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	<title>Arquivo para constituição cidadã - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>O eleitor brasileiro é um problema!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-eleitor-brasileiro-e-um-problema/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Emerson Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Jun 2024 12:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia Herética]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-eleitor-brasileiro-e-um-problema%2F&amp;linkname=O%20eleitor%20brasileiro%20%C3%A9%20um%20problema%21" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-eleitor-brasileiro-e-um-problema%2F&amp;linkname=O%20eleitor%20brasileiro%20%C3%A9%20um%20problema%21" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-eleitor-brasileiro-e-um-problema%2F&amp;linkname=O%20eleitor%20brasileiro%20%C3%A9%20um%20problema%21" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-eleitor-brasileiro-e-um-problema%2F&amp;linkname=O%20eleitor%20brasileiro%20%C3%A9%20um%20problema%21" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-eleitor-brasileiro-e-um-problema%2F&#038;title=O%20eleitor%20brasileiro%20%C3%A9%20um%20problema%21" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-eleitor-brasileiro-e-um-problema/" data-a2a-title="O eleitor brasileiro é um problema!"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Emerson Sousa (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span> Constituição Federal de 1988, também conhecida pelo epíteto de Constituição Cidadã, a despeito de suas falhas, é a melhor que o Brasil já teve.</p>
<p>Ela inovou e avançou em diversas áreas, desde a Educação e Saúde até o Direito do Consumidor ou às leis de trânsito.</p>
<p>Sob a sua égide, a pobreza foi reduzida pela metade do que havia na data da sua promulgação.</p>
<p>Também caiu a desigualdade social, a mortalidade infantil, a mortalidade neonatal, a subnutrição, o analfabetismo, as mortes por causas evitáveis, ao passo em que aumentou a abrangência da escolarização, os níveis de escolaridade, do saneamento básico, do acesso à saúde, da proteção às minorias, entre outros avanços sociais.</p>
<p>Num país tão iníquo, violento e cruel, essa peça legal surge como um suave lenitivo.</p>
<p>Só para você ter uma ideia: apenas com o estabelecimento de um piso de 1 Salário-Mínimo para as aposentadorias rurais, a Carta Magna criou um dos maiores programas de transferência de renda da História.</p>
<p>Simples assim!</p>
<p>No entanto, desde o dia seguinte à sua publicação, ela vem sendo alvo de ataques sistemáticos à sua efetividade.</p>
<p>Por sinal, já no Art. 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), a nossa Constituição carregava consigo o germe de sua própria desfiguração, que previa uma revisão constitucional a ser realizada após cinco anos.</p>
<p>Pois bem, desde então, a CF88 tem sofrido as maiores mutilações possíveis em seu espírito inicial de criar um sistema de proteção social no Brasil.</p>
<p>Desde então, já foram aprovadas modificações que atacaram os mais diversos direitos coletivos, de trabalhistas a previdenciários, passando até pelos ambientais.</p>
<p>E quem é a principal força desse processo de desfiguração?</p>
<p>O Eleitor Brasileiro!</p>
<p>Sim, para variar, essa triste figura é o principal dínamo do decurso de prostração que a Constituição Cidadã vem passando desde o seu nascimento.</p>
<p>Foi o Eleitor Brasileiro que, de modo sucessivo, mandou para o Congresso Nacional uma horda de parlamentares comprometidos com a redução dos direitos existentes no texto original de 1988.</p>
<p>Essa história já começa em 1990, quando o Eleitor Brasileiro não reelegeu a ampla maioria dos parlamentares avaliados com a nota 10, pelo Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (DIAP), no que concerne à defesa dos temas de interesse dos trabalhadores, e, de quebra, ainda garante um novo mandato para boa parte dos tribunos que foram avaliados com a nota Zero.</p>
<p>Entre essas duas eleições, na Câmara dos Deputados, os partidos tidos por conservadores saíram de 180 para um total de 256 cadeiras conquistadas.</p>
<p>É aí que começa a catástrofe.</p>
<p>A partir desse momento, o Eleitor Brasileiro propicia o desmonte de nossa esquálida estrutura de proteção social.</p>
<p><strong>Hay derechos? Soy contra!</strong></p>
