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	<title>Arquivo para Literatura&amp;Afins - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Sobre a escritora luso-angolana Luísa Fresta</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2024 18:53:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Viana Xavier (*) &#160; É com enorme satisfação que esboço aqui uma apresentação sobre a escritora Luísa Fresta, voz poderosa de nossa literatura contemporânea em Língua Portuguesa. Sua carreira literária é marcada por textos de tonalidades muito diversificadas, perfazendo um percurso que vai da literatura infantojuvenil às formas mais clássicas e tradicionais da &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta/">Sobre a escritora luso-angolana Luísa Fresta</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&#038;title=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta/" data-a2a-title="Sobre a escritora luso-angolana Luísa Fresta"></a></p><div></div>
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<p>Por Germano Viana Xavier (*)</p>
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<span class="dropcap ">É</span> com enorme satisfação que esboço aqui uma apresentação sobre a <span class="sigijh_hlt">escritora Luísa Fresta<span class="sigijh_hlt">, voz poderosa de nossa literatura contemporânea em Língua Portuguesa</span></span>. Sua carreira literária é marcada por textos de tonalidades muito diversificadas, perfazendo um percurso que vai da <span class="sigijh_hlt">l</span><span class="sigijh_hlt">iteratura infantojuvenil às formas mais clássicas e tradicionais da poesia, passando por outros importantes gêneros como o conto e a crônica</span>.</p>
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<p>Luísa Fresta é amplitude portuguesa e angolana, uma dupl’alma concentrada em uma força-motriz-feminina que entrelaça Angola, Portugal, Brasil, Áfricas e Mundos em um coração delicado e dedicado a enxergar a mais pura arte literária nas situações mais comuns ou nas circunstâncias mais rudes. Suas mãos tecem um conjunto de textos que pontuam suas múltiplas influências culturais e humanas como quem aborda o próprio espelho das grandezas da vida. Uma mulher que a todo instante nos apresenta à lusofonia e ao africano, uma mulher que não se cansa em opinar sobre livros, filmes, artes em geral&#8230; uma mulher em constante movimento.</p>
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<p>Com a escritora Luísa Fresta, aprendi que o essencial está por vir, ainda no próximo verso, ainda no próximo parágrafo, porque a literatura está no que avança e no que nos desdobra, no que nos recobra e no que nos aplaina, apontando para as mazelas mundanas mais irrefutáveis. Com a escritora Luísa Fresta, aprendi que é necessário perceber e revelar os centros das pequenas coisas, os núcleos sísmicos dos elementos que fazem a vida de todas as pessoas, mesmo que estas fontes interiores e, por vezes, ulteriores de e acerca da vida sejam ou estejam integradas à própria faculdade vital do ser humano: o viver, o estar vivo-e-além.</p>
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<figure id="attachment_41959" aria-describedby="caption-attachment-41959" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-41959" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png 1080w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41959" class="wp-caption-text">Germano num encontro com Luísa Fresta e a irma Zeza Fresta, em Portugal</figcaption></figure>
<p>Ao lado de Luísa Fresta, numa jornada de parcerias que já ultrapassa uma década, aprendi que o verdadeiro poeta fotografa o caos, que o verdadeiro escritor registra os medos de nós-gentes e articula a chama que fará o fogo-máximo de nossas idas e vindas, de nossas descobertas e, também, de nossas decepções. Luísa Fresta soa quase sempre maternal, como uma mãe que ensina às suas crias os segredos do caminho.</p>
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<p>A escritora Luísa Fresta nos questiona, em seus textos, se a felicidade é um bônus ou uma guilhotina. Dentro de suas palavras, tombamos por cima das farturas e das fraturas dos símbolos mundanos, adentramos o sagrado nas coisas triviais e bulimos com o absurdo das naturalidades cotidianas oriundas de convenções sociais e institucionais. Tudo isso, regado com uma pessoalíssima dose de maturidade artística e pessoal. Aliás, ensinagens não faltam nas páginas dos livros e na obra geral escrita por Luísa Fresta. E isso me chama muito a atenção. Luísa Fresta sempre está a nos ensinar algo. E de uma forma muito espontânea e inteligente.</p>
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<p>A escritora Luísa Fresta, por vezes, quase ignora o real para nos abrir um mundo de percepções suavemente surreais, quando no tempo das intermitências e das incertezas da vida, colocando-nos numa posição de combate e, também, de respeito perante o tempo futuro. Afinal, <span class="sigijh_hlt">o que faremos da vida que nos resta? O que estamos fazendo com o nosso Hoje, com o nosso Agora?</span> Aquela velha batalha já por demais esgotada e profética: cada dia que passa é um dia a menos, não um dia a mais. Luísa Fresta tenta parar o tempo para que possamos observá-lo, tamanho o seu poder perante todos nós. Luísa Fresta é, por fim, a voz de uma humanidade revista e ressonhada, cheia de memórias e refundada em anunciações.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&amp;linkname=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta%2F&#038;title=Sobre%20a%20escritora%20luso-angolana%20Lu%C3%ADsa%20Fresta" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta/" data-a2a-title="Sobre a escritora luso-angolana Luísa Fresta"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sobre-a-escritora-luso-angolana-luisa-fresta/">Sobre a escritora luso-angolana Luísa Fresta</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>Nivaldo Tenório e as camadas do conto</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 11:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Viana Xavier (*) &#160; Em seu terceiro livro de contos, intitulado de NINGUEM DETÉM A NOITE (Confraria do Vento), o garanhuense Nivaldo Tenório, autor do bem cotado DIAS DE FEBRE NA CABEÇA (2012), faz aquilo que em seu livro anterior já havia, diria, iniciado, como quem repercute uma marca pessoal e a expande: &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto%2F&amp;linkname=Nivaldo%20Ten%C3%B3rio%20e%20as%20camadas%20do%20conto" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto%2F&amp;linkname=Nivaldo%20Ten%C3%B3rio%20e%20as%20camadas%20do%20conto" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto%2F&amp;linkname=Nivaldo%20Ten%C3%B3rio%20e%20as%20camadas%20do%20conto" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto%2F&amp;linkname=Nivaldo%20Ten%C3%B3rio%20e%20as%20camadas%20do%20conto" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fnivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto%2F&#038;title=Nivaldo%20Ten%C3%B3rio%20e%20as%20camadas%20do%20conto" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/" data-a2a-title="Nivaldo Tenório e as camadas do conto"></a></p><blockquote><p>Por Germano Viana Xavier (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m seu terceiro livro de contos, intitulado de NINGUEM DETÉM A NOITE (Confraria do Vento), o garanhuense Nivaldo Tenório, autor do bem cotado DIAS DE FEBRE NA CABEÇA (2012), faz aquilo que em seu livro anterior já havia, diria, iniciado, como quem repercute uma marca pessoal e a expande: a fabricação ou composição do conto em camadas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/livro-ninguem-detem-a-noite.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-77889 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/livro-ninguem-detem-a-noite-210x300.png" alt="" width="210" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/livro-ninguem-detem-a-noite-210x300.png 210w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/livro-ninguem-detem-a-noite.png 539w" sizes="(max-width: 210px) 100vw, 210px" /></a>Da mesma forma (ou com a mesma fórmula), as narrativas são curtas e circundam temas cotidianos, com toques enxutos de realidade fantástica, quase que imperceptíveis. A morte entra como pano de fundo central e a noite engloba boa parcela de seu simbolismo. Doenças, fragilidades de corpo e alma, fraquezas de conduta, amarguras e dissabores formam o arco-íris pintado em tons de cinza do livro do escritor pernambucano.</p>
<p>Como em DIAS DE FEBRE NA CABEÇA, tudo aparenta estar em seu lugar. Mas não se engane, leitor. Ao menor sinal, perdemo-nos nos finais sem fim dos contos de Tenório. Fragmentados, somos atraídos por um imã-maior como cacos e, só assim, seguimos adiante na leitura. Uma pequenina coletânea de abismos é o que Tenório nos oferta neste livro. Os contos, formulados em pequenas cadências, com diálogos internos ou não, formam uma geometria avulsa, completamente organizada, mas indefinida a partir de sua respectiva angulação final. O olhar de Tenório sobre o básico e sobre o essencial da vida é o de quem sonda o imprevisível com respeito e arguta paciência.</p>
<p>O autor desvia o leitor do caminho comum à medida que nos informa sobre outros mil nadas por demais preciosos. Cada mínima camada de suas fabulações é uma nova dúvida instaurada, um novo segredo camuflado, uma nova observação momentânea que se realiza dentro das miudezas e das minúcias das narrativas. Algumas imagens podem turvar o campo de visão do leitor mais desatento, como uma tartaruga que morre durante um passeio familiar em plena ditadura. É um livro triste, denso, duro, cru, cruel, que não tem pena de seu interlocutor.</p>
<p>Assim se formou a verve de Nivaldo Tenório, sabedor astuto de que é na vida, dentro dela propriamente dita, que nós criamos feito bichos, que nos desenvolvemos feito astros, dentro dela que aprendemos a desaprender submissões e a desatar os nossos grilhões. Em Tenório há sempre um suicídio prestes a acontecer, tão provável que quase não mais assusta, pois é ele tão próximo que tende a ser a única certa defesa com a qual suas personagens podem contar quando necessário.</p>
<p>A mensagem é a de fim de percurso, a de que o homem (todos nós, inclusive eu e você, amigo leitor deste blog) não tem mais para onde correr. Não há mais força nas pernas nem picadas a abrir nos matagais de pedra das cidades. A luz do dia ofuscou nossa derradeira esperança e ninguém, absolutamente ninguém, parece ser ágil o suficiente para deter a noite eterna das civilizações.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Então você quer ser escritor?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/entao-voce-quer-ser-escritor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Apr 2024 18:31:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier (*) &#160; Para quem gosta de contos, o livro ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?&#8221;, do paranaense Miguel Sanches Neto, é um prato a ser devorado com uma fome necessária. Dezesseis narrativas perfazem o miolo. Personagens aparentemente simples, mas que portam angústias e conflitos nada medíocres, todos desenrolados com maestria. A verdade é &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Para quem gosta de contos, o livro ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?&#8221;, do paranaense Miguel Sanches Neto, é um prato a ser devorado com uma fome necessária. Dezesseis narrativas perfazem o miolo. Personagens aparentemente simples, mas que portam angústias e conflitos nada medíocres, todos desenrolados com maestria. A verdade é que nada no livro impressiona muito. Nada há de exagero nem de estapafúrdio. O fantástico e o inominável passam longe de suas linhas. Há uma intensidade linear em todas as estórias, e por isso mesmo <span class="sigijh_hlt">o livro ganha créditos nas mãos de quem o lê<span class="sigijh_hlt">. É um livro suavemente denso e densamente sutil, mas ardiloso.</span></span></p>
<figure id="attachment_76534" aria-describedby="caption-attachment-76534" style="width: 230px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-76534" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-204x300.jpg" alt="" width="230" height="338" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-204x300.jpg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-698x1024.jpg 698w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-768x1127.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor-1046x1536.jpg 1046w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livro-ser-escritor.jpg 1090w" sizes="auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px" /></a><figcaption id="caption-attachment-76534" class="wp-caption-text">Capa do livro de Sanches</figcaption></figure>
<p>A literatura contemporânea praticada em sua excelência, talvez. Linguagem corrida, deslizante. Diálogos avessos a qualquer tipo de ostentação linguística de estilo. A comunicação em primeiro lugar. Enfim, um livro de contos, com 16 contos muito bem instalados e cada um com vida própria. Diversidade, neste caso, interessa e muito.</p>
