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	<title>Arquivo para cozinhar - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Em pratos limpos&#8230; Ou nem tanto – Reflexões esparsas, inúteis e em nada inéditas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Aug 2024 12:36:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;Nosso relacionamento com a comida é complexo,  multifacetado e influenciado por uma série de fatores: cultura, tradição, emoções e gostos pessoais além de preferências nutricionais e dietéticas. Os tipos de comida que escolhemos e comemos, as maneiras como os preparamos e as ocasiões em que os consumimos são todos &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/em-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas/">Em pratos limpos&#8230; Ou nem tanto – Reflexões esparsas, inúteis e em nada inéditas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fem-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas%2F&amp;linkname=Em%20pratos%20limpos%E2%80%A6%20Ou%20nem%20tanto%20%E2%80%93%20Reflex%C3%B5es%20esparsas%2C%20in%C3%BAteis%20e%20em%20nada%20in%C3%A9ditas" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fem-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas%2F&amp;linkname=Em%20pratos%20limpos%E2%80%A6%20Ou%20nem%20tanto%20%E2%80%93%20Reflex%C3%B5es%20esparsas%2C%20in%C3%BAteis%20e%20em%20nada%20in%C3%A9ditas" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fem-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas%2F&amp;linkname=Em%20pratos%20limpos%E2%80%A6%20Ou%20nem%20tanto%20%E2%80%93%20Reflex%C3%B5es%20esparsas%2C%20in%C3%BAteis%20e%20em%20nada%20in%C3%A9ditas" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fem-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas%2F&amp;linkname=Em%20pratos%20limpos%E2%80%A6%20Ou%20nem%20tanto%20%E2%80%93%20Reflex%C3%B5es%20esparsas%2C%20in%C3%BAteis%20e%20em%20nada%20in%C3%A9ditas" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fem-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas%2F&#038;title=Em%20pratos%20limpos%E2%80%A6%20Ou%20nem%20tanto%20%E2%80%93%20Reflex%C3%B5es%20esparsas%2C%20in%C3%BAteis%20e%20em%20nada%20in%C3%A9ditas" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/em-pratos-limpos-ou-nem-tanto-reflexoes-esparsas-inuteis-e-em-nada-ineditas/" data-a2a-title="Em pratos limpos… Ou nem tanto – Reflexões esparsas, inúteis e em nada inéditas"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Nosso relacionamento com a comida é complexo,  multifacetado e influenciado por uma série de fatores: cultura, tradição, emoções e gostos pessoais além de preferências nutricionais e dietéticas. Os tipos de comida que escolhemos e comemos, as maneiras como os preparamos e as ocasiões em que os consumimos são todos fortemente influenciados por contextos culturais e sociais. Muitas pessoas também recorrem à comida como uma forma de lidar com felicidade, tristeza, estresse ou outras emoções&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Phil Lempert, Food and Drink</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span> soma do saber cozinhar com o saber comer é muito mais que igual a dois. O resultado pode ser três, seis, nove&#8230; Consequências de uma vida, ou melhor, duma parte da vida às voltas com panelas, bocas de fogo e forno.</p>
<p>Fato: a comida, o cozinhar, é um dos pontos basilares da construção social na civilização. Fez também com que mitologias surgissem. A comida e, consequentemente, o comer, são pecaminosos, culpados, redentores, eróticos, deliciosos, amados, odiados, divinizados&#8230; Totem e Tabu&#8230; “A força ética da refeição sacrificial pública baseava-se em antiquíssimas concepções sobre o significado de comer e beber em companhia de outrem. Comer e beber com alguém era, ao mesmo tempo, um símbolo e um robustecimento do vínculo social e da adoção de obrigações recíprocas. A refeição sacrificial exprimia diretamente o fato de que o deus e os adoradores eram comensais”.</p>
