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	<title>Arquivo para bibliografia - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Todo marciano é verde?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/todo-marciano-e-verde/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rocelito Paulo Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2025 09:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[avental]]></category>
		<category><![CDATA[bibliografia]]></category>
		<category><![CDATA[cavalos-marinhos]]></category>
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		<category><![CDATA[Lagoa de Araruama]]></category>
		<category><![CDATA[litoral]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[marciano]]></category>
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		<category><![CDATA[verde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rocelito Paulo Pinto (*) &#160; Todo marciano é verde? Não sei, jamais imaginei um marciano sem antenas e que não fosse verde, até porque se não fosse verde e não possuísse antenas, não seria um marciano, pelo menos, não um marciano autêntico. No entanto, o que me assombra não é a possibilidade da &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&#038;title=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/todo-marciano-e-verde/" data-a2a-title="Todo marciano é verde?"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Rocelito Paulo Pinto (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">T</span>odo marciano é verde? Não sei, jamais imaginei um marciano sem antenas e que não fosse verde, até porque se não fosse verde e não possuísse antenas, não seria um marciano, pelo menos, não um marciano autêntico. No entanto, o que me assombra não é a possibilidade da existência de marcianos e, sim, o que fazer quando me deparar com um!</p>
<p>Todavia, sempre ouvi falar em cavalos-marinhos! Na minha santa ignorância, cavalos-marinhos e marcianos somente existiriam na minha imaginação! Um belo dia, me surpreendi com a genialidade do Renato Russo e fiquei perplexo quando ele, maravilhado, cantou em “<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.google.com.br/search?q=letra+de+vento+no+litoral&amp;sca_esv=964451d1a588e182&amp;source=hp&amp;ei=GBqxZ7XGHLK_5OUPk8qD-As&amp;iflsig=ACkRmUkAAAAAZ7EoKIhDBDKUPky0v9rJvwjj3RE-Ou3M&amp;ved=0ahUKEwi1sr_j4caLAxWyH7kGHRPlAL8Q4dUDCA4&amp;uact=5&amp;oq=letra+de+vento+no+litoral&amp;gs_lp=Egdnd3Mtd2l6GgIYAiIZbGV0cmEgZGUgdmVudG8gbm8gbGl0b3JhbDIFEAAYgAQyBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIIEAAYogQYiQUyBRAAGO8FSM8yUABYqCxwCHgAkAEAmAHvAaABjSqqAQYwLjMyLjG4AQPIAQD4AQGYAimgAs4rqAIKwgILEC4YgAQYsQMYgwHCAggQABiABBixA8ICERAAGIAEGLEDGIMBGIoFGIsDwgIOEAAYgAQYsQMYgwEYiwPCAhcQLhiABBixAxjRAxjSAxjHARioAxiLA8ICCxAuGIAEGNEDGMcBwgIOEAAYgAQYsQMYgwEYigXCAgsQABiABBixAxiLA8ICChAAGIAEGEMYigXCAg0QABiABBhDGIoFGIsDwgINEAAYgAQYsQMYQxiKBcICCxAuGIAEGMcBGK8BwgIOEC4YgAQYmAMYqAMYiwPCAggQABiABBiLA8ICFBAuGIAEGLEDGNQCGJgDGKgDGIsDwgIREC4YgAQYsQMYmAMYqAMYiwPCAgoQABiABBixAxgKwgINEAAYgAQYsQMYyQMYCsICChAAGIAEGJIDGArCAg0QABiABBixAxgKGIsDwgIgEAAYgAQYtAIY1AMY5QIYtwMY-AUYigUY6gIYigMYiwPCAh0QABiABBi0AhjUAxjlAhi3AxiKBRjqAhiKAxiLA8ICGhAAGIAEGLQCGNQDGOUCGLcDGIoFGOoCGIoDwgIOEC4YgAQYxwEYjgUYrwHCAgsQABiABBixAxiDAcICFBAuGIAEGLEDGIMBGKgDGIsDGJsDwgIUEC4YgAQYsQMY0gMYqAMYiwMYmwPCAgUQLhiABMICExAuGIAEGNQCGMcBGAoYjgUYrwHCAg0QLhiABBjRAxjHARgKwgINEC4YgAQYsQMYgwEYCsICExAuGIAEGEMYqAMYigUYiwMYngPCAhAQLhiABBixAxjRAxjHARgKwgIHEC4YgAQYCsICDRAAGIAEGLEDGIMBGArCAhAQABiABBixAxiDARiKBRgKwgIKEAAYgAQYChiLA8ICBxAAGIAEGArCAhEQLhiABBjUAhjHARiOBRivAcICDhAuGIAEGLEDGNEDGMcBwgIIEAAYgAQYogSYAwXiAwUSATEgQPEF8quOV6YLUJaSBwY4LjMyLjGgB_qBAg&amp;sclient=gws-wiz" target="_blank" rel="noopener">Vento no Litoral</a></span>”:</p>
<figure id="attachment_86150" aria-describedby="caption-attachment-86150" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-86150" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280-300x300.jpg" alt="cavalos marinhos" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280-1024x1024.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/seahorses-6966882_1280.jpg 1280w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86150" class="wp-caption-text">Cavalos-marinhos Foto: Pixabay</figcaption></figure>
<p><em>“Olha só o que eu achei, hum, hum, cavalos-marinhos!”.<span style="color: #008000;"> <a style="color: #008000;" href="#_bookmark0">1</a></span></em></p>
<p>Só mesmo sendo um gênio para conjugar, numa mesma poesia, grandezas como a naturalidade dos cavalos-marinhos e liberdade de expressão, numa mesma expressão de liberdade:</p>
<p><em>“De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver se o vento ainda está forte, vai ser bom subir nas pedras, sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora.”<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_bookmark1">2</a></span></em></p>
<p>Mas hoje, inspirado nos belos versos de Renato Russo, quase me tornei um gênio. Explico porquê! Resido no litoral e quando chega a tarde, desço às pedras para contemplar o vento passar, enquanto medito sobre alguns copos de cerveja. E pasmem, nas águas salgadas da Lagoa de Araruama habitam cavalos-marinhos reais, de verdade! São seres tão dóceis que, diferentes dos seres humanos, nem parecem cavalos! Mas diferentes dos cavalos, são tão frágeis que perecem facilmente ao toque do ser humano. Até esqueço que são peixes: incrível, mas cavalos-marinhos não são cavalos!</p>
<p>Fico pensando que figuras como cavalos-marinhos, e gênios como Renato Russo, não deveriam perecer! Mas, como é desumano, eles perecem! Então, cultivo a impressão de que cavalos-marinhos e gênios não falecem: são sacrificados por marcianos pela ausência do tom esverdeado que caracterizaria os gênios e os cavalos- marinhos se estes fossem marcianos.</p>
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<p>Mas… O que fazer quando encontrar um marciano?</p>

			</div></div>
<p>Esta semana, enquanto apreciava cavalos-marinhos, fui abordado por um menino que a mim pareceu possuir uma alma esverdeada, um espécime da classe universitates, do gênero “collegium martianum” (em livre tradução, marciano universitário — e dos chatos!), portador de antenas especuladoras e auto intitulado gênio, um rebelde sem causa à espera de diploma e de emprego espacial, digno de sua condição de extra-terráqueo.</p>
