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	<title>Arquivo para Domingo em Desbaste - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 15 Aug 2026 21:57:50 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A Loja está coberta? Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2026 09:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Clodomir Silva]]></category>
		<category><![CDATA[coberta]]></category>
		<category><![CDATA[Constâncio Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Jorge Gonçalves (*) M uitos dos procedimentos ritualísticos que praticamos hoje em Loja têm origem em antigas tradições do Ofício, preservadas ao longo dos séculos, mesmo quando as razões que motivaram sua adoção já não são plenamente compreendidas[1]. Isso fica evidente logo na abertura de nossos trabalhos. O primeiro dever de determinado oficial é &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477/">A Loja está coberta? Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&#038;title=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477/" data-a2a-title="A Loja está coberta? Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477"></a></p><div data-breakout="normal">
<p dir="auto" tabindex="-1">
<blockquote>
<p dir="auto" tabindex="-1">Por Jorge Gonçalves (*)</p>
</blockquote>
</div>
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<div id="viewer-iqyzk62" class="n58GL wgYGg _3ea47 EsZzH" dir="auto" tabindex="-1">
<span class="dropcap ">M</span> uitos dos procedimentos ritualísticos que praticamos hoje em Loja têm origem em antigas tradições do Ofício, preservadas ao longo dos séculos, mesmo quando as razões que motivaram sua adoção já não são plenamente compreendidas<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn1">[1]</a></span>. Isso fica evidente logo na abertura de nossos trabalhos. O primeiro dever de determinado oficial é garantir que o Templo esteja devidamente protegido (“coberto”) e, em seguida, assegurar-se de que todos os presentes são maçons<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn2">[2]</a></span>. Embora, em nossas reuniões habituais, todos se conheçam, essa exigência possui uma profunda raiz histórica.</p>
<p>Para compreendê-la, devemos voltar à Escócia do final do século XVI, mais especificamente aos Estatutos de William Schaw, de 1598. Esse documento, essencial para a organização do Ofício, estabelecia rigorosas proibições contra os chamados <em>cowans</em>. Não há pretensão de traduzir esse antigo termo para o português, preservando integralmente seu significado histórico. Naquele período operativo, o <em>cowan</em> era o trabalhador que exercia, ou pretendia exercer, o ofício de pedreiro sem ter passado pelo aprendizado regular ou sem pertencer à corporação do ofício. Em termos modernos, poderíamos compará-lo a alguém que tenta exercer uma profissão regulamentada, como a Medicina, sem diploma ou sem a devida habilitação legal. Os <em>Estatutos de Schaw</em> puniam não apenas os <em>cowans</em>, mas também os pedreiros que lhes oferecessem trabalho ou permitissem que seus aprendizes trabalhassem ao seu lado<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn3">[3]</a></span>.</p>
<figure id="attachment_100566" aria-describedby="caption-attachment-100566" style="width: 323px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira.avif"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-100566" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira-225x300.avif" alt="Contâncio Vieira" width="323" height="430" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira-225x300.avif 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira-768x1024.avif 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira.avif 960w" sizes="(max-width: 323px) 100vw, 323px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100566" class="wp-caption-text">Constâncio Vieira, foto restaurada por Jorge Gonçalves</figcaption></figure>
<p>Segundo o pesquisador Kennyo Ismail, o termo goteira consolidou-se, na Maçonaria brasileira, como equivalente de <em>cowan</em><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn4">[4]</a></span>. Em 1730, Samuel Prichard, em sua obra <em>Masonry Dissected</em>, escreveu: “Se um cowan (ou um ouvinte clandestino) for apanhado, como deverá ser punido?” E assim respondeu: “Deverá ser colocado sob o beiral de uma casa, em tempo chuvoso, até que a água escorra pelos ombros e saia pelos sapatos<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn5">[5]</a></span>.”</p>
<p>Não é por acaso que o oficial responsável por proteger o Templo recebe o nome de Cobridor, tradução do termo inglês <em>Tiler</em> (aquele que assenta telhas). Sua função consistia em “cobrir” a Loja, impedindo a entrada de intrusos ou de ouvintes clandestinos durante os trabalhos<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn6">[6]</a></span>.</p>
<p>A documentação histórica revela que o rigor na identificação dos visitantes jamais teve por finalidade afastar Irmãos. Ao contrário, sempre existiu para garantir um dos maiores privilégios da Maçonaria: o direito de intervisitação entre Lojas. Trata-se de um direito imemorial, espontâneo e universalmente reconhecido, razão pela qual, em minha compreensão, constitui um verdadeiro <em>Landmark</em>, um marco tradicional e inalterável da Maçonaria.</p>
<p>Inestimáveis Irmãos, com muita gratidão, jamais esqueceremos a generosidade.</p>
<p>É exatamente esse privilégio que celebramos hoje, ao retribuirmos a honrosa visita da ARLS Clodomir Silva nº 1477 à ARLS Constâncio Vieira nº 3300, por ocasião da palestra do Ir.&#8217;. Cledson Cardoso.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<p>____________________</p>
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<p><strong>Notas de rodapé das Referências Bibliográficas:</strong></p>
<p><a href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref1"><span style="color: #008000;">[1]</span></a> CARR, Harry. <strong><em>O Ofício do Maçom: o guia definitivo para o trabalho maçônico</em></strong>. São Paulo: Madras, 2012. p.48.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref2">[2]</a> </span>ANÔNIMO. <strong><em>Três Batidas Distintas (Three Distinct Knocks)</em></strong>. Londres: T. Hughes, 1760.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref3">[3]</a></span> ISMAIL, Kennyo. <strong><em>Breviário Maçônico do Século XXI</em></strong>. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref4">[4]</a></span> ISMAIL, Kennyo.<strong><em> Breviário Maçônico do Século XXI</em></strong>. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref5">[5]</a></span> PRICHARD, Samuel. <strong><em>Masonry Dissected</em></strong>. Londres: J. Wilford, 1730.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref6">[6]</a></span> ISMAIL, Kennyo. <strong><em>Breviário Maçônico do Século XXI</em></strong>. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
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		<title>Onde está seu irmão? Uma reflexão sobre fraternidade e responsabilidade moral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Andre Luiz Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 09:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Andre Luiz (*) &#160; A passagem bíblica de Caim e Abel, narrada em Gênesis, capítulo 4, está entre os relatos mais marcantes das Sagradas Escrituras. À primeira vista, parece apenas a história do primeiro homicídio da humanidade. Contudo, quando observada sob uma perspectiva filosófica e iniciática, revela uma profunda lição sobre a natureza &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Andre Luiz (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span> passagem bíblica de Caim e Abel, narrada em Gênesis, capítulo 4, está entre os relatos mais marcantes das Sagradas Escrituras. À primeira vista, parece apenas a história do primeiro homicídio da humanidade. Contudo, quando observada sob uma perspectiva filosófica e iniciática, revela uma profunda lição sobre a natureza humana, a responsabilidade moral e o verdadeiro significado da fraternidade.</p>
<h3>A vaidade, a inveja e o domínio das paixões</h3>
<p>Após oferecerem seus sacrifícios ao Grande Arquiteto do Universo, Abel teve sua oferta aceita, enquanto Caim viu a sua rejeitada. Em vez de examinar a si mesmo, reconhecer suas limitações e buscar o aperfeiçoamento, Caim permitiu que a vaidade ferida, a inveja e o orgulho dominassem seu coração.</p>
<blockquote><p>Antes mesmo do crime, Deus o advertiu:<br />
“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Mas, se não procederes bem, o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4:7).</p></blockquote>
<p>Essa advertência revela uma das maiores lições da tradição iniciática: o homem é sempre responsável pelo domínio de suas paixões. Não são os acontecimentos externos que determinam seu destino, mas a forma como ele governa seu mundo interior. O verdadeiro combate sempre ocorre dentro de nós, onde a razão deve prevalecer e a virtude precisa vencer o orgulho.</p>
<p>Todavia, Caim ignorou a voz da consciência. Levou seu irmão ao campo e ali o matou.</p>
<h3>“Onde está o teu irmão?”: o chamado à responsabilidade</h3>
<p>Então Deus lhe dirige uma pergunta que atravessa os séculos e continua ecoando na consciência da humanidade: “Onde está o teu irmão?”</p>
<p>À primeira vista, parece uma pergunta simples. Entretanto, Deus não buscava informação, pois conhecia os fatos. A pergunta era um convite ao reconhecimento da responsabilidade moral.</p>
<blockquote><p>A resposta de Caim evidencia o rompimento completo da fraternidade:<br />
“Não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?” (Gn 4:9)</p></blockquote>
<p>Essa talvez seja uma das frases mais trágicas já pronunciadas pelo homem. Ela representa a negação da responsabilidade pelo outro, o abandono da solidariedade e o triunfo do egoísmo.</p>
<p>Mas a pergunta divina vai muito além daquele momento da história. Ela não foi dirigida apenas a Caim; continua sendo dirigida a cada homem, em todos os tempos. Ela nos convida a uma reflexão profunda:</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>&#8211; Onde estou eu diante do meu irmão?<br />
&#8211; Tenho sido instrumento de união ou de divisão?<br />
&#8211; Tenho estendido a mão ou permanecido indiferente?<br />
&#8211; Tenho cultivado a humildade ou permitido que a vaidade dite as minhas ações?</p>

			</div></div>
<p>Essas perguntas revelam muito mais sobre o nosso caráter do que qualquer discurso que possamos fazer.</p>
<h3>Fraternidade na Maçonaria: o oposto de Caim</h3>
<p>Na Maçonaria, aprendemos exatamente o contrário da resposta dada por Caim. Desde nossos primeiros passos na Ordem, somos ensinados que nenhum homem se aperfeiçoa sozinho. Somos chamados Irmãos porque reconhecemos que caminhamos juntos na construção do Templo Interior e na edificação de uma sociedade mais justa.</p>
<p>A verdadeira fraternidade não consiste apenas em chamar alguém de Irmão, mas em agir como tal. Ser guardador de nosso irmão significa compartilhar suas alegrias, aliviar suas dificuldades, orientá-lo quando necessário e jamais permitir que o orgulho, a inveja ou a indiferença destruam os laços que unem os obreiros do mesmo templo.</p>
<p>Assim, quando Deus pergunta “Onde está o teu irmão?”, o Maçom também deve perguntar a si mesmo: “Quem sou eu diante do meu irmão?”. Está ele ao nosso lado, precisando de orientação? Está distante, aguardando uma palavra de incentivo? Está sofrendo em silêncio enquanto permanecemos indiferentes? Ou estará, muitas vezes, dentro de nós mesmos, representado pela parte da nossa consciência que abandonamos quando cedemos ao orgulho, à vaidade ou à indiferença?</p>
