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	<title>Arquivo para Caroço - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Oct 2025 03:05:31 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Um Umbu, Um Caroço…</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/um-umbu-um-caroco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Oct 2025 10:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História de Bodega]]></category>
		<category><![CDATA[barbante]]></category>
		<category><![CDATA[Caroço]]></category>
		<category><![CDATA[existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[livraria]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
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		<category><![CDATA[umbu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Léo Mittaraquis (*) &#160; “A névoa o envolvia tudo e os olhos verdes da mulher resplandeciam na escuridão&#8230; Vem&#8230;, vem&#8230;” A. Bécquer &#160; Dizem de coisa mal feita e confusa: &#8220;isso é um angu com caroço&#8221;. Mas, creiam, um caroço de umbu também pode causar perrengue e render história. Por volta das três da &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/um-umbu-um-caroco/">Um Umbu, Um Caroço…</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&amp;linkname=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fum-umbu-um-caroco%2F&#038;title=Um%20Umbu%2C%20Um%20Caro%C3%A7o%E2%80%A6" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/um-umbu-um-caroco/" data-a2a-title="Um Umbu, Um Caroço…"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“A névoa o envolvia tudo e os olhos verdes da mulher resplandeciam na escuridão&#8230; Vem&#8230;, vem&#8230;”</em></p>
<p style="text-align: right;">A. Bécquer</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>izem de coisa mal feita e confusa: &#8220;isso é um angu com caroço&#8221;. Mas, creiam, um caroço de umbu também pode causar perrengue e render história.</p>
<p>Por volta das três da tarde, fora eu à livraria do Pereira, pegar a obra que encomendara ao amigo e livreiro: <em>O Existencialismo é um Humanismo</em>, de Jean-Paul Sartre, pela Presença, uma notável editora portuguesa.</p>
<p>Lançamento do ano, assim considerado, assim recebido, pela comunidade acadêmica especializada e, também, por quem, pura e simplesmente, amava ler, pari passu às obras de ficção, também as ensaísticas.</p>
<p>Que mal recorde, o livro já tinha circulado por aqui, sem alarde, nos anos de 67 ou 68. Entretanto, foi redescoberto mais adiante. Afinal o existencialismo, percepção filosófica pra lá de sedutora, passara a ser referência tanto para quem lecionava filosofia, como para quem transitava, fosse aluno ou mestres, nas demais ciências humanas.</p>
<p>Na livraria, Pereira já me aguardava com o livro embalado em papel manilha, amarelado. O barbante passado em cruz e arrematado com laço firme, fazia do pacote um testemunho da maneira gentil e grave pela qual o livreiro atendia seus, como costuma dizer, &#8220;mais que seletos clientes&#8221;.</p>
<p>E pensara eu, ao receber o pacote, que cada livro assim guardado carregava não só o peso das páginas, mas também a memória de gestos que já não se veem — a paciência do nó, a firmeza do laço, a escolha de um papel que envelhece com dignidade. Como se a leitura começasse antes da abertura, num rito silencioso, lembrando que a palavra impressa não é passagem, e que todo cuidado posto no empacotar é, em verdade, um cuidado posto na alma de quem ama ler.</p>
<p>Ficáramos ainda, eu e Pereira, mais de meia hora entregues à conversa lenta, dessas que não se medem pelo tempo, mas pelo modo como se às estantes em volta, às lombadas caladas que pareciam escutar. Faláramos de livros, é certo, mas também do que se esconde entre eles: o destino dos homens, a fragilidade da memória, o consolo que só o silêncio escrito oferece.</p>
<p>Eu já ia pela Rua Cláudio Fagundes, batizada, dissera-se, em honra a um jurista de mão firme e olhar severo, ao perceber que o leve peso do livro ainda me acompanhava, discreto, como se insistisse em lembrar que certas leituras tornam-se bússolas.</p>
<p>O sol caíra oblíquo sobre os paralelepípedos, e um murmúrio distante, indefinível, parecera oferecer um fundo quase musical aos meus passos lentos, e à memória da conversa com Pereira, ainda viva como se cada palavra tivesse deixado uma marca indelével no ar.</p>
<p>Tomara a travessa Gerenciano Moncíllio, pela esquerda, em direção à bodega. As pedras irregulares do caminho refletiram luz mortiça do entardecer, o vento trouxeram cheiro distante de carvão, pão recém-assado. Cada passo parecera prolongar o tempo, como se a própria rua tivesse memória e guardasse lembranças de passos antigos. Ao dobrar a esquina, avistara a placa envelhecida da bodega, balançando suavemente. Sons de risos e vozes me convidavam a entrar, deixando para trás o resto do mundo.</p>