<figure id="attachment_86151" aria-describedby="caption-attachment-86151" style="width: 409px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/lagoa-de-araruama.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-86151" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/lagoa-de-araruama-300x163.jpg" alt="Lagoa de Araruama" width="409" height="222" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/lagoa-de-araruama-300x163.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/lagoa-de-araruama-1024x557.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/lagoa-de-araruama-768x418.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/lagoa-de-araruama.jpg 1200w" sizes="(max-width: 409px) 100vw, 409px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86151" class="wp-caption-text">Lagoa de Araruama fotografada pelo <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/CBERS-4" target="_blank" rel="noopener">CBERS-4</a></span></figcaption></figure>
<p>Entre goles de uma cerveja inusitada, a nossa conversa versou, entre outras coisas, sobre redes sociais. Dizia ele que as redes sociais deveriam ser reguladas e, na defesa de sua tese, comentava que rede social não deveria ser um planeta sem lei. Cometi uma asneira da qual muito me arrependi quando lhe perguntei: por quê? Para piorar, de forma educada, mas efusiva, ele me respondeu que na rede social há muitas idiossincrasias e coisas que ofendem a substancialidade do ser humano.</p>
<p>Talvez acreditasse ele que, sendo eu portador de cabelos grisalhos e passos lentos, desfrutando do poder de um copo de cerveja gelada e namorando o pôr do sol à beira da lagoa, enquanto assistia o vento passar, diante de sua expressão séria, solene e talentosa, minha curiosidade se genuflectiria mediante sua verborreia juvenil, eletrizante e envernizada.</p>
<p>Sei que deveria permanecer calado, mas sorvi, num só gole, meio copo de cerveja estupidamente gelada para o dissabor da minha bela gastroenterologista e, perguntei-lhe, incrédulo, de que idiossincrasias ele falava. Confesso que aguardava em minhas expectativas que ele me revelasse algo que dissolvesse, em mim, aquilo que me faz indignar com a morte inútil e gratuita de cavalos-marinhos.</p>
<figure id="attachment_81315" aria-describedby="caption-attachment-81315" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/social-media-6363633_1280.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-81315" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/social-media-6363633_1280-300x200.jpg" alt="Redes sociais" width="300" height="200" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/social-media-6363633_1280-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/social-media-6363633_1280-1024x682.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/social-media-6363633_1280-768x512.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/social-media-6363633_1280.jpg 1280w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81315" class="wp-caption-text">Redes sociais  Imagem: Pixabay</figcaption></figure>
<p>Ele, agora mais empolgado, asseverou, entre outras coisas, que a rede social estaria recheada de situações inaceitáveis, entre elas, a de marcianos que exploram marcianitos em posições sensualmente deploráveis, transformando-os em objetos sexuais que respiram. Reclamou também que outros marcianos vociferam verdades inverossímeis, em manifestações eloquentes que nitidamente repousam em névoas esparsas sem conteúdo factual e não lastreável, desprovidas de experiências comprovadamente exitosas e metodicamente registráveis, portanto, passíveis de serem contraditadas.</p>
<p>Naquele momento não soube o que pensar, então preferi molhar minhas palavras com a cerveja que refrescava o meu raciocínio preguiçoso e nada sábio para aquele tipo de teoria formatada e capsciosamente construída, enquanto o vento passava… Diante do meu silêncio testemunhal, perguntou-me, o menino, se poderia me fazer uma indagação. Sorvi mais um copo de cerveja, enquanto aquilatava, por antecipação, o tamanho da especulação indagadora a abater sobre minha ignorância acerca de tão ardiloso assunto.</p>
<p>Mas que miséria! Para o meu catastrófico azar, aquele projeto de marciano me perguntou como eu desconheceria aquelas ocorrências que, no universo das redes sociais, relacionavam exploração sexual desumana à liberdade de expressão, ou que relegavam o negacionismo da manifestação científica à defesa política de cunho ideologicamente contestável. Acrescentou ele que só sendo desumano para ignorar tais circunstâncias tão cruciais, enquanto ele próprio se inclinava sobre as águas da Lagoa de Araruama para recolher um cavalo-marinho.</p>
<p>Não sei se por reflexo do entardecer, ou se por força do vento que soprava sobre minha vontade de me sentir um marciano, confessei-lhe que fazia questão de desprezar tais referências por serem idiossincrasias que ofendiam a minha particular substancialidade humana.</p>
<p>Emendei falando-lhe da minha própria reprobabilidade sobre tais assuntos, fato que me impede conscientemente de querer associar o meu tempo humano ao vislumbre de tais eventos, para os quais entendia já haver regulação suficientemente coercitiva e responsabilizadora, que só não seria mais eficaz e produtiva em face do silêncio e da inércia daqueles que se permitem tomar conhecimento de tais ações.</p>
<p>Disse-lhe, do alto da genialidade da minha cerveja adquirida, que tais situações só se proliferam em virtude da cumplicidade de quem tudo assiste e reage, apenas, se indignando em ocasiões inadequadas para a resolução de tais circunstâncias sem, todavia, mover um dedo na direção da justa e correta manifestação para que autoridades, formalmente constituídas, tomem conhecimento oficial de tais ocorrências e adotem, obrigatoriamente, providências legais que coíbam tais ações de nefastas e desumanas consequências.</p>
<p>Para a minha infelicidade, ainda cometi mais uma gafe: falei em tom cirúrgico e cervejético, que me assustava com a possibilidade de que um jovem tão inteligente, intelectualmente expressivo, dotado de uma força indignativa imponente, se propunha a assistir e comentar atos desprezíveis e condenáveis, porém, irando-se sem a próspera colaboração no sentido de efetivamente combatê-los.</p>
<p>Ensejou-me a perversa comparação de que tal comportamento não diferia da postura de turistas marcianos, tais como ele próprio agora, os quais, oriundos de orbes distantes, se comovem espetacularmente com a morte do cavalos-marinhos em suas próprias mãos, mas não se conscientizam de que os cavalos-marinhos permaneceriam livres se, em seu próprio habitat, não fossem tocados pela estupidez da curiosidade marciana, porque se fossem dotados de inteligência humana, os marcianos saberiam respeitar a natureza píscea dos cavalos-marinhos, na qual, unicamente por vontade própria, se inserem.</p>
