz crítico da imprensa corporativa careta e covarde, os jornalões Folha, Globo, Estadão e outros. Aqui mesmo tivemos a inusitada experiência da Folha da Praia, liderada por Amaral Cavalcante, onde batuquei minhas primeiras mal traçadas linhas em letra impressa. Foi lendo dois dos muitos grandes jornalistas do Pasquim que aprendi a escrever, se é que aprendi.</p>
<p>Dos jornalistas que mais me influenciaram, destacam-se o brilhante Tarso de Castro e o touro indomável Fausto Wolff. O terceiro foi, sem dúvidas, o alagoano-sergipano Fernando Sávio. E um quarto, Charles Bukowski, este da literatura, mas uma literatura tão carregada de realismo que parecia saltar das páginas dos jornais.  As 569 páginas de “A mão esquerda de Deus” constituem um esboço de autobiografia de Fausto Wolff, gaúcho de Santo Ângelo, misto de brigão e playboy, um homenzarrão de quase dois metros, tão valente quanto propenso a se derramar em lágrimas diante do sofrimento de uma criança. Sempre ligado à esquerda, exilado durante a ditadura militar e brizolista quando voltou ao país após a anistia, Wolff carregava em si as dores do mundo.</p>
<figure id="attachment_96488" aria-describedby="caption-attachment-96488" style="width: 218px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-96488" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda-210x300.jpeg" alt="Livro A mão esquerda, de Fausto Wolff" width="218" height="311" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda-210x300.jpeg 210w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda.jpeg 214w" sizes="(max-width: 218px) 100vw, 218px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96488" class="wp-caption-text">Livro A mão esquerda, de Fausto Wolff</figcaption></figure>
<p>Em <em>A mão esquerda</em>&#8230; ele, como é típico nesses casos, se refugia em nomes fictícios para proteger pessoas reais, ele próprio escondido na alcunha de Percival von Traurigzeit, o Pérsio, um paralelo claro com seu nome de batismo, Faustin von Wolffenbüttel, transformado no polêmico e explosivo Fausto. O livro é um vai e vem no tempo e na história de uma família que, garante Fausto, tem origem em príncipes aristocráticos da Alemanha do século XIV. Conhecendo o personagem autor, é possível que aí esteja um dos momentos em que o texto é pura ficção. Ou não. Das remotas origens em guerras sangrentas entre povos bárbaros, chega-se aos imigrantes que aportaram no Rio Grande do Sul no século XIX, onde a família que um dia foi nobre e rica inicia uma saga de muito trabalho e luta contra a pobreza.</p>
<p>No Rio do Pasquim e dos jornais e revistas por onde passou, Wolff passeia pelas dezenas, quiçá centenas de lindas mulheres que foram parar em sua cama, algumas socialites ricas fascinadas por um jornalista romântico e sem tostão. Em certo momento ele proclama: “tudo que tenho são um punhado de livros e algumas roupas”. E certamente foi assim durante toda a sua vida, desde os trepidantes anos na Dinamarca, onde teve mulheres e fez uma filha, até os últimos dias, quando morreu no Rio de Janeiro, em 2008, aos 68 anos, vítima de uma hemorragia digestiva, não por acaso relacionada com os anos de muito uísque, chope e cigarros. Além do excelente jornalista que foi, crítico mordaz dos colegas mais apaixonados pelos patrões do que pela causa do jornalismo, foi também um escritor de peças teatrais e vários romances, dentre eles <em>Sandra na terra do antes</em>, escrito para resgatar as saudades da infância da primeira filha, nascida no Brasil.</p>
<p>Como jornalista, ele tem outro livro bastante lido nos anos de 1980: <em>Os palestinos: judeus da 3ª Guerra Mundial</em>, onde traça um paralelo entre a perseguição e exílio sofridos historicamente pelo povo judeu e a condição dos palestinos, vítimas do Estado sionista desde que este foi criado, em 1948, passando pela Guerra dos Seis Dias, em 1967, pela nova guerra do Yon Kippur, 1973, o massacre dos assentamentos de Sabra e Chatila, em 1982, até chegar aos horripilantes dias que correm em Gaza.</p>
<p>As farras, amores e a bebida em fartura talvez tenham sido o modo encontrado por um gigante de olhos azuis que nunca suportou as injustiças, fazendo daqueles expedientes sua válvula de escape. Como seu colega Tarso de Castro, também gaúcho e de texto ainda mais cáustico, Fausto Wolff encarnava um jornalismo cujo autor misturava-se com sua obra, o chamado jornalismo gonzo, assumidamente subjetivo e livre dessa bobagem chamada objetividade. Depois de Fausto, não houve mais ninguém que encarnasse esse personagem no jornalismo brasileiro.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Trecho</p>
<blockquote><p>“O mulherio adorava o John, o mais moço da turma, uma espécie de Babe Face Nelson, que quando não estava conosco, andava com um pessoal mais barra pesada. Ele achava que amava Isla pela simples razão de ela não ligar para ele, e ela, certamente, não ligava para ele porque ela a amava. Para os filósofos estoicos, a dialética era uma disciplina de lógica formal, Kant complicou mais as coisas quando expôs a dialética como uma tentativa de entender o que não se pode experimentar, Hegel identificou a dialética como um resultado de dois aspectos negativos de uma mesma questão, Marx e Engels adaptaram a dialética ao materialismo histórico, mas nunca, jamais, em tempo ou dimensão alguma, alguém poderá entender o conflito dialético entre a buceta e o coração de uma mulher”.</p></blockquote>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>8/1: julgamento dos atos golpistas foi marco histórico para o país</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/8-1-julgamento-dos-atos-golpistas-foi-marco-historico-para-o-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2026 12:01:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Os julgamentos de civis e militares acusados pela trama de golpe de Estado que culminaram em 8 de janeiro de 2023, representam um marco histórico para o Brasil. E a responsabilização daqueles que tiveram participação, tanto nos atos como em seu planejamento, representa, segundo juristas e historiadores, algo relevante para a retomada da democracia, &#8230;</p>
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<p>Os julgamentos de civis e militares acusados pela trama de golpe de Estado que culminaram em 8 de janeiro de 2023, representam um marco histórico para o Brasil. E a responsabilização daqueles que tiveram participação, tanto nos atos como em seu planejamento, representa, segundo juristas e historiadores, algo relevante para a retomada da democracia, em um país com uma história tão repleta de golpes.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1674439&amp;o=node" /><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1674439&amp;o=node" /></p>
<p>Historiador da Universidade de Brasília (UnB), o professor Mateus Gamba Torres avalia o julgamento de golpistas como algo inédito na história do Brasil, país repleto não apenas de tentativas, mas de golpes efetivos contra o Estado Democrático de Direito.</p>
<p><strong>Segundo o professor, existe uma questão de prática política e jurídica na república brasileira, no sentido de absolver tentativas ou efetivações de golpes de Estado.</strong> Em muitos casos, lembra o historiador, “nem a julgamento os golpistas foram”.</p>
<p>De acordo com Mateus Gamba, o recente processo contra aqueles que atentaram contra a democracia do país representa, portanto, a quebra de uma prática histórica, política e jurídica, em um país com longo histórico de rompimentos institucionais.</p>
<p>“Tentativas de golpe na história brasileira são realmente muito comuns, e vêm desde a fundação da nossa República, o que, inclusive, foi também um golpe de Estado, em 15 de novembro de 1889”, disse o professor da UnB.</p>