<p>Se o indulgente leitor perceber alguma direção oblíqua a mal guiá-lo por referências filosóficas, sociológicas, antropológicas, psicológicas, psicanalíticas (fazêuquê?) e literárias, digo-lhe que estará correto. Há muito dispus a aceitar, em mim, o caruncho da intertextualidade. Ou um vício cultivado, como diria Marcelle Duffet, personagem de Jean-Paul Sartre, em &#8220;A Idade da Razão&#8221;. Sim, sim, reconheço: o tecido das minhas palavras traz uma nódoa de barroquismo. Não adianta deixar de molho em água sanitária, nem esfregar com sabão em barra. Não sai.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Memória afetiva — inda novinho, cheirando a vinho, isto é, cheirando a leite, fui recrutado por Dona Vilma. Ela e Seu Léo, meu pai, tinham de passar o dia fora. Alguém deveria assumir o de comer. Oia eu, mais velho dos quatro, pois.</span></p>
<p>Não que cozinhasse tudo. Tava mais, no começo, para um encarregado de deixar o que estava pronto em ordem. Algo assim como a finalização.</p>
<p>Era, como sou até hoje, fascinado pelos aspectos científicos, digamos, dos processos de cocção: a química, a física e a biologia, campos de conhecimento que sempre fizeram parte da minha formação cultural. Nunca os vi como antípodas às ciências humanas. Todas as vezes que estou a cozinhar ou a comer, recordo de uma frase muito perspicaz do escritor americano, Harold James McGee, que produz textos sobre química e a história da ciência alimentar e culinária: <span class="sigijh_hlt">“Enquanto a ciência infiltrava-se aos poucos no mundo da culinária, a culinária foi se imiscuindo nas ciências puras e aplicadas”</span>. O cotidiano também nos proporciona, se quisermos mesmo perceber e admirar, coisas extraordinárias.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4.png"><img decoding="async" class="alignnone wp-image-79739 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-4-660x330.png 660w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p>Bem, ponhamos as coisas em pratos limpos&#8230; Ou nem tanto — qual o motivo de tão desinteressante revelação ao distinto público leitor?</p>
<p>Well&#8230; É aqui que nóis volta ao início do começo: soma multiplicada pelo fato de se saber cozinhar bem e comer bem. O que inclui o beber bem.</p>
<p>Coisa comum, eu, o marido, em casa, fazer café, almoço e janta. E ao obrigar-me a tal azo, por tantos anos, aprendi a fazê-los com mestria, seja a gororoba cotidiana, sem frescuras, seja o prato fru-fru, com bordadinhos, num arremedo de chef Michelin.</p>
<p>Voz repetente: gosto de cozinhar para ela – notadamente o jantar, ao qual raro é faltar o vinho, este problema sensorial e transcendental que se estende para muito além do beber pelo beber. Faço minhas, sem merecer tal privilégio, as doutas palavras de  José Ortega y Gasset, registradas em seu livro “Ensaios de Estética”. Diz o filósofo, historiador e ensaísta: “É um problema tão sério o do vinho, tão verdadeiramente cósmico, que a nossa época não pôde passar por ele sem lhe dar atenção e resolvê-lo à sua maneira”.</p>
<p>Uma das consequências desta prática é, além do afeto, do carinho, dificilmente gostar da comida dos outros. Mais especificamente da comida de restaurante, de lanchonete, de biboca&#8230; Com as raríssimas e rarefeitas exceções.</p>
<p>No nosso caso, meu e da radiopatroa, tá difícil encontrarmos comida (muito cara, diga-se de passagem) que preste.</p>
<p>A coisa fica muito pior se recorremos ao delivery. Como não tomamos, ainda, vergonha na cara, não obstante já termos nos decepcionado inúmeras vezes, decepção que inclui o prejuízo financeiro, vez por outra pedimos fora. A comida medonha chega e&#8230; De tão ruim, não conseguimos comer. Então o que se pediu fora vai fora.</p>
<p>Comida encomendada – este é um dos pontos nevrálgicos destas muito mal traçadas linhas.</p>