<p>Na minha modesta opinião, se ninguém visualizasse mediocridades (como a dos marcianos explorando marcianitos, ou a de marcianos querendo provar que são mais verdes que os outros esverdeados), tais manifestações se extinguiriam por inanição midiática, porque as mediocridades são apreciadas e aplaudidas apenas por medíocres que se nutrem no prazer de se mediocrizar.</p>
<p>Os cavalos-marinhos só são o que são na naturalidade de sua sublimidade aquática, sem regulação externa. Qualquer regulação humana (que para eles seria marciana) impor-lhes-ia a condição de morte, fato lógico e natural, por mais inteligente e altruísta que fosse a intenção reguladora de protegê-los.</p>
<p>Tal como tudo na vida! Por exemplo, o Hábito faz o monge, mas para sê-lo, não depende apenas do uso do Hábito, o qual só serve para que os não-monges constatem a presença de um monástico devido ao modo como se veste. Porém, os bons eclesiásticos reconhecem o verdadeiro monge pela fé e atitudes que o distingue na conduta quotidiana e natural, e não pelas vestes consignadas.</p>
<figure id="attachment_86152" aria-describedby="caption-attachment-86152" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avental-de-mestre-macom.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-86152" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avental-de-mestre-macom-300x263.png" alt="avental" width="300" height="263" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avental-de-mestre-macom-300x263.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avental-de-mestre-macom.png 493w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86152" class="wp-caption-text">Avental de mestre</figcaption></figure>
<p>Assim como o uso do Avental caracteriza o Maçom que, por sua vez, não depende do mesmo. No contexto geral, os não-maçons distinguem aquele que é em face do referido vestuário e demais paramentos que ostenta. Entretanto, entre Irmãos, se reconhece a dignidade de um excelente Maçom pelos valores e conduta que nele se manifestam, e não devido ao Avental que exibe.</p>
<p>O Hábito é apenas um sinal, um sinal de fé, assim como o Avental é apenas um símbolo, um símbolo de responsabilidade. O valor substancial do Hábito não se volta para os não-monges, mas sim para os Ordenados, para que jamais se esqueçam de representar a verdade e a crença com as quais se tornaram comprometidos. O significado do uso do Avental não se volta para os não-maçons, mas sim para os Iniciados, para que jamais se afastem do projeto arquitetônico moral que orienta a construção do templo do aperfeiçoamento humano ante o permanente combate aos vícios.</p>
<p>No âmbito da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_religiosa" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #008000;">Ordem Monástica</span><span style="color: #000000;">,</span></a> quando o Monge não honra o Hábito, é destituído do Monastério e não é a Ordem que se vê necessitada de regulação na totalidade, em face do pecado de um Monge vacilante. No da Ordem Maçônica não é diferente: quando o Maçom não honra o Avental, é excluído da Instituição; não é a Ordem em geral que merece ser regulada porque um Obreiro se fez invigilante e desequilibrado.</p>
<p>O pecado não reside no Hábito, mas em quem o desonrou, assim como a desonra não se domicilia no Avental, mas em quem dele se tornou indigno. A rede social, como uma obra humana, não deveria ultrapassar essa órbita racional. Se há seres humanos que nela se comportam como marcianos, são eles que devem ser responsabilizados mediante o devido processo, com todas as garantias e instrumentos que manifestem a humanidade na legalidade e na justiça, e não a rede social, porque para isso, a regulação devida e necessária já existe. O humano deveria acatá-la e cumpri-la.</p>
<p>No Monastério, os Monges só se tornam livres se aprendem a honrar a substancialidade daquilo que define a vida monástica, sem os preconceitos do mundo exterior, sem a complacência que tende a amenizar a responsabilidade individual, sem a arrogância das digressões estranhas e divorciadas dos objetivos da fé. A disciplina e o proceder metódico que os distingue não são para eles cativeiros morais, mas sim um processo libertador, aquilo que em sua essência os torna humanos, ainda que monges, e não seria uma nova resolução que haveria de fortalecê-los em sua crença.</p>
<p>No escopo da <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/gobsergipe/" target="_blank" rel="noopener">Maçonaria</a></span>, os Irmãos só se sentem livres se aprendem a honrar os princípios que definem a vida templária pela fraternidade, sem as peculiaridades que desgastam o valor da autoridade no seu dever de ofício; pela igualdade, sem exacerbação do cultivo dos títulos que ornamentam o ego; pela liberdade, sem tolerância aos vícios que impregnam o mundanismo desumanizante da sociedade humana.</p>
<p>A disciplina, a dedicação, o desenvolvimento do intelecto que dimensiona os Obreiros da Arte Real, não são para eles um fardo moral, mas sim um processo de ascensão e sublimação. Em sua substancialidade, se tornam humanos ao passo que se notabilizam como Maçons, e não seria uma nova resolução que haveria de aperfeiçoá-los em sua Arte Real se não houver o permanente concurso do próprio esforço.</p>
<p>No entanto, a essência da vida Monástica ou Maçônica não está mergulhada na carência da proposição de novas resoluções, mas sim no respeito e acatamento aos valores e princípios tradicionais e seculares que sempre as distinguiram na humanidade, por todos que a elas se submetem.</p>
<p>Sob esse aspecto, a rede social é a biosfera onde todos deveriam se sentir livres para se manifestarem como seres humanos, sob a essência da liberdade de expressão que distingue os seres humanos livres dos submissos, escravizados, medíocres, bestializados ou marcianalizados. Para tal mister, é necessário que os agentes que impulsionam a rede se comportem como seres-humanos, fomentadores de uma teia social atuante e viva, alimentada da essencialidade humana, caracterizada pelo respeito, liberdade, sabedoria, ética, criatividade, comunicação, empatia e interatividade.</p>
