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	<title>Arquivo para bachorro - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Lembrança e histórias de Joel Silveira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Aug 2023 13:33:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luciano Correia (*) &#160; Nessa semana a TV Sergipe me entrevistou para falar sobre a breve convivência que tive com o jornalista Joel Silveira, junto a outras pessoas que conviveram com ele. Joel dispensa apresentação, né? Sergipano de Lagarto, veio ainda menino para Aracaju, onde o pai foi um médio comerciante estabelecido no centro &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/lembranca-e-historias-de-joel-silveira/">Lembrança e histórias de Joel Silveira</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flembranca-e-historias-de-joel-silveira%2F&amp;linkname=Lembran%C3%A7a%20e%20hist%C3%B3rias%20de%20Joel%20Silveira" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flembranca-e-historias-de-joel-silveira%2F&amp;linkname=Lembran%C3%A7a%20e%20hist%C3%B3rias%20de%20Joel%20Silveira" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flembranca-e-historias-de-joel-silveira%2F&amp;linkname=Lembran%C3%A7a%20e%20hist%C3%B3rias%20de%20Joel%20Silveira" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flembranca-e-historias-de-joel-silveira%2F&amp;linkname=Lembran%C3%A7a%20e%20hist%C3%B3rias%20de%20Joel%20Silveira" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flembranca-e-historias-de-joel-silveira%2F&#038;title=Lembran%C3%A7a%20e%20hist%C3%B3rias%20de%20Joel%20Silveira" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/lembranca-e-historias-de-joel-silveira/" data-a2a-title="Lembrança e histórias de Joel Silveira"></a></p><blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_69679" aria-describedby="caption-attachment-69679" style="width: 281px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-69679" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1.jpg" alt="" width="281" height="424" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1.jpg 1060w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1-199x300.jpg 199w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1-678x1024.jpg 678w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1-768x1159.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IMG-20230809-WA0931-1-1018x1536.jpg 1018w" sizes="(max-width: 281px) 100vw, 281px" /></a><figcaption id="caption-attachment-69679" class="wp-caption-text">Joel Silveira e Luciano Correia conversam na casa do poeta Amaral Cavalcante, na lendária casa da rua Luiz Chaves, na Atalaia</figcaption></figure>
<p>Nessa semana a TV Sergipe me entrevistou para falar sobre a breve convivência que tive com o jornalista Joel Silveira, junto a outras pessoas que conviveram com ele. Joel dispensa apresentação, né? <span class="sigijh_hlt">Sergipano de Lagarto, veio ainda menino para Aracaju, onde o pai foi um médio comerciante estabelecido no centro da capital</span>. Saiu daqui muito cedo, decidido a se tornar escritor ou jornalista no Sudeste. Foi as duas coisas, se tornando o que muitos até hoje consideram o maior repórter da história da imprensa brasileira.</p>
<p>Cobriu a 2a. Grande Guerra, passou por grandes jornais e revistas e desfrutou de uma rara intimidade com o poder até meados do século passado. Sem nunca ser seu comensal, dependente ou cúmplice. Era conhecido como A Víbora, uma pena furiosa, que eu mesmo experimentei na pele logo que ele chegou aqui para um segundo período, em 1986, quando veio exercer a função de secretário de Cultura do Estado.</p>
<p>Jovem, tão destemido quanto irresponsável, eu também disparava críticas ácidas e impropérios no alternativo Folha da Praia, na época um semanário, que ganhou muito protagonismo na imprensa local graças ao brilho e competência do seu editor, Amaral Cavalcante. Desgraçadamente, dei ouvidos ao arsenal de futricas que corroía o ambiente cultural e, doido por uma briga, mesmo as que não me diziam respeito. Bati e levei. Mas quem quiser a história completa, veja no programa.</p>
<p>Tenho outras e boas histórias de Joel &#8211; e com Joel – mas deixarei para mais adiante. Hoje, já que trouxemos o bardo sergipano à baila, trago algumas pérolas de um dos seus livros, O Presidente no Jardim, de 1991. Pílulas para serem consumidas como a delícia de um uísque e um punhado de amendoim torrado, como gostava o autor.</p>
