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	<title>Arquivo para contemporâneo - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 17 Aug 2024 12:21:50 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Vinhos e Versos – Báquica bebida em Baudelaire</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Aug 2024 10:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Constantin Guys tem um mérito profundo que lhe é peculiar; desempenhou voluntariamente uma função que outros artistas desdenharam e que cabia  sobretudo a um homem do mundo preencher. Ele buscou por toda a parte a beleza passageira e fugaz da vida presente, o caráter daquilo que o leitor nos &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinhos-e-versos-baquica-bebida-em-baudelaire%2F&amp;linkname=Vinhos%20e%20Versos%20%E2%80%93%20B%C3%A1quica%20bebida%20em%20Baudelaire" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinhos-e-versos-baquica-bebida-em-baudelaire%2F&amp;linkname=Vinhos%20e%20Versos%20%E2%80%93%20B%C3%A1quica%20bebida%20em%20Baudelaire" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinhos-e-versos-baquica-bebida-em-baudelaire%2F&amp;linkname=Vinhos%20e%20Versos%20%E2%80%93%20B%C3%A1quica%20bebida%20em%20Baudelaire" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinhos-e-versos-baquica-bebida-em-baudelaire%2F&amp;linkname=Vinhos%20e%20Versos%20%E2%80%93%20B%C3%A1quica%20bebida%20em%20Baudelaire" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinhos-e-versos-baquica-bebida-em-baudelaire%2F&#038;title=Vinhos%20e%20Versos%20%E2%80%93%20B%C3%A1quica%20bebida%20em%20Baudelaire" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/vinhos-e-versos-baquica-bebida-em-baudelaire/" data-a2a-title="Vinhos e Versos – Báquica bebida em Baudelaire"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Constantin Guys tem um mérito profundo que lhe é peculiar; desempenhou voluntariamente uma função que outros artistas desdenharam e que cabia  sobretudo a um homem do mundo preencher. Ele buscou por toda a parte a beleza passageira e fugaz da vida presente, o caráter daquilo que o leitor nos permitiu chamar de Modernidade. Frequentemente estranho, violento e excessivo, mas sempre poético, ele soube concentrar em seus desenhos o sabor amargo ou capitoso do VINHO DA VIDA.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Charles Baudelaire</strong>, artigo incluído no volume <strong>L’Art Romantique</strong>, coletânea de artigos de crítica de arte, publicados postumamente em 1869.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">V</span>aler-me-ei, para a composição destas páginas, as quais, talvez, mereçam mais a cesta de lixo do que a publicação neste conspícuo veículo de comunicação, de, basicamente, três obras: “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire; “Baudelaire por Gautier &amp; Gautier por Baudelaire – Dos biografías românticas” (versão em espanhol do original em francês) e “Baudelaire”, de Théophile Gautier.</p>
<p>Prumodequê? Bem, vinhos e poemas (equivale a “encher a cara e ler” – ambos em demasia) são, se não a minha praia, ao menos uma pequena e modesta enseada duma ilha ignota aos demais. Quanto à primeira, preferira que fora outro o tradutor/transversor. Mas – c&#8217;est la vie, c&#8217;est le vin –, quem não tem Oswaldino Marques caça com Ivan Junqueira.</p>
<p>Inquirirá o leitor, com justeza e de direito: “Mas, oh, então, mandrião, porque tu mesmo não traduzes/transvertes?”. Responderei eu: “Mon noble monsieur, « mon » français est insignifiant et horrible face à une entreprise aussi immense”.</p>
<p>Entre os cultos e os que, o sejam ou não, assim se julgam, é voz corrente que o opiáceo (ou nem tanto) poeta consolidou-se como um dos autores mais influentes do século XIX.</p>
<p>Acrescento, com segurança, que continuou a sê-lo por alguns decênios do século 20, pelo menos até a década de 80. Após o que, como tudo que tange ao conhecimento fundamentado e decente das Artes, inclusa a Literatura, sofreu o milenial abalo, sendo eclipsado pela estupidez e pela superficialidade.</p>
<p>Nostalgia e ressentimento da minha parte? Claro que sim! Tenho no espírito algo de lagosta, atraem-me os mistérios das profundezas.</p>