<p>Na Bodega, além do próprio Adeodato, encontrara Sileno, que trabalhava na borracharia, e Terêncio, gerente da fábrica de tecidos. Sentados à mesa, compartilhavam uma garrafa achatada de Rosé do Porto Mateus, pedaços de tripa frita, linguiça da casa, pão com manteiga, num ritual íntimo e, já na época, tido como muito antigo.</p>
<p>O riso surgira fácil entre eles, a conversa correra solta, e eu a observar, a compreender que camaradagem e comida simples carregavam, juntos, certa solenidade — uma pequena celebração da vida cotidiana, ali, entre paredes gastas e prateleiras cheias de garrafas, caixas e histórias.</p>
<p>Juntara-me a eles, puxando a cadeira que rangeu como se protestasse contra mais uma confidência a ser escutada. Adeodato me serviu um copo sem perguntar o que eu queria, como quem conhece de antemão a sede do outro. Sileno, com as mãos ainda manchadas de graxa, contava histórias de estrada, e Terêncio, sempre elegante no falar, intercalava observações sobre a fábrica e sobre a vida: entendia cada uma como parte essencial do estar no mundo.</p>
<p>Ambiente, na época, tipicamente masculino, feito de vozes graves, de tilintar dos copos grossos, do silêncio cúmplice que se instaurava entre uma história e outra. A mesa era território de disputas sutis, onde cada palavra trazia o peso de uma experiência vivida e o desejo de afirmar presença.</p>
<p>Mas não significava confronto. Não havia pressa: o tempo parecia alongar-se na fumaça dos cigarros e no ritmo lento dos copos esvaziados. Foi quando uma voz feminina a cantar se fez ouvir&#8230;</p>
<p>Uma voz suave e inesperada, atravessara o ar úmido e gorduroso, e se fizera clareira entre os homens. A conversa cessara, todos, eu inclusive, partilharam do mesmo sobressalto.</p>
<p>Eis que se materializa, na porta da bodega, Jussara, vendedora de umbu, cesto enorme na cabeça, vestido simples abaixo dos joelhos. Os verdes olhos dela, vivos e atentos, percorreram a sala, medindo olhares e gestos.</p>
<p>Não era uma desconhecida, porém, nunca houver, antes, pendido para aquelas bandas. Costumara oferecer sua mercadoria pelas ruas próximas e na praça. E raramente àquela hora da tarde.</p>
<p>Terêncio, um pouco refeito, mas ainda a tartamudear, a inquira quanto a isso. Ela meio que se explicara, ao dizer que viera visitar velha amiga de sua mãe.</p>
<p>Num gesto ágil desceu o cesto até o piso, feito de canga de minério. No curvar-se farto e arfante decote inundou visão ávida. Enquanto isso, Sileno já saltara da cadeira, atacara o cesto e enchera mão com frutos da &#8220;árvore sagrada do sertão&#8221;, como bem denominara Euclides da Cunha, que repousavam como joias agrestes: verdes e dourados. Lançara um na boca sem deixar de mirar outros frutos, aqueles proibidos, semiocultos. Uma explosão de ácido frescor envolvera língua e palato. A salivar, Sileno visara mais um alvo, boca de Jussara a sorrir perfeitamente.</p>
<p>Essa conjunção de fatores inopinados fizera com que o pobre coitado se esquecesse de que ainda aninhava o caroço na boca, o qual, de súbito, escapara para trás e obstruíra a goela.</p>
<p>Sileno lançara ao ar som gutural.</p>
<p>Mãos à garganta, num gesto desesperado.</p>
<p>Copo tombou, espalhando vinho sobre a mesa.</p>
<p>Nos erguemos todos, por um momento atônitos, mas logo o abraçamos por trás e forçamos, num abraço firme, a expulsão do caroço.</p>
<p>Um silêncio denso pairou, quebrado apenas pela tosse rouca de Sileno. Repentina gargalhada de Jussara foi contraponto. Devolvemo-lhe expressões de desaprovação e censura. Foi o bastante para que erguesse cesto, pusesse sobre rodilha já arrumada sobre a cabeça, e partisse em silêncio.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Inovação sergipana transforma caroço de açaí em &#8220;café&#8221; sem cafeína</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/inovacao-sergipana-transforma-caroco-de-acai-em-cafe-sem-cafeina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 May 2025 08:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Açaí]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>
		<category><![CDATA[Caroço]]></category>
		<category><![CDATA[colheita]]></category>
		<category><![CDATA[congealdo]]></category>
		<category><![CDATA[descafeínado]]></category>
		<category><![CDATA[moído]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Antônio Carlos Garcia (*) &#160; Do sítio agroecológico em São Cristóvão para as padarias de Aracaju e, agora, até Santa Catarina. O veterinário e produtor rural Alex Monteiro Gomes Ferreira tem apostado em um produto inovador e sustentável: o &#8220;café&#8221; de açaí, feito a partir do caroço do fruto amazônico. Natural de Belém, &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p>Por Antônio Carlos Garcia (*)</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>o sítio agroecológico em São Cristóvão para as padarias de Aracaju e, agora, até Santa Catarina. O veterinário e produtor rural Alex Monteiro Gomes Ferreira tem apostado em um produto inovador e sustentável: o &#8220;café&#8221; de açaí, feito a partir do caroço do fruto amazônico. Natural de Belém, no Pará, ele veio visitar Sergipe e gostou. Depois se mudou para Aracaju, onde reside há 14 anos.</p>