<h3>Quando o silêncio se torna cúmplice</h3>
<p>Infelizmente, em nossos dias ainda vemos cenas que lembram Caim e Abel dentro da própria Ordem. Vemos um Irmão “matando” outro com a calúnia, com a intriga, com a exclusão, com a vaidade que ergue muros onde deveriam existir pontes.</p>
<p>E o que fazemos? Muitas vezes nos acovardamos. Desviamos o olhar. Fingimos não ver. Dizemos para nós mesmos: “não é problema meu”, “não quero me envolver”, “deixa pra lá”.</p>
<p>Ao agir assim, repetimos a trágica resposta de Caim: “Sou eu o guardador do meu irmão?”.</p>
<p>Mas não podemos esquecer que a Maçonaria nos chama justamente para o contrário. Fomos iniciados não para sermos espectadores da injustiça, mas arautos da justiça e da verdade. Fomos chamados para ser a voz que impede a pedra de ser lançada, a mão que ergue quem caiu, a consciência que incomoda quando o silêncio se torna conivência.</p>
<p>Ser maçom é ter a coragem de interferir quando a fraternidade está em risco. É não aceitar que o orgulho de um destrua o trabalho de muitos. É lembrar que o Templo só se sustenta quando cada Pedra sustenta a outra.</p>
<p>O silêncio diante da injustiça é também uma forma de violência. E toda vez que nos calamos frente ao erro de um Irmão, permitimos que mais um “Abel” seja sacrificado no campo.</p>
<p>Que a pergunta “Onde está o teu irmão?” nos tire da zona de conforto. Que ela nos cobre ação, presença e coragem moral. Porque se não formos nós a defender a verdade e a fraternidade dentro da Ordem, quem será?</p>
<h3>Temor, justiça e retidão diante do Grande Arquiteto</h3>
<p>Acrescenta-se a essa reflexão o entendimento de que o homem, ao reconhecer a grandeza do Árbitro dos Mundos, é tomado pelo temor e respeito a Deus. Não se trata de um medo servil, mas de uma reverência que o coloca em seu devido lugar diante da Criação.</p>
<p>É esse temor que o conduz a andar na justiça e na retidão divina. Por reconhecer que existe uma lei maior que o governa, o homem busca agir com equidade, integridade e moral, pois sabe que suas ações estão sob o olhar do Grande Arquiteto do Universo.</p>
<p>Assim, a verdadeira fraternidade só se sustenta quando alicerçada nesse princípio: temer a Deus é, antes de tudo, respeitar o próximo. E respeitar o próximo é cumprir o dever de guardá-lo.</p>
<h3>A lição de Caim para os dias atuais</h3>
<p>A história de Caim demonstra que a vaidade é extremamente perigosa quando alimentada pelo orgulho. O problema não foi apenas a rejeição de sua oferta, mas sua incapacidade de aceitar que precisava melhorar. Enquanto Abel ofereceu o melhor de si, Caim preocupou-se mais consigo mesmo do que com o verdadeiro sentido da oferta.</p>
<p>Essa diferença permanece atual. Também hoje buscamos, muitas vezes, reconhecimento, cargos, honrarias ou elogios. Quando não os recebemos, surgem o ressentimento, a competição e a divisão.</p>
<p>No entanto, a verdadeira iniciação ensina exatamente o oposto: a grandeza do homem não está em ser superior ao seu irmão, mas em tornar-se superior ao homem que ele próprio foi ontem.</p>
<h3>Justiça, correção e transformação</h3>
<p>A justiça divina também se manifesta nesse relato. Depois do assassinato, Deus declara que o sangue de Abel clama desde a terra. A violência jamais permanece oculta. Toda ação produz consequências.</p>
<p>Contudo, mesmo diante da culpa de Caim, Deus não permite sua execução. Coloca sobre ele um sinal para que ninguém o matasse. Nesse gesto encontramos outra importante lição: a justiça divina não se confunde com vingança. Ela responsabiliza, corrige, mas preserva a possibilidade de transformação.</p>
<p>Esse princípio encontra profunda harmonia com os ideais maçônicos. A Maçonaria não busca condenar homens, mas transformá-los. Não combate pessoas; combate os vícios. Não destrói o homem imperfeito; procura lapidá-lo até que se torne uma Pedra Polida, útil à construção do Templo da Humanidade.</p>
<h3>Conclusão: um exame diário de consciência</h3>
<p>Assim, a pergunta “onde está o teu irmão?” deixa de ser apenas uma lembrança do passado e transforma-se em um exame diário de consciência.</p>
<p>Cada vez que ignoramos o sofrimento alheio, cada vez que permitimos que a inveja substitua a admiração, cada vez que a vaidade fala mais alto que a humildade, cada vez que julgamos antes de compreender, cada vez que preferimos competir quando deveríamos cooperar, a voz de Deus continua perguntando: “onde está o teu irmão?”.</p>
<p>Que jamais respondamos como Caim. Que possamos responder com nossas atitudes.<br />
Que nosso irmão esteja protegido por nossa lealdade. Fortalecido por nossa fraternidade. Inspirado por nosso exemplo. E acolhido por nossa justiça.</p>
<p>Porque, ao contrário do que afirmou Caim, somos, sim, guardadores de nossos irmãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Antes  que teus olhos contemplassem o mundo: um breve ensaio sobre o Batismo, o ofício do padrinho e uma carta a Celine</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 09:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[afilhada]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion Sobral (*) &#160; À minha afilhada Celine Querida Celi, &#160; Recebi anteontem, de teus pais, a notícia mais doce que poderia ter-me sido dada nos últimos tempos: serei teu padrinho de Batismo. Ainda ressoa em mim aquele instante, singelo, breve, despretensioso e, no entanto, repleto de emoção e imenso o bastante &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Hernan Centurion Sobral (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>À minha afilhada Celine</p>
<p>Querida Celi,</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">R</span>ecebi anteontem, de teus pais, a notícia mais doce que poderia ter-me sido dada nos últimos tempos: serei teu padrinho de Batismo. Ainda ressoa em mim aquele instante, singelo, breve, despretensioso e, no entanto, repleto de emoção e imenso o bastante para reorganizar, de uma só vez, toda a arquitetura interior de qualquer homem cristão.</p>
<p>Existem acontecimentos cuja verdadeira dimensão somente se revela quando contemplados à distância, pois, enquanto os vivemos “no automático”, parecem apenas mais um entre tantos episódios que compõem a nossa história. Contudo, ao analisarmos com atenção, descobrimos que jamais foram fatos isolados, senão desdobramentos de um projeto infinitamente maior que nós mesmos. A Providência possui beleza e sabedoria, uma vez que não costuma impor-se por intermédio do estardalhaço ou da algazarra dos grandes espetáculos. Ao contrário, prefere o silêncio e a discrição. Aproxima pessoas sem que compreendam a razão dos encontros; amadurece afetos antes mesmo que estes reconheçam a própria intimidade; entrelaça destinos aparentemente independentes e, somente depois de muitos anos, permite-nos perceber que, desde o princípio, nenhuma página daquela história esteve fora de Suas preciosas mãos.</p>
<p>Foi justamente essa convicção que inundou meu ser quando teus pais confiaram-me a sublime missão de ser teu padrinho. Confesso-te que não experimentei apenas a alegria natural de quem recebe um gesto de carinho e confiança. Houve, logo após, um silencioso recolhimento interior, semelhante àquele que experimentamos diante das realidades verdadeiramente sagradas. Há notícias que despertam entusiasmo; outras, entretanto, convidam-nos à contemplação, porque não pertencem apenas ao universo das decisões humanas, mas ao insondável mistério do propósito. Desde aquele instante, compreendi que não me era oferecida apenas uma honra; não obstante, era-me confiada uma responsabilidade que transcende o tempo, alcança a eternidade e somente encontra pleno sentido à luz da fé cristã.</p>
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<p>Sempre que costumeiramente faço quando volto ao meu “eu” e começo a escrever, procurei compreender a origem da palavra que me foi lançada. Vou agora ensinar-te tua primeira lição de Português: o termo <strong><b>padrinho</b></strong>, derivado do latim <em><i>patrinus</i></em>, pai espiritual, jamais designou simples figura meramente protocolar destinada a participar de mais uma celebração familiar. Desde os primórdios da Igreja, indicava aquele que, por intermédio do próprio testemunho, auxiliaria os pais na condução espiritual do filho, não lhe competindo substituir a autoridade paterna, porém partilhando com ela a mais elevada das responsabilidades da nossa existência, ou seja, recordar continuamente a uma alma recém-nascida que sua verdadeira morada jamais será encontrada apenas neste mundo em que ora eu e teus pais habitamos. Não por acaso, a tradição cristã sempre compreendeu que um padrinho não é escolhido para uma cerimônia, todavia é chamado para uma caminhada.</p>

			</div></div>
<p>Essa reflexão conduziu-me, inevitavelmente, ao memorável diálogo entre Cristo e Nicodemos em João 3: 4-8, quando Jesus afirma que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Este evangelho não descreve apenas um rito sacramental, todavia revela uma nova antropologia, isto é, até então, o homem antigo se definia por aquilo que recebia ou herdava de sua linhagem consanguínea, sem jamais escolher seu destino. O apóstolo amado narra que não basta nascer pela carne, é preciso renascer pelo Espírito, revelando, pois, que a identidade mais profunda do homem não repousa naquilo que sua origem lhe impôs, porém no que a graça lhe oferece livremente, tornando filho de Deus aquele que, até então, era apenas filho dos homens, ou seja, um oferece-nos a vida recebida de nossos pais e o outro comunica-nos aquela recebida do próprio Deus. A água que um dia pairou sob o Espírito na criação, que abriu caminho para Israel entre as muralhas do Mar Vermelho, que santificou as margens do Jordão ao tocar a humanidade do próprio Cristo, continua, ainda hoje, a escorrer silenciosamente sobre a fronte de cada criança, não como simples símbolo de purificação, mas sim como sinal visível de uma graça invisível. O Pai Celeste jamais espera o Batismo para amar alguém, uma vez que o Batismo apenas revela ao mundo um Amor que jamais conheceu o princípio.</p>
<p>E por falar de princípio, foi então que minha memória empoeirada regressou no tempo, para muitos anos atrás, quando conheci tua mãe vivenciando a infância que lhe iluminava o olhar e o futuro permanecia inteiramente aberto. Vi-a crescer, amadurecer, descobrir a vocação para a Medicina, construir uma família, fortalecer sua fé e tornar-se uma mulher tão admirável que hoje tenho a alegria de poder chamar de irmã caçula.</p>
<p>Também tua chegada me permitiu compreender, sob nova perspectiva, a amizade construída com teu pai. A Medicina e os projetos profissionais aproximaram-nos, o prazer em viajar fortaleceu nossa convivência e até mesmo nossa obstinada fidelidade ao Vasco da Gama — essa curiosa “escola de perseverança” que tantas vezes ensina mais sobre esperança do que propriamente sobre futebol — tornou a caminhada mais aprazível. Não obstante, olhando retrospectivamente, percebo que nenhuma dessas circunstâncias explica verdadeiramente nossa amizade, posto que eram somente fios de uma tapeçaria, cujo desenho Deus já contemplava muito antes de qualquer um de nós e que, discretamente, no centro dela, estavas tu.</p>
