IPCA foi pressionado por fim do Bônus de Itaipu Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Antônio Carlos Garcia
A inflação em Aracaju chegou a 0,55% em setembro de 2026, abaixo da média nacional de 0,82%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, a capital sergipana acumula alta de 4,26% nos preços desde janeiro, conforme análise do Observatório da Indústria do Sistema FIES. Para as famílias assalariadas com rendimentos de um a cinco salários mínimos, a inflação foi ainda maior, alcançando 0,60% no mês.
O resultado de 0,60% corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a variação dos preços para famílias de menor renda. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como indicador oficial da inflação, considera famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos, independentemente da origem dos recursos.
Em Aracaju, os preços de Alimentação e bebidas subiram 0,70% em setembro, enquanto Artigos de residência registraram alta de 0,68%. Também apresentaram aumentos os grupos Comunicação (0,50%), Transportes (0,20%), Educação (0,02%), Saúde e cuidados pessoais (0,02%) e Vestuário (0,01%).
Na cesta de consumo acompanhada pelo INPC, os grupos Saúde e cuidados pessoais e Despesas pessoais apresentaram redução de preços de 0,20% e 0,09%, respectivamente.
Além de Aracaju, o IBGE acompanha o comportamento do IPCA em outras quatro capitais nordestinas: São Luís, Fortaleza, Recife e Salvador. Esses resultados permitem avaliar as diferenças regionais na evolução dos preços, especialmente em alimentação, habitação e transportes.
No Brasil, o IPCA avançou 0,82% em setembro, depois de registrar deflação de 0,32% em agosto. Foi a maior variação mensal desde março de 2026, quando o índice havia atingido 0,88%.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, ultrapassando o limite superior de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em agosto, o acumulado estava em 4,22%.
A meta central de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde 2025, o cumprimento da meta é avaliado continuamente, considerando a inflação acumulada nos 12 meses anteriores. O descumprimento formal ocorre quando o índice permanece fora do intervalo de tolerância durante seis meses consecutivos.
O resultado de setembro também superou a expectativa do mercado financeiro. O boletim Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira (5), projetava inflação de 0,60% para o mês. Para o encerramento de 2026, a estimativa era de 5,01%.
O grupo Habitação apresentou aumento de 2,31% no Brasil e respondeu por 0,35 ponto percentual da inflação de setembro. A principal influência veio da energia elétrica residencial, que ficou 7,98% mais cara, depois de registrar queda de 7,63% em agosto. Sozinha, a conta de luz contribuiu com 0,32 ponto percentual para o IPCA nacional.
A principal explicação foi o fim do Bônus de Itaipu, desconto concedido aos consumidores nas faturas de agosto. Sem o abatimento em setembro, as contas voltaram aos valores habituais, provocando uma elevação expressiva na comparação mensal.
O IBGE também identificou efeitos de reajustes contratuais nas tarifas de energia elétrica de Belém, São Luís e Vitória. Para outubro, a previsão de bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional, poderá reduzir parte da pressão sobre as contas de energia.
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,83% em setembro, interrompendo três meses consecutivos de redução de preços. A alimentação no domicílio ficou 0,96% mais cara. Entre os produtos com maiores aumentos estão o tomate, com 37,76%, a batata-inglesa (24,07%), a cebola (10,14%) e o arroz (4,56%). As carnes subiram 0,63%. Em contrapartida, houve redução nos preços do frango inteiro (-1,96%), do frango em pedaços (-1,41%) e das frutas (-1,12%).
Segundo o analista do IBGE Fernando Gonçalves, fatores climáticos afetaram a oferta de determinados produtos agrícolas. Temperaturas mais baixas dificultaram o amadurecimento do tomate, enquanto as chuvas prejudicaram a produção de batatas e a qualidade da cebola. O técnico ressaltou, entretanto, que ainda não é possível atribuir diretamente essas alterações ao fenômeno El Niño.
O grupo Transportes registrou aumento de 0,89% em setembro, influenciado principalmente pela elevação de 9,66% nas passagens aéreas. Os combustíveis ficaram, em média, 1,41% mais caros. A gasolina subiu 1,21%, o etanol avançou 3,16%, o óleo diesel aumentou 1,69% e o gás veicular teve variação de 0,10%.
O comportamento dos transportes contribuiu com 0,18 ponto percentual para a inflação nacional, o mesmo impacto registrado pelo grupo Alimentação e bebidas.
O índice de difusão do IPCA mostrou que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preços em setembro, ante 54% em agosto.
Os preços dos serviços subiram 0,61% no mês e acumularam elevação de 5,98% em 12 meses. Já os preços monitorados, que incluem tarifas reguladas e combustíveis, avançaram 1,59% em setembro, acumulando 4,13% em 12 meses.
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