<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo para Chapada Diamantina - Só Sergipe</title>
	<atom:link href="https://www.sosergipe.com.br/tag/chapada-diamantina/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.sosergipe.com.br/tag/chapada-diamantina/</link>
	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 11 Jul 2021 14:22:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>
	<item>
		<title>“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Jul 2021 09:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Chapada Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[determinação]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[escritora]]></category>
		<category><![CDATA[francês]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[musicalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Norte]]></category>
		<category><![CDATA[O Homem Encurralado]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[prefácio]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[tradução]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=41935</guid>

					<description><![CDATA[<p>“É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade”, ensina o escritor Germano Xavier, responsável pela coluna Literatura&#38;Afins, aqui no Portal Só Sergipe, que acaba de lançar seu segundo livro “O Homem Encurralado” (Penalux,2021), uma coletânea de 51 poemas, todos também traduzidos para o idioma francês. Ao pedir urgência no redesenhar do percurso, o &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier/">“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&#038;title=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier/" data-a2a-title="“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier"></a></p><p>“É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade”, ensina o escritor Germano Xavier, responsável pela coluna <strong>Literatura&amp;Afins</strong>, aqui no <strong>Portal Só Sergipe</strong>, que acaba de lançar seu segundo livro “O Homem Encurralado” (Penalux,2021), uma coletânea de 51 poemas, todos também traduzidos para o idioma francês. Ao pedir urgência no redesenhar do percurso, o escritor nascido em Iraquara, Bahia, na bela Chapada Diamantina, lamenta que hoje, assolados por uma pandemia que “atingiu as pessoas com tentáculos diferentes”, segue pensando no grande motor que “move o Grande Tumor e a Grande Catástrofe”. Mas, ao mesmo tempo em que faz essa constatação, ele apresenta o elixir para a cura de todos os males: a  “poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”.</p>
<p>No resguardo em casa, em Caruaru, Pernambuco, durante essa pandemia – que insistentemente vai permanecendo -,  Germano teve a oportunidade de encontrar-se consigo mesmo. “Olhei mais para mim, mas olhei mais para os outros que compõem o todo da vida. Consegui ler mais e melhor. A pandemia atingiu as pessoas com tentáculos diferentes”, analisa o poeta, que também pensa “nas pessoas que não tiveram a oportunidade de parar um pouco, de ficar mais em casa, que não tiveram suas rotinas alteradas, que tiveram de continuar em suas prisões sistêmicas e diárias”.</p>
<p>Essas reflexões, em forma de poesia, estão  n’<strong>O Homem Encurralado</strong>, que faz parte de uma trilogia que está sendo gestada por Germano Xavier, cuja intenção é publicar o segundo livro em 2022.  Em 2006, o escritor, que é jornalista e mestre em Letras, publicou seu primeiro compêndio poético, Clube do Carteado, que para ele representou “um movimento de rebeldia, de nascedouro, de rompimento com a casca da vida literária”.</p>
<p>Leitor voraz e dono de uma  biblioteca rica de saberes, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://nstagram.com/germanovianaxavier/">Germano</a></span></strong> lembra dos primeiros livros que chegaram às suas mãos: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-​Exupéry, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, os quais decifrou e devorou. A partir daí não parou mais de mergulhar nas mais variadas leituras, passando pelas obras de Gabriel Garcia Marquez, o inigualável Gabo, com seu realismo fantástico em Cem Anos de Solidão, aos brasileiros Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, só para citar alguns dos seus companheiros de leitura. Ultimamente, Germano tem se dedicado à literatura contemporânea e também a livros cujos autores são negros.</p>
<figure id="attachment_41955" aria-describedby="caption-attachment-41955" style="width: 345px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483.png"><img decoding="async" class="wp-image-41955 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-300x300.png" alt="" width="345" height="345" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483.png 1080w" sizes="(max-width: 345px) 100vw, 345px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41955" class="wp-caption-text">Blog O Equador das Coisas Foto: acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>Idealizador e  mantenedor do blog <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/">O Equador das Coisas</a></span></strong>, Germano Xavier também tem um canal literário homônimo na plataforma <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.youtube.com/user/Germanovianaxavier">YouTube</a></span></strong>.</p>
<p>Esta semana Germano Xavier concordou em conceder uma entrevista ao <strong>Só Sergipe</strong> para falar um pouco de literatura e de  seus projetos. Na entrevista deste domingo existem duas novidades: a primeira é que a conversa com Germano também contou com a participação do jornalista e psicólogo <strong>Luís Osete Ribeiro Carvalho</strong> que, inclusive, faz a apresentação do livro “O Homem Encurralado”, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/germano-xavier-lanca-seu-segundo-livro-de-poemas/">que pode ser lido clicando aqui.</a></span></strong> A segunda é a escritora luso-angolana <strong>Luísa Fresta,</strong> responsável por traduzir os poemas do livro para o francês, que também conversou com o <strong>Só Sergipe </strong> logo após a papo com Germano. E lá o leitor encontrará uma surpresa.</p>
<p>Vamos à entrevista.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quais foram as suas motivações para retomar o formato do livro impresso com O Homem Encurralado, quinze anos depois de seu primeiro compêndio poético, Clube de Carteado? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Eu queria um recomeço. O Clube de Carteado (2006) representou um movimento de rebeldia, de nascedouro, de rompimento com a casca da vida literária. Era eu me descobrindo, me abrindo, me permitindo, me analisando. Porém, o livro é um apanhado de poemas que escrevi ainda na adolescência. Há poemas nele datados de 1998, para se ter uma ideia, de quando eu tinha 14 ou 15 anos de idade. Já com O Homem Encurralado (Penalux, 2021) foi diferente. O livro é um movimento só. Os 15 anos entre os dois, sem dúvida, ficam bem aparentes quando se faz alguma espécie de comparação.</p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-41938 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg" alt="" width="1944" height="1960" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg 1944w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-298x300.jpg 298w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-1016x1024.jpg 1016w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-768x774.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-1523x1536.jpg 1523w" sizes="(max-width: 1944px) 100vw, 1944px" /></a>SÓ SERGIPE &#8211; Em O Homem Encurralado o sujeito poético expressa de forma muito intensa as faíscas trêmulas e recolhidas provenientes do contato de cada ser vivente com a beleza e os dissabores do mundo. Como foi a experiência de mergulhar na intimidade humana ao elaborar a poética presente no livro? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> <strong>–</strong> O livro nasceu de um diálogo poético muito poderoso e significativo para mim. A falta de liberdade (ou a liberdade) pode ser considerada como sendo a temática-mor d’O Homem Encurralado. Aquele nosso universo repleto de fragilidades e temores, de medos, trancas e pesos, encarceramentos cotidianos, mas também um universo de esperanças várias, sempre me tocaram profundamente. Liberdade, tempo, amor,  morte, vida&#8230; tais grandezas humanas sempre foram e sempre serão motivações para o que escrevo. Aos poucos, fui sendo atraído pela ideia de um segundo livro. E, de uma hora para outra, ele surgiu. E surgiu em uma configuração de trilogia, a ser desenvolvida e finalizada nos próximos anos.