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	<title>Arquivo para amarrado - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Não posso amarrar o tempo no poste</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2026 15:07:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Sexta-feira, 20/02. Acordei sorumbático, com preguiça pelo corpo todo. Tenho resistência a sair da cama. O corpo pede calma, pede silêncio, pede sossego. Olho para a parede, e o relógio me mostra o tempo seguindo seu curso. “O mais feroz dos animais domésticos é o relógio &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20posso%20amarrar%20o%20tempo%20no%20poste" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20posso%20amarrar%20o%20tempo%20no%20poste" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20posso%20amarrar%20o%20tempo%20no%20poste" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste%2F&amp;linkname=N%C3%A3o%20posso%20amarrar%20o%20tempo%20no%20poste" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste%2F&#038;title=N%C3%A3o%20posso%20amarrar%20o%20tempo%20no%20poste" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/nao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste/" data-a2a-title="Não posso amarrar o tempo no poste"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>exta-feira, 20/02. Acordei sorumbático, com preguiça pelo corpo todo. Tenho resistência a sair da cama. O corpo pede calma, pede silêncio, pede sossego. Olho para a parede, e o relógio me mostra o tempo seguindo seu curso.</p>
<p style="text-align: right;">“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família&#8221;, escreveu, com singeleza contumaz, o poeta de Alegrete, no Rio Grande do Sul, Mário Quintana.</p>
<p style="text-align: right;">Não posso “amarrar o tempo no poste”, diz o poeta cuiabano, Manoel de Barros, “o poeta das infâncias”.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“A infância não é um tempo, não é uma idade,  é uma coleção de memórias. A infância é quando ainda não é demasiado tarde. É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixarmos encantar. Quase tudo se adquire nesse tempo em que aprendemos o próprio sentimento do tempo”, cito o escritor moçambicano, Mia Couto, com quem tomei café da manhã, em uma manhã de abril de um ano que o tempo se encarregou de levar.</p>

			</div></div>
<p>Os passarinhos vêm me desejar feliz dia, ao cantarem na janela do quarto, no bebedouro que ali coloquei. Felizes, não sabem o que são as horas.</p>
<p>Reluto um pouco mais em colocar-me em pé. O telefone toca, vejo um número que desconheço, não atendo. Quiçá fosse notícia boa. Provavelmente não seria. Passo o dia recebendo ligações de bancos, onde não tenho conta, muito menos dinheiro, e de operadoras de telefonia móvel. A tecnologia, que tanto otimiza a vida, também atrapalha.</p>
<p>Penso mais um pouco. Vejo que não tenho que terminar minhas tarefas em um só dia.</p>
<p>Que a vida está passando e absolutamente nada a impede. Que tudo pode acabar num piscar de olhos. Entendi que o material nunca foi importante. O mais importante é o tempo que nos resta pela frente.</p>
<p>Se eu não estiver no trabalho, me substituem. Não tenho importância alguma.</p>
<p>Mas minha saúde emocional é insubstituível e importa. Entendi que não preciso ajoelhar-me ao dar uma caminhada e ver a paisagem.</p>
<p>Entendi que a comida pode preencher o vazio do estômago, mas não o da alma.</p>
<p>Que eu tenho direito a desfrutar cada segundo do que eu tenho.</p>
<p>Que o dinheiro pode comprar viagens, mas não tempo. Sei quanto tenho de dinheiro, mas nunca saberei quanto tempo terei pela frente.</p>
<p>Que, quando eu preciso de espaço, me retiro.</p>
<p>Que, quando quero gritar, grito.</p>
<p>Que, quando quero ficar na cama, fico.</p>
<p>Que, quando eu quero dançar, eu danço.</p>
<p>E, quando quero chorar, choro.</p>
<p>Aprendi a me ouvir atentamente e dar prioridade às minhas necessidades. Desde que o faço, já meu café não sabe a pressa. Não bebo café frio.</p>
<p>O interfone toca, não posso mais ficar refastelado na cama; tenho que me levantar.</p>
<p>Atendo, o porteiro ligou errado, pede desculpa. Agradeço, pois, graças ao erro da ligação, consegui levantar e começar o dia. O tempo não espera por mim. Tenho muita coisa para resolver.</p>
