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	<title>Arquivo para Chã - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 12 Jul 2025 14:21:29 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Mudando de Caqueirinho</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/mudando-de-caqueirinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andre Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jul 2025 14:14:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Desses]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por André Brito (*) &#160; Dia desses o sol estava a pino, céu azul mais anil que o próprio anil (sabe aquele produto que se usava pra lavar roupa? Nem sei se existe ainda), raríssimas nuvens brancas contrastando com o azulejo do etéreo (trouxe o Simbolismo de Cruz e Sousa à tona). Dia propício &#8230;</p>
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<p>Por André Brito (*)</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>ia desses o sol estava a pino, céu azul mais anil que o próprio anil (sabe aquele produto que se usava pra lavar roupa? Nem sei se existe ainda), raríssimas nuvens brancas contrastando com o azulejo do etéreo (trouxe o Simbolismo de Cruz e Sousa à tona). Dia propício a um convite magnífico de ‘deliciamento’ nas águas quentes do mar de Atalaia ou de qualquer outra praia sergipana. Porém o que fiz? A preguiça bateu por causa da brisa doce (isso aqui é uma sinestesia, viu?!) na varanda e decidi ficar em casa, curtindo a paisagem do céu com o vento ‘empreguiçador’ (já inventei duas palavras só neste parágrafo. Hoje tô pra neologizar&#8230; ops! outra&#8230;).</p>
<p>Preparei um ‘de comer’ (conhece essa expressão?) sergipanamente topado, com direito a cuscuz de arroz, carne do sol, queijo coalho e café moidinho na hora e fui saborear minha refeição na varanda. Ah, a brisa, o céu, o café&#8230;! Se inventaram coisa melhor pra iniciar o dia, fale aí que quero saber (até sei o que você pensou&#8230; rsrsrs&#8230; concordo&#8230; rsrsr).</p>
<p>Nessa interação com o ambiente, percebi, no meu pequeno jardim suspenso na estante de pinho, duas plantinhas diferentes coexistindo no mesmo espaço, disputando os mesmos nutrientes: um pezinho de quebra-pedra (aquele que serve pra chá diurético) e uma pitangueira ainda vivente na infância (só pra dizer que é pequena). Percebi que a dileta planta medicinal aparentava um crescimento vistoso, com caule avantajado, enquanto a humilde pitangueira, já há tempos no caqueirinho, não se desenvolvera. De súbito, entendi que precisaria intervir naquela relação que não estava boa pra uma das senhoritas plantas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-91578 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22-300x300.jpg" alt="" width="126" height="126" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22-1024x1024.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-22.jpg 1080w" sizes="(max-width: 126px) 100vw, 126px" /></a>A intervenção se fazia necessária, visto que a pitangueira não iria crescer na disputa com o pé de quebra-pedra. Mesmo vistosa, exuberante no seu verdor maravilhoso, retirei a erva. Agora a pitangueirinha estava a salvo e livre para se desenvolver e, assim, gerar as pitangas de que tanto gosto. Mas calma. Não descartei o quebra-pedra. Transferi o pezinho para outro recipiente. Agora as duas crescem felizes para sempre.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Não posso ver essas coisas que minha cabeça faz logo reflexão. Do mesmo modo que as plantinhas não poderiam conviver naquele espaço sem que uma delas fosse prejudicada, assim acontece na nossa vida. Quantas pessoas coexistem no mesmo espaço, atrapalhando o crescimento umas das outras. Às vezes, só precisamos mudar de caqueirinho para crescer. Vai doer na retirada das raízes? Vai! As folhas vão murchar até os nutrientes da nova terra entrarem em ação? Vão! E daí? Melhor uma dorzinha passageira e um murchar de folhas por uns momentos do que a vida inteira sem crescimento (eitaaa&#8230;.até rimou!). se o medo bater, vai com medo mesmo. Mas vá!</p>

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<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Água pouca, meu chá primeiro</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 May 2025 08:25:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Chã]]></category>