<p>Um bom exemplo de que é o Eleitor Brasileiro quem sustenta esse flagelo é a trajetória na Câmara dos Deputados do Partido da Frente Liberal (PFL), hoje conhecido pelo nome de União Brasil (UB), após fusão com o Partido Social Liberal (PSL), ocorrida em 2021.</p>
<p>De Collor a Bolsonaro, essa agremiação sempre foi engajada na redução do escudo protetivo da Constituição, alegando que, com essas políticas, o Governo promoveria a gastança e a irresponsabilidade fiscal e que aquele documento conferia muitos direitos e nenhum dever à sociedade.</p>
<p>Então, de 1986 a 2022, esse partido, que também foi conhecido por Democratas, mesmo em seus piores momentos, nunca teve uma bancada inferior a 21 deputados.</p>
<p>Para fins de comparação, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que não pode ser considerado uma organização radical, o máximo que chegou a ter foi 35 parlamentares naquela casa.</p>
<p>Graças ao Eleitor Brasileiro, em média, entre 1986 e 2022, o UB sempre ocupou 14% da nossa Câmara Baixa.</p>
<p>O teto foi em 1998, quando um em cada cinco legisladores pertencia a esse partido. Já o piso foi em 2014, quando ele ocupou 4% das vagas congressuais em disputa.</p>
<p>Todavia, é bom qualificar esse “piso”.</p>
<p>Nesse ano, apesar do baixo desempenho, o União Brasil – então conhecido por DEM &#8211; foi o partido favorito de 4.085.487 de eleitores brasileiros, para a Câmara dos Deputados, sendo o 8º colocado dentre os 32 postulantes no pleito.</p>
<p>Com isso, por vagas na Câmara, ele superou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que recebeu 3,5 milhões de votos, os Verdes (PV), que obtiveram 2 milhões de votos, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e seus 1,9 milhões de votos e o Socialismo e Liberdade (PSOL), que foi escolhido por pouco menos de 1,8 milhões de eleitores.</p>
<p>Hoje, o União Brasil é o terceiro maior partido da Câmara, com 59 deputados, sendo o estuário de 10,2 milhões de votos em 2022, ficando com o 3º lugar nessa disputa.</p>
<p>E aqui vai uma ‘profetada’ deste irresignado digitante: o União vai ser um dos maiores vencedores das eleições municipais deste ano de 2024.</p>
<p>Sim, um dos grandes campeões do voto popular deste ano será o UB, o mesmo que foi esteio de todas as iniciativas que resultaram em redução ou retirada de direitos ou conquistas sociais nas últimas três décadas, dos mais subjetivos aos mais concretos.</p>
<p>Foi assim nos mandatos Collor, FHC, Temer e Bolsonaro.</p>
<p>Onde houver garantias coletivas, o UB será contra.</p>
<p>Um exemplo disso: a denominada PEC 39/2011 na Câmara, que hoje, no Senado, se chama PEC 03/2022, que visa extinguir o instituto do terreno de marinha e seus acrescidos bem como dispor sobre a propriedade desses imóveis, foi aprovada, em segundo turno, em <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/plenario/resultadoVotacao">sessão do dia 22 de fevereiro de 2022</a></span></strong>, às 20h45, com o voto favorável de todos os 24 deputados do UB que estavam presentes.</p>
<p>De todos!</p>
<p>E se você duvidar de mim, pode puxar o histórico de votações de qualquer parlamentar do PFL/DEM/UB e você vai ver um compêndio de deliberações anticidadania.</p>
<p>Pode puxar, de qualquer um.</p>
<p><strong>O brasileiro é um reacionário.</strong></p>
<p>Pegou a visão, né?</p>
<p>O Eleitor Brasileiro gosta é de político conservador e quanto mais reacionário, melhor.</p>
<p>E, por causa disso, o Congresso Nacional vai diminuindo, paulatinamente, mas de modo continuado e consistente, a capacidade do Estado brasileiro enfrentar as mazelas sociais.</p>
<p>E esse atentado se dá tanto diretamente contra o texto constitucional quanto ao nível da legislação infraconstitucional.</p>
<p>São coisas como as Desvinculações das Receitas da União, a Lei de Responsabilidade Fiscal, as Reformas da Previdência, a Contrarreforma Trabalhista, a Independência do Banco Central e o Teto de Gastos – hoje Arcabouço Fiscal – que retiram a capacidade da Sociedade enfrentar os seus problemas e o poderio político dos Ricos e de seus agentes.</p>
<p>Em nossa história republicana, o bloco dos partidos políticos que preconizam o aumento da oferta e do alcance de políticas públicas, que são os verdadeiros vetores do desenvolvimento social e da Cidadania, nunca chegou a conquistar 1/3 do eleitorado brasileiro.</p>
<p>O Eleitor Brasileiro vota, mesmo, é na ARENA<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></span>!</p>
<p>Na eleição de 2022, dentre os dez mais votados no país para a Câmara dos Deputados, tão somente Guilherme Boulos (PSOL) e Tábata Amaral (PSB), que poderiam ser considerados progressistas.</p>