<p>Ainda não contemplamos teu sorriso, não ouvimos tua voz, desconhecemos o brilho dos teus olhos, entretanto tua existência já modificou aqueles que te cercam. Existe um paradoxo encantador nas crianças que repousam no ventre materno, pois, embora absolutamente dependentes, tornam-se capazes de transformar adultos experientes; mesmo ainda incapazes de pronunciar uma palavra, começam a ensiná-los; ainda que não caminhem, já conduzem famílias inteiras para mais perto de Deus. Talvez por isso Cristo tenha colocado uma criança diante de Seus discípulos, quando desejou revelar-lhes a verdadeira grandeza d’alma. Os pequenos infantes recordam aos grandes adultos aquilo que a vida, por vezes, insiste em fazê-los esquecer, ou seja, que toda existência é dom divino, toda esperança nasce da confiança Nele e somente os corações puros e mansos permanecem suficientemente livres para reconhecer Deus quando Ele passa.</p>
<p>Escrevo-te estas palavras sem conhecer a mulher em quem te tornarás. Ignoro quais serão teus sonhos, tuas alegrias, teus receios ou mesmo as cruzes que inevitavelmente visitarão tua jornada. A experiência da Medicina ensinou-me que nenhuma existência humana atravessa o tempo sem feridas; já a fé, contudo, revelou-me algo infinitamente mais consolador: que nenhuma ferida cicatriza e permanece estéril sem ser tratada pelas mãos de Deus. Por isso, não poderia esperar que o Senhor te preserve de todo sofrimento (seria desejar-te uma condição incompatível com a necessidade da natureza humana), mas suplico-Lhe que jamais permita que qualquer dor obscureça, em teu coração, a certeza de que és infinitamente amada. Se um dia essa convicção permanecer inabalável, descobrirás que todas as demais respostas encontrarão, cedo ou tarde, o seu devido sentido.</p>
<p>Talvez esperes, um dia, grandes ensinamentos daquele que hoje te escreve; quem sabe? Os meus 47 anos de vida convenceram-me de que os discursos mais eloquentes dificilmente transformam alguém, mas as atitudes e os exemplos, sim! Por essa razão, eu não consiguirei oferecer-te respostas para todas as perguntas que surgirão ao longo da tua existência, tampouco impedir que experimentes as inevitáveis vicissitudes da condição humana. Prometo permanecer ao teu lado enquanto Deus me conceder esse privilégio, rezar por ti quando já não souberes ou puderes rezar e recordar-te, sempre que necessário, que tua dignidade jamais dependerá daquilo que possuis, da profissão que exercerás ou do reconhecimento que receberes dos homens, não obstante, exclusivamente, do fato de seres filha Daquele que te pensou desde toda a eternidade.</p>
<p>Permite-me, por fim, uma última revelação. Durante muito tempo imaginei que padrinhos fossem escolhidos para conduzir seus afilhados ao encontro de Cristo. Creio que não seja tão bem assim. Quiçá seja Cristo quem coloque uma criança nos braços de um padrinho, para recordar-lhe o caminho de volta até Ele, visto que, enquanto imaginamos ensinar a fé aos pequenos, são eles que restauram, sem perceber, a pureza da nossa própria fé. Ao passo que acreditamos conduzi-los ao Céu, descobrimos que são eles que, silenciosamente, nos conduzem.</p>
<p>Assim, quando um dia a água do Batismo tocar tua fronte e teu nome ecoar pela primeira vez entre as paredes da Igreja, muitos acreditarão assistir, tão somente, ao início de tua vida cristã. Teu padrinho, entretanto, guardará outra certeza: que este sublime momento representará, também, uma revelação de que Deus já caminhava contigo há muito tempo e preparava tua família, teus afetos, teus encontros e até mesmo este velho padrinho – tão desejoso de ter sido pai biológico de uma menina e que hoje escreve estas linhas tortas – muito antes que qualquer um de nós pudesse imaginar tua existência. Se, muitos anos depois, esta carta sobreviver ao tempo e vier repousar novamente nas tuas mãos, desejo que conserves apenas uma única verdade: de que, bem antes que teus olhos contemplassem o mundo, Deus já contemplava teu futuro, muito antes que teu nome fosse pronunciado por teus pais, Ele já o conhecia desde toda a eternidade e, antes mesmo que eu compreendesse a grandeza da missão que me era confiada, o Senhor já escrevia, silenciosamente, esta história que agora apenas tenho o privilégio de narrar.</p>
<p>Destarte, finalizo com a esperança de que um dia possamos conversar ainda mais sobre estas histórias, já não como padrinho e afilhada, mas como dois amigos e peregrinos que, sustentados pela mesma graça recebida nas águas do Batismo, caminham confiantes em direção à Casa do Pai.</p>
<p>Com amor, de teu tio e dindo, Hernán</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Olha o tempo Zara!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/olha-o-tempo-zara/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Salvador do Nascimento Filho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 09:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[antologia]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
		<category><![CDATA[cultuado]]></category>
		<category><![CDATA[iorubá]]></category>
		<category><![CDATA[nação]]></category>
		<category><![CDATA[orixá]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poética]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Umbanda]]></category>
		<category><![CDATA[Zara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Salvador do Nascimento Filho (*) &#160; A introdução da música Tempo, de Caetano Veloso, cantada por Rita Beneditto, que esteve em Aracaju no mês de julho de 2026 participando do projeto Arrastafé, traz um trecho introdutório em ioruba que assim diz: “é, tempo, macura dilê. É, tempo, macura tata. É da muraxó, é &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Salvador do Nascimento Filho (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span> introdução da música Tempo, de Caetano Veloso, cantada por Rita Beneditto, que esteve em Aracaju no mês de julho de 2026 participando do projeto Arrastafé, traz um trecho introdutório em ioruba que assim diz:</p>
<blockquote><p><em>“é, tempo, macura dilê. É, tempo, macura tata. É da muraxó, é o macuriá”</em>.</p></blockquote>
<p>Trata-se da música Oração ao Tempo! Em uma das músicas cantadas por Marcelo D2, álbum Iboru, na canção “Pra curar a dor do mundo”, composta por Luiz Antônio, cita o trecho: macura dile.</p>
<p>Em meus estudos orientados por nosso Tata de Ioruba, essa frase prévia, introdutória, na música, remete ao Orixá Iroko, o mesmo que tem ligação direta com o tempo, sendo ele o próprio tempo. No Candomblé, Iroko (tempo) é um dos mais antigos orixás do panteão africano, corresponderia ao Nkisi Tempo, em Angola, chamado de Kitembo. Iroko foi a primeira árvore plantada que teve como função auxiliar diretamente a todos os Orixás para que descessem através dela, do orum (mundo espiritual) até a terra (àiyé); serviu de escada sagrada. Na nação Ketu, é cultuado como Iroko, e, na nação Jeje, é cultuado como Loko.</p>
<p>Na nação Angola ou Congo, é o Inquice Tempo. No ritual de bate-folha na Umbanda, que objetiva limpar os chakras, a aura, resultando em bem-estar, caminhos abertos, é um ritual de benzimento de proteção fortíssimo. Existe um momento em que, entrecruzando as folhas sagradas (ewé), canta-se:</p>
<blockquote><p>“O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira. Olha o Tempo Zará”.</p></blockquote>
<p>Zara Tempo é a saudação ao Orixá Tempo, ou seja, o tempo é a casa que cresce. Ninguém passa pelo orum, pela terra, atropelando o senhor tempo, ele existe na vida de todo ser vivente, da coletividade, de cada coisa, nele reside a dinâmica do fator cronológico: nascer, viver, morrer.</p>
<p>A vida é um longo processo de aprendizado e, nesse contexto, tive uma poesia classificada na Seleção de Poesia Brasileira, Poesia Livre 2025, Antologia Poética, edição 50, novos poetas, organizador Isaac Almeida Ramos, que reflete sobre o tempo:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;"><strong>Tempo</strong></p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de referenciar sua imponência,</p>
<p style="text-align: center;">mesmo diante de tanto contratempo.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de cantar meu canto, e num canto</p>
<p style="text-align: center;">no cantar dos meus lábios ouvindo o som da minha voz.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de refletir que mesmo o sol e dia, lua e noite,</p>
<p style="text-align: center;">também sabem de sua importância para o universo.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei no esquecimento os ciclos: nascer, crescer,morrer.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de refletir a palavra dita, o olhar cruzado com outro,</p>
<p style="text-align: center;">as bocas unidas, os rebentos que nascem, o aviso na porta,</p>
<p style="text-align: center;">a circunstância que surge e outra que se finda.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de defender sua importância ou sua frivolidade.</p>
<p style="text-align: center;">Alguns lhe aguardam sentados, outros trabalham aguardando você chegar.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de refletir que mesmo o relógio que marca a hora exata, atrasada ou adiantada,</p>
<p style="text-align: center;">é seu aliado, seus ponteiros indicam sua passagem pela vida.</p>
<p style="text-align: center;">Não esquecerei a tinta que não se apaga, do grafite que perde a cor,</p>
<p style="text-align: center;">dos diplomas pendurados e da constante Inteligência envelhecida.</p>
<p style="text-align: center;">Não deixarei de lhe perguntar o que é a vida ou o que é a morte,</p>
<p style="text-align: center;">e que não serão esquecidas as criaturas que o impressionaram,</p>
<p style="text-align: center;">quando seu valoroso momento chegou ao final: <em>ne varietur</em> no livro funeral.</p>
<p style="text-align: center;">Até você tem o seu, e até o seu fica em silêncio, esperando seu momento.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>TEMPO !</strong></p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A vitória invisível</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-vitoria-invisivel/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/a-vitoria-invisivel/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2026 09:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[bruta]]></category>
		<category><![CDATA[caminho]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[equilíbrio]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[fraterno]]></category>
		<category><![CDATA[Karatê]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[mãos]]></category>
		<category><![CDATA[pedra]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia]]></category>
		<category><![CDATA[vazias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Antônio Carlos Garcia (*) &#160; Há vitórias que fazem barulho. São comemoradas, fotografadas, publicadas e celebradas. Rendem medalhas, cargos, prestígio e reconhecimento. O mundo parece ter se acostumado a medir o valor das pessoas pelo número de conquistas que conseguem exibir. Mas existem vitórias que acontecem em absoluto silêncio. Ninguém as vê. Ninguém &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Antônio Carlos Garcia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p class="isSelectedEnd"><span class="dropcap ">H</span>á vitórias que fazem barulho. São comemoradas, fotografadas, publicadas e celebradas. Rendem medalhas, cargos, prestígio e reconhecimento. O mundo parece ter se acostumado a medir o valor das pessoas pelo número de conquistas que conseguem exibir.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas existem vitórias que acontecem em absoluto silêncio. Ninguém as vê. Ninguém as premia. Ainda assim, talvez sejam as únicas que realmente importem.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ao longo da história, diferentes tradições filosóficas buscaram compreender essa batalha invisível. Embora tenham surgido em culturas, épocas e contextos distintos, muitas chegaram à mesma conclusão: <strong>antes de conquistar qualquer espaço no mundo, o homem precisa aprender a governar a si mesmo</strong>.</p>