<p>Desde então, acrescenta, os militares brasileiros “se arvoram no direito de, quando consideram necessário, intervir na vida política do país”.</p>
<p><strong>“Fazem isso como se fossem um poder moderador; um pêndulo da República. Só que nunca houve, na legislação brasileira, qualquer tipo de deliberação para isso”, diz.</strong></p>
<h2>Marco histórico</h2>
<p>Criminalista e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, Fernando Hideo diz não ter dúvida de que o julgamento daqueles que planejaram e executaram os atos golpistas culminados no 8 de janeiro de 2023 representa um marco histórico para o país.</p>
<p><strong>Segundo o jurista, ao julgar civis e militares envolvidos na trama golpista, o Brasil rompeu a tradição histórica de impunidade seletiva que sempre acompanhou os episódios autoritários no país.</strong></p>
<p>“Pela primeira vez, de forma clara e institucional, o Estado brasileiro enfrentou uma tentativa organizada de ruptura democrática. Sem concessões corporativas, sem anistias prévias e sem pactos de esquecimento”, diz o professor.</p>
<p>Ele reitera a posição do historiador Mateus Gamba, no sentido de que o Brasil é um país marcado por golpes, quarteladas e transições negociadas. <strong>“Mas esse julgamento afirmou algo essencial: a democracia não é apenas um discurso, mas um regime protegido pela Constituição Federal e pelas instituições”, afirmou Hideo.</strong></p>
<h2>Ditadura militar</h2>
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<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 365px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" title="Gabriel/Divulgação" src="https://imagens.ebc.com.br/GmiDZxK-PThgM7olrVXxCgWZtKw=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/01/07/especial_08_de_janeiro01.jpg?itok=ocfYYwpw" alt="Brasília (DF), 07/01/2026 – Lenio Sterck - Especial 8 de janeiro ato golpista.Foto: Gabriel/Divulgação" width="365" height="510" /><figcaption class="wp-caption-text">Jurista Lenio Sterck. Foto: Gabriel/Divulgação</figcaption></figure>
</div>
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<div class="meta">O constitucionalista e professor de Direito Constitucional da Unisinos Lenio Streck lembra que “não faz muito que o Brasil passou por uma ditadura militar”, acrescentando que, em termos históricos, 30 ou 40 anos é um tempo bem curto.</div>
<div></div>
<div>“Nosso país já contabiliza 14 golpes e tentativas de golpes desde a implantação da República. A grande questão agora é ver se sabemos interpretar o passado, compreendê-lo e, assim, olhar para o futuro”, acrescenta.</div>
</div>
</div>
<p><strong>Aprender com a História é exatamente a expertise de Gamba Torres, pesquisador que desenvolveu diversos trabalhos sobre ditaduras civis e militares.</strong></p>
<p>“A gente sabe que, quando os militares intervieram, nunca foi pelo bem do Brasil. Seria muito ingênuo dizer que isso teria sido feito pelo bem do Brasil. É apenas discurso. Não é nem foi pelo bem do Brasil, nem pelo bem da pátria”, afirma o historiador.</p>
<p><strong>“Na verdade, todo golpe dado no Brasil foi para impedir uma mudança necessária de algum tipo de governo, como foi o caso agora após serem derrotados nas eleições”, explica, referindo-se ao pleito que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente pela terceira vez.</strong></p>
<p>O resultado do julgamento que condenou civis e militares pela tentativa de golpe fortaleceu, segundo o historiador, as instituições brasileiras, além de mostrar que autoridades ou simples cidadãos que atentam contra a democracia serão punidos.</p>
<blockquote><p>“A importância de a gente levar militares e civis aos tribunais é justamente para mostrar que ninguém está acima da Constituição. Seja ex-presidente, seja general, ministro ou alguém que tenha muito poder, ninguém pode atentar contra a Constituição”, disse à <strong>Agência Brasil</strong> o professor da UnB.</p></blockquote>
<h2>Responsabilização</h2>
<p>Para o criminalista Fernando Hideo, a responsabilização dessas pessoas que “tentaram subverter a ordem democrática e depor um governo legitimamente eleito” é algo que reafirma dois pilares democráticos fundamentais: a igualdade perante a lei e a submissão das Forças Armadas ao poder civil, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito.</p>
<p>“Quando agentes armados, financiadores, articuladores políticos e executores materiais respondem judicialmente por seus atos, o sistema jurídico envia uma mensagem inequívoca, de que rupturas institucionais não são divergências políticas. São crimes contra a democracia”, avalia.</p>
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<div class="dnd-atom-rendered">
<figure style="width: 365px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" title="Marcos Silva/Divulgação" src="https://imagens.ebc.com.br/r_74qknlDDkbrZKlCpYPHB8Q1Sk=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/01/07/especial_08_de_janeiro02.jpg?itok=QuzcI4yn" alt="Brasília (DF), 07/01/2026 – Fernando Hideo, criminalista - Especial 8 de janeiro ato golpista.Foto: Marcos Silva/Divulgação" width="365" height="376" /><figcaption class="wp-caption-text">Criminalista Fernando Hideo. Foto: Marcos Silva/Divulgação</figcaption></figure>
</div>
<div class="dnd-caption-wrapper">
<div class="meta"><strong>Ele acrescenta que, ao levar adiante esses julgamentos, o Estado brasileiro “rompeu com a tradição de impunidade que sempre acompanhou ataques à ordem democrática, além de afirmar, de modo claro, que cargos, patentes, influência política ou poder econômico não funcionam como escudos contra a responsabilização”.</strong></div>
</div>
</div>
<p>“Talvez o ponto mais importante seja compreender que esses julgamentos não são movidos por vingança, mas por memória institucional, responsabilidade e compromisso com o futuro”, complementou ao lembrar que democracias não vivem apenas de eleições, mas sobrevivem e se fortalecem quando reagem institucionalmente a tentativas de ruptura e responsabilizam quem tentou destruí-las.</p>
<h2>Recado</h2>
<p>Segundo Hideo, a condenação dos envolvidos na trama golpista envia um recado inequívoco à atual e às futuras classes políticas: <strong>“a democracia brasileira deixou de ser um espaço de experimentações autoritárias toleradas pelo tempo ou pelo esquecimento institucional”.</strong></p>
<p>Para o constitucionalista Lenio Streck o recado dado às classes políticas ainda não está finalizado, apesar da importância simbólica desse processo contra as aventuras golpistas.</p>
<blockquote><p>“A travessia não está completa. É lamentável o que vou dizer, mas, olhando o comportamento do Parlamento brasileiro nos últimos meses, constatamos que vivemos uma espécie de estado permanente de golpismo”, alerta o jurista.</p></blockquote>
<p>“A cada dia surgem novas tentativas de mudança da legislação, seja com diminuição de penas, dosimetria ou anistia, seja com as tentativas de impeachment de ministros do STF e coisas desse gênero”, acrescentou.</p>
<p>Nesse sentido, segundo ele, o Supremo está sendo muito mais criticado pelos seus acertos do que por seus erros.</p>
<p><strong>“Quando alguém faz uma crítica forte ao Supremo, há de se perguntar se o Parlamento tem cumprido seu papel na defesa da democracia. Quem tem defendido a democracia é o STF. Enquanto o STF tiver de fazer esse papel, como o fez em relação ao 8 de janeiro, ele será muito mais criticado por seus acertos do que por seus erros”, diz.</strong></p>
<h2>Parlamento</h2>
