domingo, 25/08/2019
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Joaquim Ferreira: "o empresariado quer investir em Sergipe"

A descoberta de gás natural em Sergipe será tema de debate em setembro

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O gás natural será tema de um grande debate, em setembro, que está sendo organizado pelo Conselho do Núcleo de Desenvolvimento Econômico e Social de Sergipe, presidido pelo empresário Joaquim da Silva Ferreira. Ele explica que o debate é bem diferente do promovido pelo Governo de Sergipe, mas que não aconteceu em virtude do suicídio do empresário Said Gitz. “O nosso debate vai ser feito por pessoas do mercado. Entendi o outro evento como institucional do Governo do Estado. As pessoas ali não eram do setor do petróleo e logística”, ponderou Joaquim.

O conselho, segundo ele, não quer suprir uma lacuna do Governo do Estado nesse setor de investimentos, mas caminhar junto para que sejam desenvolvidas ações para melhorarem a economia. Joaquim assegura que, atualmente, os empresários querem fazer investimentos no Estado, desde que  lhe sejam dadas todas as garantias.

“O nosso foco, hoje, é atuar, principalmente, junto ao Governo do Estado no desenvolvimento e busca de concessões.  Entendemos que a capacidade de investimento do governo está comprometida e temos que buscar atuação mais efetiva da iniciativa privada”, afirmou Joaquim Ferreira, que há 30 anos atua no setor de energia.

Esta semana, ele concedeu entrevista ao Só Sergipe.

Com a descoberta, o gás natural pode ficar mais barato no futuro

SÓ SERGIPE – Você preside um conselho que está sempre buscando empresas para Sergipe, uma delas é na área de energia fotovoltaica. Gostaria que o senhor me falasse sobre isso.

JOAQUIM FERREIRA – O núcleo, na verdade, busca promover a atração de diversos negócios para Sergipe. O objetivo é mexer economicamente com o Estado. O nosso foco, hoje, é atuar, principalmente, junto ao Governo do Estado, no desenvolvimento e busca de concessões.  Entendemos que a capacidade de investimento do governo está comprometida e temos que buscar atuação mais efetiva da iniciativa privada.  Através da PPPs (parcerias público privadas) numa proporção menor, até porque elas exigem uma participação do governo, e pesquisando nas áreas de concessões.  O outro foco é atrair negócios para o Estado em energias renováveis e de outras empresas derivadas deste setor. Estamos focados em energia e turismo. Turismo é o que temos de infraestrutura pronta para dar resposta imediata. Temos que correr rapidamente para alancar esse setor. E nesse meio do caminho temos as concessões de rodovias, mobilidade urbana (transporte pluvial na grande Aracaju), e tantos outros projetos que apresentamos ao Governo do Estado.

O presidente da ABIH-SE, Antônio Carlos Franco Sobrinho

SS – Turismo, aliás, é um caos aqui no Estado. Tanto que os empresários não acreditam nos governos estadual e municipal. segundo pesquisa da ABIH-SE.

JF – Sergipe já teve situação mais confortável que hoje. O trade turístico precisa planejar junto com o governo. Tem que ser algo em  conjunto, bem transparente, trazendo técnicos. Só vamos mudar a realidade trazendo gente com visão de mercado, gente capacitada. Não temos tempo para preparar pessoas.

SS – O núcleo quer suprir uma lacuna do Governo do Estado, que muitas vezes faz as coisas mal feitas, visando só o lado político pessoal de governador, deputados, etc.?

JF – Eu não diria que o núcleo supre essa lacuna. Ele vem para somar. O governo tem área de desenvolvimento, o núcleo tem sugestões para o desenvolvimento, para revisão do PSDI (Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial). Entendemos que tem que mexer em algumas coisas. Exemplo: o PSDI sai diretamente de isenção total e passado o período a empresa  o perde de forma brusca. Sugerimos um escalonamento.  Uma empresa tem 10 anos de isenção de impostos, passaria para 15. E nos últimos cinco vai perdendo a isenção escalonadamente. Essas são ideias do empresariado. O que o núcleo está fazendo é coordenando essas ideias e encaminhando-as de forma apropriada.