<p>Se observássemos a rede social sob ângulo semelhante ao de uma Lagoa, seus agentes agiriam como cavalos-marinhos na liberdade de serem o que são, cavalos-marinhos, e não objetos de leviandade e mediocridade! Os cavalos-marinhos se comportam livremente como agentes interativos na Lagoa de Araruama, que por sua salinidade, é um lugar adequado a eles, não a seres humanos.</p>
<p>A rede social deveria ser acatada como um lugar adequado a seres humanos, a se comportarem livre e conscientemente como seres humanos e não como marcianos e nem como cavalos-marinhos. Então, não há como conceber que, pela idiotice de alguns marcianos idiotas, todos, inclusive os seres humanos, tenham que usar o verde do imaginário e desenvolver antenas. Mais fácil e lógico seria explorar o conteúdo da alma humana, desenvolvendo o cérebro para enaltecer a razão, exercitando o coração para prosperar a fraternidade digna dos seres humanos de todas as cores.</p>
<p>Quando o pensamento menino (mesmo sendo um “universitatis academicae”) ignora que “quem poupa a vida do lobo, condena à morte as ovelhas”,<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_bookmark2">3</a></span> celebra o ensejo da necessidade de se regular toda a rede social ou qualquer coisa humana. A necessidade de regulação passa a se fundamentar na ausência de insensatez que permite e tolera a existência de marcianos que exploram marcianitos, ou de extraterrestres que querem que todos se identifiquem sob uma epiderme esverdeada. Assim, se impõem limites à expansão do universo em virtude da fraqueza de um asteroide em decomposição.</p>
<p>A proposição de uma nova regulação, assim explorada, equivale ao fundamento que ilustra a existência de placas, como as que ele agora ignora, alertando que o contato humano na água da Lagoa de Araruama extermina os cavalos-marinhos. Na mesma expressão indecentemente inócua, seguem aqueles avisos inúteis que exaltam a precaução de não invadir o espaço do elevador se o mesmo não estiver estacionado no referido pavimento, ou de que o ato de fumar é danoso à saúde.</p>
<p>Imagino nessas placas regulações estúpidas e desumanas, porque a existência delas não impede que imbecis se esquivem de capturar cavalos-marinhos, que afobados se inibam de corromper a porta automática do elevador, ou que viciados se abstenham de fumar. Regular a rede social impõe mais regras a quem, como humanos, já as respeita naturalmente, tornando a vida destes mais difícil. Os marcianos, por serem marcianos, pelo contrário, continuarão a se comportar como marcianos e se permitirão estimulados a quebrar as regras impostas, no intuito de exibir suas deficiências morais e ausência de humanidade, sem se importar com a morte de um cavalo-marinho em suas próprias mãos.</p>
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<p>Ademais, há ainda um pormenor de enorme profundidade a ser exaurido: na hipótese da necessidade de regulação, qual seria a natureza do objeto regulador: humana, marciana ou píscea, como a de um cavalo-marinho?</p>

			</div></div>
<p>Independentemente da natureza dela, a regulação seria inepta e inapta por excelência, porque seres humanos, quando regulam marcianos, não o fazem sem o prejuízo de sua própria humanidade, incorrendo no perigo de se igualarem aos marcianos. Não se pode ignorar que são os seres humanos que, agindo como marcianos, exterminam os cavalos-marinhos, apesar da regulação e das placas já existentes!</p>
<p>Os marcianos, por serem marcianos, não promoveriam uma regulação objetivando enaltecer os predicados dos seres humanos. No entanto, ainda que se manifestassem como seres humanos, em sua regulação jamais se constrangeriam a ocultar o tom esverdeado de sua epiderme ou dissimular o bailar das suas antenas.</p>
<p>Os cavalos-marinhos não almejariam outra coisa a não ser pulular na Lagoa de Araruama, e o único préstimo que necessitariam e necessitam dos seres humanos, e até dos marcianos, é que estes lhes respeitem a liberdade de ali conviver e prosperar como cavalos-marinhos!</p>
<p>E ante o temor obscuro e assombroso, sobre o que fazer quando encontrar um marciano, indago: e se o regulador falhar em sua regulação, quem regulará o regulador? Então, não há como negar a genialidade do Renato Russo:</p>
<p><em>“Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou, vai ser difícil eu sem você porque você está comigo o tempo todo e quando vejo o mar, existe algo que diz que a vida continua e se entregar é uma bobagem… Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim! Quero ser feliz ao menos, lembra que o plano era ficarmos bem!”</em><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_bookmark3">4</a></span></p>
<p>Não sei o que o “universitatis academicae” cogitou dos meus pensamentos. Tudo o que consegui ouvir, a seguir, foi o silêncio sepulcral daquela alma verde e marciana, com os seus olhos em forma de antena a me observar enquanto eu contemplava mais um copo de cerveja estupidamente gelada. Aproveitei e lhe ofereci outra latinha para, enfim, resgatar o cavalo-marinho que estava em seu poder e restituí-lo à água, antes que o mesmo perecesse.</p>
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<p>Ainda continuo me perguntando: todo marciano é verde? Permaneço sem saber!</p>

			</div></div>
<p>Agora estamos ambos paralisados, orbitando em planetas distantes, isolados ao pôr do sol sobre as pedras fustigadas pelas ondas ao sabor do vento, cada um com sua lata de cerveja na mão, a contemplar os cavalos- marinhos livres em sua rede social nas águas salgadas da Lagoa de Araruama.</p>
<p>No universo de cada um de nós, só o gênio de Renato Russo para cantarolar silenciosamente:</p>
<p><em>“Sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora”</em><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="#_bookmark4">5</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="box note  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>Bibliografia:</h3>
<p>1 VENTO NO LITORAL. LOBOS: Dado Villa-; RUSSO: Renato; BONFÁ: Marcelo. Sétima faixa do V &#8211; Quinto Albúm de Legião Urbana. Lançamento: 15 de dezembro de 1991. Estúdio: Mega, Rio de Janeiro, RJ.</p>
<p>2 Ibdem.</p>
<p>3 Capital ilusão &#8211; Página 159, José Lucas -Ed. Coragem, 1986, 244 páginas Atribuídas. Fonte: <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://citacoes.in/citacoes/611814-victor-hugo-quem-poupa-o-lobo-sacrifica-a-ovelha/" target="_blank" rel="noopener">https://citacoes.in/citacoes/611814-victor-hugo-quem-poupa-o-lobo-sacrifica-a-ovelha/</a></span></p>
<p>4 VENTO NO LITORAL. LOBOS: Dado Villa-; RUSSO: Renato; BONFÁ: Marcelo.</p>
<p>5 Ibdem.</p>

