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	<title>Arquivo para ciúme - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>&#8220;Coração aos Saltos&#8221;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/coracao-aos-saltos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 19:15:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História de Bodega]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[bodega]]></category>
		<category><![CDATA[ciúme]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; “Nada é mais nocivo ao homem do que deixar-se levar para além de suas forças.”                                                                     &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcoracao-aos-saltos%2F&amp;linkname=%E2%80%9CCora%C3%A7%C3%A3o%20aos%20Saltos%E2%80%9D" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcoracao-aos-saltos%2F&amp;linkname=%E2%80%9CCora%C3%A7%C3%A3o%20aos%20Saltos%E2%80%9D" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcoracao-aos-saltos%2F&amp;linkname=%E2%80%9CCora%C3%A7%C3%A3o%20aos%20Saltos%E2%80%9D" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcoracao-aos-saltos%2F&amp;linkname=%E2%80%9CCora%C3%A7%C3%A3o%20aos%20Saltos%E2%80%9D" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcoracao-aos-saltos%2F&#038;title=%E2%80%9CCora%C3%A7%C3%A3o%20aos%20Saltos%E2%80%9D" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/coracao-aos-saltos/" data-a2a-title="“Coração aos Saltos”"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Nada é mais nocivo ao homem do que deixar-se levar para além de suas forças.”</em></p>
<p style="text-align: right;">                                                                                                                                                                           Sêneca</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">R</span>amiro cultivava um hábito — entre tantos outros que lhe eram característicos — capaz de despertar, inevitavelmente, o assombro dos que presenciavam sua execução: atirar-se, com desenvoltura quase teatral, de costas, para fora da marinete ainda em movimento, pela porta dianteira.</p>
<p>O coletivo costumava cruzar a rua da adega de Adeodato, embora jamais houvesse por ali um ponto que facilitasse o desembarque. Ramiro, no entanto, tomava para si o privilégio peculiar de uma amizade antiga, nutrida em reciprocidade — ele e Ideraldo, o motorista — e dela fazia motivo suficiente para suas extravagâncias.</p>
<p>Recordei-me dessa trivialidade apenas porque, ontem, enquanto me dirigia à feira, deparei com um desconhecido que repetia tal façanha. Como tantas vezes ocorre, o fato presente agitou nos escaninhos da memória um outro caso, antes adormecido, convocando-o à superfície do pensamento.</p>
<p>Era inegável que o sujeito possuía certa agilidade natural. Ninguém ousaria contestar essa verdade elementar. E, diga-se sem exagero, aquele acrobata suburbano, ao executar sua pequena proeza, era capaz até de arrancar suspiros discretos da doce e tímida Selene, filha única de Dona Luna, doceira de renome e respeitável senhoridade.</p>
<p>Ora, todos os frequentadores da bodega sabiam, há muito, que Selene havia sido alçada, sem que soubesse, musa eterna de Endimião — rapaz de falas econômicas e sonhos vastos, cujo coração teimava em pulsar sempre um pouco mais depressa quando ela atravessava a rua, carregando os embrulhos de sua mãe com a graça involuntária de quem ignora o próprio magnetismo. Endimião fingia não reparar; mas seu olhar, com frequência, era apanhado repousando sobre o vulto da moça, como se temesse que, num piscar descuidado, ela pudesse evaporar-se para sempre na claridade de uma manhã qualquer.</p>
<p>E foi assim que, em suas longas tardes de modesta contemplação solitaria e, ele passou a enxergar naquelas acrobacias de Ramiro — que Selene assistia com interesse quase infantil — não meros gestos de imprudência jovial, mas a performance exibida por um rival folgazão, disposto a conquistar os olhares que jamais notaram sua presença.</p>