<p>O resto era tudo conservador!</p>
<p>Ainda nesse certame, dentre os primeiros colocados em cada uma das 27 unidades federativas, somente quatro poderiam ser recepcionados como de “Esquerda” e dentre os demais, 13 eram filiados a partidos que apoiaram oficialmente a reeleição do Sr. Jair Bolsonaro.</p>
<p>Alguém pode até dizer que isso é conjuntural, coisa que “dá e passa”.</p>
<p>Mas não é assim que a banda toca.</p>
<p>Em 2006, ano da maior vitória presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT), dentre os 10 concorrentes nacionalmente mais votados para a Câmara dos Deputados, só havia um nome notoriamente de Esquerda: o ex-ministro Ciro Gomes, à época filiado ao PSB cearense.</p>
<p>O complemento da lista era composto por nomes tais quais Paulo Maluf, Celso Russomano, Clodovil Hernandez e Enéas Carneiro, ou seja, lídimos representantes do reacionarismo tupiniquim.</p>
<p>Dos 27 disputantes que formavam a lista dos mais votados nos estados e no Distrito Federal, apenas 6 eram de partidos que apoiaram o então incumbente reeleito.</p>
<p>A propósito, um sestro do Eleitor Brasileiro é o de colocar um reformador na Presidência ao mesmo tempo em que entulha o Congresso Nacional de conservadores e reacionários.</p>
<p>De Getúlio 2 a Lula 3, essa escrita sempre se repete, o que é receita certa para crises institucionais.</p>
<p>Definitivamente, além de reacionário, o Eleitor Brasileiro é um desorientado.</p>
<p>Veja o exemplo recente do México – onde o atual Presidente e a Presidenta eleita têm forte base parlamentar – e identifique justamente o extremo oposto do Brasil.</p>
<p>E de quem é a culpa?</p>
<p>Do Eleitor Brasileiro.</p>
<p>Sem Consciência de Classe e totalmente desprovido de Educação Política, ele tem sido o patrocinador da ofensiva regressista que o país vem observando desde a chegada de Eduardo Cunha (PRD/RJ), então no PMDB, à Presidência da Câmara dos Deputados.</p>
<p>Um tolo e desinformado que simpatiza com chacinas promovidas pelas forças de segurança nas periferias de nossas cidades e que dá mais importância à medieval pauta dos costumes do que à moderna política de valorização do Salário-Mínimo.</p>
<p>Ele desconhece que a experiência internacional já mostrou que o desenvolvimento social só é possível com o aumento da oferta de serviços públicos e com o aprofundamento dos investimentos governamentais.</p>
<p>No reino vazio do seu estoque cognitivo, o Eleitor Brasileiro vai no sentido contrário da História e vem, cada vez mais, apostando na frouxidão do tecido da solidariedade coletiva.</p>
<p>É um retrógrado!</p>
<p>Não é promissora essa imagem e, claramente, não mira algum futuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> </span>Aliança Renovadora Nacional (ARENA) – Partido de sustentação política da Ditadura Militar (1964/1985).</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Brasil: o gasto federal com saúde pública</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/brasil-o-gasto-federal-com-saude-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Emerson Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Mar 2020 14:54:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Emerson Sousa (*) Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), desde o início do ano de 2000 até o final do ano de 2019, o Governo Federal já gastou com a função saúde um total de R$ 1.200.650.948.617,52 em valores nominais, ou seja, sem a incidência de correção monetária.  Caso essa atualização seja feita &#8230;</p>
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<p>Emerson Sousa <strong>(*)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Segundo </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/despesas-da-uniao-series-historicas/2019/11"><span style="font-weight: 400;">dados da Secretaria do Tesouro Nacional</span></a></span><span style="font-weight: 400;"> (STN), desde o início do ano de 2000 até o final do ano de 2019, o Governo Federal já gastou com a função saúde um total de R$ 1.200.650.948.617,52 em valores nominais, ou seja, sem a incidência de correção monetária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Caso essa atualização seja feita – via Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), até fevereiro de 2020 – esse montante vai a R$ 1,82 trilhões, o que equivale a aproximadamente 92,1% de toda a riqueza gerada pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntas, no ano de 2017.