			</div></div>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&amp;linkname=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftodo-marciano-e-verde%2F&#038;title=Todo%20marciano%20%C3%A9%20verde%3F" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/todo-marciano-e-verde/" data-a2a-title="Todo marciano é verde?"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/todo-marciano-e-verde/">Todo marciano é verde?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O terceiro olho</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-terceiro-olho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Manuel Luiz Figueiroa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2024 11:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[bibliografia]]></category>
		<category><![CDATA[CHAKRAS]]></category>
		<category><![CDATA[egipícia]]></category>
		<category><![CDATA[frações]]></category>
		<category><![CDATA[glândula]]></category>
		<category><![CDATA[Horus]]></category>
		<category><![CDATA[lágrima]]></category>
		<category><![CDATA[lenda]]></category>
		<category><![CDATA[olho]]></category>
		<category><![CDATA[pineal]]></category>
		<category><![CDATA[sobrancelha]]></category>
		<category><![CDATA[terceiro]]></category>
		<category><![CDATA[valores]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=78265</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Manuel Luiz Figueiroa (*) &#160; Olho de Horus &#160; Segundo a lenda egípcia, Horus — Deus da Guerra, filho de Osiris, Deus dos Mortos, e Isis, Deusa da Magia — em luta contra o seu tio Set, Deus do Caos, que havia matado seu pai, na disputa do trono do Egito, perdeu seu &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Manuel Luiz Figueiroa (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Olho de Horus</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-de-horus.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-78269 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-de-horus-300x140.png" alt="" width="624" height="291" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-de-horus-300x140.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-de-horus.png 580w" sizes="auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px" /></a></p>
<span class="dropcap ">S</span>egundo a lenda egípcia, Horus — Deus da Guerra, filho de Osiris, Deus dos Mortos, e Isis, Deusa da Magia — em luta contra o seu tio Set, Deus do Caos, que havia matado seu pai, na disputa do trono do Egito, perdeu seu olho esquerdo que foi recuperado por To-hu-ti, Deus da Sabedoria.</p>
<p>Após 80 anos de luta, Horus vence Set unificando o Egito.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h2><strong>Uso na matemática</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Representacao-dos-valores-aritmeticos-do-olho-de-Horus-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-78303 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Representacao-dos-valores-aritmeticos-do-olho-de-Horus-1.png" alt="" width="1209" height="400" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Representacao-dos-valores-aritmeticos-do-olho-de-Horus-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Representacao-dos-valores-aritmeticos-do-olho-de-Horus-1-300x99.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Representacao-dos-valores-aritmeticos-do-olho-de-Horus-1-1024x339.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Representacao-dos-valores-aritmeticos-do-olho-de-Horus-1-768x254.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>O lado direito do olho</strong> <strong>= </strong><sup>1</sup>⁄<sub>2  ; </sub>A pupila = <sup>1</sup>⁄<sub>4</sub></p>
<p><strong>A sobrancelha = </strong><sup>1</sup>⁄<sub>8 ;         </sub><strong>O lado esquerdo do olho = </strong><sup>1</sup>⁄<sub>16</sub></p>
<p><strong>O rabo curvado =</strong> <sup>1</sup>⁄<sub>32 ;    </sub><strong>A lágrima =</strong> <sup>1</sup>⁄<sub>64.</sub></p>
<p>Frações representadas na figura de um quadrado.</p>
<p>Com uma observação mais cuidadosa, a sequência infinita  ½, ¼, 1/8, 1/16, 1/32, 1/64&#8230; forma uma Progressão Geométrica de razao ½ e soma dos termos a unidade.</p>

			</div></div>
<h2><strong>OS CHAKRAS</strong></h2>
<p>Em razão de sermos parte do universo como criação divina e que fazemos parte da energia cósmica, nós, humanos, somos formados de energia. Dessa forma nos submetemos à ideia de CHAKRA, roda de luz, como centro de energia, no ser humano, corpo físico, a matéria, e fora desta, emocional, mental e pensamento.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/chakras.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-78273 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/chakras-300x199.png" alt="" width="517" height="343" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/chakras-300x199.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/chakras-310x205.png 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/chakras.png 760w" sizes="auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px" /></a></p>
<h2><strong>T</strong><strong>erceiro olho</strong></h2>
<p>O terceiro olho está localizado na testa, representado pela <strong>glândula pineal</strong>, como o centro da intuição e da previsão, se relacionando no plano espiritual com a clarividência, estando ligado ao sexto e ao sétimo <span style="color: #008000;"><strong><u><a style="color: #008000;" href="https://blog.zurcstore.com/geral/chakras-o-que-sao-e-como-os-cristais-podem-te-ajudar-a-equilibrar-corpo-e-mente/">chakras</a></u></strong></span><strong>.</strong></p>
<p>Segundo René Descartes, filósofo, fisiologista e matemático francês (Séc. 17), a glândula pineal seria a sede da alma.</p>
<p>Descartes é responsável pela famosa frase em latim: “Cogito, ergo sum” (penso, logo existo). Ele foi o primeiro a levantar a doutrina do dualismo corpo e mente, tendo discutido temas como a ação voluntária e involuntária, os reflexos, consciência, pensamento, emoções etc.</p>
<ol>
<li><strong>Funcionalidade do terceiro olho</strong></li>
</ol>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/o-olho-da-mulher.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-78275 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/o-olho-da-mulher-300x160.png" alt="" width="523" height="279" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/o-olho-da-mulher-300x160.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/o-olho-da-mulher-310x165.png 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/o-olho-da-mulher.png 680w" sizes="auto, (max-width: 523px) 100vw, 523px" /></a></p>