<p>ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR? não é nenhum mapa astral para quem quer ou está começando a se enveredar pelos caminhos árduos, traumáticos e prazerosos da literatura, como pode sugerir o título. Porém, se observado sob tal viés, o livro de Miguel Sanches Neto pode surpreender como livro-aula. É difícil dizer, numa primeira leitura, qual a principal qualidade do livro de Sanches. <span class="sigijh_hlt">O livro habita um território onde todos podem estar.</span></p>
<p>Os leitores são rapidamente levados a vivenciar tudo, pelo simples fato de que nada ali é irrealizável. Nota-se um esmero nas frases e no discurso das entrelinhas. Um livro de contos sem romantismo, mas com alto teor de nostalgia. Há sempre um momento a ser revisitado, não se sabe se pelo próprio autor ou se pelas personagens. Uma obra embriagada por ela mesma, posto que se sabe dentro de si e existível além: precondição nada para o tornar-se diferenciado. Longe de querer classificar o livro de Sanches utilizando de qualquer artifício, ele, o livro, é digno de leitura.</p>
<p>Coisa rara hoje em dia, onde tudo que é escrito parece sair das genitálias dos &#8220;escritores&#8221;, descarregados de muitos elementos básicos e fundamentais para o elaborado exercício da prática da escrita ficcional.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Hemingway já dizia: &#8220;A maioria dos escritores vivos não existe&#8221; &#8211; esta citação está destacada no último conto de ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?, e me serve agora para dizer o fim destas poucas ideias. Miguel Sanches Neto está vivo e existe. Você duvida? Sugiro começar o livro pelo segundo conto, intitulado de Árvores Submersas. Talvez ele só já te prove alguma coisa em caráter de urgência, e aí você pode continuar o nado sem grandes tribulações na consciência sobre o uso do seu tempo.</p>

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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Os abismos de Trevisan</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/os-abismos-de-trevisan/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/os-abismos-de-trevisan/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2024 11:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[abismos]]></category>
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		<category><![CDATA[Toca Literária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier (*) &#160; Para começo de conversa, que capa belíssima a da segunda edição deste livro, datada de 1979! O título: ABISMO DE ROSAS. Que título, Dalton Trevisan! Só podia ser mesmo um livro escrito por vossa senhoria, mestre da amplificação semântica das palavras mínimas. Os minimamente iniciados nesta lida chamada de literatura &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Para começo de conversa, que capa belíssima a da segunda edição deste livro, datada de 1979! O título: ABISMO DE ROSAS. Que título, Dalton Trevisan! Só podia ser mesmo um livro escrito por vossa senhoria, mestre da amplificação semântica das palavras mínimas. Os minimamente iniciados nesta lida chamada de literatura já podem desconfiar: <span class="sigijh_hlt">ABISMO DE ROSAS é um petardo vindo em direção ao coração do humano</span>. Um sedutor furacão feito de palavras-além que arrasta homens e mulheres, meninos e meninas, crianças e adultos, para os centros das vivências instantâneas, para o vértice das experiências mais fugidias, furtivas, aligeiradas. Lugares triviais e espaços inesperados formam a selva representativa por onde as personagens nadam de braçadas em busca da vida e da morte, seduzidas pelas fragrâncias inequívocas das horas mais cotidianas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-75821 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas-202x300.jpg 202w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/abismos-de-rosas.jpg 313w" sizes="auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px" /></a>Há alguns anos, eu tinha bastante dificuldade em engolir Dalton Trevisan. Não gostava do modo peculiar de escrita dele. Hoje, mais maduro, com mais envergadura leitora, consigo degluti-lo e também confirmar o grande literato que é. O ABISMO DE ROSAS é mais um livro poderoso do Vampiro de Curitiba. São 21 contos curtos por onde putas, “degracidos”, aliciadores, bêbados e outros personagens típico-clássicos de seu já consagrado repertório se integram num microcosmo que resume bem toda a aurora de nossos dias, tanto a que é vista/revista quanto a que é insistentemente camuflada e/ou interrompida propositalmente pelos meios de comunicação de massa, primordialmente.</p>
<p>Dia desses, participando eu de uma edição da Toca Literária, oficina de criação literária regida por Marcelino Freire, o autor pernambucano reiterou a importância do Dalton Trevisan para a literatura nacional e, também, como influência em sua carreira de contista. Convenhamos, todo livro do Trevisan é uma aula particular de como elaborar diálogos arrebatadores. Só por isso, já vale a leitura, não obstante o toque lírico que dá à temáticas envolvendo o escatológico, o bestial, o insano, ao que é tido como sendo de natureza imoral, às sanhas e idiossincrasias humanas. Enfim, eis um autor de estilo marcado, próprio, personal. Condenados estamos a este abismo gutural que é a vida. De rosas ou não, só vivendo e lendo mais para saber.</p>
<p>Evoé, Trevisan!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Descobrindo Bartleby em mim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jan 2024 15:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[Bartleby]]></category>
		<category><![CDATA[humanidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier (*) &#160; Era o meu último ano em Salvador-BA quando li o livro &#8220;Bartleby, o escriturário&#8221; (Uma história de Wall Street) pela primeira vez. O ano era o de número 2004 e eu contava 19 anos de idade. De Herman Melville (o Homero do Oceano Pacífico, no dizer de Albert Camus), escritor &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/descobrindo-bartleby-em-mim/">Descobrindo Bartleby em mim</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>ra o meu último ano em Salvador-BA quando li o livro &#8220;Bartleby, o escriturário&#8221; (Uma história de Wall Street) pela primeira vez. O ano era o de número 2004 e eu contava 19 anos de idade. De Herman Melville (o Homero do Oceano Pacífico, no dizer de Albert Camus), escritor estadunidense tido como um dos precursores da filosofia existencialista e autor da obra acima citada.</p>