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;</strong> <strong>Durante a leitura, somos ambientados em nosso tempo pandemicamente enfermo, como tão bem observou Regina Correia no posfácio. Há referências às “vacinas invisíveis para o incurável”, ao “invisível vírus a castigar o corpo natural das coisas”, à “pandêmica existência construída em nadas”, entre tantos vestígios da “grande catástrofe” contemporânea. De que modo o seu fazer literário foi influenciado e atravessado por esse período de pandemia e quais lições poéticas foram possíveis assimilar até o momento?  </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> – Tive a oportunidade de me resguardar em casa durante a maior parte do tempo. A pandemia me colocou, novamente, em observação constante. Reparei em tantas minúcias que não andava a reparar mais. Uma espécie de redescobrimento das coisas e de suas mecânicas, de suas engrenagens, mesmo sendo um movimento forçado e doloroso. Olhei mais para mim, mas olhei mais para os outros que compõem o todo da vida. Consegui ler mais e melhor. A pandemia atingiu as pessoas com tentáculos diferentes. Fico pensando nas pessoas que não tiveram a oportunidade de parar um pouco, de ficar mais em casa, que não tiveram suas rotinas alteradas, que tiveram de continuar em suas prisões sistêmicas e diárias. Fico pensando no grande motor que move o Grande Tumor e a Grande Catástrofe. A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas. Eu não vou sair ileso da pandemia. Fui marcado para sempre.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;</strong> <strong>É difícil escapar ao encurralamento que emula os cinquenta e um poemas da obra, sobretudo porque as nossas fragilidades nunca estiveram tão expostas e viver encurralado tem sido fator sine qua non da nossa condição humana. Não por acaso, entre as dedicatórias do livro, estão ao autor e aos leitores, “homens encurralados, todos nós, sem exceção alguma”. Quais seriam, em sua opinião, os caminhos humanitários possíveis para criar fissuras nos currais e construir o homem libertado?  </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> – Criar a fenda essencial para se enxergar além dos muros é um desafio colossal no mundo contemporâneo. As amarras estão por todos os cantos e o homem está cada vez mais habituado a conviver com elas. Um fenômeno de inversão em tal panorama é algo que precisa partir de um grande bloco ideário, de uma imensa comunidade de pessoas, de uma unidade ampla de esclarecimentos. O mundo precisa mudar, a política precisa mudar, a vida precisa mudar. A gente precisa mudar. Mais diálogo e mais empatia ajudariam. Mais respeito pelas diferenças, mais solidariedade, mais acessibilidade, mais entendimento, menos guerras, menos consumismos, menos muitas outras coisas. Estamos à beira do precipício. Não podemos negar. Os oceanos já nos informam isso há bastante tempo. As geleiras, os raios solares cada vez mais fortes, o clima, os animais extintos, a natureza que clama. O homem está encurralado em currais de ódio, de ganância, de opressão, de violência&#8230; É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O Homem Encurralado é apresentado como a primeira parte da Trilogia do Centauro, que seguirá em edição bilíngue, na frutífera parceria com Luísa Fresta. O que é possível adiantar dos dois próximos livros que serão lançados? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> O Homem Encurralado é a primeira parte de um projeto poético bilíngue que estou a construir ao lado da escritora e tradutora luso-angolana Luísa Fresta, amiga e parceira literária de longa data. Os próximos dois livros da trilogia ainda não foram finalizados, apenas pensados. Estou realizando um movimento de reescrita com poemas já existentes e escrevendo outros. Haverá uma unidade temática predominante, mas diferente da que foi aplicada em O Homem Encurralado. A ideia é lançar a segunda parte ainda em 2022. Depois disso, pensarei no terceiro. O certo mesmo é que os três conversarão entre si.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Há, também, projeto para publicar o livro de contos Sombras Adentro, finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura, de 2016?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Sim. Penso que num futuro não muito distante voltarei ao Sombras Adentro, que foi belissimamente ilustrado pelo meu conterrâneo Marcel Gama e diagramado pela incrível Carol Piva. Reajustá-lo talvez seja necessário, mas realmente quero que um dia ele ganhe o mundo.</p>
<figure id="attachment_41959" aria-describedby="caption-attachment-41959" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41959 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41959" class="wp-caption-text">Germano em Portugal num encontro com Luísa Fresta e a irmã Zeza Fresta,  em 2020 Foto: acervo pessoal</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Como nasceu essa parceria frutífera com Luísa Fresta? Alguma razão especial para a escolha na língua francesa?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Conheci Luísa Fresta por advento das redes sociais, tem já bem uma década. Uma entidade. Uma pessoa incrível. Coração muito humano e mente muito pulsante. Luísa nasceu em Portugal, estudou um tempo na França, morou em Angola, é uma mulher do mundo. A comunidade francófona sempre esteve em seus caminhos. Um dia ela me mostrou, sem antes me avisar, um poema meu traduzido para o francês. Começou assim. A ideia que tenho é antes a de um laboratório mesmo, de um laboratório poético. E, por consequência, conquistar leitores interessados em projetos desta natureza.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>O senhor é um leitor voraz. O senhor lembra do primeiro livro que leu e que mundo começou a descobrir a partir daquela leitura?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER </strong>– Lembro. Posso recordar fielmente do momento e dos dois primeiros livros que li na vida. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-​Exupéry, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. Naquela época, minha cidade de origem não dispunha de biblioteca. Meu pai possuía livros, mas eram em sua maioria livros técnicos da área odontológica ou grandes coleções com temáticas específicas. Minha família não era muito dada à literatura em si. Coube a mim, ainda com menos de 10 anos de idade, começar a abrir picadas no matagal literário. Livreiros e mascates passavam com certa frequência oferecendo livros e almanaques. Foi assim que entrei em contato com esses livros. Daí em diante, um vasto mundo de possibilidades me surgiu. É um caminho sem volta. Com 15 anos já lia Dante, Cervantes, Melville&#8230; não parei mais.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Quais são seus escritores e poetas prediletos? Charles Baudelaire, considerado pai do simbolismo e autor de Flores do Mal, é um deles?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> As Flores do Mal li na época em que morei no Vale do São Francisco, na plenitude de minha juventude. Rimbaud, Victor Hugo, Guy de Maupassant, Émile Zola e mais adiante, na faculdade, Mallarmé, foram algumas referências francesas que me acompanharam por muito tempo, e que ainda me causam rebuliços. Borges ainda é a maior das entidades literárias para mim. Através dele, cheguei aos grandes da América Latina: Gabo, Benedetti, Cortázar e tantos outros. No Brasil, preciso citar Drummond, João Cabral, Gullar, Bandeira, Manoel de Barros, Castro Alves, Clarice, Raquel, Hilda, Jorge de Lima, Patativa, Rosa, J.J. Veiga&#8230; é impossível citar todos que me marcaram eternamente. O Brasil tem uma seara vastíssima de grandes escritores e escritoras. Ultimamente tenho me voltado mais para a literatura contemporânea e também para livros de escritores negros. Estou descobrindo bons nomes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Desde 2007 o senhor comanda o blog “O Equador das Coisas” que já tem mais de 2.100 textos publicados. Como nasceu o portal e qual objetivo dele?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> A ideia do blog O Equador das Coisas nasceu durante uma aula na faculdade de jornalismo. Nele comecei a divulgar meus textos. Passados 14 anos, o meu blog segue vivo e terminou se ramificando para um jornal literário impresso e um canal literário homônimo na plataforma YouTube, onde conto com a colaboração de alguns amigos e amigas. Há também um blog coletivo. Todos esses suportes, bem como as minhas redes sociais, objetivam, de algum modo, aproximar leitores da literatura e vice-versa.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE </strong>– <strong>O senhor já encontrou ou está próximo do equador de todas as coisas?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> De todas as coisas, ainda não. Por isso, sigo escrevendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> <div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</strong></p>
<h2 style="text-align: center;">&#8220;Eu vejo-o como um autor perfecionista e cerebral&#8221;, diz Luísa Fresta sobre a obra de Germano Xavier</h2>