<p>“Eu já usava o caroço como adubo no sítio, mas descobri que podia ir além. Transformar em café resolveu um problema ambiental e gerou valor.” Mas para aprender a fazer o café, Alex voltou ao Pará e participou de um curso.</p>



<p>Ele conta que em Belém são produzidas toneladas de caroço de açaí todos os dias, o que se torna um problema de saúde pública – semelhante ao acúmulo de cascas de coco em centros urbanos, como Aracaju. Aproveitar esse resíduo para criar um produto é uma solução criativa e ecologicamente correta.</p>





<p>O café de açaí leva esse nome pelo processo de produção, similar ao do café tradicional. “Depois que tiro a polpa, o caroço seca por 15 dias. Aí retiro uma fibra, torro, faço a moagem e embalo. Igual ao café mesmo.” Mas, apesar do processo parecido, o sabor é bem diferente: “Não é amargo, não precisa adoçar e não tem cafeína. É uma bebida suave, feita de outro fruto, com outras propriedades”, afirmou.</p>



<p>Estudos da <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ufpa.br/">Universidade Federal do Pará</a></span> e da <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ufrj.br/">Universidade Federal do Rio de Janeiro </a></span>indicam que o café de açaí ajuda no controle da glicemia e da pressão arterial, graças aos compostos presentes no caroço.</p>





<figure id="attachment_89510" aria-describedby="caption-attachment-89510" style="width: 771px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/plantacao-de-acai.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-89510 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/plantacao-de-acai.jpg" alt="" width="771" height="1024" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/plantacao-de-acai.jpg 771w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/plantacao-de-acai-226x300.jpg 226w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/plantacao-de-acai-768x1020.jpg 768w" sizes="(max-width: 771px) 100vw, 771px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89510" class="wp-caption-text">Plantação de açaí, no sítio em São Cristóvão Foto: Acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>A produção de Alex ainda é pequena. O sítio tem sete tarefas e meia, com cerca de 1.500 pés de açaí plantados. Destes, menos de 500 estão produzindo. “Planto de forma escalonada, então cada ano entra uma leva nova em produção”, conta. O açaí leva, em média, quatro anos para dar fruto.</p>



<p>A produção do café, que começou há cerca de um ano e meio, já está presente em empórios, padarias e cafeterias de Aracaju, como a Pandora, Forneria e Empório São Bento. “Estamos começando também em Santa Catarina, com um distribuidor que pediu para vender por lá.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Açaí fresco</h3>



<p>Além do café, Alex também vende polpa de açaí batida no dia. “A gente colhe e processa no mesmo dia. Coloca no Instagram que tem batida do dia e o pessoal já compra. Vai gelado, mas não congelado.”</p>