<p>Eu &#8220;somente&#8221; havia lido o seu texto mais importante: Moby Dick, publicado originalmente em 1851 e, curiosamente, motivo para seu &#8220;desprestígio&#8221; literário quando ainda em vida. Após o deleite sentido ao ultrapassar as muitas páginas e as águas infindas do oceano, como mais um trpulante do navio baleeiro Pequod na fantástica busca à enfurecida baleia branca, a história do excêntrico escriturário Bartleby me ocorreu às vistas.</p>
<p>Deitado no sofá da sala, ali no 201 do bloco 61, no Conjunto dos Comerciários, numa tarde amena, li de um só pulso o impactante livreto que, segundo Jorge Luis Borges (meu escritor preferido), é uma das obras literárias mais relevantes da humanidade. Digo impactante porque, apesar de curto o enredo, foi após o findar da leitura que tive a noção perturbável de como um &#8220;não&#8221;, enquanto resposta, pode ter seu sentido salvaguardado e justificado em nossa humanidade quando nos encontramos diante de certas situações convencionadas como corretas e básicas dentro das relações sociais.</p>
</div>
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<p>O conto é narrado por um velho advogado que trabalha no bairro nova iorquino de Wall Street. Com o aumento da demanda de trabalho dentro do estabelecimento, o advogado-narrador, tentando cumprir com o seu quinhão, percebe que os seus dois ajudantes oficiais, Nippers, Turkey, assim como o menino Ginger Nut não conseguiriam dar conta das novas empreitadas e, assim sendo, resolve contratar mais uma pessoa para acelerar as atividades. Depois de colocar anúncios nos jornais, Bartleby surge à porta destinado a ocupar a vaga de copista de documentos estritamente burocráticos:</p>
</div>
<div>
<p>“…palidamente limpo, tristemente respeitável, incuravelmente pobre!” Conta-nos, o advogado-narrador, que nenhuma pessoa lhe causou tanta estranheza e lhe despertou tantos sentimentos como o jovem Bartleby.</p>
<p>Desinformado quase que por completo a respeito do novo contratado, segue dizendo:</p>
<p>“Bartleby foi um daqueles seres sobre os quais nada é passível de confirmação.”</p>
</div>
</div>
<div>
<p>Tudo estava indo bem, Bartleby aparentando ser um sujeito por demais responsável com os seus afazeres. É quando ocorre o primeiro susto. Requerido pelo chefe a conferir todo o trabalho que houvera feito, Bartleby calmamente responde:</p>
<p>&#8220;Prefiro não fazer.&#8221;</p>
<p>Após o primeiro desordenamento provocado pela inesperada resposta do novato, uma série de alterações morais, psicológicas e de humor são desencadeadas nos personagens que compõem a trama.</p>
<p>&#8220;&#8230; havia algo em relação a Bartleby que não apenas me desarmava estranhamente, como, de um modo maravilhoso, tocava-me e desconcertava-me.&#8221;</p>
<p>Num misto de piedade e inconformismo, o advogado-narrador começa a ser atingido de diversas formas pela personalidade obscura e misteriosa de Bartleby.</p>
<p>&#8220;Não são raros os casos em que um homem intimidado de uma maneira irracional e sem precedentes tenha suas crenças mais básicas abalads.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nada irrita tanto uma pessoa séria quanto uma resistência passiva.&#8221;</p>
<p>E Bartleby, numa resistência estóica a qualquer pedido, seguia desafiando &#8220;sem desafiar&#8221; &#8211; porque não era verbalmente ríspido, agindo sempre com o extremo da paciência &#8211; a ordem natural das coisas.</p>
<p>&#8220;Eu me sentia estranhamente disposto a provocar uma nova oposição de sua parte para arrancar alguma fagulha de raiva dele a que eu pudesse responder da mesma forma. Mas era o mesmo que tentar fazer fogo esfregando os nós dos dedos numa barra de sabão Windsor.&#8221;</p>
<p>Certo dia, indo a um culto numa igreja próxima, o advogado resolveu passar antes no escritório. E, para a sua surpresa, lá encontra Bartleby. Detalhe: não era dia de expediente. Bartleby conseguira adentrar não só a alma e mexer com as faculdades mentais de todos os seus convivas, mas agora havia tomado de vez o espaço físico do lugar, o que causava ainda mais confusão no arranjo das reflexões inerentes a ele feitas pelo chefe.</p>
<p>&#8220;Porque eu considero castrado um homem que permite tranquilamente que seu funcionário lhe dê ordens e diga-lhe para retirar-se do seu próprio imóvel.&#8221;</p>
<p>Mas, ao mesmo tempo:</p>
<p>&#8220;Não se podia pensar por um segundo sequer que Bartleby fosse uma pessoa imoral.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ao relembrar todas essas coisas e compará-las com o fato recém-descoberto de que ele fizera de meu escritório sua residência fixa e lar, e sem esquecer de seus caprichos mórbidos; ao relembrar isso tudo, um sentimento de prudência começou a tomar conta de mim.</p>
<p>&#8220;Eu poderia oferecer compaixão ao seu corpo, mas não era seu corpo que lhe doía; era sua alma que sofria, e a sua alma eu não conseguia alcançar.&#8221;</p>
<p>Diante de tal dérbi, o chefe decide demiti-lo. Mas ouve a resposta:</p>
<p>&#8220;Prefiro não ir.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ele era mais um homem de preferências do que de conclusões.&#8221;</p>
<p>Beirando a estafa, lutando contra sua própria cólera e já por demais entregue ao desconhecimento de alguma provável solução para o caso de seu funcionário, o advogado decide, ele próprio, distanciar-se de Bartleby.</p>
<p>&#8220;&#8230; um errante, que se recusa a sair do lugar?&#8221;</p>
<p>&#8220;Já que ele não vai me deixar, eu devo deixá-lo.&#8221;</p>
<p>&#8230;</p>

			</div></div>
<p>O final não cabe a mim contar, porque não é meu desejo tirar de você, leitor, o prazer da plena leitura. O certo é que quando me perguntam se eu já li a história de Bartleby, digo que sim e ainda complemento: foi lendo este livro que aprendi a muitas vezes dizer um &#8220;não&#8221; como resposta. O condensado &#8220;prefiro não&#8221; (no original: I would prefer not to) evoca um tempo reflexivo de que o ser humano está demasiado carente atualmente.</p>
<p>Engendrado numa mecânica social sistemática, onde as relações humanas se dão através de valores baseados na eficácia de sua produção, ligados a uma forma desumana de vida, capitalista ao extremo, o simples gesto de não aceitar fazer o que é requerido acaba se transformando numa metafórica afronta à &#8220;entidade superior&#8221;, detentora do poder. Sófocles, dramatrugo grego, já dissera certa vez: &#8220;Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado&#8221;, e o silêncio de Bartleby, apesar de aparentar-se simples, funciona como o grito mais operante, o berro último contra o absurdo dos modos &#8220;normais&#8221; de se viver e de se relacionar, a reação mais pura diante de uma barbárie metamorfoseada em rotina, quase sempre camuflada e desconectada da verdadeira essência do ser humano.</p>
