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	<title>Arquivo para amiga - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Maio: mês de florescer e celebrar</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/maio-mes-de-florescer-e-celebrar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 09:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Ao ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&#038;title=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/maio-mes-de-florescer-e-celebrar/" data-a2a-title="Maio: mês de florescer e celebrar"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>o ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês das mães, as flores que embelezam e perfumam o mundo.</p>
<p>Sou da geração que cresceu ouvindo “Pra não dizer que não falei das flores” (também conhecida como “Caminhando”), composta e interpretada pelo paraibano Geraldo Vandré em 1968. Um hino de resistência com versos marcantes sobre luta e esperança, que se tornou um símbolo da liberdade de expressão. Apresentada no III Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, RJ, conquistou o segundo lugar, mas teve um impacto popular superior à vencedora, “Sabiá”, composta por Tom Jobim e Chico Buarque e interpretada por Cynara e Cybele.</p>
<p>Em tempos tão áridos, vamos falar de flores. Falar em plantar, germinar, florescer.</p>
<blockquote><p>“Enquanto houver vida neste mundo em chamas, haverá histórias a serem narradas, lidas e ouvidas. Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio.”</p></blockquote>
<p>Com essas palavras, o escritor amazonense Milton Hatoum selou sua entrada oficial na Academia Brasileira de Letras, na sexta-feira, 24 de abril.</p>
<p>Em meio ao caos, busco incessantemente a tranquilidade. Observo as pessoas ao meu redor, todas apressadas, correndo de um lado para o outro. O mundo está cheio de indivíduos impacientes, que querem tudo no “agora”. Ninguém quer plantar, já quer colher. Esperar? Nem pensar! A vontade é maior que tudo. E quando a vida não acontece daquele jeitinho que elas planejaram, revoltam-se contra tudo e todos. Pode parecer um disparate, mas a vida não é sempre como se quer.</p>
<p>Existem coisas que têm mesmo o seu tempo. “Por vezes, é preciso fazer o que é possível e depois saber esperar, entregar ao Universo e confiar”, me diz Júlia, minha amiga esotérica. Júlia aprendeu a ser zen em um mundo em ebulição.  Esses dias, para minha felicidade, nos encontramos para um café, em um final de tarde chuvoso. Com sua pele muito clara, cheirosa e colorida, saia rodada, cabelos encaracolados e flores na cabeça, ela me fala dos livros que está lendo.  Menciona que assistiu a “Hamnet”, dirigido pela cineasta chinesa Chloé Zhao. Sensível, ela chorou o filme todo.</p>
<figure id="attachment_98477" aria-describedby="caption-attachment-98477" style="width: 888px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-98477 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif" alt="Cena do filme Hamnet" width="888" height="521" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif 888w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-300x176.avif 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-768x451.avif 768w" sizes="(max-width: 888px) 100vw, 888px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98477" class="wp-caption-text">Cena do filme Hamnet</figcaption></figure>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Hamnet” é um drama histórico sensível que aborda temas como luto, maternidade e criação artística. Conta a história de Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), e a dor do casal após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, por peste bubônica, evento real que teria inspirado a peça “Hamlet”. O filme dá voz à esposa de Shakespeare, quase nunca lembrada, explorando sua conexão com a natureza e como ela lidou com a perda do filho.</p>

			</div></div>
<p>Júlia compartilha a dor da perda de seu irmão Ricardo, que faleceu aos 38 anos devido a um câncer devastador. A saudade e a melancolia de continuar sem sua presença são palpáveis. Após mais um gole de café, ela se refaz no celular, mostrando seu jardim, que lembra o jardim de Caio Fernando Abreu.</p>
<p>O jardim na casa de Caio Fernando Abreu, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, tornou-se um refúgio simbólico e físico nos últimos anos de sua vida. Lá, ele cuidava de girassóis, brincos-de-princesa e rosas, encontrando na jardinagem uma metáfora para paciência, a morte e o ciclo da vida, temas explorados em suas crônicas, como em “A Morte dos Girassóis”. A jardinagem era uma forma de carinho e conexão com a vida enquanto lutava contra a AIDS, um contraste com a “noite” e a boemia presentes em sua obra.  Caio Abreu registrou suas experiências com o jardim em crônicas, onde o cultivo de flores ensinava sobre o tempo da natureza, a paciência e a aceitação da finitude.</p>
<p>Ao observar Júlia, com sua alegria contida, percebo que a vida é um convite constante para olharmos e apreciarmos as flores. Vamos florir, florescer, sempre!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Rio de Janeiro: um estado de espírito</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/rio-de-janeiro-um-estado-de-espirito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 17:38:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Estou no Rio. Desembarquei no início da semana na Cidade Maravilhosa. Da janela do avião avistei o sol nascendo, irradiando a paisagem deslumbrante das montanhas; logo depois o oceano Atlântico, com seu azul deslumbrante. Natureza em estado puro. Conheço um pouco do mundo — em andanças, &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/rio-de-janeiro-um-estado-de-espirito/">Rio de Janeiro: um estado de espírito</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>stou no Rio. Desembarquei no início da semana na Cidade Maravilhosa. Da janela do avião avistei o sol nascendo, irradiando a paisagem deslumbrante das montanhas; logo depois o oceano Atlântico, com seu azul deslumbrante. Natureza em estado puro. Conheço um pouco do mundo — em andanças, visitei 162 países em todos os continentes. Poucas cidades são tão bonitas quanto o Rio. Mais bela, nenhuma.</p>