<figure id="attachment_41939" aria-describedby="caption-attachment-41939" style="width: 225px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-41939" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-768x1024.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17.jpeg 1439w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41939" class="wp-caption-text">Escritora Luísa Fresta</figcaption></figure>
<p>A escritora luso-angolana, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/luisafresta/">Luísa Fresta</a></span></strong>, foi a responsável por traduzir do português o livro O Homem Encurralado (em francês, L’Homme Acculé), o que não foi  uma tarefa fácil, tarefa que começou “por puro prazer e bem devagar”. E ao fazê-lo, Luísa vê o escritor Germano Xavier como “um autor perfecionista e cerebral, o que não invalida de modo algum a sua capacidade de transmitir e recriar emoções vibrantes, mas de uma forma contida, implícita, subtil, quase austera”.</p>
<p>Luísa está pronta para continuar as traduções da trilogia de Germano Xavier. “É essa a minha intenção, e fá-lo-ei com muito gosto e determinação, desde que o autor continue a confiar na minha intuição e métodos, que têm um papel importante neste trabalho intimista e desde que essa escolha não belisque o belíssimo texto original”.</p>
<p>Ela viveu a maior parte da juventude em Angola e reside em Portugal desde 1993. É autora de uma série de crônicas sobre as décadas de 70/80, publicada no Jornal Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras, em Luanda.  Seus mais recentes livros são “A fabulosa galinha de Angola”, literatura infanto-juvenil, e <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://www.mallarmargens.com/2021/05/sapataria-e-outros-caminhos-de-pe-posto.html">&#8220;Sapataria e outros caminhos de pé posto”</a></span></strong>, um livro de contos.</p>
<p>Leia aqui alguns textos de Luísa Fresta, como &#8220;<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.buala.org/pt/afroscreen/alda-e-maria-por-aqui-tudo-bem-um-filme-de-pocas-pascoal">Alda e Maria – por aqui tudo bem&#8221; &#8211; um filme de Pocas Pascoal</a></span></strong></p>
<p class="title entry-title"><strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ogazzeta.blogspot.com/2018/07/filhos-de-deus-contos-e-monologos-de.html">Filhos de Deus, Contos e Monólogos &#8211; de Dina Salústio</a></span></strong></p>
<p>O <strong>Só Sergipe</strong> manteve as respostas de Luísa no português falado em Portugal.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – A senhora integra o projeto de Germano Xavier e traduziu para o francês os poemas do livro ‘O Homem Encurralado’. Como foi essa tarefa, já que tradução, principalmente de poemas, não é algo simples?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong>  Deixe-me, antes de mais, agradecer a oportunidade de tecer algumas considerações sobre esta obra. A tradução deve ser invisível, idealmente, e por arrasto o tradutor acaba por sê-lo também, pelo menos é assim que eu encaro este ofício.</p>
<p>Respondendo diretamente à sua pergunta confirmo que não se trata de uma tarefa fácil, mas pode ser facilitada. Tratando-se de poesia creio que há fatores específicos a ter em conta. Para além de tentar levar a mensagem do poeta a outro público, aos leitores francófonos, no caso, pretende-se que a essência se mantenha, o ritmo, a beleza, a rudeza, enfim, traduzir “sem atraiçoar” resulta de um conjunto de escolhas em cada texto, a cada verso. Os leitores julgarão se foram as mais adequadas em cada momento. Em todo o caso posso dizer-lhe que o facto de conhecer o autor há alguns anos e de acompanhar de muito perto a sua obra (em poesia e em prosa) permitiu-me talvez perceber melhor a sua intenção nestes textos intensos, despojados e também cheios de sombras, como a própria condição humana.</p>
<p>Por outro lado eu fui traduzindo aos poucos, praticamente à medida que os poemas foram sendo revelados, e esse sistema levou-me a contornar gradualmente as dificuldades sem conhecer, à partida, o tamanho da empreitada. Não sei se o próprio autor tinha noção da dimensão desta série de poemas, em termos quantitativos e de intensidade. Eu comecei a traduzi-los por puro prazer e bem devagar, de maneira que consegui conservar alguma serenidade — que não se tem quando se traduz sob pressão, com prazos apertados e autores que não conhecemos.</p>
<p>Surgiram algumas dúvidas pelo caminho, no texto em português (nomeadamente pelo facto de eu não ser brasileira e também devido ao carácter hermético e simbólico de algumas expressões), dúvidas que foram prontamente esclarecidas pelo Germano. Também tive algumas interrogações sobre pormenores da versão francesa; para ultrapassar esses obstáculos usei métodos convencionais ou mais criativos. Inclusive o recurso a aconselhamento pontual de outros tradutores e amigos professores que são falantes nativos de francês.</p>
<figure id="attachment_41961" aria-describedby="caption-attachment-41961" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41961 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png" alt="" width="1000" height="600" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png 1000w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783-300x180.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41961" class="wp-caption-text">O Homem Encurralado, traduzido para o francês</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Na tradução para o francês, a senhora diz que “procuramos outra voz para expressar o mesmo ambiente”. Nessa busca a senhora percebe uma musicalidade nos poemas?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> Com certeza. A poesia de Germano tem ritmo de sobra e também melodia, a gente percebe isso mais claramente quando a lê em voz alta. Eu fico sempre fascinada quando vejo o gráfico de um áudio porque sou confrontada com a harmonia que existe no texto (dele): as pausas, os sons mais agudos ou mais graves. Esta percepção é meramente sensorial, mas creio que até uma pessoa que não entenda a nossa língua pode compreender a coerência sonora dos textos que compõem “O Homem Encurralado” e apreciá-la baseada unicamente nessa conjugação de notas. Uma pessoa das minhas relações, que nem fala português, comentou, certa vez, ao ouvir a leitura de um poema de Germano, que gostou da música e da sobriedade. Por vezes a sensibilidade abarca aquilo que o conhecimento não atinge.</p>
<p>Procurei que os textos em francês conservassem a musicalidade ou criassem outros esquemas melódicos potencialmente agradáveis ao ouvido.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Num trecho do prefácio do livro, a senhora diz que se “identificou plenamente com a ‘poíeses’ de Germano Xavier. A senhora poderia explicar melhor como se deu essa identificação?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> Olhe, realmente a identificação com a criação e o resultado desse “fazer artístico” do Germano talvez tenha sido espontânea desde o início, quando eu me tornei leitora assídua dos seus textos, bem antes de “O Homem Encurralado”. O Germano tem uma forma de criar que eu julgo compreender, até onde me é possível, daí falar em “identificação”. O autor baseia-se muito no quotidiano, no pulsar da sociedade, nas relações entre pessoas, na ostracização, nas barreiras sociais e na indiferença, na observação do individualismo, para criar os seus ambientes e personagens. Este livro espelha bastante bem o processo, creio. Depois trabalha todo esse material como um escultor, burilando cada palavra ou ideia.</p>
<p>Eu vejo-o como um autor perfecionista e cerebral, o que não invalida de modo algum a sua capacidade de transmitir e recriar emoções vibrantes, mas de uma forma contida, implícita, subtil, quase austera. Eu revejo-me no método, nas fontes de inspiração e até na sobriedade e discrição com que Germano aborda uma infinidade de temas, com garra mas sem nunca perder o norte.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –  A senhora segue no projeto para traduzir os outros dois livros que comporão a trilogia?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> É essa a minha intenção, e fá-lo-ei com muito gosto e determinação, desde que o autor continue a confiar na minha intuição e métodos, que têm um papel importante neste trabalho intimista e desde que essa escolha não belisque o belíssimo texto original. De qualquer maneira o facto de Germano ter permitido que eu seja a sua primeira tradutora enche-me de orgulho, ao qual acresce uma grande responsabilidade. O autor poderia ter escolhido um tradutor nativo de língua francesa mas optou por confiar no meu trabalho; essa confiança é determinante para que tudo corra o melhor possível.</p>
<p>Luísa Fresta declama Nulla, o primeiro poema do livro O Homem Encurralado de Germano Xavier:</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Luísa Fresta declamando o poema Nulla" width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/pdof_XS95Rk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><strong>