SS – E na coordenação dessas ideias, é que entra a usina fotovoltaica, em Canindé do São Francisco, cujo projeto já foi publicizado.

JF – A usina fotovoltaica é decorrente dessas ações. Ou seja. Quando o núcleo começou a pensar nas oportunidades para Sergipe, identificamos que é possível utilizar a ociosidade do sistema lá em Xingó.  Queremos algo que agregue valor.

SS – Qual a empresa que quer vir para cá?

JF – Estamos buscando uma empresa, um fabricante de placas solares para alavancarmos essa indústria aqui no Estado. Queremos aproveitar essa oportunidade.  Outra vertente importante é o gás e temos que ter muito cuidado. Temos que tratar essa reserva com muita cautela e entender o que faremos com isso. A natureza nos beneficiou e temos que saber como tratar isso.

SS – Essa sua opinião difere daquele político eleito, que tem prazo de validade,  do empresário que não é um cargo temporário.

JF – É isso. O empresário não é temporário.  Ninguém abre uma empresa para fechá-la daqui a alguns anos. O político tem um período definido. Essa visão de longo prazo que o empresário precisa ter, tem que ser tratada pelos entes governamentais. O Estado não pode operar por espasmos,  mas num ambiente planejado, direcionado, com política industrial bem definida.

SS – O senhor já teve reuniões com o governador sobre isso?

JF – O núcleo apresentou uma proposta ao governador Belivaldo Chagas, numa oportunidade. Tivemos com o Felizola, secretário de governo. Mas o núcleo quer estar perto: ser um ente paragovernamental, no sentido de ajudar. O lema do núcleo: aplaudir  o governo que está saindo, pelo bem que ele fez.

SS – Não chega a ser utopia esse pensamento quando se fala de políticos?

JF – Olha, essa é uma decisão que temos que tomar. Nós somos empresários sergipanos e queremos trabalhar. Estamos nos colocando à disposição de forma clara.  Não temos ideias faraônicas, não estamos falando em nada com megalomania. Quando falamos num projeto grande como o de Canindé, é porque temos condições de receber algo dessa magnitude. Pensamos coisas com os pés no chão. Não estamos falando nada demais quando dizemos que tem um grupo querendo implantar um parque aquático, na orla da Atalaia, mediante a concessão de uma área por determinado período. Ou um grupo que  quer estudar a concessão da rodovia Rota do Sertão. Não é nada absurdo. As ideias que colocamos são objetivas, fizemos consulta ao setor privado que quer participar. Isso é um fato relevante. O setor privado quer fazer. Basta ter segurança institucional para investir. Não vejo como utópico, mas muito pé no chão.

SS – O senhor está promovendo um evento, em setembro, para estudar o gás natural em Sergipe. Poderia detalhar?

JF – Em setembro estamos organizando um evento destinado a avaliar a descoberta de gás em Sergipe. Teremos a participação da Agência Nacional de Petróleo, Ministério de Minas e Energia, pessoas do setor de fertilizantes, geração térmica, naval. Esse grupo vai estar reunido, no dia 27, no Hotel Real Classic, para debater essas oportunidades e gerar um documento.

SS – Esse evento vai suprir uma lacuna daquele primeiro, que não houve devido ao suicídio do empresário Said Gitz? Porque iam discutir as mesmas coisas?

JF – Não. Esse é técnico. O debate vai ser feito por pessoas do mercado. Entendi o outro evento como institucional do Governo do Estado. As pessoas ali não eram do setor do petróleo e logística. Este nosso é com pessoal gabaritado, de altíssimo nível, que virá a Sergipe discutir e dizer qual a visão que eles têm desse tema, gás natural.

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