sábado, 18/11/2017
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Ilustração de Rildo Bezerra
Ilustração de Rildo Bezerra

Num beco sem saída?

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Na última sexta-feira, à noite, parte da avenida Hermes Fontes foi fechada pela Polícia Militar porque ocorria um assalto em um dos estabelecimentos comerciais.  Horas antes, no bairro Luzia, um cidadão teve um notebook roubado por dois homens em uma moto, enquanto uma mulher chorava porque a sua loja, no mesmo local, havia sido arrombada pela segunda vez em menos de uma semana. Em pouco espaço de tempo, cenas de violência que levam à perplexidade e deixam as pessoas assustadas e com o olhar desconfiado para o futuro  incerto da segurança pública.

Mas que futuro, se em todo país não há uma política de Estado para segurança e sim política de governos?  Nesse ritmo, Aracaju e o próprio Estado poderão se tornar uma terra sem lei, como é o Rio de Janeiro, com índices de violência alarmantes? E o que esperar desse Brasil entregue à própria sorte ou ao azar de seus maus representantes nas mais diversas esferas? No Rio já há uma guerra civil em andamento.

O que mais se pode esperar? Que há maus exemplos na política brasileira, isso já é um fato consumado. Estamos às vésperas de 2018 e não há salvação à vista. Não se sabe se a população vai escolher o próximo presidente ou o próximo ladrão. No Congresso Nacional vai ser pior ainda. Serão 513 sabe-se lá o que na Câmara de Deputados e 81 no Senado. Para completar, o Supremo Tribunal Federal (STF), a última trincheira da moralidade, tal qual o Congresso, também começa a desmoronar.

O simpático e carismático ministro Gilmar Mendes e seu amável e simpático colega Luís Roberto Barroso trocaram farpas em rede nacional. Com a devida vênia, Vossas Excelências se acusaram de soltar gente de passado duvidoso: Gilmar disse que Barroso soltou o inocente ex-ministro José Dirceu e Cesare Battisti, aquele  suposto ativista italiano condenado por homicídios na Itália, mas que aqui foi perdoado na era lulopetista.

Mas Barroso acusou Gilmar, entre outras coisas, de ser leniente com os crimes de colarinho branco e que este ministro “vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, isso é Estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário”.

Bom! O leitor deve estar se perguntando: o que tem a  ver os impropérios dos ministros do STF, as incertezas das eleições e a violência no bairro Luzia, em Aracaju, ou na terra sem lei carioca, tão distantes geograficamente da Corte Suprema?

Tudo.  Todos estão, cada um no seu ritmo, em processo de deterioração.   E não há como escapar. O povo não tem mais a quem recorrer e os valores da sociedade brasileira estão invertidos. Tudo de ruim que está ocorrendo, infelizmente, é considerado normal.

Aqui, lamentavelmente, é comum ovacionar bandido e hostilizar a polícia. A grande mídia e os Direitos Humanos se revoltam quando a polícia mata um bandido, mas não se incomoda quando ocorre o contrário. E quando os bandidos vão presos, ainda querem ter direitos, enfrentam a polícia e tudo mais.

Mas no fundo, esses bandidinhos pé de chinelo que ficam nas esquinas roubando e matando por causa de um celular, tem razão. Aprendem tudo com os professores da grande escola chamada Brasília.

Mas acho que há ainda um último suspiro: fora da Polícia Federal, não há salvação.

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