<p>O Rio, antes de mais nada, é um estado de espírito. Tem que sentir a atmosfera de sua gente despojada. A irreverência, o gingado de sua malandragem, o modo descompromissado de viver. O sotaque chiado. As moças com seus derrières, marca registrada da cidade, magistralmente mostradas nos cartuns de Lan.</p>
<p>Há tempos me hospedo em hotéis do centro da cidade. Hotéis com histórias. Estou hospedado no Itajubá, rua Álvaro Alvim, Cinelândia.  Fundado em 1º de junho de 1928, o Hotel Itajubá foi um dos primeiros &#8220;arranha-céus&#8221; do Rio, com 12 andares. Originalmente um edifício de luxo, tornou-se hotel em 1950. Localizado no coração cultural do Rio, cercado de teatros, cinemas, da Câmara Municipal, do belíssimo Theatro Municipal, da Biblioteca Nacional. Em andanças por praças e ruas cobertas por pedras portuguesas, na companhia do amigo Pedro Henrique Fonseca, é um mergulho no Rio dos séculos XVIII e XIX. Pedro Henrique, natural de Cururupu, médico e escritor, um ourives, arguto garimpeiro da história da cidade que tão bem o abraçou. Dele ganhei o livro, “Rio de Janeiro, a urbe oitocentista”. Ótima leitura, na qual o autor retrata o apogeu da cidade.</p>
<p>Do hotel, ando um pouco e estou na Praça Floriano, palco de manifestações culturais. O Rio, em priscas eras, foi o tambor cultural do Brasil. Tudo que aqui acontecia ressonava em todo o país. Ditou moda. As novelas da TV Globo monopolizavam e hipnotizaram esse imenso país. Trouxeram as praias, costumes e linguajar carioca para nossas casas.</p>
<p>Hoje, o Rio que a TV mostra é o Rio das drogas, da violência, das comunidades, com suas facções e milícias. Além do caos na política. Com cinco ex-governadores que visitaram o xilindró: Moreira Franco, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Luiz Fernando Pesão, além de dois afastados: Wilson Witzel e Cláudio Castro; atualmente é governado por um interino, aguardando o fim de mais um imbróglio.</p>
<p>O Rio é o único lugar em que bandidos são chamados no diminutivo. Maneira carinhosa de convivência com a bandidagem. No carnaval, autoridades, malandros, bandidos comungam na Marquês de Sapucaí. Todos dividindo acepipes,  espaços e poderes. Surreal.</p>
<p>Mas o Rio continua lindo, como cantou o baiano Gilberto Gil, que aos 84 anos, residente de frente para o mar de Copacabana, encerrou a turnê “Tempo Rei”.</p>
<p>Em minhas idas ao Rio é quase sagrado encontrar com a amiga Teresa Teles. Bela e plena. Nesta viagem, reunimo-nos para um almoço no prédio da FIRJAN, junto com Pedro Henrique. Boa comida, ótimas conversas que se estenderam pela tarde toda. Como somos memórias e projetos de futuro, foi uma viagem no tempo.</p>
<p>No sábado, como sempre faço, visitei a feira de antiguidades da praça XV. Garimpei quadros, louças e livros. Adquiri “Poeira de estrelas”, escrito por Luiz Carlos Miele, um paulista que adotou o Rio. Radiografia do meio artístico das décadas de 60 e 70.</p>
<p>Leitura apetitosa e divertida sobre quem fez a vida acontecer na vida cultural do Rio.</p>
<p>Escrevo de uma mesa do Amarelinho. Fundado em 1921, na Cinelândia, que na época, por abrigar teatros, cinemas que recebiam a elite carioca, era considerada “Broadway brasileira”.  Sentado na parte de fora, sob o toldo amarelo, observo os transeuntes e desvalidos que ali habitam. Momento mágico, quando o sol se recolhe deixando a lua brilhar.</p>
<p>&#8220;Gosto das cores, das flores, das estrelas, do verde das árvores, gosto de observar.</p>
<p>A beleza da vida se esconde por ali, e por mais uma infinidade de lugares, basta saber e, principalmente, basta querer enxergar”, cito Clarice Lispector, ucraniana de nascimento, que adotou o Rio como seu. Observar o entardecer, na lentidão sem pressa, é criar boas memórias para o futuro.</p>
<p>Em tempo: Deve-se ao escritor maranhense Coelho Neto(1864-1934), chamar o Rio de Janeiro de Cidade Maravilhosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em 2026, permita-se florescer</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/em-2026-permita-se-florescer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jan 2026 12:19:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; “A vida é feita de escolhas. E, a cada escolha, por mais insignificante que pareça, traz consigo consequências que não podemos prever. Ninguém pode evitar o impacto de suas decisões. Caminhamos por terreno incerto, e a cada passo, moldamos o nosso destino, queiramos ou não. A única &#8230;</p>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">“A</span> vida é feita de escolhas. E, a cada escolha, por mais insignificante que pareça, traz consigo consequências que não podemos prever. Ninguém pode evitar o impacto de suas decisões. Caminhamos por terreno incerto, e a cada passo, moldamos o nosso destino, queiramos ou não. A única certeza é que o passado não pode ser desfeito, e o futuro é a soma de cada um desses passos”, cito José Saramago, em <em>Ensaio sobre a cegueira</em>.</p>
<p>Há momentos em que a vida pede menos mapas e mais confiança.</p>
<p>Quando o chão deixa de ser firme, o rio aparece. E, com ele, a travessia.</p>
<p>Confiar no invisível não é fechar os olhos, é abrir a escuta. É perceber que nem tudo precisa ter forma para guiar. Às vezes, o que conduz é feito de silêncios, intuições e sinais sutis — como estrelas dentro de um corpo que não se explica, apenas se sente.</p>
<p>Os caminhos certos não se impõem, se revelam. Eles surgem como atalhos, exigindo coragem para abandonar o óbvio e seguir o chamado interno. Não são caminhos fáceis, mas verdadeiros. E quando são verdadeiros, sustentam.</p>
<p>Sempre que necessário, comece de novo. Ano que começa, oportunidade de recomeços. Em 2026 temos, gratuitamente, 365 novas oportunidades de fazer coisas novas, e isso é bárbaro, mágico, fascinante.  Seja um novo emprego, um novo lugar, novas amizades ou um novo amor. A vida é movimento, e o ato de caminhar é um mistério que ultrapassa a simples mecânica do movimento. Cada passo é um pacto silencioso com o desconhecido, uma afirmação de coragem diante do que não se vê. Ao caminhar, confiamos no chão que ainda não tocamos, no espaço que ainda não conhecemos. Um passo ao acaso é, portanto, mais do que um gesto físico: é a materialização da entrega, o salto que separa a segurança da possibilidade. O mundo não é um mar calmo de evidências, mas um oceano instável, imprevisível e cheio de mistérios.</p>