		<category><![CDATA[circularidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Iniciei este ano, lendo de um só fôlego, mas, ao mesmo tempo, sorvendo cada palavra e ideias como a um manjar delicioso, o livro A memória da água, de autoria de Emmi Itaranta. Assentei minhas considerações a respeito por algum tempo, no fundo de minha mente e &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/">Água pouca, meu chá primeiro</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&amp;linkname=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fagua-pouca-meu-cha-primeiro%2F&#038;title=%C3%81gua%20pouca%2C%20meu%20ch%C3%A1%20primeiro" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/agua-pouca-meu-cha-primeiro/" data-a2a-title="Água pouca, meu chá primeiro"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">I</span>niciei este ano, lendo de um só fôlego, mas, ao mesmo tempo, sorvendo cada palavra e ideias como a um manjar delicioso, o livro <em>A memória da água</em>, de autoria de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Emmi_It%C3%A4ranta" target="_blank" rel="noopener">Emmi Itaranta</a></span>. Assentei minhas considerações a respeito por algum tempo, no fundo de minha mente e coração, pois seu conteúdo me levou à necessidade de ler outra obra. Refiro-me a <em>O</em> <em>Livro do Chá</em>, de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Okakura_Kakuz%C5%8D" target="_blank" rel="noopener">Kakuzo Okakura</a></span>.</p>
<p>Embora escritos e publicados em tempos distintos (2015 e 1906, respectivamente), os textos se encontram e se atravessam, sobretudo no que diz respeito a questões muito atuais e a ensinamentos milenares que precisamos revisitar e que não estão tão distantes de nós, mas apenas subsumidos por nossa ânsia de querer, acumular e poder.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Dou primazia à antiguidade, começando, desse modo, por <strong>O</strong> <em><strong>Livro do Chá</strong>,</em> que ao contrário do primeiro não é ficção, embora esteja escrito de forma literária. Trata-se de um tratado de História e de Memória Cultural em torno de uma das culturas mais antigas do mundo, a feitura do chá, e todas as suas implicações. Para seu prefaciador e também autor do posfácio da obra, Hounsai Genshitsu Sen, é “(&#8230;) <em><i>um esforço pioneiro no sentido de construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente</i></em>”. Além disso, é uma obra contextualizada, pois foi escrita num lugar e num tempo específico para atender a demandas de sua temporalidade de produção. Início do século XX, escrita por um japonês aculturado norte-americano e britânico, que versou sobre um Japão que acabava de sair de uma guerra vitoriosa contra os russos, mas que também se abria para as influências ocidentais cada vez mais industrializadas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-89730 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-300x277.png" alt="chá" width="196" height="181" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-300x277.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-1024x944.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280-768x708.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/drink-156144_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px" /></a>O resultado bem poderia ser definido, explicado e compreendido a partir do conceito de “circularidade cultural”, proposto e apresentado pelo historiador italiano, Carlo Ginzburg, hoje com 86 anos de idade e cujos livros e ideias ainda influenciam sobremaneira a pesquisa histórica. Para fins de reflexão, valho-me de algumas passagens de Kakuzo Okakura: “<em><i>Quando o Ocidente compreenderá ou tentará compreender o Oriente</i></em>?” (p. 32); “(&#8230;) <em><i>O missionário cristão vem para dar e não para receber</i></em>” (p. 33); “(&#8230;) <em><i>O homem branco escarnece de nossa religião e de nossos costumes, mas aceita a bebida marrom [chá] sem hesitar</i></em>” (p. 35); “(&#8230;) <em><i>Diz-se que os gregos eram magníficos porque nunca copiaram os antigos</i></em>” (p. 78). E quem diria que um dia o antigo chá da Índia, da China e do Japão fosse dar no que falar, provocar e mudar! E nesse sentido, o autor foi genial, nessa perspectiva da “circularidade cultural” em afirmar: “(&#8230;) <em><i>A obra-prima é tão nossa quanto nós somos da obra-prima</i></em>” (p. 85).</p>

			</div></div>
<p>Por outro lado, e não sem importância, claro, <strong><em>Memória da Água</em></strong> é uma magistral peça literária de uma escritora finlandesa de nosso tempo, Emmi Itaranta, atualmente com 49 anos de idade. Um olhar europeu sobre a cultura oriental, tendo a água como a sua inspiração, num mundo pós-apocalíptico, dominado pela China, onde a sua escassez a determina como a maior riqueza do mundo e, por isso mesmo, na sua condição de “falta de”, dotada de uma memória de um tempo em que foi abundante e que poderia ter sido melhor cuidada, nos remetendo à máxima que diz que lembrar é poder, tanto quanto esquecer.</p>