<p class="isSelectedEnd">Na <strong>Maçonaria</strong>, essa verdade é simbolizada pela pedra bruta. Cada iniciado é convidado a reconhecer que carrega imperfeições, paixões e limitações. O malho e o cinzel representam o trabalho paciente de retirar, pouco a pouco, aquilo que impede a construção de um caráter mais justo, equilibrado e fraterno. O verdadeiro desbaste não acontece sobre a pedra, mas sobre quem a segura.</p>
<p class="isSelectedEnd">No <strong>Karatê</strong>, a filosofia percorre caminho semelhante. A própria expressão <em>karatê-dō</em> significa &#8220;o caminho das mãos vazias&#8221;. O vazio, aqui, não se refere apenas à ausência de armas. É, sobretudo, um exercício permanente de esvaziamento do orgulho, da violência desnecessária e da ilusão de que a força física, por si só, torna alguém superior.</p>
<p class="isSelectedEnd"><div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p class="isSelectedEnd">Essa visão está sintetizada no <strong>Dōjō Kun</strong>, conjunto de princípios tradicionalmente recitado ao final de cada treinamento:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Hitotsu! Jinkaku Kansei ni Tsutomuru Koto</strong><br />
<em>Esforçar-se para a formação do caráter.</em></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Hitotsu! Makoto no Michi o Mamoru Koto</strong><br />
<em>Ser fiel ao caminho da verdade.</em></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Hitotsu! Doryoku no Seishin o Yashinau Koto</strong><br />
<em>Cultivar o espírito de perseverança.</em></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Hitotsu! Reigi o Omonzuru Koto</strong><br />
<em>Respeitar acima de tudo.</em></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Hitotsu! Kekki no Yū o Imashimuru Koto</strong><br />
<em>Conter o espírito de agressão.</em></p>
<p class="isSelectedEnd">Esses princípios ultrapassam o espaço do dojô. São um compromisso com a vida.</p>

			</div></div>
<figure id="attachment_100061" aria-describedby="caption-attachment-100061" style="width: 173px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/gichin-funakoshi.webp"><img decoding="async" class=" wp-image-100061" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/gichin-funakoshi-200x300.webp" alt="Gichin Funakoshi" width="173" height="260" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/gichin-funakoshi-200x300.webp 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/gichin-funakoshi.webp 400w" sizes="(max-width: 173px) 100vw, 173px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100061" class="wp-caption-text">Gichin Funakoshi</figcaption></figure>
<p class="isSelectedEnd">Foi Gichin Funakoshi (1868–1957), responsável por difundir o Karatê de Okinawa para o Japão continental e considerado o pai do Karatê moderno, quem resumiu essa filosofia em uma frase que atravessou gerações:</p>
<p class="isSelectedEnd"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p class="isSelectedEnd"><strong>「空手に先手なし」 — </strong><em><strong>Karate ni sente nashi</strong></em><strong>.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>&#8220;No Karatê não existe o primeiro ataque.&#8221;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">À primeira vista, trata-se de uma orientação para o combate. Na essência, porém, revela um compromisso ético. Quem domina a si mesmo não procura conflitos. A verdadeira força não sente necessidade de provar que existe.</p>

			</div></div>
<p class="isSelectedEnd">É nesse ponto que duas tradições tão distintas se encontram.</p>
<p class="isSelectedEnd">A Maçonaria trabalha sobre a pedra.</p>
<p class="isSelectedEnd">O Karatê trabalha sobre o ego.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ambos trabalham sobre o homem.</p>
<p class="isSelectedEnd">Não há qualquer intenção de aproximar doutrinas ou estabelecer equivalências. Cada uma possui sua história, seus símbolos e seus próprios caminhos. O paralelo aqui proposto nasce de uma percepção comum: <strong>nenhuma transformação duradoura começa fora de nós</strong>.</p>
<p class="isSelectedEnd">O adversário mais difícil não veste uniforme nem empunha armas. É o orgulho que impede reconhecer o erro; a ira que responde antes de ouvir; a inveja que transforma o sucesso alheio em sofrimento; a vaidade que exige aplausos; a intolerância que fecha as portas ao diálogo. Vencê-los exige uma coragem muito maior do que qualquer disputa exterior.</p>
<p class="isSelectedEnd">Talvez essa seja uma das grandes ilusões do nosso tempo. Mudam os cenários, mudam as formas de reconhecimento, mudam os símbolos do sucesso. Em todas as épocas, porém, permanece a mesma armadilha: confundir reconhecimento com valor.</p>
<p class="isSelectedEnd">A vaidade faz o homem procurar espelhos.</p>
<p class="isSelectedEnd">A sabedoria o faz procurar janelas.</p>
<p class="isSelectedEnd">O espelho devolve apenas a própria imagem; a janela permite enxergar um mundo maior do que nós mesmos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Essa percepção não pertence apenas à filosofia iniciática ou às artes marciais. Um dos mais antigos textos sapienciais da humanidade já advertia:</p>
<blockquote>
<p class="isSelectedEnd"><em>&#8220;Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso; e o que domina o seu espírito do que o que conquista uma cidade.&#8221;</em> (Provérbios 16:32)</p>
</blockquote>
<p class="isSelectedEnd">Muito antes de a psicologia explicar o autocontrole, a sabedoria bíblica já ensinava que conquistar uma cidade exige força; conquistar a si mesmo exige grandeza.</p>
<p class="isSelectedEnd">Acumulamos bens, títulos e prestígio, mas, muitas vezes, permanecemos prisioneiros da impaciência, do orgulho e da necessidade constante de aprovação. As conquistas exteriores impressionam os olhos. As interiores transformam a consciência.</p>
<p class="isSelectedEnd">A pedra jamais termina seu desbaste.</p>
<p class="isSelectedEnd">O espírito humano também não.</p>
<p class="isSelectedEnd">Todos os dias a vida nos oferece um novo golpe de cinzel, uma nova lição de disciplina, uma oportunidade de corrigir o rumo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Talvez a verdadeira sabedoria consista justamente em aceitar que essa obra nunca estará concluída.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque a única vitória que realmente permanece não é aquela conquistada sobre os outros.</p>
<p class="isSelectedEnd">É a que, silenciosamente, alcançamos sobre nós mesmos.</p>
<div contenteditable="false">
<hr />
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">ARISTÓTELES. <strong>Ética a Nicômaco</strong>. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>BÍBLIA SAGRADA</strong>. Livro dos Provérbios, capítulo 16, versículo 32.</p>
<p class="isSelectedEnd">CAMINO, Rizzardo da. <strong>A Maçonaria e sua Filosofia</strong>. São Paulo: Madras.</p>
<p class="isSelectedEnd">CAMINO, Rizzardo da. <strong>Os Símbolos Maçônicos</strong>. São Paulo: Madras.</p>
<p class="isSelectedEnd">FUNAKOSHI, Gichin. <strong>Karatê-Do: Meu Modo de Vida</strong>. São Paulo: Cultrix.</p>
<p>NAKAYAMA, Masatoshi. <strong>O Melhor do Karatê – Volume 1: Visão Geral</strong>. São Paulo: Cultrix.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Uma síntese sobre a história da Maçonaria no Brasil</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/uma-sintese-sobre-a-historia-da-maconaria-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rivaldo Frias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2026 09:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[fundação]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[padres]]></category>
		<category><![CDATA[Sintese]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rivaldo Frias dos Santos (*) &#160; Contar estórias nos faz sonhar, contudo, quando a história é verdadeira, ela merece ser lembrada por todos. E quando o assunto é a história da Maçonaria, fica mais interessante ainda, porque possibilita aos nossos amados irmãos neófitos a oportunidade de adquirirem conhecimentos e conceitos a respeito de &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Rivaldo Frias dos Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>ontar estórias nos faz sonhar, contudo, quando a história é verdadeira, ela merece ser lembrada por todos. E quando o assunto é a história da Maçonaria, fica mais interessante ainda, porque possibilita aos nossos amados irmãos neófitos a oportunidade de adquirirem conhecimentos e conceitos a respeito de nossa sublime ordem.</p>
<p>Este trabalho é fruto de uma minuciosa pesquisa efetuada no Grande Oriente do Brasil de São Paulo, e versa sobre a história da maçonaria no Brasil, sinônimo de sua força e resiliência que vem mantendo através de séculos suas posições e seus dogmas.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Embora a Maçonaria Brasileira tenha se iniciado em 1787, com a Loja Cavalheiros da Luz, criada na povoação da Bahia, em Salvador, Bahia, só em 1822, quando a campanha da Independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira obediência, com a jurisdição nacional, exatamente com a incumbência de levar a cabo o processo de emancipação do país. Em 1800/1801, maçons portugueses fundaram no Rio de Janeiro a Loja União, que mais tarde passou a denominar-se Reunião por terem a ela se filiado outros maçons.</p>

			</div></div>
<p>Como as Lojas Constância e Filantropia, filiou-se em 1800 ao Grande Oriente Lusitano. Separou-se, porém, por terem surgido discórdias e filiou-se ao Grande Oriente da França, adotando o rito Moderno. Em 1802 é instalada na Bahia a Loja Virtude e Razão, da qual saíram em 1807, a Loja Humanidade e, em 1813, a Loja União. Em 1807, a 03 de março, ressurge a Maçonaria no Brasil com a instalação da Loja Virtude e Razão Restaurada, na Bahia. Em 1809, D. João, príncipe regente, ao receber uma longa lista de nomes de maçons, para serem presos, respondeu nesses termos: “Foram estes que me salvaram”.</p>
<p>Em 1809 funda-se uma Loja da qual fizeram parte os padres Miguel Joaquim de Almeida e Castro, João Ribeiro Peixoto e Luiz José Cavalcante Lins. Esta Loja teve intuitos puramente políticos e os padres que faziam parte do seu quadro tinham sido iniciados em Lisboa em 1807. Em 1812 funda-se, na freguesia de São Gonçalo, Niterói, a Loja Distintiva. Essa Loja tinha sinais, toques e palavras diferentes das outras, tendo por emblema um índio vendado, manietado de grilhões e um gênio em ação de o desvendar e desagrilhoar. Era a era republicana e revolucionária. Denunciada, foi dissolvida, sendo lançados ao mar, nas alturas da ilha dos Ratos, seus arquivos e alfaias.</p>
<p>Em 1813, na Bahia, é fundado o primeiro Grande Oriente com as Lojas Virtude e Razão, Humanidade e União, que adormeceu devido à desastrosa revolução de 1817. Em 1815, a 12 de dezembro, na residência do Dr. João José Vahia, é instalada  a Loja Comércio e Artes, que logo depois adormeceu.  Existia no Recife, em 1816, uma Grande Loja Provincial reunindo as Lojas Pernambucanas do Oriente Pernambuco do Ocidente, Restauração e Patriotismo e Guatimozim.</p>