<p>Sempre que necessário, caro leitor, amiga leitora, permita-se reescrever sua história, abrir novas portas e fechar capítulos que já não fazem sentido. Mudar requer coragem. A vida é feita de recomeços, e, às vezes, o passo mais difícil é o primeiro: deixar para trás o que te feriu, o que te fez duvidar de si mesmo, o que te fez construir muros ao invés de pontes. Aprendi que o mundo trata bem quem gosta do mundo, quem se atreve, quem não teme o novo.</p>
<p>Aprender a calar quando o mundo quer que grite é sabedoria. Quando não houver nada de bom a dizer, escolha o silêncio como resposta. Fique quieto quando a ira quiser tomar conta de você; não se torne escravo dela. Palavras ditas na fúria são facas na alma, feridas que o tempo dificilmente apaga, e trazem sofrimentos.</p>
<p>Mantenha a calma; quando a situação não for da sua conta, aprenda a preservar sua energia. Nem todos merecem o privilégio de seu esforço ou atenção.</p>
<p>Fique atento ao seu entorno. Deixe que alguém te ame, não apenas pelo que você mostra ao mundo, mas pelo que você é em essência. Permita-se ser vulnerável, ser cuidado, ser compreendido. Não tema mudar de rumo, quando o caminho que se caminha não leva a lugar nenhum. A vida é troca de energia. Não adianta oferecer um oceano para quem não nos dá nem um copo d’água. Em 2026 cultive a reciprocidade e compartilhe momentos únicos com quem valoriza sua profundidade.</p>
<p>Amor verdadeiro não exige perfeição; ele se fortalece nos detalhes, nos erros, nas cicatrizes que carregamos ao longo do tempo. Felizes os que encontram o amor no outro. Amor é construção, e não precisa ser pesado.</p>
<p>Reserve tempo para fazer o que gosta: ler, ouvir música, contemplar entardeceres, tomar café ou vinho, cultivar um jardim. Faça amor demoradamente, gozando cada instante. Esteja pleno nestes momentos.</p>
<p>Abrir o coração pode parecer arriscado, e é, mas é nesse risco que mora a liberdade de sentir plenamente, de ser visto e acolhido. Não se prive de viver o que merece. Começar de novo não é um sinal de fraqueza, mas de coragem. Deixar que alguém te ame é aceitar que, por vezes, precisamos de uma mão amiga, de um abraço forte, de um amor que seja porto seguro. De um novo amor que motive, que apoie, que lhe faça vibrar.</p>
<p>Não fira, não magoe, não provoque. Poupe-se, não gaste energias com questiúnculas. Não se apequene diante das adversidades, que serão muitas em 2026.</p>
<p>Defenda sua paz sem gritos, sem conflitos. Apenas se retire por um momento e volte quando a tempestade passar. O mundo já carrega peso suficiente de raiva e caos. Não seja quem o aumenta. Seja quem o alivia.</p>
<p>Aprenda que algumas pessoas vão estar ao seu lado por longa caminhada, participarão dos melhores momentos de sua vida. Outras irão te abandonar pelo caminho, sem nem querer dizer o motivo. Mas você terá que se acostumar com isso; o importante é seguir em frente. Saiba que o para-brisa é maior do que o retrovisor.</p>
<p>“Ano novo, vida nova”, dizia minha saudosa mãe, Maria da Conceição.</p>
<p>Recomece com leveza, com esperança e com a certeza de que você é digno de ser amado, exatamente como é, pelo que você é. O amor, quando verdadeiro, não é uma escolha de quem se aproxima, mas um reflexo de quem você é e do quanto você ainda pode florescer. Um brinde a nós que estamos aqui: firmes e forte, na caminhada diária chamada Vida.</p>
<p>Um 2026 pleno de boas energias, realizações, conquistas e vitórias. Sabendo sempre que sem Deus nada de bom acontece. Floresça, seja sempre primavera. Que Papai do Céu nos abençoe.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A vida é uma sucessão de instantes únicos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-vida-e-uma-sucessao-de-instantes-unicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Oct 2025 15:30:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[balbúrdia]]></category>
		<category><![CDATA[espumante]]></category>
		<category><![CDATA[etílica]]></category>
		<category><![CDATA[fraternos]]></category>
		<category><![CDATA[instantes]]></category>
		<category><![CDATA[pedaços]]></category>
		<category><![CDATA[sessentões]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Esta crônica é para um casal de queridos amigos — Mário Tullio e Margareth Ciscato — viúvos, sessentões, avôs, paulistas, que se reencontraram após 45 anos, e estão construindo uma nova caminhada, provando que não existe idade para recomeçar. Esta semana, a convite do casal, fui &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
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<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Caro leitor, amiga leitora, <em>você já viveu um grande e marcante amor?</em></p>
<p>Tempo atrás, em conversa com amigos fraternos, todos sessentões, a pergunta surgiu <span style="color: #000000;">—</span> feita por uma amiga, recentemente separada, em busca de um amor para chamar de seu. Espumante na mão, todos a falar, ela pediu a palavra, calando todos em meio a balbúrdia etílica.</p>
<p><span style="color: #000000;">—</span> Caso vocês não saibam o que seja um grande amor, desses viscerais, como os vividos por Ângela Ro Ro, digo que também não conheço. <span style="color: #000000;">—</span> Todos riram.</p>
<p>Um amigo pediu a palavra para dizer:</p>
<p><span style="color: #000000;">—</span> Acho que todos nós merecemos alguém que fale de nós como se fôssemos a melhor coisa que aconteceu nesta vida. Que nos queira até mesmo quando estivermos em pedaços. Que nos olhe sempre como se fosse a primeira vez. Que entenda os nossos conflitos, que pare e escute tudo o que temos pra dizer. Você merece alguém que quando te vir perder, te traga de volta para tentar novamente, até ganhá-lo. Você merece um amor que não deixe o hoje pelo incerto amanhã. Que te mostre o que, às vezes, você não consegue ver <span style="color: #000000;">—</span> que é justamente o teu valor. Você merece alguém que entenda que o teu passado é degrau para que você chegasse até aqui, e que só o que interessa é a felicidade de ambos agora. Que te faça dançar contente pela casa. Você merece compartilhar a vida com alguém que te ajude a dormir tranquilamente. Hoje em dia, as relações não precisam ser extremamente felizes <span style="color: #000000;">—</span> só precisam ser leves, verdadeiras e tranquilas.</p>
