sexta-feira, 14/12/2018
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Débora Guerra diz que shoppings empregam a maioria dos jovens. Fotos: Victor Caldas

“Temos que dar oportunidade aos jovens”

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Na última terça-feira, 24 de abril, o mundo celebrou o Dia Internacional do Jovem Trabalhador, cujo objetivo é destacar a importância deles no mercado de trabalho e alertar ao empresariado o quanto é importante dar oportunidade a essa parcela da população. Em Aracaju, o Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM) tem com foco auxiliar na formação de cidadãos mais conscientes e conectados com o atual mercado de trabalho. Mas, enquanto o IJCPM se esforça para qualificar jovens em Aracaju, a sensibilidade do empresariado local para absorver essa mão de obra qualificada deixa a desejar. Dos 1 mil jovens preparados, apenas 72 deles – menos de 10% – iniciaram a vida profissional.

Mas a coordenadora de projetos sociais do IJCPM, Débora Guerra, não desanima e, dentro de poucos dias, marcará uma reunião com empresários para falar, não só do instituto, mas da necessidade de se dar oportunidade a esses jovens.  Todos os jovens de 16 a 24 anos, que estejam na escola pública ou tenham saído dela, podem ter a chance de se qualificar melhor para o trabalho, nos cursos oferecidos pelo IJCPM, realizados no mezanino do Shopping Jardins.

Débora Guerra diz “queremos que os jovens aprendam de maneira eficaz os conteúdos, mas que junto a isso possam estar sendo pessoas de atitudes eficientes, respeitosas, cumpridoras de seus deveres, comprometidas”. E que com esses atributos, o empresariado veja neles um futuro de sucesso.

Essa semana, Débora Guerra conversou com o SÓ SERGIPE sobre esse trabalho do IJCPM. Leia os principais trechos.

SÓ SERGIPE – Como nasceu essa ideia do grupo JCPM em qualificar jovens para inseri-los no mercado de trabalho?

DÉBORA GUERRA – O instituto já faz esse trabalho há 10 anos em Recife e se estendeu acompanhando os empreendimentos do Grupo JCPM.  Onde ia se estabelecendo um empreendimento, ia sendo fundado os institutos. Isso aconteceu em Recife, que veio antes dos shoppings estarem nas comunidades. O desejo de fazer a introdução dos jovens sem condições de estar no mercado de trabalho foi de João Carlos, que bem conhece a realidade daqueles que têm menores chances. Ele começou esse trabalho em parceria com as escolas, em 2007. Depois de um ano de trabalho, o resultado foi bom e João Carlos decidiu abrir em todo empreendimento.  Salvador e Fortaleza têm dois, instalados nos shoppings.  E trabalhamos com essa comunidade próxima.

SS – E em Aracaju?

DG – Como em Aracaju os shoppings já estavam antes dos institutos, nós trabalhamos com as escolas do entorno. Nosso público alvo são os jovens de escolas públicas de 16 a 24 anos. E nosso maior objetivo é inseri-los no mercado de trabalho com a primeira oportunidade de emprego, pois eles têm mais dificuldades pela própria preparação que, infelizmente, recebem nas escolas.  Eles têm muitos percalços na vida de estudantes, muitos evadem porque têm que trabalhar.  O instituto chama esses jovens para se prepararem com cursos técnicos para qualificação no mercado de trabalho e também no desenvolvimento humano, no que diz respeito às atitudes. Que eles possam ser cidadãos de verdade, cultivando direitos e deveres, sendo de melhor qualidade. Temos uma metodologia toda voltada para isso: queremos que ele aprenda de maneira eficaz os conteúdos, mas que junto a isso possam estar sendo pessoas de atitudes eficientes, respeitosas, cumpridoras de seus deveres, comprometidas. Trabalhamos muito com regras. Eles precisam estar uniformizados, chegar no horário, ter frequência, participação. Eles não podem estar no instituto como mais um lugar de ocupação, mas de preparação para a sua vida pessoal. E que eles possam multiplicar isso nas suas casas e em outros ambientes que circulam.

Jovens finalizando uma vivência em alusão ao Dia Internacional do Jovem Trabalhador

SS – No caso daqui de Aracaju, onde são dados esses cursos?