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em média, a valores corrigidos pela inflação oficial, esses gastos perfazem um valor médio de R$ 91,2 bilhões anuais, com um desvio-padrão de R$ 18,5 bilhões, ainda que, desde 2012, essa rubrica tenha superado a marca de R$ 100 bilhões anuais em dispêndio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Com um crescimento real de 78,8% nessas duas décadas, essa despesa vem variando a uma taxa incremental média de 3,2% ao ano. Isso permite afirmar que o investimento em saúde, no Brasil, por parte do Governo Federal, varia numa velocidade maior do que o da própria economia do país que, no mesmo período, evoluiu a uma taxa média de 2,4% anuais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><b>O investimento em Saúde sob uma perspectiva percentual.</b></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-I-herética.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-26835" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-I-herética-300x174.jpg" alt="" width="828" height="480" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-I-herética-300x174.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-I-herética.jpg 455w" sizes="auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Ressalte-se que, entre 2001 e 2019, o gasto em saúde, por parte do Governo Federal, sempre ficou em torno de 5,4% da despesa liquidada total em termos anuais. No entanto, essa trajetória pode ser dividida em três fases distintas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Na primeira, de 2001 até 2009, quando essa rubrica viu a sua participação relativa no bolo de gastos cair de 6,4% para 4,6%, numa média de 5,4% anuais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A segunda etapa se dá entre 2010 e 2013, quando o investimento em saúde absorveu uma média de 5,4% do montante total, saindo de 5,2% e indo até 5,7% do dispêndio liquidado ao ano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Por fim, a partir de 2014, período no qual essa função ocupa uma média 5,2% da despesa total<span style="color: #000000;"> e vê</span> a sua fração sair de 5,5% dos recursos liquidados e ir para 5,1% desse total, no ano de 2019.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Numa abordagem alternativa, a análise da despesa federal mostra que a saúde, nesses 19 anos, sempre teve alocado recursos da ordem de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Contudo, essa também não apresenta um curso linear.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Nos três últimos anos no mandato Fernando Henrique, essa proporção ficou em torno de 1,7% do PIB. Nos oito anos do Presidente Lula da Silva, essa medida foi de 1,5% do produto. Com 1,6%, no primeiro mandato, e 1,4%, no segundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Já no período da presidenta Dilma Roussef, em seus cinco anos de mandato efetivo (2011/2015), essa participação ficou na casa dos 1,4% anuais médios. No interregno Michel Temer, por sua vez, o gasto com saúde alcançou a marca média de 1,6% do PIB.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No mandato Bolsonaro, entretanto, essa proporção foi, em seu primeiro ano, de 1,6%. Sob essa perspectiva, não há como negar: o Brasil vem, ano após ano, aumentando o seu gasto proporcional em saúde.</span></p>
<p><b>O investimento em Saúde sob a óptica per capita</b></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, a abordagem percentual não é a mais adequada para se promover uma correta comparação entre os anos. Isso porque, no presente caso, os resultados são reféns dos dissabores do ciclo econômicos (recessões e depressões) e dos constrangimentos orçamentários (cortes e contingenciamentos).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Logo, torna-se mais interessante adicionar à análise a perspectiva </span><i><span style="font-weight: 400;">per capita</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual os valores anuais atualizados – até fevereiro de 2020 – são divididos pela população estimada, definindo-se assim uma medida de gasto por habitante.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Nesse caminho, tem-se que, entre 2000 e 2019, o dispêndio governamental anual </span><i><span style="font-weight: 400;">per capita </span></i><span style="font-weight: 400;">experimentou um aumento real de 44,5%; saindo de R$ 381,24 – em seu início – e chegando a R$ 550,80 ao seu final.