<p>No ano de 1821 começara com D. João VI como príncipe  de 1807. O Grande Oriente Lusitano levara-o, quinze anos antes, a transferir a sede do governo monárquico da Nação Portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. Decorrido três lustros, esse mesmo Grande Oriente obrigá-lo-ia a transferir a sede do seu governo do Rio de Janeiro para Lisboa.</p>
<p>Em 1822, a 10 de março, por proposta de Domingos Alves Branco, a Loja Comércio e Artes confere ao príncipe D. Pedro o título de &#8220;Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil”. A 26 de maio, José Bonifácio é iniciado na Maçonaria. A 21 de maio, em plena sessão das Cortes, em Lisboa, o <strong>maçom Monsenhor</strong> diz que, talvez dos brasileiros se vissem obrigados  a declarar sua independência de uma vez. A 2 de junho, José Bonifácio, com outros maçons, funda a sociedade secreta Nobre Ordem dos Cavalheiros  de Santa  Cruz, mais conhecida com o nome de “Apostolado”, da qual fez parte D. Pedro, com o título de Arconte – Rei.</p>
<p>A 5 de agosto, com a dispensa do interstício, D. Pedro é exaltado ao grau de Mestre . A 14 de setembro, D. Pedro é investido no cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. A 4 de outubro, D. Pedro oferece a Gonçalves Ledo o título de Marquês da Praia Grande que é por este recusado, com a declaração de ser muito mais honroso o de brasileiro patriota e de homem de bem. A 21 de outubro, D. Pedro, Grão-Mestre, manda a Gonçalves Ledo que suspenda os trabalhos no Grande Oriente. A 25, em decreto, D. Pedro determina o encerramento das atividades maçônicas. Diversos maçons são presos. Ledo consegue fugir para a Argentina.</p>
<p>Em 1823, a 25 de março, o Apostolado aprova o projeto da Constituição Brasileira. A 23 de julho, o Apostolado é violentamente fechado. A 20 de outubro, D. Pedro  proíbe as sociedades secretas do Brasil, sob pena  de morte ou de exílio. A 13 de janeiro de 1825, o maçom frei Joaquim do Amor Divino Caneca é fuzilado no Recife. A 23 de novembro de 1831, o Grande Oriente do Brasil restabelece suas atividades, adormecidas desde 1822, sendo reeleito José Bonifácio de Andrade e Silva para o cargo de Grão-Mestre.</p>
<p>Nesta oportunidade é lançado um manifesto a todos os corpos Maçônicos Regulares do Mundo contendo subsídios da extraordinária importância  para a História do Brasil. Instala-se, a 12 de novembro, o Supremo Conselho  do Rito Escocês para o Brasil, sendo seu primeiro Grande Comendador, Francisco Ge Acayaba de Montezuma; Visconde de Jequitinhonha.</p>
<p>No surgimento da Maçonaria em 1832, no Rio de Janeiro, existiam dois Grandes Orientes do Brasil, presididos por José Bonifácio que teve sede na atual rua Frei Caneca, é o Grande Oriente  Nacional Brasileiro, presidido por Britto Sanches, à Rua dos Passos. Em uma cisão havida neste último, surge outra Potência, tendo como Grão-Mestre o Marechal Duque de Caxias.</p>
<p>O antagonismo e a animosidade que dividiam os grupos maçônicos levaram este Grande Oriente a bater colunas, depois de ser despejado por dificuldades financeiras. Sem dúvida o Duque de Caxias, entre os maçons da época, teve seu destaque por seu espírito de cooperação e fraternidade.</p>
<p>Hoje quando completa 204 anos de sua fundação e de sua história em 17 de junho de 2026, o GOB atravessa mais de dois séculos como uma das colunas vivas da Maçonaria Brasileira, testemunhando ações de gerações e tradição, indiscutivelmente contribuindo para a construção moral do nosso país. Esperamos que o protagonismo e a animosidade existentes em alguns momentos que dividiam grupos maçônicos, em detrimento do poder <strong>“Conforme conta a própria história”,</strong> não mais possam fazer parte dessa nobre e secular instituição e que os maçons brasileiros possam doravante viver ainda muitos e muitos séculos em paz e harmonia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>Grande Oriente de São Paulo;</p>
<p>http//www.lojas maçônicas.com.br – Editora Gazeta Maçônica – S. Paulo 1991;</p>
<p>Origens Históricas e Místicas dos Templos Maçônicos – Ed. Gazeta maçônica, S. Paulo 1991.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>O Principado do Vazio</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-principado-do-vazio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tacio Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2026 09:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[ameaça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Tácio Brito (*) &#160; Há uma parcela da minha vida, uma parcela importante dela, à qual me dediquei a projetos diversos. Sendo uma pessoa de interesses multíplices sempre empenhei minha energia em tornar verdadeiras minhas aspirações de mundo. Entretanto, como tudo no mundo, invariavelmente nos encontramos com pessoas que, embebidas da vaidade e &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Tácio Brito (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á uma parcela da minha vida, uma parcela importante dela, à qual me dediquei a projetos diversos. Sendo uma pessoa de interesses multíplices sempre empenhei minha energia em tornar verdadeiras minhas aspirações de mundo. Entretanto, como tudo no mundo, invariavelmente nos encontramos com pessoas que, embebidas da vaidade e da bajulação, se interpõem contra os criadores e frutificadores, a estes dedico este texto, uma exploração da natureza da vaidade humana e sua consequente solidão.</p>
<p id="cdc9" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg ana" data-selectable-paragraph="">Existe uma fome na alma humana, um pavor primordial que sussurra em nossos momentos de silêncio: o medo de sermos, em última análise, <strong class="xb mp"><em class="xx">insignificantes</em></strong>. No grande vácuo que se estende entre o nascimento e a morte, somos confrontados com a tarefa titânica de construir um significado, de tecer uma narrativa que justifique nossa breve e quase imperceptível passagem pela existência no teatro do universo. Este é o trabalho mais árduo, a verdadeira <strong class="xb mp"><em class="xx">poiesis</em></strong> da vida.</p>
<p id="b751" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">E muitos de nós, aterrorizados pela magnitude desta tela em branco que se ergue diante de nossos olhos, fogem.</p>
<p id="2689" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Fogem em vez de se engajarem na difícil alquimia de forjar um valor interno. É o processo que exige vulnerabilidade, fracasso e a aceitação da própria imperfeição. Se voltam para uma miragem que, à primeira vista, é mais fácil e sedutora: <strong class="xb mp"><em class="xx">a vaidade</em></strong>. E junto dela, como um encosto, a busca incessante pelo <strong class="xb mp"><em class="xx">micropoder</em></strong>.</p>
<blockquote class="yo yp yq">
<p id="6462" class="wz xa xx xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">“Vanitas vanitatum, dixit Ecclesiastes, vanitas vanitatum, omnia vanitas”. Eclesiastes 1:2</p>
</blockquote>
<p id="8c17" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">É um fenômeno que observamos em toda parte, a metástase silenciosa que adoece nossas organizações, nossas comunidades, nossas empresas. Pessoas que, movidas por uma insegurança profunda ou por um vazio existencial que não ousam nomear, se embebem na vaidade dos títulos, das medalhas, dos &#8220;penduricalhos&#8221;. Elas não buscam a substância; buscam os símbolos. E para dar a esses símbolos um peso que eles não possuem, elas constroem para si um reino.</p>
<p id="0c7a" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph=""><strong class="xb mp"><em class="xx">É o Principado do Vazio.</em></strong></p>
<p id="bd82" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">O monarca deste principado não governa um território vasto, mas um feudo minúsculo: a comissão de um projeto, a moderação de um grupo online, a gerência de um pequeno departamento, a presidência de uma instituição&#8230; Sua coroa não é de ouro, mas de papel timbrado. Seu cetro é o título pomposo, o jargão corporativo, a regra obscura do manual que só ele conhece. Seu poder não reside em criar, em inspirar ou em facilitar, mas em regular, em limitar, em controlar. Ele é o carcereiro do portão, e sua maior alegria é a de poder dizer <strong class="xb mp"><em class="xx">&#8220;não&#8221;</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_99673" aria-describedby="caption-attachment-99673" style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/luis-xiv.webp"><img decoding="async" class="wp-image-99673 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/luis-xiv.webp" alt="Retrato de Luis XIV da França de Hyacinthe Rigaud" width="720" height="1004" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/luis-xiv.webp 720w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/luis-xiv-215x300.webp 215w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99673" class="wp-caption-text">Retrato de Luis XIV da França de Hyacinthe Rigaud</figcaption></figure>
<p id="17b7" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Ele se veste com o uniforme da importância, uma indumentária pesada, não com as insígnias de batalhas vencidas, mas com as medalhas de reuniões comparecidas, de e-mails respondidos com cópia para a diretoria, de procedimentos zelosamente aplicados, de papéis com sua assinatura. Cada &#8220;penduricalho&#8221; é um testemunho não de sua contribuição valiosa, mas de sua presença passiva, de sua antiguidade, de sua maestria sobre a burocracia.</p>
<blockquote class="yo yp yq">
<p id="a0b3" class="wz xa xx xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">“O desejo de estar no Círculo Íntimo lubrifica todo o mecanismo do mundo. (…) Enquanto você não fizer parte dele, desejará entrar. Mas uma vez que você entre, descobrirá que há um círculo ainda mais íntimo, mais secreto, mais autêntico. Você passará a vida toda se esforçando para entrar, descobrindo que cada novo círculo é apenas uma casca vazia, e você morrerá de sede no limiar da fonte que acreditava estar lá dentro.” C.S. Lewis em seu livro <strong class="xb mp">“O Peso da Glória”</strong></p>
</blockquote>
<p id="b899" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">E é aqui que a tragédia dessa dança se desvela. As organizações e comunidades não são máquinas; <strong class="xb mp"><em class="xx">são ecossistemas vivos</em></strong>. Elas precisam de jardineiros: pessoas apaixonadas, criativas, que desejam plantar, cultivar, ver as coisas florescerem. Mas o monarca do Principado do Vazio, do alto de sua arrogância e inveja da vitalidade do outro, não é um jardineiro. Ele é um carcereiro, um vigia como o da <em class="xx">Torre</em>. E ele vê cada nova semente, cada ideia que não partiu dele, não como uma promessa de vida, mas como <strong class="xb mp"><em class="xx">uma ameaça</em></strong> à sua torpe e tola soberania.</p>
<p id="4e76" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xe xf xg xi xj xk xm xn xo xq xr xs xu xv ph xw jx bg" data-selectable-paragraph="">O jardineiro chega com as mãos cheias de terra e entusiasmo, e se depara com o carcereiro, que lhe exige o preenchimento de um formulário em três vias para o uso do regador. O inovador propõe um novo caminho, e o ímpio o informa de que o comitê para a avaliação de novos caminhos só se reúne na terceira quinta-feira de meses ímpares. A pessoa de talento, que busca realizar, se vê enredada em uma teia de micro-agressões, de informações sonegadas, de aprovações adiadas, tudo orquestrado para reafirmar quem detém o controle do portão.</p>