<p>O tempo segue seu rumo. Tenho que engrenar para seguir o meu.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Negritude, estética e trabalho</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/negritude-estetica-e-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Petruska Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2021 10:57:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o aumento do processo de conscientização sobre o racismo estrutural, podemos apontá-lo com maior força quando ele aparece no trabalho. Uma situação muito grave e comum, principalmente nos setores de atendimento ao público de forma presencial, são os cabelos. Falar sobre cabelos e trabalho daria uma dissertação, mas vamos ao básico: quantas vezes você &#8230;</p>
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<p style="text-align: justify;">Com o aumento do processo de conscientização sobre o racismo estrutural, podemos apontá-lo com maior força quando ele aparece no trabalho. Uma situação muito grave e comum, principalmente nos setores de atendimento ao público de forma presencial, são os cabelos. Falar sobre cabelos e trabalho daria uma dissertação, mas vamos ao básico: quantas vezes você já ouviu que o cabelo precisa ser “domado”, deve ser contido, amarrado ou cortado? Sobretudo quando ele não é radicalmente liso&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">O padrão de beleza, elegância e estética adequado ao trabalho é um cabelo “controlado”, diga-se, com isso, um cabelo que não tenha volume, de preferência com as pontas voltadas para o chão e que “não chame muito a atenção”.</p>
<p style="text-align: justify;">Fico tentando entender o que significa um cabelo assim e chego à conclusão que existe um racismo perpassando o perfil de um “profissional de qualidade”. É crime exigir ou dar a entender que uma pessoa não pode exibir seu cabelo do jeito que ele é, porque não se enquadra no modelo do(a) branco(a). Exibir tranças, cachos e penteados afro precisa ser tão respeitado quanto qualquer outra forma de apresentação capilar.</p>
<p style="text-align: justify;">A apresentação do <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sosergipe.com.br/curta-metragem-que-traz-o-cabelo-como-protagonista-concorre-ao-premio-nacional-do-expocom-2020/">cabelo afro</a></span> não pode ser vista como sinônimo de que a pessoa é suja, não toma banho, é descuidada. Se você pensa assim, se seu/sua chefe pensa assim ou se a empresa pensa assim estão todos praticando o racismo estrutural, ou seja, não estão se dando conta de que herdaram o preconceito e a discriminação de um modelo patriarcal eurocêntrico, que segrega as pessoas por causa da raça, classificando-as sem nenhum parâmetro sério.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira coisa que se faz é negar tal comportamento, procurando justificá-lo &#8211; o que piora a situação. O ideal é refletir sobre a possibilidade de ressignificar nossa cultura e ações, e aquilo que pode parecer estranho deve se tornar natural: respeito ao outro em sua essência e etnia.</p>
<p style="text-align: justify;">O racismo é crime, mas o preconceito acontece nas entrelinhas, de forma que provar que alguém foi dispensado, demitido ou não foi contratado por causa do cabelo é quase impossível. Assim, o caminho mais importante é buscar informações e a desconstrução deste aspecto inconsciente, que precisa vir à consciência de todos para que possa ser elaborado. E aí? Como é o cabelo das pessoas que trabalham com você? Observar as pessoas ao seu redor lhe dará a dica de como seu local de trabalho lida com o racismo estrutural.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(*)</strong> Profa. Esp. <span class="il">Petruska</span> Passos Menezes é psicóloga e psicanalista, integrante do Círculo Psicanalítico de Sergipe, tem MBA em Gestão e Políticas Públicas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Gestão Estratégica de Pessoas (pela Fanese), Neuropsicologia (pela Unit) e <b>em curso</b> Gestão Empresarial pela FGV.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva da autora.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
<div></div>
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<p style="text-align: justify;">
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