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No triênio final do período Fernando Henrique o valor médio desse quociente estava em R$ 392,59 anuais. No decorrer do octênio Lula da Silva, essa medida cresceu 26,7%, variando de R$ 370,21 a R$ 468,87, entre os anos de 2003 a 2010, ficando numa média atualizada de R$ 423,85 ao ano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Por seu turno, nos cinco anos de efetivo Governo Roussef (2011/2015), esse valor anual aumentou de R$ 513,70 para R$ 545,79 anuais, o que resulta num crescimento da ordem de 6,2% no período, perfazendo o valor médio de R$ 538,38 anuais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Já o breve consulado Michel Temer promoveu um aumento real de tão somente 0,8% em seus três anos, estabelecendo um gasto médio de R$ 537,90 por ano, tendo se iniciado em R$ 538,01 e sido finalizado em R$ 542,40. Finalmente, o ano inaugural do mandato Bolsonaro, conforme já antecipado, promoveu uma despesa per capita de R$ 550,80.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">De todo modo, o valor per capita do investimento em saúde apresenta um gráfico no qual se identifica três fases em sua trajetória: a etapa tucana, onde ele apresenta seus menores níveis; a época petista, cujo cenário é de crescimento claudicante e o período pós Emenda Constitucional 95/2016, que projeta para o futuro uma tendência de estabilização do perfil médio dessa despesa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><b>A necessidade de manutenção de uma tendência</b></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Os números aqui apresentados mostram que o gasto com saúde, por parte do governo federal, vem crescendo desde o início do século XXI, mantendo uma relação aproximadamente constante com o crescimento tanto das despesas correntes quanto com o do próprio desempenho da economia brasileira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em suma, o que se viu foi que – por mais que o senso comum diga o contrário – a administração política brasileira, pós Constituição Cidadã de 1988, proporcionou o surgimento de um ambiente que promoveu o aumento dos investimentos públicos na área de Saúde.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Entretanto, desde 2015, o dispêndio com saúde, em sua perspectiva per capita, está congelado em torno da marca alocativa de R$ 542,06 anuais por brasileiro residente, de modo que anos de crescimento são compensados por anos de decréscimo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Deve se ressaltar que a Saúde é a terceira função de maior participação relativa no âmbito da despesa liquidada – perdendo apenas para os encargos especiais (juros da dívida) e para a Previdência Social – e é uma das mais estáveis, ou seja, não sofre tanto com as variações do gasto fiscal, como ocorre com as demais rubricas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Isso se deve muito às vinculações legais do gasto orçamentário em saúde. De modo que, não fosse a existência desses dispositivos legais não há como se garantir que o país estaria, realmente, alocando esses níveis de recursos nessa área.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Com efeito, o crescimento até aqui observado não é um fato consumado. A própria história da rubrica mostra que os recursos da saúde podem ser alvo de sujeições políticas, podendo vir a sofrer reduções em seus níveis reais ou, ao menos, esses ficarem estagnados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">E tal possibilidade pode se transformar num perigo verdadeiro e imediato se, principalmente, suas vinculações legais forem afrouxadas, como recorrentemente pedem alguns profetas do liberalismo nacional.</span></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-II-herética.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26836 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-II-herética.jpg" alt="" width="898" height="482" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-II-herética.jpg 507w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-II-herética-300x161.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tabela-II-herética-310x165.jpg 310w" sizes="auto, (max-width: 898px) 100vw, 898px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Logo, é necessário reconhecer também que muito das melhoras dos indicadores sociais brasileiros, desde a redemocratização, se deu graças ao investimento em saúde, principalmente aquele relacionado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que se isso for modificado em sua essência, retrocessos podem ocorrer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, ao invés de legitimar discursos que tolhem a ampliação dos recursos destinados à Saúde, a sociedade brasileira deveria estar se organizando para que fosse erradicado o maior e principal dos seus gargalos: o subfinanciamento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(*)</strong> <strong>Emerson Sousa é doutor em Administração pela NPGA/UFBA e mestre em Economia pelo NUPEC/UFS.</strong></p>