<p>Na avaliação de Mateus Gamba Torres, ao viabilizar qualquer diminuição de pena ou anistia de condenados pelo 8 de janeiro, o Congresso Nacional dará uma demonstração de fraqueza das instituições brasileiras, inclusive do próprio Parlamento.</p>
<blockquote><p>“Espero realmente que o Congresso Nacional não viabilize a anistia enrustida principalmente para os líderes da tentativa de golpe, caso o presidente Lula vete o projeto da dosimetria. Espero que o Congresso Nacional recobre o juízo, até porque isso atenta contra o próprio Congresso Nacional, que sempre é um dos primeiros a serem fechados em aventuras antidemocráticas”, disse à <strong>Agência Brasil</strong> o historiador.</p></blockquote>
<h2>Julgamento no STM</h2>
<p>Para Lenio Streck, o grande desafio, a partir de agora, é fazer com que os militares condenados percam suas patentes. “Essa caminhada longa ainda não terminou. Ainda falta o julgamento do Superior Tribunal Militar”.</p>
<p><strong>O jurista se diz “muito preocupado” com a possibilidade desse julgamento ficar para 2027.</strong> “Isso faria com que população e sociedade civil fiquem pensando na possibilidade de haver, ali, uma espécie de arrego ou um ‘passapanismo’, poupando os altos oficiais da perda da patente. Não quero acreditar nisso”.</p>
<p>Fonte: Agência Brasil</p>
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		<title>Golpes e contragolpes — o Brasil e trottoir da impunidade</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/golpes-e-contragolpes-o-brasil-e-trottoir-da-impunidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 10:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Ainda estarrecido com o voto do ministro Luiz Fux, procuro, sob pena de ser ou parecer tão injusto quanto o nobre magistrado da Suprema Corte do Brasil, compreender, com muito esforço, as razões de sua longuíssima peça jurídica (mais de 13 horas), no mínimo, tão contraditória quanto &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/golpes-e-contragolpes-o-brasil-e-trottoir-da-impunidade/">Golpes e contragolpes — o Brasil e trottoir da impunidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>inda estarrecido com o voto do ministro Luiz Fux, procuro, sob pena de ser ou parecer tão injusto quanto o nobre magistrado da Suprema Corte do Brasil, compreender, com muito esforço, as razões de sua longuíssima peça jurídica (mais de 13 horas), no mínimo, tão contraditória quanto a sua atuação ao longo de sua trajetória no Supremo Tribunal Federal. Até que se prove o contrário, a meu ver, ele prestou um desserviço à nação e abriu precedentes jurídicos perigosos para aqueles que agem com a certeza da impunidade.</p>
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<p>Se por um lado o meu ser cristão entende que é necessário perdoar/anistiar erros, pois todos erramos, essa mesma índole religiosa me ensina que a justiça precede ao perdão. Nesse sentido, estariam os acusados cientes de seus erros? Estariam dispostos a não mais cometê-los e ensinar a outros a não agirem da mesma forma? Estariam cientes das consequências de seus atos criminosos, que puseram o país à beira de mais um tempo de supressão das liberdades e imposição de um regime de governo opressor e assassino, quais sejam as características de todo tipo de ditadura?</p>

			</div></div>
<p>O salvo conduto dado pelo ministro Luiz Fux a alguns golpistas e amantes de torturadores, a exemplo de Jair Bolsonaro, é equivalente à uma licença para matar, dado que para matar não é necessário apenas uma arma de fogo, como justificou o magistrado para não imputar a essa gente a sentença condenatória de formação de organização criminosa. Essa turma foi omissa com as vítimas da COVID-19 e nada fez para demover os ânimos daqueles que queriam a volta da ditadura militar. Perseguiu educadores, intelectuais e produtores de cultura. Isto é tão mortal quanto um punhal ou um fuzil.</p>
<p>Inocentar, perdoar e anistiar esse tipo de gente e condenar aqueles que eles manipularam para invadir e destruir as sedes dos poderes é perpetuar a prostituição jurídica: ser benevolente com os poderes e terrível com os mais humildes, e até mesmo com os ingênuos ou mesmo os desprovidos de inteligência e de vontade própria. Portanto, não há justiça; há conivência, subserviência e impunidade. E, se não há justiça, não pode haver perdão, sob pena de cometer-se injustiça com quem, de fato, mereça o perdão.</p>
<p>Como professor, historiador e formador de opinião, até que se prove o contrário, lamento muito o que ocorreu nesta última quarta-feira, na sessão da Primeira Turma do STF, em voto proferido e protagonizado pelo eminente ministro Luiz Fux. Ainda bem que ele ainda pode exercer, livremente, seu ofício, e eu o meu de escrever e procurar ensinar e orientar as pessoas, provocar, ao menos, o debate. Pois, do contrário, ao inocentar Bolsonaro dos crimes a ele imputados, sobretudo de abolição do Estado Democrático de Direito, ele pode estar escancarando as portas da extrema direita que entende, que em nome da liberdade de expressão, pode fazer tudo e nada acontecer.</p>
<p>Nesse sentido, temo, nobre ministro, não somente por mim e por minha família, mas também pelo senhor, quando essa gente retomar o poder, seja por eleição ou por golpe (como de fato tentaram) e resolver caçar seu direito de “praticar a justiça” e o meu de discordar e de criticar do senhor e do seu ato, que no mínimo, flerta, fragorosamente com a normalização/banalização do erro/crime e com a impunidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Acorda, amor: abriram as portas do hospício! Chame o ladrão</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/acorda-amor-abriram-as-portas-do-hospicio-chame-o-ladrao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 13:06:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; O que vimos nos últimos dias no Congresso Nacional foram cenas as mais absurdas e inimagináveis em toda a História do Brasil República e mais graves desde a redemocratização do país há 40 anos. Alguns tidos como “representantes do povo”, eleitos para legislar em favor do bem &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> que vimos nos últimos dias no Congresso Nacional foram cenas as mais absurdas e inimagináveis em toda a História do Brasil República e mais graves desde a redemocratização do país há 40 anos. Alguns tidos como “representantes do povo”, eleitos para legislar em favor do bem coletivo, rendendo-se da forma mais vil e vergonhosa a uma família de milicianos e a uma nação imperialista, sob o comando de um déspota e insensível, a quem se atribui a responsabilidade de liderar o mundo e defender a liberdade, quando este sucumbe povos inteiros com chantagens tarifárias e fecha os olhos para a extinção do povo palestino a olhos nus.</p>
<figure id="attachment_92522" aria-describedby="caption-attachment-92522" style="width: 207px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-92522" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532-207x300.png" alt="Capa O Alienista" width="207" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532-207x300.png 207w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Captura-de-tela-2025-08-15-092532.png 370w" sizes="auto, (max-width: 207px) 100vw, 207px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92522" class="wp-caption-text">O Alienista</figcaption></figure>