<figure id="attachment_89508" aria-describedby="caption-attachment-89508" style="width: 1280px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-89508 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado.jpg" alt="açaí congelado" width="1280" height="1599" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado.jpg 1280w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado-240x300.jpg 240w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado-820x1024.jpg 820w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado-768x959.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/05/acai-congelado-1230x1536.jpg 1230w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89508" class="wp-caption-text">Açaí gelado &#8211; Foto: Acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>Durante os três a quatro meses em que não há colheita, a venda é feita com açaí congelado. Mesmo assim, o estoque não sobra: “Graças a Deus, vendemos tudo dentro do próprio ano. Quem prova, não quer mais outro. A diferença é grande.”</p>



<p>Alex também tem trabalhado para divulgar uma forma pouco conhecida de consumir açaí. “Lá no Norte, o açaí é comida, não sobremesa. Você come com peixe, com charque, com camarão. Substitui o arroz e feijão. No nosso Instagram, mostramos essas receitas também.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Novos horizontes</h3>



<p>O Instagram, através do <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/acairaiz20/#">@acairaiz20</a></span>, é a principal ferramenta de vendas da marca, comandado pela esposa de Alex, que cuida do atendimento e da parte comercial. “A gente posta muita coisa lá. Quando tem batida do dia, a gente avisa. Temos também um grupo de clientes no WhatsApp.<strong>”</strong></p>