<p>O livro é uma ode à rebeldia coletiva, partindo do princípio de que somente através de uma mobilização individual somos capazes de reverter os quadros de subalternidade, desrespeito e desassossego a que estamos diariamente sujeitos. Vale lembrar o contexto histórico ao qual o livro está unido, época de afirmação do modo de produção capitalista. Aí me recordo de um dia, numa aula no curso de jornalismo, quando um professor disse-me: &#8220;Germano, seu silêncio é mais perturbador que todo o barulho da sala&#8221;. De chofre remontei Bartleby dentro de mim, com fixas peças de obstinação e verdade. Naquele dia me senti na pele daquele jovem escriturário de Wall Street, silencioso em sua revolta interna, explodindo como um vulcão ativo suas ânsias mais vorazes, perscrutando da vazia paisagem na janela o sentido mais íntimo destinado ao verbo &#8220;SER&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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		<item>
		<title>Relato de um náufrago</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/relato-de-um-naufrago/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 12:08:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[capítulos]]></category>
		<category><![CDATA[Cem Anos de Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[clássico]]></category>
		<category><![CDATA[colombiano]]></category>
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		<category><![CDATA[El Espectador]]></category>
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		<category><![CDATA[New Journalism]]></category>
		<category><![CDATA[pátria]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier (*) &#160; Comece a imaginar-se como sendo você um membro da armada marinha colombiana, prestes a embarcar de volta ao seu país, depois de passar os últimos oito meses na região de Mobile, Estados Unidos, esperando que o conserto do destroier de guerra em que você e todos os seus companheiros estavam &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>omece a imaginar-se como sendo você um membro da armada marinha colombiana, prestes a embarcar de volta ao seu país, depois de passar os últimos oito meses na região de Mobile, Estados Unidos, esperando que o conserto do destroier de guerra em que você e todos os seus companheiros estavam fosse realizado. Ansioso pelo retorno, você não vê a hora de estar novamente junto a sua família, vivendo sua vida, dentro da mais pura normalidade. Todavia, no retorno você se depara com uma situação inesperada de perigo, o mar está muito revolto, este investe constantemente contra o navio que, sem suportar as más condições do oceano, acidenta-se emborcando um de seus lados para dentro das águas, fato que faz com que oito dos tripulantes sejam atirados ao mar, munidos de nenhum artifício de salvaguarda. Dos oito, apenas um consegue alcançar uma pequena balsa reserva. Este, em melhores condições, ainda tenta resgatar alguns de seus companheiros de viagem, mas sem êxito devido ao mar tormentoso. Aos poucos, você vai perdendo contato com o destroier que, recuperado do meio-tombo, consegue se restabelecer e seguir sua rota natural, o porto de Cartagena.</p>
<p>Os minutos vão passando e você agora olha para todas as direções possíveis e não enxerga mais nada além de um mundéu aquático, repleto de seres misteriosos e imprevisíveis. Você está sozinho e tem apenas um par de remos, a roupa do corpo, um relógio de pulso e mais alguns poucos objetos quase sem nenhuma serventia. Insistentemente você olha para os ponteiros do relógio, confiante de que a qualquer momento algum avião de ajuda ou mesmo um barco de apoio chegará para te apanhar. Você pensa que tudo está sob controle e agradece por toda a sorte. Mas as horas vão sendo vencidas pelo tempo, você sente fome, sede e frio, e nada, absolutamente nada do resgate aparecer. A noite cai e você é um marinheiro à deriva, sozinho sobre as ondas, boiando em seu incerto destino. Experiente e com a teoria do mar fresca na memória, você tenta não se desesperar. Porém, você começa a atravessar dias e noites na mais plena solidão, luta contra as necessidades do corpo, contra tubarões que lhe envolvem a balsa em horas pontuais, contra a fadiga da alma, começa a ter alucinações, sofre desmedidamente com a proximidade da morte, resguarda-se já quase inconsciente de tudo que o rodeia, enquanto as águas verd&#8217;azuis do mar insistem em te levar para algum lugar.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/12/relato-de-um-naufrago.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73142 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/12/relato-de-um-naufrago.jpg" alt="" width="180" height="270" /></a>No décimo dia, com a pele espocada pelo sol, debilitadíssimo, você abre os olhos e vê ao longe o formato da costa. É terra, você exclama! De súbito, você retira forças extras de não sei onde e salta ao mar para o nado triunfal. Incansável, desejando a vida, você vence o oceano e chega à praia, onde desmorona quase morto. Você está em Mulatos, pequena aldeia colombiana. Alguns moradores acodem em seu resgate. Aos poucos você vai melhorando e é descoberto pelas forças nacionais. Você é o único sobrevivente do acidente acontecido com o destróier A.R.C. Caldas. Você é Luís Alexandre Velasco e a partir de agora é o mais novo herói da Colômbia. Você conta a história ao mundo do jeito que o governo mandou que você contasse, o mundo a reconta de variadas formas, você ganha rios de dinheiro, você é “proclamado herói da pátria, beijado pelas rainhas de beleza, enriquecido pela publicidade&#8230;” Você é Luís Alexandre Velasco, o mesmo que depois de todo o alvoroço resolve ir à redação do jornal El Espectador para contar a verdadeira face dos acontecimentos sucedidos em 28 de fevereiro de 1955. Um jovem repórter iniciante, de plantão, de nome Gabriel José Garcia Márquez, a partir dali iria te ouvir em vinte sessões de seis horas ininterruptas. A revelação da verdade causaria um frisson em todo o país. O segmento político fora atingido, Velasco passaria de herói a vilão em poucas horas, seria “logo abandonado pelo governo e esquecido para sempre”, enquanto que Gabo, apelido do repórter, entraria num exílio sem previsão de fim.</p>
<p>A história é verídica e foi contada nas folhas do periódico El Espectador em 14 capítulos, ao estilo folhetim. <span class="sigijh_hlt">Na ficha catalográfica, Relato de um náufrago é classificado como sendo uma biografia. </span>A bem da verdade é que Gabo constrói uma bela grande-reportagem – não seria melhor taxá-lo de um romance-reportagem? -, aos moldes dos grandes expoentes do movimento New Journalism norte-americano. Com tradução de Remy Gorga, Filho e com ilustrações de Carybé, o livro é um bom início para quem quer investir sua leitura na obra mágica do Nobel colombiano, autor do mais que clássico Cem Anos de Solidão. E então, quer saber o que realmente aconteceu em alto-mar? Comece a ler agora mesmo&#8230;</p>