<p>Ao ver aquelas cenas grotescas, patrocinadas por gente ainda mais grotesca, que envergonha a nação e o parlamento brasileiro, vieram à minha mente dois expedientes dos quais vou me valer para expressar o que penso a respeito. Primeiro, <strong>a obra “<em><i>O Alienista</i></em>” (1881), de autoria de Machado de Assis</strong>. E também, a <strong>discografia de Chico Buarque de Holanda</strong>, em especial canções que ele ousou produzir em plena ditadura militar e, mesmo outras, após esta página triste da história. Há, nesse sentido, muito de atemporalidade, seja na literatura, seja na música, para não dizer de profético. Diria mais, há muito de lições sobre as quais devemos estar atentos para não sermos assaltados, outra vez, por essa gente “louca” que ama um regime totalitário e ideias toscas de democracia, liberdade de expressão e de direitos humanos, retorcidas para atender seus desejos de poder e impor seu preconceito e malquerença.</p>
<p>Publicado num contexto de crise do regime monárquico e ascensão do regime republicano, “<em><i>O Alienista</i></em>” traz passagens riquíssimas que nos ajudam a entender o porque do país está mergulhado nesta crise institucional e porque aqueles parlamentares agiram daquela forma, amotinando-se à mesa diretora do Congresso Nacional para chantagear os demais colegas, com vistas a dar anistia a golpistas, entre eles o ex-presidente da república, Jair Bolsonaro, que nem condenado foi ainda.</p>
<p>Segundo José Carlos Garbuglio (USP), na referida obra, Machado de Assis se debruça sobre a descrição e compreensão de “(&#8230;) <em><i>cujas personagens se desviam dum padrão de conduta tido como índice de normalidade da criatura humana</i></em>” (1994, p. 3). Qual sejam, aquelas que extrapolam a civilidade, sem que para tal não estejam (salvo melhor juízo e juízo técnico/psiquiátrico) desprovidas de suas faculdades mentais e, portanto, sofrendo de doença mental. Este, certamente, não é o caso dos deputados federais e senadores “rebeldes” de que estou a tratar.</p>
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<p>A obra gira em torno da personagem Dr. Simão Bacamarte, médico, que resolve criar na Vila de Itaguaí, um local (Casa Verde) para recolher e tratar pessoas alienadas, termo usado, àquela época para pessoas com problemas de saúde mental. Num arroubo de cientificismo, o “médico das mentes” acaba internando, praticamente, todo o lugar, inclusive a si próprio. Veja o que afirma o sujeito a respeito de seu experimento: “(&#8230;) <em><i>A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente</i></em>” (p. 17, edição de 1994).</p>
<p>Na sanha desenfreada de internar todo mundo na vila, do vigário ao delegado de polícia, a Câmara se rebelou e chegou a pedir a sua cabeça. À frente da turba, um barbeiro, Porfírio Caetano das Neves, que se autodenominava o “<em><i>Protetor da vila em nome de Sua Majestade, e do povo</i></em>”, o que nos faz lembrar a máxima hipócrita, do nosso tempo, totalmente em desuso e paradoxal para quem lambe as botas de Donald Trump no momento: “Deus, Pátria e Família”. Entretanto, aquela mesma Câmara, tempos depois, entrega ao Alienista a licença para internar alguns de seus edis, a começar por seu presidente, seguido do secretário, entre outros signatários do “incorruptível” Poder Legislativo.</p>
<p>O que nos levou, mais adiante, à conclusão do médico de que não havia loucos em Itaguaí, certificando-se “cientificamente” de que todos gozavam de plena saúde mental e que, por ventura, o único “louco” era ele. O que, em grande medida, nos remete àquela assertiva que diz: “<em><i>De médico e louco, todo mundo tem um pouco</i></em>”. O que não é o caso dos “rebeldes” do parlamento, que longe de agirem por loucura (antes fosse, pois haveria jeito), o fazem por maldade e nem ouso dizer por burrice para não ofender o animal e também aos desprovidos de capacidades intelectivas.</p>

			</div></div>
<figure id="attachment_92524" aria-describedby="caption-attachment-92524" style="width: 402px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-92524" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-300x179.webp" alt="Chico Buarque" width="402" height="240" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-300x179.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-1024x613.webp 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque-768x459.webp 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/chico-buarque.webp 1170w" sizes="auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92524" class="wp-caption-text">Cantor Chico Buarque Foto: Ricardo Stuckert/PR</figcaption></figure>
<p>Quanto a Chico Buarque, penso que trechos de algumas canções dizem tudo, sem que para tanto me valha de mais palavras e argumentos, como nas seguintes passagens que diz e canta:</p>
<blockquote><p>“Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir / Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir / E pelo grito demente que nos ajuda a fugir / Deus lhe pague” (1971); “Muita mutreta pra levar a situação / Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça” (1976); “O que será que será / Que dá dentro da gente e que não devia / Que desacata a gente, que é revelia Que é feito uma aguardente que não sacia” (1976); “Apesar de você, / amanhã há de ser / outro dia” ou “Quando chegar o momento / Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros, juro” (1978); “Como é difícil acordar calado / Se na calada da noite eu me dano / Quero lançar um grito desumano / Que é uma maneira de ser escutado” (1978); “Dormia a nossa pátria-mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída / Em tenebrosas transações” (1984).</p></blockquote>
<p>Em meio a toda essa “loucura” que se tornou o parlamento brasileiro, esta semana o jornalista Octávio Guedes lembrou um episódio da Constituinte de 1988, envolvendo uma das figuras mais importantes da redemocratização do Brasil:</p>
<blockquote><p>&#8220;Em 1988, tentaram a mesma coisa com Ulisses Guimarães. E Ulisses falou: &#8216;Eu presido a constituinte, não um hospício&#8217;. Foi lá e levou os trabalhos constituintes adiante”.</p></blockquote>
<p>Ora, se em meio a toda essa balbúrdia, os presidentes das duas casas legislativas não punirem os amotinados e rebeldes, jamais “loucos”, e ficar tudo pelo mesmo, acabando em pizza, não há outra saída a não ser valer-me, mais uma vez, de Chico Buarque para dizer:</p>
<blockquote><p>“Acorda, amor / Não é mais pesadelo nada / Tem gente já no vão de escada / Fazendo confusão, que aflição / São os homens / E eu aqui parado de pijama / Eu não gosto de passar vexame / Chame, chame, chame / Chame o ladrão, chame o ladrão!” (1974).</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>40 anos de democracia para não serem esquecidos  </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/40-anos-de-democracia-para-nao-serem-esquecidos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 12:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[“Diretas Já”]]></category>
		<category><![CDATA[artistas]]></category>
		<category><![CDATA[Ato Institucional]]></category>
		<category><![CDATA[congresso]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Valtênio Paes de Oliveira (*) &#160; Na Agência Brasil o ex-presidente Sarney afirmara: “Foram anos de muita luta. Posso guardar as batalhas íntimas de que participei para que tivéssemos uma transição democrática tranquila. Tivemos muitas hipóteses de retrocessos, mas conseguimos atravessá-las” ponderou Sarney. Vice-presidente eleito na chapa encabeçada por Tancredo Neves, assumiu a &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Valtênio Paes de Oliveira (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-03/redemocratizacao-ha-40-anos-sarney-assumia-presidencia-do-brasil" target="_blank" rel="noopener">Agência Brasil</a></span> o ex-presidente Sarney afirmara: “Foram anos de muita luta. Posso guardar as batalhas íntimas de que participei para que tivéssemos uma transição democrática tranquila. Tivemos muitas hipóteses de retrocessos, mas conseguimos atravessá-las” ponderou Sarney.</p>