<p>A vida é uma sucessão de instantes que se devoram, um teatro onde os atos não se repetem. Talvez a única eternidade possível esteja no instante bem vivido, na chama breve que arde e ilumina, sem a arrogância de querer durar. O cedo, o tarde e o nunca são apenas gradações da mesma vertigem: a de que nada permanece, e de que tudo o que prometemos às vezes não passa de um eco que se dissolve no ar.</p>
<p>“Nada é suficiente para quem se devorou por dentro”, Pablo Neruda.</p>
<p>“Se a nossa vida é provisória, que seja linda e louca nossa história, pois o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis,” cito Fernando Pessoa, meu poeta de cabeceira.</p>
<p>O tempo perdido não se encontra nunca mais.</p>

			</div></div>
<p>Esta crônica é para um casal de queridos amigos — Mário Tullio e Margareth Ciscato — viúvos, sessentões, avôs, paulistas, que se reencontraram após 45 anos, e estão construindo uma nova caminhada, provando que não existe idade para recomeçar.</p>
<p>Esta semana, a convite do casal, fui tomar um café, regado a boas conversas e muitos planos de futuro. O café que se iniciou no início da noite, durou horas.</p>
<p>Vê-los felizes, narrando fatos pitorescos de viagens recentes e planejando novas aventuras é um bálsamo. Na serenidade da maturidade, quando o açodamento perde força, e não se quer impressionar ninguém, a mansidão de momentos únicos viram ensinamentos.</p>
<p>No outono da vida muitos ainda procuram um amor sem cobranças, que some e suavize a aridez da vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Rachel Giusti Fleming, adeus!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/rachel-giusti-fleming-adeus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Feb 2025 16:35:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[adeus]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel Guisti Fleming]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[vazio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Já tinha pensado em dois temas para escrever a crônica deste final de semana. Poderia escrever sobre o primeiro mês de governo de “Donald Trump e a diplomacia do coice”, que está colocando de pernas para o ar um mundo já caótico, sem respeito ou empatia &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">J</span>á tinha pensado em dois temas para escrever a crônica deste final de semana. Poderia escrever sobre o primeiro mês de governo de “Donald Trump e a diplomacia do coice”, que está colocando de pernas para o ar um mundo já caótico, sem respeito ou empatia por ninguém. Com apenas trinta dias de governo, completados em 20/02,  Trump à frente do país mais rico e poderoso do mundo, parece que está há décadas no poder. Ninguém nem lembra mais quem foi Joe Biden, o fraco presidente americano, por quatro anos. Ou escreveria sobre a insana guerra entre Rússia e Ucrânia que, segundo dados não oficiais, ceifou 80 mil vidas, deixou 400 mil feridos e torrou bilhões de dólares. A guerra entre Rússia e Ucrânia completa três anos, na próxima segunda-feira, 24 de fevereiro.</p>
<p>Mas resolvi mudar e escrever sobre uma pessoa muito especial. Na terça-feira, 17/02, acordei e vi nas redes sociais o comunicado de que Rachel Guisti Fleming havia feito a passagem no dia anterior. A morte sempre deixa um vazio, especialmente quando não estamos esperando. Não conheci Rachel pessoalmente, mas ficamos próximos pelas redes sociais. Ela era irmã de Lílian Giusti, colega dos bancos escolares do Colégio Batista, que voou ao encontro da morte, de forma trágica, quando éramos adolescentes.</p>
<p>Ao saber que Rachel era irmã de Lilian, enviei-lhe uma solicitação de amizade, que logo me adicionou. Quando começamos a conversar, Rachel morava em Brasília. Acompanhei seus derradeiros dias na Capital Federal e a mudança para Petrópolis, RJ. Nos falávamos todos os dias. Comentávamos sobre nossos cotidianos, falávamos sobre São Luís do Maranhão, que ela não visitava há tempos. Culta e inteligente, me mandava vídeos de músicas, que gostava — muito Jazz e Bossa Nova. Sempre uma nova versão de um clássico, coisa de gente fina. Leitora voraz, me indicava livros. Cinéfila, me dava dicas de bons filmes, especialmente europeus ou iranianos.</p>
<p>Comospolita, viajada, falávamos de lugares que já tínhamos pisado, destacando algo pitoresco. Fluente em línguas estrangeiras, era uma enciclopédia.</p>
<p>Mãe, avó e bisavó coruja, falava dos filhos, netos e dos bisnetos com alegria e orgulho da prole. Recentemente havia enviado um vídeo com os bisnetos em pura farra. Não houve tempo de lhe enviar fotos de Heitor, meu neto, recém nascido.</p>
<p>Quando lhe enviava minhas crônicas, ela, gentil e generosamente, fazia comentários que me deixavam feliz e grato.</p>
<p>Recentemente, enviou-me uma mensagem, em que estava muito preocupada, pois recebera um aviso, via celular, para ficar alerta por causas das forte chuvas na região serrana do Rio. Era final de tarde, e toda a população local recebera a mesma mensagem. “Luiz, é muito preocupante tudo isso, não temos para onde ir”, dizia a mensagem. Mais tarde, mais tranquila, disse que tudo se acalmara.</p>
<p>Quando lhe falei que estava passando por um problema, logo me perguntou: “Como posso ajudá-lo?”, oferecendo-me coisa rara em tempos líquidos — atenção.</p>