<p>Charles Baudelaire foi lançado, em grande parte por ele mesmo, ao centro das atenções, ao escrever e publicar suas perspectivas sobre sexo, morte, homossexualidade, depressão, revolução, violência, solidão e vício. Quanto à vida doméstica, se assim posso denominá-la, esta foi marcada pela espontânea e caprichosa acrimônia, por problemas de saúde e infortúnio financeiro. <span class="sigijh_hlt">Apesar desses obstáculos, ele conseguiu deixar sua marca indelével em três campos sobrepostos: crítica de arte, poesia e tradução literária.</span> É em relação ao primeiro que ele pode ser creditado por fornecer a conexão filosófica entre as eras do Romantismo Francês, Impressionismo e o nascimento do que hoje é considerado Arte Moderna.</p>
<p>Creio que, aqui, no sentido de comentar de forma mais geral, antes de me concentrar nos viníferos aspectos específicos, possa afirmar que a produção poética de Baudelaire representa a condenação de outra proposta literária que tenha como objeto a uma pieguice, a um moralismo ignorante. Mas, cuidemo-nos de, por isso, &#8220;entender&#8221; o discurso do poeta como uma exortação ao cultivo da &#8220;inutilidade&#8221; da arte. Como bem observa o emérito crítico e historiador da literatura, Vitor Manuel de Aguiar e Silva, para Baudelaire &#8220;a obra de literária autêntica, que procura realizar a beleza e que não mutila nem deforma preconcebidamente a realidade da vida, não colide com a moral, antes se encontra com ela num sentido mais elevado&#8221;.</p>
<figure id="attachment_79925" aria-describedby="caption-attachment-79925" style="width: 339px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.59.jpeg"><img decoding="async" class=" wp-image-79925" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.59-300x270.jpeg" alt="" width="339" height="305" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.59-300x270.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.59-1024x921.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.59-768x690.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.59.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 339px) 100vw, 339px" /></a><figcaption id="caption-attachment-79925" class="wp-caption-text">Edgar Allan Poe, escritor e crítico literário que exerceu forte influência sobre Baudelaire</figcaption></figure>
<p>Ora, sim, sei que, ao leitor mais experiente, e que lê Baudelaire, algo, evidentemente, se apresenta muito mais interessante e produtivo do que ler estas linhas. O parágrafo acima, ainda que não deva ser contestado in toto, requer a observação de que o poeta natural de Paris, admirador de Edgar Allan Poe, parece se contradizer ao afirmar ser necessário ao poeta substituir a natureza pelo homem e protestar contra a primeira.</p>
<p>Bem, quiçá desejasse nos convencer de que devemos ceder à embriaguez, não só a provocada pelo vinho (nosso objeto de interesse, por ora), como a induzida pelo ópio, pelos fortíssimos perfumes e licores. E que assim nos disponhamos a adentrarmos nos paraísos artificiais.</p>
<p>Mas para adicionar mais uma mão de tempero a esta sopa de letrinhas que lhes sirvo, ressalto, novamente, o sedutor contraditório em Baudelaire, quando este confessa dever a Poe a consciência de que, em meio ao processo criativo, é necessário raciocinar. Reconhece que depende da inteligência e que o labor poético é atividade cotidiana.</p>
<p>Ah, claro que não posso prosseguir, de forma coerente, caso esqueça de tecer comentários a Gautier. Sobre este&#8230; bem, vale repetir que escreveu sobre Charles Baudelaire. Para que não houvesse dúvidas sobre o objeto da obra, intitulou a mesma &#8220;Baudelaire&#8221;.</p>
<p>Théophile Gautier é legítimo e extremoso filho do Romantismo. Adversário declarado dos utilitaristas. Contudo, não tendo confundido beijo de jegue com arroz doce, nem rabo de jegue com corneta, jamais negou a utilidade maravilhosa detida pelo vinho.</p>
<p>E como o son of a bitch escrevia bem! A maneira pela qual descreve física e intelectualmente Baudelaire é de, após se ler, aplaudir de pé. Verdadeira sinfonia de palavras muito bem aplicadas. Não admira que, ao lê-las, me veja como um moleque iniciante mal saído dos cueiros.</p>