<p>Vice-presidente eleito na chapa encabeçada por <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tancredo_Neves" target="_blank" rel="noopener">Tancredo Neves</a></span>, assumiu a presidência ante fatalidade que tirou a vida de Tancredo Neves. Várias negociações ocorreram até a posse de Sarney como presidente do Brasil. O país chegou aos 40 anos de democracia política. <strong>Verdade que muitos reclamam, porém ruim com democracia pior com a ditadura porque não existe liberdade nem Estado Democrático de Direito nesta última forma de governar.</strong> Numa ditadura, os efeitos de força e violência são imprevisíveis.  A participação popular é impedida pelo arbítrio do ditador.</p>
<blockquote><p>O movimento popular pelas direitas com o povo na rua em mais 32 grandes comícios pelo país deu a liga necessária para que o Congresso elegesse pela via indireta a chapa Tancredo X Sarney.  Após 21 anos, os militares deixaram o poder numa crise econômica e pressão popular sem precedentes. Os quarenta anos de democracia política nos permite a existência do maior período de liberdade com apoio de instituições sólidas. Aliás, se não fosse o apoio do Congresso Nacional, do Judiciário, do Legislativo e da imprensa, o país teria sucumbido no triste e caótico &#8216;Oito de Janeiro&#8217;  A tentativa de golpe de oito de janeiro é alerta para que tais desejos sejam extirpados, dentro da legalidade, para o bem do Estado Democrático de Direito.</p></blockquote>
<p>No período republicano, tivemos democracia a primeira República de 1889 a 1930 e 1946 a 1964 e agora 1985 a 2025 com hiatos formados pelas ditaduras de Vargas de 1930 a 1945 e dos militares de 1964 a 1985. Difícil a comparação histórica ante discrepâncias de parâmetros, mas com certeza, esta última fora a mais repressora. <strong>Tortura e morte estavam sempre presentes no uso do poder militar.</strong> Artistas, pesquisadores, políticos, religiosos, estudantes e trabalhadores que se livraram da tortura e morte perderem seus empregos sem direito de defesa. O regime legislava por atos institucionais com destaque para o <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ait/ait-05-68.htm" target="_blank" rel="noopener">Ato Institucional número cinco.</a></span></p>
<p>Registre-se a transição cautelosa, mas pacífica, do regime de 64 para a democracia política. Registre-se o papel de Tancredo Neves, Sarney, Ulisses Guimaraes, General Figueiredo e tantas outras lideranças para que neste ano pudéssemos estar comemorando 40 anos de democracia política. Registre-se na memória para que o vírus da ditadura seja cotidianamente eliminado. Parabéns, democracia política! Avancemos para a democracia social!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Deixe-me outro dia</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/deixe-me-outro-dia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Nov 2024 14:04:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[acidente doméstico]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[cafona]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; O tema do presente artigo foi inspirado na canção de Erasmo Carlos/Roberto Carlos (1968), sucesso na voz de Agnaldo Timóteo (1936-2021). Aquele ano, incrivelmente o de acirramento da linha dura do regime militar no Brasil, também foi um dos mais prósperos, com “Última canção”, “Sabiá”, “Para não &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> tema do presente artigo foi inspirado na canção de Erasmo Carlos/Roberto Carlos (1968), sucesso na voz de Agnaldo Timóteo (1936-2021). Aquele ano, incrivelmente o de acirramento da linha dura do regime militar no Brasil, também foi um dos mais prósperos, com “Última canção”, “Sabiá”, “Para não dizer que não falei das flores”, “É proibido proibir”. Surgimento da “Tropicália” e intensificação dos Festivais de Música da TV.</p>
<p>Para o advogado e radialista, André Luiz da Silva (2019), “Deixe-me outro dia, menos hoje”: “<em>É uma canção de amor que fala da tentati­va de evitar uma partida, que pode ser definitiva</em>”. Essa era a tônica de boa parte das canções até aquela virada dos anos 60 para os anos 70. Até então, e por algum tempo ainda, vozes masculinas, com impostação, cadência, ritmo poético e romântico, de melodia tristonha, vão dando espaço a outras mais agitadas, frenéticas, rebeldes (de fato), mas não mais, necessariamente, vozes do tipo tenor. O rádio dá espaço para a TV. A produção musical pedia de seus artistas que fossem cada vez mais midiáticos, que respondessem, por exemplo, às demandas da juventude, daí novos sucessos como os da “Jovem Guarda”.</p>
<p>Com o falecimento de um outro Agnaldo, o Rayol (86 anos), no último dia 4 de novembro, vítima de complicações de um acidente doméstico (queda no banheiro), me pus a pensar que, certamente, estamos vivendo o fim de uma era. A era das grandes vozes masculinas do Brasil. É bem verdade que ainda temos grandes intérpretes, compositores e músicos, a exemplo do próprio Roberto Carlos ou mesmo Ney Matogrosso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, todos eles, ainda, vivos, longevos e na ativa; e Milton Nascimento, claro (curtindo sua aposentadoria dos palcos). Mas estes, em que pesem as suas importâncias históricas e musicais, não estão no patamar que eu aqui entendo como grandes vozes masculinas, tal qual foram Agnaldo Timóteo, Agnaldo Rayol, Antônio Marcos, Altemar Dutra, Paulo Sérgio, Noite Ilustrada, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Nelson Ned, Vicente Celestino&#8230; e tantos outros que já partiram para a eternidade que a minha memória consegue alcançar no momento.</p>
<p>Veja bem. Não estou tratando de empobrecimento da música brasileira. Mas de mudança de gênero e de formas de produzir a música nacional. É bem verdade que, com o tempo, essa última turma foi relegada à categoria pejorativa de brega ou mesmo de cafona, antigo, ultrapassado. Os arranjos mais bem elaborados, com orquestras, e a voz impostada e firme já não mais foram encontrando espaço nas décadas seguintes, embora seguissem sendo ouvidas e executadas, em menor escala.</p>
<p>Não se trata aqui, pois, de saudosismo e se o fosse, penso que não estaria cometendo uma heresia. Mas de uma reflexão em torno daquilo que constitui o rico repertório da música produzida no Brasil no século XX, tendo vozes masculinas como mote. Se eu fosse escrever sobre as vozes femininas, essa análise iria ainda mais longe, sobretudo se eu principiasse por nomes como Núbia Lafayette, Elis Regina, Maria Betânia e Alcione.</p>
<p>Ainda bem que suas vozes [grandes vozes da música brasileira] não morrem, sobretudo com os registros fonográficos de outrora e atuais, pelo menos enquanto forem lembradas, executadas, estudadas e revisitadas, sejam em regravações ou mesmo em novas interpretações, e até mesmo compondo trilhas sonoras de novelas de época, por exemplo. Tornar a ouvi-las ou fazê-lo numa primeira oportunidade faz bem ao coração e à alma, nesses tempos apressados e de pouca criatividade e novidade musicais. Nesse sentido, peço que não nos deixem agora em que tanto precisamos de sentimento e de poesia. “Deixe-me [nos] outro dia sim, porém hoje não”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>SS fará falta mesmo?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ss-fara-falta-mesmo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Aug 2024 13:47:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luciano Correia (*) &#160; Os ainda vivos e muito vivos dizem que não se deve falar mal dos mortos. Eu não estava presente na hora desse acerto, de modo que nunca me identifiquei muito com essa “ética” para com os que foram desta para uma pior, principalmente com os que já eram piores do &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span>s ainda vivos e muito vivos dizem que não se deve falar mal dos mortos. Eu não estava presente na hora desse acerto, de modo que nunca me identifiquei muito com essa “ética” para com os que foram desta para uma pior, principalmente com os que já eram piores do lado de cá. Nem por isso eu fui mexer na paz e na solidão dos túmulos, não por medo de briga ou assombração, mas pela simples perda de tempo que resulta comprar algumas dessas brigas.</p>