<p>Dezembro fui ao Rio, viagem rápida, pensei em ligar-lhe e, se possível, subir a serra para conhecê-la, tomarmos um café, desfrutar de sua companhia. Não o fiz.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-86569 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1-300x200.png" alt="barco" width="300" height="200" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1-300x200.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/O-loco-meu-4-1.png 600w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>A morte tem essa maldade. É uma ruptura, nos priva do convívio; deixa além de saudades, muitas indagações. Quantas perguntas sem resposta, quantas coisas que não saberei de minha amiga Rachel, que um dia a chamei de Clarice Lispector, e que ela sorrindo me disse “Não mereço tamanha importância”.</p>
<p>A vida, em sua essência, é desmedida e gratuita. O tempo nos é concedido sem contrato, e a morte nos espera sem taxa de devolução. A partida inesperada de Rachel, que escolheu a elegância como marca de sua trajetória, deixou em mim uma saudade de alguém que nunca vi pessoalmente, mas fez parte de alguns dos meus melhores dias, provando que a vida passa que nem o vento, mas só fica o que é sentimento. “A parte que parte não consegue por inteiro partir, mas a parte que parte um pouco fica, a que fica um pouco parte. Embora essas partidas nos partam, elas são partes da vida, e a vida não deixa de ser arte”, poema celta. Rachel era puro lirismo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Erótica é a alma</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/erotica-e-a-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2024 13:32:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[amigo]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[erótica]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[problema]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Esses dias recebi uma mensagem de uma amiga querida que optou por ser feliz. Mesmo com seus perrengues, é alto astral; educou o olhar para o lado bom da vida. A felicidade é uma opção, ou melhor, uma construção contínua e permanente. Mesmo diante das adversidades, que &#8230;</p>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>sses dias recebi uma mensagem de uma amiga querida que optou por ser feliz. Mesmo com seus perrengues, é alto astral; educou o olhar para o lado bom da vida.</p>
<p>A felicidade é uma opção, ou melhor, uma construção contínua e permanente. Mesmo diante das adversidades, que ninguém está imune: frustrações, sofrimentos, desilusões, ela não deixou que isso tudo dominasse ou limitasse seus anseios e desejos.</p>
<p>Citando Cora Coralina: <span class="sigijh_hlt">“Não é porque o problema lhe bate à porta, que você tem que convidá-lo a entrar, puxar a cadeira, e ele sentar”</span>. Da porta mesmo, ela o expulsa. E, como as mulheres sábias, basta passarem um batom e seguirem em frente, espalhando formosura e alegria.</p>
<p>Li recentemente o texto da escritora mineira Adélia Prado, sobre envelhecer:</p>
<p><span class="sigijh_hlt">“Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos&#8221;.</span></p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.</p>

			</div></div>
<figure id="attachment_83777" aria-describedby="caption-attachment-83777" style="width: 106px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/hourglass-1412440_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-83777" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/hourglass-1412440_1280-176x300.png" alt="ampulheta" width="106" height="181" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/hourglass-1412440_1280-176x300.png 176w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/hourglass-1412440_1280-602x1024.png 602w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/hourglass-1412440_1280.png 752w" sizes="auto, (max-width: 106px) 100vw, 106px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83777" class="wp-caption-text">Imagem: Pixabay</figcaption></figure>
<p>Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: nenhum bisturi vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.</p>
<p>Sempre elas, as mulheres nos ensinando.</p>
<p>Perfeito. Ninguém vai conter o caminhar do tempo. Temos que nos adaptar à sua passagem.</p>
<p>Na semana passada, no voo de Belo Horizonte para o Rio, sentou-se ao meu lado na aeronave, Fernando Grisi, 81 anos, baiano de Vitória da Conquista, Bahia.</p>
<p>Comunicativo, afável, bom papo, foi conversa para mais de metro. Em pouco mais de uma hora, até aterrissarmos no aeroporto Santos Dumont, ele mostrou seu entusiasmo com a vida. Tratando de três cânceres, em nenhum momento mostrou-se taciturno ou sorumbático. Ao contrário: vivo, vibrante e alegre, sorriu e me fez sorrir o tempo todo, narrando fatos de sua longeva e rica trajetória. Ao desembarcarmos no Rio,  a esperá-lo, a namorada carioca, de 67 anos.</p>
<p>“Ter problemas na vida é inevitável, deixar-se abater por eles é opcional.”</p>
<p>Quando crescer quero ser que nem Fernando Grisi, o novo amigo que ganhei voado pelos céus do Brasil. Vida longa, amigo Fernando, com o que há de melhor. Você descobriu o segredo da felicidade. Parabéns! Avante!</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Encontros e despedidas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/encontros-e-despedidas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 17:52:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amiga]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[encontros]]></category>
		<category><![CDATA[época]]></category>
		<category><![CDATA[falecido]]></category>
		<category><![CDATA[jornada]]></category>
		<category><![CDATA[lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[marido]]></category>
		<category><![CDATA[natalina]]></category>
		<category><![CDATA[professor]]></category>
		<category><![CDATA[reencontros]]></category>
		<category><![CDATA[vaga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Encontrei-a no estacionamento do shopping. Época natalina, lugares cheios, difícil encontrar uma vaga. Ela já tinha estacionado, eu circulava feito pião. Até que Nossa Senhora das Vagas arranjou a vaga tão necessária. Estacionei e fomos para um lugar tranquilo. Sentamos, e ela me contou de sua felicidade nesta &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>ncontrei-a no estacionamento do shopping. Época natalina, lugares cheios, difícil encontrar uma vaga. Ela já tinha estacionado, eu circulava feito pião. Até que Nossa Senhora das Vagas arranjou a vaga tão necessária. Estacionei e fomos para um lugar tranquilo. Sentamos, e ela me contou de sua felicidade nesta época do ano; falou que ama o Natal. Tempo de reencontros.</p>