<div class="box note  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>MÁRQUEZ, Gabriel Garcia. Relato de um náufrago. 34ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre &#8220;Todas as coisas sem nome&#8221;, de Walther Moreira Santos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sobre-todas-as-coisas-sem-nome-de-walther-moreira-santos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 12:34:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Viana Xavier (*) &#160; Todas as coisas sem nome (2014) é o terceiro livro escrito por Whalter Moreira Santos que leio nesta vida. Antes dele, tive o prazer de ler Dentro da chuva amarela (2006) e O  metal de que somos feitos (2013) &#8211; se procurar bem, você encontrará minhas impressões sobre esses &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Todas as coisas sem nome (2014) é o terceiro livro escrito por Whalter Moreira Santos que leio nesta vida. Antes dele, tive o prazer de ler Dentro da chuva amarela (2006) e O  metal de que somos feitos (2013) &#8211; se procurar bem, você encontrará minhas impressões sobre esses dois últimos aqui na internet também. O Whalter é um sujeito singular, muito ativo em várias esferas das artes. Coincidentemente, este seu Todas as coisas sem nome, que ganhei do próprio autor, foi o vencedor do IV Prêmio Pernambuco de Literatura 2016, justamente no ano em que o meu Sombras adentro (ainda não publicado) ficou entre os 14 finalistas dentre cerca de 250 obras inscritas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/todas-coisas-livro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-72103 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/todas-coisas-livro-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/todas-coisas-livro-225x300.jpg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/todas-coisas-livro.jpg 350w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a>O livro é um apanhado de 14 contos com enredos bem diversificados, todos eles muito bem escritos, muito bem pronunciados (uns mais que outros, claro) e muito bem manipulados. Um bom escritor a gente conhece de pronto. Walther Moreira Santos tem o que nos oferecer em termos de literatura. Numa das últimas edições da Festa Literária do Alto do Moura, em Caruaru, num evento organizado em parceria com o SESC, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e de trocar algumas palavras, e o mesmo tom inquiridor presente em seus textos é facilmente percebido quando o escutamos. Até quando mesmo autor e obra se distanciam? Ah, estas fronteiras&#8230;</p>
<p>Em Todas as coisas sem nome, alguns contos trazem as aparências do fantástico bem às vistas, às claras. Sua prosa (poética &#8211; por que não dizer assim?) intensifica o significado das analogias usadas e amplifica o discurso das personagens. Com naturalidade, as tramas evoluem sob nossos olhares, atentos. Um ou outro conto menos interessante ou menos acabado não trazem prejuízo algum para o geral do compêndio. Na arte da ficção, sem dúvidas o escritor da cidade pernambucana de Vitória de Santo Antão é já um mestre bem estabelecido, e não ao léu são todos os seus títulos premiados e/ou laureados.</p>
<p>Por fim, um tira-gosto já bem conhecido da obra que circula por aí, pelos quatro cantos do ciberespaço: &#8220;Um filho trata dos espólios do pai pedófilo; outro descobre motivos para manter a fábrica de balas de prata do pai; um menino abusado pelo tio evangélico consegue vingança inesperada; a morte de um escritor muda a rotina de uma ilha. Esses são alguns dos enredos dos contos que compõem o livro, flertando com o fantástico e a prosa poética, com uma linguagem precisa e técnica apurada. Eu e minhas tantas palavras &#8211; quando Deus é silêncio. Eu e meus tantos escritos-vaidades. Vivendo em um mundo onde pão, poesia e Verbo são uma só coisa. Enquanto o Mundo-Realidade é feito de Concreto, Fábrica de mentiras, Golpes de Estado, Rios Envenenados, Florestas Incendiadas, Estupros Coletivos, Crianças Explodindo com vinte quilos de PETN amarrados no corpo&#8221;.</p>
<p>Uma dica: para chuvas amarelas internas, é sempre bom andar sem guarda-chuva.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46365" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Literatura & Afins</span><div id="wplp_widget_46365" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46365" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46365" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46365_77884" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-660x330.png 660w" alt="Nivaldo Tenório e as camadas do conto" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="title">Nivaldo Tenório e as camadas do conto</a></div></div><div id="wplp_box_left_46365_77884" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46365_77884" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46365_77884" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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		<item>
		<title>De que metal somos feitos?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/de-que-metal-somos-feitos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Oct 2023 13:34:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[búlgaro]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[metal]]></category>
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		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[prêmios]]></category>
		<category><![CDATA[revisitada]]></category>
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		<category><![CDATA[tropeços]]></category>