<p>Quem digitar meu nome no YouTube vai encontrar muitas entrevistas, programas de TV antigos e, logo no começo, uma fala de uma figura da política já fora de circulação. Trata-se de uma entrevista que a bocuda deu em uma emissora local, logo inserida no portal da empresa, pela natureza sensacionalista de suas vociferações, evidente logo na manchete: “Luciano Correia é mentiroso”.</p>
<p>A verdade por trás dessa impostura não é nem de longe mencionada pelo portal nem pela verborrágica acusadora. Na verdade, eu é que acusara a dita cuja pela associação, senão nas coisas práticas e materiais, mas pelo menos em ideias e atitudes com determinado “produtor” cultural. Me referia a um produtor sem obra, de uma cadeia da cultura local, já viciado em receber dinheiros públicos sem nunca ter feito a necessária contrapartida. E isso é crime, aqui e em qualquer lugar.</p>
<p>Num encontro com a socialista morena, alertei-a do perigo em misturar-se com gente assim, já que ela fazia do seu trabalho uma trincheira em defesa de um segmento que, pra variar, engrossava sua base eleitoral. Eu jamais pretendia remexer nesse caso passado, mas a história de falar sobre mortos me recolocou na raia, a propósito do ilustre morto dessa semana, o empresário e comunicador Sílvio Santos.</p>
<p>Gerações inteiras se encantaram com seu programa dominical, desde a extinta Rede Tupi, depois na Globo, até ele fundar sua própria rede. Certamente um dos mais longos programas de TV do mundo, começava ainda nas manhãs de domingo, quando milhões de lares brasileiros ecoavam seu gingle: “Agora é hora/de alegria/Vamos sorrir e cantar”. E chamava o refrão mais simplório e conhecido de uma população: “Lá, lá, lá, hey, lá, lá, lá: Sílvio Santos vem aí”. SS era o rei das manhãs, tardes e noites. Quem não se encantou com o enternecido Boa Noite Cinderela e aquelas menininhas derramando inocência e sonhos diante do charmoso tiozinho?</p>
<p>E a Porta da Esperança? Esse adulto aqui também foi uma dessas crianças iludidas com as promessas de tio SS. Não sei como, consegui o endereço do programa e remeti, desde o interior de Sergipe, uma singela cartinha, na qual eu confessava minha paixão e desejo de ganhar uma das maravilhas que a tecnologia nos apresentou naqueles anos: um gravador K-7. Jamais tive resposta, mesmo que fosse um desalentador e sonoro: não! Em matéria de sonhos mais fáceis de realizar, me dei melhor com o Clube Júnior, da Tia Nazaré Carvalho, na TV Sergipe, que publicou para todo o estado minha carta com aquela que era até então minha maior obra de arte, um desenho do Mickey Mouse.</p>
<p>SS era o chamado animal comunicador, condição logo utilizada pra produzir o maior camelô eletrônico do Brasil, com sua rede de lojas do Baú da Felicidade e outros negócios, de modo que sua performance televisiva sempre se confundiu com as atividades comerciais. De alguém que ganhasse um prêmio de verdade no seu Carnê do Baú, pouco se sabe, além de inutilidades de plástico e coisas assim. Daí para a mosca azul do poder, foi um pulo. Em 1989, quando o país se livrava de mais de 20 anos de ditadura e se preparava para seu primeiro pleito direto desde a eleição de Jânio Quadros em 1960, a popularidade do comunicador Sílvio encheu os olhos da classe política e dele mesmo, que foi lançado candidato num episódio turbulento, cheio de reveses e polêmicas, até ser finalmente abortada.</p>
<p>Assim sendo, apesar de nunca ter colocado os pés na política diretamente, esteve sempre cortejando o poder, os poderosos e as oportunidades. Seu partido foi sempre o mesmo: o do governo. Quando a frágil democracia brasileira começou a dar sinais da irrelevância a que chegou, inclusive e principalmente nos dias atuais, não hesitou em mostrar suas unhas preconceituosas, da extrema direita, apoiando o inominável Bolsonaro em todas as suas aventuras. Para piorar, uma de suas filhas casou com um belo rapaz egresso das oligarquias potiguares, Fábio Faria, tão bonitinho quanto ordinário, um jovem velho, corroído pelo que há de pior entre os políticos nordestinos, dissimulador, virulento, mesquinho.</p>
<p>O riquinho genro de SS veio engrossar os níqueis e a ética da família. No ultradireitista ninho bolsonarista, sempre esteve entre os mais nefastos: a tropa de choque de um governo espúrio, eivado de corrupção, perseguição, mentiras e uso da máquina pública para os piores objetivos. É desse mundo que fazia parte o senhor Senor Abravanel. Se um dia foi o criador de uma linguagem que fundou a própria televisão no Brasil, os anos o transformaram numa espécie de velho gagá, com gafes, equívocos de toda sorte, preconceitos e vulgaridades que marcaram sua fase de idoso na TV.</p>
<p>Enquanto os negócios seguiam bem, escorados na chamada classe C, pobres e miseráveis, sua televisão se tornou obsoleta como criadora de uma gramática audiovisual, diferente da Globo, sua arquirrival. Hoje, virou um baú de velharias, sem a mínima coerência de uma grade de programação, um Classificados ao vivo para vender de tudo e de todos, a começar pelas quinquilharias da casa, os açucarados perfumes Jequiti, cuja garota-chefe propaganda é a mesma Patrícia, a do tal Fábio. O melhor filtro para avaliar a grandeza desse bilionário que nos deixou no último sábado, aos 93 anos, seria a eleição de uma declaração qualquer, uma pequena frase que ele tenha pronunciado e que fosse digna de um epitáfio. No caso de Silvio Santos, que eu saiba, não há nenhuma.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>60 Anos do Golpe de 1964:  Um passado que jamais deve ser esquecido</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/60-anos-do-golpe-de-1964-um-passado-que-jamais-deve-ser-esquecido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Mar 2024 10:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Jorge Santana (*) &#160; &#8220;Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta&#8221; (Cálice, Chico e Gil)   Este 31 de março de 2024 marca os 60 anos do abjeto golpe civil-militar de 1964, que se prolongou por &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Jorge Santana (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Como beber dessa bebida amarga</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Tragar a dor, engolir a labuta</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Mesmo calada a boca, resta o peito</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Silêncio na cidade não se escuta&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(Cálice, Chico e Gil)</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<span class="dropcap ">E</span>ste 31 de março de 2024 marca os 60 anos do abjeto golpe civil-militar de 1964, que se prolongou por longos 21 anos de uma ditadura perversa e sombria, razão pela qual torna-se crucial relembrar para evitar seu apagamento da memória coletiva do Brasil. É fundamental que as gerações mais velhas recordem e que os jovens aprendam o que realmente significou esse triste período, especialmente quando forças da extrema-direita ousam emergir do lixo da história e atrevem-se a tentar reescrever esse capítulo obsceno do nosso passado.</p>