<p>Perguntou-me por minha companheira de jornada. Contei-lhe o que aconteceu, que bateu asas e voou.</p>
<p>Ela ouviu calada, olhos arregalados, que não demoraram a derramar lágrimas. Falou suave: &#8220;Professor, estou pasma. Mas tenha fé, acalme seu coração, tudo passa, isso também vai passar&#8221;.</p>
<p>Ela sempre me chama de “professor”. Já fui professor, lá atrás. Gosto de ser chamado assim.</p>
<p>Refeita, lágrimas escorridas, contou-me um pouco de sua vida.</p>
<p>Disse, sorrindo, que o marido, já falecido, todas as vezes que se emputecia, batia asas. Passava alguns dias e retornava. Foram cinco vezes que assim procedeu. Ela nunca ligou para saber por onde andava: se estava bem, se tinha tomado os remédios tão necessários para combater suas comorbidades. Nas cinco vezes que ele se foi, voltou de asas arriadas.</p>
<p>Sábia, ela tocava sua vida. Ao vê-lo novamente retornar para casa, lhe perguntava:</p>
<p>— Bichinho, por onde andastes não te trataram bem?</p>
<p>Ele, zangado com o descaso dela, lhe respondia:</p>
<p>— Nunca vi mulher assim, que o marido sai de casa e a mulher nem liga, não vai atrás.</p>
<p>— Eu não te expulsei de casa, você foi porque quis, e voltou pelo mesmo motivo. Você não foi com minhas pernas, portanto não tenho nada com isso.</p>
<p>Na última vez que ele se escafedeu, ela soube que ele arranjara uma “cunhã”, e que estava apaixonado; já querendo o divórcio. Ela não disse nada, o conhecia bem; sabia que logo estaria pedindo arrego para voltar.</p>
<p>Não demorou muito para ele ligar, dizendo onde estava, e que vira na TV, uma doença que estava matando o povo, e que ele queria voltar para casa.</p>
<p>A doença era o coronavírus. Ela nem assuntou.</p>
<p>Ele ligou novamente apavorado, “pelo amor de Deus, pede para alguém me buscar, não quero morrer aqui”.</p>
<p>Ela providenciou que o filho fosse buscá-lo, todo paramentado, feito um astronauta, obedecendo os tais protocolos, tão em voga na época.</p>
<p>Ele voltou, ficaram em quartos separados. Ela providenciou tudo para ele, mas exigiu distância. Suas comorbidades se agravaram, e por conta da diabetes, ele ficou cego.</p>
<p>Nos últimos anos, ela deu toda a assistência para ele, até no derradeiro suspiro. Sepultou-o e, ainda no Campo Santo, pensou com seus botões: “Daí tu não sai nunca mais, quem vai bater asas agora sou eu”.</p>
<p>— Professor, a pandemia do coronavírus foi minha amiga. Graças ao vírus letal, e o medo de morrer, ele voltou para casa. Olhe como as coisas são engraçadas. Desde que ele voltou pela última vez, não teve mais condição de administrar o dinheiro, não pode mais ir ao banco, e não aprendeu a fazer as transações pelo smartphone. Coube a mim ficar com as senhas e o dinheiro.</p>
<p>Mulher sábia, teve a parcimônia de acompanhar as tresloucadas fugas e posteriores voltas para casa do marido fujão.</p>
<p>Enquanto ela me narrava sua epopeia, lembrei-me de dona Gertrudes, uma vizinha de tempos idos, que morava próximo da casa de meus pais.</p>
<p>Geraldo, o marido, era caminhoneiro, viajava o país todo, entregando e buscando cargas. Às vezes ele passava tempos sem dar notícia, a mulher se acostumara. Mas, uma vez ele ficou cinco anos desaparecido, sem que ninguém soubesse seu paradeiro. Em princípio, dona Gertrudes se preocupou, procurou-o por toda parte, e nada. Ela o deu por morto.</p>
<p>Um belo dia, próximo ao Natal, seu Geraldo aparece em casa, como se nada tivesse acontecido. Trouxe o presente da mulher e dos filhos. Quando ele sumiu, deixou quatro filhos com a mulher. Ao voltar tinha cinco.</p>
<p>Espantado, perguntou:</p>
<p>— Gertrude, me diz uma coisa, de quem é esse menino menor?</p>
<p>— É teu?</p>
<p>— Meu? Se eu não estava nem aqui.</p>
<p>— Exatamente, não estava porque não quisestes, mas o filho é teu, tem até o teu sobrenome. E, trata de comprar o presente de Geraldo Jr.</p>
<p>Rimos muito da história de Gertrudes e Geraldo. Desejamo-nos Feliz Natal e nos despedimos.</p>
<p>— Professor, sempre um prazer encontrá-lo.</p>
<p>— O mesmo digo eu.</p>
<p>Como dizia o poeta Vinicius de Moraes, “A vida é a arte do encontro, embora haja muito desencontro pela vida”.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h2 style="text-align: center;">Encontros e despedidas</h2>
<p style="text-align: center;"><em>Autores: Milton Nascimento e Fernando Blant</em></p>
<p style="text-align: center;">“Todos os dias é um vai e vem</p>
<p style="text-align: center;">A vida se repete na estação</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que chega pra ficar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que vai pra nunca mais</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que vem e quer voltar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que vai e quer ficar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente que veio só olhar</p>
<p style="text-align: center;">Tem gente a sorrir e a chorar”</p>

			</div></div>
<p>Assim é a vida, uma dança de encontros e despedidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sessão das quatro no Cine Palace</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sessao-das-quatro-no-cine-palace/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/sessao-das-quatro-no-cine-palace/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 11:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Uma tarde é uma tarde e nela cabem mil possibilidades. Uma delas era gazear a aula e pular o muro da escola para pegar a sessão das 4 no antigo Cine Palace. Eu e minha amiga Silvinha fizemos isso algumas vezes. Trocávamos a farda por blusas que estavam na &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">U</span>ma tarde é uma tarde e nela cabem mil possibilidades. Uma delas era gazear a aula e pular o muro da escola para pegar a sessão das 4 no antigo Cine Palace. Eu e minha amiga Silvinha fizemos isso algumas vezes. Trocávamos a farda por blusas que estavam na mochila, calçávamos o All Star e, com parcos trocados, íamos esperar o Luzia-Centro. O tempo passava devagar, as pessoas passavam devagar e os ônibus seguiam o mesmo ritmo.</p>
