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	<title>Arquivo para destentados - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>A poesia do circo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 15:33:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; O circo chegou. Na verdade, a qualquer momento vai desfazer a sua grande lona azul, o picadeiro, o trapézio, a arquibancada, o globo da morte, a caixa mágica, já tendo cumprido a sua função de reviver no nosso imaginário a sua beleza lúdica e transitória. É impossível sair dele &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-do-circo%2F&amp;linkname=A%20poesia%20do%20circo" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-do-circo%2F&amp;linkname=A%20poesia%20do%20circo" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-do-circo%2F&amp;linkname=A%20poesia%20do%20circo" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-do-circo%2F&amp;linkname=A%20poesia%20do%20circo" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-do-circo%2F&#038;title=A%20poesia%20do%20circo" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-do-circo/" data-a2a-title="A poesia do circo"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-80760 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-ceu-e-pouco-o-sonho-e-pouco-–-mesmo-o-doce-de-banana-da-terra-com-cravinho-a-bola-de-gude-amarela-e-negra-feito-um-planeta-–-e-pouca-a-vida-que-a-cidade-oferece-ate-que-chega-o-circo.-Ferrei-2-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<span class="dropcap ">O</span> circo chegou. Na verdade, a qualquer momento vai desfazer a sua grande lona azul, o picadeiro, o trapézio, a arquibancada, o globo da morte, a caixa mágica, já tendo cumprido a sua função de reviver no nosso imaginário a sua beleza lúdica e transitória. É impossível sair dele imune. O espetáculo termina, mas imagens continuam pululando na minha cabeça e adentram o sonho, em que me aparece, com sua roupa branca colada ao corpo, aquele menino de família circense que conheci na escola. Mas só soube disso quando, levada pelo meu pai, reconheci-o como um dos jovens acrobatas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-80719 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1-204x300.jpeg" alt="" width="204" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1-204x300.jpeg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1-697x1024.jpeg 697w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1-768x1128.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1-1045x1536.jpeg 1045w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-10.17.37-1.jpeg 1089w" sizes="auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px" /></a>Dos circos da infância, lembro bem de alguns pobres leões de escassa e opaca juba (talvez até sem dentes) que me comoviam mais do que me divertiam. Não havia um ao qual meu pai não me levasse. Mas com o passar do tempo, as idas ao circo foram rareando e esse hiato passou a ser preenchido pela poética em torno do tema, como por exemplo, O <em>grande circo místico</em> de Edu Lobo e Chico Buarque, inspirado no poema homônimo de Jorge de Lima (1938); pela música &#8220;O circo chegou&#8221;, do outro Jorge, o Ben; pelo poema &#8216;O circo o menino e a vida&#8217;, de Mário Quintana e também pelo &#8216;Improviso para a moça do circo&#8217;, de Ferreira Gullar, cuja estrofe norteia esta crônica. Atenho-me aqui sobretudo a essas referências.</p>
<p>Chico Buarque, grande leitor de poesia, estabelece uma relação de intertextualidade com o poema de Lima e &#8211; com a mesma maestria de &#8220;Geni e o Zepelin&#8221; em relação ao conto &#8220;Bola de sebo&#8221;, de Guy de Maupassant &#8211; vai além do texto original e constrói um universo a partir dos personagens apenas citados pelo poeta alagoano. Os 46 versos de &#8216;O grande circo místico&#8217;, parte de <em>A túnica inconsútil </em>(1938), contam a história de vários personagens da dinastia do circo austríaco Knieps. A beleza místico-espiritual do poema levou Chico a desenvolver algumas das trajetórias pessoais e atemporais, das quais se destaca &#8216;A história de Lily Braun&#8217;, contada na voz de Gal Costa, uma das faixas mais bonitas, na minha opinião.</p>
<p>As referências poéticas continuam em minha cabeça e vão saltando de uma melodia a outra. Começo a solfejar &#8216;O circo chegou&#8221;, de Benjor, especificamente a estrofe em que o palhaço anuncia &#8220;<span class="sigijh_hlt">Uma grande vidente/ que tudo sabe, que tudo vê / Que tudo sente / E agora com vocês/ a grande atração/ a internacional Deise/ a mulher do homem que come raio-laser</span>.&#8221; Refiro-me a esse trecho em particular porque gosto muito do efeito da palavra final cuja licença poética retira o &#8220;r&#8221; de &#8216;laser&#8217; para que possa rimar com &#8216;Deise&#8217;, uma supressão que o aproxima, e muito, da oralidade.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-80749 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra-300x300.png" alt="" width="176" height="176" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ombra.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 176px) 100vw, 176px" /></a>O circo de Benjor tem de tudo e um pouco mais, desde animais com habilidades humanas e homens com habilidades animais, passando pelo &#8220;mágico que engole espada e come fogo&#8221;, até chegar a Deise. A dimensão metamórfica faz parte da atração circense desde sempre. Uma delas é a Monga, a mulher que se transforma em gorila, número que particularmente me encanta. Trata-se, se não me engano, de uma ilusão cuja técnica consiste na sobreposição de imagens. Mas na hora em que a metamorfose ocorre e a jaula é aberta, a plateia foge de medo e eu, coração acelerado, faço parte desse grupo.</p>
<p>Voltando à poesia, o olhar do menino sobre as moças do circo aparece tanto no poema de Mario Quintana como no de Ferreira Gullar. Em &#8216;O circo o menino e a vida&#8217; (<em>Nariz de vidro,</em> 1984), o poeta gaúcho debruça-se sobre a equilibrista: &#8220;<span class="sigijh_hlt">A moça do arame/ equilibrando a sombrinha/ era de uma beleza instantânea e fulgurante!/ (&#8230;) ia equilibrando-se e despindo-se/ só para judiar</span>&#8220;. De forma semelhante, nos versos de Gullar (<em>Na vertigem do dia</em>, 1991), o menino se apaixona por Sonia, a mulher acrobata, &#8220;<span class="sigijh_hlt">estrela de quatro pontas/ braços brancos pernas brancas/ girando no ar (&#8230;)/ Mas eis que, sã e salva/ cais em pé no picadeiro/ e o público aplaude/ Agradeces/ já convertida em mulher.</span>&#8221; Ambos retratam com muita beleza o encanto do circo e a sensualidade das artistas, que deixavam entrever algumas partes do corpo. A esse assombro do eu lírico de ambos com a visão das partes desnudas, Manuel Bandeira chamaria de alumbramento.</p>
<p>Penso outra vez no meu colega da escola que, da mesma forma que chegou, foi embora, assim como o circo, esse ente transitório. Nunca mais tinha pensado nele até então, nem em seu corpo, que era ao mesmo tempo infantil e musculoso devido ao trapézio, mas também às responsabilidades precoces da vida itinerante.</p>
<p>Dou-me conta de que essas referências poéticas, das quais usufruí espaçadamente ao longo da vida, vieram todas de supetão, como uma overdose de beleza estética. O espetáculo termina. Saio do circo, mas o circo não sai de mim.</p>
<p>&nbsp;</p>
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