<p>Quando tal apocalipse gastronômico ocorre, eu juro de pé junto, mãos postas em oração, que nunca mais recorreremos ao serviço de entrega no que tange às refeições, já que a comida que faço é muito melhor. Além de sair mais em conta.</p>
<p>Mas quá! O dia exige mais, trabalhamos até mais tarde e, exausto demais para passar um tempo na cozinha, concordo com a esposa e, depois dela procurar muito, arriscamos um lugar. Fazemos o pedido e aguardamos.</p>
<p>E aí, frequentemente, a coisa degringola: se é uma polenta com ragu de linguiça, chega um mingau, uma mistureba triste; se é um risoto de alho poró com corte alto de filé, chega uma massaroca grudenta de arroz parboilizado com um naco de carne esturricado; caso ousemos pedir gnocchi ao pomodoro, chega massa encruada afogada numa mistura de extrato de tomate, molho pronto e colorau.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><strong>EM TEMPO</strong>: não se trata, aqui, de uma crítica ao serviço de delivery. Este, em si e em geral, funciona muito bem, e nada tem a ver com a qualidade do produto solicitado. Sabem como é: a gente tem que levar em conta certas cabecinhas confusas. É necessário desenhar.</p>

			</div></div>
<p>Portanto, se é pra fazer um prato mediano, ou até mesmo ruim, preferível fazer em casa, mesmo. O custo em dinheiro e em sanidade é menor. E sou eu a cozinhar, a pensar o prato. E devo ser por inteiro. Você leitor, quando na cozinha, deve estar totalmente ali, também. Afinal, como bem observou a exímia cozinheira e editora da Alfred A. Knopf, Judith Jones, &#8220;cozinhar é uma experiência sensual e você realmente deve permitir que todos os seus sentidos participem&#8221;.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Ah, seu Mittaraquis, não tem lugar que preste? Tem sim, claro que tem. Há bons lugares, por aqui, que oferecem boa comida&#8230; Pero no.</span></p>
<p>Louvor do quê, o tema? Estou a produzir este rascunho, como desimportante artigoleiro que sou, por falta doutro tema. A cachola deu tilt, que nem fliperama vintage.</p>
<p>Por sinal, era este escriba de meia-pataca muito bom no Pimball. Jogava apostado. Fingia não saber, insuflava a confiança do otário, deixava que levasse vantagem nas primeiras rodadas, elevava o valor da aposta e zás! Limpava a carteira do incauto e ingênuo jogador.</p>
<p>Mas, retornando ao assunto principal: defendo que o cidadão e a cidadã aprendam pelo menos o básico do cozinhar. Assim, com o pouco que se tem na geladeira e no armário, dá para elaborar um pratinho e acompanhar com um vinho, uma cerveja, um suco, um café, um chá ou apenas água.</p>
<p>Não é uma exortação nacionalista à independência e à dignidade culinária. Nada disso. Há quem não saiba e nem queira saber por não gostar mesmo de cozinha. É um inalienável direito.</p>
<p>O sujeito não tá nem aí tanto quanto, em relação a ele, não estou nem lá.</p>
<p>Minhas singelas, olvidáveis e deléveis palavras são dirigidas a quem interessar possa. Mais como garrafas ao mar. Deste modo, deixo-as à mercê do acaso, das correntes imprevisíveis deste imenso e caprichoso mar que é a vida.</p>
<p>Não depender, durante todo o tempo, de outrem para poder ter, em frente e sobre a mesa, um prato de comida, nos confere considerável poder. Pelo menos no tocante a um importante aspecto da existência.</p>
<p>Vindos, meio que inesperadamente, à superfície da memória, três nomes de peso (infame trocadilho), creio que haverá por bem citá-los.</p>