<p>Foi a leitura de &#8220;Penitência&#8221;, conto inédito de Jeová Santana, que me remeteu ao cine Palace, um dos lugares mais frequentados por mim na adolescência. Assim como o personagem narrador tinha que se &#8220;equilibrar nas contas pra ir com uma galera ao cine Vera Cruz ou Bomfim ver os filmes de faroeste e karatê&#8221;, eu também &#8216;fazia das tripas, coração&#8217; para desfrutar desses momentos.</p>
<p>Naquela tarde de 1986, Silvinha e eu quase não piscamos os olhos e a pipoca fria comprada no hall do Palace ajudou a controlar o medo provocado pelo suspense de ‘Aliens, o resgate’. Nas cadeiras do balcão superior, a atmosfera sombria do filme e a coragem da personagem de Sigourney Weaver nos deixaram hipnotizadas.</p>
<p>O Palace era, praticamente, o único cinema ao qual se podia ir naquela época e, depois da sessão, tomávamos o indefectível sorvete na Cinelândia. O de mangaba era o meu preferido.  No calçadão da João Pessoa havia outro cinema, o Rio Branco, onde passava filme pornô, mas nem sempre foi assim. O edifício onde funcionava tinha sido inaugurado em 1904 e abrigava o teatro Carlos Gomes. Os tempos áureos do cinema, em si, datam dos anos 60.</p>
<figure id="attachment_80258" aria-describedby="caption-attachment-80258" style="width: 244px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/bidu-saiao.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-80258" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/bidu-saiao-244x300.jpg" alt="" width="244" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/bidu-saiao-244x300.jpg 244w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/bidu-saiao.jpg 260w" sizes="auto, (max-width: 244px) 100vw, 244px" /></a><figcaption id="caption-attachment-80258" class="wp-caption-text">Anúncio da apresentação da Cantora Bidu Sayão no Cine Teatro Rio Branco &#8211; 1938.<br />BARRETO, Armando. Cadastro industrial, comercial, agrícola e informativo de Sergipe &#8211; 1938.</figcaption></figure>
<p>Para saber um pouco mais, os aposentados que batiam ponto nos bancos do calçadão estavam ali para responder. Memória vai, memória vem, falavam sobre a apresentação da cantora lírica Bidu Sayão e de projeções como ‘Ao mestre com carinho’ ou ‘Adivinha quem vem para o jantar’. Entre lapsos temporais e de um ou outro artista, são muitas as histórias em torno do Rio Branco, mas que não cabem aqui nestas linhas.</p>
<p>Não posso deixar de mencionar o cine Vitória, na rua de Itabaiana, o preferido do meu pai. Já no Siqueira Campos ficava o cine Plaza. Se não me engano, caso alguém perdesse um filme no Palace, podia vê-lo depois lá, já que exibia os lançamentos tardiamente. Esta sala, de certa forma, era um orgulho para os moradores do bairro, que não precisavam ir ao centro para desfrutar do escurinho do cinema.</p>
<p>Pesquisas acadêmicas que abordam os primórdios do cinema em Aracaju fazem referência a estabelecimentos de exibição cinematográfica nos bairros Santo Antônio, Cidade Nova e Grageru, anteriores a esse período, mas os da minha memória são apenas estes.  Há blogs que mostram, inclusive, o que funciona atualmente nos lugares onde antes eram os cinemas.</p>
<p>Depois do Palace, vieram as duas salas do grupo Severiano Ribeiro, no Shopping Riomar. Nesse momento eu estava no Ensino Médio. Estudava de manhã e esperávamos chegar à quarta-feira porque nesse dia pagávamos só meia entrada.  Foi a partir daí que as idas ao centro da cidade começaram a rarear mais, pois era muito cômodo fazer tudo no shopping.</p>
<p>Essa nova fase da imagem em movimento incluiu o que para mim foi um marco em termos de qualidade para a avidez de cultura que tínhamos. E ver bons filmes era uma das formas de agradar o espírito inquieto dos estudantes universitários de Humanas da UFS. Não os do circuito comercial, mas os alternativos. Para quem praticamente já tinha esgotado os filmes cult da locadora de Ivan Valença, ver as novas produções pelo projeto Cinema de Arte, nos conectava com o mundo. E nesse período ainda tivemos uns quantos bons filmes com os quais aprendemos novos olhares e participamos de inúmeros debates, muitos dos quais motivados por Caio Amado.</p>
<p>Já era final de tarde quando eu e Silvinha voltamos para casa. A falta de iluminação no caminho para o Luzia fez-nos lembrar a atmosfera do filme que acabáramos de ver. O medo e a pressa por chegar logo em casa e não levar bronca das nossas mães fizeram com que ela caísse numa boca de lobo que estava sem tampa. A queda provocou-lhe uma distensão muscular que nos fez ir ao hospital, desmascarando-nos completamente. Mesmo sem telefone, nossos pais foram avisados e, em pouco tempo, estavam na Urgência.</p>
<p>Gazear a aula significava também contar com o inesperado. Não podíamos alçar voos longos, mas gostávamos muito das nossas pequenas aventuras, no limite do que nos era permitido, desvelando, camada por camada, os matizes daquelas tardes.</p>
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		<title>O inusitado convite para um chá e a nossa madeleine – memórias de leituras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Aug 2024 15:30:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Acácia Rios (*) &#160; Há algumas semanas uma amiga me convidou para um chá no café da livraria Escariz. Adorei o convite. Ambas apreciamos essa bebida e, com ela, brindaríamos o nosso reencontro. Depois de um longo abraço, Joara pôs sobre a mesa o meu Rolé de quarta-feira para que eu o autografasse, e &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á algumas semanas uma amiga me convidou para um chá no café da livraria Escariz. Adorei o convite. Ambas apreciamos essa bebida e, com ela, brindaríamos o nosso reencontro. Depois de um longo abraço, Joara pôs sobre a mesa o meu <em>Rolé de quarta-feira</em> para que eu o autografasse, e assim o fiz. Pedimos o chá e, para acompanhar, mini broas, aquelas com um toque de erva-doce, que chegaram à nossa mesa recém forneadas, fumegantes e deliciosas.</p>