<p>E nesse sentido, a autora tece uma intricada e ao mesmo tempo leve e envolvente narrativa em torno da personagem Noria, uma jovem camponesa, filha de um grande Mestre do Chá, que guarda um grande segredo capaz de despertar a ira das autoridades e do governo, autocrata e tirano. Seu estilo literário me vez recordar uma outra leitura e autor que me marcou profundamente, durante meu doutoramento: “Orhan Pamuk” (72 anos, turco, Prêmio Nobel de Literatura de 2006), em seu <em>O livro negro</em>, de 1990. A mesma sutileza e jogo de palavras, com uso de cores, sons e sensações como estes tivessem vida e materialidade, sobretudo em passagens como as a seguir: “(&#8230;) <em><i>A escuridão nos recebeu com um estrondo</i></em>” (p. 15); “<em><i>mergulhar no silêncio</i></em>” (p. 34); “<em><i>sombra paciente</i></em>” (p. 40); “<em><i>silêncio pesado</i></em>” (p. 70); “(&#8230;) <em><i>a palavra fez o tempo parar ao meu redor</i></em>” (p.155).</p>
<p>Em comum entre as obras, para além da temática oriental, estão a água e o chá. São enredos distintos, cada um no seu quadrado (História e Literatura) e ambos se atravessando o tempo todo, que lançam luzes para o nosso tempo, com ensinamentos, reflexões que fariam até mesmo Confúcio para por um instante de escrever e filosofar para pensar, por exemplo, na vida, na necessidade de viver, de dar valor às coisas mais simples e até mesmo banais, como a beleza de uma flor, o sopro solitário do vento, o valor da amizade, enfim, uma infinidade de situações às quais, tento, para fins de conclusão, representar nas seguintes passagens: “(&#8230;) <em><i>Querem o caro, não o refinado; o que está na moda, não o belo</i></em>” (Okakura, p. 90); “(&#8230;) <em><i>Acredito que seja possível mudar a superfície das coisas e ainda assim manter o centro delas intacto. Da mesma forma que é possível manter as aparências, mas cultivar o centro oco</i></em>” (Itaranta, p. 113).</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-89732 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-300x150.png" alt="" width="300" height="150" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-300x150.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-1024x512.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-768x384.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-660x330.png 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280-1050x525.png 1050w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/splash-308941_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
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		<item>
		<title>O inusitado convite para um chá e a nossa madeleine – memórias de leituras</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-inusitado-convite-para-um-cha-e-a-nossa-madeleine-memorias-de-leituras/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/o-inusitado-convite-para-um-cha-e-a-nossa-madeleine-memorias-de-leituras/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2024 15:30:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Acácia Rios (*) &#160; Há algumas semanas uma amiga me convidou para um chá no café da livraria Escariz. Adorei o convite. Ambas apreciamos essa bebida e, com ela, brindaríamos o nosso reencontro. Depois de um longo abraço, Joara pôs sobre a mesa o meu Rolé de quarta-feira para que eu o autografasse, e &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á algumas semanas uma amiga me convidou para um chá no café da livraria Escariz. Adorei o convite. Ambas apreciamos essa bebida e, com ela, brindaríamos o nosso reencontro. Depois de um longo abraço, Joara pôs sobre a mesa o meu <em>Rolé de quarta-feira</em> para que eu o autografasse, e assim o fiz. Pedimos o chá e, para acompanhar, mini broas, aquelas com um toque de erva-doce, que chegaram à nossa mesa recém forneadas, fumegantes e deliciosas.</p>
<figure id="attachment_79536" aria-describedby="caption-attachment-79536" style="width: 280px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-79536" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust-226x300.jpg" alt="" width="280" height="372" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust-226x300.jpg 226w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust.jpg 375w" sizes="auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-79536" class="wp-caption-text">Marcel Proust em 1900 aos 29 anos Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Inspirada pela releitura do volume <em>No caminho de Swann</em>, de Marcel Proust, não resisti à tentação. Molhei a pequena broa no chá e comi-a umedecida, como fez o personagem do livro. A broa fez as vezes da <em>madeleine</em>. E o que aconteceu em seguida foi a lembrança de acontecimentos sucessivos em torno da descoberta da obra e da primeira leitura desse livro, que gostaria de compartilhar aqui.</p>
<p>Eu e minha prima Conquinha pegamos um ônibus em Cedro de São João e atravessamos a divisa para Arapiraca, onde moravam outras primas, como nós, adolescentes. Era verão e estávamos de férias. Não havia muito o que fazer lá, mas lembro que entre as idas à piscina do clube, tomar sorvete no final da tarde na praça ao lado da Igreja, passear pelo calçadão, ouvir música, conversar e rir de pequenos nadas do dia, também íamos à biblioteca pública. Lá, por sugestão de Messinha, pedi emprestado <em>À sombra das raparigas em flor</em>, de Proust.</p>
