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Avenida Anatole France, hoje a tarde. Foto: Orcenir Bento

Sergipanos narram os horrores em Paris

Publicado em 14 de novembro de 2015, 23:20

“Por uma infeliz coincidência, eu estava em uma das ruas em que aconteceu um dos tiroteios de ontem. Apenas hoje, 14, descobri que eu estava mais perto do que eu poderia querer estar. Em nenhum momento, contudo, eu estive em perigo, pois era convidado para a festa de inauguração de um apartamento, então não estava na rua. Pude, no entanto, ouvir todos os tiros. Ingênuo, pensei se tratar de fogos de artifício. Um minuto depois, o twitter confirmava que eu estava errado. Fotos dos outros tiroteios apareceram rapidamente; e não muito depois, sirenes e alarmes indicavam que algo de errado acontecera nas proximidades”.

O relato é do universitário Maurício Cardoso, natural de Aracaju, que reside em Paris desde outubro de 2014, onde faz doutorado, a respeito dos ataques terroristas da noite de sexta-feira, 13, que abalaram o mundo. O atentado matou 129 pessoas e feriu outras 352.  Maurício, que já entrou em contato com os familiares que residem no bairro Cirurgia, os tranquilizou.

Outro sergipano, natural de Aracaju, Adierson Monteiro Filho, disse que passou pela Place de La Republique algumas horas antes dos ataques terroristas. “Passo todos os dias por lá”, assegurou. Depois contou que a rua estava completamente deserta, pediu licença, encerrou a conversa  e disse que iria para a casa de alguns amigos com a esposa.

Érico, feliz por não ter ido a Paris na sexta-feira
Érico, feliz por não ter ido a Paris na sexta-feira

Na sexta-feira, o aracajuano do bairro Ponto Novo e estudante da Universidade Federal de Sergipe (UFS),  Érico Couto, iria assistir ao jogo França e Alemanha, mas como os ingressos estavam muito caros, ele desistiu. Ele mora em Gueret, a 300 quilômetros de Paris e hoje se diz aliviado em não ter ido assistir ao amistoso no Stade de France. Bolsista, ele faz estágio na França em um escritório de estrutura de madeiras há três meses e só retorna a Aracaju em setembro do próximo ano.

Ele estranhou o comportamento dos franceses do interior que não deram importância ao assunto. “Inclusive,  falávamos no grupo e uma amiga que estava na casa de franceses disse que estava passando o plantão em vários canais de televisão. Ela queria ver o noticiário, mas os franceses da casa onde ela estava mudaram de canal”, contou. “Quando se trata dos  franceses eles falam como se estivessem muito distantes. ‘Ah foi lá em Paris’ “, completou.

Com os atentados, o plano de Érico é passar  o Natal em Roma. Inclusive,  já está com passagem comprada. “Na verdade estou com muito medo de ir pra lá. Roma, no Natal, por causa do Vaticano, é cheia de turista. Isso agrada aos terroristas”, lamentou.

A universitária Nathally Rodrigues, natural de Nossa Senhora do Socorro, região metorpolitana de Aracaju e que cursa Direito na Itália, diz que as autoridades italianas estão preocupadas com os ataques terroristas na França e reforçaram a segurança. Algumas pessoas, em sinal de solidariedade aos

Casas na Itália, com a bandeira da França
Casas na Itália, com a bandeira da França

franceses,  colocaram bandeiras em alguns pontos da cidade.

De perto – A mato-grossense, Orcenir Bento, casada com um francês e amiga de vários aracajuanos, ouviu as explosões, pois reside próximo ao Stade de France, onde acontecia o jogo amistoso França e Alemanha.

Orcenir e o marido Georges moram perto do Stade de France, onde uma bomba explodiu
Orcenir e o marido Georges moram perto do Stade de France, onde uma bomba explodiu

“Nós estávamos em casa. Foi desesperador, muita tristeza. Na sexta à noite, não saímos às ruas porque fomos orientados a ficar dentro de casa, pois a polícia estava à caça dos terroristas. Residindo há 10 meses em Paris, casada com um francês, Orcenir foi para a rua hoje à tarde e as encontrou totalmente deserta. “E só vi tristeza no semblante das pessoas”, contou.

Ao passar pelas principais ruas da capital parisiense agora à tarde, Orcenir contou que a capital está tomada pelas Forças Armadas. Destacou que o presidente  François Hollande decretou estado de emergência e fechou todas as fronteiras para evitar novos ataques.

De acordo com as agências de notícias internacionais, o presidente francês afirmou que o Estado Islâmico (EI) era culpado pelos atos de guerra. Depois, o grupo terrorista assumiu a autoria dos ataques e disse que esse era apenas o começo.

“É um ato de guerra que foi cometido por um exército terrorista, um exército jihadista, o Daesh, contra a França”, disse Hollande, usando a sigla em árabe para o Estado Islâmico. “É um ato de guerra que foi preparado, organizado e planejado no exterior, com cumplicidade de dentro da França.” Hollande prometeu uma resposta “implacável” aos atos de terror e decretou três dias de luto nacional.

 

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