			</div></div></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&#038;title=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier/" data-a2a-title="“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier/">“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O escritor das serranias diamantinas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-das-serranias-diamantinas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2021 15:06:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Ângelo de Mattos Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[Chapada Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[emoção]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Erasmo de Carvalho Braga]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[Gandhi]]></category>
		<category><![CDATA[gruta da Torrinha]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Iraquara]]></category>
		<category><![CDATA[iraquarense]]></category>
		<category><![CDATA[lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[O Império das Serranias]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
		<category><![CDATA[político]]></category>
		<category><![CDATA[Realidades Telúricas]]></category>
		<category><![CDATA[rixas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=38725</guid>

					<description><![CDATA[<p>A existência deste texto não parte do agora, i.e., do tempo do presente instante, mas de alguns muitos anos atrás, mais precisamente a partir do dia em que mantive contato &#8211; em primeira leva &#8211; com os textos dele: o Sr. Ângelo de Mattos Pereira, uma das mentes mais abençoadas desta pacata cidade chapadense e &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-das-serranias-diamantinas/">O escritor das serranias diamantinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&#038;title=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-das-serranias-diamantinas/" data-a2a-title="O escritor das serranias diamantinas"></a></p><div>
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 176px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="176" height="172" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 176px) 100vw, 176px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A existência deste texto não parte do agora, i.e., do tempo do presente instante, mas de alguns muitos anos atrás, mais precisamente a partir do dia em que mantive contato &#8211; em primeira leva &#8211; com os textos dele: o Sr. Ângelo de Mattos Pereira, uma das mentes mais abençoadas desta pacata cidade chapadense e baiana de nome Iraquara. A bem da verdade é que sempre tive vontade de entrevistá-lo, iniciar uma conversa com este homem de letras vigorosas, aprender apreendendo o seu mundo &#8211; que também é o meu mundo, o nosso, patrimônio de todo iraquarense e/ou habitante da inigualável Chapada Diamantina-, mundo regado de recordações, poemas de expressividade nada parca, contos cativantes no encalço de assuntos pertinentes à nós, histórias de se prender atenções, estórias de se atravessar gerações, realidades puras, ficções mais puras ainda&#8230; sempre, sempre foi a minha intenção senti-lo assim de mais perto, alma tão gigantesca, mas se antes não tive a força necessária para produzir fatos a partir deste meu desejo, foi por me saber ainda despreparado para tal. Um encontro assim não poderia ser elaborado à revelia, sem os devidos preparativos. Era preciso um cuidado todo especial, ler mais coisas sobre ele, dele, escutar mais, suspeitar mais, amadurecer mais&#8230; só assim o caminho do nosso primeiro encontro dar-se-ia em mais validade para os propósitos futuros.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois sim, foi na manhã de uma sexta-feira, dia 20 de janeiro de 2012. De casa saí em direção à residência do escritor &#8211; as horas que vingariam prometiam um teor de vida muito grande. Minha imaginação especulava muito sobre todas as coisas e seus respectivos equadores. Algo de muito maravilhoso eu estava para presenciar, enfim. Porta da casa do escritor: tudo muito natural. Manhã nem quente nem fria. Céu aberto. Falei com o filho do escritor logo na entrada, mãos trocadas e apertadas, e ele entrou para avisar ao pai que o rapaz jornalista da entrevista tinha acabado de chegar.</p>
<p style="text-align: justify;">Fui no tracejo marcado pelo filho, entrando-me sem receio, o Sr. Ângelo estava retirando algumas sacolas de dentro de seu veículo, dentro da garagem de sua morada. Recebeu-me com um sorriso divertido no rosto e um aperto de mãos alongado. Jeito simples, olhar simples, ser humano. Terminou a tarefa que estava fazendo com um pouco mais de pressa e logo pôs passos nas pernas em direção ao andar superior, convidando-me a segui-lo, por onde se via uma espécie de plaqueta em tinta com o seguinte dizer: Toca do Poeta.</p>
<figure id="attachment_38740" aria-describedby="caption-attachment-38740" style="width: 435px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/03/iraquara-bahia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-38740" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/03/iraquara-bahia-300x174.jpg" alt="" width="435" height="252" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/03/iraquara-bahia-300x174.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/03/iraquara-bahia.jpg 766w" sizes="auto, (max-width: 435px) 100vw, 435px" /></a><figcaption id="caption-attachment-38740" class="wp-caption-text">Iraquara, na Chapada Diamantina, onde viveu Seu Ângelo Foto: Site Viagem com Beth</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Uma certeza: eu estava no lugar certo, no abrigo das letras, na fábrica de poemas e contos de um dos maiores nomes da literatura (seja de ficção ou não-ficção) regional de nossos dias. Não é todo dia que podemos nos encontrar com um poeta vivo, fato que substancia ainda mais o valor daquelas horas para mim. Subimos, ele meio de lado, pisando com firmeza os degraus, em paciente subida. Fiquei no primeiro degrau, enquanto via o molho de chaves nas mãos do poeta, tremulando. Ele tentou uma, a porta não abriu. Escolheu outra chave, a porta continuava sem querer ser aberta. Até que na terceira tentativa, a porta que dava para o interior da Toca do Poeta descerrou-se e, encantado com o encantamento do aposento – de uma simplicidade comovente -, fui me atirando nos dentros do lugar, ao passo que o Sr. Ângelo organizava alguns objetos que se encontravam sobre a mesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Sentamos, compartilhando de uma mesa em madeira escura. Opostos, um de cada lado, num mesmo frenesi baseado em cumplicidade e respeito. Eu, um mero aprendiz das artes e gracejos das palavras, jornalista ainda mais mambembe, ao lado de um homem já de vida plena que hoje está preparando o seu quarto livro, este intitulado de Odisseia dos Coronéis Sertanejos, já quase finalizado. Os outros são, por ordem de publicação, respectivamente: Fragmentos de Saudade (2006), O Império das Serranias (2008) e Realidades Telúricas (2009). O que seria uma entrevista, logo nos primeiros minutos desmanchou-se de formato e deu lugar a uma prosa inesquecível de quase três horas de duração – não tinha fita de gravador que resolvesse.</p>
<p style="text-align: justify;">Questionado sobre a infância, o poeta começou a falar sobre sua árvore genealógica. Família com antepassados de Portugal, avó materna portuguesa. Nascido no dia 19 de junho de 1939, na encosta de um outeiro na Vila de Olhos D’Água do Seco, em Ibitiara-BA, ainda adolescente perdeu a mãe, quando ainda tinha de 11 para 12 anos, vitimada de doença do coração. Filho legítimo de Rosalvo Pereira e Maria de Queiroz Pereira. Contou-me que o pai casou-se novamente após a morte de sua mãe, que gostava também da madrasta, a senhora Leonília de Queiroz Pereira, mas era da mãe Maria que o filho tecia as mais saudosas considerações e reminiscências.