<p>Mal sabia eu o lugar que esse livro ocuparia em minha vida. Claro que não tinha maturidade para aquela obra, da qual li então umas vinte páginas, somente. Mas o título ficara em mim. Aliás, um dos mais bonitos, na minha opinião, tanto em francês quanto em português. Voltei para Aracaju e deixei o livro na estante invisível que carrego comigo, na prateleira dos livros por ler.</p>
<p>Somente muitos anos depois, revisitei essa prateleira, onde estavam o que chamo de “livros da maturidade”. E nela já constava toda a obra <em>Em busca do tempo perdido</em>: <em>No caminho de Swan</em>, <em>À sombra das raparigas em flor</em>, <em>O caminho de Guermantes</em>, <em>Sodoma e Gomorra</em>, <em>A prisioneira</em>, <em>A fugitiva</em> e <em>O tempo redescoberto</em>. Comecei pelo primeiro volume, traduzido pelo poeta Mario Quintana, que introduziu toda uma geração à obra proustiana sem descuidar da densidade do texto original.</p>
<p>Eu estava encantada com a força descritiva de Proust, que usou os sentidos como suporte para evocar o passado e a memória como recurso literário, transformando-a num gênero, o memorialístico. Ao trilhar esse caminho, Proust se engajaria numa das ideias em voga na época, introduzida pelo filósofo Bergson em <em>Matéria e memória</em>. A <em>belle époque</em> foi, talvez, um dos momentos mais efervescentes da modernidade e as descobertas científicas influenciavam a literatura sobremaneira.</p>
<p>Walter Benjamin, no entanto, que se debruçou sobre a modernidade numa perspectiva mais abrangente, dissocia o uso da memória nesses dois autores, uma vez que Bergson refere-se à memória como um ato consciente e Proust, não. Dessa forma, evidencia a memória involuntária nos escritos proustianos, ressaltando que o personagem, ao tomar o chá com a <em>madeleine</em>, não tinha essa intenção. Ou seja, ela ocorre espontaneamente. Proust toma a memória como objeto e a amplia, não científica, mas estilisticamente.</p>
<p>Mas até então eu não sabia disso. De propósito, quis entrar nessa aventura com o olhar virgem, aquele que ignora a crítica e procura o prazer estético sem expectativas ou mediações. Claro que me aprofundaria na obra posteriormente, mas queria antes um contato puro com aquelas páginas, sem que estivesse previamente condicionada.</p>
<p>Então, veio a passagem do chá e da <em>madeleine</em>, que o meu chá com mini broas me fizeram recordar. A<em> madeleine</em> é um bolinho em formato de concha muito comum em Paris, próprio para acompanhar bebidas aromáticas. Quando o personagem proustiano a come com o chá, o sabor aciona a memória involuntária e faz com que ele reviva imagens do passado. A beleza com que descreve instaura a mais pura poesia. Ele desdobra a palavra camada por camada e mostra o que antes estava invisível aos olhos e aos sentimentos. O resultado, ondas de sensações que nos comovem esteticamente e nos enleva espiritualmente. Estava, sem dúvida, diante de uma das passagens mais bonitas da literatura universal.</p>
<p>Depois da leitura quis, ansiosamente, experimentar a <em>madeleine</em>. Morava no Rio naquela época e só fui encontrar essa iguaria na delicatessen Garcia&amp;Rodrigues, no Leblon. Esse estabelecimento já não existe, mas ficou na minha memória. Foi interessante estender o prazer da leitura ao prazer gustativo do famoso bolinho que, com toda a sua simplicidade culinária, permitia acessar um portal do tempo.</p>
<p>Naquele momento em que celebrava um reencontro na livraria, o inusitado convite para o chá, (acrescido pela broa) abriu outro portal do tempo, cujas camadas me levaram a um inesperado e poético rolé de uma quarta à tarde.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Fragmento &#8220;No caminho de Swan&#8221;</p>
<p><em><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-79534 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan-182x300.png" alt="" width="95" height="157" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan-182x300.png 182w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan.png 336w" sizes="auto, (max-width: 95px) 100vw, 95px" /></a>(&#8230;) acabrunhado com aquele triste dia e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como o primeiro, levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena. Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção de sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente às vicissitudes da vida, inofensivos seus desastres, ilusória sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou, antes, essa essência não estava em mim, era eu mesmo.</em> (<em>No caminho de Swann</em>, M. Proust, SP: Globo, 2006).</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre Chã, de Enoo Miranda</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sobre-cha-de-enoo-miranda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 11:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[Chã]]></category>