<p>O ano de 1964 foi palco de um dos momentos mais críticos da história brasileira. Um período marcado pela instabilidade política e social, com crescentes tensões entre as classes conservadoras e os setores progressistas. A conjuntura era de medo e incerteza, com a ameaça comunista sendo amplamente propagada pelas forças do atraso como justificativa para ações radicais.</p>
<p>Não se pode ignorar o papel central desempenhado pelas elites econômicas, pela classe média conservadora, pela mídia de grande escala e por parte da Igreja Católica no incentivo e na legitimação do golpe. Esses setores, temendo a perda de seus privilégios e influência sob um governo de esquerda, mobilizaram-se intensamente, pintando o golpe como uma necessidade para a preservação da ordem e da família brasileira.</p>
<p>O regime militar, instaurado pós-golpe, caracterizou-se pela supressão das liberdades democráticas, a instituição de uma farsa institucional que se mantinha por meio do medo, da perseguição, da tortura e da morte de opositores. A repressão brutal e sem limites tornou-se a marca do regime, com inúmeros casos de sórdidas violações de direitos humanos.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Por outro lado, a ideia de que a corrupção é um mal dos regimes democráticos é desfeita ao lembrarmos dos escândalos que permearam a ditadura, muitos dos quais jamais vieram a público devido à censura imposta à imprensa. Projetos megalomaníacos, desvios de verbas e enriquecimento ilícito de militares e aliados ocorreram longe dos olhos da sociedade.</p>

			</div></div>
<p>É uma falácia acreditar que o Brasil, sob a ditadura, era um país de prosperidade e segurança para todos. O crescimento econômico desse período beneficiou uma parcela ínfima da população, enquanto a maioria enfrentava a repressão, a falta de liberdade e a desigualdade social crescente.</p>
<p>O golpe de 1964 e o regime ditatorial que se seguiu representam um dos capítulos mais tristes e vergonhosos da história brasileira. <span class="sigijh_hlt">É imperativo lembrar e ensinar sobre esse período não apenas como um ato de resistência contra a tentativa de revisionismo histórico, mas também como um alerta.</span></p>
<p>A tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 nos lembra da fragilidade da nossa democracia e da constante ameaça que as forças autoritárias representam. Jamais podemos esquecer, para que quando ousarem tentar repetir, sejam derrotados e severamente punidos.</p>
<p>Na promulgação da Constituição Cidadã de 1988, Ulysses Guimarães fez um célebre discurso que entrou para a história e que deve estar sempre presente nas mentes e corações dos verdadeiros democratas:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>&#8220;Traidor da Constituição é traidor da pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgaram a Constituição, trancaram as portas do Parlamento, garrotearam as liberdades, mandaram os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério. (&#8230;) <strong>Temos ódio à ditadura, ódio e nojo</strong>. Amaldiçoamos a tirania, onde quer que ela desgrace homens e nações&#8221;.</p>

			</div></div>
<p>DITADURA NUNCA MAIS!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Jackson Barreto por Jorge Carvalho</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/jackson-barreto-por-jorge-carvalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Oct 2023 14:55:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos &#160; Estaria mentindo se iniciasse o presente texto dizendo que já conclui a leitura do livro “Jackson Barreto, tempo e contratempo”, de autoria do Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento, lançado na última quarta-feira, 18 de outubro, nas dependências do Museu da Gente Sergipana. Entretanto, não esperei mais alguns dias &#8230;</p>
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<p>Estaria mentindo se iniciasse o presente texto dizendo que já conclui a leitura do livro “Jackson Barreto, tempo e contratempo”, de autoria do Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento, lançado na última quarta-feira, 18 de outubro, nas dependências do Museu da Gente Sergipana. Entretanto, não esperei mais alguns dias para externar, ao menos, as minhas primeiras impressões de mais uma obra sobre uma importante liderança política sergipana, somando-se a outras como a do professor Ibarê Dantas, sobre o saudoso Marcelo Déda, da qual escreverei oportunamente.</p>
<p>Antes, permitam-me tecer algumas considerações a respeito do biógrafo e do biografado pelos quais nutro grande e sincera admiração. Certamente, não haveria melhor nome para discorrer sobre Jackson do que o de Jorge Carvalho, não somente por seu conhecido e consagrado potencial historiográfico, mas pelo conhecimento de causa, sendo, para além de autor, também testemunha e co-partícipe de vários momentos da vida do biografado, sobretudo a política.</p>
<p>Jorge Carvalho de tempos em tempos, e não tem demorado muito, vem nos brindando com obras de fôlego e que nos instiga e colabora, sobremaneira, para enriquecer a historiografia sergipana. Recentemente, ainda este ano, publicou “Memórias do Jornalismo e da Coluna Social”, também pela editora Criação, conceituadíssima empresa que tem dado uma contribuição para que os livros também sejam obras de arte, não tendo sido diferente com o layout e a diagramação  de “Jackson Barreto, tempo e contratempo”.</p>
<p>Quanto a Jackson Barreto, para além de ter sido seu eleitor na maioria de seus pleitos, lhe tenho uma dívida de gratidão incalculável, pois em seu último mandato como governador de Sergipe (2013-2018), me permitiu as condições para publicar pela EDISE, minha tese de doutorado em História pela UFPE. Mas, em que pese ter acertado mais do que errado, como afirma seu biógrafo em entrevista esta semana, para o Jornal da FAN, penso que esteja, sem sombras de dúvidas, entre os mais importantes políticos de nosso tempo, em especial por seu carisma e pelas causas populares que sempre defendeu e protagonizou.</p>
<p>Com recheadas e robustas 488 páginas, “Jackson Barreto, tempo e contratempo”  está sendo para mim, até o presente momento, uma radiografia cirúrgica da vida política de Jackson Barreto de Lima (embora também nos seja apresentado o sujeito e o ser humano). Um ilustre santa-rosense, nascido aos seis de maio de 1944, prestes a tornar-se octogenário, que ao longo da vitoriosa vida pública foi líder estudantil, vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito de Aracaju, vice-governador e governador de Sergipe.</p>
<p>Como é característico das obras de Jorge Carvalho, seu novo livro está amplamente embasado com fontes históricas preciosas (impressas ou não), todas elas ricamente exploradas com astúcia, inteligência e sabedoria, sem filtros ou maquiagens, tecendo sobre o biografado com a verdade que muitas vezes escapa em trabalhos sobre trajetórias de vida, em particular, de figuras públicas.</p>
<p>A mim, resta-me concluir a leitura o quanto antes. Até lá, recomendo que outros também o façam, de modo especial e necessário, a classe política atual e aqueles que almejam lutar por ideias e ideais para as quais o biografado dedicou parte considerável de sua vida e às vezes até mesmo na iminência de colocá-la em risco, como durante a Ditadura Civil-Militar do Brasil (1964-1985), cujos fantasmas fungaram em nosso pescoço nos últimos quatro anos e que ainda ameaçam a nossa democracia, muito cara e sagrada para Jackson Barreto de Lima até a presente data.</p>