<p>E esse ciúme silencioso, tão imperceptível quanto persistente, começou a germinar lá no íntimo, conferindo ao rapaz a amarga certeza de que o destino, caprichoso como sempre fora, preparava mais uma daquelas ironias cruéis das quais só as almas verdadeiramente apaixonadas se recordam pelo resto da vida.</p>
<p>O show de Ramiro não acontecia todos os dias. Nem sempre saltava do ônibus. Não raro, vinha a pé até a bodega, como se desejasse, ele próprio, subtrair ao cotidiano o esplendor de sua rotina performática e reinscrever-se entre os homens comuns. Nessas ocasiões, caminhava sem pressa, arrastando os chinelos pelo asfalto quente, assobiando melodias que só ele parecia conhecer.</p>
<p>Entrava pela porta estreita do estabelecimento e, antes de qualquer cumprimento, inclinava o corpo sobre o balcão para inalar o perfume antigo dos vinhos ali guardados — uma reverência silenciosa àquele templo modesto onde a vida ganhava gosto de eternidade.</p>
<p>Quando Selene estava ali, entregue à tarefa quase litúrgica de ajudar a mãe com encomendas e balas de coco, a postura de Ramiro sofria metamorfoses curiosas. Tornava-se mais ereto, o queixo ligeiramente elevado, como se a presença delicada da moça convocasse nele um senso instantâneo de dignidade heroica. Ele falava alto, descrevendo aventuras improváveis, e exagerava o balanço dos braços, esperando — quem sabe — que algum fragmento de coragem ou ousadia se instalasse no coração da jovem.</p>
<p>Porém, na maior parte do tempo, tudo o que conseguia era provocar nela um sorriso breve, ambíguo, daqueles que deixam o pretendente suspenso entre a esperança e o ridículo.</p>
<p>Selene — indiferente à disputa silenciosa que se travava a seus pés — continuava a trazer encomendas de balas com a serenidade enigmática das deusas que nunca se dão conta do poder que exercem sobre os mortais.</p>
<p>Foi só depois de uns quatro dias que eu, Goulart e Silvino, percebemos o sumiço de Endimião. Àquela altura, já não se podia dizer que se tratava apenas de uma ausência casual; o rapaz parecia ter se dissolvido do bairro, como uma sombra recolhida antes do amanhecer.</p>
<p>Goulart, sempre cético a qualquer sentimentalismo, resmungou que o garoto devia estar metido em alguma “aventura besta”. Já Silvino, que gostava de atribuir aos acontecimentos miúdos uma grandeza trágica, apertou os olhos e murmurou que certas almas, quando inflamadas por paixões silenciosas, podiam muito bem tomar rumos inesperados — e quase sempre perigosos.</p>
<p>Pois, foi num final de tarde, quando, por sinal, Ramiro se encontrava na bodega — tendo chegado a pé — que ocorreu o mais improvável dos prodígios: ao passar a marinete diante do estabelecimento, ainda em boa velocidade, uma figura conhecida lançou-se de costas pela porta da frente.</p>
<p>O corpo bateu no chão com estrépito brutal, rolando por alguns metros até deter-se quase aos pés de Selene que, desgraçada ou afortunadamente, estava por ali.</p>
<p>E só então, ao erguer o rosto coberto de poeira e atrevimento, reconhecemos, atônitos, o desaparecido Endimião — que jamais fora visto fazer sequer piruetas com os pensamentos, quanto mais com o próprio corpo.</p>
<p>Seguiu-se um silêncio opaco, daqueles que se instalam não apenas no ar, mas dentro das pessoas. Ramiro, no auge do gole prestes a ser sorvido, ficou com o copo suspenso como estátua de si mesmo. Selene, cuja presença parecia sempre tão discreta, recuou um passo, a mão espalmada no peito, como se um susto antigo despertasse enfim.</p>