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		<title>João Daniel entra com representação na PGR contra Bolsonaro</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/joao-daniel-entra-com-representacao-na-pgr-contra-bolsonaro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2019 19:44:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ação]]></category>
		<category><![CDATA[constituição cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Forças Armadas]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[PGR]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O deputado federal João Daniel (PT-SE) ingressou com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) para que seja aberta uma investigação criminal contra o presidente Jair Bolsonaro. Essa representação, que também é assinada pelos deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Paulo Pimenta (PT-RS) foi motivada porque o presidente determinou às Forças Armadas que comemorem o &#8230;</p>
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<p style="text-align: justify;"><div class="box warning  aligncenter"><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: justify;">“É um absurdo propor e exigir comemoração do golpe militar, quando milhares de brasileiros e brasileiras foram perseguidos, assassinados, torturados e muitos ainda estão, até hoje, desaparecidos. Não podemos aceitar, precisamos repudiar com toda força e energia e continuar a luta em defesa da liberdade, da democracia e contra a ditadura, contra a tortura e todo regime autoritário que foi o regime militar brasileiro”, declarou o petista sergipano.</p>
<p style="text-align: justify;">A representação assinada pelos três parlamentares requer que após o procedimento investigatório para apurar as condutas do presidente, seja proposta ação penal cabível. Requer também a abertura de procedimentos civis e administrativos, com vistas a responsabilização, se houver, do representado, notadamente na área da improbidade administrativa e que essas ações alcancem quaisquer oficiais das Forças Armadas ou praças que, de forma antidemocrática, aderirem à orientação, na avaliação dos deputados, criminosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Na representação, os parlamentares observam que, ainda que seja reprovável, o estado democrático de direito possibilita que o cidadão Jair Bolsonaro tenha sua convicção pessoal odiosa, “o que não pode admitir como possível é que o Presidente da República, eleito sob os cânones democráticos, possa vir a público orientar, como Comandante Supremo das Forças Armadas, que os militares façam homenagens a um período sabidamente de exceção,  incompatível com direitos e garantias fundamentais, que vitimou, como dito, centenas de vidas e mutilou a ideia de democracia que conduz as nações prósperas e que se orientam no respeito da dignidade da pessoa humana”.</p>

			</div></div>
<p style="text-align: justify;">O deputado João Daniel lembra que o golpe militar derrubou o presidente<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Goulart"> João Goulart,</a></span> democraticamente eleito, e deu início a um sangrento e violento regime ditatorial que durou mais de duas décadas, com graves e irreversíveis prejuízos à vida de centenas de pessoas, suas famílias e para a democracia no Brasil. Na representação, os parlamentares ressaltam ainda que essa determinação, além de configurar, em tese, crime comum e de responsabilidade, navega na contramão da história.</p>
<p style="text-align: justify;">“O presidente parece não ter testemunhado o nascimento da <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoconstituicao/anexo/cf.pdf">Constituição Cidadã</a></span>, que pôs termo definitivo ao regime no qual ele tanto idolatra (&#8230;). Comemorar o início de um regime de exceção afronta, na quadra democrática atual, não só a Constituição Federal, como as vítimas do regime ditatorial e a memória dos que foram atingidos por esse período de força e de ausência democrática”, frisa.</p>
<p style="text-align: justify;">
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