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele recorda, no que senti um tantinho de emoção na fala e nos olhos, do dia em que viu pela primeira vez o retrato da mãe pendurado numa parede. “Eu nunca tinha visto uma foto da minha mãe. Naquele tempo só se via foto de gente “importante”, ligado à política. Foi uma grande surpresa para mim. Ela estava linda.” Depois que o pai morreu, foi morar em Lençóis-BA, na casa de um irmão. Era o ano de 1958. Assim que atingiu a maioridade civil, veio para Iraquara, onde fez o curso de magistério e trabalhou 35 anos exercendo o cargo de Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais com Funções Notariais. Cursou Letras e Artes na Universidade Estadual de Feira de Santana-Bahia e, depois de aposentado, começou a perceber que sua vida estava muito parada, sem grandes novidades nem atrativos. E foi justamente após ter parado de trabalhar que o Sr. Ângelo de Mattos Pereira sentiu a necessidade de começar a escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">O poeta relata que sempre teve tendência para a escrita de textos dos mais variados formatos. “Em Ibitiara, certa vez uma professora chamada Lindaura de Brito, minha primeira professora, me passou um trabalho. Lembro como se fosse hoje. No outro dia entreguei-o pronto, todo feito em versos. Eu nem sabia o que era um verso. Eu me lembro dela dizendo: Isso aqui é uma poesia. Você é poeta, meu filho!” Tudo estava iniciado, como se tudo já estivesse escrito há muito tempo no destino. Sr. Ângelo citou alguns nomes dentro da família que também escreviam, a citar o seu avô materno, exímio poeta e médico, assim como também o grande e polêmico Gregório de Matos Guerra, conhecido também como “Boca do Inferno” e que, segundo o escritor iraquarense, é parente bem chegado dentro da genealogia familiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre uma e outra nova informação sobre os três livros de sua autoria que estavam sobre a mesa, pediu-me que eu lesse em voz alta o poema “A Terra não nos pertence”, que está na orelha do seu terceiro livro, o Realidades Telúricas. Ao passo que lia, sorria como que dizendo: “Não é verdade? Concorda comigo, <span class="il">Germano</span>?” Um belo exemplar das temáticas mais trabalhadas pela verve do poeta-escritor, poema mesclado em linguagem culta e coloquial, com forte presença metafísico-religiosa. Falou-me de como se deu o processo de feitura e escolha da capa, e do quanto gostou da que trazia a figura de um anjo negro sobre a Igreja de São Francisco, na capital soteropolitana. “Era a capa perfeita”, balbuciou, feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao passo que a parola se desenrolava, Seu Ângelo, como é mais conhecido pelos iraquarenses, reforçava a idéia do interesse pela escrita nascido depois do recesso do trabalho no setor da Justiça. “A gente tem tudo na cabeça. A gente sabe disso. Você mesmo sabe do que estou falando. Mas é o que é melhor dentro de tudo que possuímos que a gente deve cultivar. Todo mundo carrega tudo dentro de si, até as doenças estão dentro da gente, mas devemos tentar desenvolver só aquilo que é bom. Foi assim com a minha escrita. Eu sabia que tinha isso dentro de mim. Um dia sentei e comecei, e estou até agora. Não tenho vontade de parar. Hoje escrever é uma das coisas que me dão mais prazer. Vou lendo, vou escrevendo, aplicando alguma coisa de minhas experiências, arrumando outras informações e os textos surgem naturalmente. Eu pensava muito em como eu iria começar a escrever, mas aí as ideias foram surgindo, fui fazendo pesquisas também, e pronto, decidi escrever. Nessa brincadeira, já vou em quase quatro livros, e o quinto já vem aí, que será sobre a genealogia da família Matos.” Sobre o quinto livro, o mestre deu uma palhinha: “O primeiro da família Matos foi José Pereira de Matos, que chegou de Portugal, era um alferes, mais ou menos o que representa um sargento hoje e viveu em Santo Inácio. Quando ele chegou em Santo Inácio, casou-se com uma tapuia&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A melhor escola da vida é o mundo, e a melhor escola do mundo é a vida&#8221;, soprou o mestre iraquarense, num movimento inesperado. Seu Ângelo geralmente escreve na parte da noite, após o jantar, indo até a meia-noite. Falou-me que gosta mais de escrever quando a cidade está bem parada, com pouco ou quase nenhum movimento, &#8220;quando até parece que Deus para para ver a gente lá de cima&#8221;, retrucou. É assim a sua tática de produtividade textual mais comum. &#8220;Eu adoro ser entrevistado, sabia?!&#8221;, exclamou perguntando, da mesma maneira inesperada. &#8220;Muita gente começou a me visitar depois que comecei a publicar meus livros, gente de faculdade, estudantes, etc. Eu gosto por demais disso&#8221;, revela.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu Ângelo chegou em Iraquara no ano de 1958, muito novo, ficou na casa de uma senhora, que servia de hotel, e acabou casando com a filha dela, Helenita Pereira Matos. Disse que veio para Iraquara porque ouviu dizer lá em Lençóis que havia uma vila, nem cidade era ainda, muito boa de morar, mais tranquila, de povo ordeiro e hospitaleiro. “Eu tava procurando um lugar para morar, aí vim para cá. Quando eu cheguei, a política me colocou logo para trabalhar no cartório, ganhando pelas custas, porque não era registrado naquele tempo&#8230; depois veio o concurso, e fiquei trabalhando até me aposentar. Naquele tempo só tinha buraco, terra, nada era calçado, quando chovia era um lamaçal, mas o povo era muito bom, aí fui ficando por aqui mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Teve ele outras oportunidades de morar em localidades várias, porém preferiu ficar em Iraquara. Com trinta e poucos anos foi que entrou para a faculdade de Letras, chegou a lecionar Língua Portuguesa e foi também vice-diretor do Centro Educacional Manoel Teixeira Leite, algo em torno de dois anos, porém depois ficou só no cartório. O escritor foi também quatro vezes vereador, em mandatos consecutivos, e candidato a prefeito, não conseguindo se eleger. “Não vou dizer que perdi, porque eu tiro esse fato como uma lição.” Sobre esta experiência, diz que se envolveu com a política porque a família era muito ligada nisso. “Quase todo mundo do meu sangue era da política. Tudo que fosse bom para as pessoas, eu buscava ajudar. Ajudei a fundar o segundo grau no C.E.M.T.L., eu registrei o segundo grau aqui na cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Entrado em questionamentos mais metafísicos direcionados por minha curiosidade, começou: “Eu sou eu mesmo. Eu sou uma pessoa de família pobre, apesar de ter gente muito famosa dentro da família, a citar o coronel Horácio de Matos, que era primo carnal de minha mãe. Horácio de Matos tinha muito nome, era um cara quase analfabeto, foi Senador Estadual e muitas outras coisas, e continuou mandando na Chapada Diamantina todinha por muito tempo. Foi ele que fez a Chapada Diamantina, foi ele que escreveu a história da Chapada Diamantina. Certa feita eu ouvi um senhor dizer &#8211; ele era do começo do século passado -, que a história que se sabe do coronel Horácio não é nem metade da que ele realmente ajudou a fazer.”</p>
<p style="text-align: justify;">Narrou um pouco sobre as antigas rixas entre famílias da região, inclusive com a sua, na localidade onde hoje é o Cochó do Malheiro, perseguições por causa de fazendas e terras, entre tantos outros motivos. “Perseguiram meu pai, perseguiram meu avó. Meu pai contava que um dia estava em sua casa, na fazenda, aí de repente chegava um caminhão cheio de soldados, e que eles corriam pelos fundos da casa, escondiam-se e lá ficavam horas e horas esperando eles irem embora. Um dia minha mãe me contou que todos da casa se esconderam perto dum riacho, e quando voltaram para casa os soldados, de prontidão, perguntaram por meu pai. Minha mãe disse que ele havia viajado, mentindo, como proteção. Um fuzil atrás da porta dava para ser visto. Eles iam para matar mesmo. Iam matar o meu pai. Sobre minha mãe, eles diziam: “Deixa, é mulher”. Se fosse meu pai tinha matado ali mesmo. Minha mãe era muito corajosa, morena, dos cabelos grandes, muito bonita, me lembro dela até hoje”, reitera.</p>
<p style="text-align: justify;">As lembranças de uma Iraquara que não existe mais ainda continuam vivíssimas na mente do poeta, memórias vivas do período de emancipação da cidade de Iraquara, em 05 de julho de 1962. Era um homem muito novo, mas ajudou muito. “Aqui era muito atrasado, não tinha nada, todavia eu tenho saudade daquele tempo&#8230;” Foi me contando como tudo aconteceu, os primeiros mandatos, as primeiras confusões e embates, as disputas partidárias e as vaidades de alguns políticos. “Eu montava numa bicicleta e ia até a casa das pessoas tentar contribuir com alguma coisa em minha carreira política, fazer um favor, trazer um benefício, também ia no lombo de animal levar um remédio, um pouco de comida, tudo que eu pudesse fazer, eu fazia&#8230; naquele tempo quase que não se via automóvel por estas bandas”, balbuciou, com uma voz um pouco trôpega.