<p>Adeodato, coçando o queixo perplexo, inclinou-se para espiar melhor, procurando garantir que o rapaz sobrevivente respirava. E Endimião — fazendo força para fingir normalidade enquanto cada osso protestava — tentou compor um meio sorriso de vencedor improvável, antes de proclamar, num fio de voz que queria ser fanfarra: &#8220;Certas coisas… a gente só aprende voando para trás&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Diário do caminho: primeiros passos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Feb 2024 11:53:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Hernan Centurion (*) &#160; Ano Novo, novos sonhos, vontades, metas. Aquilo de ruim e desagradável que acontecera no ciclo do calendário gregoriano que ora se encerra, deixamos lá atrás, bem escondido, para nunca mais lembrarmos; já o que ficou pela metade, tentaremos doravante finalizar, tal qual uma colcha de retalhos. Porém, o que mais &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Ano Novo, novos sonhos, vontades, metas. Aquilo de ruim e desagradável que acontecera no ciclo do calendário gregoriano que ora se encerra, deixamos lá atrás, bem escondido, para nunca mais lembrarmos; já o que ficou pela metade, tentaremos doravante finalizar, tal qual uma colcha de retalhos. Porém, o que mais nos importamos, verdadeiramente, é recomeçar, apertar o botão reset e traçar novos rumos nessa longa e sinuosa “estrada da vida”. Muitos almejam poder, glória, reconhecimento, status, medalhas, fortuna… quem nunca se arriscou na Mega da Virada atire a primeira pedra. Até eu faço minha “fezinha” às vésperas do Réveillon. Entretanto, desta vez, algo me fez divagar por uma ótica que, desde alguns poucos anos passados, vem me instigando. Sou constantemente levado a ressignificar-me, a não priorizar a matéria, profana e efêmera, mas sim o espírito, puro e perene!</p>
<p>Foi nessa procura da verdadeira e utópica felicidade, a qual não se mede, apenas se sente, se vivencia, recebo algo semelhante a um chamado, talvez uma tentativa de resgate, redirecionando-me para “a Luz verdadeira que alumia todo homem que vem a este mundo”, como bem traduzira João nas Sagradas Escrituras (1;9).</p>
<p>Pois bem, meses se passaram desde o primeiro insight e algo indescritível ia me consumindo paulatinamente no fundo d’alma, reorientando-me, pois, à procura do melhor caminho a seguir. Eis que, uma certa vez, em meio a devaneios que costumeiramente antecedem o sono de numa noite qualquer, decido, sem titubear, percorrer o Caminho de Santiago de Compostela, cuja lenda remonta-nos à época que antecede Cristo, primeiramente ao tempo dos Celtas e depois, dos Romanos, estando lá guardadas, na quase milenar Catedral de Santiago, as relíquias de Tiago, apóstolo de Jesus, um dos que teve o privilégio de provar do verbo divino.</p>
<p>A partir de então, milhões de pessoas, de reis a plebeus, das mais variadas crenças e religiões, têm caminhado pelas diversas trilhas que levam a Compostela, numa peregrinação em busca do porquê, isto é, do real motivo de estarmos encarnados neste mundo, por vezes cruel e injusto, não obstante necessário para nossa evolução. Bem antes de surgir a célebre frase “penso, logo existo” de René Descartes, acredita-se que houve outra não tão conhecida: “caminho, logo penso”, pois o Homo sapiens, durante a evolução das espécies, passou a refletir sobre vários assuntos durante as longas caminhadas, analisando como conseguir alimentos, num primeiro momento e, ad continuum, como buscar conhecimentos. Nesse contexto, o próprio Jesus foi um grande exemplo de andarilho que transmitira, justa e perfeitamente, sua mensagem durante longas caminhadas pelo solo árido do Oriente Médio.</p>
<figure id="attachment_75079" aria-describedby="caption-attachment-75079" style="width: 338px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/santiago-de-compostela.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-75079" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/santiago-de-compostela-300x213.png" alt="" width="338" height="240" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/santiago-de-compostela-300x213.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/santiago-de-compostela-1024x726.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/santiago-de-compostela-768x544.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/santiago-de-compostela.png 1144w" sizes="(max-width: 338px) 100vw, 338px" /></a><figcaption id="caption-attachment-75079" class="wp-caption-text">Mapa dos Caminhos de Santiago</figcaption></figure>
