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	<title>Arquivo para conhece-te - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Conhece-te: a identidade além do ofício</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/conhece-te-a-identidade-alem-do-oficio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor Yuri]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Nov 2025 09:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[conhece-te]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Victor Yuri Oliveira da Silva (*) &#160; Há pouco tempo, numa sessão de terapia, o meu psicólogo Anselmo me fez uma pergunta simples: &#8220;Quem é você, sem falar o que você faz?&#8221; Na hora, eu travei. Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando encontrar uma resposta que não envolvesse meu trabalho, minhas responsabilidades, &#8230;</p>
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]]></description>
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<blockquote><p>Por Victor Yuri Oliveira da Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á pouco tempo, numa sessão de terapia, o meu psicólogo Anselmo me fez uma pergunta simples: &#8220;Quem é você, sem falar o que você faz?&#8221; Na hora, eu travei. Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando encontrar uma resposta que não envolvesse meu trabalho, minhas responsabilidades, meus papéis. E percebi que quase tudo o que eu sabia dizer sobre mim estava ligado ao fazer, não ao ser. Era como se, sem as minhas funções, eu perdesse a referência de quem sou.</p>
<p>Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça por dias. Comecei a pensar: se eu não puder me descrever pelo que faço, pelo que conquistei ou pelos papéis que desempenho, o que sobra de mim? O que permanece quando tiro todos esses rótulos? A gente aprende, desde cedo, a se apresentar pelo fazer.Perguntam o nosso nome e logo em seguida: &#8220;O que você faz?&#8221; É quase automático.</p>
<p>Mas essa forma de se ver cria uma armadilha: se tudo o que sou está no que eu faço, o que acontece comigo quando eu paro? Quando mudo de profissão? Quando erro? Quando o mundo muda? A verdade é que, sem perceber, a gente se acostuma a existir através do desempenho.</p>
<p>Como disse o filósofo Byung-Chul Han, vivemos numa &#8220;sociedade do cansaço&#8221;, onde o valor das pessoas se mede pela produtividade. E nesse ritmo, o ser se esconde atrás do fazer. A gente continua agindo, correndo, entregando, mas, no fundo, vai se esquecendo de quem é.</p>
<p>Depois daquela sessão, comecei a tentar me observar sem a lente do fazer. Em vez de pensar nas minhas tarefas, comecei a reparar como eu percebo o mundo. Como eu reajo às mudanças, o que me emociona, o que me irrita, o que me acalma.</p>
<p>Descobri que há um jeito meu de ver as coisas que se repete, não importa o contexto. Mesmo quando tudo muda por fora, há algo em mim que permanece igual por dentro. E talvez seja isso o que os filósofos sempre quiseram dizer quando falavam em &#8220;essência&#8221;.</p>
<p>Heidegger, por exemplo, dizia que o homem moderno se perdeu porque vive &#8220;ocupado demais com o fazer&#8221; e esqueceu o &#8220;ser&#8221;. Para ele, a essência humana está em um estado de presença, em existir conscientemente, e não apenas reagir.</p>
<p>Karl Jung, na psicologia, falava da diferença entre o Ego e o Self. O Ego é o que eu mostro: o profissional, o amigo, o que faz e decide. Mas o Self é o centro, aquilo que existe mesmo quando o Ego silencia. Ele dizia que o verdadeiro amadurecimento vem quando o Self começa a conduzir a vida, e não mais o Ego.</p>
<p>Pensando nisso, comecei a perceber que existe uma espécie de &#8220;estrutura interna&#8221; que define quem a gente é, mesmo sem ação.</p>
<p>Não é algo místico, é humano.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Eu consigo me observar, e ver padrões que sempre estiveram lá.</p>