<p>Dentro do campo espiritual, a glândula pineal capta as informações do ambiente físico e espiritual. Acredita-se que indivíduos mediúnicos e clarividentes possuem terceiro olho amplamente desenvolvido, sendo muito mais sensíveis às variações de energia. Essa glândula está ligada ao funcionamento do Chakra Ajna, localizado entre nossas sobrancelhas, e o Sahasrara, localizado no topo da cabeça, reabastecimento das energias cósmicas.</p>
<ol start="2">
<li><strong>Desenvolva o terceiro olho</strong></li>
</ol>
<p>Fale menos e escute mais, pratique a meditação, desenvolva a criatividade, seja mais observador, trabalhe sua intuição.</p>
<p><strong>Fale menos e escute mais</strong> &#8211; esta é a primeira lição do aprendiz maçom que não tem permissão de falar, em alguns ritos, nos trabalhos da loja. No mundo profano se não puder elogiar, cale-se.</p>
<p>A prática da <strong>meditação</strong> é a busca da ligação com o divino. Esta aprendizagem está presente no início dos trabalhos em loja. Fora da loja, em ambiente silencioso e discreto, a meditação sempre é bem-vinda.</p>
<p>A <strong>criatividade</strong>, como toda atividade, necessita de prática, portanto o exercitar a criatividade é um fator desenvolvimentista do terceiro olho.</p>
<p><strong>Atente-se para a realidade dos fatos</strong>, e o que é fato não pode ser mudado, pois o mesmo já ocorreu e, portanto, só pode ser compreendido.</p>
<p>Desenvolver a <strong>intuição</strong> consubstancia o presente com o futuro.</p>
<p><strong>O TERCEIRO OLHO NA MAÇONARIA</strong></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-maconaria.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-78277 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-maconaria-300x200.png" alt="" width="531" height="354" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-maconaria-300x200.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/olho-maconaria.png 610w" sizes="auto, (max-width: 531px) 100vw, 531px" /></a></p>
<p>Ele representa o olho de Deus que observa a humanidade: o triângulo simboliza a Santíssima Trindade e os raios a glória divina. Um dos ícones mais famosos da Maçonaria, o Olho da Providência, é um poderoso lembrete aos maçons de que o Grande Arquiteto do Universo está sempre de vigia. Por outro lado, a onipresença não tem o aspecto punitivo, muito pelo contrário, entenda-a como protetiva.</p>
<h2>CONCLUSÃO</h2>
<p><strong>O olho de Orus</strong> tem sido usado como amuleto que significa proteção, restabelecimento da saúde e visão, e nas prescrições médicas antigas, muitas vezes, encontram-se o símbolo <strong>Rx </strong>indicando cura e restabelecimento<strong>. </strong>Quando os médicos precisavam prescrever a fórmula do medicamento, manipulação, misturando e compondo seus ingredientes, a abreviação <strong>Rx</strong> era completada com uma ordem, como <strong><em>fiat mistura</em></strong>, que significa &#8220;faça-se a mistura&#8221;. Outra teoria é a de que <strong>Rx</strong> fosse uma invocação ao <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Deus_romano">deus romano</a> <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BApiter_(mitologia)">Júpiter</a></span>, para que o tratamento fosse efetivo.</p>
<p><strong>Os chakaras</strong> são regiões do corpo humano que funcionam como receptores de energia  e são sete, entretanto o destaque é para o sexto, <strong>Ajna</strong> e o sétimo, <strong>Sahsrara </strong>que são do interesse deste estudo<strong>. </strong></p>
<p><strong> </strong><strong>O terceiro olho</strong> é uma extensão dos dois olhos, enquanto estes enxergam o momento presente, aquele projeta na mente fatos que ocorrerão no futuro. A memoria guarda fatos ocorridos, registrados pelos dois olhos, o terceiro olho registra a projeção do futuro. A estrada da vida percorrida é observada pelos dois olhos, e registrada na mente como história de cada um, enquanto o terceiro olho prevê a estrada a ser percorrida além da curva.</p>
<p>Em termos espirituais o terceiro olho, a glândula pineal estão mais desenvolvidos nos médiuns que o utilizam como instrumento de cura na relação matéria x espírito, intermediando o espirito como ser de dimensão superior para cura de doenças do corpo.</p>
<p>É indiscutível que a glândula pineal como ligação com o divino nas coisas de espírito é mais um código identificador do criador na criação da mesma forma que o número sagrado 1,6180 obtido da sequência de Fibonacci.</p>
<p><strong>“Não procures Deus em Templos, Igrejas e Imagens, se não os verdes nas plantas, nos animais, nas pedras, e não encontrares Ele dentro de ti mesmo.”  Alcir Otto – Pensador. 14/10/2012.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>__________</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-1">↑</a> <a href="http://www.fascinioegito.sh06.com/olho.htm"><em>«Significado do Olho de Hórus»</em></a><em>. Consultado em 6 de maio de 2015</em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-2">↑</a> <a href="http://olhodehorus-egito.com.br/egito.htm"><em>«A Civilização Egipcia»</em></a><em>. Consultado em 6 de maio de 2015</em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-3">↑</a> <a href="https://www.significados.com.br/olho-de-horus/"><em>«olho de horus»</em></a>. significados.com.br<em>. Consultado em 6 de maio de 2015</em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-4">↑</a> Xavier, Francisco; Luiz,André. Missionários da Luz 45ª ed. [S.l.: s.n.] <em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/International_Standard_Book_Number">ISBN</a></em> <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Fontes_de_livros/978-8-573-28801-8"><em>978-8-573-28801-8</em></a></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-5">↑</a> <a href="http://www.mundoespirita.com.br/?materia=revelacoes-de-andre-luiz-em-revista-cientifica"><em>«Revelações de André Luiz em revistacientífica»</em></a>. mundoespirita.com.br<em>. Consultado em 29 de março de 2017</em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-6">↑</a> Stewart, Ian (2009). Professor Stewart&#8217;s Hoard of Mathematical Treasures. [S.l.]: Profile Books. pp. 76–80. <em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/International_Standard_Book_Number">ISBN</a></em> <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Fontes_de_livros/978_1_84668_292_6"><em>978 1 84668 292 6</em></a></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-7">↑</a> Hilary Wilson (1995). Understanding Hieroglyphs: A Complete Introductory Guide. London: Michael O&#8217;mara Books Ltd. p. 165</p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_de_H%C3%B3rus#cite_ref-8">↑</a> Ritter, Jim (2002). «Closing the Eye ofHorus: the Rise and Fall of &#8216;Horus-Eye Fractions&#8217;». In: Steele, J.; Imhausen, A. Under One Sky: Astronomy and Mathematics in the ancient Near East. Münster: Ugarit-Verlag. pp. 297–323 See also Katz, V., ed. (2007). The Mathematics of Egypt, Mesopotamia, China, India, and Islam: A Sourcebook. Princeton: Princeton University Press, and Robson, E.; Stedall, J., eds. (2009). The Oxford Handbook of the History of Mathematics</p>