<p>A empresa já participou de feiras como a Sealba e vem ampliando a divulgação. “A gente não quer trocar o café tradicional pelo de açaí, mas oferecer uma nova opção — saudável, sem cafeína e sustentável.”</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A velha Lilita</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-velha-lilita/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Nov 2017 01:44:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Carlos Viana]]></category>
		<category><![CDATA[benzer]]></category>
		<category><![CDATA[Caroço]]></category>
		<category><![CDATA[Lilita]]></category>
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		<category><![CDATA[Rosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto: Oscilene Souza A duas mãos: com Antônio Carlos Viana e para ele No dia em que a velha Lilita morreu, o caminho de volta pra casa foi uma condenação. Nunca esqueci. Na hora, ela botou tudo no último suspiro e se foi. Levou consigo alguma verdade. De minha feita, segui escamoteado pelo sol naquela &#8230;</p>
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<p><em>A duas mãos: com Antônio Carlos Viana e para ele</em></p>
<p style="text-align: justify;">No dia em que a velha Lilita morreu, o caminho de volta pra casa foi uma condenação. Nunca esqueci. Na hora, ela botou tudo no último suspiro e se foi. Levou consigo alguma verdade. De minha feita, segui escamoteado pelo sol naquela estrada seca, a respiração travando, as lembranças vindo pela boca igual bolo de farinha&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da morte de Dogue, o cachorro de estimação, a velha Lilita passou a morar sozinha. Tinha herdado do afeiçoado animal os traços: boca saliente, olhos de avestruz, rosto esguichado. Vestia sempre estampas florais de tecidos esvoaçantes. Gostava de sentir o vento roçando os bicos dos peitos. A outra parte, de tão rasa, dispensava utensílios. Mulher mais alta nunca se tinha visto. Olhava fixamente para as pessoas, como se quisesse ser notada mais do que o devido. Os cabelos, na altura dos quadris, eram-lhe motivo de orgulho. Ainda os conservava macios e os lavava com o xampu do finado amigo. Dava certo. Contavam que tinha vindo morar na rua depois que enviuvou, que tinha sido vendida, muito novinha, pra casamento, pra um velhote de munheca quebrada. Infelizmente, ou felizmente, o marido só ficou vivo uns poucos anos. Na cidade, atendia a todos com extrema felicidade. “De tristeza ninguém precisa falar”, repetia.  Sábia, se resguardava de assuntos que lhe corroíam a carne. Devia ter um machucado que não sangrava. Minha mãe dizia que toda ferida tinha de sangrar pra o mal sair. E nessa falta de si, cuidava dos males daquela gente. Assim é que, nos fundos da casa de três cômodos, tinha remédio pra tudo, até pra tuberculose. Ela só não cuidava era de leproso. Proclamava que era praga de pessoa condenada a ir pro inferno. E, com gente dessa envergadura, a velha Lilita não mexia. Nas consultas feitas por caridade, não deixava a casa do enfermo sem repassar a lista do resguardo. “Não pode passar debaixo de rede”. “Cruzar linha de ferro, nem pensar!”</p>
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<p style="text-align: justify;">“Se benzeu as pernas do outro, tem de voltar pra desbenzer”. Era muito supersticiosa. Tinha medo de tanta coisa. Com os meninos, a conversa era outra. A molecada segredava que a velha Lilita dava uma comichão que nenhum sabia explicar. De nós cinco, o mais esperto e o mais velho era Caroço. Das muitas conversas, tinha uma que a gente resguardava. De manhã, depois de aguentar a voz de pássaro do professor Arlindo, a gente se juntava no Beco de Trás. Cada um querendo mostrar o que já podia fazer. A brincadeira mais animada era a de empinar. A mando de Caroço, a gente botava o pirulito de sete centímetros pra fora do calção e deixava o elástico grudadinho no saco, que começava a pesar naquela época, a camisa de botão cobrindo apenas até o umbigo. E somente isso dava um gozo na gente. A ordem era correr e enfiar o pinto no buraquinho da parede da casa derrubada. Do outro lado da parede, quem tapava o buraco com a bunda tinha de abaixar o elástico e rebolar, dando o sinal quando a cabecinha roçava.</p>
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<p style="text-align: justify;">Não podia fazer corpo mole, tinha de empinar pra valer. Como eu tinha medo, Caroço me deixava de vigia, pra acaso viesse alguém. Se algum falhava, travando um choro de machucado com o sangue escorrendo, Caroço soltava um “Descola, veado”. O que fizesse três pontos ganhava umas baforadas do perfume de Rosa, do frasco que Caroço carregou da casa dela, a mulher-dama mais afamada da cidade. No beco, quando soavam os estampidos da vitória, Rineu Banguela, querendo mostrar resultado, vinha pra cima de mim. Eu, fugindo sempre. Em uma das poucas vezes que tentei o vazio da parede, Neco gritou um “Tenha fé, meu filho!” Tem gente que mete Deus em tudo. Nunca entendi. Naqueles tempos, do que ninguém podia duvidar era o tamanho da fé da velha Lilita. Deus, pra ela, era maior que tudo. Em contrapartida, nas andanças de rua- abaixo-rua-acima, um vazio lhe ruminava. Nunca conhecera um amor, uma paixão de esquecer tudo, de abandonar os seus. Remoendo esses agravos, cruzou a linha de trem que nem se deu conta da gosma no solado da alpercata quando se esbarrou na melação. Estancou ali, com a carniça pegajosa esparramada em um jornal velho, que lhe reverberou a estampa de um homem de meia idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Arriou-se então