<p>David Hume, em “Tratado da Natureza Humana”, reflete sobre “um homem que contrai o hábito de comer fruta comendo peras ou pêssegos, contentar-se-á com melões quando não puder encontrar a sua fruta preferida”. E também sobre “aquele que se tornou um ébrio consumindo vinhos tintos, o qual será arrastado quase com a mesma violência para o vinho branco, se este lhe for apresentado”. Ora, eis a natureza do hábito a operar com toda intensidade – Provoco um tantinho a você, leitor: que ‘habito’ é mais hábito do que o hábito de comer e beber?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-79749 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Inserir-um-pouquinho-de-texto-9-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p>Immanuel Kant, em &#8220;Antropologia de um ponto de vista pragmático&#8221;, aborda o ritual do bem servir uma boa refeição. Entendia, o filósofo, que os convivas devem ser dotados de perspectivas estéticas e éticas semelhantes. E não estejam interessados tão somente no comer, mas, sim, no usufruto das nobres qualidades intelectuais dos demais presentes. A refeição em comum contará com mais um tempero essencial: a conversa fundamentada e educada.</p>
<figure id="attachment_79742" aria-describedby="caption-attachment-79742" style="width: 250px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-09T230010.809.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-79742" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-09T230010.809-250x300.png" alt="" width="250" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-09T230010.809-250x300.png 250w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Design-sem-nome-2024-08-09T230010.809.png 500w" sizes="auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px" /></a><figcaption id="caption-attachment-79742" class="wp-caption-text">Jean Anthelme Brillat-Savarin: &#8220;Diga-me o que você come e eu lhe direi o que você é&#8221;</figcaption></figure>
<p>O genial Jean Anthelme Brillat-Savarin, autor de &#8220;A Fisiologia do Gosto&#8221;, cunhou uma frase que se tornou emblemática: &#8220;Diga-me o que você come e eu lhe direi o que você é&#8221;. Todas as vezes que como mal, por preguiça de cozinhar minha própria comida, sei no que me transformo: um mastigador, um engolidor, um empastador impulsivo e infeliz. E a responsabilidade é toda minha.</p>
<p>Brillat-Savarin soube, como poucos, brilhar no campo da culinária. Sua abordagem à comida foi inovadora, tratando o ato de comer de forma científica e, ao mesmo tempo, estética.</p>
<p>Saber e querer cozinhar, segundo Brillat-Savarin, é um modo de viver, de encarar o mundo. E isso pode ser aprimorado se melhor compreendido for.</p>
<p>As ideias deste grande pensador, continua a inspirar cozinheiros domésticos, chefs, pretensiosos gourmands, escritores e filósofos.</p>
<p>Brillat-Savarin demonstrou que o comer de maneira decente é participar de uma das alegrias mais essenciais ao nosso espírito.</p>
<p>Ao vincular o ato de comer a temas culturais e filosóficos mais amplos, Brillat-Savarin preencheu a lacuna entre o mero ato de levar à boca uma colherada e o mundo mais rico e complexo do prazer culinário/gastronômico.</p>
<p>Ora veja só: a comida, o comer, foram pensados por grandes pensadores.</p>
<p>Estes gigantes, dentre outros, da meditação e da práxis, fazem sombra acima da minha velha carcaça. Pois que dos meus ossos faça-se bom brodo.</p>
<p>Ao me pôr na cozinha todos os dias, pela manhã, logo cedo, entendo que repetirei gestos, receitas, métodos&#8230; Tradição&#8230; Sabedoria ancestral&#8230;</p>
<p>Café da manhã e almoço. O primeiro consumimos juntos; o segundo ela leva na lancheirinha. Come no trabalho.</p>
<p>Vez por outra invento de inventar. Pode dar certo ou não. Costumo acertar, mas o erro faz parte&#8230; Oh, como o faz&#8230;</p>
<p>Mandar buscar fora, como se costuma dizer, é uma opção. Há riscos e vantagens. O ponto é que só realmente sabemos o que veio e como veio após receber e abrir a embalagem.</p>
<p>Suspense hitchcockiano&#8230; Com uma pitada de pessimismo sem redenção de um Sam Peckinpah.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Hum&#8230; Em se tratando de comida, entre outros tópicos de peso universal, nos acossa a esfinge gastronômico-shakespeareana: &#8220;Delivery or not Delivery? That is the question&#8221;.</span></p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
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