<figure id="attachment_79536" aria-describedby="caption-attachment-79536" style="width: 280px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-79536" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust-226x300.jpg" alt="" width="280" height="372" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust-226x300.jpg 226w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/marcel-proust.jpg 375w" sizes="auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-79536" class="wp-caption-text">Marcel Proust em 1900 aos 29 anos Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Inspirada pela releitura do volume <em>No caminho de Swann</em>, de Marcel Proust, não resisti à tentação. Molhei a pequena broa no chá e comi-a umedecida, como fez o personagem do livro. A broa fez as vezes da <em>madeleine</em>. E o que aconteceu em seguida foi a lembrança de acontecimentos sucessivos em torno da descoberta da obra e da primeira leitura desse livro, que gostaria de compartilhar aqui.</p>
<p>Eu e minha prima Conquinha pegamos um ônibus em Cedro de São João e atravessamos a divisa para Arapiraca, onde moravam outras primas, como nós, adolescentes. Era verão e estávamos de férias. Não havia muito o que fazer lá, mas lembro que entre as idas à piscina do clube, tomar sorvete no final da tarde na praça ao lado da Igreja, passear pelo calçadão, ouvir música, conversar e rir de pequenos nadas do dia, também íamos à biblioteca pública. Lá, por sugestão de Messinha, pedi emprestado <em>À sombra das raparigas em flor</em>, de Proust.</p>
<p>Mal sabia eu o lugar que esse livro ocuparia em minha vida. Claro que não tinha maturidade para aquela obra, da qual li então umas vinte páginas, somente. Mas o título ficara em mim. Aliás, um dos mais bonitos, na minha opinião, tanto em francês quanto em português. Voltei para Aracaju e deixei o livro na estante invisível que carrego comigo, na prateleira dos livros por ler.</p>
<p>Somente muitos anos depois, revisitei essa prateleira, onde estavam o que chamo de “livros da maturidade”. E nela já constava toda a obra <em>Em busca do tempo perdido</em>: <em>No caminho de Swan</em>, <em>À sombra das raparigas em flor</em>, <em>O caminho de Guermantes</em>, <em>Sodoma e Gomorra</em>, <em>A prisioneira</em>, <em>A fugitiva</em> e <em>O tempo redescoberto</em>. Comecei pelo primeiro volume, traduzido pelo poeta Mario Quintana, que introduziu toda uma geração à obra proustiana sem descuidar da densidade do texto original.</p>
<p>Eu estava encantada com a força descritiva de Proust, que usou os sentidos como suporte para evocar o passado e a memória como recurso literário, transformando-a num gênero, o memorialístico. Ao trilhar esse caminho, Proust se engajaria numa das ideias em voga na época, introduzida pelo filósofo Bergson em <em>Matéria e memória</em>. A <em>belle époque</em> foi, talvez, um dos momentos mais efervescentes da modernidade e as descobertas científicas influenciavam a literatura sobremaneira.</p>
<p>Walter Benjamin, no entanto, que se debruçou sobre a modernidade numa perspectiva mais abrangente, dissocia o uso da memória nesses dois autores, uma vez que Bergson refere-se à memória como um ato consciente e Proust, não. Dessa forma, evidencia a memória involuntária nos escritos proustianos, ressaltando que o personagem, ao tomar o chá com a <em>madeleine</em>, não tinha essa intenção. Ou seja, ela ocorre espontaneamente. Proust toma a memória como objeto e a amplia, não científica, mas estilisticamente.</p>
<p>Mas até então eu não sabia disso. De propósito, quis entrar nessa aventura com o olhar virgem, aquele que ignora a crítica e procura o prazer estético sem expectativas ou mediações. Claro que me aprofundaria na obra posteriormente, mas queria antes um contato puro com aquelas páginas, sem que estivesse previamente condicionada.</p>
<p>Então, veio a passagem do chá e da <em>madeleine</em>, que o meu chá com mini broas me fizeram recordar. A<em> madeleine</em> é um bolinho em formato de concha muito comum em Paris, próprio para acompanhar bebidas aromáticas. Quando o personagem proustiano a come com o chá, o sabor aciona a memória involuntária e faz com que ele reviva imagens do passado. A beleza com que descreve instaura a mais pura poesia. Ele desdobra a palavra camada por camada e mostra o que antes estava invisível aos olhos e aos sentimentos. O resultado, ondas de sensações que nos comovem esteticamente e nos enleva espiritualmente. Estava, sem dúvida, diante de uma das passagens mais bonitas da literatura universal.</p>
<p>Depois da leitura quis, ansiosamente, experimentar a <em>madeleine</em>. Morava no Rio naquela época e só fui encontrar essa iguaria na delicatessen Garcia&amp;Rodrigues, no Leblon. Esse estabelecimento já não existe, mas ficou na minha memória. Foi interessante estender o prazer da leitura ao prazer gustativo do famoso bolinho que, com toda a sua simplicidade culinária, permitia acessar um portal do tempo.</p>
<p>Naquele momento em que celebrava um reencontro na livraria, o inusitado convite para o chá, (acrescido pela broa) abriu outro portal do tempo, cujas camadas me levaram a um inesperado e poético rolé de uma quarta à tarde.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Fragmento &#8220;No caminho de Swan&#8221;</p>
<p><em><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-79534 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan-182x300.png" alt="" width="95" height="157" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan-182x300.png 182w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/08/proust-e-swan.png 336w" sizes="auto, (max-width: 95px) 100vw, 95px" /></a>(&#8230;) acabrunhado com aquele triste dia e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como o primeiro, levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena. Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção de sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente às vicissitudes da vida, inofensivos seus desastres, ilusória sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou, antes, essa essência não estava em mim, era eu mesmo.</em> (<em>No caminho de Swann</em>, M. Proust, SP: Globo, 2006).</p>

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