<p id="3e94" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">E então, as boas pessoas <strong class="xb mp"><em class="xx">partem</em></strong>. Não com um estrondo, mas com um suspiro de exaustão. Os jardineiros não lutam contra os carcereiros; eles <strong class="xb mp"><em class="xx">simplesmente procuram um solo mais fértil</em></strong>. E o que resta no Principado do Vazio é um silêncio cadavérico da vaidade, asséptico, sem vida. A organização, antes um ecossistema vibrante, se transforma em um mausoléu de procedimentos. O monarca, enfim, venceu. Ele expurgou todos os que desafiavam sua ilusória autoridade, todos os que ousavam criar sem sua permissão. Ele agora reina, absoluto e inconteste, sobre um reino de ecos.</p>
<p id="a049" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">E esta é, senão a mais dura ironia. Na sua busca desesperada por se sentir importante, o monarca do micropoder se esvazia de toda a importância real. Ele sacrifica a vitalidade do todo pela validação de sua máscara. E no final, ele se senta em seu trono, em uma sala perfeitamente ordenada e absolutamente morta, polindo seus títulos, ajustando seus penduricalhos, o soberano inconteste de um reino que já não tem mais súditos. Apenas a sua própria e retumbante<strong class="xb mp"> <em class="xx">insignificância</em></strong>.</p>
<p id="4853" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Mas a história não precisa terminar com o triunfo do vazio, nem com a partida silenciosa de todos os jardineiros. A <strong class="xb mp"><em class="xx">Narrativa Simpoiética</em></strong> nos ensina que, mesmo no coração da burocracia, a capacidade de forjar significado e de escolher o que realmente vale a pena reside em cada um de nós.</p>
<p id="a3cb" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">O verdadeiro valor não está nos títulos que ostentamos, mas nas conexões que cultivamos. Não está nas medalhas, mas nas sementes que plantamos. O que realmente importa é a<em class="xx"> </em><strong class="xb mp"><em class="xx">Confluência Narrativa</em></strong>: a capacidade de entrelaçar a nossa história com a de outros, criando algo maior, mais resiliente, mais belo.</p>
<p id="b96d" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Diante de um solo infértil, governado por um Principado do Vazio, a escolha que se apresenta é profundamente pessoal, e depende inteiramente dos valores que você carrega em si, do que considera genuinamente valioso.</p>
<figure id="attachment_99678" aria-describedby="caption-attachment-99678" style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/semeador-de-Arles-1.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99678 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/semeador-de-Arles-1.webp" alt="“Semeador em Arles” de Vincent van Gogh" width="720" height="569" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/semeador-de-Arles-1.webp 720w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/semeador-de-Arles-1-300x237.webp 300w" sizes="auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99678" class="wp-caption-text">“Semeador em Arles” de Vincent van Gogh</figcaption></figure>
<div class="yr kt ys ph v j gg">
<div class="yt yu yv yw yx e fa">
<p id="98d2" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Pois há aqueles cuja integridade se manifesta na resiliência do reformador. São os que, com uma paciência louvável, decidem ficar e adubar o solo árido, acreditando que mesmo a terra mais dura pode ser amaciada. Eles são a prova de que a mudança, por vezes, nasce da persistência teimosa, da pequena flor que insiste em brotar no concreto.</p>
<p id="1e18" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Mas há também aqueles cuja integridade não permite que se demorem em um ambiente que lhes é hostil ou que os põe em crise constante. São os pioneiros, os que entendem que sua energia mais preciosa deve ser investida não em lutar contra a seca, mas em encontrar um novo campo para cultivar. A escolha de buscar solos mais férteis não é um ato de desistência, mas um ato de sabedoria, é o reconhecimento de que seu propósito é frutificar.</p>
<figure id="attachment_99680" aria-describedby="caption-attachment-99680" style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/campo-de-trigo.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99680 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/campo-de-trigo.webp" alt="“Campo de Trigo Verde com Ciprestes” de Vincent van Gogh" width="720" height="591" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/campo-de-trigo.webp 720w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/campo-de-trigo-300x246.webp 300w" sizes="auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99680" class="wp-caption-text">“Campo de Trigo Verde com Ciprestes” de Vincent van Gogh</figcaption></figure>
<p id="1f2d" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">Ambos os caminhos são válidos. <strong class="xb mp"><em class="xx">Ambos contribuem para o florescer do mundo</em></strong>. A escolha entre ser o que restaura o velho jardim ou o que funda o novo depende de uma única coisa: a honestidade com o seu próprio <em class="xx">Codex Vitae</em>.</p>
<p id="05e6" class="pw-post-body-paragraph wz xa sk xb b xc xd xe xf xg xh xi xj xk xl xm xn xo xp xq xr xs xt xu xv xw jx bg" data-selectable-paragraph="">A resposta para o vazio não está em preenchê-lo com símbolos, mas em nutri-lo com substância. E a forma como escolhemos fazer isso — seja transformando o deserto em um oásis ou levando nossas sementes para um vale desconhecido — é o que define a verdadeira riqueza de nossa jornada.</p>
<p data-selectable-paragraph="">
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		<title>Solstício, os dois São Joões e a vitória da Luz</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/solsticio-os-dois-sao-jooes-e-a-vitoria-da-luz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 09:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion (*) &#160; Todos os anos, quando o mês de junho se aproxima do fim, a natureza parece convidar-nos, discretamente, à contemplação e a tradição cultural aos festejos juninos. Enquanto seguimos absorvidos pelas exigências da rotina, um fenômeno extraordinário acontece sobre nossas cabeças, repetindo-se com absoluta precisão desde que Deus ordenou o &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Hernan Centurion (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">T</span>odos os anos, quando o mês de junho se aproxima do fim, a natureza parece convidar-nos, discretamente, à contemplação e a tradição cultural aos festejos juninos. Enquanto seguimos absorvidos pelas exigências da rotina, um fenômeno extraordinário acontece sobre nossas cabeças, repetindo-se com absoluta precisão desde que Deus ordenou o universo, <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://brasilescola.uol.com.br/geografia/solsticio-de-inverno.htm" target="_blank" rel="noopener">o solstício</a></span>. Poucos o percebem, menos ainda refletem sobre ele, entretanto, quanto mais procuro compreender seus significados, mais me convenço de que a criação também é uma forma de revelação.</p>
<p>Na astronomia, o solstício corresponde ao momento em que o sol atinge sua maior declinação em relação à linha imaginária do Equador. A própria origem da palavra, derivada do latim <em><i>sol sistere</i></em>, “sol imóvel”, faz referência à impressão de que o astro interrompe, por um breve instante, seu deslocamento aparente antes de iniciar lentamente o caminho inverso. Esse movimento acontece duas vezes por ano, em junho e dezembro, marcando o início do inverno e do verão em cada hemisfério e compondo, juntamente com os equinócios, o admirável ciclo das estações. Hoje sabemos que essa alternância decorre da inclinação do eixo terrestre durante sua órbita ao redor do sol, e não da distância entre ambos, como outrora se imaginava. Ainda assim, muito antes de a ciência oferecer essa explicação, o homem já intuía que ali existia uma linguagem que se reporta à espiritualidade.</p>
<p>No Hemisfério Sul, o solstício de junho inaugura o inverno e assinala a noite mais longa do ano. Poderíamos imaginar que as trevas finalmente triunfaram. O curioso, porém, é que ocorre exatamente o contrário. É justamente a partir desse instante que a luz inicia sua lenta reconquista. Os dias começam a crescer quase imperceptivelmente, alguns segundos de cada vez, num movimento tão discreto que somente o tempo é capaz de revelar sua grandeza. A criação parece recordar-nos que Deus raramente age com estrondo. Quase sempre prefere a delicadeza do silêncio. A esperança costuma nascer quando ainda acreditamos estar cercados pela escuridão.</p>
<p>Talvez por isso praticamente todas as grandes civilizações da Antiguidade tenham celebrado o solstício como um acontecimento sagrado. Persas, egípcios, gregos e romanos enxergavam naquele renascimento da luz um símbolo da vitória da vida sobre a morte, da ordem sobre o caos e da esperança sobre o desalento. Mitra, venerado pelos persas, e posteriormente o <em><i>Sol Invictus</i></em> romano, representavam justamente esse sol que jamais se deixava vencer pelas trevas. Ainda que desconhecessem as explicações astronômicas, percebiam, intuitivamente, que o universo obedecia a uma ordem muito superior à simples sucessão dos dias.</p>
<p>Quando o <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo" target="_blank" rel="noopener">Cristianismo</a></span> se difundiu pelo mundo antigo, não rejeitou esse simbolismo, contudo, conferiu-lhe plenitude. A luz que retornava a cada inverno deixava de representar apenas um ciclo da natureza para anunciar Aquele que o Evangelho proclamaria como “a verdadeira Luz que ilumina todo homem” (João 1:9). Afinal, o Deus que estabeleceu o movimento dos astros é o mesmo que conduz, com igual perfeição, a história da salvação da humanidade.</p>
<p>Não considero mera coincidência, portanto, que as celebrações dos dois São Joões estejam tão próximas dos solstícios. Existe, a meu ver, uma admirável harmonia entre o ritmo da natureza e o calendário litúrgico da Igreja, como se ambos narrassem, sob perspectivas diferentes, a mesma história da relação entre Deus e o ser humano.</p>
<figure id="attachment_99537" aria-describedby="caption-attachment-99537" style="width: 1402px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99537 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista.png" alt="São João Batista e São João Evangelista" width="1402" height="1122" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista.png 1402w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista-300x240.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista-1024x819.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/sao-joao-batista-e-joao-evangelista-768x615.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1402px) 100vw, 1402px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99537" class="wp-caption-text">São João Batista e São João Evangelista</figcaption></figure>