<p>Shakras &#8211; Sociedade Espirita Luiz Sérgio<br />
Av. Castelo Branco, 1012 &#8211; Campo Grande, M</p>
<p>Descartes e a Glândula Pineal &#8211; <a href="http://prisma.planck-e.com/autor/Patrizia_Tomasi-Bensik">Patrizia Tomasi-Bensik</a>, São Paulo, Brasil &#8211; 2005</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>As pílulas poéticas de Paulo Leminski: entre o incenso da ditadura e a música da realidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2020 14:19:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[anos de chumbo]]></category>
		<category><![CDATA[bibliografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“O homem cognoscente é simplesmente o guarda da realidade.” (W.Luijpen) Paulo Leminski, o Polaco, foi mais que um poeta contemporâneo, foi um artista da palavra-ação, com a incomum capacidade de encobrir – clareando-a, diga-se de passagem &#8211; a nefasta realidade prevista para além da ordem do dia com uma poesia do olhar diário, rápida tal &#8230;</p>
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<p style="text-align: right;"><em>(W.Luijpen)</em></p>
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 139px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="139" height="136" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 139px) 100vw, 139px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Paulo Leminski, o Polaco, foi mais que um poeta contemporâneo, foi um artista da palavra-ação, com a incomum capacidade de encobrir – clareando-a, diga-se de passagem &#8211; a nefasta realidade prevista para além da ordem do dia com uma poesia do olhar diário, rápida tal qual um flash fotográfico, agregadora como se fosse uma última respiração, que não se esforçava em misturar toques concretistas a um lirismo de abraçar e aconchegar os mais gélidos corações. Mais que atuar como poeta de uma nação desequilibrada pela Ditadura Militar e todas as outras privações oriundas de tal período, Leminski mimeografou durante sua vida toda uma marca poética que se caracterizava pela erudição, mas também por um excêntrico coloquialismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Curitibano, nascido em 24 de agosto de 1944, Leminski falece em 1989, aos 44 anos de idade. Morte de mais um corpo comum, mas antes a redenção de mais um poeta imortal para compor a “poesia una” do mundo, como diria Elias Canetti, Nobel de literatura premiado em 1981. É dentro da esfera de autoridade do Regime Ditatorial que Leminski invade o espectro da poética nacional, no ano de 1976, lançando seu primeiro compêndio de poemas, intitulado de <em>Quarenta clics em Curitiba</em>, uma espécie de portfólio onde seus poemas brincavam de produzir e desconstruir sentidos ao lado de fotografias de Jack Pires. Antes disto, já havia burilado na prosa de ficção, com o experimental <em>Catatau</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/frases-paulo-leminski-I.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32934 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/frases-paulo-leminski-I-300x158.jpg" alt="" width="391" height="206" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/frases-paulo-leminski-I-300x158.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/frases-paulo-leminski-I.jpg 310w" sizes="auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px" /></a>O incenso da poesia leminskiana, de ordenação clandestina e transitória, faria elevar em quem o lia ainda mais o afã pela bravura de ser quem se é, alimentando o recrudescimento perante os mandos de um determinado poder absoluto, direcionados a partir de um grupo seleto de pessoas. A literatura, observada aqui como um direito inalienável do ser humano, como preconizou Antonio Candido em um de seus <em>Vários escritos</em>, agiria impulsivamente, inicialmente à surdina, para depois vingar em forma de incontestável potência num travar-se em batalha contra toda e qualquer artimanha governamental que levasse em conta a violação de regimentos e leis – e tudo feito de maneira abrupta e constante, como se sabe – que tinham como destinação maior o desrespeito às liberdades civis dos brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, o movimento militar de 1964 determinou o fim de um período de liberdade política como nunca havia existido no país até então. As liberdades públicas foram gradativamente extirpadas e engolidas, estranguladas sem maiores explicações. A situação do povo brasileiro ficou ainda mais comprometida quando, no ano de 1968, foi decretado o Ato Institucional Nº 5. Depois de instaurado o AI-5, seguiu-se uma fase brutal de violência e repressão. Ao final de todos os embates, os 25 anos de Ditadura deixaram marcas profundas nas reminiscências históricas da nação tupiniquim.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma sociedade amedrontada pelos fantasmas do movimento militar iniciado em meados da década de 60 do século passado e que, ainda nos dias atuais, convive com camuflagens de tortura, de repressão, de intimidação e de terror, a literatura exigiu num endereçamento de si mesma para o lugar do outro ou vice-versa – o do ser-leitor, num fenômeno baseado em um sentimento de alteridade, mesmo que de maneira consideravelmente tímida nos primórdios -, um lugar de respeito para se efetuar impressões e processamentos vários de natureza combativa e/ou contrária ao controle social e político despótico empregado no país naqueles idos.</p>