<p>Well&#8230; Ditas as coisas acima, um estilizado enchimento de linguiça, é bem verdade, tratemos doravante, de maneira mais cuidadosa e comprometida, da relação do poeta com o vinho.</p>
<p>Em mais de uma composição a bebida se faz presente.</p>
<p>No poema XXI, “Hino à Beleza”, na primeira estrofe, diz o poeta: “Vens tu do céu profundo ou sais do precipício/Beleza? Teu olhar, divino, mas daninho/Confusamente verte o bem e o malefício/E pode-se por isso comparar-te ao vinho”.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.10.jpeg"><img decoding="async" class=" wp-image-79926 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.10-263x300.jpeg" alt="" width="301" height="343" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.10-263x300.jpeg 263w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.10-768x877.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-16-at-19.00.10.jpeg 800w" sizes="(max-width: 301px) 100vw, 301px" /></a>Repare, leitor, na última estrofe do poema XXVIII, “A Serpente que Dança”: “Bebo de um vinho que me infunde/Amargura e calma/Um líquido céu que difunde/Astros em minha alma!”.</p>
<p>E mais estes versos em que o vinho tem o seu lugar, no poema XLIX, “O Veneno”: “Sabe o vinho vestir o ambiente mais espúrio/Com seu luxo prodigioso/E engendra mais de um pórtico miraculoso/No ouro de um vapor purpúreo/Como um sol que se põe no ocaso nebuloso”.</p>
<p>Entre os estudiosos, da vida e da obra de Charles Baudelaire, há os que afirmam que ele não era dado a excesso algum. Buscava, na verdade, manter-se sóbrio, preservar a inteligência e o talento.</p>
<p>Comum se ler em resenhas, artigos e ensaios que, longe de abusar do álcool, Baudelaire fala do vinho como “um potenciador da vida”, um apelo à viagem e à fuga, para escapar à posição social. Foi um dos raros poetas da época a destacar o vinho mantendo-se sóbrio.</p>
<figure id="attachment_79894" aria-describedby="caption-attachment-79894" style="width: 252px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-15-at-08.22.35.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-79894" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/WhatsApp-Image-2024-08-15-at-08.22.35.jpeg" alt="" width="252" height="314" /></a><figcaption id="caption-attachment-79894" class="wp-caption-text">Retrato de Théophile Gautier, em 1856, por Félix Nadar</figcaption></figure>
<p>Eis relato de Théophile Gautier: “Como todos los laboriosos, Baudelaire era sobrio por temperamento. Aun admitiendo el afán de crearse un «paraíso artificial» mediante cualquier narcótico, opio, «haschisch», vino, alcohol o tabaco, tendencia que podemos observar en todos los tiempos y en todos los pueblos salvajes o civilizados, él advertía en este prurito una prueba del pecado original, um sacrílego anhelo de escapar al dolor necesario, una pura maña satánica para robarnos la felicidad posterior que tenemos reservada como recompensa a las virtudes cardinales y al impulso persistente hacia la belleza y el bien” (Théophile Gautier &amp; Charles Baudelaire: <strong>Baudelaire por Gautier &amp; Gautier por Baudelaire – Dos biografías românticas</strong>)</p>
<p>O vinho, seja a bebida em si ou sua forte referência simbólica, até mesmo mística, foi por Baudelaire evocado, no construir duma lógica de fuga. O vinho representará para os pobres, sejam eles “pessoas honestas” como em “A Alma do Vinho” “catadores de trapos”, marginais da noite ou um “assassino”, a única possibilidade de criar a ilusão do viver plenamente, escapando à dor, à solidão, à violência, enfim à pobreza durante certo tempo.</p>
<p>O que fez, para convencer ao meio de que era um dândi cerebral (como diria Gustav R. Hocke, em “Maneirismo – O Mundo Como Labirinto), que era um pervertido e um satanista, foi esconder suas virtudes, fato ressaltado por Gautier.</p>
<p>Segundo Gautier, &#8220;Baudelaire era de uma natureza sutil, complicada, arrazoadora, paradoxal e mais filosófica do que é, em geral, a dos poetas&#8221;.</p>