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre seus primeiros livros, a começar de Fragmentos de Saudade, diz ter escrito com o propósito de resgatar a cultura de nossa gente, que fez pesquisas sobre a Chapada Velha, sobre as formações rochosas&#8230; “Meu primeiro livro é muito apegado à minha mãe, saudade dela, daquele tempo, ela gostava mais de mim do que qualquer outro de seus filhos. A gente tinha tanto amor! Era uma pessoa muito prestativa, de coração enorme. Por exemplo, quando ela sabia que tinha uma pessoa com furúnculo, podia estar onde estivesse, ela preparava um espinho de mandacaru e ia lá furar ele, todo dia, até sarar o ferimento da pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">E seguiu dizendo do seu papel de escritor: “O poeta não estuda, o poeta nasce. É o dom que deus dá.” Citou um pouco da história das polêmicas envolvendo Gregório de Matos e também do movimento Barroco e riu lembrando-se de várias passagens do poeta baiano. Falou da palmatória, instrumento de madeira com um furo no meio que sua mãe mantinha em casa. “Às vezes eu fazia alguma coisa errada, aí ela me batia com a palmatória. Quando doía muito, eu a abraçava chorando e ela chorava junto comigo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda sobre a sua formação, recorda: “Se eu pegasse um pedaço de jornal no chão, eu lia todinho, um livro velho, qualquer coisa&#8230; Não havia tantos livros como hoje. Um dos autores que mais eu admirava era Erasmo de Carvalho Braga, educador e intelectual brasileiro. Ele escrevia contos, dissertações, ficções, os livros dele eram muito aplicados nas escolas. Naquele tempo a gente lia mesmo, tinha que decorar o significado das palavras do livro, porque a professora ia perguntar a gente no dia seguinte. Era só uma professora para toda a turma. Eram mais de 40 alunos. E eu sempre fui um dos mais adiantados. E quando era trabalho escrito, eu fazia tudo em verso. Eu amava minha professora. Quando ela me via, corria e vinha me abraçar”, lembra, emotivo. Sobre o livro Império das Serranias relata que ele nasceu depois de um convite de um amigo para conhecer a gruta da Torrinha, umas das mais completas em espeleotemas do mundo. Já o intitulado Realidades Telúricas diz ser um compêndio que reúne textos acerca de vários assuntos, do mais trivial ao mais filosófico.</p>
<p style="text-align: justify;">E, como que de chofre, o tempo foi atravessado nas horas, certeza de amizade eterna travada. Era hora de deixar o poeta fazer sua refeição da tarde, porque poetas não são deuses, poetas são homens comuns – o que é muito mais difícil de ser. Fui me despedindo, depois de ser presenteado com dois exemplares autografados pelo autor. O Sr. Ângelo de Mattos Pereira relatando umas lembranças muito antigas, de crianças pobres que de perto via quando ainda era criança, no que destacando também seu lado humanitário aflorado nos dias de agora. Ao passo que ia colocando todos os materiais da entrevista dentro de minha mochila, reparei que atrás de onde eu permaneci por quase todos aqueles minutos estava um quadro com a imagem de Gandhi. “É preciso fazer o bem, meu filho, o bem. O bem em prol do Belo”, finalizou, num até breve sincero e amigo.</p>
<div>
<div style="text-align: justify;"><strong>*Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <a href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></div>
</div>
<div>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
</div>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&amp;linkname=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-escritor-das-serranias-diamantinas%2F&#038;title=O%20escritor%20das%20serranias%20diamantinas" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-das-serranias-diamantinas/" data-a2a-title="O escritor das serranias diamantinas"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-das-serranias-diamantinas/">O escritor das serranias diamantinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Sergipe é um estado vizinho, somos irmãos&#8221;, disse o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2020 12:11:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Abrolhos]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Chapada Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[curtas]]></category>
		<category><![CDATA[internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[irmãos]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[secretário estadual do Turismo]]></category>
		<category><![CDATA[sergipanos]]></category>
		<category><![CDATA[Sergipe]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>
		<category><![CDATA[viagens curtas]]></category>
		<category><![CDATA[visita]]></category>
		<category><![CDATA[vizinhos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=33089</guid>

					<description><![CDATA[<p>O secretário estadual de Turismo da Bahia, Fausto de Abreu Franco, conhecido como  um dos principais empresários de entretenimento do País,   pretende investir para atrair o turista sergipano. Segundo ele, no momento, “as pessoas querem viajar para lugares perto de casa e Sergipe é muito interessante para nós pela proximidade e pelas relações que &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco/">&#8220;Sergipe é um estado vizinho, somos irmãos&#8221;, disse o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&#038;title=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco/" data-a2a-title="“Sergipe é um estado vizinho, somos irmãos”, disse o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco"></a></p><p style="text-align: justify;">O secretário estadual de Turismo da Bahia, Fausto de Abreu Franco, conhecido como  um dos principais empresários de entretenimento do País,   pretende investir para atrair o turista sergipano. Segundo ele, no momento, “as pessoas querem viajar para lugares perto de casa e Sergipe é muito interessante para nós pela proximidade e pelas relações que nos cercam”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Nós somos irmãos”, disse ao se referir à sinergia que une baianos e sergipanos.  Mesmo com a pandemia, o secretário disse que sempre manteve contato com as operadoras de turismo e companhias aéreas, com o objetivo de “manter acesa a chama do turismo”. E está trabalhando algumas campanhas de marketing  e redes sociais para que a Bahia esteja na mente das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta semana, Fausto Franco conversou com o portal <strong>Só Sergipe</strong> e disse que conseguiu R$ 100 milhões do Governo Federal, mas esse valor ainda é pouco, para ajudar o empresário de setor.</p>
<figure id="attachment_33100" aria-describedby="caption-attachment-33100" style="width: 458px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/elevador-lacerda.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33100" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/elevador-lacerda-300x179.jpg" alt="" width="458" height="273" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/elevador-lacerda-300x179.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/elevador-lacerda-1024x613.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/elevador-lacerda-768x459.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/elevador-lacerda.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 458px) 100vw, 458px" /></a><figcaption id="caption-attachment-33100" class="wp-caption-text">Elevador Lacerda, em Salvador Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SÓ SERGIPE – Uma das atividades que mais sofreu com a pandemia da covid-19 foi o turismo. Em todo o mundo, as pessoas foram obrigadas a ficar em casa. Mas agora, o turismo vem sendo retomado e Sergipe e Bahia são estados vizinhos e essa intervisitação é muito grande. O que a Secretaria de Estado do Turismo da Bahia está fazendo pra atrair o turista sergipano?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FAUSTO FRANCO –</strong> Eu acho que o mercado de Sergipe é muito interessante para nós  pela proximidade e pelas relações que nos cercam. Mas temos que lembrar que a pandemia ainda continua conosco. Aquelas aglomerações que conhecíamos e que costumávamos fazer como carnaval, réveillon, etc. não vão ser possíveis, por ainda não termos vacina. Mas a Bahia tem outros predicados para apresentar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Por exemplo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FF &#8211;</strong> Nossa gastronomia, cultura, religião, nossa história. Não faltam atrativos na Bahia. Acho que Sergipe e Bahia têm um intercâmbio muito interessante. É sinérgica a relação entre Bahia e Sergipe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Como o senhor disse, a pandemia ainda está aí. Mas as pessoas querem sair de casa, para viagens dentro do país, não é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FF – </strong>Sim. Pesquisas que fizemos e conversas que estamos tendo, mostram que as pessoas sentem necessidade de sair de casa, viajar, mas, num primeiro momento viagens curtas.  Sergipe é um estado vizinho, somos irmãos. Ninguém quer fazer viagens internacionais, até porque não estamos sendo aceitos em vários lugares do mundo e o dólar ainda está alto.</p>