<p style="text-align: justify;">Impedidos de falar, de expressar suas opiniões em plenitude, muitos artistas, poetas, jornalistas, escritores e pensadores em geral, foram impelidos a criar estratégias para fazer vingar a alma de suas palavras e de suas inquietações. Se de um lado, Platão e Aristóteles fizeram questão de destacar que a mais irredutível marca da tirania é, obviamente, a ilegalidade ou o exercício do poder pelo desejo absoluto de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, de outro lado muitos dos grandes personagens deste Brasil nebuloso preferiram acreditar no poder do verbo, do verso, da canção, do manifesto irônico e em tantos outros meios para debater as imposições deflagradas e notoriamente retirar espaço de tudo o que tivesse sido ocupado com o uso da força ou da fraude. E Leminski foi um destes.</p>
<p style="text-align: justify;">Imerso em todo este panorama, Paulo Leminski escolheu suas armas: o poema curto, o verso torto, a naturalidade obsessiva do haicai, o inteligível das construções simples, o escracho crítico e a piada sincera, o ditado sem normas, o hermetismo das singularidades das coisas plurais, a experimentação como objeto de vida, a ficção criativa ao extremo. Outras tantas, também. Concretista nos anos 60, inventor de equadores díspares nos anos 70, poeta musical nos anos 80, a verve leminskiana é a de um poeta vanguardista, de braços abertos à marginalidade estético-estilística da época, em que é ele próprio o verso sem definição plausível ou requerido, porém providencial.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/paulo-leminski-vida.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32936 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/paulo-leminski-vida-300x134.png" alt="" width="360" height="161" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/paulo-leminski-vida-300x134.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/paulo-leminski-vida-768x343.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/paulo-leminski-vida.png 800w" sizes="auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px" /></a>Polemicista e agitador do caos, do diferente, das rouquidões de tanto gritar por respeito às diferenças várias, Leminski pautou em suas distorções musicais e entonações poéticas todo um plano de consideração diante das diversas singularidades humanas. Foi e ainda é um poeta que conversa com todos ao mesmo tempo, do mais pobre ao mais rico, do menos letrado ao mais letrado. Como se sabe, Leminski não discutia com o destino, assinava o que pintasse em sua frente, parafraseando um de seus poemas mais conhecidos. Desta forma, seguiu um caminho que, se solitário, oportunizou a si um tempo necessário para lapidar sua voz poética aos extremos da perfeição.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo sem levantar bandeira em ostentações comuns a muitos de sua mesma laia, o poeta estreitou a ligação entre a literatura e a vida como um dos nossos muitos direitos irrevogáveis. Ao fazer isto, num tratamento lento para com as coisas do amor mais real, aquele que brota do âmago dos seres, o poeta do bigode acenou burlar o estado natural das normalidades incontestes, fez vadiagem com o sentimento de que podemos sempre ser mais do que somos agora no presente, torceu o pescoço das palavras em prol de uma ruptura com o banal, orientando-nos a nos reorientar sempre que preciso fosse.</p>
<p style="text-align: justify;">Leminski, no supracitado processo, não nos orienta a um lugar possível. O lugar possível não existe nem faz-nos existir. Ao contrário, desorienta-nos porque não oferece um caminho facilitado para se chegar nem ao início e muito menos ao fim de algo ou alguma rota pré-estabelecida. O caminho leminskiano é o da verdade. Verdade enquanto inocência, verdade enquanto pureza. O poeta, sabedor das interferências do mundo em nossa humanidade, ofertou-nos a possibilidade da procura do sentido vital através de uma enorme avenida onde a poesia, instalada no cotidiano, é o ponto de partida para tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/leminski-destino.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-32939 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/leminski-destino-300x277.jpg" alt="" width="349" height="322" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/leminski-destino-300x277.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/09/leminski-destino.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px" /></a>Ao se tomar como ponto de partida o sentimento de alteridade, aquele em que o outro se transfere a outra esfera de sentido, sendo-a em sua inteireza, já que participa de toda a problemática das construções, podemos fazer uma leitura de toda a literatura leminskiana como sendo ela a presença deste outro em cada pessoa transformada, em cada verso escrito e lido e vivido como se último suspiro, em cada rompimento advindo daí como numa necessidade bruta, como numa necessidade de reconhecimento e, também, de autoconhecimento. Paulo Leminski não fazia poesia à toa, ao léu, a seu bel-prazer. Sabia ele, perfeitamente, que o lugar da literatura na vida das pessoas é o mesmo lugar do sangue no corpo, o mesmo lugar do sonho na alma.</p>
<p style="text-align: justify;">Leminski parece compreender que, tal qual uma arma branca, o poema – ou a literatura em si &#8211; é uma lança afiada que perfura as estações do nada no humano, o fogo lento que faz e desfaz o que somos para nos tornar melhor a cada novo passo empregado em direção ao presente, que nada mais é que uma prévia do futuro. Concentrado em não se concentrar em absolutamente nada além de seu fazer artístico-literário, Leminski pariu desejos de juventude, formulou sentimentos de revolta, geriu sensações de liberdade, invocou percepções de transcendência, cobriu o mundo de impressões de verdade, que subsistem a partir e após a sua própria trajetória de vida, sinônimo de lealdade ao que tanto se amou ou se quis amar.</p>
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>ABREU, Márcia. Cultura letrada: leitura e literatura. São Paulo: Editora Unesp, 2006.<br />
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011.<br />
CANETTI, Elias. A consciência das palavras. São Paulo: Companhia de Bolso, 2011.<br />
JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura? São Paulo: Parábola, 2012.<br />
JÚNIOR, João-Francisco Duarte. O que é realidade. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.<br />
LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.<br />
WALTY, Ivete L. C.. O que é ficção. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <a href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></p>
<p><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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