		<category><![CDATA[Tzvetan Todorov]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Viana Xavier (*) &#160; Dia desses, fiz uma visita a um professor do curso de Psicologia da UFRPE/Campus Vitória de Santo Antão e quando, num rápido desenlace acerca do assunto principal de nossa conversa, começamos a flertar com o tema literatura, o professor me perguntou algo sobre o escritor Walther Moreira Santos, sujeito &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/livro-o-metal-de-q-somos.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-71201 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/livro-o-metal-de-q-somos-229x300.png" alt="" width="229" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/livro-o-metal-de-q-somos-229x300.png 229w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/10/livro-o-metal-de-q-somos.png 518w" sizes="auto, (max-width: 229px) 100vw, 229px" /></a><span class="dropcap ">D</span>ia desses, fiz uma visita a um professor do curso de Psicologia da UFRPE/Campus Vitória de Santo Antão e quando, num rápido desenlace acerca do assunto principal de nossa conversa, começamos a flertar com o tema literatura, o professor me perguntou algo sobre o escritor Walther Moreira Santos, sujeito da referida localidade e que é hoje um daqueles nomes a serem guardados em nossa literatura dita contemporânea. Prontamente, disse que sim, que eu já ouvira falar nele e que, inclusive, <span class="sigijh_hlt">o Walther acabara de levar o IV Prêmio Pernambuco de Literatura, concurso que eu também havia participado e que eu terminara como um dos 14 finalistas dentre um total de 250 obras inscritas</span>. Todavia, parei por aí. Eu não havia lido absolutamente nada dele até então.</p>
<p>O simpático e antenado professor, sem titubear, destarte, foi até um dos cômodos de sua casa e me trouxe dois livros de autoria de Walther e me disse com uma voz vitoriosa: &#8211; Pronto, são seus agora. Leia-os! Fui para casa. Depois que me assentei da viagem e de um bom banho, fui fazer uma pesquisa acerca do autor em questão. Logo soube que de <span class="sigijh_hlt">sua lavra já são mais de duas dezenas de (bons) livros, entre eles UM CERTO RUMOR DE ASAS (2000), HELENA GOLD (2003), O CICLISTA (2008), DENTRO DA CHUVA AMARELA (2006) e O METAL DE QUE SOMOS FEITOS (2013<span class="sigijh_hlt"><span class="sigijh_hlt">)</span>, com o qual venceu o I Prêmio Pernambuco de Literatura</span></span>. Por falar em prêmios literários, o escritor tem disputado e vencido importantes premiações da área. O reconhecimento, ainda que mínimo, não demorou a surgir e fazer reluzir seu nome.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Pois bem, O METAL DE QUE SOMOS FEITOS, livro que motiva este meu curto resenhar, é um compêndio que agrega 12 contos e uma novela. O autor burila com um fenômeno-mor (A história) e tece uma fina cadeia entre os sentidos de sua ficção e os sentidos da realidade dos homens. Para isso, intercala doses estratégicas acerca das diversas formas de violência e suas simbologias. A Bíblia também é revisitada e uma espécie de arrebatação universal turva e por vezes abominável faz-se presente na quase totalidade do enredo dos contos da obra.</p>

			</div></div>
<p>A vida, enfim, é a ponte usada por Walther para alicerçar seus saltos e lampejos a cada frase construída. A vida amolada, desgastada, afiada, corrompida por seres humanos também amolados, desgastados, afiados até não poderem mais. Em cima desta ponte, bem no centro dela, está um grande bloco metálico que impede os transeuntes de passarem de um lado para outro. Há um discurso sobre liberdades e aprisionamentos. Há nos textos de O METAL DE QUE SOMOS FEITOS uma barreira e uma surpresa sempre vivas. Mas a surpresa, aqui, quase sempre não é transformada em um sinônimo para desfechos felizes.</p>
<p>Apesar de alguns naturais tropeços, o bordado de O METAL DE QUE SOMOS FEITOS evidencia uma escrita cujo alvo retira qualquer privilégio ligado a uma possível imanência estruturalista que se volte a alguma espécie de verborragia linguística infame e/ou até desnecessária. Em consonância para com o pensamento que o estudioso búlgaro Tzvetan Todorov avalia como positivo (vide A LITERATURA EM PERIGO), talvez o maior trunfo do livro de Walther seja mesmo o de se aproximar do mundo, do real, da vida, de uma maneira simples e direta. Sua verdade &#8211; a verdade do livro -, portanto, sofre bifurcações e não se aliena ao poder intrínseco do texto e somente ao texto. <span class="sigijh_hlt">O METAL DE QUE SOMOS FEITOS é um livro sobre nós com o mundo, sobre nós no mundo, sobre nós e sobre o mundo. Por isso, já vale a leitura.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-que-metal-somos-feitos%2F&amp;linkname=De%20que%20metal%20somos%20feitos%3F" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-que-metal-somos-feitos%2F&amp;linkname=De%20que%20metal%20somos%20feitos%3F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-que-metal-somos-feitos%2F&amp;linkname=De%20que%20metal%20somos%20feitos%3F" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-que-metal-somos-feitos%2F&amp;linkname=De%20que%20metal%20somos%20feitos%3F" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-que-metal-somos-feitos%2F&#038;title=De%20que%20metal%20somos%20feitos%3F" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/de-que-metal-somos-feitos/" data-a2a-title="De que metal somos feitos?"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/de-que-metal-somos-feitos/">De que metal somos feitos?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<item>
		<title>Os versos grávidos de Maíra Ferreira</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/os-versos-gravidos-de-maira-ferreira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Sep 2023 14:45:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[A Primeira Morte]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Maíra Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poetisa]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Germano Xavier(*) &#160; “os velhos que um dia seremos estão pedindo perdão” Excerto do poema face a face, de Maíra Ferreira &#160; Maíra Ferreira é o nome da poetisa que estreia sua inaugural fatalidade no mundo das palavras impressas. A PRIMEIRA MORTE é o nome do livro da poetisa e é também o nome do &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><strong>“os velhos que um dia</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>seremos estão pedindo</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>perdão”</strong></p>
<p style="text-align: right;">Excerto do poema <em><strong>face a face</strong></em>, de Maíra Ferreira</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-70435 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira-198x300.jpg 198w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira-675x1024.jpg 675w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira-768x1165.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira-1013x1536.jpg 1013w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira-1350x2048.jpg 1350w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2023/09/A-primeira-morte-livro-de-Maira-Ferreira.jpg 1688w" sizes="auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px" /></a>Maíra Ferreira é o nome da poetisa que estreia sua inaugural fatalidade no mundo das palavras impressas. A PRIMEIRA MORTE é o nome do livro da poetisa e é também o nome do poema que abre seu livro de poemas: “quando era criança tinha um medo/de borboletas como quem não suporta/tamanha delicadeza desde sempre”. Poema-fala de uma grandiosidade perigosa gerada a partir do que é sutil e mantido entre ternuras.</p>