<ol>
<li>Consciência: a forma como enxergo o mundo.</li>
</ol>
<p>Eu sempre tive um olhar mais contemplativo, observo antes de reagir.</p>
<ol start="2">
<li>Ritmo interno: o meu tempo para sentir e processar as coisas.</li>
</ol>
<p>Algumas pessoas fluem rápido; eu preciso de silêncio, de pausa, de reflexão.</p>
<ol start="3">
<li>Tensão essencial: o conflito que me acompanha.</li>
</ol>
<p>Em mim, é a busca constante entre controle e entrega.</p>
<ol start="4">
<li>Presença: o efeito que causo nos outros, mesmo sem intenção.</li>
</ol>
<p>Às vezes, serenidade. Outras, intensidade.</p>

			</div></div>
<p>Perceber isso foi libertador.  Porque me mostrou que eu não preciso &#8220;fazer&#8221; para &#8220;ser&#8221;. Meu ser já existe, eu apenas o manifesto de diferentes formas.</p>
<p>Viktor Frankl, que sobreviveu a campos de concentração, descobriu que o ser humano continua sendo alguém mesmo quando perde tudo. Ele dizia que o último dos poderes humanos é &#8220;escolher a atitude diante das circunstâncias&#8221;.Ou seja: o fazer pode ser tirado, mas a forma como eu existo diante do que me acontece é o que revela quem sou.</p>
<p>Eckhart Tolle, em<em> O Poder do Agora</em>, fala que o ego se alimenta da identificação com o fazer. Mas quando o fazer para, a mente entra em pânico, porque o ego perde o chão. É nesse silêncio, nesse intervalo entre uma ação e outra, que o ser real aparece.</p>
<p>E Alan Watts dizia que o erro do ocidente é tentar &#8220;definir o eu&#8221; em vez de &#8220;experimentá-lo&#8221;. A gente não precisa colocar o eu numa frase, precisa vivê-lo com atenção.</p>
<p>Depois de mergulhar nisso, entendi que me descrever sem falar o que faço é um exercício de autenticidade.É me olhar com honestidade, sem as proteções do ego, sem performance. É perceber que, no fundo, o que me define não é o que eu construo, mas como eu existo enquanto construo.</p>
<p>Sou alguém que busca entender antes de agir. Que prefere observar antes de expor e que encontra clareza quando consegue traduzir o sentir em pensamento. Preciso de pausas, não por fuga, mas pra reajustar a rota. Tenho dentro de mim uma mistura constante de calma e inquietação.</p>
<p>Um impulso que quer mover o mundo e uma mente que busca organizar o caos. Nada disso depende de contexto. É o que eu sou, mesmo quando o resto muda. E talvez essa seja a resposta: quem eu sou é o que permanece quando todo o resto vai embora.</p>
<p>A grande lição desse processo é que o ser não precisa de justificativa. Ele não tem meta, nem título, nem rótulo. Ele apenas é, e quando a gente aprende a viver a partir desse lugar, a vida fica mais leve. A gente para de tentar provar o próprio valor e começa apenas a expressar o que é verdadeiro. Passa a agir não por obrigação, mas por coerência. E isso muda tudo: muda o jeito de trabalhar, de se relacionar, de existir no mundo.</p>
<p>Como disse Carl Rogers, &#8220;quando olho para o mundo, sou cético; quando olho para as pessoas, sou esperançoso&#8221;. A autenticidade nasce quando deixamos de atuar e passamos a nos permitir ser inteiros, com o que temos de claro e de confuso. Talvez a pergunta feita por Anselmo não tenha uma resposta definitiva, e talvez nem precise ter. Porque a resposta muda, cresce, amadurece com o tempo. Mas o simples ato de se fazer essa pergunta já é transformador.</p>
<p>Ela desarma, silencia, reorganiza. E nos coloca diante do que realmente importa: a presença viva de quem somos, antes de qualquer papel, função ou objetivo. No fim, percebo que o mais verdadeiro em mim é aquilo que não depende de reconhecimento, nem de explicação. É o modo como sinto, percebo e existo.</p>
<p>E é isso&#8230; silencioso, mas constante&#8230; que eu chamo de eu.</p>
<p>&nbsp;</p>
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