<p>São João Batista ocupa um lugar absolutamente singular nesse enredo. Filho de Zacarias e Isabel, santificado ainda no ventre materno ao estremecer diante da presença do Menino Jesus trazido no ventre por Maria, ele encerra o tempo dos profetas e abre as portas da Nova Aliança. Sua vida inteira resume-se numa única missão: preparar os caminhos, vivendo no deserto, desapega-se do supérfluo, conclama os homens à conversão e batiza nas águas do Jordão como sinal de purificação interior. Entretanto, sua maior grandeza talvez esteja justamente no fato de jamais desejar ocupar o lugar daquele que anunciava. Ao reconhecer Jesus, aponta para Ele e pronuncia uma das mais belas profissões de humildade de toda a Escritura: “Convém que Ele cresça e eu diminua.”</p>
<p>Há uma delicada sintonia entre essa passagem e o próprio solstício. Enquanto os dias começam lentamente a crescer, João compreende que sua missão se aproxima do fim. Assim como a noite cede lugar à luz, o precursor retira-se para que Cristo apareça. Não há tristeza nesse aparente desaparecimento, mas sim plenitude, pois João ensina que toda verdadeira vocação alcança seu ápice quando deixa de conduzir os homens para si e passa a conduzi-los para Deus.</p>
<p>Já São João Evangelista, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago Maior, representa o movimento complementar. Se Batista prepara o encontro, Evangelista ensina a permanecer nele. É o discípulo amado, aquele que reclina a cabeça sobre o peito de Jesus durante a Última Ceia, permanece firme aos pés da Cruz quando quase todos fogem e recebe do próprio Mestre a missão de acolher Maria como mãe. Seu Evangelho distingue-se dos demais porque não começa pela história, mas pela eternidade: <strong><b>“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”</b></strong> Antes do nascimento em Belém, antes de Abraão, antes da própria criação, João contempla o Cristo eterno. Se Batista aponta para a Luz, Evangelista revela quem é essa Luz.</p>
<p>Talvez por isso a tradição maçônica tenha acolhido ambos como patronos simbólicos de suas lojas. Herdando das antigas corporações de ofício a celebração dos solstícios, encontrou nos dois São Joões uma extraordinária síntese da caminhada iniciática. Primeiro é necessário preparar o coração, vencer as paixões, reconhecer as próprias limitações e permitir que o orgulho diminua, como ensina João Batista. Em seguida, torna-se indispensável permanecer junto à Verdadeira Luz, aprofundando a sabedoria, fortalecendo a fraternidade e aprendendo a contemplar, como descreve João Evangelista. Neste sentido toda verdadeira iniciação deve percorrer esse mesmo itinerário.</p>
<p>Enquanto escrevia estas linhas, ocorreu-me que todos nós experimentamos sucessivos solstícios ao longo da vida. Existem períodos em que a alma atravessa seus próprios invernos, marcados pelas perdas, pelas enfermidades, pelas dúvidas, pelas decepções e pelos inevitáveis desertos da existência. Nessas ocasiões, somos levados a acreditar que a noite será permanente e fria. Entretanto, basta voltarmos os olhos para a própria criação para, então, compreendermos que Deus nunca interrompe Seus ciclos, ainda que quase imperceptivelmente, a luz continua crescendo.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Destarte seja essa a maior catequese que o céu nos oferece a cada mês de junho, posto que o fenômeno do solstício deixa de ser apenas um evento astronômico para tornar-se um permanente convite à esperança. Ensina-nos que nenhum inverno é eterno, que nenhuma sombra consegue aprisionar definitivamente o amanhecer e que a graça de Deus costuma agir exatamente como a luz após a noite mais longa: silenciosamente, sem precipitação, porém de maneira irresistível.</p>

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<p>Auguro que a claridade, a partir deste dia, volte lentamente a expandir-se sobre a Terra e encontre também espaço em nosso templo interior, dissipando a ignorância pela ação da sabedoria, a intolerância pela caridade e fraternidade, a inquietação pela confiança e o orgulho pela humildade e perdão. Inspirados por São João Batista, aprendamos a diminuir para que Cristo cresça em nós; inspirados por São João Evangelista, permaneçamos juntos à Verdadeira Luz até que ela ilumine plenamente nossa mente e nosso coração.</p>
<p>Porque, ao final de tudo, talvez o mais importante dos solstícios não aconteça no firmamento, mas no instante em que Deus, discretamente, faz nascer um novo amanhecer dentro da alma humana.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Armadilha de Tucídides</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-armadilha-de-tucidides/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Manuel Luiz Figueiroa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 09:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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		<category><![CDATA[Atenas]]></category>
		<category><![CDATA[disciplina]]></category>
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		<category><![CDATA[Guerra do Peloponeso]]></category>
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		<category><![CDATA[orgulho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Manuel Luiz Figueiroa (*) &#160; A chamada “Armadilha de Tucídides” nasce da reflexão do historiador grego Tucídides ao analisar a devastadora Guerra do Peloponeso. Segundo sua interpretação, “foi o crescimento do poder de Atenas e o medo que isso provocou em Esparta que tornou a guerra inevitável”. Mais do que um conflito militar, &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-armadilha-de-tucidides/">A Armadilha de Tucídides</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Manuel Luiz Figueiroa (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">A</span> chamada “Armadilha de Tucídides” nasce da reflexão do historiador grego Tucídides ao analisar a devastadora Guerra do Peloponeso. Segundo sua interpretação, “foi o crescimento do poder de Atenas e o medo que isso provocou em Esparta que tornou a guerra inevitável”. Mais do que um conflito militar, aquele episódio revelou <strong>como o medo, a ambição, o orgulho e a sede de supremacia podem conduzir civilizações inteiras ao abismo</strong>.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>A Guerra do Peloponeso não destruiu apenas cidades e exércitos; ela corroeu a ética, a confiança e o senso de fraternidade entre os homens. <strong>Atenas, símbolo da filosofia e da razão, e Esparta, símbolo da disciplina e da força</strong>, tornaram-se reféns de suas próprias paixões. Quando o medo substitui a sabedoria e o orgulho suplanta a virtude, o homem deixa de enxergar o semelhante como irmão e passa a vê-lo como inimigo inevitável.</p>

			</div></div>
<p>É nesse cenário que se pode compreender a ideia da “egrégora do mal”: uma força coletiva alimentada pelos pensamentos, emoções e ações humanas degradadas. Não apenas como conceito místico, mas como realidade psicológica e social. A soma do ódio, da intolerância, da ganância e do desejo de dominação cria um campo moral sombrio capaz de influenciar multidões inteiras. <strong>A guerra nasce primeiro no interior do homem, antes de incendiar fronteiras e nações.</strong></p>
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<figure id="attachment_77512" aria-describedby="caption-attachment-77512" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-77512 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55.png" alt="desbaste da pedra bruta" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Design-sem-nome-55-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-77512" class="wp-caption-text">O homem e seu incessante trabalho de desbastar a pedra bruta Escultura do artista Iginio Rivero Moreno (@animalsigiloso)</figcaption></figure>

			</div></div>
<p>A tradição maçônica oferece profunda reflexão sobre esse perigo ao ensinar que o verdadeiro combate da humanidade não ocorre apenas no mundo externo, mas sobretudo dentro do próprio indivíduo. O simbolismo da “corrente dos 81 nós” representa justamente os múltiplos vínculos invisíveis que unem os homens em pensamentos, atitudes e destinos comuns. Cada nó simboliza uma ligação moral, espiritual e humana. Quando essa corrente é alimentada por virtudes — fraternidade, justiça, tolerância e sabedoria — ela sustenta a harmonia coletiva. Porém, quando dominada pelas paixões inferiores, transforma-se em cadeia de propagação do medo, da violência e da destruição.</p>
<p>A Armadilha de Tucídides manifesta-se precisamente quando os homens rompem os laços da fraternidade e permitem que a corrente humana seja conduzida pela ignorância e pelo orgulho. Assim, a egrégora negativa expande-se, influenciando líderes, povos e civilizações inteiras. O inimigo deixa de ser apenas externo; passa a habitar o interior do próprio homem.</p>
<p>Por isso, a Maçonaria insiste no fundamento da construção do “homem interior”. Antes de erguer templos de pedra, é necessário lapidar a pedra bruta da alma humana. O verdadeiro iniciado é chamado a dominar seus impulsos destrutivos, vencer o egoísmo, controlar a ira e iluminar a consciência pela razão e pela virtude. Sem essa transformação interior, qualquer sociedade, mesmo poderosa e culta, corre o risco de repetir a tragédia da Guerra do Peloponeso.</p>
<p>A construção do homem interior é, portanto, um antídoto contra a egrégora do mal. <strong>O homem que aprende a ouvir antes de julgar, dialogar antes de atacar e compreender antes de condenar torna-se instrumento de equilíbrio e não de caos.</strong> Cada consciência iluminada fortalece a corrente do bem; cada espírito dominado pelo ódio fortalece a corrente da destruição.</p>
<p>A lição de Tucídides permanece atual: civilizações não caem apenas pela força das armas, mas pela decadência moral de seus homens.<strong><b> </b></strong>Quando a ambição coletiva se afasta da ética e a busca pelo poder supera o compromisso com a verdade, abre-se espaço para a repetição dos grandes desastres históricos. É o que estamos vivenciando em nível global, dentro das instituições e, até mesmo, em nossa Ordem.</p>
<p>Assim, o verdadeiro desafio da humanidade não é apenas evitar guerras entre nações, mas impedir que a guerra interior domine o espírito humano. Somente pela construção consciente do homem interior, pela vigilância moral e pela fraternidade autêntica será possível romper a Armadilha de Tucídides e impedir que a egrégora do mal continue conduzindo os destinos da civilização.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong><b>Bibliografia </b></strong></p>
<ol>
<li>Tucídides. História da Guerra do Peloponeso</li>
<li>Donald Kagan. A Guerra do Peloponeso</li>
<li>Platão. A República.</li>
<li>Graham Allison. Destined for War: Can America and China Escape Thucydides’s Trap?<br />
Thomas Hobbes. Leviatã</li>
<li>Sigmund Freud. O Mal-Estar na Civilização.</li>
<li>Albert Pike. Morals and Dogma.</li>
<li>Jules Boucher. O Simbolismo da Maçonaria</li>
<li>Eliphas Levi. A Chave dos Grandes Mistérios.</li>
<li>Robert Lomas. Os Símbolos Secretos da Maçonaria</li>
<li>Joaquim Gervásio de Figueiredo. Curso Filosófico de Maçonaria Simbólica</li>
<li>Carl Gustav Jung. O Homem e Seus Símbolos.</li>
<li>Carl Gustav Jung. Psicologia e Alquimia.</li>
<li>Mircea Eliade. Tratado de História das Religiões</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Entre a fé e o amor: a jornada que transforma vidas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/entre-a-fe-e-o-amor-a-jornada-que-transforma-vidas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Hernan Centurion]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
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		<category><![CDATA[Santo Agostinho]]></category>