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<p>1) Tantas bobagens que eu poderia ter feito e que tolamente não fiz. E tantos acertos desnecessários.</p>
<p>2) Meu amigo pergunta se tenho visto Fulano. Respondo:</p>
<p>&#8211; Risquei do meu caderno.</p>
<p>&#8211; Por quê?</p>
<p>&#8211; Saturação. É que passei a não achar graça nem mesmo no seu mau caráter, que em certa época até me divertia.</p>
<p>3) Acho que L. tem razão:</p>
<p>&#8211; Claro que já briguei com muitos amigos. E continuo brigando. E daí? Se a gente não briga com os amigos, com quem vai brigar? Com os inimigos já brigamos. E tem mais: como é possível alguém viver sem brigar?</p>
<p>4) Na verdade, vos digo: nunca me interessei em aprender qualquer coisa específica. O que sei é o que aprendi em leituras não-programadas: aprendi por ouvir dizer ou até mesmo por osmose – afinal, vivo cercado de livros, que por sua vez vivem a me tomar o tempo e, às vezes, a paciência.</p>
<p>5) Mas onde diabo perdi a minha alegria? Já a procurei em todas as gavetas, nos armários, no caderninho de telefones, nos bolsos dos ternos, e não há jeito de encontrá-la. Sem ela, que será da minha tristeza? As duas se davam tão bem.</p>
<p>6) G., querendo me agradar:</p>
<p>&#8211; Todo mundo gosta de você.</p>
<p>&#8211; A culpa não é minha.</p>
<p>7) No sufocante bachorro que é o Rio de Janeiro em pleno verão, acordo princípio da madrugada, vou até a janela e olho o céu – pesadão, fosco, de chumbo. Nem uma nuvem, nem uma estrela.</p>
<p>E então me vem à lembrança aquelas lentas e preguiçosas nuvens do céu de Aracaju, sempre céu. As nuvens de Aracaju… Estão sempre indo, mas nenhuma com vontade de chegar.</p>
<p>8) Continuo defendendo a tese – e venho fazendo isso há anos e anos – de que jornalismo é notícia. Num jornal, o resto são humores. Bons ou maus, mas apenas humores.</p>
<p>9) &#8211; Você já foi assaltado?</p>
<p>&#8211; De março de 64 pra cá, todos os dias.</p>
<p>10) Eu jamais moraria num lugar que não tivesse uma banca de jornais na esquina, de preferência das bem grandes e sortidas. Pode haver coisa mais viva que uma banca de jornais na esquina?</p>
<p>11) No barzinho da heráldica Laranjeiras, em Sergipe. O primeiro, todo prosa:</p>
<p>&#8211; Posso dizer com orgulho que graças a Deus a mim trabalho nunca faltou. Nunca!</p>
<p>O outro, embarcando mais um cálice da purinha local, voz pastosa, arrastada:</p>
<p>&#8211; Já a mim sempre faltou. Graças a Deus.</p>
<p>12) M. me convida:</p>
<p>&#8211; Vamos passar uns dias lá no sítio. Vai ser bom pra você, que anda um tanto estressado.</p>
<p>&#8211; Lá tem passarinho na gaiola?</p>
<p>&#8211; Tem. Inclusive um canário que canta que é uma beleza. Me custou uma nota.</p>
<p>&#8211; Pois solte os passarinhos que eu vou.</p>
<p>13) Não acredito nem respeito mulher que se entrega por capricho. Mulher só deve se entregar por amor, por desejo ou por dinheiro.</p>
<p>14) Um país onde o povo não tem coragem de ser contra o Flamengo e a Mangueira não pode ser tido na conta de um país corajoso.</p>
<p>15) Ninguém pode ser inteligente numa temperatura de 40 graus à sombra. Não se pode nem mesmo ser decoroso. Calor e mau-caráter, suor e safadeza sempre se deram bem.</p>
<p>16) Quando perguntaram àquele ex-presidente da Venezuela a razão pela qual nunca houve golpe militar nos Estados Unidos, a resposta veio rápida e sábia:</p>
<p>&#8211; É porque lá não existe embaixada americana.</p>
<p>17) Nada pode haver de mais anacrônico e ridículo do que um terrorista com mais de cinquenta anos.</p>
<p>18) Até poucos anos a insônia era para mim um tormento, o anúncio de um dia, o seguinte, pesado, sonolento, cinzento. Hoje tornou-se uma vantagem. Descobri que bem-usufruída e bem-aproveitada a insônia pode transformar-se num requintado deleite. Mas tem que ser uma insônia ativa, sem bocejos, sem vontade de querer dormir, sem ligar para a implacabilidade dos ponteiros do relógio. Em resumo, uma insônia íntegra e assumida.</p>
<p>19) O calor é essencialmente autoritário – puro fascismo em cada bochorno, nazismo puro em cada gota de suor. Uma verdadeira democracia, por estar sempre arejada, nunca sua.</p>
<p>20) O mundo ideal é aquele que não houvesse qualquer notícia. Um mundo sem manchetes. Que beleza!</p>
<p>21) Do jornalista Armando Nogueira, referindo-se ao venerável (e venerando) político: ‘Ele olha para o vazio, parece que está resolvendo o binômio de Newton’.</p>

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