<figure id="attachment_33102" aria-describedby="caption-attachment-33102" style="width: 467px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/chapada-diamantina.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33102" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/chapada-diamantina-300x201.jpg" alt="" width="467" height="313" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/chapada-diamantina-300x201.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/chapada-diamantina-110x75.jpg 110w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/chapada-diamantina.jpg 710w" sizes="auto, (max-width: 467px) 100vw, 467px" /></a><figcaption id="caption-attachment-33102" class="wp-caption-text">Chapada Diamantina (Miradas.com.br / Creative Commons)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – O turismo na Bahia é o ano inteiro, e o<span style="color: #000000;"> nordeste é um excelente destino.</span> O que o senhor tem feito para manter a chama do turismo acesa nestes tempos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FF –</strong> A Bahia é muito grande e isso é vantajoso. Há duas baías super navegáveis, tem a Chapada Diamantina, os cânions do rio São Francisco, Abrolhos e Salvador foi a primeira capital do Brasil. Temos uma história muito rica e intensa para o turismo. A história do Brasil passa pela Bahia em todos os sentimentos, então é muito natural o desejo de conhecê-la. Vários artistas cantam a Bahia, temos Jorge Amado e tantos outros. Isso tudo serve de estímulo para as pessoas visitarem a Bahia. Estamos trabalhando o marketing, trabalhando com as operadores e empresas aéreos, mas sempre informando, primeiro, que estamos preocupados com a questão sanitária. Mas dizendo que no momento certo estaremos de braços abertos e com o sorriso que só o baiano sabe ter, com seu jeito bem despojado, para receber todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – O senhor integra o Fórum dos Secretários e Dirigentes Estaduais do Turismo – Fornatur &#8211; e em março subscreveu uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro, quando, em 24 de março, ele pregou a volta à normalidade. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FF – </strong><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.setur.ba.gov.br/2020/03/1660/Secretarios-de-turismo-de-todo-o-Pais-manifestam-se-contra-pronunciamento-em-carta-a-Presidencia-da-Republica.html">Sim, subscrevi o documento.</a></span> As coisas  são muito lentas e precisamos de oxigênio. O setor de turismo foi um dos mais atingidos na pandemia e um dos últimos a voltar. Muitas empresas, pousadas e hotéis fecharam, principalmente, os menores. Se não tiver ajuda ao empresariado, ele não consegue manter o negócio funcionando. E o crédito é muito burocrático para chegar na mão do empresário. Esperemos muita celeridade do governo federal para que ajude o setor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS  &#8211; O Fornatur continua se reunindo e o senhor mantém contato com outros secretários de turismo e com o Governo Federal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FF &#8211;</strong> Estamos sempre conversando, tendo reuniões virtuais para manter a estratégias e fazer cobranças ao ministério do Turismo. Nós conseguimos um crédito de R$ 100 milhões, junto ao  Governo Federal, mas ainda é pouco. Vou buscar mais para ajudar os empresários do setor turístico  para que continuem com as empresas funcionando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&amp;linkname=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco%2F&#038;title=%E2%80%9CSergipe%20%C3%A9%20um%20estado%20vizinho%2C%20somos%20irm%C3%A3os%E2%80%9D%2C%20disse%20o%20secret%C3%A1rio%20de%20Turismo%20da%20Bahia%2C%20Fausto%20Franco" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco/" data-a2a-title="“Sergipe é um estado vizinho, somos irmãos”, disse o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sergipe-e-um-estado-vizinho-somos-irmaos-disse-o-secretario-de-turismo-da-bahia-fausto-franco/">&#8220;Sergipe é um estado vizinho, somos irmãos&#8221;, disse o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nossos verdes cabralinos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nossos-verdes-cabralinos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Feb 2020 05:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[A Escola das Facas]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[Chapada Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[João Cabral de Melo Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[mestre]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[O Equador das Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[Penambuco]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=25595</guid>

					<description><![CDATA[<p>O coqueiro e a cana lhe ensinam, sem pedra-mó, mas faca a faca, como voar o Agreste e o Sertão: mão cortante e desembainhada.&#8221; (João Cabral de Melo Neto, em A Escola das Facas) Quando atravessei a Chapada Diamantina e me deparei com o Pernambuco do meu pai pela primeira vez, ali ainda em minha &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/nossos-verdes-cabralinos/">Nossos verdes cabralinos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&#038;title=Nossos%20verdes%20cabralinos" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/nossos-verdes-cabralinos/" data-a2a-title="Nossos verdes cabralinos"></a></p><p style="text-align: right;">O coqueiro e a cana lhe ensinam,<br />
sem pedra-mó, mas faca a faca,<br />
como voar o Agreste e o Sertão:<br />
mão cortante e desembainhada.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">(João Cabral de Melo Neto, em A Escola das Facas)</p>
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 152px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="152" height="148" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 152px) 100vw, 152px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano  Viana Xavier</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Quando atravessei a Chapada Diamantina e me deparei com o Pernambuco do meu pai pela primeira vez, ali ainda em minha infância mais tênue e profunda, senti que aquele chão esbranquiçado e desmentido pelas sortes, de poeira mais fácil que a do solo baiano, impregnaria em mim com muita facilidade e quase nenhuma relutância. E não deu outra. Hoje, já bem crescido em idade e apesar da certidão chapadeira, sinto-me pernambucano em vários detalhes de alma, a começar pelo prazer que desenvolvi em ler a poesia deste “estado-trampolim”, como diria o incomensurável João Cabral de Melo Neto, autor do monumental A ESCOLA DAS FACAS.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25596 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro-204x300.jpg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro.jpg 349w" sizes="auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px" /></a>Lendo este livro, vi de perto a superação da palavra-imagem em transformação consoante ao que é real. Uma espécie de transposição das águas ficcionais em águas de beber, de viver e, principalmente, em águas de sobreviver. Sobre-ser. Digo por experiência própria que já adentrei os pernambucos por todos ou por quase todos os lados, vez ou outra vindo de Paulo Afonso-BA, outrora descendo pela Paraíba de João Pessoa ou por Campina Grande, e até enfrentando-o de frente pelas rodovias de Alagoas, e aquele mesmo verde-nervoso e balouçante do poeta João Cabral de Melo Neto tão bem traduzido em seus poemas respinga até hoje pelas telas e pelas paisagens do mundo pernambucano-nordestino a todo instante.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem verdade, faz-se necessário salientar, um verde já carcomido pela ação do tempo, principalmente em localidades por onde o “progresso” oriundo do funcionamento das grandes usinas de cana-de-açúcar deixou de herança apenas as ruínas de suas construções e o maquinário em ferrugem, como feridas abertas sob o sol. Porém, assim mesmo digo de relance: sou um homem transformado pelas transformações que meus olhos viram, um homem lapidado pela intersecção das caudalosas águas negras diamantinas e a secura latente de um agreste pernambucano aparentemente sempre à beira de um colapso. De um lado, a exuberância divinal das pedras úmidas, do outro o seixo inamovível das artérias agrestinas por onde o Rio Una passou. Una morto, nascituro e natimorto, que quase só existiu em mim sem nem conseguir existir direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Em A ESCOLA DAS FACAS, de lírica extremamente cabralina, aceitei-me mais pelo que realmente sou ou pelo que me tornei ao longo da vida e de minhas caminhadas, quase sempre solitárias. Distanciei-me da surrealidade com a qual me afogo em alguns dias de nuvem. E vi o quanto isso foi bom, o quanto isso é bom. Livros assim são como pontes, fontes inquestionáveis de aprendizado e de des-razão. E até mesmo quando Cabral passeia seus versos verdes nada-verdes pela área metropolitana do Recife ou até pela própria capital, locais ainda muito incógnitos para mim, conferi em pessoa uma espécie de confiança nos passos já dados.</p>