<p>Século dezenove. Nas palavras de Gautier, um novo mundo a nascer. Neste contexto, devemos considerar que uma alma monstruosa (ou que simulasse sê-lo) atrairia atenções.</p>
<p>Portanto há aqueles que não hesitam em afirmar que Baudelaire era famoso por sua propensão ao vinho (junto com drogas, sexo e outros excessos).</p>
<p>A imagem arquetípica de Baudelaire, isto é, como um “dândi decadente” tem como consequência, principalmente para os leitores desavisados, velar a elegante e complexa estética das suas linguagem e mensagem.</p>
<p>Seu modo de ver e viver o mundo sustentou tal complexidade. Nas décadas de 1840 e 1850, Charles Baudelaire cultivou extensas conexões com artistas contemporâneos. No mesmo período, Charles participou das Revoluções de 1848, tentou suicídio e foi processado por ofender a religião e a moralidade pública com seu livro Les Fleurs du mal . O clamor público resultou na retirada de Les Fleurs du Mal das vendas (embora tenha sido reintroduzido mais tarde com algumas alterações). No geral, o poeta lutou contra problemas de saúde e dívidas, ainda que mantivesse produção literária intermitente.</p>
<p>Vinho&#8230; Esta báquica bebida se fez presente, todo o tempo, em meio aos acontecimentos descritos acima. Com alguns o poeta se envolveu, outros por ele foram provocados.</p>
<p>O vinho, reapresentado por Baudelaire, mediante seu teor metafísico, sua musicalidade, seu poder de induzir à alienação social, seu caráter sinestésico, deve ser compreendido como elemento inseparável da produção lírica do visionário, idealista, extravagante parisiense.</p>
<p>Com vinho e versos Baudelaire fundamentou, com maestria, boa parte de sua literatura.</p>
<p>Santé <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f377.png" alt="🍷" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Longevos &#038; ativos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/longevos-ativos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Nov 2023 19:21:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Desde garoto sou apaixonado por velhos. Sou antigo e nada politicamente correto, não gosto do termo “idoso”, acho feio, é pesado. Ainda menino, era com meus avós, tios e tias de minha mãe Dinha, e de meu pai Luiz Magno, que tinha os maiores colóquios. Me encantava ouvi-los. Quantas histórias &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>esde garoto sou apaixonado por velhos. Sou antigo e nada politicamente correto, não gosto do termo “idoso”, acho feio, é pesado. Ainda menino, era com meus avós, tios e tias de minha mãe Dinha, e de meu pai Luiz Magno, que tinha os maiores colóquios. Me encantava ouvi-los. Quantas histórias boas, quanta sabedoria, quantos ensinamentos. Depois foi com os amigos de meu pai que as conversas fluíram, e novos conhecimentos adquiridos.</p>
<figure id="attachment_72987" aria-describedby="caption-attachment-72987" style="width: 225px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.06.02.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-72987" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.06.02-225x300.jpeg" alt="D. Maria do Patrocínio Corrêa" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.06.02-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.06.02.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><figcaption id="caption-attachment-72987" class="wp-caption-text">D. Maria do Patrocínio Corrêa</figcaption></figure>
<p>Há poucos dias, em um final de tarde, com o motorista a me esperar, para conduzir-me a um evento da Secretaria de Turismo, uma senhorinha me abordou. “Moço, o senhor sabe me dizer se esse prédio vai voltar a funcionar?”, me perguntou ela, apontando para o prédio do antigo Hotel Central, localizado no centro de São Luís. O prédiok, hoje, é a sede da Setur, onde trabalho. “Frequentei muito esse hotel, foi aí que tomei o melhor sorvete de ameixa de minha vida”. Me disse ela.</p>
<p>“Sim, vai voltar a funcionar”, disse-lhe. Ainda tive tempo de perguntar-lhe o nome, e pela vivacidade, a idade.</p>
<p>“Maria do Patrocínio Corrêa, e no próximo final de semana completo 91 anos”. Despedi-me na correria de D. Maria e pedi para ela voltar com calma, para um colóquio. Entrei no carro; vi a pequenina Maria a caminhar pela praça Pedro II, banhada pelo avermelhado do entardecer.</p>