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		<title>Um anticomunista em Moscou</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/um-anticomunista-em-moscou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 13:10:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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<p>Rio Moscou pelo noroeste da capital estava congelado. Sol há meses sem aparecer, longas noites, frio de menos dez graus. Chegou cansado, curioso e disposto a treinar na guerrilha na chegada a Moscou em 1970, após ser solto e fugir da república de Serodasson. Muita sopa de batata, roupa pesada e sofrimento para aprender a língua local e desconfiança dos camaradas. Um dia pisarei na praça Vermelha para assistir ao desfile impecavelmente militar ao lado dos camaradas, pensava Valdemir.</p>
<p>Quarenta anos depois se encontram. O palco era o mesmo: igreja, Cruzeiro, praça,  casas com pequenas modificações em platibandas. Pessoas e política não guardavam semelhanças. “O Grito” de Roberto Carlos cantado por Aguinaldo já não ecoava no alto falante do cinema. No prédio do cine Odeon vende hambúrguer. Eram 19 horas, algumas pessoas passavam em rotina semanal. Sentaram.</p>
<p>&#8211; Que diferença, Valdemir!</p>
<p>&#8211; Verdade, Alex. Não adianta lamentos. Vamos rememorar.</p>
<p>Mais de quatro horas dialogando sem perceberem que eram os únicos na praça.</p>
<p>Somente a enfermidade do pai de Valdemir e um segredo tumular revelado foram tratados como fatos novos. Alex ficou de procurar o contato de um médico em Moscou que trata da cura da doença. Informaram os números dos respectivos celulares. Despediram-se com o compromisso de marcarem reunião com familiares numa apresentação coletiva, afinal, tantos anos de convivências e aventuras adolescentes não se rememoram em poucas horas.</p>
<p>No dia seguinte, pelo WhatsApp, bom dia, boa tarde e boa noite intermediados por notícias políticas falsas e encomendadas pelos adeptos do governo anticomunista de Serodasson. Alex não respondia, mas ficava constrangido por entender que não existe país com proposta comunista no século XXI. Quase todos que usavam esse discurso aderiram ao capitalismo com ressalvas mínimas de países que retornam lentamente.</p>
<p>Alex conseguiu nome e endereço do médico em Moscou e propiciou o desafio para Valdemir levar o pai em busca da cura. Dinheiro não era problema. O pai tinha oitenta e nove anos, dono de três fazendas, mil cabeças de boi. A questão era explicar ao eleitor uma viagem a Moscou, país onde dizia ter inimigo histórico e pintava como culpado de tudo em Serodasson. Valdemir relutava, como ele &#8211; radical anticomunista &#8211;  iria explicar para seus seguidores sua ida à Moscou, símbolo do comunismo? Alex passou a não responder as dezenas de mensagens de Valdemir, que surpreso e incomodado, perguntara:</p>
<p>&#8211; O que houve amigo, não respondes mais nem mandas notícias?</p>
<p>&#8211; Pensamos diferentes, não comungo com a ditadura do governo em Serodasson.</p>
<p>&#8211; Por mim, os comunistas são culpados de toda crise em Serodasson.</p>
<p>A saúde do pai de Valdemir piorava e a unanimidade dos médicos defendia que a solução era tentar o tratamento em Moscou.  A amizade de adolescência reencontrada décadas depois foi desfeita, o encontro entre as duas famílias não ocorrera e Alex voltou para seu país real.  A expectativa deu lugar à frustração, restando a Alex a esperança de ter contribuído para a melhoria da saúde do pai do amigo. Medo da viagem de avião, esperança na cura e emoção por nunca ter saído de seu país tomaram conta do pai.</p>
<p>Vendidos vinte bois, licenciou-se do cargo e viajou com o pai para Moscou.</p>
<p>Contrastando com o frio abaixo de zero, a praça Vermelha vazia com alguns militares no passado, estava cheia de pessoas, das mais variadas nacionalidades, com a Copa do Mundo de futebol, comércio particular abundante, rio Moscou colorido de barcos, metrô de 1930 repaginado, lotado, sol de brigadeiro ao meio-dia e temperatura de 16 graus positivos. Pai se recuperando era chegado o momento de cumprir a promessa paterna na igreja de São Basílio. Eis que o pai parou indagando Valdemir:</p>
<p>&#8211; Meu filho, todo dia escuto você esculhambar seus concorrentes políticos de comunistas. Aqui não é o país que você todo dia acusa as pessoas de comunistas?</p>
<p>&#8211; Deixe pra lá, pai, é meu jogo. Na verdade, desde o início dos anos 90 do século passado que as repúblicas soviéticas se desintegraram, e a Rússia aderiu ao capitalismo.</p>
<p>&#8211; Entendo! Então você engana seu povo para ficar no poder em Serodasson? Como vais orar na igreja?</p>
<p>&#8211; Pai, faz de conta que sou anticomunista e, portanto, o comunismo existe.</p>
<p>Abraçou o pai reflexivo e adentraram à secular catedral de São Basílio com suas várias torres coloridas e mais de 500 anos de história. Seu pai emocionado procurava se concentrar no cumprimento rigoroso da promessa. Meia hora depois, ao abrir os olhos Valdemir desaparecera. A alegria cedeu lugar ao medo de estar sozinho naqueles mundos. Tristeza e desespero se apossaram do octogenário. Dirigiu-se até uma porta, parou, reconheceu o guia do lado de fora.</p>
<p>&#8211; O senhor viu meu filho Valdemir?</p>
<p>&#8211; Parece que é ele ali, no entanto está com roupa diferente.</p>
<p>Enquanto se aproximavam a dúvida aumentava. A pessoa começou a andar lentamente. O guia se apressou, cumprimentou dizendo que o pai lhe esperava preocupado. Segundos depois o pai se aproxima ainda com dúvida. Ao olhar para a orelha esquerda viu o sinal.</p>
<p>Era Basílio, o irmão gêmeo. Surpresa, tristeza e ansiedade dominaram o pai. Dúvidas dominaram o guia Kasparov.<br />
&#8211; Vim ver a Copa do Mundo de futebol. O senhor só convidou Valdemir.<br />
&#8211; Ele implorou, queria encontrar um amor antigo.<br />
&#8211; Estava acompanhando vocês. Dois homens altos e magros de idade pegaram no braço dele e levaram há instantes naquele lugar perto da mureta da grade.<br />
&#8211; Vamos até lá. Disse o guia turístico.<br />
No chão, um pedaço da camisa de Valdemir enrolava um papel com bilhete: “ele voltou, é meu inimigo, morrerá se não disser em 24 horas onde enterrou o ouro”, disse Ahtoh. Traduziu o guia.</p>
<p>Nervoso, o guia chamou um táxi dizendo ir à polícia. Após meia hora de tensão, parou no Aeroporto e pediu para descerem, entregou passagens, despediu-se dizendo: “Sou filho de Ahtoh”. O avião saiu para Serodasson em seis horas. Basílio ligou para o gabinete do governo em Serodasson. Uma hora depois a embaixada da Rússia retornava apresentando desculpas. Valdemir estava desaparecido.</p>
<p>Luto oficial de oito dias, brigas familiares pelo inventário, oposição desconfiada. Três meses depois, parlamentar croata recebe vídeo repassando para a oposição em Serodasson. Valdemir fora filmando tomando vodca e abraçado com Ahtoh.</p>
<p>Desmoronou a farsa no parlamento. O governo fora cassado por uma CPI. A veracidade do vídeo não fora confirmada. Valdemir e Ahtoh não foram vistos posteriormente.</p>
<p>Pelas redes sociais Alex fora informado do desenlace. A amizade falou alto. Lembrou do segredo russo que Valdemir deixara no interior gelado da então União Soviética.</p>
<p>Voltou à Serodasson e constatou o sofrimento familiar. Estava o amigo vivo, devia contar o segredo russo à família ou investigaria?</p>
<p>_________</p>
<p><strong>(*)</strong> <strong>Valtênio Paes de Oliveira</strong> é professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.</p>
<p><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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