nas pernas finas e soletrou a fétida notícia: “Morre-o-prefeito-de-Boa-Ventura”. Olhou bem as fotos. Em uma, o desconhecido sorria simplesmente, em outra, acenava não se sabe pra quem. Tinha feições tão misteriosas! A velha Lilita soltou aquele sorriso desviado, rasgou o jornal no lugar acertado e abraçou-se à foto, se esvaindo de gosto. O vento soprava que nessa hora. Queimava de desejo. Dessa vez, voltou pra casa sem cumprir as visitas prometidas. Tinha de se preparar. Nessa noite, tomou banho quente. Sobre a cama, a longa camisola branca de jérsei que hoje lhe descobria os tornozelos. Enfim. Não engordara depois dos doze anos. Usou a única água de cheiro que possuía. Presente de uma empregada do hospital. Na hora de deitar, espremeu-se toda para dar espaço aos sonhos. “Gosta?!” perguntou timidamente, passando a mão nas dobras do pescoço encharcado de colônia. O colchão de palha não ajudou, fedia a mofo. Difícil mesmo foi perder a privacidade no tempo em que tudo se esconde.</p>
<p style="text-align: justify;">A velha Lilita passou então a se trocar debaixo de um lençol. O banho era agachada. Tinha vergonha de ser surpreendida no banheiro sem porta. Houve dias em que deixou de se limpar. Tudo para proteger a integridade de mulher honesta. O mais sentido era quando não tinha carne pra servir à mesa. Nesses dias, teve mais gosto em não comer. Às vezes, nem dormia. A vida agora era-lhe uma eternidade. Até que veio a recordação do finado. Não demorou e caiu doente. Parecia mesmo triste. Ausente das serventias, a cidade deu por falta das rezas. E as moléstias batendo na porta do povo feito praga do Egito. Não deu muito e a notícia se espalhou: “A velha Lilita está nas últimas!” Foram chamar padre Inácio, que era um homem muito desconfiado. Com muita adulação e promessa jurada, o sacerdote acatou ao pedido do suplicante. O corajoso foi Tonho Lelé, meu amigo de bola de gude. Nas horas da morte, Deus perdoa tudo. Curioso que eu era, quando soube que padre Inácio ia dar a extrema-unção da moça corri pra ver. A fama maior do padre era essa cerimônia, que ele fazia de um jeito todo seu: em latim e cantada. Nos assuntos da igreja, Padre Inácio era muito sério; inventava era coisa pra render os fiéis. Eu achava uma emoção sem fim aquela cantoria toda e o doente revirando os olhos, o resto sem se mexer. Tentava aprender umas palavras, em que o pároco mudava algumas e me confundia. Dessa vez, entendi o “<em>mea culpa</em>” e “<em>mea maxima culpa</em>”. Na rua, as outras maldiziam que a velha Lilita estava condenada porque deixou de cumprir com as obrigações. “Não pense ela que chumbregar com egum seja coisa boa”. Ou, “Deixe que  o castigo vem, pecadora, engolidora de serpente.” A verdade é que fui cumprir a incumbência na intenção de descobrir certo paradeiro. Nos casos que ouvia, quando a morte manda chamar, quem já foi, vem buscar a gente. Pra minha decepção, no quartinho, não vi ninguém além do padre e da moribunda, que agora enxerguei mais velha e mais magra do que antes. Justamente naquela hora, vendo a casa naquela inhaca de coveiro, nem sei por que me lembrei de Rosa, a puta que chupava Caroço. Mas como se fosse pra tirar a solidão da morte, logo, logo, o povo foi embocando porta-adentro-porta-afora, e o lugar inteiro se multiplicou daquela gente. Pra completar a desgraça, na calçada, o doido Berroso cantava a ecos o sucesso da época:</p>
<p style="text-align: justify;">“Eu sou o seu sacrifício”, “e as juras de maldição”. Saí dali com a certeza de que a vida seria cruel pra todo mundo alguma vez na vida. Com o que me reviro mais de lembrar, é da velha Lilita esticada na cama com os braços abertos. Dava a entender que a tinham pregado numa cruz. As beatas invejosas começaram a mexericar que ela morreu desse jeito pedindo perdão. “Repara, nem deu tempo de fechar a boca, a miserável!” Conjuraram ainda umas façanhas da defunta que menino da minha idade não podia escutar, e que o finado marido só comprou ela pra casar porque gostava de mulher de boca grande. Foi aí que pensei no beco. Quando vi, uma força sacolejava fundo em mim igual filhote de nambu quebrando a casca do ovo. Corri pra os fundos da casa, quase me engasgando com os pulos que o coração dava. Fiquei lá, e dei adeus à imagem de Rineu Banguela babando, se abrindo todo pra mim. Agora, tinha somente o êxtase da boca de caverna da velha Lilita, que se confundia com a gravura pregada na parede. Era o quadro de uma santa de lábios tortos, deitada sobre umas pedras igual lagarta, com um anjo apontando uma flecha pra ela. Sucumbido pela brevidade das coisas, fechei a braguilha do xorte. Decidi ir até a sala ver se alguém tinha servido algo pra comer. Peguei uns biscoitos que tinham acabado de colocar em um prato de plástico. Comi e deitei na poltrona, sentindo os rasgos da napa e o facho de sol entrando naquela casa escura. Devia ser um espírito de luz pedindo passagem, procurando alma boa. Na frente da casa, escanchados no parapeito da única janela que cabia ali, Rineu e os outros apalpavam o caroço do calção, maldando as meninas que passavam e já tinham peitinho pra ser amassado. Do lado de fora, senti o sertão de dezembro relampejando no ar. Aquele enterro ia arder. Imaginei o corpo quente da velha Lilita dentro da terra fria. Ia virar lama quando chovesse. Finalmente, ninguém mais se ocupou da defunta, que estava vestida de branco por ela mesma. Eu, sendo amiga da morta, botava nela um vestido cheio de flor. A velha Lilita ia gostar, porque aquela camisola branca foi-lhe um suplício.</p>
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