<p>Assim sendo, comecei a estudar a melhor maneira de enfrentar esse desafio, para mim inédito. Avaliei a época do ano mais propícia, comprei as passagens aéreas e escolhi o Caminho Português Central quando, para minha grata surpresa, percebi que chegarei em Santiago de Compostela em pleno Domingo de Páscoa. Seria uma mera coincidência? Passei, então, a analisar os trechos, atalhos, cidades-dormitório, como também a ver todas as dicas dos itens e roupas que deveria levar. Começo, assim, os treinos com longas caminhadas. Vou percebendo detalhes da paisagem que outrora me parecia bem conhecida, mas que agora, com mais cautela e atenção, esconde cores, formas e seres ímpares que, dentro de um carro e na correria do dia a dia, eram por mim imperceptíveis. Ouvi certa vez de um amigo peregrino, um grande incentivador: “o Caminho começa quando decidimos fazê-lo”. Indubitavelmente, mudamos a forma de olhar, pensar e agir, já que durante esses treinos eu particularmente aproveito para refletir muito do que fiz na vida pregressa e programar aquilo que pretendo desenvolver, olhando com os olhos do coração, ouvindo o som da própria natureza, por vezes músicas sacras ao fone de ouvido, volvendo meu pensamento diretamente ao âmago da minh’alma e colhendo algumas respostas de perguntas anteriormente difíceis de compreender, ainda muito antes de enfrentar, de fato, a peregrinação em solo galego.</p>
<p>Destarte, o primeiro grande desafio que vislumbrei foi justamente cuidar dos pés, isto é, ter a segurança de como e onde pisar. Certamente irei trilhar por terrenos acidentados, desnivelados e lamacentos, necessitando, pois, de um calçado apropriado e confortável para evitar lesões. Imagino eu que essa assertiva traduza metaforicamente que temos que saber onde pisamos, ou seja, termos cautela e pleno discernimento quais lugares frequentamos, onde trabalhamos, com quem convivemos, de que modo nos posicionamos, o exemplo que demonstramos, para que não surjam bolhas, isto é, máculas no nosso caráter. Os passos certos que damos, por conseguinte, servirão como pegadas que orientarão a rota para aqueles menos experientes que nos seguirão, quais sejam: nossos filhos, netos e discípulos.</p>
<p>A segunda provação que cogitei é o peso da mochila que carregarei. O conselho dos peregrinos experientes baseia-se no aforismo: “menos é mais”, digo, menos peso e volume, mais disposição e conforto. Analogamente, ser minimalista, aquilo que seja supérfluo ou prescindível deve ser retirado das nossas costas, pois cada grama a mais colocada sobre estas terá consequências desagradáveis e, assim, fará com que paguemos um preço amargo durante o roteiro. Daí a necessidade de repensarmos os fardos que intencionalmente ou não colocamos nas nossas “mochilas da vida”, quer sejam estes: boletos de roupas, joias, aparelhos celulares, bebidas ou computadores caríssimos, jogatinas, luxúria, casas de praia, automóveis de luxo, além de sentimentos vis como rancor, inveja, intolerância, ódio, ciúme, tudo isso será uma carga extremamente árdua que não conseguiremos suportar e que, sem dúvidas, deixar-nos-á pelo caminho à deriva.</p>
<p>Por último, mas não menos relevante, é mostrar-se empolgado, esperançoso, aberto e disponível a conhecer as variadas verdades que certamente encontrarei pelo Caminho, ouvindo as diversas histórias de anônimos, dividindo experiências de vida e compartilhando emoções que mudarão o “pré-conceito” de uma realidade mundana e capitalista, abrindo portas que libertarão do labirinto de trevas.</p>
<p>Continuarei treinando, andando, pensando, aprendendo, caindo e levantando, curando bolhas, suportando, para que em poucas semanas possa eu participar dessa iminente aventura.</p>
<p>E como dizem os peregrinos de Santiago de Compostela: ultreya e buen camino.</p>
<p>Até meu retorno!</p>
<p>&nbsp;</p>
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