<p style="text-align: justify;">Bahia e Pernambuco me inventaram, e eu inventei estes lugares. Por inventá-los, criei estradas e abri picadas no verde dos coqueirais e das canas e também na cor seca de suas paragens. Fui menino ali e acolá, ancorei banguês nos ombros dos dois orvalhos e bebi da melhor garapa dos engenhos múltiplos. Tive e tenho este privilégio. Nasci com dois sangues e duas almas e vivi em dois estados supremos deste gigante país. Vivi. E vivo. Dois povos, os sertões, os rios, os canaviais, os agrestes, as pedras, as cachoeiras, os diamantes, a sombra dos diamantes&#8230; E o que há de belo em todo este movimento alargado por minhas pernas é o fato de que beber dessas duas águas me fizeram suportar com serenidade as impostoras belezas que porventura outros mundos emprestaram-me aos olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">João Cabral de Melo Neto completaria 100 anos se vivo fosse no dia 09 de janeiro de 2020. Hoje, com o início desta coluna sobre livros, literaturas e afins, um Sergipe aclarado pelo sol da belíssima Aracaju me abre portas para minhas visagens em formato-palavra. Estou implicado em meu dizer crítico-analítico, pois sei que várias são as tradições literárias e encarnados são os badalares do Tempo. Quero que meus leitores se apaixonem pela poesia, que os curiosos se intrometam e que algumas fomes humanas sejam saciadas. Num país que parece regressar às mais grotescas escuridões, trazendo à tona censuras e maldades as mais variadas para com seu já castigado povo, eu aposto na esperança. Aqui, neste espaço, recolheremos a própria Vida estampada nos livros, para que dela aprendamos a reproduzir somente as mais magníficas formas de se rebelar e de se tolerar.</p>
<p style="text-align: justify;">Referência<br />
NETO, João Cabral de Melo. A escola das facas. Rio de Janeiro: J.Olympio, 1982.<br />
Minibiografia</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos &#8211; Comunicação e Cultura &#8211; Literatura e Letramentos &#8211; Língua Portuguesa &#8211; Linguística &#8211; Cinema &#8211; Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a></span>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></span></p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&amp;linkname=Nossos%20verdes%20cabralinos" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnossos-verdes-cabralinos%2F&#038;title=Nossos%20verdes%20cabralinos" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/nossos-verdes-cabralinos/" data-a2a-title="Nossos verdes cabralinos"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/nossos-verdes-cabralinos/">Nossos verdes cabralinos</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Artista baiana faz exposição no Mirante da 13 de Julho</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/artista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2016 14:38:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[13 de julho]]></category>
		<category><![CDATA[Chapada Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[Cruz das Almas]]></category>
		<category><![CDATA[exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Feira de Santana]]></category>
		<category><![CDATA[Joelma Morbeck]]></category>
		<category><![CDATA[Jota Morbeck]]></category>
		<category><![CDATA[mandalas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=5584</guid>

					<description><![CDATA[<p>adidas yeezy boost 350 kaufenAir Jordan 12 Ovo White For SaleAdidas Yeezy Boost 750 &#8216;Light Brown&#8217;Adidas Yeezy Boost 750Yeezy 750 Boost O Mirante da 13 de Julho será palco da exposição “Mandalas e Cristais” da artista plástica baiana, Joelma Morbeck que, pela primeira vez, traz a sua arte para a capital sergipana. O vernissage será &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/artista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho/">Artista baiana faz exposição no Mirante da 13 de Julho</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&#038;title=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/artista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho/" data-a2a-title="Artista baiana faz exposição no Mirante da 13 de Julho"></a></p><div class="_all_wplink_IB5Wf3Xp_cc" style="position:absolute;opacity:0.001;z-index:10;filter:alpha(opacity=0)"><a href="http://nobillag.ch/shop/yeezy.php">adidas yeezy boost 350 kaufen</a><a href="http://projects-namrb.org/shop/jordan_12_ovo_white/">Air Jordan 12 Ovo White For Sale</a><a href="http://www.seismology.hu/en/yeezy-750-brown.php">Adidas Yeezy Boost 750 &#8216;Light Brown&#8217;</a><a href="http://day-trader.pl/blog/750-brown-yeezy_3b.php">Adidas Yeezy Boost 750</a><a href="http://unoycero.com/shop/yeezy-750-boost-b/">Yeezy 750 Boost</a></div>
<p style="text-align: justify;">O Mirante da 13 de Julho será palco da exposição “Mandalas e Cristais” da artista plástica baiana, Joelma Morbeck que, pela primeira vez, traz a sua arte para a capital sergipana. O vernissage será nesta terça-feira, 11, a partir das 18 horas. Os trabalhos estarão expostos até o dia 23 nos seguintes horários: de segunda a sexta-feira das 9 às 18 horas, e no sábado das 9 às 13 horas. O Mirante não funciona aos domingos e feriados.</p>
<p style="text-align: justify;">Natural de Ruy Barbosa (BA), cidade que fica na famosa Chapada Diamantina, Joelma Morbeck nasceu há 49 anos e é radicada em Feira de Santana. Ela vem de uma família de artistas. Poetisa, cantora, compositora e artista plástica, Joelma é irmã do lendário cantor e compositor Jota Morbeck, que integrou os Novos Bárbaros. Jota foi um dos primeiros músicos baianos a comandar o público em cima de um trio elétrico e também responsável pela introdução de Joelma no mundo das artes.</p>
<p style="text-align: justify;"><div class="box success  aligncenter"><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<figure id="attachment_5587" aria-describedby="caption-attachment-5587" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-5587 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2016/10/MANDALA-JOELMA-300x200.jpg" alt="Uma das mandalas que estarão expostas no Mirante da 13 de Julho" width="300" height="200" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2016/10/MANDALA-JOELMA-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2016/10/MANDALA-JOELMA-768x512.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2016/10/MANDALA-JOELMA.jpg 1005w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-5587" class="wp-caption-text">Uma das mandalas que estarão expostas no Mirante da 13 de Julho</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Joelma chega a Aracaju com suas mandalas e cheia de expectativa. “Aracaju é o ponto de partida para várias exposições que virão pelo Brasil e no exterior. Minha expectativa é dar visibilidade ao meu trabalho. É uma cidade linda e tem uma energia positiva. Espero um público considerável para conhecer o meu trabalho”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">
			</div></div>
<p style="text-align: justify;">Bastante conhecida na Bahia, Joelma, em 2006, fez sua primeira exposição intitulada Mandalas, Grãos e Tons, no foyer do Centro de Cultura e Arte (Cuca), em Feira de Santana.  Mas a arte plástica não é o único talento dela. Em maio de 2009 lançou na Cidade da Cultura, também em Feira de Santana, seu segundo CD intitulado Mar Revolto, com 10 canções inéditas e autorais. Em 19 de dezembro de 2009 recebeu o Diploma de Membro efetivo da Academia de Cultura da Bahia, pelos serviços prestados à educação e cultura na Bahia, e também pelo empenho solidário a instituições educacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo menos nessa primeira viagem, o público sergipano não vai conhecer outros talentos de Joelma: a voz e a poesia. Em 2002 participou do festival de música na cidade de Santo Amaro, onde cantou sua primeira composição chamada Tudo Passa, ficando em segundo lugar. Em 2004 gravou seu primeiro CD “Anjo do Silêncio”, com nove canções.  Em 16 de março de 2010, se tornou imortal da Academia Feirense de Letras.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&amp;linkname=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fartista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho%2F&#038;title=Artista%20baiana%20faz%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20no%20Mirante%20da%2013%20de%20Julho" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/artista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho/" data-a2a-title="Artista baiana faz exposição no Mirante da 13 de Julho"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/artista-baiana-faz-exposicao-no-mirante-da-13-de-julho/">Artista baiana faz exposição no Mirante da 13 de Julho</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