DG – Estamos no mezanino do Shopping Jardins, onde era o antigo Instituto Canadá. Trabalhamos com inglês, curso chancelado pelo Yázigi, informática básica e avançada, além de cursos pontuais. Por exemplo, empregabilidade, com três módulos: autoconhecimento, mercado de trabalho e carreira, para que possam se conhecer, se prepar para o mercado, do mais básico ao mais complexo. Eles também aprendem a fazer um currículo e como se comportar numa entrevista; depois vão para o outro módulo que é sobre a carreira para se planejarem.   Vamos iniciar, a partir de 7 de maio com sensibilização para duas turmas multidisciplinares, que são Reflexões Numéricas, Comunicação Oral e Cidadania.  Vão agregar o que aprenderam na escola e ampliar com esses cursos.

SS –E cada curso tem um período?

DG – Inglês é de um ano, esse multidisciplinar que citei será de seis meses, informática básica quatro meses.  Em julho trabalhamos com oficinas culturais como fotografia, maquiagem, teatro, nas férias escolares.

SS – O aluno pode fazer vários cursos?

DG – Ele pode fazer um de cada vez. Como nossas vagas são limitadas, por semestre são 350 alunos, mas se sobrar vaga ele pode fazer. Não posso deixar um fazer, por exemplo, inglês e informática e outro não fazer nada.

SS – Uma coisa me chamou a atenção: de 1 mil jovens que vocês capacitaram, apenas 72 conseguiram emprego. Menos de 10% do total. O que está faltando para esses jovens serem mais aproveitados no mercado de trabalho? Apoio do empresariado local?

DG – Eu acho que é isso mesmo. Esse conhecimento na qualidade do curso, já manda o jovem com mais qualificação. Os empresários falam muito de mão de obra desqualificada. Nós poderíamos estar inserindo muitos jovens, os menores de idade no aprendiz, mas não vemos a legislação sendo cumprida.  Não há muita disposição do empresário em  ouvir o que temos a oferecer, conhecer os jovens. Eles são preparados para ingressarem no mercado de trabalho.

SS – Nos dois shoppings, enquanto empreendimento do Grupo JCPM, tem jovens trabalhando?

DG – Sim, a maior parte deles.

SS – Vocês têm o know-how da marca JCPM e os empresários não dão a contrapartida. Imagine uma entidade menor, o sofrimento que não deve ser para buscar trabalho para os jovens.

DG – A gente tem se esforçado nessa divulgação, para que não seja por falta de conhecimento do instituto. Nossa rede de empresários não é pequena, mas, às vezes, as oportunidades não chegam. Nós estamos agora para fazer uma reunião com empresários sobre programa de aprendizagem, mas é uma luta para que eles compareçam. É como se eles não entendessem: não é só cumprir a legislação, mas preparar o jovem porque ele estará no mercado depois dando retorno. A gente vai oferecer qualidade para todo mundo. Todos ganham com mão de obra qualificada, é menos custo para a empresa, menos rotatividade, mais produção. E temos que dar oportunidade a esses jovens, aproveitá-los.

SS – O JCPM tem dois shoppings em Aracaju, que é o Jardins e o Riomar. O instituto está nos dois?

DG – O instituto é corporativo e está nos dois shoppings. Nós somos da rede, só estamos localizados no Jardins. Recebemos qualquer estudante de escola pública.  Temos alunos do Mosqueiro e Santa Maria são maioria. Todo jovem que preencher os critérios, que é ser de escola pública, ter de 16 a 24 anos, o instituto está de portas abertas.

SS – E o que ele deve fazer para participar do instituto?

DG – Ele pode telefonar para o instituto, pelos números 2107.5577 ou 98010.1307, para saber as datas dos cursos e ir até lá fazer a inscrição.  Temos a fotografia. Nós tivemos um curso de fotografia na cultura, e uma das garotas já estava fotografando casamentos, chá de bebê, batizados, fazendo books. O que ela havia aprendido já a diferenciava, pois deu mais qualidade ao seu trabalho. O que era um lazer para ela, agora virou uma profissão.  Daí, vamos para o empreendedorismo também.

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