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		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hernan Centurion (*) &#160; Há momentos na vida em que o céu parece tocar a terra, não porque Deus se torne mais presente do que já é, mas porque, por alguns instantes, conseguimos afastar o excesso de ruídos que nos cercam e permitir que Sua voz encontre espaço para ecoar no silêncio da &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Hernan Centurion (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á momentos na vida em que o céu parece tocar a terra, não porque Deus se torne mais presente do que já é, mas porque, por alguns instantes, conseguimos afastar o excesso de ruídos que nos cercam e permitir que Sua voz encontre espaço para ecoar no silêncio da alma.</p>
<p>Vivemos tempos tumultuados por agendas cheias, redes sociais, metas incessantes e preocupações que se acumulam umas sobre as outras como ondas que não cessam de chegar à praia. Corremos para cumprir compromissos, resolver problemas, alcançar resultados e corresponder às expectativas de um mundo que nos cobra produtividade constante e sucesso desmedido, enquanto, muitas vezes, deixamos para depois aquilo que verdadeiramente sustenta a existência humana: a vida espiritual. E talvez seja exatamente por isso que tantas pessoas, mesmo cercadas por conforto, conquistas e reconhecimento, ainda carreguem dentro de si uma sensação de incompletude que nem sempre conseguem explicar.</p>
<p>A tradição cristã sempre compreendeu algo que o homem moderno frequentemente esquece: de que fomos criados para algo maior do que nós mesmos e que transpõe a nossa fugaz existência na Terra. Existe em cada coração humano uma sede de infinito que não pode ser plenamente saciada por bens materiais, status social ou realizações profissionais. Santo Agostinho já havia percebido essa verdade há muitos séculos, quando escreveu que nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Deus e é justamente nesse conforto da alma que encontramos a forma mais elevada de felicidade, aquela que não depende das circunstâncias externas, não obstante, emerge da certeza íntima de estarmos caminhando corretamente em direção à “Luz, que alumia todo homem que vem a este mundo&#8221; (João, 1-9).</p>
<p>Ao longo desta jornada terrena, somos, então, chamados a percorrer muitos caminhos, alguns são concretos, feitos de estradas, trilhas e quilômetros percorridos com os próprios pés, já outros, invisíveis, desenhados no interior da essência, exigindo coragem para atravessar desertos emocionais, superar limitações e encontrar significados mais profundos para a existência. Aprendi, durante minha peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, que toda jornada exterior é, na verdade, uma metáfora de uma viagem interior e que, a cada passo, deixamos algo para trás; a cada subida, somos confrontados com nossas fragilidades e, a cada horizonte alcançado, percebemos que a verdadeira transformação não acontece na paisagem que nos cerca, todavia, dentro de nós mesmos.</p>
<figure id="attachment_99301" aria-describedby="caption-attachment-99301" style="width: 957px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99301 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202.png" alt="Casal Hernan e Aline" width="957" height="762" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202.png 957w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202-300x239.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-13-114202-768x612.png 768w" sizes="auto, (max-width: 957px) 100vw, 957px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99301" class="wp-caption-text">Hernan e Aline: conexão com o espiritual</figcaption></figure>
<p>Talvez por isso as experiências espirituais mais marcantes tenham algo em comum com as grandes peregrinações. Ambas nos retiram temporariamente da rotina, nos afastam das distrações habituais e nos convidam a enxergar a vida sob uma perspectiva diferente, lembrando-nos de que o importante não é tão somente chegar ao destino, contudo sermos transformados e evoluirmos durante o percurso.</p>
<p>Nesse contexto, a Igreja Católica continua exercendo um papel ímpar e insubstituível. Ao longo de mais de dois mil anos, ela tem preservado não apenas uma firme doutrina, mas uma experiência viva de encontro com Cristo, oferecendo ao homem caminhos de oração, comunhão, serviço e pura transcendência. Ao mesmo tempo, protege e valoriza aquela que continua sendo a célula fundamental da sociedade, a família, na qual aprendemos a amar antes mesmo de compreender o significado do amor, experimentamos os primeiros gestos de cuidado, de renúncia, de perdão e de pertencimento e onde a fé encontra terreno fértil para florescer perenemente, atravessando gerações.</p>
<p>Nesse contexto, estou convicto de que tenha vivido, ao lado de Aline, um dos finais de semana mais significativos e extraordinários dos últimos tempos em nossas vidas. Participamos de um encontro — a priori despretensioso — promovido pelos Campistas de Assis, movimento católico que nasceu em Presidente Prudente com a missão de evangelizar e fortalecer matrimônios e famílias por meio da convivência fraterna, da oração e da experiência comunitária, muito provavelmente inspirado na espiritualidade de São Francisco de Assis. O movimento convida homens e mulheres a redescobrirem a simplicidade e pureza do amor, a beleza da entrega e a presença concreta de Deus no cotidiano da vida individual e conjugal.</p>
<p>Nosso caminho, entretanto, já vinha sendo trilhado nos bancos da Capela São Lucas e enriquecido pelas Equipes de Nossa Senhora, movimento fundado pelo Padre Henri Caffarel, na França, em 1939, e que hoje reúne milhares de casais ao redor do mundo em torno de um mesmo propósito, isto é, buscar a santidade dentro do próprio matrimônio. Há poucos meses, fazemos parte dessa bela espiritualidade, aprendendo que o casamento não é apenas uma convivência entre duas pessoas, entretanto uma verdadeira vocação, um caminho de crescimento mútuo em comunidade e uma peregrinação compartilhada em direção a Deus.</p>
<p>Ainda assim, por mais que caminhemos, entre desvios e quedas, Deus sempre encontra maneiras de nos surpreender. E como fomos surpreendidos! Durante aqueles três dias, cercados por dezenas de casais que carregavam histórias, desafios, alegrias e cicatrizes semelhantes às nossas, fomos convidados a retirar as máscaras que normalmente utilizamos no cotidiano e a nos apresentar diante do Pai e de todos os irmãos ali presentes exatamente como somos, pecadores, frágeis, imperfeitos e necessitados de Sua graça.</p>
<p>Naquele lugar sagrado, na pacata cidade de Malhador, vivenciamos muitos instantes de oração intensa, de meditação em silêncio, de partilha edificante, momentos em que a presença de Nossa Senhora parecia envolver cada ambiente com uma ternura maternal difícil de traduzir em meras palavras. Houve também experiências em que o Espírito Santo parecia incendiar os corações com sua força renovadora, reacendendo a chama da fé e devolvendo sentido a muitos questionamentos que permaneciam adormecidos dentro de nós. Bem ali, em meio à natureza, olhando para minha própria história, esposa, família e para tudo aquilo que Deus havia construído ao longo dos anos, senti-me profundamente pequeno diante do Amor e, ao mesmo tempo, imensamente agraciado por Ele.</p>
<p>Nem sempre é confortável olhar para dentro, uma vez que também fui conduzido a um reencontro comigo mesmo, quando por vezes nos ocupamos com os defeitos alheios, poupando-nos do medo de encarar nossas próprias limitações. Somos todos, pois, obras inacabadas, pedras ainda em desbaste, constantemente trabalhadas pelas mãos amorosas e misericordiosas do Criador.</p>
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<p>Curiosamente, essa percepção me remeteu novamente ao Caminho de Santiago de Compostela. Recordei-me de que os peregrinos não carregam apenas mochilas, mas sim culpas, arrependimentos, sonhos interrompidos, medos silenciosos e perguntas sem respostas. Com o passar dos quilômetros, porém, compreendem que a verdadeira bagagem que precisa ser deixada para trás não é aquela que pesa sobre os ombros, mas aquela que pesa sobre a alma. Talvez por isso a experiência vivida naquele encontro tenha produzido algo semelhante, sem, contudo, montanhas a escalar nem longas jornadas a pé, mas sim uma travessia interior igualmente profunda e impactante.</p>

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<p>Pude perceber ainda, com mais clareza, que a santidade não está reservada aos grandes heróis da fé ou aos personagens extraordinários da história cristã. Ela se manifesta também nos gestos simples, no pedido sincero de perdão, na lágrima de arrependimento que escorre sobre a face vultuosa, na voz que embarga na garganta seca, na escuta atenta do cônjuge, no abraço apertado oferecido no momento certo, em ouvir cansado: &#8220;volta&#8221; e na capacidade de recomeçar quantas vezes forem necessárias.</p>
<p>Infelizmente, estamos vivendo tempos em que muitos casamentos se perdem não por falta de amor, mas por falta de propósito, em que casais dividem o mesmo teto, porém já não compartilham os mesmos sonhos e princípios. Famílias permanecem fisicamente próximas, mas espiritualmente distantes. Por isso mesmo é que movimentos como os Campistas de Assis, as Equipes de Nossa Senhora e tantas outras iniciativas autênticas da Igreja são tão valiosos, pois nos recordam que o matrimônio não é somente uma união entre dois seres humanos, contudo, é também uma experiência espiritual que precisa ser cultivada, protegida e constantemente alimentada pela graça divina.</p>
<p>Ao final daquele encontro, enquanto observava tudo o que havia vivido, compreendi que a vida talvez seja uma sucessão de peregrinações. Algumas percorremos pelas estradas do mundo; já outras, pelos caminhos invisíveis do coração, e , em ambas, o destino final importa menos do que a transformação produzida ao longo da jornada. E foi exatamente isso que aconteceu, quando me dei conta da beleza daquele instante, da presença amorosa de Deus em nossa história, da caminhada construída ao lado de Aline, da bênção que são Henrique e Osório, dos amigos que conhecemos e reencontramos, das fragilidades reconhecidas e da esperança que renascia dentro de nós, percebi limpidamente que existiam sentimentos grandes demais para serem contidos por palavras. Como um peregrino que, depois de longa caminhada, finalmente alcança um ponto elevado e contempla toda a estrada percorrida, pude enxergar com mais nitidez o quanto fui conduzido pela graça, mesmo nos momentos em que julgava caminhar sozinho. Vi os desvios que me ensinaram, as quedas que me<br />
fortaleceram, as pessoas que Deus colocou em meu caminho e os inúmeros sinais de amor que, por vezes, passaram despercebidos pela correria da vida. Então, compreendi que algumas experiências não chegam para nos ensinar algo novo, mas para nos recordar aquilo que, no fundo, sempre soubemos: que Deus permanece presente, que a família continua sendo nosso maior patrimônio e que amar é, talvez, a mais sublime das  vocações humanas.</p>
<p>Retorno mais uma vez para casa diferente, não porque tenha encontrado respostas definitivas para todos os desafios da vida, mas porque redescobri algo ainda mais importante: a confiança de que Deus continua conduzindo cada passo do caminho, mesmo quando não conseguimos compreender plenamente Seus desígnios.</p>
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