<p>Figuras infantis brincando de ofuscar nossas fatigadas vistas são encontradas nas ladeiras que as estrofes não ousam subir nem descer, como em “entre os instantes e eu vejo pensando que é tudo/na verdade simples e o mundo é no fundo/isso mesmo só isso tudo isso”. Melhor deixar tudo intacto no meio do percurso. Esplendores alheios fazem o papel dos arruaceiros derrotadores de silêncios e iconoclastas.</p>
<p>Cantos de erros em datas importantes que maculam as imensidões, tal qual no trote “e logo é tarde e já se perdeu tudo/o que nunca se teve”. Parece poesia feita em rota marginal, apesar da nítida presença dos saberes universais de ordem. A veia de Maíra discute a pressa das horas sem construção, a vida gasta sem ter motivo real. E pede autorização para romper cada vez mais.</p>
<p>Poema lindo é “pequena princesa”, versos com sal. Referências depostas e provadas no abrir das rimas inexistentes, o livro de Maíra é um exemplo de paraíso caótico. Cada poema é uma viagem, cada um é uma chegada e cada qual uma partida. Somos atingidos. A poesia vence no final da escaramuça, eis a única certeza que o desavisado leitor tem logo no passeio das páginas primeiras.</p>
<p>A palavra como artefato. Arma para dizer, mesmo que nada se compreenda ou mesmo que nada sofra incorporações. A PRIMEIRA MORTE dá vida a uma voz nova que tem vez no singular mundinho das frases quebradas com sanha que todos os poetas inventam de inventar. Outra coisa: poesia que debocha e quem ri não é o leitor. O leitor antes sofre sabendo-se infame e partícipe de todas as peripécias devotadas. O leitor dessas primeiras mortes de Maíra é parte do cortejo. O funeral é de espantos.</p>
<p>Assim: “quando me perguntarem vou ser/completamente aberta/horrivelmente honesta/e por isso aviso/nenhuma verdade vai sair/de mim”. Maíra Ferreira, pois, é o nome da poesia que tem autoridade para ser inaugural, não decepcionar e, ainda mais, para ser horizonte no universo das palavras que mancham papéis de preto em tipos misturados. Falseia tudo cobrindo os equadores (centro) das coisas com o limão das bocas em ira. Palavras grávidas: logo nascerão outras de seu ventre. Favor, não duvidar. Favor, desejar.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O monstro-criança de Mário Rodrigues</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-monstro-crianca-de-mario-rodrigues/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jul 2023 19:30:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[“Receita para se fazer um monstro”]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[obra]]></category>
		<category><![CDATA[personagem]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Sesc de Literatura 2016]]></category>
		<category><![CDATA[sedução]]></category>
		<category><![CDATA[vencedor]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=68304</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Germano Viana Xavier (*) &#160; O livro “Receita para se fazer um monstro” foi o vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2016 na categoria Contos. O compêndio do escritor e professor garanhuense Mário Rodrigues decerto que mais lembra &#8211; ou se confunde com &#8211; um romance aos moldes de um folhetim, já que os &#8230;</p>
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<p>O livro “Receita para se fazer um monstro” foi o vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2016 na categoria Contos. O compêndio do escritor e professor garanhuense Mário Rodrigues decerto que mais lembra &#8211; ou se confunde com &#8211; um romance aos moldes de um folhetim, já que os textos estão dispostos como cápsulas em composição de um aglomerado narrativo por demais particular e que segue uma linha tênue acerca das peripécias de uma criança em formação e incrivelmente insólita. Porém, como sabemos, tais definições de gênero são bastante difíceis de serem construídas e taxá-lo &#8211; o livro &#8211; como sendo uma coletânea de contos não é deveras um equívoco.</p>
<p>O menino-monstro &#8211; ou com exagerado senso de humanidade -, personagem principal em todo o enredo, não tem nome e nem sente compaixão. A sua maldade, quase sempre crua e ao mesmo tempo ingênua em sua elaboração e posterior análise pré-consciência, é a marca-mor de seu caráter. Maldade que é ruindade mesmo, outros podem salientar. Ambientado no universo dos anos 80 do século XX e com referências diretas a tal época, o livro consegue transportar o leitor para dentro do corpo e da alma do protagonista, o que faz com que o interlocutor receba, também sem dó, uma enxurrada de golpes e de rasteiras morais, estéticas e éticas.</p>
<p>Em princípio, o conto pode bem servir para a distração e, também, para o ensino. Assim suspeitamos. Os contos sobre o “monstro-menino” fazem isso, divertem e ensinam. Muito bem elaborado, e com uma linguagem cruzada de informações que se trocam no presente-passado e no seu inverso, nada no livro parece ficar sufocado ou encoberto. A dimensão da escrita é a da realidade e não a da órbita do que não existe. Por isso mesmo, choca, desnuda em nós uma intempérie momentânea e no fim de tudo, obriga-nos a uma espécie de dissecação interior&#8230; afinal de contas, quem nunca cometeu uma perversidade na vida e, principalmente, no período da infância?</p>
<p>Após lida a metade da totalidade da obra, a sedução não sofre corte abrupto em sua essência e somos convidados a encerrar dignamente a leitura só depois da última linha escrita. Findada, pois, eis o milagre: o manto diáfano da fantasia em desabrochares de espanto e, também, de encantamento. Perguntamo-nos: Como pode? É mesmo possível uma criatura nesses moldes? E o escritor, de que maneira fora inspirado? Terá vivido tudo ou parte daquilo quando ainda infante?</p>
<p>Sedução por sedução, de nada valeria o esforço e a empreitada. O livro tem mais conquistas do que perdas. O que importa é o que resta, o que vale mesmo é o que o livro revela. E nesse quesito, não há dúvidas, “Receita para se fazer um monstro” cumpre bem o seu papel e mereceu o lugar de destaque que alcançou. Um livro que pode ser observado e lido a partir de inúmeros prismas, a começar pelo do nosso próprio umbigo ou pelo do nosso baú de memórias de maldade. Que tal o desafio? Vai encarar?</p>
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