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		<category><![CDATA[destino]]></category>
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		<category><![CDATA[vida cabralina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poemas-caldos, de cana a gana da vida que aflora dentro dos sóis de morte de uma vida cabralina e severina pernambucana e universal. Quanto caldo humano extraído como suor das magrezas agrestes e solenes e quanta mata fechada é o destino de tantos e de muitos de nós! Um golpe de facão amolado é o &#8230;</p>
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<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 194px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="194" height="190" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 194px) 100vw, 194px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p>Poemas-caldos, de cana a gana da vida que aflora dentro dos sóis de morte de uma vida cabralina e severina pernambucana e universal. Quanto caldo humano extraído como suor das magrezas agrestes e solenes e quanta mata fechada é o destino de tantos e de muitos de nós! Um golpe de facão amolado é o galope embolado nas gargantas secas de homens curvados sem pés nem chão com seus pés no chão. Que guerra é essa que nunca cessa? Que fronteira é essa que nunca se enche de paz? Caldo amargo é o viver embotado de tanto açúcar no sangue cristal. Sangue preso. Sangue duro. Sangue frio. Coagulado. Mancha na própria pele, uma nódoa eterna. Homem que se esgana para ter nem-se-sabe-o-quê.</p>
</div>
<div>
<div></div>
<div>Nós suamos.</div>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Capa-livro-Cha.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-48608 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Capa-livro-Cha-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Capa-livro-Cha-208x300.jpg 208w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Capa-livro-Cha.jpg 360w" sizes="auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px" /></a>A literatura não se cansa. E depois da poesia, o que mais haverá? Um facão cortando o fogo? E uma manta divinal e rubra derramada sobre o leito dos rios poluídos e massacrados por nãos e mãos&#8230; As quadras em quatro: um sobreaviso. Eu sobrevivo? É tiro pra cima, pra riba, é chute, é esporro, é pelourinho. É gozo pra quem? Quem tem pena deste pobre robô-maracatu? Não será a grande empresa multinacional quem virá disfarçada de Salva-Pátria. Vamos jogar todas as bombas possíveis! Bombas-poemas! Minha alma é pólvora, como a dos irmãos que morreram e morrerão sem merecer. Poemas-caldos enquadrados numa pornopopeia chamada Vida. Escravidão. Mutilação. Garganta nua. Torpeza. Castigo.</p>
<p>Malvadeza mesmo.</p>
<p>Puta merda, por que somos assim? Tanto ódio, para quê? Desgraça! Desgraçados de nós, homens nojentos! Esse açúcar sem açúcar que não adoça a vida de ninguém que trabalha e que só trabalha e que não desfruta da Beleza. Beleza é morte? Deus não está aqui, na usina. Deus é a fumaça da queima. Preta. Grossa. Com fuligem. Vegetal. Deus vegeta. Deus trabalha feito avestruz. Deus não usa luvas. Deus se corta. Deus adoça a boca do consumidor. Deus sem usina, nu, sendo usado, moído, garap&#8217;alma, sugado, um grude só. Todo-caldo. É Deus.</p>
</div>
<p>Chã. Chapada. Enoo Miranda. Sim. Seremos moídos. E remoídos. Pela poesia. Insisto.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div>(*) <strong>Germano Xavier</strong> nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux), que compreende a primeira parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.</div>
<div></div>
<div><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  </em><em>Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></div>
<div></div>
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<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46365" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Literatura & Afins</span><div id="wplp_widget_46365" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46365" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46365" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46365_77884" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-660x330.png 660w" alt="Nivaldo Tenório e as camadas do conto" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="title">Nivaldo Tenório e as camadas do conto</a></div></div><div id="wplp_box_left_46365_77884" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46365_77884" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46365_77884" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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