<p>Dias depois, ao entrar no supermercado, próximo da minha casa, encontrei d. Maria, já com seus 91 anos de vida e muitas histórias. Me contou que foi enfermeira, mora com netos, filhos de seus filhos do coração. Ativa, anda São Luís toda de ônibus. “Sozinha?”, perguntei, “Sozinha, não, com Deus”, respondeu-me.</p>
<figure id="attachment_72988" aria-describedby="caption-attachment-72988" style="width: 226px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-72988" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13-226x300.jpeg" alt="Luiz Thadeu" width="226" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13-226x300.jpeg 226w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13-771x1024.jpeg 771w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13-768x1021.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13-1156x1536.jpeg 1156w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.03.13.jpeg 1204w" sizes="auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px" /></a><figcaption id="caption-attachment-72988" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu com o Sr. José Wilson</figcaption></figure>
<p>Em um evento do governo federal, na sede do Ceprama, conheci o senhor José Wilson Pereira, residente em Brasília, que estava em São Luís, como um dos coordenadores do evento. Seu Wilson viaja o Brasil todo, participando dessa força tarefa federal. José Wilson completa 90 anos no próximo dia 09 de janeiro.</p>
<p>Disse que trabalha há 72 anos, e não pensa em parar.  No dia de seu aniversário, lançará o livro “Retalhos de lembranças do menino do toró”.</p>
<p>Atleta olímpico, José Wilson nada todos os dias, nas primeiras horas da manhã, e sai para bater ponto no Palácio do Planalto, em Brasília.</p>
<p>Há uma semana recebi uma mensagem, via WhatsApp, de uma amiga querida. Vera Cabral, uma garota de 73 anos, contou-me que uma colega de Academia tinha lido uma crônica minha no Jornal Pequeno. Gostou, fotocopiou e distribuiu para os colegas da academia. Fez somente uma ressalva, que na crônica me referia a pessoas de sessenta, setenta e oito anos, e deixara de fora as de noventa. Fui convidado por Vera para uma roda de conversa no clube onde fazem ginástica.</p>
<figure id="attachment_72986" aria-describedby="caption-attachment-72986" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.04.03.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-72986" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.04.03-300x225.jpeg" alt="Luiz Thadeu com D. Isabel Champroudry e Vera Cabral" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.04.03-300x225.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.04.03-768x576.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-28-at-11.04.03.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-72986" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu com D. Isabel Champroudry e Vera Cabral</figcaption></figure>
<p>Conheci d. Isabel Champoudry, neta de francês, e mãe de meu contemporâneo de faculdade, Noel Matos. Com alegria e vitalidade, aos 90 anos, completados no último dia 28/11, d. Isabel transborda saúde, vitalidade, alegria de viver. No encontro falei um pouco do meu acidente, de como voltei a andar com ajuda das muletas, e ganhei o mundo. Ouvi perguntas. Foi uma troca rica e interessante.</p>
<p>Saí do encontro, da manhã de segunda-feira, revigorado e feliz, como um garoto que tinha encontrado acolhimento por pessoas que no outono da vida estão em busca de saúde, qualidade de vida, de satisfação com suas caminhadas.</p>
<p>Que maravilha ver que as pessoas estão buscando bem-estar, e têm alegria e projetos de futuro. Continuam construindo oportunidades para seguirem em frente com essa coisa mágica que é a vida.</p>
<p>Na recente pesquisa do IBGE, cujo resultado foi divulgado agora, as pessoas com 65 anos ultrapassaram o número de crianças e jovens. O Brasil está se tornando um país de velhos.</p>
<p>Sempre que posso, paro tudo para ouvir os velhos, sigo aprendendo com eles.</p>
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